Há 90 anos, o Brasil era sacudido pela Semana de Arte Moderna

Movimento está na base da Tropicália, que completa 45 anos do lançamento de seu disco-manifesto.

Criatividade, inquietude, inovação, experimentação e, sobretudo, liberdade. Substantivos que podem definir dois movimentos culturais que revolucionaram o país e estão intrinsecamente ligados: a Semana de Arte Moderna de 1922, que completa 90 anos neste mês, e o Tropicalismo, que celebra o seu 45º aniversário em 2012. A frase “O Tropicalismo é um neoantropofagismo”, dita por Caetano Veloso, um dos principais expoentes tropicalistas, é um resumo de como as duas coisas estavam conectadas.

“O Tropicalismo foi, de certa forma, a última onda do Modernismo. Há uma forte presença de alguns personagens da Semana de 22, como Oswald de Andrade, com a ideia de antropofagia que estava presente no trabalho de tropicalistas como Hélio Oiticica (pintor, escultor e artista plástico), que foi quem deu nome ao movimento a partir de sua obra Tropicália; na peça encenada pelo grupo de José Celso Martinez, O rei da vela, que é de Oswald também. No cinema, temos referências como o Macunaíma, de Mário de Andrade, rodado por Joaquim Pedro de Andrade; e Villa-Lobos nas trilhas dos filmes do Glauber Rocha. Sem dúvida, as relações são estreitas e vejo o Tropicalismo como uma expansão do Modernismo”, opina o jornalista e escritor Marcos Augusto Gonçalves, que acaba de lançar 1922 – A semana que não terminou (Cia das Letras) que mostra como o evento realizado em fevereiro daquele ano no Theatro Municipal, de São Paulo, continua influenciando gerações e provocando discussões. “O acontecimento foi concebido para marcar mesmo e por isso até hoje é uma referência. O Modernismo deixou um legado de pesquisa estética, de experimentação; uma liberdade do artista em trabalhar com diferentes linguagens e não se submeter às regras”, pontua Marcos.

Vários eventos já estão programados para lembrar os 90 anos da Semana de Arte Moderna, inclusive no Theatro Municipal da capital paulista, que terá uma programação especial entre os dias 15 e 26 (www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal). Em Belo Horizonte, o Museu das Minas e do Metal vai promover às quintas-feiras deste mês atividades que irão debater os desdobramentos e a importância dos 90 anos da Semana de 1922 e os 45 do Tropicalismo.

Um dos palestrantes é o professor da Faculdade de Comunicação e artes da PUC Minas e doutor em Artes pela ECA/USP Eduardo de Jesus, que vai falar sobre a herança do Modernismo e como ela se manifesta hoje. Segundo ele, a Semana foi um momento de ruptura muito intenso na cultura brasileira, aliado ao que ocorria nas vanguardas históricas pelo mundo, e que um dos pontos altos que ela proporcionou foi o rompimento com uma espécie de academicismo vigente. “Fora que ela promoveu uma abertura, uma aproximação em termos modernistas entre arte e vida, seja a música, a pintura, a escultura. E ainda trouxe um olhar renovado para as tradições populares e questionou situações sociais e políticas da época”, analisa.

Identidade

Assim como a Semana de 22, a Tropicália estava em busca de uma identidade cultural própria, incorporando e valorizando elementos nacionais em sua predominância, sem, no entanto, abrir mão de valores estéticos estrangeiros. Essa é uma das características mais relevantes apontadas pelo jornalista e escritor Marcos Augusto Gonçalves. No evento modernista, pela primeira vez, surgiu a ideia de que a arte brasileira estava inserida em um contexto internacional e isso também estava forte quatro décadas depois, com o Tropicalismo. “A Semana de 22 era uma espécie de nacionalismo internacional; era nosso e de todos ao mesmo tempo e isso se repetiu com o Tropicalismo, que logo foi considerado como algo de fora, estrangeiro, já que incorporou elementos novos como a guitarra, na música, por exemplo”, explica.

O cantor e compositor Arnaldo Baptista, um dos representantes do Tropicalismo e que inclusive está na capa do disco que marcou os primórdios do movimento, Panis et circenses ou Tropicália, também comenta sobre as influências estrangeiras, como os ícones da contracultura inglesa e dos hippies norte-americanos. O ex-Mutantes conta que muita gente torceu o nariz na época para as novidades lançadas, especialmente a introdução da guitarra e do contrabaixo elétrico, mas que os artistas não se importavam. “Ninguém aqui conhecia esse lado da música eletrônica. A Tropicália era uma mistura de Liverpool com Nova York e Salvador. Da Bahia vieram as influências indígenas, revelou a música nordestina e ao mesmo tempo a gente copiava as mudanças estrangeiras. Mas nunca íamos imaginar que o movimento ganharia a proporção que ganhou”, admite.

Arnaldo desenvolve atualmente o projeto Sarau o Benedito, em que, acompanhado de um amplificador e de seu piano de cauda, apresenta seu repertório de composições. “Acabo tendo mais liberdade e é meio no improviso. Quero levar adiante esse projeto, inclusive espero tocar em Belo Horizonte, se for convidado, porque tem a satisfação do público e a minha própria. Acho até que o som que faço hoje, ainda mais que é um ‘solo voador’, como costumo dizer, é até um pouco parecido com o que eu fazia na época da Tropicália”, opina.

Além das influências internacionais, a introdução da guitarra e o resgate de canções populares, o cantor, compositor e professor de teoria literária na USP José Miguel Wisnik diz que vê o legado da Tropicália presente em vários aspectos e realmente não há como negar a relação do movimento com a Semana dos modernistas. Wisnik defende que o Tropicalismo não se fechou em círculos e assumiu a nossa diversidade cultural, seja pelo confronto ou pelo diálogo.

“Vejo marca da Tropicália em tudo. A Rita Lee brigando com a polícia é Tropicália, a música do Arnaldo Antunes tem referências também; a importância que o rap ganhou e como ele se fundiu com outras coisas é outro ponto. Tudo isso tem a ver também com o traço antropofágico brasileiro. Há um movimento de marcar essa permeabilidade que tem a ver com o modernismo e a antropofagia. Nos anos 60, a Tropicália reencenou questões – porém pelos meios de comunicação de massa –, que haviam sido levantadas em 1922. Essas questões ressurgiram de maneira diferente, mas ainda estão presentes e incorporadas na nossa vida e na nossa cultura até hoje”, conclui Wisnik.

Semana de Arte Moderna de 22
Ocorreu em São Paulo nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal. Cada dia da semana foi dedicado a um tema específico: pintura e escultura, poesia, literatura e música. A Semana de 22 representou a renovação de linguagem na busca de experimentação e na ruptura com o passado. Entre os principais participantes estavam Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.


Tropicalismo
Surgiu entre 1967 e 1968, no contexto dos festivais de música popular brasileira. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, a banda Mutantes, Gal Costa e o maestro Rogério Duprat formavam a linha de frente. A cantora Nara Leão, os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto, o diretor José Celso Martinez e o artista plástico Hélio Oiticica completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus mentores intelectuais.


Na agenda
O Museu das Minas e do Metal dedicou sua programação cultural do mês aos 90 anos da Semana de 1922 e aos 45 do Tropicalismo. No dia 9, Eduardo de Jesus fala sobre a herança do Modernismo. No dia 16, haverá exibição do filme Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. No dia 23, é a vez da professora Alícia Duarte Penna, que trata do Modernismo em Minas. Todos os eventos são às 19h30. Informações: (31) 3516-7200 e www.mmm.org.br. O Museu fica na Praça da Liberdade, s/ nº, prédio rosa.

Artista plástico Mike Kelley foi encontrado morto

Artista foi encontrado morto aos 57 anos,
hipótese de suicídio ainda não foi afastada
Mike Kelley foi encontrado morto na sua casa em Los Angeles na terça-feira, anunciaram as autoridades na quarta-feira, sem avançarem a causa da morte e não descartando a possibilidade de suicídio.

Nome influente da arte contemporânea, Mike Kelley tinha 57 anos e ficou mundialmente conhecido pelo seu trabalho na pintura, escultura, instalação, vídeo e música, área na qual colaborou como os Sonic Youth.

Fontes da polícia explicaram à Reuters que a última vez que o artista foi visto vivo foi no domingo. Em sua casa não foram encontrados vestígios que expliquem a tese de suicídio e só a autopsia, marcada para esta quinta-feira, poderá determinar as causas da morte de Mike Kelley.

