Divulgado vídeo inédito e recente de entrevista de Amy Winehouse

Tony Bennett acaba de divulgar um vídeo de uma entrevista recente a Amy Winehouse, sobre o dueto que gravaram juntos para o seu álbum "Duets II". No vídeo, Amy aparece a cantar com Bennett e fala também sobre o tema, "Body and Soul".
 Amy contou, divertida, como é que conheceu Tony Bennett:
«A primeira vez que conheci o 'Tone' foi... posso chamar-lhe 'Tone'? Obrigada. A primeira vez que conheci o 'Tone' - não era melhor perguntares-lhe primeiro? A sério. Antes de começarmos... ok. A primeira vez que conheci o 'Tone' fui com o meu pai, a minha madrasta e o meu namorado ve-lo ao Royal Albert Hall. E fomos nas duas noites.»

A cantora mostrou também a sua boa disposição quando falou da reacção do pai, Mitch Winehouse, à música escolhida para dueto:

«Quando o meu pai soube que eu e o 'Tone' iamos cantar a música “Body and Soul”, o meu pai disse 'Oh! É só a minha preferida de sempre, oh meu Deus! Sabes sequer qual é??' e eu disse 'Claro que sei Mitchell. Sou tua filha. Claro que conheço a música.»

11 de Setembro: a arte que se perdeu no atentado

Obras de artistas como Rodin e Miró ficaram também debaixo dos escombros das Torres Gémeas.


Um número significativo de obras de arte, desde pintura, fotografia e escultura, perdeu-se para sempre com o colapso do World Trade Center, em resultado dos atentados do 11 de Setembro, em Nova Iorque, faz domingo dez anos. A morte de quase 3 mil pessoas foi a maior tragédia desse dia, além da destruição dos dois edifícios no coração da cidade norte-americana.


No interior das instalações onde funcionavam gabinetes de grandes empresas também se perderam para sempre valiosas obras de arte, porque algumas delas possuíam importantes acervos.


Entre os tesouros artísticos que desapareceram estavam uma coleção de esculturas do conceituado artista francês Auguste Rodin (1840-1917), uma tapeçaria de grandes dimensões do espanhol Juan Miró (1893-1983) e outras obras de grandes figuras da arte americana do século XX como o escultor Alexander Calder, o pintor Roy Lichtenstein e a fotógrafa Cindy Sherman. Algumas estimativas apontam para perdas em obras de arte no valor de 100 milhões de dólares (cerca de 73 milhões de euros).


A coleção de esculturas de Rodin (considerada o maior acervo particular existente no mundo) pertencia à empresa de serviços financeiros Cantor Fitzgerald, instalada no 105.º andar de uma das torres. Perdeu uma dezena de esculturas, e outras, algumas em pedaços, foram encontradas no rescaldo da tragédia.


Outras empresas que tiveram prejuízos em obras de arte foram a Goldman Sachs e a Morgan Stanley, ambas com tradição de mecenato nos Estados Unidos, na área da Cultura.


A empresa Citygroup perdeu, ao todo, 1 113 obras de arte, de acordo com um relatório elaborado por Suzanne Lemakis, vice-presidente e curadora de arte da companhia. Na coleção estavam incluídas pinturas de artistas como Carl Schrag, Louis Bouche, John Heilker, William Thon, Robert Henri, Alex Katz, Bryan Hunt, Wolf Kahn, Jim Dine, Jacob Lawrence e Edward Curtis.


No relatório, a curadora escreveu que se havia uma lição a tirar desta tragédia em relação às obras de arte era: mantê-las bem guardadas e criar uma base de dados com os respetivos registos que seja habitualmente atualizada para criar um recurso em caso de roubo ou incêndio.


Ainda hoje não há certezas sobre a verdadeira dimensão de obras de arte e documentos históricos que desapareceram para sempre devido aos atentados. Entre os registos, contam-se cartas e 40 mil negativos de fotografias do ex-presidente americano John F. Kennedy.

Priscila Fernandes vence prémio EDP Novos Artistas

Priscila Fernandes venceu a 9ª edição do prestigiado prémio
(foto:Nuno Ferreira Santos)
Priscila Fernandes é a vencedora da 9ª edição do Prémio EDP Novos Artistas, que distingue artistas em início de carreira com propostas criativas originais e inovadoras.


O vencedor foi dado hoje a conhecer numa cerimónia que aconteceu no Museu da Electricidade, em Lisboa, e que contou com a presença do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.


Priscila Fernandes foi escolhida pelo júri composto pelo curador e crítico de arte Alexandre Melo, o artista João Pedro Croft, curador da 29.ª Bienal de São Paulo (Brasil), Moacir dos Anjos, Lynne Cooke, subdiretora e curadora chefe do Museu Rainha Sofia (Espanha) e José Manuel dos Santos, que presidiu, em representação da Fundação EDP.


No valor de 10.500 euros, o prémio deverá agora ser aplicado pelo artista vencedor no prosseguimento ou aprofundamento dos seus estudos ou na concretização de um projecto artístico específico.


A jovem artista, a viver actualmente em Roterdão, é licenciada em Pintura no National College of Art and Design, em Dublin, e fez o mestrado em Belas-Artes no Piet Zwart Institute, Willem de Kooning Academy da Universidade de Roterdão. O seu trabalho procura explorar os protocolos de verdade inerentes à transmissão do conhecimento. Através da criação de ambientes primários perturbadores, explora e manipula as convenções estabelecidas, os sistemas e as regras inerentes a uma visualidade pedagógica.


Numa entrevista ao PÚBLICO em Junho, Priscila Fernandes explicou que o prémio EDP Novos Artistas representava um regresso a casa. “Visto que nos últimos anos tenho estudado e trabalhado mais "lá fora" (especialmente nos Países Baixos e Irlanda).”


O júri destacou ainda o trabalho de André Trindade, a quem dirigiu uma menção honrosa.


Esta 9ª edição do prémio contou com 408 candidaturas, tendo sido seleccionados nove artistas (Ana Manso, André Trindade, Carla Filipe, Catarina Botelho, Catarina Dias, João Serra, Nuno da Luz, Priscila Fernandes e Vasco Barata), por um júri constituído pelos críticos e curadores Delfim Sardo, Nuno Crespo e João Pinharanda.


Priscila Fernandes (Coimbra, 1981) concorreu com propostas no campo da instalação, pintura e vídeo, Ana Manso (Lisboa, 1984) concorreu com um trabalho centrado na pintura, André Trindade (Lisboa, 1981), recorreu à escultura, instalação e vídeo, Carla Filipe (Aveiro, 1973) usa fotografia, instalação e pintura, Catarina Botelho (Lisboa, 1981) a fotografia, Catarina Dias (Londres, 1979), centra a obra no desenho, performance e pintura, João Serra (Lisboa, 1976), na fotografia, Nuno da Luz (Lisboa, 1984), recorre à instalação e vídeo, Vasco Barata (Lisboa, 1974), com desenho, fotografia e instalação.


Os finalistas receberam uma verba de 2500 euros para produzir peças originais para a exposição colectiva do prémio que está patente desde 1 de Julho no Museu da Electricidade, e onde se vão manter até 18 de Setembro.


Criado em 2000, o prémio já foi entregue a Joana Vasconcelos (2000), Leonor Antunes (2001), Vasco Araújo (2002), Carlos Bunga (2003), Pedro Paiva e João Maria Gusmão (2004), João Leonardo (2005), André Romão (2007) e Gabriel Abrantes (2009).

Espólio do Santuário de Fátima entre os «Tesouros da Arte Sacra Nacional»

Justiça francesa beneficia neto do artista Victor Vasarely

A Igreja de Saint-Louis, em Marselha, guarda as únicas obras religiosas de Victor Vasarely, como O Cristo (AFP, Boris Horvat)


A justiça francesa confirmou, nesta terça-feira, o neto do pintor e escultor Victor Vasarely, criador da Op Art, como único titular do Direito Moral ao conjunto da obra do artista, pondo um ponto final, assim, a uma questão que divide a família há mais de 20 anos.


Junto com o Patrimonial, o Moral faz parte dos direitos Autorais, sendo considerado inalienável e irrenunciável.


