Papa inaugura exposição com obras de artistas contemporâneos

O Papa Bento XVI inaugurou nesta segunda-feira no Vaticano uma exposição com obras de 60 artistas contemporâneos que tentam combinar inspiração religiosa e arte contemporânea através de uma "linguagem intensa e articulada", segundo palavras do Sumo Pontífice.

"A caridade transforma a vida numa obra-prima e todo homem em um artista extraordinário", afirmou ainda.

A exposição, sob o título "Esplendor da verdade, a beleza da verdade", exibe esculturas, pinturas, partituras de músicos e textos de escritores.

A maioria dos artistas é de europeus, principalmente italianos.

Três célebres arquitetos, o brasileiro Oscar Niemeyer, o suíço Mario Botta e o italiano Renzo Piano participam na exposição.

Niemeyer, de 104 anos, participa no projeto de um campanário para uma igreja de Belo Horizonte.

Bellas Artes do México comemora 65º aniversário com mostra

A exibição foi inaugurada nesta segunda-feira (4)
pelo presidente do México, Felipe Calderón


O Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA) comemora 65 anos na Cidade do México com uma exposição que percorre o melhor de seu acervo, que inclui obras de Frida Kahlo, Rufino Tamayo e Saturnino Herrán.

A mostra Alicerces. 65 anos do INBA: Legados, doações e aquisições estará exposta até o dia 21 de agosto e é integrada por 254 peças de 97 artistas mexicanos e estrangeiros produzidas desde o século XVII.

A exibição, que será inaugurada nesta noite de segunda-feira (4) pelo presidente do México, Felipe Calderón, conta com pinturas, esculturas, desenhos, instalações, vídeos e estamparias, artesanato, gravuras, aquarelas e fotografias.

Ana Garduño, curadora da mostra, disse à Agência Efe que esta revisão dos acervos do INBA oferecerá uma reflexão em torno da formação do patrimônio artístico do México e no papel do Estado frente à arte e a cultura. "O INBA, desde sua criação (1946), adquiriu a responsabilidade de enriquecer e proteger os bens culturais do México e esse compromisso continua até hoje presente nesta exposição", assegurou a também doutora em arte.

As obras de artistas mexicanos como Manuel Felguérez, Francisco Zúñiga, Francisco Toledo, Frida Kahlo e Rufino Tamayo estão presentes na exposição junto ao belga Francis Alÿs, o espanhol Francisco Clapera e o alemão Wolfgang Tillmans. No total, 65% das peças expostas foram adquiridas em 2010 com recursos aprovados pelo Congresso do México após uma gestão realizada pela presidente do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes (Conaculta), Consuelo Sáizar.

O investimento de US$ 8,6 milhões permitiu a aquisição de 2,2 mil peças que incluem criações de José Guadalupe Posada, Ricardo Pérez Escamilla e Xavier Villaurrutia.

Pedro Cabrita Reis: um gato à caça

Com uma toalha branca enrolada ao pescoço e uma garrafa de água na mão, Pedro Cabrita Reis circulava, trocava opiniões e dava instruções na passada terça-feira no espaço em montagem de ‘One after another, a few silent steps’. A grande retrospectiva, com cerca de 300 obras, ocupará, de forma inédita, todo o grande hall, no piso zero, do Museu Colecção Berardo (MCB).

Ele é uma figura central da arte portuguesa contemporânea. «Não tenho dúvidas que é um dos grandes artistas do nosso tempo», disse Jean-François Chougnet, o director do MCB que planeou e não assistiu (deixou o cargo em Abril) a este que é um grand finale para o seu mandato.

‘A minha escola sou eu’

Há um mistério que envolve Cabrita Reis, que vive semi-recluso dos circuitos, ausente dos cocktails, mas com uma presença subliminar e irradiante. Como uma Garbo. Ele é, como diz o chavão, incontornável. E carismático. Diz não se sentir incluído num movimento estético e pode dizê-lo, sem que haja vaidade pessoal envolvida nisso:«A minha escola sou eu». Aceita , porém, que outros estabeleçam ‘pontes’ e o metam em ‘correntes’.

A partir de segunda-feira, e até dia 2 de Outubro, esta obra única – apesar de tudo muito mal conhecida do público em geral («o que quer que isso queira dizer»), e até muitas vezes dada como exemplo de produtos de idiossincrasias de artista – está, agora, à mostra de todos.

A retrospectiva percorreu um périplo europeu de quase um ano (Hamburgo, Nîmes, e Lovaina) até aterrar aqui. As exposições tiveram montagens diferentes. A de Lisboa é a maior, com duas peças feitas de propósito, e exibe a obra do artista com grande generosidade, refira-se. Embora as suas peças de grande escala, quase do domínio da arquitectura (aliás, mais da arquitectura pobre, inacabada, rude, em reboco), não caibam no espaço de síntese de um museu.

«Apesar de tudo eu tenho um percurso maioritariamente fora de Portugal. A ideia desta retrospectiva é informar as pessoas deste tempo que foi passando, com várias obras que vieram do ateliê, da Gulbenkian, de Serralves, de diversos museus e de colecções privadas». E é uma oportunidade de o artista se libertar «nos próximos anos de fazer uma exposição». Para o público é o momento de ver um artista essencial que se mostra pouco.

«Não é um ritmo tão seco quanto isso», assegura. «Apareço em média a espaços de sete a dez anos, que é um tempo de reflexão e de maturação de trabalho. A coisa mais delicada de saber construir é o tempo da nossa relação com o trabalho e o tempo da relação com as pessoas que o vêem. Há artistas que têm uma enorme presença sobre o público, isso não me interessa muito». Uma das últimas obras ‘públicas’ em Portugal foi a peça feita para a exposição ‘Povo’, uma intrigante edificação em tijolo sobre um molhe, em cima do Tejo, à porta do Museu da Electricidade.

Trabalho infernal

«Já viram um gato à caça?» pergunta. É assim que trabalha: «Toda a importância está no acto da preparação. Um gato concentra-se e retrai-se antes de atacar. É como eu faço». Mas a comparação felina acaba aqui: «Tenho uma capacidade de trabalho infernal!», diz, explicando a sua rotina. «Não sou o artista de escritório das nove às cinco».

Todos os dias, no ateliê da Rua do Açucar, na zona Oriental de Lisboa, trabalha, estuda, fala com os assistentes – alguns estão presentes na exposição e nota-se a cumplicidade. «Há uma coisa que todos os dias faço: desenhar. E tenho toneladas de livros com notas, de coisas que nunca farei, de outras que vou fazendo. Estou sempre a trabalhar e isto não é uma blague artística. Tenho desprezo pelas blagues artísticas». Sem hobbies, interessa-lhe o amor e a praia: «Toda a minha energia moral, física e espiritual está concentrada no trabalho».

O nome da exposição também lembra esta atitude felina, passos silenciosos, um atrás do outro, como foi construída a obra. Mas o processo de montagem da exposição foi menos programado: «Primeiro aceitámos cair na armadilha de encontrar um sistema. Nos dois primeiros momentos da exposição estão as peças do início da carreira. Depois libertei-me disso, mas deixei estar essa parte cronológica, dos anos 80. Dá uma ideia muito compactada do que foi esse tempo. À medida que a exposição avança chega a haver peças próximas produzidas com hiatos de 20 anos, misturando pintura, desenho e escultura e que, no entanto, sem balizas cronológicas ou temáticas, criaram uma tensão e equilíbrio entre elas. E isso até é mais verdadeiro, no percurso de um artista».

Instalação, que é isso?

Pedro Cabrita Reis nasceu em 1956, estudou Belas Artes, fez a primeira exposição indiviual (ainda magríssimo) aos 25 anos, criou os interiores do Frágil, o célebre bar do Bairro Alto em Lisboa, foi um dos representantes de Portugal na Bienal de Veneza de 1995.

«Sou alguém que vem na sequência dos anos 70, os meus anos de formação são aqueles em que se começam a cruzar o minimalismo, a arte povera, conceptual, e, depois dos anos 80, quando começo a ter alguma visibilidade, começa a formar-se o meu trabalho e o que sou», apresenta-se.

Tipicamente caracterizado como autor de instalações (esse grande saco-azul de onde se tira tudo), Pedro Cabrita Reis chegou agora ao ponto de renegar categoricamente essa invenção do século XX tardio. «Uma instalação não existe porque precisa de relacionar-se com um espaço em concreto. E se a obra de arte tem que ter autonomia, então ela tem que ser entendida per se. Não vejo porque não usar as denominações clássicas: desenho, pintura e escultura».

No catálogo da exposição haverá apenas, assegura, obras referenciadas de acordo com a ortodoxia das artes plásticas. Uma afirmação de regresso à história da arte.
E olhando para trás, o artista, herdeiro dos anos 70, procura referências também muito longe. Na pintura, Caravaggio e Picasso, na escultura Medardo Rosso, Brancusi têm «um mistério sempre renovado».