“É uma perda terrível para a família e para os amigos e também para os artistas desta comunidade, para a qual ele tanto trabalhou para a mudar e enriquecer”, disse à Reuters Paul Schimmel, curador do Los Angeles County Museum of Contemporary Art. “Mais do que qualquer outro artista da sua geração, ele mudou a percepção desta cidade e ajudou a torná-la numa grande cidade internacional de arte”, continuou o curador, recordando que conhecia Mike Kelley desde 1981.

Nasceu em Detroit, em 1954, Mike Kelley há muitos anos que vivia e trabalhava em Los Angeles, sendo hoje considerado um dos artistas mais destacados da West Coast. A presença desta cidade na sua obra (pintura, escultura, instalação, vídeo ou música) foi uma constante ao longo das suas criações. A Los Angeles Mike Kelley foi buscar elementos à cultura popular, referências aos "comics" ou ao cinema série B produzido em Hollywood, temas que serviam depois para o artista abordar as patologias sociais do presente. Talvez por isso, muitas das suas obras eram consideradas inquietantes e sinistras, muitas vezes, retratos e críticas à sociedade.

Nas suas instalações, muitas vezes caracterizadas pelo uso excessivo de elementos multimédia, Mike Kelley destacou-se pelo uso de objectos incomuns, onde explorava muitas vezes as referências da cultura punk, pop e kitsch. A exposição de 1993, “Catholic Tastes”, que esteve no Whitney Museum of American Art em Nova Iorque, onde o artista combinou de forma provocativa bonecas, desenhos e outros objectos, foi dos seus trabalhos mais falados no mundo da arte.

“Ele tinha um apetite voraz para todos os tipos de arte. Ele era muito curioso e trabalhou incrivelmente, nunca teve medo de pensar realmente em grande. Artistas assim não aparecem muitas vezes”, disse ao LA Times Stephanie Barron, curador sénior do Museu de Arte Moderna de Los Angeles.

Mas nem só de arte plástica se fez o seu percurso. Mike Kelley tem um passado ligado ao rock: ajudou a fundar em 1973 a banda "Destroy All Monsters". Na música destacou-se ainda por ter criado algumas das capas mais famosas da música. Amigo da música Kim Gordon, Kelley foi responsável pela capa do álbum de 1992 dos Sonic Youth, “Dirty”.

“O Mike foi uma força irresistível da arte contemporânea. O seu legado vai continuar a tocar e a desafiar qualquer um que se cruze no seu caminho. Vamos sentir a sua falta. Vamos mantê-lo connosco”, escreveu em comunicado a o estúdio do artista.

Em Portugal, Mike Kelley integrou várias exposições colectivas, tendo passado por Serralves, no Porto, ou a BESart, em Lisboa. Kelley tem ainda uma obra, constituída por sete fotografias a preto e branco, com o nome “Architect of the Masses Body Politics 31-6” (1982), na colecção do centro de arte Ellipse Foundation.

Rio de Janeiro recebe mostra sobre Modigliani

"Jeune Femme Aux Yeux Bleus",
uma das obras mais famosas do artista
“Modigliani: Imagens de uma vida”, maior mostra sobre Amedeo Modigliani (1884-1920) já realizada no Brasil, reúne no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, 230 peças, entre as quais 12 pinturas e cinco esculturas originais, além de documentos, fotos, desenhos, diários e manuscritos do artista italiano.

A exposição – parte do Momento Itália-Brasil, que promoverá cerca de 200 eventos até junho – procura traduzir o percurso artístico do pintor, famoso por seus retratos de mulheres, e proporcionar um mergulho em sua intimidade, por intermédio também de suas correspondências com Pablo Picasso e outros de seus contemporâneos.

“Modigliani foi fiel à sua visão figurativa da arte, com uma síntese perfeita de imagem e sentimento”, ressalta Christian Parisot, presidente do Modigliani Institut.

Serviço:

Onde: Museu Nacional de Belas Artes - av. Rio Branco, 199, Cinelândia.
Quando: de 1º de fevereiro até 15 de abril. De terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h.
Quanto: R$ 8 (com direito a meia)
Mais informações: tel. (21) 2219-8474).

Atrações no Jazz & Blues de Guaramiranga

Vamos continuar na trilha do Jazz & Blues?

O público de Fortaleza no Brasil já entrou no clima do Festival Jazz & Blues. Desde o dia 18, seis bares da Cidade promovem apresentações destes gêneros musicais, de terça a sábado. Nos palcos, Márcio Resende, Duna’s Jazz Band, Felipe Cazaux, Puro Malte, Victor Gueiros, Blues Label, Moby Dick e Allysson dos Anjos.

Eles se revezam em apresentações no Café Pagliúca, Degusti, Bar Altas Horas, Butiquim, Barril 85 e Arre Égua. Confira a programação e maiores detalhes em www.jazzeblues.com.br

Depois é só curtir a boa música no friozinho da serra de Guaramiranga durante Carnaval.

Atrações no Jazz & Blues
O brasililense é considerado um dos maiores gaitistas do mundo na atualidade

A harmônica impecável de Gabriel Grossi 

A habilidade do brasiliense Gabriel Grossi com a gaita é de intimidar qualquer mestre do instrumento. Com uma brasilidade aflorada, Grossi explora o som das harmônicas de forma original no rico universo da música brasileira. Ele figura hoje entre os grandes nomes da gaita mundial, já com cinco discos lançados e parcerias com Chico Buarque, Dave Matthews, Guinga, Lenine, Djavan, Milton Nascimento e Ney Matogrosso, entre outros.

Em Guaramiranga, Grossi apresenta-se acompanhado de seu trio, formado em 2009, que tem Guilherme Ribeiro nos teclados e Sérgio Machado na bateria. A apresentação é na primeira noite do Festival Jazz & Blues na serra, 18/02, sábado de Carnaval, abrindo a sessão das 21h na Cidade Jazz & Blues. Na mesma noite, apresenta-se também o cubano Omar Puente, um mestre do violino.

Gabriel Grossi estreou em disco com "Diz que fui por aí" (Delira Música), que recebeu elogios tanto em relação à original concepção musical quanto ao trabalho de composição e arranjos. Lançou também o álbum “Afinidade” (Biscoito Fino) em duo com o grande violonista Marco Pereira, projeto altamente elogiado pela crítica, do mesmo modo que seu terceiro CD, “Arapuca” (Delira Música), inspirado no universo do forró. Em 2009 formou o trio com Guilherme Ribeiro e Sérgio Machado, com quem gravou seu quatro CD, “Horizonte - Gabriel Grossi Trio” (Delira Música), dedicado aos três mestres do sopro, Paulo Moura, Raul de Souza e Mauricio Einhorn. No ano passado, lançou em duo com o premiado guitarrista Diego Figueiredo o CD “Zibididi”, álbum composto exclusivamente por temas autorais. 


Tatiana Parra entre os integrantes do Grupo Solar 

Grupo Solar e a música que vem do mundo 

Unidos pela mais universal de todas as linguagens - a música - o Grupo Solar e a cantora paulista Tatiana Parra rompem fronteiras e fazem um som original, gestado na cosmopolita cidade de São Paulo. Além de Tatiana (voz), o grupo conta com Zéli Silva (baixo), Edu Ribeiro (bateria), o argentino Andrés Beeuwsaert (piano) e o belga Henri Greindl (guitarra e violão). A capital cultural da América Latina foi o ponto de encontro dos artistas, que têm em comum, além de carreiras autorais consolidadas, o gosto pela riqueza rítmica, melódica e harmônica, pela improvisação e pela exploração de diversas cores e texturas sonoras. 

Em Guaramiranga, eles se apresentam na segunda-feira, dia 21/02, na sessão de 21 horas da Cidade Jazz & Blues, dia que também conta com apresentação do violonista Yamandu Costa (RS). Além de ser atração no palco, o guitarrista do Grupo Solar, Henri Greindl, minista oficina do projeto Residências Artísticas do Festival. 

Estrela de voz impecável, Tatiana Parra é uma das raras cantoras de sua geração com tamanha experiência musical, tendo trabalhando desde os 5 anos de idade. A intérprete e compositora é conhecida e admirada no meio musical, por participações em shows e discos dos mais variados nomes: de Ivan Lins a Omara Portuondo, de Rita Lee a Chico Pinheiro, passando por Toquinho, Dante Ozzetti e dezenas de outros. 