Um tribunal de Aix-en-Provence, no sul da França, já havia reconhecido esta prerrogativa a Pierre Vasarely, em novembro de 2009, ordenando à madrasta do pintor, Michèle Taburno-Vasarely, repassar a ele os arquivos do artista.


Nesta terça-feira, o julgamento da apelação "confirmou a decisão anterior", com a madrasta sendo condenada a pagar 30.000 euros a título de custas processuais.

O novo episódio "coloca um fim às múltiplas ações judiciais da Sra Michèle Taburno, viúva em segundas núpcias de Jean-Pierre Vasarely, meu pai, que, sem nenhum direito, administrou durante inúmeros anos a obra de Victor Vasarely, despojando, também, a Fundação de mesmo nome", felicitou-se Pierre Vasarely num comunicado.

A Fundação Vasarely foi criada pelo pintor em 1971, em Aix-en-Provence, à qual decidiu doar parte significativa de suas obras.

Segundo o neto, os "trabalhos maiores" do artista, morto em 1997, em Paris, são "guardados ilegalmente" desde 2004 em Chicago onde reside a Sra Taburno.

Os dois filhos falecidos de Vasarely, André e Jean-Pierre, entraram uma vez com uma queixa sobre a gestão da Fundação Vasarely.

A família obteve, em 1995, o direito de recuperar o essencial das obras da Fundação, Mas a maior parte desapareceu, entre elas 1.300 trabalhos originais e mais de 18.000 serigrafias. Apenas 42 obras monumentais subsistem no prédio.

Victor Vasarely, nascido Vásárhelyi Gyozo, foi um pintor e escultor húngaro radicado na França, considerado o "pai da Op Art" (abreviatura de Optical Art), autor de trabalhos essencialmente geométricos, policromáticos, multidimensionais, totalmente abstratos e intimamente ligados às ciências.

Estudou arte em Budapeste, onde se familiarizou com o movimento Bauhaus e com os trabalhos de Paul Klee, Kandinsky e Josef Albers. Em sua obra, tentou resumir os princípios dos pioneiros da Bauhaus, com destaque para o movimento, que não dependeria da obra de arte em si mesma, nem do tema específico que se pretende ver retratado; mas da apreensão do ato de olhar.

Criou, assim, uma nova relação entre artista e espectador, desenvolvendo os elementos de um estilo e técnica que permanecerá para sempre ligado ao seu nome.


Em 1930 trabalhou, em Paris, como designer gráfico, optando, depois de um período de expressão figurativa, por uma arte construtivista e geométrica abstrata. O fascínio por padrões lineares levou-o a criar diversos motivos, através da utilização de grelhas lineares bicolores (pretas e brancas) com deformações ondulantes.

A introdução da cor em seus trabalhos permitiu ainda um maior dinamismo.

Seus quadros combinam variações de círculos, quadrados e triângulos, às vezes com gradações de cores puras, criando imagens abstratas e ondulantes.

Arte viva

As cores para misturar e combinar na paleta, o cabo do pincel mordiscado enquanto o olhar do pintor saltita entre o objecto real, palpável, tridimensional, à sua frente, e a tela vazia onde ele vai ser representado, fixado para sempre a duas dimensões. É com esta imagem clássica e estereotipada do artista que Alexa Meade rompe.


A norte-americana de 25 anos, que já expôs em Nova Iorque, Baltimore, Washington, Berlim e Londres e cujo projecto Living Paintings tem sido amplamente divulgado na internet, não usa telas – mas as suas obras parecem quadros a óleo: Meade pincela directamente sobre os objectos e os modelos que pretende retratar, criando a ilusão de pinturas vivas.


Com tinta acrílica e misturas de tintas não-tóxicas (usa 13 ingredientes. que não revela), Alexa Meade pinta sobre a pele e as roupas dos seus modelos, tecendo uma segunda pele, até lhes retirar a sua tridimensionalidade e fazer parecer que saíram de um quadro. «Essencialmente, a minha arte imita a vida – em cima da vida», explica à Juxtapoz Magazine. «Um simples retrato de cabeça e ombros pode demorar umas duas horas, enquanto um retrato de corpo inteiro, num cenário pintado, leva mais tempo». O desafio é completar a obra num dia – «não posso mandar o modelo para casa, coberto de tinta, e dizer ‘até amanhã!’».


O seu trabalho consiste numa fusão de pintura, performance, instalação e fotografia – que é como quem diz que essas pessoas pintadas podem mover-se, interagir com o público, posar num cenário real também pintado para o momento da fotografia. E tudo, claro, no espaço de um dia.


Perante estas ilusões de óptica que andam e falam, como reage quem vê? «Os meus quadros vivos transformam as pessoas em objectos de arte. Não é comum que a arte-final consiga devolver o olhar do observador. Muita gente fica especada a mirar, mas só alguns corajosos se atrevem a fazer contacto visual», relata à revista Wired. Porque é nos olhos dos seus modelos – a única parte que não pode ser pintada – que subsiste uma réstia de humanidade. Tudo o resto é pintura.

Da política para as artes


Alexa estudou Ciência Política na Universidade de Vassar, enquanto, para não perder a mão para as artes, tinha aulas de escultura. A viver no centro político da América, Washington DC, estagiou três Verões consecutivos no Congresso e, em 2008, foi assistente no gabinete de imprensa da campanha eleitoral do futuro Presidente, Barack Obama, em Denver.


Com o canudo garantido, esperava-a um emprego arranjado pelo pai, mas Alexa preferiu trocar o certo pelo incerto. Infiltrou-se no mundo das artes, começando a estagiar numa galeria no Verão de 2009 e a travar conhecimento com vários artistas. E a experimentar ela própria, guiada pelo seu fascínio com o jogo de sombras e luz. Da política e da comunicação, trouxe o conceito que tem aplicado e projectado no seu trabalho artístico: «Ver não é necessariamente crer».

Ana Cristina Câmara

As mulheres, o sexo e a psicanálise de Cronenberg dominam o Festival de Veneza

(E-D) Sarah Gadon, Keira Knightley, Viggo Mortensen, David Cronenberg,
Michael Fassbender e Vincent Cassel em Veneza (AFP, Alberto Pizzoli)
O confronto entre os pais da psicanálise, Carl Jung e Sigmund Freud, a partir da turbulenta relação sexual com a paciente e analista russa Sabina Spielrein, tema do filme "Um método perigoso", do canadense David Cronenberg, fez das mulheres a grandes protagonistas nesta sexta-feira do Festival de Veneza.


Com o charmoso Viggo Mortensen no papel de Freud, o filme de Cronenberg se inspira em fatos realmente ocorridos e, em particular, na atormentada relação entre o dr. Jung e a bela Sabina Spielrein, interpretada pela atriz Keira Knightley.


A histórica rivalidade entre os dois psiquiatras, por uma questão de método entre o mentor Freud e seu pupilo Jung, é descrita através de um complexo tecido de teorias analíticas e corpos, pensamentos e palavras submetido às convenções da época, o início do século XX.


"Aderir ao projeto de Cronenberg foi um compromisso notável do ponto de vista psicológico e emotivo. Foi uma viagem antes de tudo interior, diferente do filme que acabo de rodar com o brasileiro Walter Salles", declarou Mortensen, ao comparar sua recente experiência em "Pé na estrada" ("On the road"), baseado no livro de Jack Kerouak.


O filme, que compete em Veneza pelo Leão de Ouro, dividiu a crítica cinematográfica, pela maneira como aborda a ruptura entre os dois grandes intelectuais, devido em parte à controvertida relação sexual e afetiva que Jung estabelece com sua paciente, quebrando todo princípio ético.


Rodada entre a fronteira suíço-alemã e a Áustria, o filme tende a explorar mais a mentalidade masculina dos psicanalistas, pioneiros em seu campo, e que usavam a revolucionária "Terapia das palavras" para curar as enfermidades mentais.


"'Fico excitada quando me pagam, gosto das humilhações", confessa Sabina a seu jovem psiquiatra Jung (o ator Michael Fassbender, de "Jane Eyre"), que se converterá em seu amante e se prestará a seus jogos masoquistas, descritos como cenas eróticas pudicas.