Tijolo, lâmpadas, ferro

Nos últimos anos, além do suporte em tela (e dos recorrentes auto-retratos que lhe permitem «ir avaliando a relação com o mundo»), Pedro Cabrita Reis fixou-se em materiais que explora de forma inesgotável. Agora as suas peças reclassificadas como esculturas são feitas de tijolo, madeira de obras, cimento e lâmpadas fluorescentes, o que o transforma num construtor de sítios em bruto. Mas nunca usaria o plástico, afirma. «Os materiais têm todos uma temperatura, e a temperatura do plástico, por exemplo, não me interessa. Não tem a frieza do vidro e da lâmpada fluorescente, nem o calor do tijolo. É um material que não tem nenhuma carga de significado para mim». E, metáforas à parte, explica como nunca poderia trabalhar com o plástico que seduz gerações mais novas: «Sou do tempo em que se lavavam os sacos de plástico e se penduravam na corda da roupa a secar!».

Telma Miguel

Quadro de Paula Rego atinge novo recorde em leilão

Um quadro de Paula Rego foi licitado por 866 mil euros, num leilão realizado hoje, em Londres, batendo o recorde anterior datado de 2008.

A estimativa base da Christie's para "Looking Back", de 1987, era de de 600 mil a 800 mil libras ( 675 mil a 900 mil euros) mas a licitação final foi de 769 250 libras (866 175 euros). O anterior recorde tinha sido registado em 2008 na leiloeira rival Sotheby's, quando "Baying", de 1994, foi arrematado por 558 mil libras (740 mil euros no câmbio da altura).

O valor do quadro hoje vendido deve-se ao significado e importância da tela na vida e carreira da pintora portuguesa, que terminou a obra em 1987, ano em que foi mostrada pela primeira vez em Londres, na galeria Edward Totah.

O quadro é considerado um estudo ambíguo das relações entre mulheres, mostrando duas figuras femininas reclinadas sugestivamente sobre uma mesa, enquanto uma criança está ajoelhada no chão junto a um cão.

"Looking Back" foi exposto em Lisboa, na Fundação Calouste ulbenkian e no Museu da Fundação Serralves, no Porto, em 1988, e no Centro Cultural de Belém, mais tarde, em 1997, ano em que Paula Rego teve uma retrospectiva no Museu Tate Britain em Liverpool.

A obra, que o coleccionador Charles Saatchi comprou após uma exposição na Serpentine Gallery, em 1988, foi a leilão juntamente com um conjunto de obras da ex-mulher Kay Saatchi, que vai regressar aos EUA.

Cioran, filósofo romeno, é tema de documentário

Como comemorar o centenário de nascimento de um escritor que preferiu viver sempre na clandestinidade, que fez da indiferença sua trincheira?
Que recusou todo tipo de títulos e honrarias, escolhendo passar necessidades a negociar suas ideias?
Como comemorar aquele que fez de sua vida um ferrenho combate a qualquer tipo de adoração - adoração segundo ele responsável por todos os nossos crimes?
Como homenagear sem faltar com aquele que acreditava ter a sorte de ser desconhecido, de merecer permanecer na sombra, no imperceptível, tão inapreensível e impopular quanto a nuança, que acreditava ser a consagração a pior das punições?

Tarefa difícil homenagear Emil Cioran sem renunciá-lo. Filosofo e escritor romeno, nasceu em Sibiu, Transilvânia, em 08 de abril de 1911. Até hoje é, sem dúvida, o estilo mais fértil e apurado do pensamento pessimista desde Schopenhauer e Nietzsche. Aos 17 anos ingressou na Universidade de Bucareste. De família ligada à Igreja Ortodoxa - seu pai era padre -, tornou-se um agnóstico, circulando na juventude com os futuros filósofos e escritores Eugène Ionesco, Mircea Eliade, Constantin Noica e Petre Tutea.

Cioran graduou-se com uma tese sobre Henri Bergson. Foi um leitor compulsivo de autores, desde os pré-socráticos até Borges, de Teógnis a Beckett. Um estudioso de Emmanuel Kant, Arthur Schopenhauer, Friedrich Nietzsche, George Simmel, Max Stiner, Ludwig Klages, Martin Heidegger e Lev Shestov.

Mas o próprio filósofo fazia a ressalva: “Não são, todavia, minhas leituras que me formaram, mas os acidentes e os encontros. Tudo o que escrevi é fruto de circunstâncias, azares, conversações, ruminações noturnas, crises de abatimento mais ou menos cotidianas, obsessões intoleráveis. Meu estado de saúde, afortunadamente mau, é, em grande parte, responsável pela direção, pela cor, dos meus pensamentos. Comecei a ser ‘eu’ graças à insônia, essa catástrofe à qual devo tudo o que marcou profundamente minha juventude. Se percebi certas coisas neste mundo, é porque tive a sorte de não poder dormir”.

Mas o sábio não se dizia um filósofo. Lembra que na juventude foi um fanático pela filosofia. “Depois, tudo que pude experimentar ou pensar não foi nada mais que uma luta contra toda forma de sistema, em qualquer domínio”. Enquanto Nietzsche se intitulava “um martelo” por sua filosofia iconoclasta, Cioran é uma britadeira destruidora de sistema. Um nômade do pensamento, um pensar migratório que muito sondou para não ficar refém de ninguém e fez da dúvida seu combustível: “O estrangeiro se tornara meu Deus. Daí esta sede de peregrinar através das literaturas e das filosofias, de devorá-las com ardor doentio”.

Em 1933 ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Berlim. Em 1937 foi morar em Paris, após ganhar uma bolsa para fazer uma tese sobre Nietzsche que nunca será acabada. Jamais retorna a seu país de origem. Seu primeiro livro, “Nos Cumes do Desespero”, publicado aos 20 anos, ainda na Romênia, foi a base de sua obra posterior. Escreveu ainda em romeno “Das Lágrimas e dos Santos”. Seu primeiro livro em francês foi o premiado “Breviário da Decomposição”, de 1947, que fez Saint-John Perse afirmar que Cioran era o maior prosador da língua francesa desde Valéry. Essa obra de 1947 só foi editada no Brasil em 1989, traduzida primorosamente por José Thomaz Brum, que também traduziu “Silogismos da Amargura”, lançada em 1991.

Cioran é veneno. Cioran é a cicuta que matou Sócrates. É todos os seus descendentes que criam na filosofia como saída. Cioran lembra cianureto, veneno letal que, se apreciado como antídoto, como remédio à propensão à crença na verdade, no poder e na adoração, sem dúvida nos propiciará uma vida menos pesada e uma morte mais tranquila.

Cioran nos deixou em 20 de junho de 1995. Em seu “Breviário da Decomposição” registrou seu epitáfio: “Teve o orgulho de jamais mandar, de não dispor de nada e de ninguém. Sem subalternos, sem amos, não deu nem recebeu ordens. Excluído do império das leis, e como se fosse anterior ao bem e ao mal, nunca fez ninguém padecer...”.

Roteiro essencial da arte portuguesa

Há mais de dois mil anos que fazemos arte e até inventámos correntes exóticas como o indo-português e o sino-português. "Arte Portuguesa - História Essencial" é um enciclopédia portátil que começa nas antas pré-históricas e vai até ao sapato de panelas de Joana Vasconcelos.

O historiador de arte e professor universitário, Paulo Pereira, criou um guia de consulta fácil que vai torná-lo um expert. Não se deixe intimidar por palavras como jónico ou dórico e vai ver que é mais fácil que ir ao Google. Pedimos a Paulo Pereira que elegesse as peças mais valiosas e as suas favoritas. Aqui ficam 12 que podem servir de roteiro para as férias.

Esta é inesperada, de certeza!", responde Paulo Pereira quando lhe pedimos para fazer a lista das dez obras mais valiosas. O dolmén ou anta, de Antelas data de 3600 a. C.- 3100 a.C. e destaca-se pela qualidade das suas pinturas a negro, ocre vermelho sobre fundos brancos.

Dolmén de Antelas
Oliveira do Hospital

Considerado um dos mais importantes mosteiros medievais portugueses foi mandado construir em 1153 e é, nas palavras do historiador, “a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português”. Esta igreja é uma das maiores abadias cistercienses, ou seja, da Ordem Religiosa Católica fundada em 1098 e que tinha como mentor espiritual São Bernardo. Segundo o autor, os mosteiros caracterizavam-se por ter uma ornamentação discreta e o mais importante era a luz.

Os túmulos de Pedro e Inês
Alcobaça

D. Pedro apaixona-se por Inês de Castro, uma galega, e quer casar-se com ela. O pai, o rei D. Afonso VI, teme que o trono português caia nas mãos dos espanhóis e manda matá-la. Quando D. Pedro é coroado mata os assassinos, manda desenterrar D. Inês e coroa-a rainha. Uma história tão trágica tinha de culminar numa obra prima: os túmulos estão repletos de esculturas de grande qualidade.

Leda e o Cisne
Lisboa

Francisco Vieira Portuense pintou um mito trágico. Sim, é uma história grega. Leda era casada com o rei dos Espartanos Tindáreo mas era tão bonita que o deus Zeus apaixonou-se por ela. Zeus decidiu então tomar a forma de um cisne para se aproximar dela. O que aconteceu a seguir, fica entre os deuses. O que resta são várias obras sobre esta reunião. A de Vieira Portuense pode ser vista no Museu de Arte Antiga em Lisboa e é um bom exemplo da estética neoclássica já a namorar o romantismo.