Sua voz pode ser ouvida em mais de 30 discos lançados por diversos artistas. Em junho de 2010 lançou seu primeiro CD solo (Inteira), que conta com participações de César Camargo Mariano, Nailor Proveta, Teco Cardoso, além do trio argentino Aca Seca. 


Roberto Taufic e Eduardo Taufic. Foto: Pablo Pinheiro 

Um bate rebate musical de dois irmãos 

A parceria dos irmãos Roberto Taufic e Eduardo Taufic, o primeiro no violão e o outro no piano, é prova que a musicalidade está no sangue do artista. Os dois imprimem uma aula de espontaneidade e improvisação, expressas em seus instrumentos com lirismo, ritmo e cores. A criatividade dos arranjos e o estilo marcante dos dois instrumentistas estão bem representados nas composições próprias, com melodias límpidas que se amplificam na alma de quem as escuta. A bagagem adquirida pelos dois ao longo de mais de duas décadas e o carinho pela música universal, sem limites, resultam na parceria ”Bate Rebate”, DVD ao vivo lançado em 2009 e que mostra toda a beleza dessa parceria mais que familiar entre Roberto Taufic e Eduardo Taufic. 

Para a apresentação no Festival Jazz & Blues em Guaramiranga, o duo conta com o auxilio luxuoso de Darlan Marley na bateria e Airton Guimarães no contrabaixo. Eles tocam no sábado, dia 18/02, ao Pôr do Sol na Cidade Jazz & Blues. O show é gratuito e acontece após o Toca Jazz, que é a apresentação dos alunos do percussionista Marco Lobo na Residência Artística. 

Roberto Taufic, o mais velho dos dois irmãos, nasceu em Honduras, na América Central, chegando ao Brasil com a família aos cinco anos de idade. Aos 15 já tocava violão e cavaquinho e aos 17 anos já era músico profissional. Em 2010 lançou seu primeiro disco de violão solo, “Eles & Eu”, seguido da parceria com a cantora italiana Barbara Raimondi, no disco “Contigo en la distancia”, gravado em Londres e dedicado à musica da America do Sul. 

Eduardo Taufic é pianista, tecladista, arranjador e produtor musical. Nasceu em Natal (RN) onde iniciou seus estudos na música, iniciando em 1991 sua carreira profissional. Teve como principal influência seu irmão, Roberto Taufic, Michel Petrucciani, Oscar Peterson e Chick Corea. Eduardo já arranjou, dirigiu e tocou em mais de 400 álbuns e em shows de artistas como Núbia Lafayette, Elza Soares e Gilliard. 

Curtas

Danilo Caymmi faz dois shows
em Fortaleza.
Foto: Chico Gadelha
Mais uma atração confirmada
Está cofirmado! O cantor, compositor e arranjador Danilo Caymmi encerra a edição 2012 do Festival Jazz & Blues em Fortaleza após o Carnaval. Serão dois shows gratuitos. O primeiro será na sexta-feira, dia 24/02, às 19h30, no Cuca Che Guevara, na Barra do Ceará, em duo com o violonista Flávio Mendes. No domingo, ele encerra a programação do Festival com show no Anfiteatro Flávio Ponte (na Volta da Jurema, na Av. Beira Mar), acompanhado de banda para apresentar seu novo trabalho, “Alvear” (Biscoito Fino). Quem abre a programação da última noite do Festival em Fortaleza, a partir das 19h, é o cearense Cainã Cavalcante, que é também uma das atrações na serra durante o Carnaval. 



Uma das turmas das oficinas realizadas
entre dezembro e janeiro.

A caminho das Residências Artísticas
O Festival Jazz & Blues divulgou os selecionados para as Residências Artísticas, que acontecem na semana que antecede o Carnaval na cidade de Pacoti, vizinha a Guaramiranga. Eles participaram das Oficinas de Sensibilização para a Cultura Musical, do projeto Música é para a Vida, realizadas em todo o estado, entre dezembro e janeiro. Foram selecionados 100 estudantes e 20 arte educadores da rede pública de ensino do Ceará. Também vão participar 10 estudantes de música da UECE. Entre os professores quatro das atrações do Festival Jazz & Blues: Henri Greindl (Grupo Solar), Eduardo Taufic, Marco Lobo e Cainã Cavalcante. Também são professores das Residências os músicos Widor Santiago, Miquéias dos Santos e Ricardo Pontes. A lista dos selecionados poderá ser consultada no www.jazzeblues.com.br. 




Cachoeira de São Paulo, em
Guaramiranga

Dica de Turismo na Serra
Quem vai a Guaramiranga não pode perder a chance de ficar mais perto da natureza realizando trilhas em meio à mata atlântica e desfrutando do banho renovador nas cachoeiras cristalinas de água mineral da região. Uma boa dica é a Cachoeira de São Paulo, distante 9 km da sede, com acesso por trilha e via calçamentada. Outra opção é a Cachoeira do Urubu, com acesso também por trilha, distante 6 km da Cidade. Para quem prefere algo mais acessível, vale visitar o Parque das Cachoeiras, que fica a cerca de 8 km de Guaramiranga e pode-se chegar de carro, contando com estrutura de hotel e restaurante próximo às quedas d’ água. 


Ingressos à venda
Quer uma dica?

Garanta seu lugar nos shows das 21h que vão acontecer em Guaramiranga.

Os ingressos já estão à venda em Fortaleza nas lojas Meia Sola dos Shoppings

Bambuy, Iguatemi, Aldeota e Varanda Mall.

E há também venda online no site da Bilheteria Virtual: www.bilheteriavirtual.com

Preços: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Confira a programação no www.jazzeblues.com.br

Pintor Português expõe na Rússia

Pintor Santiago Ribeiro
O pintor conimbricense Santiago Ribeiro é o único português entre meia centena de artistas de vários países que participam numa exposição dedicada ao surrealismo, a inaugurar na quinta-feira em Moscovo, no Museu Central de História Contemporânea da Rússia.


“Surreal – Produção em Massa” e “Moinho de Fruta” são os dois trabalhos que Santiago Ribeiro apresenta no 1º Festival Internacional de Arte Contemporânea Rússia-Estados Unidos-Europa, a decorrer até domingo.

É a quarta vez que o artista expõe as duas pinturas em Moscovo, depois de organizar e participar em várias exposições em Portugal, Polónia, Itália, Espanha e França, país onde irá participar, a partir de 30 de março, numa mostra coletiva organizada pela Fundação Bissaya Barreto, de Coimbra, e pela Dorothy’s Gallery.

No 1º Festival Internacional de Arte Contemporânea de Moscovo participam 45 artistas, provenientes países como Rússia, Estados Unidos, Alemanha, Grécia, México, Espanha, Áustria, Austália, Reino Unido.

Trata-se de um projeto de Andrei Nekrasov, considerado “o mais chocante icónico galerista underground de Moscovo”, autor e organizador do famoso Vanguard-surrealista-Esotérica Art Project "Geysers de subconsciência".

Um dos objetivos do festival é dar a conhecer novos talentos, ao lado de obras de mestres de arte moderna, incluindo trabalhos de pintura, escultura, batik, fotografia e instalação.

O projeto abrange arte original de autores contemporâneos que trabalham em estilos diferentes – realismo, surrealismo, avant-garde, impressionismo, arte abstrata, pós-modernismo, primitivismo.

Patrick Hughes combina escultura e pintura 3D

Arte “reverspective” é extraordinária e alucinante! Trabalho de Patrick Hughes combina escultura e pintura. Quando você visualiza suas obras de arte a partir da frente, dá uma sensação de uma imagem plana.

No entanto, se você mover a cabeça um pouco ou para outro ângulo, “vira uma superfície 3D acentua a profundidade da imagem e acelera a perspectiva de mudança muito mais do que o cérebro normalmente permite.

Isso proporciona uma impressão poderosa e muitas vezes desconcertante de profundidade e movimento.



       

Centro Europeu lança curso de Artes Visuais

Referência nacional brasileira no ensino de profissões e idiomas, o Centro Europeu acaba de lançar o seu inovador curso de Artes Visuais, com a primeira turma programada para o próximo mês de março. A atividade, comandada pelo artista plástico José Eleutherio Netto, tem como público alvo pessoas que queiram se envolver com arte de maneira mais ampla, clara e competitiva por meio de estudos específicos de múltiplas linguagens visuais, desenhos, gravuras, pinturas, esculturas, instalações, vídeos, fotografias e arquiteturas.

