Enfim, Jazz! Enfim, Blues!

São 12 meses de espera... Mas com certeza, vale a pena! Ao longo de um ano, depois do último Carnaval, a Via de Comunicação e Cultura pensou em cada detalhe, cada momento, cada perfil do público que sobe a serra para viver quatro dias de Festival Jazz & Blues. Oficinas, shows, ensaios abertos, conversas com grandes músicos, tudo foi pensado para proporcionar a mais de 12 mil pessoas um Carnaval prazeroso, ao som de boa música, não só de jazz e blues, mas de variações destes dois gêneros atemporais e mundialmente tão apreciados.

É com muita honra que o Festival Jazz & Blues recebe grandes instrumentistas deste e de outros países. São pianistas, violinistas, violonistas, contrabaixistas, guitarristas, flautistas, gaitistas... pessoas que de tanto amor que têm à música, procuram apresentá-la ao público com a mais perfeita interpretação; perfeição inatingível, como a própria natureza, e por isso mesmo tão valiosa!

Aos palcos de Guaramiranga, Fortaleza e Sobral, o Festival recebe Roberto Taufic e Eduardo Taufic (RN), Gabriel Grossi (DF), Omar Puente (Cuba), De Blues em Quando (CE), Orquestra de Flautas de Baturité (CE), Marco Lobo (BA/RJ), Puro Malte (CE), Atiba Taylor (EUA) com Artur Menezes (CE), Felipe Cazaux (CE), The L.X.G. (EUA), Jaques Morelenbaum e Cello Samba Trio (RJ), Gadi Lehavi Trio (Israel) com Ravi Coltrane (EUA), Blues Label (CE), Cainã Cavalcante (CE), Grupo Solar com Tatiana Parra (SP), Yamandu Costa (RS), Danilo Caymmi e Flávio Mendes (RJ) e Sobrajazz (CE).

É também com muito prazer que o a Via de Comunicação e Cultura, patrocinadores e parceiros recebem o público, que vem de todo o país, para apreciar a boa música nesse paraíso serrano e comemorar conosco mais uma edição. Turistas, viajantes, veranistas e moradores do Maciço de Baturité, sejam todos bem-vindos ao 13º Festival Jazz & Blues!



Alunos da oficina de cortejo percussivo saíram às ruas em 2011

Música em foco: Festival promove palestras e oficinas

Para quem é apaixonado por música e quer ir além dos shows, jam sessions e dos bate-papos com os artistas, o Festival Jazz & Blues preparou uma programação de oficinas e palestras sobre temas relacionados à música. A programação é aberta a artistas, estudantes e público em geral. Todos os dias tem oficina de Cortejo com o professor e percussionista Vanildo Franco. Não precisa saber tocar para participar. Na oficina, o participante vai descobre o que fazer. As aulas serão de 10h ao meio-dia no Ginásio da Escola Zélia de Matos Brito. Também em todos os dias de Carnaval, à tarde, a partir das 14 horas, acontece oficina de História do Jazz no Campus da UECE em Pacoti.

Diariamente, o Festival Jazz & Blues oferece ainda palestras sobre temas relacionados à música, ministrada por profissionais que atuam no setor. No sábado, dia 18, o jornalista e coordenador de música da Secretaria da Cultura de Fortaleza, Dalwton Moura, fala sobre o Mercado Cultural, dividindo com o público sua experiência junto aos artistas de Fortaleza.

No domingo, é a vez do jornalista Fábio Marques, repórter de cultura do jornal Diário do Nordeste e integrante da equipe de mídias sociais do Festival Jazz & Blues, dá dicas de como utilizar as redes sociais em prol da arte, divulgando o trabalho de artistas independentes junto ao público e aos meios de comunicação tradicionais. Na segunda-feira, o belga Henri Greindl, que faz show no Festival com o Grupo Solar, ministra palestra sobre Como e porque gravar um CD. E na terça-feira, o diretor da Associação de Produtores de Discos do Ceará (Prodisc), Ivan Ferraro, fala sobre a Formação de coletivo de música da rede pública, narrando experiências desenvolvidas na área nos últimos anos. As palestras acontecem diariamente das 10h às 12h no Campus da UECE, em Pacoti.



Entre os produtos, estão toy arts de músicos famosos assinados por Erik George

Souvenirs, regalos, gifts, lembrancinhas...

Quer levar um pouquinho do Festival Jazz & Blues para casa? Em Guaramiranga visite a Loja Oficial, que vai funcionar nos quatro dias – 18 a 21 de fevereiro – das 10h às 24h em frente à Praça do Teatro Rachel de Queiroz, e o showroom, das 16h às 23h na Cidade Jazz & Blues.

Coordenada pela designer Claudiana Cordeiro, a Loja Oficial terá suvenires da marca Jazz & Blues. Este ano, foram utilizadas obras do artista russo Eugene Ivanov. São camisetas masculinas, babylooks e batas femininas. E mais, canecas, copos, chaveiros, marcadores de livro e ímãs de geladeira.

Produtos de estilistas e artistas visuais também serão comercializados. Entre os quais, roupas bordadas da marca Suria e bolsas e colares da marca 7Marias. Na área de decoração, esculturas soldadas em ferro e cobre do artista Caetano Barros, toy art de músicos famosos assinados por Erik George e peças de madeira esculpida do mestre Luiz do Cumbe. As atrações musicais do Festival Jazz & Blues também terão seus CDs à venda na Loja Oficial. Para todos os produtos, serão aceitos os cartões Visa e Mastercard. Compras à vista terão 10% de desconto. Durante o Festival, siga a Loja Oficial no twitter para acompanhar promoções relâmpagos: @lojajazzeblues.

Museu Nacional de Arte Antiga de Portugal

O Museu Nacional de Arte Antiga, de Portugal, é o mais importante museu de arte dos séculos XII a XIX. No prédio estão coleções de escultura, pintura, desenho e artes decorativas, na sua maioria de origem europeia.

No entanto, há também artes orientais representativas das relações culturais que se estabeleceram entre a Europa e o Oriente, no contexto das viagens ultramarinas iniciadas no século XV, de que Portugal foi nação pioneira.

Localizado na capital portuguesa, Lisboa, o museu está situado em um prédio que era um palácio do século XVII. O palácio foi construído a mando de D. Francisco de Távora, primeiro conde de Alvor. Ele também é conhecido como Palácio de Alvor-Pombal. Em 1759, o prédio foi adquirido num leilão por Paulo de Carvalho e Mendonça, irmão do Marquês de Pombal – secretário de Estado português durante o governo D. José I. Com a morte de Paulo, Pombal passou a ser proprietário do prédio tendo este ficado na posse da sua família por mais de um século.



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Nan Goldin: Fotos de nudez e sexo explícito em mostra no RJ

Está em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro Heartbeat, a maior exposição da fotógrafa americana Nan Goldin já montada no Brasil. Conhecida por fotografias e slideshows com cenas de nudez, sexo explícito e consumo de drogas, a artista terá exibidas obras dos anos 70 a 2000.

Nan Goldin se celebrizou fotografando com luz natural, amigos e amantes, em Boston e, depois, Nova York. Ganhou reconhecimento depois que o jornal New York Times atribuiu a ela a criação de um novo gênero fotográfico. A crítica positiva veio na época em que ela expôs pela primeira vez as imagens de The Ballad of Sexual Dependency (A Balada da Dependência Sexual), em 1979.

Além das obras desta série, estão no Rio o slideshow O Outro lado (The other side), em que retrata travestis e drag queens e a série fotográfica Landscapes (Paisagens).
Uma das séries mais polêmicas, porém, é Heartbeat (Pulsação), que dá nome à mostra. São 245 slides sobre a interação entre homem e mulher e seus filhos. O jornal O Globo relatou que a curadoria mostrou preocupação com possíveis questionamentos jurídicos a essa parte da exibição. Nan Goldin exibe, aqui, nudez de adultos e crianças.

Heartbeat - Nan Goldin
MAM Rio
Até 8 de abril
De terça a sexta, 12h às 18h
Sábado, domingo e feriado, 12h às 19h
Ingresso: R$ 8,00 - Estudantes e idosos pagam meia
Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$ 8,00
Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo

Americana pula no pescoço de homens em obra de arte inusitada

Lilly McEroy questiona a "superficialidade das relações contemporâneas" através de saltos no escuro.