Mosteiro dos Jerónimos
Lisboa

Era uma vez um Rei chamado D. Manuel que tinha muito dinheiro, gostava de coisas bonitas e vai daí encomendou um mosteiro e o seu nome deu origem a um estilo: manuelino. O claustro destaca-se pela arquitectura e decoração. É um reflexo de várias correntes, e o primeiro do seu género com “dois andades abobadados e uma planta quadrada com os cantos cortados formando um octógono virtual”, lê-se no livro. “São poucos os edifícios europeus da época com uma carga decorativa tão rica e densa de significado.” O professor refere-se às narrativas bíblicas e histórias que incluíam o casal D. Manuel e D. Maria.

O santuário do Bom Jesus
Braga

Trata-se do barroco no seu esplendor. A escadaria com os lanços em ziguezague, a entrada feita por um pórtico monumental, as fontes, as igrejas, os terraços, um novo barroco são razões mais que suficientes para tornar este monumento numa obra prima.

Jardins do Palácio Fronteira
Lisboa
Nem tudo o que é arte é religioso. “Os historiadores de arte têm as suas preferências geralmente distribuídas por géneros artísticos e por períodos. Portanto, maior subjectividade numa escolha destas não pode haver.” O Palácio Fronteira, em Lisboa, destaca-se pelos jardins com painéis de azulejos e uma galeria com bustos dos reis portugueses.

A Igreja da Falperra
Braga

Melhor dizendo, a Igreja de Santa Maria Madalena da Falperra, em Braga, tem um “debruado de pedra” sobre o fundo branco que é qualquer coisa de... incrível. Há que não ter medo dos adjectivos. Nas palavras do historiador: “Parece uma transposição dos desenhos dos decoradores rocaille [o estilo rocócó francês] utilizando um esquema de desenho que provoca a instabilidade de todos os elementos [...] oferecendo-lhes como que uma nova “ordem”.

Baixa Pombalina
Lisboa

Não precisa de grandes apresentações. Depois do terramoto de 1755, Lisboa ficou destruída e Marquês de Pombal arregaçou as mangas para a reconstruir. A Baixa foi desenhada a régua e esquadro e é um exemplo de urbanismo e arquitectura. Tinha chegado o funcionalismo citadino.

Painéis de São Vicente
Lisboa

“É inevitável referir esta obra”, explica. Os seis painéis de Nuno Gonçalves estão no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e são uma obra-prima que retrata a sociedade no século XV. Resultado de uma “síntese de correntes (..) que contribui para lhe conferir ainda maior originalidade e importância na cultura da época, revelando uma via mediterrânica para a pintura portuguesa, de algum modo italianizante e com influências da Catalunha, mas colhendo ainda a lição da pintura Flamenga”, lê-se no livro. Paulo Pereira vai mais longe: os painéis estão na origem da história de arte portuguesa.

Convento de Cristo
Tomar

Se leu tudo de seguida já percebeu que destacámos mais a arquitectura, muito relacionada com a religião. O claustro principal Convento de Cristo é mais uma das pérolas da arte nacional. Destaca-se porque teve uma mudança radical. Mas há mais. A janela ocidental da igreja manuelina do Convento – a mais conhecida – é uma das obras favoritas do historiador.

Antero de Quental
Lisboa

“O retrato de Antero de Quental do Columbano dava quase uma tese”, diz o historiador. O óleo pintado por Columbano Bordalo Pinheiro em 1889 pode ser visitado no Museu do Chiado em Lisboa e é uma das obras mais importantes desta época. Paulo Pereira escreve: “De grande expressividade, ao ponto de Antero de Quental, que se suicidaria dois anos depois, aparecer já como um enunciado da sua própria morte: a face parece escavada como a de uma caveira.”

Entrevista a Paulo Pereira, Historiador de Arte e professor na Faculdade de Arquitectura de Lisboa

“Foi na arquitectura portuguesa que se registou mais criatividade”

Porque decidiu escrever este livro?
Sentia dificuldade em indicar aos alunos bibliografia generalista. Existem boas edições mas são quase todas em vários volumes. Ora, este livro reúne num só volume o máximo de informação sobre a arte portuguesa e pode trazer-se debaixo do braço.

A arte portuguesa destaca-se mais na arquitectura, pintura ou escultura?
Depende das conjunturas. Para já, muitas peças perderam-se e o registo é incompleto. Por outro lado, Portugal foi um país periférico em termos de produção artística e, para mais, com uma grande escassez de oficinas, de “escolas” e de “academias” e de encomendadores, sobretudo de encomendadores cultos. Mas creio que foi na arquitectura que se registaram momentos de maior riqueza criativa.

Quais são as obras tipicamente portuguesas?
Em grande medida foi por causa de Portugal que nasceu uma arte “exótica”, quer indo-portuguesa, quer sino-portuguesa que não havia em mais lado nenhum. Depois, por muito que isto soe a senso-comum, o facto é que a azulejaria portuguesa se desenvolveu de uma forma autónoma e sem paralelos. O mesmo aconteceu com a talha barroca em madeira, a famosa talha dourada, que era mais barata que os sistemas retabulares em mármore, “à italiana” ou “à francesa” que tinham um efeito impressionante.

Em que corrente artística nos destacámos mais?
Em termos de reconhecimento, vê-se como a arquitectura, incluindo a arquitectura militar e o urbanismo, sempre se distinguiram. Não porque os portugueses e os que para eles trabalhavam fizessem obras excepcionais, mas antes porque, precisamente, essas obras não eram excepcionais. Faziam-se, o que já não era pouco. Depois, nas tais artes decorativas, portáteis, nas artes coloniais, que também, diga-se em abono da verdade, asfixiaram a chamada “grande encomenda”. A clientela nacional comprazia-se muito no bric-à-brac...

Quais são as suas peças favoritas?
Tenho os meus fraquinhos, como se costuma dizer. Diria: a janela ocidental da igreja manuelina do Convento de Cristo; o interior, inteiramente revestido a azulejos, da Igreja de Almancil no Algarve, uma obra-prima de azulejaria; o mastodôntico Forte da Graça, em Elvas; a pintura “Leda e o Cisne” do Vieira Portuense, que é uma belíssima pintura em qualquer parte do mundo; o retrato de Antero de Quental do Columbano, que dava quase uma tese, na minha opinião.




Morreu a artista surrealista Leonora Carrington

Pintora e escultora, namorou com Marx Enrst, um dos expoentes do surrealismo, e com ele fugiu para Paris onde privou com Picasso, Salvador Dalí, Marcel Duchamp, André Bretón, Luis Buñuel e Joan Miró. Leonora Carrington morreu de pneumonia esta quinta-feira no México, onde passou parte da sua vida. Tinha 94 anos.

Nascida em 1917, em Chorley, na Inglaterra, Leonora Carrington foi uma artista rebelde que viveu e viajou por vários países, até se estabelecer no México, onde passou os últimos 70 anos, longe da fama.

Apreciada por muitos, Leonora Carrington era considerada como uma das últimas artistas originais do surrealismo, destacando-se na arte com as suas esculturas e pinturas de mundos oníricos e fantásticos.

Antes de se estabelecer no México, a pintora esteve três anos em Paris a acompanhar o seu então namorado e também artista, Max Ernst. Um romance que terminaria de forma trágica com Ernst a ser perseguido pelos nazis. “Foram momentos muito felizes, mas chegou um momento em que só falávamos de Hitler, e então acabou essa felicidade”, disse uma altura a artista.

Leonora Carrington viu-se assim obrigada a fugir, primeiro para Espanha e depois para Lisboa, onde conheceu Renato Leduc, um escritor mexicano, e com quem se mudou para o México em 1941. Relação que também não foi bem-sucedida e que acabaria dois anos depois.

Uma vida agitada, com muitas aventuras pelo meio, e que valeu à escritora Elena Poniatowska, sua amiga durante mais de 50 anos, o prémio Biblioteca Breve 2011, com o livro sobre a sua vida, “Leonora”.

Também em 1995, Leonora Carrington viu a sua vida ser representada no cinema, num filme, “Carrington”, realizado por Christopher Hampton e protagonizado por Emma Thompson.

“Leonora é uma pintora do tamanho de Frida Kahlo e a última figura que existe do surrealismo”, disse ao “El País” Elena Poniatowska.

A sua arte chegou à rainha Isabel de Inglaterra, que a condecorou com a Ordem do Império Britânico, em 2005.

Entre as suas obras destacam-se os trabalhos: "La giganta", "Quería ser pájaro", "Laberinto", "El despertar", "Y entonces vi a la hija del Minotauro" e "El juglar".

Praça da Canção, teve concerto de Ivete Sangalo

A Cidade de Coimbra, recebeu no sábado 21 de Maio a “Tour Madison Square Garden”, de Ivete Sangalo. A brasileira “furacão” esteve em Portugal e apresentou concertos em Lisboa, Porto e Coimbra.