“O curso de Artes Visuais é essencial para profissionais da área do design, como arquitetos, decoradores, estilistas, web designers, produtores de eventos; para profissionais da comunicação, como jornalistas, publicitários e fotógrafos; e, também, para todos aqueles que utilizam a estética para se relacionar ou trabalhar. O curso leva ao conhecimento das formas clássicas até as contemporâneas da produção artística e capacita o aluno a ser um profissional com visão crítica privilegiada”, detalha o artista plástico José Eleutherio Netto.

Com o objetivo de explorar a capacidade máxima de cada aluno, o curso oferece todas as ferramentas necessárias para que, ao final da atividade, os discentes estejam aptos para desenvolver produções artísticas; mediar ou monitorar visitas em exposições; trabalhar em departamentos especializados; e promover ou participar de debates, palestras, encontros, seminários, congressos ou similares com capacidade e segurança de conhecimentos básicos para explorarem e se posicionarem no mercado das artes.

“A atividade vai ensinar de forma abrangente, clara e prática as múltiplas linguagens visuais. A evolução artística e cultural será analisada, também, nos elementos que fazem parte do nosso cotidiano. Esses conhecimentos serão fundamentais para que o aluno se sinta preparado, atualizado, inserido no mercado e a se destacar profissionalmente”, explica o coordenador do curso.

Durante o semestre letivo, os participantes terão a oportunidade de aprender e trabalhar com temas como Linguagem da Arte Contemporânea; Teoria da Cor; Fotografia e Arte; e Ateliê de Pintura. Para fechar o curso com “chave de ouro”, o Centro Europeu vai organizar uma exposição de arte produzida pelos dos alunos para que eles aprendam, na prática, todo o processo da montagem a partir da escolha de um tema e da seleção dos trabalhos até o resultado final.

As aulas do curso de Artes Visuais terão início no próximo dia 12 de março e serão realizadas na sede do Centro Europeu (Rua Brigadeiro Franco, nº 1700). Mais informações no site www.centroeuropeu.com.br ou pelo telefone (41) 3222-6669.

A mulher artista na história da arte

A arte
A palavra arte tem a sua origem na palavra latina ars que significa actividade, habilidade.
Até ao século XV, designa apenas um conjunto de actividades ligadas à técnica, ao ofício, à perícia, isto é actividades essencialmente manuais, onde se incluíam não só a pintura, a escultura e a arquitectura, mas também, as ditas artes menores.

Com o renascimento os artistas reivindicam para si um saber científico. Assim a história dos artistas, que tem início no Renascimento, está essencialmente associado ao reconhecimento da sua obra como possível de ser classificada na categoria das “artes liberais” em vez de “artes servis ou mecânicas”.

Mas afinal o que é arte?

A questão é polémica e de respostas pouco satisfatórias.
A obra de arte é um objecto estético, feito para ser visto e apreciado pelo seu valor intrínseco.

E o que se entende por estético?

A estética costuma ser definida como “dizendo respeito ao que é belo”.
É claro que nem toda a arte é bela aos nossos olhos, não deixando, por isso, de ser arte. Então o termo estético não satisfaz inteiramente.
A Estética como ramo da filosofia tem preocupado os pensadores desde Platão aos nossos dias e como todas as questões filosóficas, os problemas levantados pelo “belo” são inerentemente insolúveis.

O nosso gosto e as nossas opções são exclusivamente condicionados pela cultura em que estamos inseridos e as culturas são tão diversificadas que se torna impossível reduzir a arte a um conjunto de regras susceptíveis de serem aplicadas em toda a parte.

Parece assim impossível definir qualidades absolutas em arte, não podendo nós escapar à necessidade de apreciar as obras de arte no contexto do seu tempo e circunstancialidade, sejam eles quais forem.
Podemos contudo dizer que uma obra de arte terá de envolver Imaginação, Criatividade e Originalidade. O que está apenas ao alcance dos que passam da fase de simples perícia artesanal e se tornam criadores de arte por direito próprio, isto é, os verdadeiramente dotados – os artistas.

Actualmente distinguem-se 11 formas de arte: Música, Dança, Pintura, Escultura, Teatro, Literatura, Cinema, Fotografia, Banda Desenhada, Vídeo Jogos e Arte Digital. Vamos aqui apenas tratar das mais tradicionais e dentro destas da Pintura.

Tese de Dissertação de Pós-Graduação de Constantino Teles, 01-06-2010: Capítulo 1 - A Arte

Tesouros históricos da arte dos EUA voltam a brilhar em Nova York

O Museu Metropolitano de Nova York inaugurou nesta quinta-feira os novos espaços dedicados à história da pintura e da escultura americanas, ao final de um projeto de renovação avaliado em 100 milhões de dólares.

"Completamos, hoje, dez anos do início do projeto destinado a reinventar e reconstruir as galerias. É um grande momento para o Museu Metropolitano", disse o presidente da "American Wing", Morrison Heckscher, ao apresentar à imprensa as novas instalações.

A renovação da coleção de história da arte dos Estados Unidos, que vai do século XVIII ao começo do XX, foi realizada depois que Heckscher e sua equipe chegaram à conclusão de que a antiga disposição "não fazia justiça às obras exibidas".

As 26 salas de estilo clássico que ocupam 2.800m2 passaram por trabalhos de reforma fazendo ressurgir "galerias com uma atmosfera histórica" apresentando obras-primas da pintura, da escultura e da arte decorativa, acrescentou Heckscher.

A nova configuração da 'American Wing' permite que os olhares se voltem, naturalmente, para o imenso óleo "Washington cruzando o rio Delaware", do germano-americano Emanuel Leutze, que retrata de forma épica um momento emblemático da guerra da independência americana.

Objeto de veneração, o quadro, pintado na Alemanha, em 1851, mostra o herói revolucionário e primeiro presidente dos Estados Unidos cruzando com suas tropas o rio que separa a Pensilvânia de Nova Jersey, numa humilde embarcação de madeira e em meio aos blocos de gelo, no Natal de 1776.

Outra pintura significativa é a tela "Os últimos momentos de John Brown", do final do século XIX assinada pelo irlandês-americano Thomas Hovenden, no qual se vê o líder abolicionista beijando um bebê negro no caminho para o patíbulo, pouco antes da explosão da guerra civil nos Estados Unidos.

As espetaculares paisagens do Novo Mundo, em destaque, são um dos temas recorrentes da arte americana e encontram sua expressão máxima na "Escola do Rio Hudson", um movimento influenciado pelo romantismo do século XIX, ao norte de Nova York, e liderado por Thomas Cole.

Em seu conjunto, as galerias oferecem um percurso pelo imaginário americano e suas correntes artísticas, desde retratos do período colonial (1730-1776), com John Singleton Copley na liderança, até o impressionismo (1880-1920) importado da Europa por Childe Hassam.

"Tentamos desenvolver linhas unificadas de argumentos sobre a evolução da pintura e da escultura nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, essas linhas seguem paralelas à história do país", assinalou a curadora Elizabeth Mankin Kornhauser.

A primeira parte de renovação da "American Wing" havia sido concluída em janeiro de 2007 com as galerias dedicadas às artes clássicas nos Estados Unidos, e a segunda, em maio de 2009, com a renovação do espaço do mobiliário e da decoração dos interiores históricos.

Estão sendo expostos, agora, 17.000 quadros e objetos.

Fernando Carpaneda e a polêmica escultura “Bolsonaro’s Sex Party”


Fernando Carpaneda
obra polêmica sobre Bolsonaro em NY


Jair Bolsonaro foi parar no The Leslie Lohman Gay Art Foudation, em Nova York — oficialmente o primeiro museu de arte gay dos EUA. É que Fernando Carpaneda, artista plástico brasileiro radicado na cidade, decidiu “homenagear” o deputado federal (PP-RJ) numa obra bem ousada — uma orgia.

A escultura Bolsonaro’s Sex Party fará parte do acervo permanente da fundação e ficará ao lado de trabalhos de artistas contemporâneos como Andy Warhol, Keith Haring e Robert Mapplethorpe. Ou seja, Bolsonaro vai ficar bem ao lado de alguns dos homossexuais mais famosos do mundo e das artes.

“Da mesma maneira que Bolsonaro tem direito garantido e imunidade parlamentar para ir à TV falar mal de gays e negros, eu, como brasileiro, também tenho o direito de me expressar em público sobre o deputado”, disse Carpaneda à coluna.