Tudo pela arte

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Lilly McEroy /Divulgação

Sair pela noite, conhecer alguém especial e se jogar nos braços dessa pessoa. O que pode ser o resumo de uma balada para muita gente, virou mote para a inusitada performance de uma artista americana.


Lilly McEroy literalmente pula no pescoço de homens desconhecidos em pubs americanos. A artista lança saltos ao espaço, sem consentimento do parceiro. Caso ele esteja preparado, fica com a “encomenda”. Caso não, o resultado é “tudo pela arte”.

Para realizar o projeto, ela marcou encontro “às cegas” na rede social www.Craigslist.org
Segundo Lilly, o objetivo é propor uma conexão positiva com outra pessoa, possível apenas se o salto der certo. A artista questiona a superficialidade das relações amorosas contemporâneas.
Lilly McEroy /Divulgação


“Eu usei meu corpo como um projétil preparado num estado de constrangimento social, capaz de subverter os papéis estereotipados das relações, conexões sociais e o desejo de criar relacionamentos rápidos que sejam intensos e duradouros”, diz em seu site.
Lilly McEroy /Divulgação


Lilly é formada em arte e escrita criativa em universidades no Arizona e Illinois. Boa parte dos seus trabalhos questiona o amor e a liberdade. A artista já fez apresentações solo em vários estados americanos e participou de exposições coletivas em países como Austrália e Finlândia.

Kidá defende incentivo à gravura


O artista plástico António Feliciano “Kidá”
Luanda – O artista plástico António Feliciano “Kidá” defendeu hoje, em Luanda, que se deve criar condições objectivas de modo a fazer ressurgir a gravura e pô-la no patamar das outras modalidades artísticas como a pintura e a escultura.


Kidá, que falava hoje à Angop, disse ser preocupante o facto de as instituições promotores de concurso de artes não incluírem, por exemplo, a gravura como uma das especialidades concorrentes.


“Quanto a isso, uma destas instituições alegam a existência de poucos executantes da gravura. No entanto, digo que existem no país gravadores que podem participar do concurso e, por sua vez, incentivarem a nova geração a praticar esta modalidade”, asseverou.


Para a fonte, quer as instituições privadas quer as públicas têm de se preocupar na criação de incentivos a esta modalidade, pois não se pode limitar a criatividade artística, só com a pintura e a escultura, enquanto as artes plásticas têm uma diversidade de especialidades artísticas.


O artista informou que a prática da gravura é secular, o que está provado das pinturas rupestres existentes em vários cantos do globo. Logo, disse, não há como não dinamizá-la.


O também gravurista informou que, com o propósito de ver o progresso gravura, tem estado a ministrar na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), a título gratuito e de um tempo a esta parte, um curso básico desta especialidade artística, o qual tem tido muita aderência de jovens.


Assim, passados cerca de um ano e tal, treze jovens receberam o ano passado seu respectivo diploma como gravurista, o que de certa forma reconforta Kidá que acredita que a gravura, com esta acção formativa e outras que hão de vir, poderá ocupar o seu lugar no contexto das artes plásticas angolanas.


No entanto, Kidá é ainda de opinião que nas futuras instalações da escola média de artes plásticas a gravura seja tida como uma especialidade de formação e não como simplesmente uma disciplina.


Nascido aos 25 de Setembro de 1961, na província do Bengo, António Feliciano “Kidá” iniciou a sua formação e carreira artística em 1980, tendo feito cursos básicos de desenho, pintura e cerâmica no ex-Barração e na União Nacional dos Artista Plásticos (UNAP).


Em 1989, Kidá partiu para Portugal, onde em Villa Nova de Cerveira fez o curso médio de artes plásticas para além de outros cursos. Naquele país, fez ainda as suas três primeiras exposições individuais nos anos 1994 e 1995 (todas com o título "Exposição de Linóleogravuras").


Em Angola, as suas duas amostras individuais foram feitas em 1996 "No Trilho da Goiva" e 2006 "20 Anos de Gravura - Exposição Retrospectiva".


António Feliciano foi vencedor do Prémio Nacional de Gravura, instituído pela UNAP em 1987, bem como do Prémio Cidade de Luanda de Artes Plásticas/Gravura em 1999.

Pintor Antoni Tàpies morre aos 88 anos

Antoni Tàpies foi um conhecido opositor do regime franquista

O pintor e escultor catalão Antoni Tàpies, considerado um dos maiores representantes europeus da arte abstracta do pós-guerra, morreu nesta segunda-feira, aos 88 anos, em Barcelona.

 Numa entrevista que deu ao El País, em 2004, já com problemas de cegueira e de audição, dizia que “o corpo humano se adapta a tudo” e que envelhecer lhe tinha dado uma certa tranquilidade. Sentia que se encontrava “um pouco mais livre do que quando era jovem”. Acreditava que a pintura só valia a pena se fosse útil à sociedade, “porque senão não valia a pena fazê-la”.

Nasceu em Barcelona, em 1923, numa família burguesa e o seu pai queria que ele fosse advogado. Ainda estudou direito, mas abandonou o curso para se dedicar à arte em que era autodidacta.

Alugou o seu primeiro atelier, em 1946, na cidade de Barcelona. Começou a estudar a arte moderna através de livros e revistas catalães do início dos anos 30. Quando tinha 18 anos, por causa de uma lesão pulmonar, teve de passar dois anos na cama e dedicou-se a copiar obras de pintores que admirava, como Van Gogh e Picasso. Foi graças ao seu médico da altura, que, anos mais tarde, conheceu em Paris, o pintor de Guernica.

Conseguiu uma bolsa para estudar nesta cidade e é lá que, em 1956, realiza a primeira exposição individual. O coleccionador de arte e galerista Joan Prats iniciou-o na literatura surrealista de André Breton (Tàpias funda, em 1948, o grupo Dau al Set, que abandona em 1951) e apresentou-lhe o pintor Miró, que foi seu amigo até morrer.

Em 1960, Tàpies participou numa mostra da nova pintura e escultura espanhola no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e esteve representado na exposição “Before Picasso, After Miró”, do Museu Guggenheim da mesma cidade.

Como artista integrava-se na tradição cultural da Catalunha, com uma dimensão política simultaneamente autonómica e contra o franquismo (foi preso em 1966). “Tem uma forte influência da liberdade poética do surrealismo, mas há nele, uma orientação muito original para outras sensibilidades, nomeadamente as orientais ligadas ao budismo”, diz o historiador de arte João Pinharanda. “Na sua pintura, o gesto liberta-se quer da forma naturalista, quer da escrita verbal. Cada conjunto de gestos transforma-se num signo. Às vezes, imprime a sua mão na tela como se estivesse a repetir um gesto primordial.”

Em 1954, a sua obra passou a ser mais expressiva e deu origem àquilo que se designa por pintura matérica. “Ao mesmo tempo que o gesto se autonomiza, a matéria com que pinta toma conta da superfície pintada. Ganha volume, quase que se transforma em matéria escultórica. Isso também coincide com a utilização que faz de matérias que são estranhas à pintura tradicional”, lembra João Pinharanda. Antoni Tàpies utilizava nos seus quadros: cimentos, areias, látex, pó de mármore, etc. E incorpora na sua pintura, materiais de lixo urbano. “Como se estivesse a recuperar do lixo coisas que voltava a erguer como grande Arte. É uma arte feita com materiais pobres. Tàpies enquadra-se nessa poderosíssima genealogia da grande pintura espanhola. Tem toda a tradição atrás dele”, conclui Pinharanda.

Em 1990 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias e abriu as portas da sua Fundação, em Barcelona, onde expunha a sua obra. Esteve representado na Bienal de Veneza e na Tate Gallery em Londres. A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e a Fundação de Serralves, no Porto, fizeram retrospectivas da sua obra e, em 2010, houve exposições suas em Évora e na Régua.

Quadros de Paula Rego, Vieira da Silva e Andy Warhol vão a leilão

Quadros de Paula Rego, Vieira da Silva e Andy Warhol, entre outros artistas portugueses e estrangeiros, num total de 250 obras, vão a leilão a 13 de Fevereiro, em Lisboa, pela Veritas Art Auctioneers.

O leilão de arte moderna e contemporânea, com obras de pintura, escultura e fotografia, realiza-se a partir das 21:00, mas as obras vão estar em exposição a partir de 9 de Fevereiro nas instalações da leiloeira, na Avenida Elias Garcia, em Lisboa. Contactado pela agência Lusa, Igor Olho-Azul, sócio da Veritas, recordou que este é o segundo leilão de arte moderna e contemporânea realizado por aquela empresa, com a diferença de ser "mais reduzido em número de lotes, mas com uma seleção de obras mais apurada".