Na cidade dos estudantes Ivete Snagalo não desiludiu e deu espectáculo durante mais de duas horas, interpretando novos e velhos temas que puseram a multidão, composta por mais de dez mil pessoas, em plena agitação. A artista brasileira fez levantar poeira, pôs milhares de braços no ar, levou a vasta plateia a dançar e sambar ao som dos ritmos quentes que caracterizam a sua música.

No seu terceiro dia de actuação em Portugal a cantora não defraudou as expectativas das gentes da região centro que se deslocaram ao Parque da Canção em Coimbra e que assistiram durante mais de duas horas a um espectáculo cheio de cor e movimento. Ivete Sangalo começou o espectáculo com “Acelera aê”, altura em que pediu logo à multidão para «tirar o pé do chão», e percorreu uma boa parte dos seus temas mais conhecidos. “Pererê”, “Carro velho” e “Arerê”, como não podia deixar de ser, puseram a multidão a mexer ainda mais, mas seria “Poeira” a grande música da noite.

A artista referiu no durante o concerto que gostou bastante de Coimbra e prometeu voltar.

Susana Alves



DOMINIQUE ZINKPÉ, 1968

Desde 1989 que Dominique Zinkpé tem participado regularmente em exposições no Benim. A partir de 1995 a sua carreira ganha também uma dimensão internacional. Zinkpe trabalha vários media: pintura, escultura, instalação.




Na base do trabalho de Zinkpé estão as esculturas em tamanho natural de seres humanos realizadas com pedaços de madeira, arame e textéis.

Estes personagens combinam características humanas e animais e abordam temáticas sociais de alcance local ou internacional. A política, a (in)justiça, a SIDA, etc. são temas recorrentes.

Na pintura, Zinkpé recorre a uma cosmogonia de espíritos e fantasmas. Criaturas que resultam da transformação dos seres humanos com os animais povoam as suas telas de fundos brancos.

[obras disponíveis de Dominique Zinkpé]

Alfredo Luz e Jorge Pé-Curto expõem juntos

De 19 de Maio a 15 de Junho, os artistas Alfredo Luz e Jorge Pé-Curto expõem mostras individuais de pintura e de escultura, respectivamente, na Galeria de Arte do Casino Estoril.

O título da exposição de Alfredo Luz é Lavrando o Mar. Não com os arados que rasgam a terra, mas com as proas dos barcos que sulcam as águas. É titular de um currículo que já conta 32 exposições individuais, cinco das quais na Galeria de Arte do Casino Estoril e uma no Parlamento Europeu, em Bruxelas, para além da participação em dezenas de colectivas, com realce para o Salão de Outono, com 16 presenças.

Alfredo Luz é titular de uma escrita neofigurativa, em que o surrealismo também aparece, e sempre com uma subtil mensagem de sentido humanista, de respeito pela natureza e pelos seres que a habitam. A sua paleta prefere as cores quentes e a temática dos seus trabalhos obedece a um ciclo de fases em que o sonho e o encanto estão sempre presentes.

Quanto a Jorge Pé-Curto, optou por levar ao Casino cerca de vinte trabalhos em pedra e outros materiais em que o tema básico é o corpo humano. Daí o nome desta exposição ser Este é o meu corpo?. Trata-se de um autor multifacetado, com actividade desenvolvida nas áreas da cerâmica, da pintura, do cartaz e da gravura.

Porém, é na escultura que agora centra a sua actividade artística, em trabalhos de formato normal, mas também em obras públicas de grande dimensão. É autor de conjuntos escultóricos, em que a sua imaginação criadora sempre tem lugar de realce, a par de um humor muito pessoal, sobretudo em peças de características decorativas.

Estas exposições ficam patentes ao público até 15 de Junho, todos os dias, entre as 15h00 e a meia-noite. A entrada é livre.

Tecnobrega: a nova música brasileira tipo exportação

A mistura de ritmos folclóricos do Pará com música eletrônica se tornou a bola da vez em clubes e festas da Europa e dos Estados Unidos, acompanhando uma onda de pesquisas por músicas produzidas em periferias

Organizados em pequenos selos musicais e produtoras de festas, DJs americanos e europeus promovem uma espécie de intercâmbio de novos gêneros musicais

Em dezembro de 2009, o DJ inglês Lewis Robinson, de 44 anos, se embrenhou no mercado de Ver o Peso, em Belém do Pará, para descobrir o que era o tecnobrega. “Fiquei espantado ao encontrar uma música brasileira que não é excessivamente polida como a bossa nova”, diz ele. Referir-se ao tecnobrega como "não excessivamente polido" é uma forma muito mais do que polida de descrever essa mistura tóxica de carimbó, brega dos anos 70, calipso e música eletrônica. Mas Lewis queria isso mesmo. Levou para casa, em Londres, dezenas de discos e passou a alimentar com eles a festa BatMacumba, que produz mensalmente em Nothing Hill, na capital inglesa.

Não só as noites londrinas são abaladas pelo tecnobrega. Em Nova York, Paris ou Montreal é possível escutar as suas batidas. O gênero está definitivamente em ascensão entre os DJs. Seus expoentes são artistas como Wanderley Andrade e Banda Calypso, que fazem o tecnobrega "clássico", e Waldo Squash, Maderito e Gaby Amarantos, que praticam uma variação mais recente e ainda mais encorpada da música paraense, batizada de eletromelody.

Conhecida como Beyoncé do Pará por causa das formas voluptuosas, Gaby Amarantos gravou há pouco um single que já faz algum sucessso em clubes da Europa O que ela canta, com timbre indomável e sintetizadores estridentes, é uma versão de Águas de Março (morra, bossa nova, morra!). “Só falta agora cantar no exterior”, diz Gaby. Não deve demorar.

World Music 2.0 – O single de Gaby Amarantos foi lançado por um selo alemão de música eletrônica. A produção ficou a cargo do DJ carioca João Brasil, que tem agenda nos próximos três meses na Alemanha, em Portugal, na Suíça e na Áustria. João – ao lado de outros nomes, como Chico Dub e Patrick Torquato – é um integrante brasileiro do movimento de DJs e produtores nomeado Global Guettotech ou World Music 2.0 (a contraparte eletrônica daquele gênero que congrega tocadores de bongô caribenhos e flautistas andinos).

Organizados em pequenos selos, dezenas de DJs canadenses, americanos, alemães, holandeses e ingleses promovem uma espécie de intercâmbio de funk, tecnobrega, kuduro, guarachero, calipso, merengue e cumbia, gêneros musicais produzidos em países como Brasil, Colômbia, México, Angola, Costa do Marfim e África do Sul. Oriundas de países que muitas vezes sequer tem indústria fonográfica estabelecida, as músicas são “traficadas” por meio de CD caseiros, pen drives e sites de download gratuito. Em menor escala, música dos Bálcãs e da Ásia é arrolada no esquema de troca.

Lewis Robinson: viagem para Balém do Pará, discos de tecnobrega e festa em Londres

Trocando informações por e-mail, redes sociais e blogs, os DJs e produtores organizam viagens para pesquisar novos ritmos “periféricos” e, ao voltarem para os seus países de origem, criam novas versões dessas músicas, combinando-as com house, techno e dubstep. A partir disso, mudam-se até os nomes. O merengue, ritmo típico da República Dominicana, se transformou em merengue street nos clubes de Amsterdam quando remixado com tecno e reggaton, este de origem jamaicana.

No Brasil, a garimpagem dos estrangeiros começou há alguns anos. O primeiro “achado” foi o funk carioca, que DJs como o americano Diplo e o já mencionado Lewis Robinson trataram de divulgar. O funk está perdendo espaço para o tecnobrega porque esse é mais fácil de dançar. “Quando eu toco tecnobrega em festas na Europa, percebo que as pessoas dançam mais. O funk é agressivo por natureza, os estrangeiros gostam mas não sabem direito como se mexer”, diz João Brasil. Mas ainda há interesse pelo gênero dos morros cariocas. Em fevereiro deste ano, o DJ americano Al Doyle foi detido por policiais durante uma visita à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. “Eles não acreditaram que eu estava procurando discos de funk”, escreveu Doyle no Twitter pouco depois de ser liberado.

Dance, dance, dance – A troca de músicas entre os DJs e os produtores gerou um circuito de festas temáticas em três continentes. As características comuns a esses eventos são a mistura de música eletrônica tradicional com ritmos locais, quase sempre sincopados, dançantes e com coreografias de forte apelo sexual.

Certamente não era nisso que estava pensando o compositor alemão Karlheinz Stockhausen, em suas experimentações pioneiras com a eletrônica, no final dos anos 40. A música eletrônica nasceu assim: como uma das vertentes mais cerebrais da composição erudita. E ela conservou essa característica por um bom tempo, mesmo depois de entrar na corrente sanguínea do pop. Basta lembrar dos discos do também alemão Kraftwerk.