Escrito pelo roteirista Oscar Christopher Hampton, vencedor em 1988 de um Oscar por sua adaptação de "Ligações perigosas", o filme se aprofunda pouco na poderosa figura de Sabina, historicamente pouco conhecida, que foi fuzilada na Rússia pelos nazistas e cujas instituições clínicas proporcionaram as bases para as teorias de Freud.


"Sabina deu uma contribuição importante à Teoria Psicanalítica, o que não se sabia até que descobriram suas cartas para Freud e Jung", comentou Cronenberg.


Igualmente pudicas são as cenas da atriz italiana Monica Bellucci nua no francês "Um verão quente", de Philippe Garrel, outro filme apresentado nesta sexta em competição, sobre as contradições de um casal formado por uma bela senhora de idade e seu jovem companheiro, 19 anos mais jovem, que acaba cometendo suicídio.

Barco-museu nas águas do Rio São Francisco

No próximo mês de setembro, a embarcação cultural vai abrigar o projeto Cinema no Balanço das Águas, idealizado pelo Museu Coleção Karandash de Arte Popular e Contemporânea, e selecionado no Programa BNB de Cultura, edição 2011 no Brasil.

Durante seis dias, experientes arte-educadores estarão nos municípios alagoanos de Pão de Açúcar e Piranhas para realizar oficinas de fotografia, vídeo e imagens (desenho, pintura e escultura).

As primeiras atividades acontecem nos dias 09, 10 e 11 de setembro, no povoado da Ilha do Ferro (Pão de Açúcar). Em seguida, dias 12, 13 e 14, a comitiva artística se instala no povoado de Entremontes (Piranhas). As oficinas acontecem das 8h30 às 11h; e das 14h às 17h.

A expansão das ações para a pintura, desenho e escultura foi possível graças às parcerias com o Sebrae, Sesc e das prefeituras das duas cidades contempladas pelo projeto.

Artistas de AL, PE e SP
Para garantir a qualidade das oficinas, o projeto Cinema no Balanço das Águas convocou um time de experientes artistas e educadores. Na área da fotografia estão Juarez Cavalcanti e Dominique Berthé, que vem de Recife para trocar experiências com os moradores do sertão alagoano.

Pedro Octávio Brandão e sua equipe ficam responsáveis pelas aulas de vídeo; enquanto o grafiteiro paulista Zezão ensina sua arte urbana a comunidade ribeirinha de Piranhas e Pão de Açúcar. A supervisão das oficinas é assinada pela artista Maria Amélia.

O resultado de tantas experiências se transformará numa exposição itinerante no barco-museu Santa Maria. A abertura está marcada para o dia 10 de dezembro, 10h, na cidade de Piranhas.

Logo depois, de 11 a 16, a embarcação percorre as águas do rio São Francisco, no trecho de Piranhas a Pão de Açúcar, com paradas tanto nas comunidades ribeirinhas de Alagoas, quanto no lado do estado de Sergipe.
 
 
 
“Quantos olhares profundos não serão revelados, paisagens, rostos, hábitos. Certamente teremos processos e resultados inesquecíveis”, diz Maria Amélia. “Despertaremos na população a necessidade de observar e registrar suas experiências e suas vidas”.

De acordo com ela, os moradores interessados irão participar de oficinas de noções e técnicas básicas da linguagem audiovisual, como uso da câmera, enquadramento, movimentos, planos, iluminação e som. Em cada etapa, explica, serão realizados exercícios práticos para que cada aluno produza imagens únicas.

“Este projeto será o início de muitas outras ações tendo o audiovisual como linguagem. Temos como objetivo a continuidade dessas oficinas como os próprios alunos produzindo os vídeos e usando-os como ferramenta de expressão e comunicação”, ressalta a artista.

Carlito Carvalhosa mostra Sum of Days no MoMA em Nova York

Um enorme labirinto em material branco translúcido, criado pelo artista brasileiro Carlito Carvalhosa para alterar as referências espaciais dos visitantes, é inaugurada quarta-feira no MoMA (Museu de Arte Moderna), em Nova Iorque.


«Sum of Days» é o título desta obra do pintor e escultor brasileiro, que apresenta o seu trabalho pela primeira vez no museu norte-americano, onde ficará em exibição até 14 de novembro deste ano.


Dentro da instalação decorrerão também performances de músicos e compositores como Philip Glass, Lisa Bielawa e David Crowell, de acordo com a informação no sítio online do museu de Nova Iorque, um dos palcos de arte contemporânea mais importantes do mundo, onde a peça é apresentada como uma grande instalação ambiental e interativa.

Grândola inaugura Museu de Arte Sacra



Uma Centena de Obras de Arte em Exposição.

Museu de Arte Sacra de Grândola, em Portugal abre as portas ao público, a 23 de Agosto, pelas 20h, na igreja de São Sebastião, para apresentar a sua colecção permanente, formada por fundos de pintura, escultura e artes decorativas.

Esta iniciativa, da responsabilidade do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, da Câmara Municipal e da Paróquia de Grândola, integra cerca de uma centena de obras de arte, oriundas de igrejas da sede do concelho, das freguesias de Azinheira dos Barros e de Santa Margarida da Serra e da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia.

Grândola possui um extenso e variado património religioso, ainda escassamente divulgado, que é merecedor de visita atenta. A povoação começou por denominar-se Bendada e após a “Reconquista” cristã (inícios do século XIII) fez parte do concelho de Alcácer do Sal, sendo entregue pelos primeiros reis de Portugal, como sucedeu com boa parte do Baixo Alentejo, à Ordem militar de Santiago da Espada. O facto de se situar numa encruzilhada de caminhos e estar rodeada de terras férteis deu-lhe grande importância nos finais da Idade Média.


Vanguarda do ideário republicano no Sul, Grândola viria a perder, nos anos que se seguiram a 1910, parte da sua herança religiosa. O espólio que sobreviveu à voragem, porém, é muito significativo, como o demonstra o acervo patente no Museu de Arte Sacra. Através dele podem reconstituir-se alguns dos mais interessantes aspectos do quotidiano religioso, desde a organização pastoral das paróquias até ao esplendor do culto litúrgico e ao florescimento das devoções.

A época contemporânea também não foi descurada: uma peça fundamental é o retábulo de “São Jorge e o Ladrão”, pintado em 1961 por José Escada para a igreja da mina de Lousal.
A ermida de São Sebastião foi construída, nos primórdios do século XVI, por iniciativa do povo de Grândola, num arrabalde da vila, junto à estrada real, para proteger a comunidade da peste.

Em tempos de epidemia, serviu como posto de controlo dos viandantes. Prestou igualmente apoio aos peregrinos que por aqui passavam em direcção a Santiago de Compostela. Monumento de carácter vernáculo, de linhas simples e austeras, ao gosto popular, tornou-se uma importante referência do imaginário e da toponímia locais. Com o crescimento da terra, após a passagem do caminho-de-ferro (1916), passou a fazer parte do circuito urbano.

BMW expõe coleção de carros pintados por artistas


Alexander Calder (1975)
Ideia do francês Hervé Poulain, o conceito dos "BMW art cars" surgiu quando o piloto, amante fervoroso de carros de corrida, pediu ao renomado artista Alexander Calder para que pintasse de forma única o carro com o qual correria as 24 Horas de Le Mans - um BMW 3.0 CSL, em 1975.

Resultado: o veículo brilhou nas pistas, enchendo os olhos dos fãs do esporte.

Entusiasmada com a atenção recebida pela criação, a BMW decidiu dar início uma coleção de carros com a colaboração de artistas plásticos conhecidos.

Com o passar dos anos, os carros da marca passaram pelas mãos de gigantes das artes como Roy Lichtenstein, Andy Warhol, Frank Stella e Olafur-Eliasson, brilhando em museus e exposições de todos os continentes, incluindo o Louvre (Paris), Royal Academy (Londres) e o Whitney Museum of Modern Art (Nova York).

Agora, próximo da data em que a divisão cultural do Grupo BMW completa 40 anos, a companhia reuniu todos os lendários carros em um museu virtual.

Rio de Janeiro vai sediar megaevento de artes plásticas

Luiz Calainho, Brenda Osorio e Elisangela Valadares:
idealizadores do ArtRio
Entre as atrações está espaço com curadoria de Julieta Gonzalez, da Tate Modern, de Londres, com produções de artistas nacionais e estrangeiros.