Desde quando se interessa por artes plásticas?
Fiz minha primeira exposição no Brasil com 13 anos de idade, em 1982. Meu trabalho sempre foi figurativo, direcionado à arte de rua e underground, sempre focando movimentos urbanos e o mundo gay. Saí do Brasil por falta de espaço, por fazer trabalhos figurativos numa época em que curadores brasileiros só mostravam trabalhos conceituais no país.

Prefere escultura ou pintura? E qual o impacto que elas causam nas pessoas?
Prefiro a escultura. Faço pinturas para relaxar a alma e descontrair. Esculturas tomam todo o meu tempo e consomem muito da minha energia. Levo entre 20 a 30 dias para fazê-las. O tamanho das esculturas varia entre 8 e 30 centímetros de altura. Não faço esculturas em tamanho natural, preferi me dedicar às miniaturas. Quanto ao impacto que elas causam? Bem… quando se trabalha com nus masculinos e pornografia, as pessoas se assustam. As pessoas transam todos os dias em todos os lugares. Acho o ser humano hipócrita.

Como você escolhe os temas?
Eu retrato o que se passa na minha vida ou o que acontece à minha volta. Como não consigo me calar diante de certas injustiças, acabo passando isso para os meus trabalhos também.

Você é um gay militante?
Nunca tive a intenção de ser militante, mas meus trabalhos acabaram me colocando nessa posição de militância de alguma forma.

Como encara o “choque” das pessoas? Pensa nisso antes de criar ou aproveita a polêmica para chamar a atenção?
Eu crio trabalhos que a maioria dos artistas plásticos não tem coragem de fazer, e como não faço parte da sociedade brasileira de defesa da tradição, família e propriedade, isso choca certas pessoas.

Como funciona seu processo criativo?
Eu sempre fui envolvido com o movimento punk, tanto aqui nos Estados Unidos como no Brasil, e acabei conhecendo todo tipo de gente e pessoas que têm outra postura e visão de vida. A base onde coloco a figura em argila é feita com objetos que o retratado usou, consumiu ou na situação em que esteve no mesmo espaço físico que eu. Uso guimbas de cigarros, latas de cerveja, caixas vazias de pastas de dente para compor a obra. Essa base representa o mundo do retratado. Depois faço a escultura em argila e acrescento frases ou poesias e plastifico a peça. Acho que, quando um cara coloca um salto, veste uma minissaia e vai pra esquina trabalhar, isso é um ato de enorme sinceridade com ele próprio e com o mundo. Ele está sozinho, desprendido de qualquer tipo de postura. São pessoas muito seguras do que fazem e exigem respeito. Sempre gostei disso desde criança. Essas pessoas, por terem uma estética fora do padrão e terem uma experiência de vida e de rua muito fortes sempre me influenciaram. Arte para mim é sentimento. Nunca vi muita diferença entre marginais de rua e marginais que trabalham no Congresso Nacional. Marginais por marginais, prefiro os de rua.

E a reação das pessoas?
A culpa é da TV, que mostra bichinhas caricatas, fazendo fofoca da vida alheia. Não mostram dois homens de terno se amando e tendo uma vida normal, falando grosso e de mãos dadas com seu namorado. Os pais imaginam que ter filho homossexual é ter uma Vera-Verão ou um Pit Bicha em casa e morrem de medo disso. A TV denigre sempre que pode o homossexual. Minhas esculturas mostram homens amando outros homens, drags, punks e marginais. Quando as pessoas vão a uma exposição minha se sentem agredidas com os trabalhos que mostram homens fortes se beijando. Na cabeça delas aquilo é inaceitável, pois o estereótipo que elas conhecem não é aquele. Minha arte ou você gosta ou odeia. Não existe meio termo. Tanto aqui nos EUA quanto aí no Brasil, a maioria das pessoas gosta.

Como surgiu a ideia de fazer a “Bolsonaro’s Sex Party”? É uma provocação? O que você pensa sobre o deputado?
Este assunto não é brincadeira! Eu tenho vários amigos negros que têm crianças pequenas e sempre tiveram problemas horríveis no colégio por causa da cor. Eu conheço a realidade dessas crianças de perto, assim como a realidade de gays adolescentes. Não precisamos que um idiota, mal informado e que se diz cristão incentive a descriminação e a violência contra negros e gays. Acho esse tal de Bolsonaro um idiota. Ele deveria ser afastado da política brasileira, assim como a Miriam Rios, o Pastor Édino Fonseca, entre outros imbecis homofóbicos que usam o nome de Jesus Cristo em vão. Algumas pessoas não entendem a obra, mas a escultura aborda ainda um protesto contra as campanhas homofóbicas como a da Igreja Batista americana “God hates Fags” (“Deus odeia os Viados”). Eu troco a palavra “odeia” e coloco a palavra “ama”. A escultura também tem a inscrição “A realidade é que às vezes fazemos sexo sem camisinha”, ou seja, um alerta sobre sexo sem proteção. Muitas pessoas criticam a escultura por falta de conhecimento sobre questões importantes relacionadas ao mundo gay. Quem não tem conhecimento sobre esses assuntos só consegue ver uma cena desnecessária de sexo.

Sofreu algum tipo de preconceito no Brasil? E nos EUA?
Preconceito existe em todos os lugares e nunca vai acabar. A diferença é que as leis nos Estados Unidos funcionam e no Brasil não.

Teve algum problema com a Igreja por conta dos seus trabalhos?
Sim. Os crentes sempre me atacaram. Sempre foram gritar e fazer orações nas minhas exposições no Brasil. Escrevi sobre isso na minha autobiografia “O Anjo de Butes”.

Pretende trazer uma mostra para cá?
Vou expor em Brasília, em junho, com o apoio da PLUS, galeria que me representa no Brasil e umas das poucas no país, junto com a Choque Cultural (SP), que tem uma visão mais aberta e atualizada sobre o que acontece em artes no exterior. Se tudo der certo, vou levar a escultura Bolsonaro’s Sex Party comigo. A escultura agora faz parte da Fundação Leslie Lohman, que há alguns meses se transformou oficialmente no primeiro museu de arte gay dos EUA. Estamos em negociação.

Para conhecer a obra de Carpaneda, visitem o site.

Monkey Business

João Paulo Feliciano transporta para dentro da galeria partes do seu atelier/estúdio e da sua vida quotidiana, questionando as relações e estatuto do artista e da galeria no contexto da arte contemporânea.

Não vamos ver apenas obras recentes de Feliciano (n. 1963, Caldas da Rainha), artista conhecido tanto pelo uso de diversos suportes - fotografia, pintura, escultura, instalações (muitas vezes sonoras) -, como pela sua actividade como produtor, compositor, intérprete e letrista de diversos projectos musicais.

Em "Monkey Business", o autor transporta para dentro da Cristina Guerra partes do seu atelier, tendo mesmo criado, por exemplo, na última sala da galeria, uma espécie de feira da ladra onde vamos poder encontrar não obras de arte mas uma série de objectos provenientes de diversas fontes e postos à venda por valores mínimos.

Por toda a exposição encontramos também esculturas juntamente com materiais como discos, catálogos, livros, objectos - produzidos ao longo da já extensa carreira de Feliciano no mundo da arte e da música.

Lisboa, Cristina Guerra - Contemporary Art - Rua Santo António à Estrela, 33
19-01 a 07-03. Segunda a sexta das 11h00 às 20h00 ; Sábado das 15h00 às 20h00 .
Grátis

Artistas angolanos expõem obras em Portugal

Um dos quadros do pintor angolano Nelo Teixeira que fica
patente ao público durante um mês na exposição
"1ª Paragem:Lisboa"
“1ª Paragem: Lisboa” é o título de uma exposição de arte contemporânea dos artistas plásticos angolanos Lino Damão e Nelo Teixeira, a ser inaugurada a 11 deste mês, em Lisboa, na Rua Marquês de Subserra.

Lino Damião disse que a exposição, que fica aberta ao público até 11 de Fevereiro, marca o início de périplo que os artistas vão fazer por Moçambique, Brasil e Angola para expor as suas obras.
“O nosso objectivo com essa exposição é de mostrar à comunidade lusófona o trabalho que estamos a realizar a nível das artes plásticas, sobretudo a pintura a óleo sobre tela”, disse Lino Damião.

Formado em pintura e escultura nas oficinas da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), Lino Damião nasceu em Luanda em Fevereiro de 1977 e trabalha sobretudo em pintura e gravura.
Muito cedo começou a desenhar e pintar, tendo frequentado o curso de desenho no Ex-Barracão, o curso de pintura e a primeira oficina de gravura na UNAP.