Sobre a proveniência das obras, indicou que são sobretudo de colecionadores portugueses, com reduzido número de estrangeiros.Nas peças predominam também os artistas portugueses, mas o sócio da Veritas avançou que a intenção da leiloeira é diversificar mais a autoria das obras também para criadores estrangeiros, "de forma a atrair mais clientes fora de Portugal" para estes leilões. Sobre a situação das vendas num quadro de crise, Igor Olho-Azul disse que, "por vezes, vendem-se as obras melhores, outras vezes vendem-se as obras de valores mais baixos, mas uma coisa é certa: os clientes estão cada vez mais informados para fazer a melhor selecção do que querem comprar".

Entre as obras que vão a leilão estão ainda peças de Joana Vasconcelos, Lucio Muñoz, Cristina Iglésias, Salvador Dali, Dórdio Gomes, José Pedro Croft, Julião Sarmento, Arman, Fernando Calhau, Joseph Kosuth, Arpad Szenes, Matthias Hoch e Gunter Grass, entre outros.

"O Morro da Ribeira - Porto", um óleo sobre tela de Dórdio Gomes datado de 1958, vai à praça por 80 000 euros, enquanto um guache sobre papel da série dos contos populares (anos 70 do século XX), e um acrílico sobre papel dos anos 80, ambos de Paula Rego, vão ser leiloados partindo dos 80.000 e 100.000 euros, respetivamente.

"Spin", de Joana Vasconcelos, uma escultura com secadores e ferro vai ser apresentada com valores que variam entre os 15.000 e os 20.000 euros. Esta obra já esteve em exposição em vários museus, nomeadamente no Museu Berardo, no âmbito da retrospetiva dos 15 anos de carreira da artista, realizada em 2010 sob o título "Sem Rede".

Nadir Afonso, Karel Appel, Lindstrom, António Palolo, Fernando Lanhas, Augusto Alves da Silva, João Pedro Vale, Cesariny, Pedro Proença, Manuel Cargaleiro, Pedro Casqueiro, Gerard Castello-Lopes, Jorge Molder, Júlia Ventura, Charrua são outros artistas plásticos com obras neste leilão.

Há 90 anos, o Brasil era sacudido pela Semana de Arte Moderna

Movimento está na base da Tropicália, que completa 45 anos do lançamento de seu disco-manifesto.

Criatividade, inquietude, inovação, experimentação e, sobretudo, liberdade. Substantivos que podem definir dois movimentos culturais que revolucionaram o país e estão intrinsecamente ligados: a Semana de Arte Moderna de 1922, que completa 90 anos neste mês, e o Tropicalismo, que celebra o seu 45º aniversário em 2012. A frase “O Tropicalismo é um neoantropofagismo”, dita por Caetano Veloso, um dos principais expoentes tropicalistas, é um resumo de como as duas coisas estavam conectadas.

“O Tropicalismo foi, de certa forma, a última onda do Modernismo. Há uma forte presença de alguns personagens da Semana de 22, como Oswald de Andrade, com a ideia de antropofagia que estava presente no trabalho de tropicalistas como Hélio Oiticica (pintor, escultor e artista plástico), que foi quem deu nome ao movimento a partir de sua obra Tropicália; na peça encenada pelo grupo de José Celso Martinez, O rei da vela, que é de Oswald também. No cinema, temos referências como o Macunaíma, de Mário de Andrade, rodado por Joaquim Pedro de Andrade; e Villa-Lobos nas trilhas dos filmes do Glauber Rocha. Sem dúvida, as relações são estreitas e vejo o Tropicalismo como uma expansão do Modernismo”, opina o jornalista e escritor Marcos Augusto Gonçalves, que acaba de lançar 1922 – A semana que não terminou (Cia das Letras) que mostra como o evento realizado em fevereiro daquele ano no Theatro Municipal, de São Paulo, continua influenciando gerações e provocando discussões. “O acontecimento foi concebido para marcar mesmo e por isso até hoje é uma referência. O Modernismo deixou um legado de pesquisa estética, de experimentação; uma liberdade do artista em trabalhar com diferentes linguagens e não se submeter às regras”, pontua Marcos.

Vários eventos já estão programados para lembrar os 90 anos da Semana de Arte Moderna, inclusive no Theatro Municipal da capital paulista, que terá uma programação especial entre os dias 15 e 26 (www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal). Em Belo Horizonte, o Museu das Minas e do Metal vai promover às quintas-feiras deste mês atividades que irão debater os desdobramentos e a importância dos 90 anos da Semana de 1922 e os 45 do Tropicalismo.

Um dos palestrantes é o professor da Faculdade de Comunicação e artes da PUC Minas e doutor em Artes pela ECA/USP Eduardo de Jesus, que vai falar sobre a herança do Modernismo e como ela se manifesta hoje. Segundo ele, a Semana foi um momento de ruptura muito intenso na cultura brasileira, aliado ao que ocorria nas vanguardas históricas pelo mundo, e que um dos pontos altos que ela proporcionou foi o rompimento com uma espécie de academicismo vigente. “Fora que ela promoveu uma abertura, uma aproximação em termos modernistas entre arte e vida, seja a música, a pintura, a escultura. E ainda trouxe um olhar renovado para as tradições populares e questionou situações sociais e políticas da época”, analisa.

Identidade

Assim como a Semana de 22, a Tropicália estava em busca de uma identidade cultural própria, incorporando e valorizando elementos nacionais em sua predominância, sem, no entanto, abrir mão de valores estéticos estrangeiros. Essa é uma das características mais relevantes apontadas pelo jornalista e escritor Marcos Augusto Gonçalves. No evento modernista, pela primeira vez, surgiu a ideia de que a arte brasileira estava inserida em um contexto internacional e isso também estava forte quatro décadas depois, com o Tropicalismo. “A Semana de 22 era uma espécie de nacionalismo internacional; era nosso e de todos ao mesmo tempo e isso se repetiu com o Tropicalismo, que logo foi considerado como algo de fora, estrangeiro, já que incorporou elementos novos como a guitarra, na música, por exemplo”, explica.

O cantor e compositor Arnaldo Baptista, um dos representantes do Tropicalismo e que inclusive está na capa do disco que marcou os primórdios do movimento, Panis et circenses ou Tropicália, também comenta sobre as influências estrangeiras, como os ícones da contracultura inglesa e dos hippies norte-americanos. O ex-Mutantes conta que muita gente torceu o nariz na época para as novidades lançadas, especialmente a introdução da guitarra e do contrabaixo elétrico, mas que os artistas não se importavam. “Ninguém aqui conhecia esse lado da música eletrônica. A Tropicália era uma mistura de Liverpool com Nova York e Salvador. Da Bahia vieram as influências indígenas, revelou a música nordestina e ao mesmo tempo a gente copiava as mudanças estrangeiras. Mas nunca íamos imaginar que o movimento ganharia a proporção que ganhou”, admite.

Arnaldo desenvolve atualmente o projeto Sarau o Benedito, em que, acompanhado de um amplificador e de seu piano de cauda, apresenta seu repertório de composições. “Acabo tendo mais liberdade e é meio no improviso. Quero levar adiante esse projeto, inclusive espero tocar em Belo Horizonte, se for convidado, porque tem a satisfação do público e a minha própria. Acho até que o som que faço hoje, ainda mais que é um ‘solo voador’, como costumo dizer, é até um pouco parecido com o que eu fazia na época da Tropicália”, opina.

Além das influências internacionais, a introdução da guitarra e o resgate de canções populares, o cantor, compositor e professor de teoria literária na USP José Miguel Wisnik diz que vê o legado da Tropicália presente em vários aspectos e realmente não há como negar a relação do movimento com a Semana dos modernistas. Wisnik defende que o Tropicalismo não se fechou em círculos e assumiu a nossa diversidade cultural, seja pelo confronto ou pelo diálogo.

