Flauta de Rão Kyao interpreta liturgia católica

Rão Kyao associou-se aos 75 anos do Seminário de São Paulo de Almada (inaugurado em outubro de 1935) e lançou o CD “Sopro de Vida – Ao ritmo da Liturgia”.

As 25 faixas são interpretados pela flauta de Rão Kyao, acompanhado ao órgão por Renato Silva Júnior.

No libreto que acompanha o CD, Rão Kyao explica a origem e os objetivos do projeto:

«Este CD é a concretização de um sonho: “Cantar”, numa gravação com a flauta, uma série de cânticos religiosos de grande profundidade melódica. O meu amigo Padre Rodrigo sugeriu-me para isso duas diretrizes:

Primeiro: coligir os temas escolhidos de acordo com a progressão do Ano Litúrgico: Advento, Natal, Epifania, Quaresma, Semana Santa, Paixão, Páscoa (Ressurreição, Ascensão e Pentecostes)... e, numa segunda parte, ordenar temas ao ritmo da celebração eucarística, com música para a entrada, aclamação da Palavra, ofertório, comunhão, ação de graças, cântico a Nossa Senhora e, no fim, um tema original, a parábola.

A segunda sugestão foi a de tocar temas exclusivamente de autores portugueses de várias épocas, para mais dar a conhecer a grande qualidade dos nossos compositores litúrgicos.

O ouvinte, se assim o desejar, tem ao seu alcance, no libreto, parte das letras dos respetivos temas para poder interiorizar melhor o ambiente e mensagem espirituais de cada um deles.

O CD, para nossa alegria, fica associado à celebração dos setenta e cinco anos do Seminário de São Paulo de Almada.

Agradeço a todos os envolvidos através do Padre Rodrigo cujo apoio, conhecimentos e força espiritual foram fundamentais na elaboração desta prestação musical a todos.

Reportagem de Carlos Jesus Silva

Artistas brasileiros vão expor no Dubai

Quadros e esculturas de 21 brasileiros vão estar na Gallery 76, a partir de quarta-feira. A exposição é organizada pela galeria Eric Art e tem apoio da embaixada do Brasil nos Emirados.

Os artistas plásticos brasileiros estão conquistando cada vez mais espaço nos Emirados Árabes. Na próxima quarta-feira (09), os árabes vão poder apreciar e comprar as obras de 21 artistas, que vão expor na Gallery 76, no Dubai, até dia 23 deste mês. A galeria vai abrigar 33 obras brasileiras, entre quadros e esculturas, que foram selecionadas pelo curador Eric Landmayer, diretor da galeria Eric Art, de São Paulo.

Os artistas são de diversas localidades do Brasil e trabalham com diferentes modalidades de artes plásticas, como pintura, escultura, arame em alumínio e desenho. “Gosto de levar um pouco de tudo”, disse Landmayer, que já organizou diversas exposições brasileiras nos Emirados Árabes.

De acordo com ele, as obras brasileiras são muito bem aceitas no mercado árabe. As cores, a temática e a variedade de estilo chamam a atenção dos árabes. “O Brasil está em alta no mercado de arte no exterior”, afirmou o curador, que trabalha no mercado há 35 anos e já levou as obras brasileiras para mais de 40 países.

Essa vai ser a primeira vez que Landmayer vai expor na Gallery 76. A exposição tem o apoio da embaixada do Brasil em Abu Dhabi. Para ajudar na divulgação, Landmayer tem um parceiro nos Emirados, que tem contato direto com clientes e colecionadores no mundo árabe.

Com a ajuda de Landmayer, que também é promotor cultural e crítico de arte pela Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica-Paris), as obras brasileiras já foram adquiridas por muitos colecionadores e compradores internacionais. Segundo ele, a ideia agora é divulgar mais o trabalho do Brasil no mundo árabe. Dos países árabes, além dos Emirados, o curador já fez uma exposição no Egito. No total, 40 países já receberam exposições organizadas pela Eric Arte.

A maioria dos artistas brasileiros que vai estar na Gallery 76 é emergente, alguns estão em início de carreira e outros já têm um nome mais conhecido, como é o caso da artista convidada Sônia Menna Barreto. A artista, que faz pintura a óleo, ficou muito conhecida em 2002, quando um de seus quadros foi entregue para fazer parte do acervo de obras da família real inglesa, no Palácio de Buckingham.

De acordo com Landmayer, em toda exposição organizada por ele nos Emirados Árabes ocorre venda. Essas exposições são realizadas uma vez por ano. As obras que vão estar na Gallery 76 custam em média US$ 3 mil. “Tenho muito interesse em me fixar no mercado árabe. Quero difundir a arte brasileira e quem sabe conseguir um espaço fixo para as obras brasileiras nesse mercado”, afirmou.

Quadro de Júlio Pomar vendido por 85 mil euros em Lisboa

Mestre Julio Pomar
Um óleo sobre tela de Júlio Pomar, intitulado "O Violinista", foi vendido na segunda-feira à noite num leilão em Lisboa por 85 mil euros, revelou hoje à agência Lusa a leiloeira Cabral Moncada.

Neste leilão foram à praça cerca de 400 lotes de obras de arte, na maioria de pintura, desenho e escultura de artistas portugueses como Maria Helena Vieira da Silva, Nikias Skapinakis e Cargaleiro.