Não só uma grande feira de negócios com foco em artes plásticas, não só uma megaexposição de trabalhos de nomes renomados do cenário internacional. Mas um evento que pretende se firmar como o maior do setor de artes no Brasil, mantendo uma programação de diversas ações em toda a cidade.

A Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro (ArtRio) acontece de 8 a 11 de setembro, ocupando dois pavilhões do Píer Mauá, centro da cidade, com a presença de cerca de oitenta galerias – sendo metade delas estrangeira. São esperadas para esta primeira edição mais de 20 mil visitantes, entre eles colecionadores, marchands, jornalistas e apreciadores que poderão adquirir diversos formatos de arte moderna e contemporânea, entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos.
Visitas guiadas, espaço dedicado a publicações de arte, palestras e debates também fazem parte da programação do evento. Os organizadores esperam que este seja também “um importante estímulo para a formação de novos artistas e colecionadores”.

Intercâmbio cultural
Os empresários Alexandre Accioly e Luiz Calainho se associaram às idealizadoras do evento, a artista plástica Brenda Valansi Osorio e a jornalista Elisangela Valadares, para a realização do projeto, que prevê intervenções urbanas, visitas guiadas, oficinas e a construção de um portal online permanente de arte contemporânea. “Queremos inserir o Rio de Janeiro no mercado de arte internacional e desenvolver um intercâmbio cultural. As pessoas terão a oportunidade de conferir obras de Picasso, Volpi, John Baldessari, Lygia Clark, Helio Oiticica, Waltercio Caldas, Carlos Vergara e outros artistas consagrados”, afirma Elisangela.
Em um dos armazéns ficarão as galerias contemporâneas e no outro as mais modernas. Segundo dados da organização do evento, haverá ainda um espaço voltado para a projeção de vídeos de arte, com curadoria de Alberto Saraiva, além de palestras e oficina para crianças administrada por Daniel Azulay.
Renomados espaços internacionais, como Tristian Koenig (da Austrália), Mario Sequeira (de Portugal), Crone (da Alemanha), Bendana-Pinel (da França) e Magnan Metz (dos Estados Unidos) já confirmaram presença. Entre as galerias brasileiras participarão A Gentil Carioca, Silvia Cintra + Box 4, Anita Schwartz, entre outras.

SERVIÇO:
De 8 a 11 de setembro
Píer Mauá (Armazéns 2 e 3) – Av Rodrigues Alves, 10. Centro, RJ
Das 12h às 20h
Ingressos: R$ 30 (inteira)
Tel. (21) 3140-0171



Exposição em Lisboa destaca o Fado nas artes plásticas

São 128 obras de artistas portugueses que revelam como estes recriaram o Fado no domínio das artes plásticas. A exposição «Ecos do Fado na Arte Portuguesa XIX-XXI» pode ser visitada até 17 de Setembro, em Lisboa. Está patente no Páteo da Galé, em plena Praça do Comércio e enquadra-se na candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Dedicada à presença do Fado nas Artes Plásticas, a exposição é promovida pela Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/Museu do Fado. “O Fado também influenciou outras artes” e da pintura à gravura, passando pelo desenho e pela escultura, esta exposição “mostra o enraizamento do fado no território e que sempre foi objecto de fascínio dos artistas”, disse à Lusa, Sara Pereira, directora do Museu do Fado e comissária da exposição.

As 128 obras de artistas portugueses que compõe a exposição, dão a conhecer várias formas de representação do Fado na arte nacional nos séculos XIX-XX. Estão reunidos no Páteo da Galé trabalhos que testemunham a recriação do tema por artistas como Roque Gameiro, Columbano Bordalo Pinheiro, José Malhoa, Almada Negreiros, Amadeo Souza Cardoso, Stuart Carvalhais, João Abel Manta, Carlos Botelho, Miguel Palma, Júlio Pomar, Paula Rego, Graça Morais, Joana Vasconcelos, entre outros.

 “Um olhar atento sobre as artes plásticas nacionais que representaram o tema, atesta, inevitavelmente, o profundo enraizamento do Fado à escala regional e nacional, bem como a transversalidade da sua representação, como objecto de inesgotável citação e recriação pictórica pelas sucessivas gerações de artistas plásticos nacionais”, referem os organizadores.
Ecos do Fado na Arte
Portuguesa XIX-XX
Sala do Risco, Pátio da Galé
Praça do Comércio
8 de Julho a 17 de Setembro
Diariamente, das 10 às 19h00
Entrada Livre

Viagem Medieval 2011 | Santa Maria da Feira

photography Cesar Coriolano | UNITED PHOTO PRESS 
"A XV Viagem Medieval em Terra de Santa Maria realizou-se de 28 de Julho a 7 de Agosto, no centro histórico de Santa Maria da Feira. Os acontecimentos e as personagens que mais contribuíram para a afirmação do poder régio e soberano de D. Afonso Henriques e para a concretização da independência de Portugal foram o mote para onze dias de recriações e animação.
Após a aclamação de D. Afonso Henriques em Ourique pelos seus companheiros d’armas, El-Rei decide aplicar novas estratégias militares na conquista do território aos sarracenos e dá início a um novo processo de negociações políticas, diplomáticas e até matrimoniais, tendo como objectivo afirmar o seu poder soberano, impor a independência do reino de Portugal a outros reinos hispânicos e, principalmente, ser reconhecido pela Sé Apostólica, através da concessão do privilégio de Portugal se tornar um reino pertencente a São Pedro.
Para beneficiar desta honra, D. Afonso Henriques promove homenagem ao Papa e paga o censo anual à Santa Sé. No entanto, o reconhecimento oficial só é conseguido e concretizado em 1179, quando é publicada a bula Manifestus Probatum est pelo Papa Alexandre III, que concede o título de Rei a D. Afonso Henriques e aos seus descendentes, promete defender a sua dignidade e reconhece a independência de Portugal.
Os actos, os factos e as personagens principais que ajudaram à afirmação do poder régio e soberano de D. Afonso Henriques e à concretização da independência de Portugal, reconhecidos por todo o mundo cristão, são o mote para a recriação histórica de mais uma edição da Viagem Medieval em Terra de Santa Maria"

A nostalgia pelo bloco soviético presente em grande mostra em Nova York

NOVA YORK, EUA — A saudade de um passado que, embora não tivesse sido precisamente cor-de-rosa, e os pesadelos e temores surgidos durante a experiência comunista na Europa, até a queda da União Soviética, são os eixos de uma grande exposição de arte moderna inaugurada nesta sexta-feira, em Nova York.
Mais de 50 artistas de 27 países da Europa do Leste e das ex-repúblicas soviéticas participam da mostra que ficará aberta até o final de setembro, no Novo Museu de Arte Contemporânea, situado em Bowery, sul de Manhattan.
A exposição recebeu o nome de "Ostalgia", uma derivação da palavra alemã "Ostalgie", que surgiu na década de 1990, para descrever um sentimento de pertencer e de nostalgia do período anterior ao colapso do bloco comunista.
"Combinando confissões privadas e traumas coletivos, traça uma paisagem psicológica, na qual indivíduos e sociedades inteiras devem negociar novas relações com a história, a geografia e a ideologia", explicam os organizadores.
Entre os trabalhos apresentados na mostra, espalhada por quatro andares, estão vídeos, esculturas, fotografias, pinturas, incluindo um espaço dedicado exclusivamente a contar a história desde o final da Segunda Guerra Mundial até a dissolução da URSS, em dezembro de 1991.
Uma das obras mais representativas do sentimento que perdura, depois da aventura comunista, é uma escultura do alemão Thomas Schütte (1954, Oldenburg) "Três homens de capacidade", que consiste em três personagens sombrios de rosto desfigurado e corpo formado por varas de aço.
Segundo o artista, estes três seres "representam os persistentes fantasmas do passado" que, "em vez de desvanecer ou reduzir, parecem ter-se tornado maiores e mais poderosos".
Outro artista, o ucraniano Boris Mikhailov (1938, Karkov), revela em suas fotografias a devastação econômica e também moral, causada pela queda do sistema comunista, com milhares de pessoas sem-teto, emprego e assistência médica adequada.
Mikhailov e sua série "Case History" são objeto atualmente de outra mostra organizada no MOMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York.
A repressão daqueles anos está presente em muitos trabalhos de "Ostalgia", como se pode ver nas fantasias eróticas do "Álbum de Leningrado" de 150 páginas, desenhado aos 14 anos pelo russo Evgenikh Kozlov (1955, São Petersburgo).
A necessidade de reinventar-se é um outro eixo: o documentário "Dammi I Colori", do albanês Anri Sala (1974, Tirana), centra-se no projeto de renovação da capital de seu país pelo prefeito Edi Rama.
Consciente da importância da cor na vida cotidiana, Rama iniciou um amplo programa para pintar as fachadas dos tristes edifícios em bloco cinzentos, símbolo do comunismo, de modo a "transformar a cidade em local onde se quer viver, em vez de se estar condenado a fazê-lo".
"Ostalgia" também inclui, entre outras obras, uma filmagem sobre o desmantelamento de estátuas de Lênin, colagens com figuras e imagens emblemáticas do comunismo e um curioso dicionário, com todas as definições apagadas e substituídas pela palavra "Pain" (Dor).