“Vejo marca da Tropicália em tudo. A Rita Lee brigando com a polícia é Tropicália, a música do Arnaldo Antunes tem referências também; a importância que o rap ganhou e como ele se fundiu com outras coisas é outro ponto. Tudo isso tem a ver também com o traço antropofágico brasileiro. Há um movimento de marcar essa permeabilidade que tem a ver com o modernismo e a antropofagia. Nos anos 60, a Tropicália reencenou questões – porém pelos meios de comunicação de massa –, que haviam sido levantadas em 1922. Essas questões ressurgiram de maneira diferente, mas ainda estão presentes e incorporadas na nossa vida e na nossa cultura até hoje”, conclui Wisnik.

Semana de Arte Moderna de 22
Ocorreu em São Paulo nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal. Cada dia da semana foi dedicado a um tema específico: pintura e escultura, poesia, literatura e música. A Semana de 22 representou a renovação de linguagem na busca de experimentação e na ruptura com o passado. Entre os principais participantes estavam Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.


Tropicalismo
Surgiu entre 1967 e 1968, no contexto dos festivais de música popular brasileira. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, a banda Mutantes, Gal Costa e o maestro Rogério Duprat formavam a linha de frente. A cantora Nara Leão, os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto, o diretor José Celso Martinez e o artista plástico Hélio Oiticica completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus mentores intelectuais.


Na agenda
O Museu das Minas e do Metal dedicou sua programação cultural do mês aos 90 anos da Semana de 1922 e aos 45 do Tropicalismo. No dia 9, Eduardo de Jesus fala sobre a herança do Modernismo. No dia 16, haverá exibição do filme Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. No dia 23, é a vez da professora Alícia Duarte Penna, que trata do Modernismo em Minas. Todos os eventos são às 19h30. Informações: (31) 3516-7200 e www.mmm.org.br. O Museu fica na Praça da Liberdade, s/ nº, prédio rosa.

Artista plástico Mike Kelley foi encontrado morto

Artista foi encontrado morto aos 57 anos,
hipótese de suicídio ainda não foi afastada
Mike Kelley foi encontrado morto na sua casa em Los Angeles na terça-feira, anunciaram as autoridades na quarta-feira, sem avançarem a causa da morte e não descartando a possibilidade de suicídio.

Nome influente da arte contemporânea, Mike Kelley tinha 57 anos e ficou mundialmente conhecido pelo seu trabalho na pintura, escultura, instalação, vídeo e música, área na qual colaborou como os Sonic Youth.

Fontes da polícia explicaram à Reuters que a última vez que o artista foi visto vivo foi no domingo. Em sua casa não foram encontrados vestígios que expliquem a tese de suicídio e só a autopsia, marcada para esta quinta-feira, poderá determinar as causas da morte de Mike Kelley.

“É uma perda terrível para a família e para os amigos e também para os artistas desta comunidade, para a qual ele tanto trabalhou para a mudar e enriquecer”, disse à Reuters Paul Schimmel, curador do Los Angeles County Museum of Contemporary Art. “Mais do que qualquer outro artista da sua geração, ele mudou a percepção desta cidade e ajudou a torná-la numa grande cidade internacional de arte”, continuou o curador, recordando que conhecia Mike Kelley desde 1981.

Nasceu em Detroit, em 1954, Mike Kelley há muitos anos que vivia e trabalhava em Los Angeles, sendo hoje considerado um dos artistas mais destacados da West Coast. A presença desta cidade na sua obra (pintura, escultura, instalação, vídeo ou música) foi uma constante ao longo das suas criações. A Los Angeles Mike Kelley foi buscar elementos à cultura popular, referências aos "comics" ou ao cinema série B produzido em Hollywood, temas que serviam depois para o artista abordar as patologias sociais do presente. Talvez por isso, muitas das suas obras eram consideradas inquietantes e sinistras, muitas vezes, retratos e críticas à sociedade.

Nas suas instalações, muitas vezes caracterizadas pelo uso excessivo de elementos multimédia, Mike Kelley destacou-se pelo uso de objectos incomuns, onde explorava muitas vezes as referências da cultura punk, pop e kitsch. A exposição de 1993, “Catholic Tastes”, que esteve no Whitney Museum of American Art em Nova Iorque, onde o artista combinou de forma provocativa bonecas, desenhos e outros objectos, foi dos seus trabalhos mais falados no mundo da arte.

“Ele tinha um apetite voraz para todos os tipos de arte. Ele era muito curioso e trabalhou incrivelmente, nunca teve medo de pensar realmente em grande. Artistas assim não aparecem muitas vezes”, disse ao LA Times Stephanie Barron, curador sénior do Museu de Arte Moderna de Los Angeles.

Mas nem só de arte plástica se fez o seu percurso. Mike Kelley tem um passado ligado ao rock: ajudou a fundar em 1973 a banda "Destroy All Monsters". Na música destacou-se ainda por ter criado algumas das capas mais famosas da música. Amigo da música Kim Gordon, Kelley foi responsável pela capa do álbum de 1992 dos Sonic Youth, “Dirty”.

“O Mike foi uma força irresistível da arte contemporânea. O seu legado vai continuar a tocar e a desafiar qualquer um que se cruze no seu caminho. Vamos sentir a sua falta. Vamos mantê-lo connosco”, escreveu em comunicado a o estúdio do artista.

Em Portugal, Mike Kelley integrou várias exposições colectivas, tendo passado por Serralves, no Porto, ou a BESart, em Lisboa. Kelley tem ainda uma obra, constituída por sete fotografias a preto e branco, com o nome “Architect of the Masses Body Politics 31-6” (1982), na colecção do centro de arte Ellipse Foundation.

Rio de Janeiro recebe mostra sobre Modigliani

"Jeune Femme Aux Yeux Bleus",
uma das obras mais famosas do artista
“Modigliani: Imagens de uma vida”, maior mostra sobre Amedeo Modigliani (1884-1920) já realizada no Brasil, reúne no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, 230 peças, entre as quais 12 pinturas e cinco esculturas originais, além de documentos, fotos, desenhos, diários e manuscritos do artista italiano.

A exposição – parte do Momento Itália-Brasil, que promoverá cerca de 200 eventos até junho – procura traduzir o percurso artístico do pintor, famoso por seus retratos de mulheres, e proporcionar um mergulho em sua intimidade, por intermédio também de suas correspondências com Pablo Picasso e outros de seus contemporâneos.

“Modigliani foi fiel à sua visão figurativa da arte, com uma síntese perfeita de imagem e sentimento”, ressalta Christian Parisot, presidente do Modigliani Institut.

Serviço:

Onde: Museu Nacional de Belas Artes - av. Rio Branco, 199, Cinelândia.
Quando: de 1º de fevereiro até 15 de abril. De terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h.
Quanto: R$ 8 (com direito a meia)
Mais informações: tel. (21) 2219-8474).

Atrações no Jazz & Blues de Guaramiranga

Vamos continuar na trilha do Jazz & Blues?

O público de Fortaleza no Brasil já entrou no clima do Festival Jazz & Blues. Desde o dia 18, seis bares da Cidade promovem apresentações destes gêneros musicais, de terça a sábado. Nos palcos, Márcio Resende, Duna’s Jazz Band, Felipe Cazaux, Puro Malte, Victor Gueiros, Blues Label, Moby Dick e Allysson dos Anjos.

Eles se revezam em apresentações no Café Pagliúca, Degusti, Bar Altas Horas, Butiquim, Barril 85 e Arre Égua. Confira a programação e maiores detalhes em www.jazzeblues.com.br

Depois é só curtir a boa música no friozinho da serra de Guaramiranga durante Carnaval.

Atrações no Jazz & Blues
O brasililense é considerado um dos maiores gaitistas do mundo na atualidade

A harmônica impecável de Gabriel Grossi 

A habilidade do brasiliense Gabriel Grossi com a gaita é de intimidar qualquer mestre do instrumento. Com uma brasilidade aflorada, Grossi explora o som das harmônicas de forma original no rico universo da música brasileira. Ele figura hoje entre os grandes nomes da gaita mundial, já com cinco discos lançados e parcerias com Chico Buarque, Dave Matthews, Guinga, Lenine, Djavan, Milton Nascimento e Ney Matogrosso, entre outros.

Em Guaramiranga, Grossi apresenta-se acompanhado de seu trio, formado em 2009, que tem Guilherme Ribeiro nos teclados e Sérgio Machado na bateria. A apresentação é na primeira noite do Festival Jazz & Blues na serra, 18/02, sábado de Carnaval, abrindo a sessão das 21h na Cidade Jazz & Blues. Na mesma noite, apresenta-se também o cubano Omar Puente, um mestre do violino.