Hoje em dia, no entanto, a música eletrônica é o contrário do que era ao nascer. Dos primórdios, só guardou a ideia dos “loops”, as repetições de batidas ou frases musicais. Mas com um único objetivo: fazer dançar. Ela é, em resumo, música de festa. Quem frequenta as festas na Europa e nos Estados Unidos, pode ter um pouco de “curiosidade antropológica”. No Leblon, ouve-se funk com uma certa ironia. Mas tanto a curiosidade antropológica quanto a ironia se acabam na pista. Nas pistas de tecnobrega, aliás, a música eletrônica completa o seu trajeto: de cerebral, a totalmente descerebrada. Ou será que ainda dá para ir além?

A bossa nova ainda é o gênero musical brasileiro mais exportado. Pontualmente, cantores e grupos venceram a barreira da língua e fizeram relativo sucesso no exterior. Em alguns dos casos, mais por excentricidade do que por talento.

Investigador português de arte africana defende maior protecção das esculturas


Primeiro secretário da embaixada de Angola em Berlim
manteve um encontro com o investigador José Luís
Ferreira e o pintor Etona.




O investigador de arte José Luís Ferreira defendeu, segunda-feira, na cidade de Berlim, maior protecção das obras de escultura africana, pela riqueza histórica e das interpretações filosóficas, culturais e psicossociais que reúnem.

O português José Luís Ferreira, que também é professor e sociólogo, apresentou esta ideia na sexta Conferência Internacional sobre as Artes na Sociedade, que termina hoje, durante a sua dissertação sobre o tema “A filosofia da arte como razão tolerante”, baseada na concepção artística do pintor angolano António Tomás Ana “Etona”.

O orador, que apresentou o tema a estudiosos de várias nacionalidades, centrou a sua comunicação nas esculturas e pinturas de Etona, que foram exibidas em slides durante a comunicação.

Para o palestrante, Etona é um artista plástico exemplar, cujo trabalho preserva traços da arte africana. José Luís Ferreira adiantou que a apreciação adjacente do trabalho de Etona é definida pela investigação complementar, através do trabalho feito pelo pesquisador Patrício Batsikama.

Defensor da corrente “etonismo”, o professor José Luís Ferreira disse que Etona desenvolve uma teoria ética da estética, que torna o conteúdo da sua obra universal.

No final da palestra, José Julião de Oliveira, primeiro secretário da embaixada de Angola em Berlim, disse ao Jornal de Angola ter ficado com uma boa impressão da comunicação apresentada por José Luís Ferreira sobre o “etonismo”.

“Já tive a oportunidade de conversar com o artista em 2005, na Expo do Japão, sobre o ‘etonismo’, uma corrente de arte universal que tem origens angolanas e vai crescendo a nível internacional. Por isso foi uma boa ideia convida-lo para mostrar a arte e a filosofia angolana aos alemães e a todos os presentes na conferência”, disse.

José Julião de Oliveira considerou a participação do artista um passo importante para a afirmação do “etonismo” fora das fronteiras de Angola. “Agora é necessário dar continuidade, aqui na Alemanha, ao trabalho de Etona”, apelou.

Quanto ao possível apoio da embaixada na afirmação desta corrente, o diplomata disse que a representação diplomática de Angola em Berlim pode contribuir, através da divulgação, em comemorações oficiais, relacionadas com o país ou o continente africano.

Sobre o lema “Artefactos. O conhecimento é arte – arte é conhecimento”, a Conferência Internacional sobre as Artes na Sociedade em Berlim é uma realização da Academia de Berlim-Brandenburgo de Ciências e Humanidades. O evento reúne participantes de várias nacionalidades e inclui no seu programa palestras sobre temas relacionados com a arte na sociedade.

Última obra de Malangatana leiloada na internet

Não é uma tela, não é uma escultura, não é um texto. Trata-se antes de um carro: um Fiat 500 pintado pelo próprio Malangatana antes de morrer.

A receita será investida na formação artística e cultural dos mais jovens e carenciados, através da Fundação com o nome do moçambicano, falecido em Janeiro.

Depois de no último Verão ter conhecido o representante da marca italiana em Maputo, que aceitou o desafio de se aliar ao mestre da pintura moçambicana, Malangatana foi dia após dia ao encontro de 'A italiana', nome que acabou por dar ao carro.

Um carro que é uma obra de arte, conjugando o design transalpino e os símbolos visuais de África: a carroçaria alia o vermelho a figuras relacionadas com a natureza e tradições moçambicanas. No tablier, em alumínio, a assinatura do pintor.

Com 'A italiana' espera-se que a obra de Malangatana cumpra um dos maiores sonhos do pintor, conjugando o trabalho social e artístico junto dos mais necessitados.

O leilão estará aberto em https://malangatana.sapo.mz/ até 6 de Julho em língua portuguesa e inglesa, com uma base de licitação de 125 mil dólares (quase 87 mil euros).

As ofertas terão de ser pelo menos 2500 dólares acima da anterior, refere ainda a SAPO Moçambique

Palácio do Gelo Shopping comemorou 3º. aniversário com desfile de Moda

O Palácio do Gelo Shopping “vestiu-se” a preceito com as tendências mais fashion da Primavera/ Verão 2011 e assinalou o seu terceiro aniversário no passado Sábado, com um deslumbrante desfile de Moda, pelo qual passaram algumas das figuras públicas mais queridas dos portugueses.
 
Uma vez mais, o Palácio do Gelo Shopping voltou a inovar e surpreender os seus visitantes, reforçando o seu destaque como um espaço comercial dinâmico, de entretenimento, de lazer e inovação.

A apresentação deste grande evento de Moda coube a Catarina Furtado e Diogo Infante, que conduziram com o charme e simpatia a que acostumaram os portugueses, uma passarela de glamour, recheada das mais recentes tendências de Moda para a Primavera/ Verão, das montras e lojas do Palácio do Gelo Shopping.

Pela passarela do Palácio do Gelo Shopping passaram ainda caras muito conhecidas e queridas dos portugueses – a actriz Diana Chaves, protagonista da novela “Laços de Sangue” da SIC, encantou a plateia de largas centenas de visitantes do Palácio do Gelo Shopping, com a sua beleza estonteante e contagiante sorriso.

As apresentadoras do Programa Fama Show, Rita Andrade e Laura Figueiredo, também se juntaram à grande festa do Palácio do Gelo Shopping, desfilando a sua beleza e boa forma física na passarela do centro comercial de Viseu.

E como o número mágico da noite era o três, das três velas do Palácio do Gelo Shopping, o encerramento do espectáculo de Moda foi da responsabilidade da sedutora voz do grande vencedor da terceira temporada do concurso Ídolos. Filipe Pinto derreteu literalmente a plateia de fãs presentes no Palácio do Gelo Shopping.

A grande festa continuou pela noite a dentro com muita animação a cargo dos DJs Vitto e Verylight na Discoteca Ice Club – localizada também ela no Palácio do Gelo.

No âmbito do desfile de Moda, o Palácio do Gelo Shopping vai oferecer ainda, , nos próximos dias 13 e 14 de Maio, sessões de aconselhamento personalizado em maquilhagem e imagem. Para que todos os seus visitantes se possam sentir autênticos top models, maximizando os seus atributos.

 

Oito quadros de Picasso arrecadam 34 milhões de euros em leilão

“Femmes lisant (Deux Personnages)”
foi o quadro de Picasso que atingiu o valor mais alto
A obra do pintor espanhol “Femmes lisant (Deux Personnages)”, de 1934, foi o quadro do artista que rendeu mais, arrecadando 14 milhões de euros, um valor, ainda assim, abaixo das expectativas, que apontavam para 25 milhões.

No total, a leiloeira Sotheby’s, de Nova Iorque, vendeu no leilão de arte impressionista e moderna, um dos primeiros da Primavera, oito quadros de Picasso, de diferentes períodos artísticos do pintor, no valor de 34 milhões de euros.

A maior surpresa do leilão foi, no entanto, para uma obra rara de Paul Gauguin. Uma escultura de madeira que representa a cabeça de uma jovem polinésia foi vendida por um preço recorde para este tipo de trabalhos do artista, tendo sido leiloada por 7,5 milhões de euros. De acordo com a Sotheby's, o anterior recorde de venda para uma escultura de Gauguin foi de 942 mil euros.

Intitulada “Jeune Tahitienne”, a escultura foi feita por Gauguin numa viagem à polinésia entre 1890 e 1893, representando uma jovem com uns grandes brincos e colares de corais ao pescoço.

A obra de arte tinha sido oferecida por Gauguin a uma menina de dez anos, Jeanne Fournier, filha de um crítico de arte que acabou por vender a escultura em 1961 a um coleccionador privado que a levou, esta terça-feira, a leilão.

Para a leiloeira o resultado obtido por esta obra é sinal de que o interesse por peças trabalhadas em madeira está a aumentar. “O mercado tem demonstrado que há uma procura excepcional por obras deste género”, disse um responsável da Sotheby’s à AFP.

A primeira noite do leilão, que termina esta quarta-feira, levou a hasta 59 trabalhos, totalizando 115 milhões de euro, superando a estimativa mais baixa que era de 107 milhões. Entre 15 e 25 por cento dos trabalhos não foram vendidos.