Exposição em Berlim aborda o canibalismo na sociedade moderna

O que artistas de todo o mundo querem nos dizer ao fazer do canibalismo o tema de suas obras? Quem visitar Berlim poderá ver no espaço de exposição "me Collectors Room" diversas tentativas de resposta a essa pergunta.

Segundo Jeanette Zwingenberger, curadora da exposição Alles Kannibalen? (Todos canibais?), a ideia da mostra no espaço de exposições berlinense "me Collectors Room" nasceu do fato de há cerca de dez anos artistas contemporâneos se ocuparem do tema da antropofagia.

Além da parte contemporânea da exposição, que abrange fotografias, vídeos, instalações, esculturas, desenhos e pinturas de 40 artistas internacionais, são mostradas também obras históricas em torno do tema da antropofagia, como fotografias das primeiras viagens de pesquisa etnográfica ou objetos etnográficos de culturas não europeias.

Não se trata, explica Zwingenberger, do clichê dos selvagens canibais, mas de "um conceito ampliado de canibalismo", no qual a relação do ser humano consigo e com o mundo se realiza por meio da "incorporação".

Tendências da sociedade

Através de uma série de questionamentos, os curadores da mostra, realizada em cooperação com a fundação La maison rouge, de Paris, lançam uma visão sobre diversas tendências de nossa sociedade, que artistas como a norte-americana Cindy Sherman, o alemão Norbert Bisky e os brasileiros Vik Muniz e Adriana Varejão resgatam em Todos canibais?

Na era do pós-colonialismo, a assimilação entre as diferentes culturas não seria um dos frutos da globalização? Ao explorar os recursos naturais do planeta, não estaríamos devorando a Terra? Em tempos de crise econômica, qual o destino da nossa sociedade de consumo?

Com o retorno de conceitos tradicionais de maternidade no pós-feminismo, não seria necessário tomar consciência de que o primeiro canibal é a própria criança no seio de sua mãe? E, em tempos de sociedade digital e virtualização, como o ser humano se relaciona com o Outro e com seu corpo feito de carne e osso?

Oswald de Andrade
Em artigo publicado em 1993 no jornal La Repubblica, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009) lançou a tese, diz a curadora, que deu origem ao título da exposição: "Nós somos todos canibais. A forma mais fácil de se identificar com o Outro ainda é comê-lo".

Lévi-Strauss resgata assim um tema bastante atual, mas suas ideias não são, no entanto, originais. O badalado antropólogo francês, autor de Tristes Trópicos, viveu no Brasil na década de 1930 como pesquisador e professor de Sociologia da então recém-fundada Universidade de São Paulo.

O universo cultural da São Paulo dos anos 1930 não deveria ser tão grande para que Lévi-Strauss não se deixasse também influenciar pelas ideias de Oswald de Andrade, autor do Manifesto Antropofágico (1928), onde ele resgata e reverte o clichê do canibalismo, postulando justamente que o Brasil, um país de cultura mestiça, assimilou as oposições: colonizado x colonizador, tecnologia x natureza, civilização x barbárie.

Na edição especial da francesa artpress sobre a mostra Todos canibais?, Jeanette Zwingenberger explica que o movimento intelectual iniciado por Oswald de Andrade foi reafirmado pela 24ª Bienal de São Paulo, que tinha como tema o canibalismo. Na atual exposição, justifica Zwingenberger, "os artistas mostram a atualidade e abordam a incorporação de um ponto de vista ainda mais radical".

Formas de canibalismo

Fundado em 2010 pelo colecionador de arte alemão Thomas Olbricht, o "me Collectors room" de Berlim constitui um novo gênero de espaço de exposições, algo entre uma galeria de arte e um museu, onde são apresentadas exposições temporárias de artistas contemporâneos, coleções convidadas, como também o acervo do próprio colecionador.

As obras de Todos canibais? se espalham pelos diversos espaços do "me Collectors room". Trabalhos do francês Frédérique Loutz e do belga Michaël Borremans são expostos logo na entrada, onde se localizam o café e o saguão. São obras que têm os contos de fadas como tema. Para a curadora, tal expressão onírica da arte reflete o medo das crianças de enfrentar o mundo dos adultos – crueldade, impotência e o medo de serem devoradas são temas frequentes em tais histórias.

A mostra prossegue num grande espaço adjacente. Lá está a maior parte das obras. No entanto, a justaposição dos diversos trabalhos numa grande sala torna confusa a distinção entre os diferentes pontos de vista dos artistas em sua alusão ao canibalismo.

Diferentes interpretações

E são muitas as interpretações decorrentes das diferentes obras expostas na sala principal. O desenho Jeu d'enfants N° 1 (Jogo de Crianças N° 1) do francês Jérôme Zonder retrata, segundo os curadores da mostra, os jogos transgressivos praticados por adultos e crianças e seu potencial de se transformar em algo feio a qualquer momento. "Em tempos de videogames violentos e jogos online, o trabalho levanta a questão sobre que cenários (jogos) crianças e adultos habitam hoje em dia", afirmam os curadores.

No vídeo Melons (At a loss), a artista norte-americana Patty Chang é vista comendo seu próprio peito a colheradas. Segundo Zwingenberger, o trabalho trata das tendências de autorrepulsa e autodestruição evidenciadas em nossa sociedade por fenômenos como a anorexia.

Em sua série de retratos de albinos africanos, que ainda são vítimas de preconceito no continente negro, o fotógrafo sul-africano Pieter Hugo enfatiza o senso de alteridade caracterizado por um problema corporal, explicam os curadores.

Fragmentação do corpo

Um dos pontos fortes da exposição são os trabalhos da brasileira Adriana Varejão (de uma parede azulejada, que lembra um açougue ou um necrotério, surgem vísceras, o que provoca uma inversão do dentro e fora) e da búlgara Oda Jaune, cuja pintura suave e realista nos revela um aspecto nosso que nos continua inacessível: a nossa carne.

Adriana Varejão e Oda Jaune, explica a curadora, nos confrontam com as nossas próprias vísceras. Não é somente a aparência externa que conta, mas também os órgãos internos têm seu valor, "pois é justamente através deles que o corpo assume uma interface com todos os outros seres vivos".

Através da escolha dos trabalhos de Varejão e Jaune para a exposição, Zwingenberger afirma querer fazer alusão ao processo da fragmentação da unidade corporal em nossa sociedade, como também questionar a nova imagem do corpo nos nossos dias.

Canibalismo positivo
Cindy Sherman, Sem Título 225, 1990
A mostra também contrapõe trabalhos de antigos mestres com obras contemporâneas. Ao subir as escadas do "me Collectors room", o visitante pode ver uma pintura do século 15 da Virgem Maria amamentando uma criança e uma obra da norte-americana Cindy Sherman, cujo trabalho fotográfico é centrado em figuras-chave que moldaram a identidade feminina. Na série History Portraits, de 1990, o visitante pode ver Sherman fantasiada de Virgem lactante, vestida de dama aristocrática e segurando um seio falso de onde jorra leite.