Gabriel Grossi estreou em disco com "Diz que fui por aí" (Delira Música), que recebeu elogios tanto em relação à original concepção musical quanto ao trabalho de composição e arranjos. Lançou também o álbum “Afinidade” (Biscoito Fino) em duo com o grande violonista Marco Pereira, projeto altamente elogiado pela crítica, do mesmo modo que seu terceiro CD, “Arapuca” (Delira Música), inspirado no universo do forró. Em 2009 formou o trio com Guilherme Ribeiro e Sérgio Machado, com quem gravou seu quatro CD, “Horizonte - Gabriel Grossi Trio” (Delira Música), dedicado aos três mestres do sopro, Paulo Moura, Raul de Souza e Mauricio Einhorn. No ano passado, lançou em duo com o premiado guitarrista Diego Figueiredo o CD “Zibididi”, álbum composto exclusivamente por temas autorais. 


Tatiana Parra entre os integrantes do Grupo Solar 

Grupo Solar e a música que vem do mundo 

Unidos pela mais universal de todas as linguagens - a música - o Grupo Solar e a cantora paulista Tatiana Parra rompem fronteiras e fazem um som original, gestado na cosmopolita cidade de São Paulo. Além de Tatiana (voz), o grupo conta com Zéli Silva (baixo), Edu Ribeiro (bateria), o argentino Andrés Beeuwsaert (piano) e o belga Henri Greindl (guitarra e violão). A capital cultural da América Latina foi o ponto de encontro dos artistas, que têm em comum, além de carreiras autorais consolidadas, o gosto pela riqueza rítmica, melódica e harmônica, pela improvisação e pela exploração de diversas cores e texturas sonoras. 

Em Guaramiranga, eles se apresentam na segunda-feira, dia 21/02, na sessão de 21 horas da Cidade Jazz & Blues, dia que também conta com apresentação do violonista Yamandu Costa (RS). Além de ser atração no palco, o guitarrista do Grupo Solar, Henri Greindl, minista oficina do projeto Residências Artísticas do Festival. 

Estrela de voz impecável, Tatiana Parra é uma das raras cantoras de sua geração com tamanha experiência musical, tendo trabalhando desde os 5 anos de idade. A intérprete e compositora é conhecida e admirada no meio musical, por participações em shows e discos dos mais variados nomes: de Ivan Lins a Omara Portuondo, de Rita Lee a Chico Pinheiro, passando por Toquinho, Dante Ozzetti e dezenas de outros. 

Sua voz pode ser ouvida em mais de 30 discos lançados por diversos artistas. Em junho de 2010 lançou seu primeiro CD solo (Inteira), que conta com participações de César Camargo Mariano, Nailor Proveta, Teco Cardoso, além do trio argentino Aca Seca. 


Roberto Taufic e Eduardo Taufic. Foto: Pablo Pinheiro 

Um bate rebate musical de dois irmãos 

A parceria dos irmãos Roberto Taufic e Eduardo Taufic, o primeiro no violão e o outro no piano, é prova que a musicalidade está no sangue do artista. Os dois imprimem uma aula de espontaneidade e improvisação, expressas em seus instrumentos com lirismo, ritmo e cores. A criatividade dos arranjos e o estilo marcante dos dois instrumentistas estão bem representados nas composições próprias, com melodias límpidas que se amplificam na alma de quem as escuta. A bagagem adquirida pelos dois ao longo de mais de duas décadas e o carinho pela música universal, sem limites, resultam na parceria ”Bate Rebate”, DVD ao vivo lançado em 2009 e que mostra toda a beleza dessa parceria mais que familiar entre Roberto Taufic e Eduardo Taufic. 

Para a apresentação no Festival Jazz & Blues em Guaramiranga, o duo conta com o auxilio luxuoso de Darlan Marley na bateria e Airton Guimarães no contrabaixo. Eles tocam no sábado, dia 18/02, ao Pôr do Sol na Cidade Jazz & Blues. O show é gratuito e acontece após o Toca Jazz, que é a apresentação dos alunos do percussionista Marco Lobo na Residência Artística. 

Roberto Taufic, o mais velho dos dois irmãos, nasceu em Honduras, na América Central, chegando ao Brasil com a família aos cinco anos de idade. Aos 15 já tocava violão e cavaquinho e aos 17 anos já era músico profissional. Em 2010 lançou seu primeiro disco de violão solo, “Eles & Eu”, seguido da parceria com a cantora italiana Barbara Raimondi, no disco “Contigo en la distancia”, gravado em Londres e dedicado à musica da America do Sul. 

Eduardo Taufic é pianista, tecladista, arranjador e produtor musical. Nasceu em Natal (RN) onde iniciou seus estudos na música, iniciando em 1991 sua carreira profissional. Teve como principal influência seu irmão, Roberto Taufic, Michel Petrucciani, Oscar Peterson e Chick Corea. Eduardo já arranjou, dirigiu e tocou em mais de 400 álbuns e em shows de artistas como Núbia Lafayette, Elza Soares e Gilliard. 

Curtas

Danilo Caymmi faz dois shows
em Fortaleza.
Foto: Chico Gadelha
Mais uma atração confirmada
Está cofirmado! O cantor, compositor e arranjador Danilo Caymmi encerra a edição 2012 do Festival Jazz & Blues em Fortaleza após o Carnaval. Serão dois shows gratuitos. O primeiro será na sexta-feira, dia 24/02, às 19h30, no Cuca Che Guevara, na Barra do Ceará, em duo com o violonista Flávio Mendes. No domingo, ele encerra a programação do Festival com show no Anfiteatro Flávio Ponte (na Volta da Jurema, na Av. Beira Mar), acompanhado de banda para apresentar seu novo trabalho, “Alvear” (Biscoito Fino). Quem abre a programação da última noite do Festival em Fortaleza, a partir das 19h, é o cearense Cainã Cavalcante, que é também uma das atrações na serra durante o Carnaval. 



Uma das turmas das oficinas realizadas
entre dezembro e janeiro.

A caminho das Residências Artísticas
O Festival Jazz & Blues divulgou os selecionados para as Residências Artísticas, que acontecem na semana que antecede o Carnaval na cidade de Pacoti, vizinha a Guaramiranga. Eles participaram das Oficinas de Sensibilização para a Cultura Musical, do projeto Música é para a Vida, realizadas em todo o estado, entre dezembro e janeiro. Foram selecionados 100 estudantes e 20 arte educadores da rede pública de ensino do Ceará. Também vão participar 10 estudantes de música da UECE. Entre os professores quatro das atrações do Festival Jazz & Blues: Henri Greindl (Grupo Solar), Eduardo Taufic, Marco Lobo e Cainã Cavalcante. Também são professores das Residências os músicos Widor Santiago, Miquéias dos Santos e Ricardo Pontes. A lista dos selecionados poderá ser consultada no www.jazzeblues.com.br. 




Cachoeira de São Paulo, em
Guaramiranga

Dica de Turismo na Serra
Quem vai a Guaramiranga não pode perder a chance de ficar mais perto da natureza realizando trilhas em meio à mata atlântica e desfrutando do banho renovador nas cachoeiras cristalinas de água mineral da região. Uma boa dica é a Cachoeira de São Paulo, distante 9 km da sede, com acesso por trilha e via calçamentada. Outra opção é a Cachoeira do Urubu, com acesso também por trilha, distante 6 km da Cidade. Para quem prefere algo mais acessível, vale visitar o Parque das Cachoeiras, que fica a cerca de 8 km de Guaramiranga e pode-se chegar de carro, contando com estrutura de hotel e restaurante próximo às quedas d’ água. 


Ingressos à venda
Quer uma dica?

Garanta seu lugar nos shows das 21h que vão acontecer em Guaramiranga.

Os ingressos já estão à venda em Fortaleza nas lojas Meia Sola dos Shoppings

Bambuy, Iguatemi, Aldeota e Varanda Mall.

E há também venda online no site da Bilheteria Virtual: www.bilheteriavirtual.com

Preços: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Confira a programação no www.jazzeblues.com.br

Pintor Português expõe na Rússia

Pintor Santiago Ribeiro
O pintor conimbricense Santiago Ribeiro é o único português entre meia centena de artistas de vários países que participam numa exposição dedicada ao surrealismo, a inaugurar na quinta-feira em Moscovo, no Museu Central de História Contemporânea da Rússia.