Para os responsáveis, este foi um resultado muito positivo, tendo em conta os tempos que correm, onde os coleccionadores preferem centrar-se nas obras de arte de topo do que arriscar investir o dinheiro em obras mais pequenas.

“Os leiloes não foram eufóricos, mas na maior parte dos casos as vendas foram sólidas”, explicou Simon Shaw, vice-presidente da Sotheby’s de Nova Iorque, acrescentando que as vendas foram maioritariamente para coleccionadores russos e norte-americanos.

A temporada da primavera será concluída no final deste mês com as vendas de arte latino-americana, nas quais se destaca, entre outras, um auto-retrato em miniatura de Frida Kahlo, avaliado pela Sotheby's entre 539 mil euros e 810 mil euros.

Dior em museu de belas artes

Após o escândalo de John Galliano, a “Christian Dior” pretende usar toda a publicidade positiva, começando com uma retrospetiva da sua história no museu de belas artes de Pushkin, para recuperar a magia da marca.

As belas artes encontraram-se, recentemente, na capital russa, com modelos de Christian Dior. Uma mostra que passou pelo meio das pinturas e das esculturas do museu de Pushkin.

A exposição de Dior traz 110 vestidos, incluindo modelos usados por Marlene Dietrich, pela princesa Diana e por Sophia Loren. Artes plásticas, na receção à alta costura.

Os convidados reagiram com entusiasmo, a uma exposição inacreditável, como diz uma porta-voz da organização:

“Bom, isto não é apenas uma exposição de vestidos. Mas também foram as artes plásticas que inspiraram a criação de Dior. É uma exposição inacreditável. Eu não tenho palavras para tanta emoção”.

Os vestidos estão expostos junto das pinturas – incluindo trabalhos de Pierre Bonnard, Van Gogh e Klimt – que inspirou Dior e os seus seguidores tais como Yves Saint Laurent, Marc Boan, Gianfranco Ferre e John Galliano.

O interior clássico deste museu foi transformado, para acolher a mostra e recriar o estilo da casa Dior.

O artista russo Boris Messerer, um veterano, deu as boas-vindas à exposição, para os entusiastas da moda e para os frequentadores habituais do museu.

“Talvez sejam para gente muito rica que não pode trocar estes vestidos por obras de arte, exemplos maravilhosos de bom gosto”

A exposição serve também para continuar a relação de Chsitian Dior com o glamour da velha Rússia que visitou em 1931, durante o consulado do ditador soviético, Josef Stalin, um acontecimento raro, para um desenhador extrangeiro.


Artista mostra escultura microscópica em Londres

Uma galeria de arte em Birmingham, centro da Inglaterra, tem em exposição uma escultura microscópica do príncipe William e de Kate Middleton, que casaram sexta-feira passada, em Londres.

As duas figurinhas de fibra, representando um noivo e uma noiva são tão pequenas que cabem no buraco de uma agulha.

Os visitantes que quiserem ver o trabalho, exposto na Castle Gallery, no Centro de Convenções Internacionais de Birmingham, precisam de microscópio.“Um casamento real não acontece todos os diaa e eu queria prestar o maior tributo aos noivos”, disse o artista Willard Wigan.

O artista plástico disse que utilizou o próprio cílio para fazer a pintura e que escolheu esculpir William e Kate em pose “imediatamente reconhecível”.

“O maior desafio foi pintar o casal em proporção correcta em relação ao outro, reflectindo as diferenças de altura.” Espécie de “mestra da microescultura”, o artista produz algumas das menores e mais pormenorizadas figuras no mundo artístico.

Cerimónia de atribuição do grau de doutor honoris causa a José Veiga Simão e André Jordan pelo ISCTE-IUL

José Veiga Simão e André Jordan foram galardoados com a distinção de “Doutoramento Honoris Causa” pelo ISCTE - IUL, numa cerimónia que decorreu no Grande Auditório do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa a 27 de Abril de 2011 pelas 18:00.

Na cerimónia estiveram presentes o reitor do ISCTE-IUL, Luís Reto, Ramalho Eanes, Carlos Lopes, Maria de Lurdes Rodrigues e Virgínia Trigo.



Veja a reportagem completa do fotografo da United Photo Press Hugo Cruz

GRANDE REPORTAGEM: ´O que dá as cartas´

Descartes Gadelha, modelo para o personagem Oiti do livro
 "Lenda Estrela Brilhante: "Ele é pretinho e gorducho como eu"

FOTO: KID JUNIOR



O multiartista Descartes Gadelha está lançando o livro infantil "Lenda Estrela Brilhante", premiado no Edital. Com a delicadeza que lhe é peculiar, Descartes falou de beleza, lixo, prostituição, carnaval, arte, barcos, saúde e doença

Você está lançando mais um livro infantil "Lenda Estrela Brilhante". Que história é essa?
Esse livro é um pequeno depoimento disfarçado da minha vida. Porque fui engolido pelo carnaval ainda criança. Na minha infância, nossa Capital era recheada de eventos culturais não patrocinados pelo poder público. A cultura era nascida, produzida e fomentada dentro dos bairros. Todo calendário de festas e manifestações populares estava presente nessa cidade, era vivido de forma intensa.

Tínhamos São João da melhor qualidade. Lembro dos chamados "Caboclos da Parangaba" que, em novembro, saíam pelas ruas e distritos tocando e cantando para angariar fundos para a igreja, e muitos outros. Tínhamos os Pastoris que eram transmitidos ao vivo pela Ceará Rádio Clube e pela concorrente, Rádio Iracema de Fortaleza, os verdadeiros reisados, os autos de Natal e, dessa forma, eram os Maracatus.

Aos 10 anos tive contato com o Maracatu Estrela Brilhante e me contaminei com aquilo até hoje. Eu ia no meio do "canelau", porque as pessoas que não tinham dinheiro para sair no Maracatu, dançavam acompanhando a bateria, o batuque, lá atrás.

A ideia surgiu daí?
Pois bem. Eu, conversando com o Pingo (de Fortaleza), disse a ele que tinha vontade de prestar homenagem ao Estrela Brilhante. E ele gostou da ideia. Daí, escrevi, ilustrei e transformei em estilo de literatura infantil, até tentando dar um toque mais contemporâneo ao gênero. Porque, hoje, tudo está tudo muito ligado à robótica, à eletrônica, ou então, estão ainda nas Histórias da Carochinha.

Pensei em fazer algo atual, trazer a literatura infantil para temas do nosso cotidiano, tanto que aparece até o Ronda do Quarteirão. Mas, quando eu era criança, que morava na avenida Tristão Gonçalves, Fortaleza se dava ao luxo de ter ruas largas, com árvores plantadas ao longo delas, principalmente, oitizeiros, que é uma árvore bonita, frondosa, que dá frutos.

Percorria um quarteirão ou mais, de galho em galho, brincando com outras crianças. Comi muuuuito oiti, não queria nem comida de panela, e esse era meu apelido, porque eu também era pretinho e gorducho, eu era igual a um oiti! Daí o nome do personagem do livro.

Entre suas brincadeiras mais requintadas, estão as réplicas de veleiros. É mais uma paixão?
Estou proibido de pintar, por causa da doença, então... Mas os barcos são outra paixão, sim. Gosto de brincar de talhar barquinhos na madeira. Desde criança sou apaixonado por navegação à vela. É uma história cármica, algum vínculo reencarnatório.

Porque a paixão é tão grande que, ainda hoje, na idade em que estou, me imagino dentro do estaleiro, conversando com construtores e carpinteiros. É fantástico!

Penso em Camões, relembro as grandes navegações. As caravelas, como a internet, encurtaram distâncias, apesar dos barcos frágeis, à vela, sem motor, com alimentação precária. Quando estou na oficina cortando madeira, colando, fazendo uma velinha, me sinto navegando e digo: Deus, que maravilha ser uma eterna criança!

O senhor é pintor, escultor, escritor, músico, compositor. Tantos dons apareceram juntos?
Veja bem, nunca me considerei artista, acho uma palavra muito distante de mim, os outros é que dizem isso. Acho essa palavra muito pomposa, carregada demais para uma pessoa tão insignificante como eu. Sempre achei que artista era cowboy, o Tarzan, o Zorro, o Superman, mas não sou nenhum deles (risos). Mas, aos nove anos, eu já desenhava com perfeição.

Bastava olhar qualquer coisa, que desenhava nas proporções corretas. Recordo os pintores de letreiros, eram senhores profissionais que tinham suas oficinas de pintar. E tinham muito trabalho, porque em Fortaleza tinha o Cine Diogo, Cine Moderno, Cine Majestic, Cine Rex, Cine Luz. Certa vez, um desses homens me viu pintando caricaturas nos muros próximos à Estação Central Ferroviária Professor João Felipe, eu morava por ali.

E disse: ´você sabe desenhar mesmo, garoto? Pois desenhe aí um Rocky Lane. Eu sabia quem era o cowboy americano, porque lia muita história em quadrinho. Ele queria grande e colorido e me deu uma foto pequena e em preto-e-branco.