Parte do andar superior é dedicada a uma nova forma de canibalismo – a relação entre a mãe e a criança que ela carrega. Sigmund Freund descreve a fase oral, na qual a relação da criança com o mundo se realiza através da boca, como sendo uma forma de canibalismo positivo, explica Zwingenberger.

Pulsão multiplicatória

Trabalhos do mestre espanhol Francisco de Goya (1746-1828) também fazem parte da mostra. Nas mãos de Goya, os julgamentos realizados pela Inquisição transformaram-se em caricaturas da sociedade. Em suas gravuras, a vida se torna uma ficção medonha.

Inspirado numa cena das 'pinturas negras' de Goya, onde Saturno come um de seus próprios filhos para evitar ser deposto por ele, o brasileiro Vik Muniz cria uma imagem de Saturno que consiste unicamente do lixo que destrói nosso meio ambiente.

Norbert Bisky, 'Sündenbock', 2005: humanidade se autodestrói através de pulsão multiplicadoraBildunterschrift: Norbert Bisky, 'Sündenbock', 2005: humanidade se autodestrói através de pulsão multiplicadora

Para a série de fotografias Pictures of Junk (Quadros de lixo), Muniz pediu a jovens de favelas do Rio de Janeiro que coletassem detritos e os reunissem sobre um terreno de dimensões limitadas. Olhando de determinado ângulo, esse conjunto se transforma na imagem de Saturno. Inspirando-se em Goya, Vik Muniz nos mostra a destruição do mundo em que vivemos através do excesso de produção que devora nosso espaço vital.

Em seu quadro Sündenbock (Bode expiatório), de 2005, o pintor alemão Norbert Bisky também mostra uma humanidade que se autodestrói através de sua pulsão multiplicadora. A presença de diversos artistas japoneses na exposição é um sinal de que o canibalismo também é um tema recorrente na arte underground do Japão.

A exposição Alles Kannibalen? (Todos canibais?) pode ser visitada até 21 de agosto no "me Collectors Room", localizado na rua Auguststrasse 68, no bairro Mitte, em Berlim.

Autor: Carlos Albuquerque
Revisão: Roselaine Wandscheer

Itália recupera milhares de obras de arte


Ministro da Cultura da Itália Giancarlo Galan
 junto de alguns objectos resgatados
A Itália recuperou, só no último ano, mais de três mil obras que tinham sido roubadas em anos anteriores. Pinturas, esculturas e objectos arqueológicos, muitos postos à venda clandestinamente, foram recuperados e devolvidos aos seus proprietários pelas autoridades italianas, em colaboração com a Interpol.

Entre os objectos recuperados encontra-se uma estátua de 1488 roubada há 32 anos da catedral de Parma. A peça de mármore, que representa a figura do Rei David, feita pelo escultor Roberto Moffiolo, está avaliada em 750 mil euros. “A operação das autoridades devolveu à nossa catedral uma obra muito bela e que será recolocada no altar. É uma obra que representa um momento muito importante da nossa história”, disse à agência Efe o bispo da catedral Enrico Solmi, explicando que a recuperação da obra, ao fim de tantos anos, é um sinal de que é possível confiar no trabalho das autoridades e do Ministério da Cultura.
No relatório apresentado pelo departamento do Ministério da Cultura italiano, responsável pelos Bens Culturais, é dado destaque aos “tombaroli”, ladrões de túmulos, que ilegalmente escavam locais arqueológicos protegidos, apoderando-se dos achados para depois os comercializarem.

“É indecente que nenhum ladrão de túmulos tenha passado um só dia na prisão. Não é possível que num país como o nosso, onde o roubo é um dos desportos nacionais mais apreciados, ninguém pague por nada, nem sequer quando se é apanhado a cometer o delito”, afirmou Giancarlo Galan, ministro da Cultura, anunciando que novas medidas serão tomadas para pôr fim à pilhagem de bens culturais. As operações para recuperar as obras de arte decorreram não só em Itália mas também noutros países, através da cooperação com a Interpol. Os resultados agora apresentados revelam ainda uma “diminuição de 14 por cento nos roubos a igrejas nos últimos anos, devido a uma catalogação realizada em todos os bens eclesiásticos”, alvos preferidos dos ladrões.

MoMA, um templo para contemplação de obras-primas da arte moderna


'A persistência da memória', de Dalí, uma das atrações da coleção do museu americano
'A persistência da memória', de Dalí, uma das atrações
 da coleção do museu americano
O Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque é um verdadeiro templo de devoção às obras-primas modernas. Há 82 anos, o MoMA acolhe importantes pinturas do mundo inteiro e, hoje, possui a melhor e mais completa coleção de arte dos séculos 19 a 21.

São cerca de 150 mil peças entre pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, objetos decorativos e maquetes.
Fica difícil até imaginar que o MoMA, o primeiro museu a dedicar toda sua coleção ao movimento modernista, deu o seu pontapé inicial com uma doação de oito gravuras e um desenho, e depois tornou-se o mais famoso museu de arte moderna do mundo.
No Brasil

Temos no Rio nosso belo Museu de Arte Moderna,arquitetura de Reidy, fundado por Niomar Moniz Sodré Bittencourt, e por trabalho dela teve acrescido seu acervo com obras importantes de artistas nacionais e estrangeiros. A Escola de Paris com sua produção de início e meados do séc XX estava toda presente no valioso acervo do MAM. Artistas como Lazzarini, Ivan Serpa e Aluizio Carvão ministravam cursos de alto nível.

O MAM foi um movimentado centro cultural, a nível internacional, com belas e bem montadas exposições, como a do Expressionismo Alemão. Alem disso era local de debates, congressos sobre arte,performances, manifestações artísticas mixtas, educação artística,fantástica cinemateca, e ponto de encontro entre diretores do então Cinema Novo, artistas, jornalistas. O Debate Cultural estava ainda vivo, otimista e amigavel, apesar da repressão da ditadura.

O MAM foi ainda um centro cultural,local de debates e palestras, congressos,que reuniu artistas, diretores do então Cinema Novo, jornalistas. E sobretudo exposições internacionais fantásticas. Antonio Bandeira, Cacá Diegues, Patrick Caulfield, Alexander Calder, Juscelino Kubitschek, e até Leo Castelli andaram pelo MAM...Ainda garota vi alí uma exposição de Arcâgelo Ianelli que me deixou maravilhada, pelo requinte técnico. E contemporãneo, embora no histórico período moderno. Ele até poderia, no começo ter tido alguma influência de Rothko, porem a técnica dele sempre foi muito OUTRA.

Agora, creio ser muito impórtante apresentar produções dos anos 50 e 60 da arte brasileira,pois esta foi uma produção que alem de seu contexto histórico,aliado à indústria, design (a Cadeira Mole de Sérgio Rodrigues)tem a marca estética de uma época. Mas ninguem quase conhece esta fantástica produção. É hora de INFORMAR os mais jóvens! E somos tão poucos artistas!.. Salvem a memória e a nossa valiosa identidade cultural!

Evany Fanzeres  

O fado nas artes plásticas nacionais

Intitulada “Ecos do Fado na Arte Portuguesa XIX-XXI”, a exposição estará patente até Setembro na Sala do Risco no Pátio da Galé, à Praça do Comércio, em Lisboa.

“O fado também influenciou outras artes” e da pintura à gravura, passando pelo desenho e pela escultura, esta exposição “mostra o enraizamento do fado no território e que sempre foi objecto de fascínio dos artistas”, disse Sara Pereira, directora do Museu do Fado e comissária da exposição.

“A mostra documenta a história do fado à luz da sua representação e do seu enraizamento na cultura portuguesa, em termos locais e nacionais, mesmo os que em paralelo com a literatura demonstraram algum antagonismo relativamente ao fado, como é exemplo a tela 'Anti-fadismo', de Cândido da Costa Pinto”, disse a responsável.

Sara Pereira sublinhou que “artistas com diferentes constrangimentos ideológicos simbólicos ou estéticos incansavelmente têm representado o fado”.

Segundo a investigadora, a entrada oficial do fado no domínio das artes plásticas é marcada pela apresentação, em 1910, do quadro “O Fado”, de José Malhoa.