Frequentou o atelier do grande mestre Victor Teixeira (Viteix). É membro Fundador da cooperativa Pró-Memória dos Nacionalistas e membro da União Nacional dos Artistas Plásticos. Participou em diversas exposições, das quais se destaca a primeira bienal de jovens criadores da CPLP, na cidade da Praia, Cabo Verde, em 1999, a bienal de jovens criadores da CPLP, no Porto, Portugal, em 2000, no projecto ArteModa-2002, oficina de criação com Kotas e Kandengues, no projecto Galarte no Elinga Teatro, entre 2000 a 2006, e Trienal de Luanda.

Realizou várias exposições individuais com destaque para “Cores, Cómicos e Contrastes”, no Lebistrot Luanda (1999), “Manchas e contornos”, na Galeria Cenarius (2000); “Liberdade”, no laboratório Nacional de Cinema Luanda (2002), e recebeu o prémio de pintura de UNAP, em1998, e menção honrosa do Prémio Ensarte, em1996.

Nelo Teixeira, formado em pintura e escultura, em 2000, participou no Workshop de Pintura em Vidro orientado por Jean Luc no Salão da UNAP. Teve participação cenografia nos filmes “Heroi” e “Cidade vazia”. Participou em várias exposições colectivas na Celamar, Humbiumbi, Elinga Teatro, Soso Arte Contemporânea e Associação 25 de Abril.

Escultura e direitos humanos na exposição "Diante da lei"

Mostra no Museu Ludwig explora as relações entre as violações dos direitos dos direitos humanos desde a Segunda Guerra, ressaltando a escultura como forma de tornar a dor fisicamente perceptível.
"Diante da lei, está postado um porteiro", diz a primeira frase do famoso conto de Franz Kafka. Seu protagonista é um médico rural, que vai à cidade e pede para entrar na lei. Ele espera inutilmente pela permissão, e somente um pouco antes de morrer pergunta ao porteiro por que era o único a pedir ingresso ali. Essa porta lhe era exclusivamente destinada, é a resposta. O "Homem do Campo" descobre que a lei não é igual para todos, mas depende da interpretação.
A máxima vale até hoje. Os artistas também têm repetidamente visto seus direitos democráticos mais fundamentais serem pisoteados. Por isso, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, eles passaram a refletir sobre o direito de existir do ser humano: o que significa viver num mundo em que a dignidade humana é desprezada?

Pesquisa existencial
'Carrossel', de Bruce NaumanCom o foco na escultura, a exposição "Diante da lei" (Vor dem Gesetz), no Museu Ludwig, em Colônia, estuda como a violação dos direitos humanos influenciou a arte, desde o pós-guerra até hoje.
Segundo o curador Kasper König, a pintura só é capaz de ilustrar o sofrimento, e, por isso, traz consigo o perigo de tornar-se kitsch. Um dos mais importantes expositores da Alemanha, König criou em 1977 os Projetos de Escultura de Münster, que desde então acontecem a cada dez anos.
Há 11 anos, ele dirige o Museu Ludwig e, antes de entregar o cargo, em 2012, ele promove, mais uma vez, uma grande mostra em Colônia. Desta vez, tratando das condições básicas do ser humano. König procura, ao mesmo tempo, um retorno a questões existenciais da condição humana e um diagnóstico do tempo presente.

Dor em estado sólido
'Sem Título', de Marko Lehanka e 'Árvore', de Zoe LeonardUm dos mais antigos objetos em "Diante da lei" é Rapaz sentado, realizado por Wilhelm Lehmbruck em 1916-17. A figura de longos braços e pernas, que se apresenta introspectiva e triste, de cabeça baixa, só foi exposta pela primeira vez quase 30 anos mais tarde, na primeira Documenta de Kassel.
Também o Prometeu acorrentado (1948), de Gerhard Marcks, é um sofredor. A esguia figura, de membros delicados, revela uma proximidade com o expressionista Lehmbruck. Cabeça baixa, mãos atadas: com a escultura, Marcks tenta elaborar as vivências do nazismo.
A vulnerabilidade do corpo é tema central dos modernistas dos primeiros anos após a Segunda Guerra. Quer a figura mutilada de Henry Moore, a madona sem forças de Fritz Cremer, ou La jambe, de Alberto Giacometti – uma única perna, como uma prótese, sobre um pedestal: todas irradiam uma sensação de impotência. A arte dessa época prova que capacidade a arte tem de tornar a dor fisicamente perceptível.

Local de prova
'Construindo uma nação', de Jimmie DurhamA arte contemporânea não mais se restringe ao lugar, ou a um pedestal, mas parte para experiência no espaço. O melhor exemplo disso é o Carrossel de Bruce Nauman: envolvidos numa cor cinzenta, morta, restos de cadáveres de animais pendem de varas giratórias.
Na entrada da exposição, a vasta instalação Building a nation (Construindo uma nação), do artista norte-americano Jimmy Durham, toma o espaço. Ela tematiza a ocupação da América do Norte pelos colonizadores europeus e lembra um prédio devastado.
Fragmentos de uma porta ou de móveis apenas deixam vislumbrar uma arquitetura. Das poucas paredes pendem slogans racistas de norte-americanos, soando como a arrogante exigência "Fora com os índios!". Durham é, ele próprio, de origem indígena, e elabora de forma muito pessoal sua vivência do genocídio.
A mostra em Colônia confronta esculturas históricas e grandes instalações contemporâneas. O tema da violação dos direitos humanos as atravessa como um fio condutor. "Diante da lei" transforma o museu num local de exame e reflexão: onde estamos, hoje, como seres humanos, como artistas, como sociedade?

Autoria: Sabine Oelze (av)
Revisão: Soraia Vilela

1983 - Pintor espanhol Joan Miró morre em Palma de Maiorca

 Joan Miró, pintor, escultor e ceramista catalão
Surrealista teceu, ao lado de cubistas e fauvistas, um contraponto à arte tradicional burguesa.

 Joan Miró, pintor, escultor e ceramista catalão, nascido em Barcelona, morre em Palma de Maiorca, Espanha, em 25 de dezembro de 1983.

 Apesar da insistência do pai em vê-lo graduado, não completou os estudos. Frequentou uma escola comercial e trabalhou num escritório por dois anos até sofrer um esgotamento nervoso. Em 1912, seus pais finalmente consentiram que ingressasse numa escola de arte em Barcelona. Estudou com Francisco Galí, que o apresentou às escolas de arte moderna de Paris, transmitiu-lhe sua paixão pelos afrescos de influência bizantina das igrejas da Catalunha e o introduziu à fantástica arquitetura de Antonio Gaudí.

Conquistando consagração internacional, seu trabalho foi classificado como surrealista por apropriar-se do pensamento subconsciente, da recriação da meninice e do orgulho catalão.

Em numerosas entrevistas a partir dos anos 1930, Miró expressou desprezo pelos métodos convencionais de pintura que, a seu ver, sustentavam a sociedade burguesa. Numa famosa declaração, manifestou-se a favor do ‘assassinato da pintura’ como meio de transtornar os elementos visuais tradicionais. Contemporâneo do fauvismo e do cubismo, Miró criou sua própria linguagem artística, procurando retratar a natureza como o faria o homem primitivo ou uma criança que tivesse, no entanto, a inteligência de um homem maduro do século 20.

Miró trazia intuitivamente a visão despojada de preconceitos que os artistas das escolas fauvista e cubista buscavam. Em sua pintura e desenhos, tentou criar meios de expressão metafórica, ou seja, descobrir signos que representassem conceitos da natureza num sentido poético e transcendental.

De 1915 a 1919, trabalhou em Montroig, próximo a Barcelona, e em Maiorca, onde pintou paisagens, retratos e nus. Depois, passou a alternar entre Montroig e Paris. De 1925 a 1928, influenciado pelo dadaísmo, pelo surrealismo e principalmente por Paul Klee, pintou cenas oníricas e paisagens imaginárias. Após uma viagem aos Países Baixos, onde estudou a pintura dos realistas do século XVII, os elementos figurativos ressurgiram em suas obras.

Na década de 1930, seus horizontes artísticos se ampliaram. Fez cenários para balés, e seus quadros passaram a ser expostos regularmente em galerias francesas e americanas. As tapeçarias que realizou em 1934 despertaram seu interesse pela arte monumental e mural. Estava em Paris quando eclodiu a guerra civil espanhola, cujos horrores influenciaram sua produção artística desse período.