Eu me trepava num banco e desenhava. Eles me pagavam com a coisa mais encantadora e maravilhosa da vida, que era chocolate. Por isso tenho problemas de intestino. Comi chocolate demais (risos). Mas, o impulso artístico é um só, seja para fazer uma loa ou uma escultura.
Como está sua saúde?
Há cerca de dez anos descobri o câncer. Já fiz várias cirurgias, até perdi a conta. Porque o câncer que tenho é turístico, ele quer fazer uma viagem pelos meus órgãos. Apareceu na próstata, foi para o intestino, passou pelo pulmão, e assim vou eu, diminuindo de tamanho, fazendo uma "lipo-órgão".

Enquanto aparecer o que não presta, vou tirando. Ainda estou me tratando, porque são vários cânceres. Esses dias o médico me abriu, tirou metade do meu pulmão e fiz seis meses de quimioterapia. Quando terminou, apareceu outro no outro pulmão. Daí perguntei ao médico se já podia ir preparando meu escafandro (risos).

Ainda bem que já fui mergulhador... Vou mandar buscar um Aqualand. E olhe que nunca fumei, nunca me droguei, sempre fui atleta, fiz luta livre, boxe, karatê, fui campeão de natação (mostra os músculos do braço), tenho pescoço grosso e corpo forte. É cármico mesmo. Só agora entendo que estava me preparando para receber esse amigo que ia redimir minhas traquinagens de outras vidas. Fica fácil entender mergulhando nessa compreensão.

Então, pela lei do espiritismo, o senhor acredita estar em um processo cármico?
Carma significa cumprir o compromisso, mas sua compreensão é ampla. Tudo o que ocorre está registrado dentro desse processo, ele é nosso código de barras. Carma é a regra. Quem traça nosso destino somos nós mesmos. Só que esse traçado obedece regras sociais interplanetárias, cósmicas.

Estamos passando por mudanças. O planeta está se corrigindo, está mudando seu eixo para uma determinada combinação cósmica com outras dimensões. Ele tem que se ajeitar, é uma questão de evolução. O processo é renovador, nada é destrutivo. Se não fosse assim, os dinossauros ainda estariam por aqui.

Quando a natureza criou o espírito, foi para ser um coadjuvante de Deus, um colaborador, um trabalhador, um auxiliar, que, no Candomblé corresponde ao Ogan. Somos Ogans de Deus, de Olorum, que é como os africanos chamam Deus.

O planeta é um grande centro de Candomblé, onde todos estamos trabalhando para Deus. Ainda não existe uma forma de ensino que transfira esse conhecimento de forma convencional, racional, programática. Mas um dia vai acontecer. Imagine uma faculdade que forme doutores em "Ogan de Olorum", que maravilha isso! O mundo seria outro.

Saúde, ou a falta dela, fazem parte dessa evolução?
Tudo faz parte da evolução. A maior glória da minha vida é o processo dessa doença. Foi a forma mais abençoada, acho essa palavra "bênção" tão meiga, de eu crescer, foi um presente de Deus. Mas só compreende o que estou falando quem tem um. O câncer é uma correção, a gente fica cada dia mais elastecido, iluminado, conhecedor e ciente da responsabilidade cármica.

O senhor tem uma longa trajetória ligada à música percussiva. Como é essa relação?
Não sou músico, sou animador de brincadeiras e utilizo as músicas que faço, que são ruins, tortas, cheias de nós pelas costas, para brincar. E as pessoas também encomendam: "Descartes, tem uma loa aí sobre tal assunto?". No telefone mesmo rabisco e faço. Ela vem como se eu fosse apenas o instrumento. Não sei quantas composições tenho, não faço ideia.

Outro dia encontrei uma loa, que fiz em 1958, sendo cantada no mercado, porque lá sou freguês de panelada. Aliás, é lá que me curo da quimioterapia. Saio do médico e vou comer panelada com cuscuz. O "cancervéi" chega fica acuado quando a panelada bate nele... Mas, voltando, se contar de 1957 para cá, se eu tiver feito 20 músicas por ano, devem existir por aí mais de 300 músicas circulando. Mas nunca gravei nem anotei nada. Outro dia o Pingo gravou um CD de loas, mas a pretensão é só documental. Não tenho veleidades de ser músico ou compositor.

O senhor é conhecido por encontrar beleza onde, aparentemente, não existe. Prova disso é seu trabalho no lixão do Jangurussu. Fale desse período.
Acho que nenhuma beleza me atrai, a natureza é tão bela, que detalhes estéticos e superficiais não me seduzem. Certa vez, queria pintar um pôr-do-sol. Coloquei no carro material de pintura, cavalete, telas, tintas e peguei a BR-116, que naquele tempo ainda era estreitinha, sem viadutos, sem nada. Fui andando sem rumo, entrei num beco, me perdi, mas encontrei um céu de cor linda. Só que quando comecei a desenhar, tinha um mau cheiro que incomodava muito.

Mudei de lugar, levei o material para mais longe, e nada de passar o cheiro de azedo. Daí, ia passando um garoto com um saco na cabeça e eu perguntei de onde vinha aquele cheiro horrível e ele apontou para detrás de um morro ao lado. Subi lá e presenciei uma das cenas mais chocantes da minha vida, o verdadeiro "inferno de Dante". Era o lixão do Jangurussu e lá estavam dezenas de pessoas buscando sua sobrevivência naquele chorume podre.

A princípio chorei muito, fiquei paralisado. Mas, nessa mesma noite voltei e tive um surto recolhedor de almas. Encurtando a história, a partir desse dia, passei um ano e meio em cima do lixão, desenhando e pintando até na luz de candeeiro. Peguei todo tipo de doença que se pode imaginar, mas também fiz muitas amizades e muitos retratos. Só parei quando não aguentei mais.

Falando em beleza, várias obras suas têm como tema a prostituição...
Aos 20 anos, mergulhei fundo na prostituição. Fui para o Centro da cidade e lá tinham as madames, as pensões, os grandes cabarés e o Zé Tatá, que era a parte terminal, que ficava no lugar chamado "Curral". As prostitutas tuberculosas, com sífilis, acabavam lá. O Zé Tatá era penúltima etapa da decadência social e moral da mulher que perdeu a virgindade no interior.

Presenciei tudo isso e passei a fazer leituras pictóricas desses ambientes. Durante muitos anos, em diferentes períodos, morei em vários cabarés, de mala e cuia. Porque você só faz uma boa matéria jornalística se tiver contato pessoal com seu entrevistado.

Aprendi a respeitar as prostitutas como seres superiores. Porque uma pessoa que apanha na cara e abaixa a cabeça, é um ser superior. Foram centenas de pinturas, desenhos e gravuras, acho que fiz uma espécie de doutorado e pós-doutorado na universidade "prostitucional". Eu sei tudo desse mundo que não existe mais. Vi muita coisa bela e muita coisa triste.

E agora, quais são os planos?
Ser melhor do que fui ontem, é só isso que desejo da vida. Fazer o menor mal que puder à natureza e às pessoas que convivo. Estou focado nisso.

NATERCIA ROCHA
REPÓRTER

Mercado da Primavera no Museu de Arte Popular

No fim-de-semana de 15 a 17 de Abril, o Museu de Arte Popular (MAP), em Lisboa, recuperou uma das suas tradições: o Mercado da Primavera.
A promoção e valorização do artesanato português e os seus artífices é um dos objectivos deste mercado.
"Café Portugal Abril de 2011"

«Os Nossos Bonecos - Memórias do Mercado da Primavera» é o ponto de partida para a iniciativa. Os bonecos concebidos pelos artistas Tomaz de Melo e Dalila Braga na década de 1930 servem, agora, de
inspiração a artistas contemporâneos. Os bonecos «ilustravam não apenas os diversos trajes regionais, mas também os diferentes tipos físicos», explica a organização.

«Esta colecção constitui uma referência incontornável na génese, na história e na identidade do museu, pois consubstancia não apenas o investimento que foi feito em iniciativas nacionais e internacionais de promoção da nação antes da criação do MAP, como revela também uma das leituras feitas pelo aparelho ideológico sobre o Portugal de então: um país amoroso que podia ser apresentado em formato de miniaturas».
"Museu de Arte Popular, Lisboa"

No dia 15, entre outras actividades, foi tempo de ver o Grupo Danças e Cantares do Minho.

São deste grupo as imagens aqui apresentadas, bem como do AJAC Eclodir Azul.

Pintor angolano Armando Pombal vence prémio de artes plásticas


Pintor angolano Armando Pombal
Com a obra “Um olhar sobre a África”, o pintor angolano Armando Pombal foi o vencedor do 4º Concurso de Artes Plásticas, promovido pela Embaixada da Itália.

A obra, votada pelo público presente na exposição patente no espaço do Elinga Teatro/Luanda, retrata, segundo Armando Pombal, que falava à Angop, a dedicação da mulher africana em prol do progresso do continente.