“Surreal – Produção em Massa” e “Moinho de Fruta” são os dois trabalhos que Santiago Ribeiro apresenta no 1º Festival Internacional de Arte Contemporânea Rússia-Estados Unidos-Europa, a decorrer até domingo.

É a quarta vez que o artista expõe as duas pinturas em Moscovo, depois de organizar e participar em várias exposições em Portugal, Polónia, Itália, Espanha e França, país onde irá participar, a partir de 30 de março, numa mostra coletiva organizada pela Fundação Bissaya Barreto, de Coimbra, e pela Dorothy’s Gallery.

No 1º Festival Internacional de Arte Contemporânea de Moscovo participam 45 artistas, provenientes países como Rússia, Estados Unidos, Alemanha, Grécia, México, Espanha, Áustria, Austália, Reino Unido.

Trata-se de um projeto de Andrei Nekrasov, considerado “o mais chocante icónico galerista underground de Moscovo”, autor e organizador do famoso Vanguard-surrealista-Esotérica Art Project "Geysers de subconsciência".

Um dos objetivos do festival é dar a conhecer novos talentos, ao lado de obras de mestres de arte moderna, incluindo trabalhos de pintura, escultura, batik, fotografia e instalação.

O projeto abrange arte original de autores contemporâneos que trabalham em estilos diferentes – realismo, surrealismo, avant-garde, impressionismo, arte abstrata, pós-modernismo, primitivismo.

Patrick Hughes combina escultura e pintura 3D

Arte “reverspective” é extraordinária e alucinante! Trabalho de Patrick Hughes combina escultura e pintura. Quando você visualiza suas obras de arte a partir da frente, dá uma sensação de uma imagem plana.

No entanto, se você mover a cabeça um pouco ou para outro ângulo, “vira uma superfície 3D acentua a profundidade da imagem e acelera a perspectiva de mudança muito mais do que o cérebro normalmente permite.

Isso proporciona uma impressão poderosa e muitas vezes desconcertante de profundidade e movimento.



       

Centro Europeu lança curso de Artes Visuais

Referência nacional brasileira no ensino de profissões e idiomas, o Centro Europeu acaba de lançar o seu inovador curso de Artes Visuais, com a primeira turma programada para o próximo mês de março. A atividade, comandada pelo artista plástico José Eleutherio Netto, tem como público alvo pessoas que queiram se envolver com arte de maneira mais ampla, clara e competitiva por meio de estudos específicos de múltiplas linguagens visuais, desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, instalações, vídeos, fotografias e arquiteturas.

“O curso de Artes Visuais é essencial para profissionais da área do design, como arquitetos, decoradores, estilistas, web designers, produtores de eventos; para profissionais da comunicação, como jornalistas, publicitários e fotógrafos; e, também, para todos aqueles que utilizam a estética para se relacionar ou trabalhar. O curso leva ao conhecimento das formas clássicas até as contemporâneas da produção artística e capacita o aluno a ser um profissional com visão crítica privilegiada”, detalha o artista plástico José Eleutherio Netto.

Com o objetivo de explorar a capacidade máxima de cada aluno, o curso oferece todas as ferramentas necessárias para que, ao final da atividade, os discentes estejam aptos para desenvolver produções artísticas; mediar ou monitorar visitas em exposições; trabalhar em departamentos especializados; e promover ou participar de debates, palestras, encontros, seminários, congressos ou similares com capacidade e segurança de conhecimentos básicos para explorarem e se posicionarem no mercado das artes.

“A atividade vai ensinar de forma abrangente, clara e prática as múltiplas linguagens visuais. A evolução artística e cultural será analisada, também, nos elementos que fazem parte do nosso cotidiano. Esses conhecimentos serão fundamentais para que o aluno se sinta preparado, atualizado, inserido no mercado e a se destacar profissionalmente”, explica o coordenador do curso.

Durante o semestre letivo, os participantes terão a oportunidade de aprender e trabalhar com temas como Linguagem da Arte Contemporânea; Teoria da Cor; Fotografia e Arte; e Ateliê de Pintura. Para fechar o curso com “chave de ouro”, o Centro Europeu vai organizar uma exposição de arte produzida pelos dos alunos para que eles aprendam, na prática, todo o processo da montagem a partir da escolha de um tema e da seleção dos trabalhos até o resultado final.

As aulas do curso de Artes Visuais terão início no próximo dia 12 de março e serão realizadas na sede do Centro Europeu (Rua Brigadeiro Franco, nº 1700). Mais informações no site www.centroeuropeu.com.br ou pelo telefone (41) 3222-6669.

A mulher artista na história da arte

A arte
A palavra arte tem a sua origem na palavra latina ars que significa actividade, habilidade.
Até ao século XV, designa apenas um conjunto de actividades ligadas à técnica, ao ofício, à perícia, isto é actividades essencialmente manuais, onde se incluíam não só a pintura, a escultura e a arquitectura, mas também, as ditas artes menores.

Com o renascimento os artistas reivindicam para si um saber científico. Assim a história dos artistas, que tem início no Renascimento, está essencialmente associado ao reconhecimento da sua obra como possível de ser classificada na categoria das “artes liberais” em vez de “artes servis ou mecânicas”.

Mas afinal o que é arte?

A questão é polémica e de respostas pouco satisfatórias.
A obra de arte é um objecto estético, feito para ser visto e apreciado pelo seu valor intrínseco.

E o que se entende por estético?

A estética costuma ser definida como “dizendo respeito ao que é belo”.
É claro que nem toda a arte é bela aos nossos olhos, não deixando, por isso, de ser arte. Então o termo estético não satisfaz inteiramente.
A Estética como ramo da filosofia tem preocupado os pensadores desde Platão aos nossos dias e como todas as questões filosóficas, os problemas levantados pelo “belo” são inerentemente insolúveis.

O nosso gosto e as nossas opções são exclusivamente condicionados pela cultura em que estamos inseridos e as culturas são tão diversificadas que se torna impossível reduzir a arte a um conjunto de regras susceptíveis de serem aplicadas em toda a parte.

Parece assim impossível definir qualidades absolutas em arte, não podendo nós escapar à necessidade de apreciar as obras de arte no contexto do seu tempo e circunstancialidade, sejam eles quais forem.
Podemos contudo dizer que uma obra de arte terá de envolver Imaginação, Criatividade e Originalidade. O que está apenas ao alcance dos que passam da fase de simples perícia artesanal e se tornam criadores de arte por direito próprio, isto é, os verdadeiramente dotados – os artistas.

Actualmente distinguem-se 11 formas de arte: Música, Dança, Pintura, Escultura, Teatro, Literatura, Cinema, Fotografia, Banda Desenhada, Vídeo Jogos e Arte Digital. Vamos aqui apenas tratar das mais tradicionais e dentro destas da Pintura.

Tese de Dissertação de Pós-Graduação de Constantino Teles, 01-06-2010: Capítulo 1 - A Arte

Tesouros históricos da arte dos EUA voltam a brilhar em Nova York

O Museu Metropolitano de Nova York inaugurou nesta quinta-feira os novos espaços dedicados à história da pintura e da escultura americanas, ao final de um projeto de renovação avaliado em 100 milhões de dólares.

"Completamos, hoje, dez anos do início do projeto destinado a reinventar e reconstruir as galerias. É um grande momento para o Museu Metropolitano", disse o presidente da "American Wing", Morrison Heckscher, ao apresentar à imprensa as novas instalações.

A renovação da coleção de história da arte dos Estados Unidos, que vai do século XVIII ao começo do XX, foi realizada depois que Heckscher e sua equipe chegaram à conclusão de que a antiga disposição "não fazia justiça às obras exibidas".

As 26 salas de estilo clássico que ocupam 2.800m2 passaram por trabalhos de reforma fazendo ressurgir "galerias com uma atmosfera histórica" apresentando obras-primas da pintura, da escultura e da arte decorativa, acrescentou Heckscher.

A nova configuração da 'American Wing' permite que os olhares se voltem, naturalmente, para o imenso óleo "Washington cruzando o rio Delaware", do germano-americano Emanuel Leutze, que retrata de forma épica um momento emblemático da guerra da independência americana.

Objeto de veneração, o quadro, pintado na Alemanha, em 1851, mostra o herói revolucionário e primeiro presidente dos Estados Unidos cruzando com suas tropas o rio que separa a Pensilvânia de Nova Jersey, numa humilde embarcação de madeira e em meio aos blocos de gelo, no Natal de 1776.