“Nesta mostra apresentam-se estudos da obra de Malhoa, uma primeira versão de ‘O Fado’, de 1909, muito semelhando à versão conhecida de 1910. Serão também expostos estudos para a mesma obra de 1908 onde é possível perceber uma terceira figura feminina, muito provavelmente uma alcoviteira”, contou.

Sara Pereira referiu ainda que existem obras que documentam a guitarra portuguesa no século XIX, quer em representações extraídas da literatura de viajantes, quer de outras representações "de carácter mais etnográfico".

A responsável citou, entre outros, o quadro “O Marujo”, de José Maia, “A Festa na Aldeia”, de Leonel Marques Pereira, e os desenhos de Columbano Bordalo Pinheiro representando guitarristas, todos da segunda metade do século XIX.

Na Sala do Risco estarão patentes cerca de 90 peças, entre elas inéditos de Júlio Pomar, “um deles em que retrata Fernando Pessoa e Alfredo Marceneiro em conversa”, contou.

Há obras assinadas por Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Raquel Roque Gameiro, caricaturas de João Abel Manta, o retrato de Amália Rodrigues por Leonel Moura, o "Coração Independente", de Joana Vasconcelos, e a interpretação de João Vieira do emblemático quadro de Malhoa.

A mostra abre com a peça de João Pedro Vale, “Barco Negro”, que “remete para as mitológicas origens marítimas do fado”, disse Sara Pereira.

(IB)

Mostra com as obras do génio da pintura

Mostra com as obras do génio da pintura e escultura fica no Instituto Ricardo Brennand até o dia 4 de setembro.

Uma tarde de encantamento para as pessoas que foram na abertura da exposição ‘A beleza na escultura de Michelângelo’, no Instituto Ricardo Brennand (IRB), nesta quarta-feira (06), no Recife. Para muitos, foi uma chance única de ver na capital pernambucana as obras de um gênio da pintura e escultura.

Crianças de escolas públicas, gente interessada em história da arte, visitantes de diversas as idades e uma mesma sensação de encantamento compartilhada por todos. “É impressionante a riqueza dos detalhes, nariz, da configuração física das estátuas”, resumiu o engenheiro Carlos Gesteira,

A exposição foi exibida em São Paulo e no Espírito Santo e, pela primeira vez, é apresentada no Recife. A mostra reúne, ao todo, 25 esculturas. De Michelângelo são nove obras, réplicas perfeitas esculpidas em gesso, e mais seis desenhos originais.

O visitante vai poder conhecer também trabalhos de artistas que viveram antes do gênio italiano. Além de ver como ele influenciou, de modo marcante e decisivo, as gerações que vieram depois. Michelângelo morreu aos 79 anos, em 1564. Quase 450 anos depois, o talento dele permanece atual e continua impressionado olhos do mundo inteiro.

“Ele é o autor da Capela Sistina, autor do Davi de Florença, autor do painel do Juízo Final, então, o que você puder imaginar de grandiosidade em escultura e pintura do século XVI você tem que ir a Michelângelo”, explicou Leonardo Dantas Silva, coordenador de documentação e pesquisa do IRB.

A exposição fica em cartaz no Instituto Ricardo Brennand, no bairro da Várzea, até o dia 04 de setembro, de terça à sexta, das 13h às 17h. O ingresso custa R$ 15 inteira e R$ 5 a meia-entrada.

Mostra coletiva entra em cartaz no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça

Pintar não é pecado nem demodé. Muita gente gosta e faz. E já ficou velho falar em morte da pintura. Parece que a técnica está sempre à beira do abismo, o que é bom motivo para ser sempre salva, recuperada, reabilitada e arrancada da depressão. A mostra Pintura reprojetada é uma tentativa feliz de um desses resgates. O curador carioca Marcus Lontra foi buscar no modernismo as referências para montar a exposição que inaugura hoje no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. A pintura funciona como tema ou técnica na prática de Alvaro Seixas, Flávia Metzler, Hugo Houayek, Lucia Laguna e Rafael Alonso.

Lontra classifica os artistas como destemidos por não hesitarem em trabalhar com referências modernistas. "Sempre me interessou investigar qual o limite tênue entre o modernismo e a contemporaneidade. Esses artistas representam um tipo de olhar muito importante que é a retomada sem culpa da herança modernista", explica o curador. "A gente tem tendência em achar que o contemporâneo é deixar tudo para trás e fazer uma coisa nova. Isso também é contemporâneo, mas se apropriar de determinados referências que também fizeram nossa história é tão contemporâneo quanto qualquer outra coisa."

Lucia Laguna, uma carioca cujo trabalho ganhou projeção nos últimos cinco anos, admite ser uma herdeira do movimento modernista, embora nem sempre soubesse disso. A artista começou a pintar aos 54 anos, depois de se aposentar como professora. Descobriu que podia traduzir para a tela a arquitetura precária do Morro da Mangueira que visualizava todo dia da janela do apartamento no Rio de Janeiro. Os elementos construtivos tomaram forma em pinturas cuidadosamente desorganizadas, uma matemática muito precisa e espontânea que Lucia, hoje com 70, cultiva há anos. "A questão urbana e construtiva virou um tema. O que me fez tomar esse caminho é o fato de morar bem em frente ao morro. Fui passando um crivo e trazendo para a questão da pintura", avisa.

Para Hugo Houayek o questionamento pode ir além da combinação entre tinta e pincel. O trabalho desse carioca é uma possibilidade de pintura. Com plásticos coloridos, espumas e objetos do cotidiano ele monta as obras que ficam no limite entre a instalação e a escultura. "Minha pesquisa é elaborada pensando o campo pictórico como se fosse um território. Assim, começo a pesquisar as fronteiras da pintura com a escultura, com a instalação, com o cinema. Fico na área de confronto tentando entender onde acaba a pintura", explica. A intenção é enfrentar a rigidez de conceitos modernistas que delimitam as fronteiras da técnica. Materiais alheios à pintura aparecem ainda nas paisagens de Rafael Alonso. Eventualmente, as tintas estão presentes, mas o artista gosta de acrescentar linhas e fitas e criar uma certa ironia na junção de materiais.

Já Flávia Metzler não explora conceitos, mas significados. A artista - única figurativa da exposição - parte de uma brincadeira. No Google, ela faz uma busca de imagens para expressões filosóficas e referentes à história da arte. Se a pesquisa resulta em objetos, Flávia os pinta. "Tento estabelecer relações entre significantes e significados", avisa. "É uma tentativa de estabelecer novas relações, como criar novos códigos. E a pintura é o que estabeleci desde o início." A figuração de Flávia é o contrário da total abstração de Álvaro, que faz alusão à iconografia modernista ao propor um grafismo meio pop.

Papa inaugura exposição com obras de artistas contemporâneos

O Papa Bento XVI inaugurou nesta segunda-feira no Vaticano uma exposição com obras de 60 artistas contemporâneos que tentam combinar inspiração religiosa e arte contemporânea através de uma "linguagem intensa e articulada", segundo palavras do Sumo Pontífice.

"A caridade transforma a vida numa obra-prima e todo homem em um artista extraordinário", afirmou ainda.

A exposição, sob o título "Esplendor da verdade, a beleza da verdade", exibe esculturas, pinturas, partituras de músicos e textos de escritores.

A maioria dos artistas é de europeus, principalmente italianos.

Três célebres arquitetos, o brasileiro Oscar Niemeyer, o suíço Mario Botta e o italiano Renzo Piano participam na exposição.

Niemeyer, de 104 anos, participa no projeto de um campanário para uma igreja de Belo Horizonte.

Bellas Artes do México comemora 65º aniversário com mostra

A exibição foi inaugurada nesta segunda-feira (4)
pelo presidente do México, Felipe Calderón


O Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA) comemora 65 anos na Cidade do México com uma exposição que percorre o melhor de seu acervo, que inclui obras de Frida Kahlo, Rufino Tamayo e Saturnino Herrán.

A mostra Alicerces. 65 anos do INBA: Legados, doações e aquisições estará exposta até o dia 21 de agosto e é integrada por 254 peças de 97 artistas mexicanos e estrangeiros produzidas desde o século XVII.

A exibição, que será inaugurada nesta noite de segunda-feira (4) pelo presidente do México, Felipe Calderón, conta com pinturas, esculturas, desenhos, instalações, vídeos e estamparias, artesanato, gravuras, aquarelas e fotografias.