O artista, que vai receber três mil dólares pelo galardão, disse que a iniciativa da Embaixada de Itália é louvável, porquanto valoriza o trabalho dos criadores

Já as obras, igualmente de pinturas, intituladas “ O desprezo do Anjo”, de Mateus dos Santos, e “ O princípio”, de Fortunato Bangui, foram escolhidas pelo público para o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Assim sendo, Mateus dos Santos vai receber 1500 dólares e Fortunato Bangui 500 dólares.

Por sua vez, o vice-ministro da Cultura, Cornélio Caley, parabenizou a embaixada italiana pela promoção deste concurso, pois os artistas plásticos precisam de mais eventos como este.

“Os artistas plásticos precisam de espaços para apresentar o seu trabalho, logo se uma embaixada toma essa iniciativa e a juventude aflui é porque esta iniciativa é de aplaudir. Certamente aconselho as outras entidades, essencialmente as de cariz privado, a tomarem iniciativas desta natureza, em prol da cultura”, asseverou.

Este concurso de artes plásticas, em que o público amante da arte vota nas obras, quer na especialidade de escultura quer na pintura, é promovido pela Embaixada de Itália, anualmente, com a colaboração da Fundação italiana-Angola Onlus.

Nesta quarta edição estiveram em concurso 29 pinturas e seis esculturas.

Arte contemporânea de Macau em exposição

O Museu do Oriente apresenta, entre 15 de Abril e 12 de Junho, a exposição Acessórios Imaginários, composta por trabalhos nas áreas da pintura, escultura, fotografia, instalação e videoarte, da autoria de 20 artistas contemporâneos macaenses.

O artista plástico José Drummond, a convite da Fundação Oriente, é o comissário da mostra Acessórios Imaginários, que supõe ser a maior exposição de arte contemporânea de Macau jamais realizada fora do território.

Ampliando a visibilidade de uma cidade multicultural, onde as culturas chinesa e portuguesa continuam a conviver, a exposição exibe a arte contemporânea de Macau através de 38 trabalhos criativos, que evidenciam o panorama natural deste território, onde pequenas realidades e grandes feitos definem a cultura quotidiana

A arte contemporânea de Macau sublinha os conflitos de uma cidade transnacional, que gradualmente vai evoluindo para uma identidade vaga com múltiplas questões. De entre os artistas, constam Alice Kok, Bianca Lei, Carlos Marreiros, James Chu, James Wong, João Ó, João Vasco Paiva, José Drummond, Kent Chi Kin, Konstantin Bessmertiny, Lei Ieng Wei, Lio Man Cheong, Mio Pang Fei, Ng Fong Chao, Pakeong Sequeira, Peng Yung, Tong Chong, Ung Vai Meng, Wong Ka Leong e Xin Jing.

Acessórios Imaginários vai estar na Galeria Sul do Museu do Oriente entre 15 de Abril e 12 de Junho, de ter a domingo entre as 10h00 e as 18h00 (sexta-feira até às 22h00).

A entrada é gratuita.

A ponte das artes entre a Suíça e Portugal

Biberstein está radicado em Portugal há 32 anos
(swissinfo)
“Aqui e além” é a exposição que reúne os artistas Michael Biberstein e Rui Sanches, no Pavilhão Branco do Museu da Cidade de Lisboa, em torno do tema da paisagem.

A partir do encontro da obra dos artistas, ao espectador é permitido desfrutar do diálogo criado entre os dois corpos de trabalho.

Constituída por seis pinturas do suíço Michael Biberstein, quatro esculturas do português Rui Sanches e a peça “Aqui e além”, assinada pelos dois, que resulta da colaboração inédita feita entre os artistas e pensada propositadamente para o espaço, a exposição oferece a construção de uma leitura em fusão com as características singulares do pavilhão e com o espaço envolvente.

Comunicar através da paisagem

O tema da paisagem, que sempre foi o assunto central da pintura abstrata de Biberstein, é representado, agora, com um teor mais efémero e mais atmosférico. Para o pintor “agora as coisas são, talvez, um bocadinho mais efémeras, mais atmosféricas. Têm mais cores, têm menos indicadores exatos de paisagem. São mais difusas. Mas ainda se vê uma paisagem.” Acrescentando que, desde a última vez que expôs em Lisboa, na galeria Cristina Guerra, “houve pequenas alterações. Sempre há. Mas nada revolucionário.”

O conjunto de obras que Rui Sanches elaborou para a exposição, mais do que é costume no seu trabalho, revela um caráter paisagístico Uma produção que o escultor reconhece ter “referências óbvias a paisagens, a horizontes e montanhas”. O que pode ser considerado como elemento catalítico no “diálogo com as peças do Michael.”

John Coltrane e Alentejo

“Eu penso que o facto de estar parcialmente fixado no Alentejo, isso tem-se refletido no meu trabalho”, revela Rui Sanches. “Essa questão de dar maior atenção à paisagem tem, com certeza, que ver com o facto de eu estar agora muito mais perto desse ambiente natural, pelo menos durante uma parte do ano.”
Para Michael Bieberstein, radicado em Portugal há 32 anos e a viver atualmente no Alentejo, a música é o elemento crucial no processo criativo. A sua banda sonora de eleição é aquela que tem a assinatura do músico de jazz John Coltrane. “Eu utilizo muito John Coltrane. Adoro!”

A paixão pela música de John Coltrane, a principio, era fácil de reconhecer no documentário que o realizador Fernando Lopes fez sobre o artista suíço e o seu trabalho (Michael Biberstein: O meu amigo Mike ao trabalho), mas “como a Impulse Records não cedeu os direitos, foi preciso substituir a música dentro do filme.”

Conta Biberstein que o som de Coltrane foi, então, substituído pelo grupo português Norman. “É um grupo fabuloso de jazz-rock” composto por “um guitarrista fantástico que é o Norberto Lobo, de nível mundial, o baterista é o João Lobo, também muito forte, e nos teclados está o Manuel Mesquita. Chamam-se Norman e é um grupo muito, muito bom.”

Colaboração rara

Uma amizade de vários anos e a afinidade artística entre os dois criadores, foram os elementos que permitiram reunir no mesmo espaço duas formas distintas de abordar um mesmo tema e fazer nascer a obra “Aqui e além”.

A exposição nasceu “com o respeito mutuo que nós temos um pelo outro, com o respeito que temos pelo trabalho de cada um”, afirma Biberstein. “O Rui também trata o assunto da paisagem, só que com uma linguagem totalmente diferente. Mas também com um certo sossego, com uma certa calma.“

“Somos amigos há muitos anos e várias vezes falámos em fazermos um projeto conjunto.” revela Rui Sanches. “Gostamos muito do trabalho um do outro. Agora, houve algo que fez despoletar este projeto e estamos aqui juntos neste espaço da Câmara.”

“Foi uma troca através das escolhas que fizemos das obras, das propostas que fizemos da ocupação do espaço e da montagem da exposição. Tudo isso foi feito em colaboração, mas o trabalho de cada um foi completamente autónomo e respeitado”, conclui.

Sobre a peça “Aqui e além”, cuja autoria é partilhada pelos dois artistas, Biberstein considera que “é bastante raro haver uma colaboração de trabalho assim,” mas “foi bom!”. E explica: “Aqui e além” surge de uma escultura de Rui Sanches que “é uma pequena casa, onde se pode entrar e, uma vez dentro dessa casa, vê-se uma abertura. Através daquela abertura ele (Rui Sanches) queria ver uma pintura minha, e eu pensei nisso. E sugeriu fazermos uma colaboração. Então, eu fiz uma pintura para esta peça e surgiu esta obra que é uma colaboração. Uma peça assinada pelos dois.”

Pavilhão Branco

Usufruindo de “uma situação fabulosa,” no jardim de um palácio setecentista habitado por famílias de pavões, o Pavilhão Branco é, nas palavras do pintor suíço, “muito bonito. Foi um grande prazer” fazer a exposição neste espaço.

“O Pavilhão Branco tem uma arquitetura minimalista e tem muita luz, o que para as minhas pinturas é muito favorável. As minhas pinturas são feitas de muitas camadas de cores diferentes. São camadas muito diluídas. Portanto, quando a luz muda a pintura também muda. Dependendo se se vê a exposição de manhã ou de tarde, pode-se ver uma exposição bastante diferente,” esclarece Biberstein.

Rui Sanches já tinha realizado uma exposição no pavilhão, no final dos anos noventa, mas Michael Biberstein nunca tinha exposto neste espaço. Por isso, quando a dupla considerou o Pavilhão Branco como “o espaço ideal para fazerem essa exposição”, o Chefe de Divisão de Galerias e Ateliers da Câmara Municipal de Lisboa, João Mourão, viu aqui uma “excelente oportunidade de ter o Michael Biberstein.” E assim permitir o “reencontro com a obra dos dois artistas, mas numa interacção diferente.” Para João Mourão, “o que existe aqui é a criação de um diálogo muito importante.”

“Há imenso tempo que achávamos que o trabalho do Michael Bieberstein se adaptava perfeitamente às características do Pavilhão Branco e que era uma lacuna ele ainda não ter passado pelo Pavilhão. Foi nesse sentido que aconteceu a exposição e a oportunidade de mostrar a obra,” concluiu João Mourão.

Luís Guita