Outra pintura significativa é a tela "Os últimos momentos de John Brown", do final do século XIX assinada pelo irlandês-americano Thomas Hovenden, no qual se vê o líder abolicionista beijando um bebê negro no caminho para o patíbulo, pouco antes da explosão da guerra civil nos Estados Unidos.

As espetaculares paisagens do Novo Mundo, em destaque, são um dos temas recorrentes da arte americana e encontram sua expressão máxima na "Escola do Rio Hudson", um movimento influenciado pelo romantismo do século XIX, ao norte de Nova York, e liderado por Thomas Cole.

Em seu conjunto, as galerias oferecem um percurso pelo imaginário americano e suas correntes artísticas, desde retratos do período colonial (1730-1776), com John Singleton Copley na liderança, até o impressionismo (1880-1920) importado da Europa por Childe Hassam.

"Tentamos desenvolver linhas unificadas de argumentos sobre a evolução da pintura e da escultura nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, essas linhas seguem paralelas à história do país", assinalou a curadora Elizabeth Mankin Kornhauser.

A primeira parte de renovação da "American Wing" havia sido concluída em janeiro de 2007 com as galerias dedicadas às artes clássicas nos Estados Unidos, e a segunda, em maio de 2009, com a renovação do espaço do mobiliário e da decoração dos interiores históricos.

Estão sendo expostos, agora, 17.000 quadros e objetos.

Fernando Carpaneda e a polêmica escultura “Bolsonaro’s Sex Party”


Fernando Carpaneda
obra polêmica sobre Bolsonaro em NY


Jair Bolsonaro foi parar no The Leslie Lohman Gay Art Foudation, em Nova York — oficialmente o primeiro museu de arte gay dos EUA. É que Fernando Carpaneda, artista plástico brasileiro radicado na cidade, decidiu “homenagear” o deputado federal (PP-RJ) numa obra bem ousada — uma orgia.

A escultura Bolsonaro’s Sex Party fará parte do acervo permanente da fundação e ficará ao lado de trabalhos de artistas contemporâneos como Andy Warhol, Keith Haring e Robert Mapplethorpe. Ou seja, Bolsonaro vai ficar bem ao lado de alguns dos homossexuais mais famosos do mundo e das artes.

“Da mesma maneira que Bolsonaro tem direito garantido e imunidade parlamentar para ir à TV falar mal de gays e negros, eu, como brasileiro, também tenho o direito de me expressar em público sobre o deputado”, disse Carpaneda à coluna.

Desde quando se interessa por artes plásticas?
Fiz minha primeira exposição no Brasil com 13 anos de idade, em 1982. Meu trabalho sempre foi figurativo, direcionado à arte de rua e underground, sempre focando movimentos urbanos e o mundo gay. Saí do Brasil por falta de espaço, por fazer trabalhos figurativos numa época em que curadores brasileiros só mostravam trabalhos conceituais no país.

Prefere escultura ou pintura? E qual o impacto que elas causam nas pessoas?
Prefiro a escultura. Faço pinturas para relaxar a alma e descontrair. Esculturas tomam todo o meu tempo e consomem muito da minha energia. Levo entre 20 a 30 dias para fazê-las. O tamanho das esculturas varia entre 8 e 30 centímetros de altura. Não faço esculturas em tamanho natural, preferi me dedicar às miniaturas. Quanto ao impacto que elas causam? Bem… quando se trabalha com nus masculinos e pornografia, as pessoas se assustam. As pessoas transam todos os dias em todos os lugares. Acho o ser humano hipócrita.

Como você escolhe os temas?
Eu retrato o que se passa na minha vida ou o que acontece à minha volta. Como não consigo me calar diante de certas injustiças, acabo passando isso para os meus trabalhos também.

Você é um gay militante?
Nunca tive a intenção de ser militante, mas meus trabalhos acabaram me colocando nessa posição de militância de alguma forma.

Como encara o “choque” das pessoas? Pensa nisso antes de criar ou aproveita a polêmica para chamar a atenção?
Eu crio trabalhos que a maioria dos artistas plásticos não tem coragem de fazer, e como não faço parte da sociedade brasileira de defesa da tradição, família e propriedade, isso choca certas pessoas.

Como funciona seu processo criativo?
Eu sempre fui envolvido com o movimento punk, tanto aqui nos Estados Unidos como no Brasil, e acabei conhecendo todo tipo de gente e pessoas que têm outra postura e visão de vida. A base onde coloco a figura em argila é feita com objetos que o retratado usou, consumiu ou na situação em que esteve no mesmo espaço físico que eu. Uso guimbas de cigarros, latas de cerveja, caixas vazias de pastas de dente para compor a obra. Essa base representa o mundo do retratado. Depois faço a escultura em argila e acrescento frases ou poesias e plastifico a peça. Acho que, quando um cara coloca um salto, veste uma minissaia e vai pra esquina trabalhar, isso é um ato de enorme sinceridade com ele próprio e com o mundo. Ele está sozinho, desprendido de qualquer tipo de postura. São pessoas muito seguras do que fazem e exigem respeito. Sempre gostei disso desde criança. Essas pessoas, por terem uma estética fora do padrão e terem uma experiência de vida e de rua muito fortes sempre me influenciaram. Arte para mim é sentimento. Nunca vi muita diferença entre marginais de rua e marginais que trabalham no Congresso Nacional. Marginais por marginais, prefiro os de rua.

E a reação das pessoas?
A culpa é da TV, que mostra bichinhas caricatas, fazendo fofoca da vida alheia. Não mostram dois homens de terno se amando e tendo uma vida normal, falando grosso e de mãos dadas com seu namorado. Os pais imaginam que ter filho homossexual é ter uma Vera-Verão ou um Pit Bicha em casa e morrem de medo disso. A TV denigre sempre que pode o homossexual. Minhas esculturas mostram homens amando outros homens, drags, punks e marginais. Quando as pessoas vão a uma exposição minha se sentem agredidas com os trabalhos que mostram homens fortes se beijando. Na cabeça delas aquilo é inaceitável, pois o estereótipo que elas conhecem não é aquele. Minha arte ou você gosta ou odeia. Não existe meio termo. Tanto aqui nos EUA quanto aí no Brasil, a maioria das pessoas gosta.

Como surgiu a ideia de fazer a “Bolsonaro’s Sex Party”? É uma provocação? O que você pensa sobre o deputado?
Este assunto não é brincadeira! Eu tenho vários amigos negros que têm crianças pequenas e sempre tiveram problemas horríveis no colégio por causa da cor. Eu conheço a realidade dessas crianças de perto, assim como a realidade de gays adolescentes. Não precisamos que um idiota, mal informado e que se diz cristão incentive a descriminação e a violência contra negros e gays. Acho esse tal de Bolsonaro um idiota. Ele deveria ser afastado da política brasileira, assim como a Miriam Rios, o Pastor Édino Fonseca, entre outros imbecis homofóbicos que usam o nome de Jesus Cristo em vão. Algumas pessoas não entendem a obra, mas a escultura aborda ainda um protesto contra as campanhas homofóbicas como a da Igreja Batista americana “God hates Fags” (“Deus odeia os Viados”). Eu troco a palavra “odeia” e coloco a palavra “ama”. A escultura também tem a inscrição “A realidade é que às vezes fazemos sexo sem camisinha”, ou seja, um alerta sobre sexo sem proteção. Muitas pessoas criticam a escultura por falta de conhecimento sobre questões importantes relacionadas ao mundo gay. Quem não tem conhecimento sobre esses assuntos só consegue ver uma cena desnecessária de sexo.

Sofreu algum tipo de preconceito no Brasil? E nos EUA?
Preconceito existe em todos os lugares e nunca vai acabar. A diferença é que as leis nos Estados Unidos funcionam e no Brasil não.

Teve algum problema com a Igreja por conta dos seus trabalhos?
Sim. Os crentes sempre me atacaram. Sempre foram gritar e fazer orações nas minhas exposições no Brasil. Escrevi sobre isso na minha autobiografia “O Anjo de Butes”.

Pretende trazer uma mostra para cá?
Vou expor em Brasília, em junho, com o apoio da PLUS, galeria que me representa no Brasil e umas das poucas no país, junto com a Choque Cultural (SP), que tem uma visão mais aberta e atualizada sobre o que acontece em artes no exterior. Se tudo der certo, vou levar a escultura Bolsonaro’s Sex Party comigo. A escultura agora faz parte da Fundação Leslie Lohman, que há alguns meses se transformou oficialmente no primeiro museu de arte gay dos EUA. Estamos em negociação.