Canção do rouxinol à meia-noite, de Joan Miró

No início da segunda guerra mundial voltou à Espanha e pintou a célebre "Constelações", que simboliza a evocação de todo o poder criativo dos elementos e do cosmos para enfrentar as forças anônimas da corrupção política e social causadora da miséria e da guerra.

A partir de 1948, mais uma vez dividiu seu tempo entre a Espanha e Paris. Nesse ano, iniciou uma série de trabalhos de intenso conteúdo poético, cujos temas são variações sobre a mulher, o pássaro e a estrela. Algumas obras revelam grande espontaneidade, enquanto que em outras percebe-se técnica altamente elaborada. Esse contraste também aparece em suas esculturas.

Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, o mural que realizou para o edifício da UNESCO em Paris ganhou o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1963, o Museu Nacional de Arte Moderna de Paris realizou uma exposição de toda a sua obra.

A musa e o minotauro

A musa e o minotauro é o título popular para a coleção de gravuras que Pablo Picasso fez inspirado em seu caso de amor com Marie-Thèrése Walter, que se tornou sua amante aos 18 anos, quando ele próprio tinha 50. Distante do público desde 1951, as estampas voltam à cena nas galerias do Museu Britânico.


O caso de amor entre Picasso e Marie-Thérèse


Pablo Picasso e Marie-Thèrése

Muitas vezes Picasso se retratou como um minotauro meio homem, meio touro, da mitologia grega. Um monstro capaz de uma sexualidade violenta, erótica e, até, cruel. Era assim que o pintor se via, um homem capaz de devorar as mulheres com suas paixões. Foi assim que viveu.

O caso de amor entre Pablo Picasso e Marie-Thérèse Walter

Pablo Picasso conheceu Marie-Thérèse (1901-1977), no dia 8 de janeiro de 1927, em frente à Galeries Lafayette (Paris). Na época, o pintor era casado com a bailarina Olga Khokhlova, mesmo assim, daquele ano em diante, Marie-Thérèse permaneceria próxima a casa da família.

Quando Picasso comprou um castelo, em Boisgeloup (1930), que usou como estúdio, principalmente para esculturas, Marie-Thèrése ainda era a sombra da família e a musa do pintor. Olga, a esposa, só descobriu o caso de amor do marido quando Marie-Thèrése ficou grávida. Acabou abandonando Picasso e indo morar, com seu filho Paulo Picasso, no sul francês.

A filha de Picasso e Marie-Thèrése, Maya, (foto ao lado), nasceria em 5 de setembro de 1935. Embora o pintor nunca tenha se divorciado de Olga, para evitar a partilha de bens, Pablo e Marie-Thèrése viveram juntos até 1936, quando a mulher se mudou para Le Tremblay-sur-Mauldre, próximo a Versalhes.

Picasso continuou visitando as duas mulheres, mesmo depois da mudança. Naquele mesmo ano, Picasso se encantaria por outra mulher, Dora Maar (1936). Foi o fim do caso com Marie-Thèrése. No entanto, mantiveram contato até pelo menos 1943. O pintor visitava a ex-amante semanalmente e para ela escreveu longas cartas de amor.

O artista se responsabilizou financeiramente pelas duas mulheres até o final da vida, em abril de 1973. Quatro anos depois, 20 de outubro de 1977, Marie-Thèrése cometeu suicido na garagem de sua casa em Juan-les-Pinos (Côte d'Azur/França).

Em sua carta de despedida para a filha Maya, Marie-Thèrése falou de um impulso irresistível. Maya escreveu mais tarde que não foi apenas a morte do pai que levou ao suicídio sua mãe, mas a “insanidade” da relação entre eles. Na carta Thèrése diz:
“Eu não podia suportar a idéia de que ele estava sozinho, sozinho, com seu túmulo cercado por pessoas que não podiam dar-lhe o que eu havia lhe dado."

Uma das mais famosas pintura que Picasso fez de Marie-Thèrése


Le Rêve (O sonho) é uma das mais famosas pinturas que Picasso fez de Marie-Thèrése e, talvez, a mais polêmica.

Segundo alguns, a tela foi pintada em uma tarde de janeiro de 1932. Le Rêve (imagem ao lado) é uma representação pictórica distorcida, um esboço bastante simplificado de cores contrastantes, que lembra os fauvistas (as feras – grupo de artistas modernos caracterizados pelo uso do pictórico e das cores fortes, em contraponto ao impressionismo).

A grande controvérsia causada pela pintura é seu sentido erótico, simbolizado pelo presumível pênis ereto no rosto (face direita) da modelo.

Um diário visual de amor – A musa e o minotauro


O diário construído por Picasso durante sua relação com Marie-Thérèse Walter pode ser considerado um diário de amor. Em aproximadamente cem gravuras o pintor si autoretrata, muitas vezes como um minotauro, ao lado de sua amante e musa.

Criadas entre 1930 e 1937, as gravuras são conhecidas como “Suíte Vollard”, por ter sido negociada por Ambroise Vollard. Agora pertencentes ao Museu Britânico, por doação de Hamish Parker, serão apresentadas, após cinquenta anos, ao público inglês.

Gravuras – A musa e o minotauro

O minotauro acaricia uma mulher dormindo (1933)

O minotauro, cego, é guiado por uma menina no meio da noite (1934)

A modelo, nua, pousa para o escultor (1933)

A modelo olha-se ao espelho, enquanto o escultor a observa (1933)

Vollard II (1937)


Modelo olha sua cabeça esculpida (1933)

Escultor e modelo apreciam a escultura (1933)

A escultura, a pintura e a modelo (1933)

Uma tradução contemporânea para a história da arte

“Os olhos têm o brilho e a umidade que se costumam ver nos seres vivos, e em torno deles percebem-se zonas lívidas e rosadas, assim como pelos, coisas que não é possível fazer sem muita sutileza. Os cílios, representados no modo como nascem na carne, ora mais densos, ora mais ralos, obedecendo ao giro dos poros, não poderiam ser mais naturais. O nariz, com aquelas belas narinas róseas tenras, parece estar vivo. A boca, cuja fenda termina em cantos de um vermelho que une à carnação do rosto, na verdade, não parece feita de tintas, mas de carne. Na base de seu pescoço, quem olhar atentamente verá a pulsação das artérias: pode-se dizer que essa pintura foi feita de uma maneira capaz de causar medo e temor a qualquer artista valente, fosse ele qual fosse.”

O célebre retrato de Mona Lisa, do pintor e escultor florentino Leonardo da Vinci (1452-1519), todos conhecem: Gioconda está guardada sob o número 1061, no Museu do Louvre, e imortaliza a bela esposa do comerciante Francesco del Giocondo. Já esse excerto de abertura que você acabou de ler - provavelmente pela primeira vez - não: chega apenas agora ao português, compondo a obra em que foi publicado originalmente, em 1550, Vidas dos artistas (WMF Martins Fontes, 824 páginas, R$ 125). O título, de autoria de um também artista italiano, Giorgio Vasari (1511-1574), não é somente um olhar talentoso, apaixonado e contemporâneo ao cinquecento…

São as páginas que fundam a historiografia da arte ou, em outras palavras, a primeira e incontornável obra crítica voltada a nomes não menos talentosos que Da Vinci, como foram o pintor e arquiteto Rafael de Urbino (“Em Rafaello, resplendiam claramente todas as egrégias virtudes da alma, e a graça, o estudo, a beleza, a modéstia e os bons costumes que as acompanhavam eram tamanhos, que teriam encoberto e escondido qualquer vício, por mais feio, e qualquer mácula, por maior que fosse”); ou seu oponente, Michelangelo Buonarroti (“e que ninguém acredite jamais vir a contemplar um nu tão divino pela beleza dos membros e pela maestria do corpo, não havendo morto que mais se assemelhe àquela morte”, escreve Vasari, sobre a escultura La Pietà).

Na própria linguagem de Vasari - para além de seus quadros e de projetos arquitetônicos bem-sucedidos como o da Galleria degli Uffizi, sede do museu principal de sua cidade natal, Florença; para além de um ou outro equívoco factual; para além de suas preferências pessoais e alianças políticas -, um dispositivo de aproximação capaz de preservar o susto, o deslumbramento, a capacidade de contemplação diante de obras desbotadas pela estereotipia do sempre aligeirado olhar moderno.