Ana Garduño, curadora da mostra, disse à Agência Efe que esta revisão dos acervos do INBA oferecerá uma reflexão em torno da formação do patrimônio artístico do México e no papel do Estado frente à arte e a cultura. "O INBA, desde sua criação (1946), adquiriu a responsabilidade de enriquecer e proteger os bens culturais do México e esse compromisso continua até hoje presente nesta exposição", assegurou a também doutora em arte.

As obras de artistas mexicanos como Manuel Felguérez, Francisco Zúñiga, Francisco Toledo, Frida Kahlo e Rufino Tamayo estão presentes na exposição junto ao belga Francis Alÿs, o espanhol Francisco Clapera e o alemão Wolfgang Tillmans. No total, 65% das peças expostas foram adquiridas em 2010 com recursos aprovados pelo Congresso do México após uma gestão realizada pela presidente do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes (Conaculta), Consuelo Sáizar.

O investimento de US$ 8,6 milhões permitiu a aquisição de 2,2 mil peças que incluem criações de José Guadalupe Posada, Ricardo Pérez Escamilla e Xavier Villaurrutia.

Pedro Cabrita Reis: um gato à caça

Com uma toalha branca enrolada ao pescoço e uma garrafa de água na mão, Pedro Cabrita Reis circulava, trocava opiniões e dava instruções na passada terça-feira no espaço em montagem de ‘One after another, a few silent steps’. A grande retrospectiva, com cerca de 300 obras, ocupará, de forma inédita, todo o grande hall, no piso zero, do Museu Colecção Berardo (MCB).

Ele é uma figura central da arte portuguesa contemporânea. «Não tenho dúvidas que é um dos grandes artistas do nosso tempo», disse Jean-François Chougnet, o director do MCB que planeou e não assistiu (deixou o cargo em Abril) a este que é um grand finale para o seu mandato.

‘A minha escola sou eu’

Há um mistério que envolve Cabrita Reis, que vive semi-recluso dos circuitos, ausente dos cocktails, mas com uma presença subliminar e irradiante. Como uma Garbo. Ele é, como diz o chavão, incontornável. E carismático. Diz não se sentir incluído num movimento estético e pode dizê-lo, sem que haja vaidade pessoal envolvida nisso:«A minha escola sou eu». Aceita , porém, que outros estabeleçam ‘pontes’ e o metam em ‘correntes’.

A partir de segunda-feira, e até dia 2 de Outubro, esta obra única – apesar de tudo muito mal conhecida do público em geral («o que quer que isso queira dizer»), e até muitas vezes dada como exemplo de produtos de idiossincrasias de artista – está, agora, à mostra de todos.

A retrospectiva percorreu um périplo europeu de quase um ano (Hamburgo, Nîmes, e Lovaina) até aterrar aqui. As exposições tiveram montagens diferentes. A de Lisboa é a maior, com duas peças feitas de propósito, e exibe a obra do artista com grande generosidade, refira-se. Embora as suas peças de grande escala, quase do domínio da arquitectura (aliás, mais da arquitectura pobre, inacabada, rude, em reboco), não caibam no espaço de síntese de um museu.

«Apesar de tudo eu tenho um percurso maioritariamente fora de Portugal. A ideia desta retrospectiva é informar as pessoas deste tempo que foi passando, com várias obras que vieram do ateliê, da Gulbenkian, de Serralves, de diversos museus e de colecções privadas». E é uma oportunidade de o artista se libertar «nos próximos anos de fazer uma exposição». Para o público é o momento de ver um artista essencial que se mostra pouco.

«Não é um ritmo tão seco quanto isso», assegura. «Apareço em média a espaços de sete a dez anos, que é um tempo de reflexão e de maturação de trabalho. A coisa mais delicada de saber construir é o tempo da nossa relação com o trabalho e o tempo da relação com as pessoas que o vêem. Há artistas que têm uma enorme presença sobre o público, isso não me interessa muito». Uma das últimas obras ‘públicas’ em Portugal foi a peça feita para a exposição ‘Povo’, uma intrigante edificação em tijolo sobre um molhe, em cima do Tejo, à porta do Museu da Electricidade.

Trabalho infernal

«Já viram um gato à caça?» pergunta. É assim que trabalha: «Toda a importância está no acto da preparação. Um gato concentra-se e retrai-se antes de atacar. É como eu faço». Mas a comparação felina acaba aqui: «Tenho uma capacidade de trabalho infernal!», diz, explicando a sua rotina. «Não sou o artista de escritório das nove às cinco».

Todos os dias, no ateliê da Rua do Açucar, na zona Oriental de Lisboa, trabalha, estuda, fala com os assistentes – alguns estão presentes na exposição e nota-se a cumplicidade. «Há uma coisa que todos os dias faço: desenhar. E tenho toneladas de livros com notas, de coisas que nunca farei, de outras que vou fazendo. Estou sempre a trabalhar e isto não é uma blague artística. Tenho desprezo pelas blagues artísticas». Sem hobbies, interessa-lhe o amor e a praia: «Toda a minha energia moral, física e espiritual está concentrada no trabalho».

O nome da exposição também lembra esta atitude felina, passos silenciosos, um atrás do outro, como foi construída a obra. Mas o processo de montagem da exposição foi menos programado: «Primeiro aceitámos cair na armadilha de encontrar um sistema. Nos dois primeiros momentos da exposição estão as peças do início da carreira. Depois libertei-me disso, mas deixei estar essa parte cronológica, dos anos 80. Dá uma ideia muito compactada do que foi esse tempo. À medida que a exposição avança chega a haver peças próximas produzidas com hiatos de 20 anos, misturando pintura, desenho e escultura e que, no entanto, sem balizas cronológicas ou temáticas, criaram uma tensão e equilíbrio entre elas. E isso até é mais verdadeiro, no percurso de um artista».

Instalação, que é isso?

Pedro Cabrita Reis nasceu em 1956, estudou Belas Artes, fez a primeira exposição indiviual (ainda magríssimo) aos 25 anos, criou os interiores do Frágil, o célebre bar do Bairro Alto em Lisboa, foi um dos representantes de Portugal na Bienal de Veneza de 1995.

«Sou alguém que vem na sequência dos anos 70, os meus anos de formação são aqueles em que se começam a cruzar o minimalismo, a arte povera, conceptual, e, depois dos anos 80, quando começo a ter alguma visibilidade, começa a formar-se o meu trabalho e o que sou», apresenta-se.

Tipicamente caracterizado como autor de instalações (esse grande saco-azul de onde se tira tudo), Pedro Cabrita Reis chegou agora ao ponto de renegar categoricamente essa invenção do século XX tardio. «Uma instalação não existe porque precisa de relacionar-se com um espaço em concreto. E se a obra de arte tem que ter autonomia, então ela tem que ser entendida per se. Não vejo porque não usar as denominações clássicas: desenho, pintura e escultura».

No catálogo da exposição haverá apenas, assegura, obras referenciadas de acordo com a ortodoxia das artes plásticas. Uma afirmação de regresso à história da arte.
E olhando para trás, o artista, herdeiro dos anos 70, procura referências também muito longe. Na pintura, Caravaggio e Picasso, na escultura Medardo Rosso, Brancusi têm «um mistério sempre renovado».

Tijolo, lâmpadas, ferro

Nos últimos anos, além do suporte em tela (e dos recorrentes auto-retratos que lhe permitem «ir avaliando a relação com o mundo»), Pedro Cabrita Reis fixou-se em materiais que explora de forma inesgotável. Agora as suas peças reclassificadas como esculturas são feitas de tijolo, madeira de obras, cimento e lâmpadas fluorescentes, o que o transforma num construtor de sítios em bruto. Mas nunca usaria o plástico, afirma. «Os materiais têm todos uma temperatura, e a temperatura do plástico, por exemplo, não me interessa. Não tem a frieza do vidro e da lâmpada fluorescente, nem o calor do tijolo. É um material que não tem nenhuma carga de significado para mim». E, metáforas à parte, explica como nunca poderia trabalhar com o plástico que seduz gerações mais novas: «Sou do tempo em que se lavavam os sacos de plástico e se penduravam na corda da roupa a secar!».

Telma Miguel