Para conhecer a obra de Carpaneda, visitem o site.

Monkey Business

João Paulo Feliciano transporta para dentro da galeria partes do seu atelier/estúdio e da sua vida quotidiana, questionando as relações e estatuto do artista e da galeria no contexto da arte contemporânea.

Não vamos ver apenas obras recentes de Feliciano (n. 1963, Caldas da Rainha), artista conhecido tanto pelo uso de diversos suportes - fotografia, pintura, escultura, instalações (muitas vezes sonoras) -, como pela sua actividade como produtor, compositor, intérprete e letrista de diversos projectos musicais.

Em "Monkey Business", o autor transporta para dentro da Cristina Guerra partes do seu atelier, tendo mesmo criado, por exemplo, na última sala da galeria, uma espécie de feira da ladra onde vamos poder encontrar não obras de arte mas uma série de objectos provenientes de diversas fontes e postos à venda por valores mínimos.

Por toda a exposição encontramos também esculturas juntamente com materiais como discos, catálogos, livros, objectos - produzidos ao longo da já extensa carreira de Feliciano no mundo da arte e da música.

Lisboa, Cristina Guerra - Contemporary Art - Rua Santo António à Estrela, 33
19-01 a 07-03. Segunda a sexta das 11h00 às 20h00 ; Sábado das 15h00 às 20h00 .
Grátis

Artistas angolanos expõem obras em Portugal

Um dos quadros do pintor angolano Nelo Teixeira que fica
patente ao público durante um mês na exposição
"1ª Paragem:Lisboa"
“1ª Paragem: Lisboa” é o título de uma exposição de arte contemporânea dos artistas plásticos angolanos Lino Damão e Nelo Teixeira, a ser inaugurada a 11 deste mês, em Lisboa, na Rua Marquês de Subserra.

Lino Damião disse que a exposição, que fica aberta ao público até 11 de Fevereiro, marca o início de périplo que os artistas vão fazer por Moçambique, Brasil e Angola para expor as suas obras.
“O nosso objectivo com essa exposição é de mostrar à comunidade lusófona o trabalho que estamos a realizar a nível das artes plásticas, sobretudo a pintura a óleo sobre tela”, disse Lino Damião.

Formado em pintura e escultura nas oficinas da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), Lino Damião nasceu em Luanda em Fevereiro de 1977 e trabalha sobretudo em pintura e gravura.
Muito cedo começou a desenhar e pintar, tendo frequentado o curso de desenho no Ex-Barracão, o curso de pintura e a primeira oficina de gravura na UNAP.

Frequentou o atelier do grande mestre Victor Teixeira (Viteix). É membro Fundador da cooperativa Pró-Memória dos Nacionalistas e membro da União Nacional dos Artistas Plásticos. Participou em diversas exposições, das quais se destaca a primeira bienal de jovens criadores da CPLP, na cidade da Praia, Cabo Verde, em 1999, a bienal de jovens criadores da CPLP, no Porto, Portugal, em 2000, no projecto ArteModa-2002, oficina de criação com Kotas e Kandengues, no projecto Galarte no Elinga Teatro, entre 2000 a 2006, e Trienal de Luanda.

Realizou várias exposições individuais com destaque para “Cores, Cómicos e Contrastes”, no Lebistrot Luanda (1999), “Manchas e contornos”, na Galeria Cenarius (2000); “Liberdade”, no laboratório Nacional de Cinema Luanda (2002), e recebeu o prémio de pintura de UNAP, em1998, e menção honrosa do Prémio Ensarte, em1996.

Nelo Teixeira, formado em pintura e escultura, em 2000, participou no Workshop de Pintura em Vidro orientado por Jean Luc no Salão da UNAP. Teve participação cenografia nos filmes “Heroi” e “Cidade vazia”. Participou em várias exposições colectivas na Celamar, Humbiumbi, Elinga Teatro, Soso Arte Contemporânea e Associação 25 de Abril.

Escultura e direitos humanos na exposição "Diante da lei"

Mostra no Museu Ludwig explora as relações entre as violações dos direitos dos direitos humanos desde a Segunda Guerra, ressaltando a escultura como forma de tornar a dor fisicamente perceptível.
"Diante da lei, está postado um porteiro", diz a primeira frase do famoso conto de Franz Kafka. Seu protagonista é um médico rural, que vai à cidade e pede para entrar na lei. Ele espera inutilmente pela permissão, e somente um pouco antes de morrer pergunta ao porteiro por que era o único a pedir ingresso ali. Essa porta lhe era exclusivamente destinada, é a resposta. O "Homem do Campo" descobre que a lei não é igual para todos, mas depende da interpretação.
A máxima vale até hoje. Os artistas também têm repetidamente visto seus direitos democráticos mais fundamentais serem pisoteados. Por isso, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, eles passaram a refletir sobre o direito de existir do ser humano: o que significa viver num mundo em que a dignidade humana é desprezada?

Pesquisa existencial
'Carrossel', de Bruce NaumanCom o foco na escultura, a exposição "Diante da lei" (Vor dem Gesetz), no Museu Ludwig, em Colônia, estuda como a violação dos direitos humanos influenciou a arte, desde o pós-guerra até hoje.
Segundo o curador Kasper König, a pintura só é capaz de ilustrar o sofrimento, e, por isso, traz consigo o perigo de tornar-se kitsch. Um dos mais importantes expositores da Alemanha, König criou em 1977 os Projetos de Escultura de Münster, que desde então acontecem a cada dez anos.
Há 11 anos, ele dirige o Museu Ludwig e, antes de entregar o cargo, em 2012, ele promove, mais uma vez, uma grande mostra em Colônia. Desta vez, tratando das condições básicas do ser humano. König procura, ao mesmo tempo, um retorno a questões existenciais da condição humana e um diagnóstico do tempo presente.

Dor em estado sólido
'Sem Título', de Marko Lehanka e 'Árvore', de Zoe LeonardUm dos mais antigos objetos em "Diante da lei" é Rapaz sentado, realizado por Wilhelm Lehmbruck em 1916-17. A figura de longos braços e pernas, que se apresenta introspectiva e triste, de cabeça baixa, só foi exposta pela primeira vez quase 30 anos mais tarde, na primeira Documenta de Kassel.
Também o Prometeu acorrentado (1948), de Gerhard Marcks, é um sofredor. A esguia figura, de membros delicados, revela uma proximidade com o expressionista Lehmbruck. Cabeça baixa, mãos atadas: com a escultura, Marcks tenta elaborar as vivências do nazismo.
A vulnerabilidade do corpo é tema central dos modernistas dos primeiros anos após a Segunda Guerra. Quer a figura mutilada de Henry Moore, a madona sem forças de Fritz Cremer, ou La jambe, de Alberto Giacometti – uma única perna, como uma prótese, sobre um pedestal: todas irradiam uma sensação de impotência. A arte dessa época prova que capacidade a arte tem de tornar a dor fisicamente perceptível.

Local de prova
'Construindo uma nação', de Jimmie DurhamA arte contemporânea não mais se restringe ao lugar, ou a um pedestal, mas parte para experiência no espaço. O melhor exemplo disso é o Carrossel de Bruce Nauman: envolvidos numa cor cinzenta, morta, restos de cadáveres de animais pendem de varas giratórias.
Na entrada da exposição, a vasta instalação Building a nation (Construindo uma nação), do artista norte-americano Jimmy Durham, toma o espaço. Ela tematiza a ocupação da América do Norte pelos colonizadores europeus e lembra um prédio devastado.
Fragmentos de uma porta ou de móveis apenas deixam vislumbrar uma arquitetura. Das poucas paredes pendem slogans racistas de norte-americanos, soando como a arrogante exigência "Fora com os índios!". Durham é, ele próprio, de origem indígena, e elabora de forma muito pessoal sua vivência do genocídio.
A mostra em Colônia confronta esculturas históricas e grandes instalações contemporâneas. O tema da violação dos direitos humanos as atravessa como um fio condutor. "Diante da lei" transforma o museu num local de exame e reflexão: onde estamos, hoje, como seres humanos, como artistas, como sociedade?

Autoria: Sabine Oelze (av)
Revisão: Soraia Vilela