Serviço

Vida dos artistas, de Giorgio Vasari
Editora: Martins Fontes
Preço médio: R$ 125

Vida de Michelangelo Buonarroti, de Giorgio Vasari
Editora: Unicamp
Preço: R$ 86


Trecho do livro

"Enquanto retratava a Mona Lisa, que era belíssima, por perto sempre havia pessoas a tocar ou cantar, bem como bufões que a mantinham alegre, para eliminar aquela melancolia tão frequente na pintura e nos retratos que se fazem. E, nesse retrato feito por Leonardo, há um sorriso tão agradável que mais parece coisa divina que humana, tão admirável por não ser diferente do natural"
Vasari, sobre o sorriso da Mona Lisa

Entrevista >> Luiz Marques

“Estudar Michelangelo é como adentrar um universo”

Em especial, quais as passagens de Vidas dos artistas permanecem entre as mais pertinentes e belas e quais são vistas hoje em dia como afetação de época?
As “Vidas” são compostas basicamente por três tipos de textos: Os tratados técnicos, os Proêmios mais teóricos às três Idades em que Vasari periodiza sua história (os anos 1250 a 1400; os anos 1400 a 1500 e os anos 1500 a 1550) e as biografias propriamente ditas. Neste conjunto, destacam-se sem dúvida os Proêmios à Segunda e à Terceira Idade, por sua capacidade de elaborar uma teoria da história e organizar conceitualmente o conjunto do período. Além disso, algumas biografias são excepcionalmente importantes, tais como a de Giotto, a de Masaccio e a dos três mestres maiores da Terceira Idade: Leonardo da Vinci, Rafael e Michelangelo. Mas é a Vida de Michelangelo que coroa o conjunto da obra, e é muito mais longa e detalhada que as demais, que concentra as linhas de força do pensamento de Vasari. Isto posto, há uma infinidade de momentos belíssimos dispersos ao longo do texto, sobretudo no que se refere à percepção do que é peculiar em cada obra mencionada. Vasari é um mestre da descrição visual, arte que chamamos écfrase. Quanto às passagens menos atuais, diria que há poucas. São evidentemente redundantes e excessivos seus elogios a Cosimo I, o duque de Florença de quem Vasari é cortesão. Mas seria provavelmente errôneo considerá-los simples afetação e hipocrisia, pois Vasari parece realmente venerar seu duque.

Quem foi o Vasari artista? Ela usava o conhecimento do métier nas suas observações pessoais?
Embora não seja escultor, Vasari conhece a fundo o ofício dos artistas de que trata, pois é pintor e arquiteto de enorme talento. Seus dotes como pintor foram, por vezes, depreciados pelos historiadores, pois seus resultados neste campo são efetivamente desiguais. Mas penso que há não poucos êxitos altíssimos em sua obra de pintor e desenhista. Já seu talento como arquiteto é universalmente reconhecido.

Vidas dos artistas e Vida de Michelangelo Buonarroti pela primeira vez em português. Qual o significado destas edições para o estudo da história da arte no Brasil?
Traduzir Vasari para o nosso idioma, possibilitando assim o conhecimento mais generalizado entre nós da primeira, e ainda a mais importante, história da arte da Idade Moderna, é uma etapa imprescindível para a superação do isolacionismo em que se mantiveram, até há pouco, os estudos sobre a história da arte no Brasil. Há duas traduções em alemão, duas em francês, três em inglês, e até agora não havia nenhuma em português, o que é bem sintomático de nosso provincianismo, tanto em Portugal como no Brasil. Seria desejável que se publicasse no futuro uma tradução também da edição de 1568 das Vidas, revisada e muito ampliada pelo autor. Mas esta primeira versão de 1550 e minha própria tradução comentada da Vida de Michelangelo constituem um começo prometedor. Ambas as edições devem ser lidas, de preferência, com o auxílio de dois sítios brasileiros da internet que contêm muitas das ilustrações e comentários das obras mencionadas por Vasari e outras obras correlatas: www.vasari.art.br e www.mare.art.br.

A escrita e a metodologia de Vasari emulam as técnicas artísticas de seu tempo? Em que sentido? Como Vasari procedia para levantar informações e realizar suas observações?
Sobre a metodologia de Giorgio Vasari (1511-1574) relativa ao modo como ele organiza o vasto material histórico que redunda em sua monumental Vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos, de Cimabue aos nossos dias (1550 e 1568), há de fato pouco documentação. Um desenho de Vasari (ou de seu discípulo, Prospero Fontana), conservado em uma coleção privada em Boston, mostra no verso uma lista de artistas. Trata-se do único vestígio conservado do canteiro de obras do historiador. Sabemos, por outro lado, que este trabalho de coleta e organização do material ocupou-o por aproximadamente dez anos, isto é, de 1538 e 1548.

Vasari é incontornável para os historiadores do cinquecento. Em qual circunstância aconteceu seu encontro com ele? Por que seu especial interesse por Michelangelo? Fale-me um pouco da produção de seu ensaio/tradução publicado pela Unicamp (uma pesquisa de 20 anos, pois não?).
Qualquer pessoa que volte seu interesse para a história do Renascimento italiano deve forçosamente confrontar-se com a figura excepcional de Michelangelo (1475-1564), o artista que domina seu século. Segui, portanto, o curso natural das coisas, tão logo comecei a me interessar pela história da arte, interesse hoje canalizado para o projeto de um Museu de Arte para a Pesquisa e a Educação, de acesso irrestrito na internet (www.mare.art.br). Mas quando comecei a traduzir a Vida de Michelangelo, de Vasari, não avaliei o quanto tal projeto seria absorvente. Estudar Michelangelo é como adentrar um universo. É como contrair o vírus de uma doença incurável, com a peculiaridade de se tratar de uma doença de que você não deseja se curar.

Michelangelo era o único artista vivo à época da publicação das biografias de artistas de Vasari. Eles mantiveram algum tipo de relação pessoal?
Quando da primeira edição, de 1550, atualmente traduzida para o português, Michelangelo era de fato o único artista vivo. Depois, na edição muito ampliada e revista de 1568, Vasari inclui muitos outros artistas vivos. A amizade entre ambos data provavelmente de 1542 ou 1543, quando Vasari é hóspede em Roma de um amigo comum, o banqueiro florentino Bindi Altoviti. Desde então, suas relações se adensaram sempre mais, e é possível afirmar, sem sombra de dúvida, que Vasari viria a se contar rapidamente entre os amigos mais diletos do grande mestre.

“Michelangelo representava a ascensão da civilização florentina” sobre Roma, observa Giovanni Previtali. De quais valores ele está falando? Há uma oposição manifesta entre Michelangelo e Rafael? De que ordem?
A ascendência de Florença sobre Roma já estava consolidada desde, ao menos, o início dos anos 1480, quando os artistas florentinos decoram com afrescos as paredes laterais da Capela Sistina. Mas, com Michelangelo, esta ascendência atinge seu ápice, no sentido em que, a partir dos seus afrescos da abóbada da Capela Sistina, ele se firma em toda a Itália central como o modelo único de excelência. Embora Rafael (1483-1520), artista mais jovem que Michelangelo, seja capaz de criar desdobramentos mais efetivos na cultura figurativa do século 16, ele próprio é reconhecidamente tributário de Michelangelo. A oposição entre ambos, portanto, decorre mais de uma luta pelo controle das grandes encomendas artísticas da Roma pontifícia que de uma oposição artística. Rafael será responsável por uma interpretação pictórica de Michelangelo, cuja pintura permanece uma transposição para a parede de uma arte que se concebe sempre como escultura.

Prémio Turner 2011 para escultor Martin Boyce

O artista plástico Martin Boyce venceu hoje o Prémio Turner 2011 de arte contemporânea, um dos mais importantes do mundo, com uma homenagem escultórica à arquitetura modernista.

Boyce impôs-se aos três outros finalistas -- o pintor George Shaw, a vídeo-artista Hilary Lloyd e a criadora de instalações Karla Black -- com um trabalho intitulado «A Library of Leaves», uma variação escultórica elaborada a partir de uma mesa de trabalho desenhada pelo francês Jean Prouve para a Casa do Estudante de Paris, em que, segundo o júri, o artista dotou o objeto quotidiano original de profundidade e textualidade.

O vencedor do galardão foi anunciado hoje à noite numa cerimónia apresentada pelo fotógrafo Mario Testino, que se realizou no centro Baltic de Arte Contemporânea de Gateshead, no nordeste de Inglaterra, onde os trabalhos dos quatro artistas estão patentes desde outubro.