De acordo com os dados fornecidos pela Cabral Moncada Leilões, entre as obras que atingiram valores mais elevados estão ainda um quadro de Maria Helena Vieira da Silva intitulado "Indigo", arrematado por 36 mil euros, e um "Autoretrato no Atelier", de Dórdio Gomes, que ficou por 34 mil euros.

Um quadro sem título de Manuel Cargaleiro foi arrematado por 22 mil euros, a tela "Paisagem de Lisboa", de Nikias Skapinakis, ficou por 20 mil euros, um quadro sem título de José de Guimarães foi vendido por 18 mil euros, e a obra "O Cheiro do rio Tejo", de Manuel Cargaleiro, por 17.500 euros.

A ilustração de Júlio Pomar "Uma Abelha na Chuva" ficou por 16 mil euros, um quadro sem título de Ângelo de Sousa foi arrematado por 13.500 euros, a obra "Variação sobre um Tema de Fuseli", de António Areal, foi vendido por 10.500 euros e, pelo mesmo valor, uma tela sem título de Jorge Pinheiro.

Um quadro de Noronha da Costa, também sem título, foi arrematado por 10 mil euros.

Estava também entre os lotes de pintura uma obra de Malangatana, pintor moçambicano falecido este ano em Matosinhos, na sequência de doença prolongada.

De acordo com a Cabral Moncada, a obra não foi arrematada no leilão de segunda-feira, mas ficou reservada por um interessado.

A Arte do Sagrado

O Museu Metropolitano de Arte de Curitiba da Fundação Cultural de Curitiba possui um dos maiores acervos paranaenses. Ao todo, são cerca de 3.500 itens, de arte popular e indígena a objetos diversos, peças de artesanato e obras de arte, divididos entre as coleções: Andrade Muricy, Ben Ami, Cleusa Salomão, Jorge Carlos Sade, Mohamed, Poty Lazzarotto, FCC e Prefeitura Municipal de Curitiba.

Além de doações independentes, efetuadas por artistas que expõem naquele espaço ou outros locais da entidade. É preciso observar que qualquer item acrescentado ao acervo tem que antes passar por um exame técnico, que atesta a integridade das condições físicas da obra, tais como estado da camada pictórica, estado do suporte, etc. e por análise estético-artística efetuada pelos Conselhos do Acervo da Fundação Cultural de Curitiba.

Qualquer acréscimo quantitativo a um acervo é denominado aquisição, que se classifica sob quatro aspectos principais: aquisição por compra de obra de arte, aquisição pela doação de obra de arte, aquisição por comodato – que é uma espécie de empréstimo e aquisição proveniente de projetos feitos com o objetivo de aumentar o acervo na justa medida em que se preencham as lacunas, como as decorrentes da ausência de nomes importantes de artistas que deveriam já estar representados com obras nas coleções.
Nesta exposição, o Museu Metropolitano de Arte de Curitiba - MuMA, se reúne ao Museu de Arte Sacra da Diocese de Curitiba - MASAC, para apresentar obras de arte e peças relacionadas à arte religiosa. Normalmente, as obras do acervo do MuMA são expostas na sua própria Sala do Acervo. Entretanto, o local encontra-se em reforma, fato que contribuiu para a realização desta mostra em conjunto com o MASAC. Lá se pode ver uma pintura sobre papel de Dulce Osinski, uma pintura à óleo de Everly Giller, e três peças de arte popular, estas pertencentes à coleção Poty Lazzarotto.

Dulce Osinski, destacada artista paranaense, possui uma linguagem em que o gestual expressionista é utilizado em registros de acontecimentos que permeiam sua própria vida, ora como protagonista, ora como narradora. Por meio de traços sensíveis e nervosos, somados ao uso de cores vibrantes centradas no vermelho e azul, ela pinta uma figura estática num momento especial na vida da menina católica: a primeira comunhão. A ênfase do desenho desloca-se para os pés, os quais, visivelmente aumentados, sugerem uma base sólida de fé, ao mesmo tempo em que se constituem como uma camisa de força simbólica – grilhões morais que se tornam atuantes, a partir dali, por toda a vida.

A pintura intitulada “Anunciação - Zwiastowanie” de Everly Giller – nascida em Caçador, Santa Catarina, porém adotada por Curitiba – apresenta outro tipo de abordagem conceitual, e conseqüentemente, pictórica.. Daí, surge uma visão extremamente lírica, em que a tela mostra uma série de tonalidades de azul mesclada com verdes, que fascina pelo uso das cores e pela composição fantástica, onírica, de um universo que se complementa nele mesmo, girando numa bolha etérea de formas, estrelas, cometas, flores. Produto intelectual, além do artístico, a obra alude à ícones religiosos, à arte medieval e à lei áulica que determina o tamanho maior para a personagem mais importante: a Virgem Maria. As duas obras em cerâmica pintada, “Santa Eugênia” e “Santa com Menino Jesus”, apresentam similaridades de concepção e execução que apontam para uma única autoria, infelizmente desconhecida.
A arte popular, muitas vezes, não possui registro de quem a executou, como no caso destas peças provenientes do Vale do Jequitinhonha, no Estado de São Paulo. Elas mostram a delicadeza e riqueza das formas ingênuas, em que o sentimento religioso se volta para um trabalho detalhista, de difícil elaboração e extremamente atraente. A escultura em madeira intitulada “Oratório” também é anônima e não possui referência do lugar de origem. Entretanto, produto de um artista ínsito, ela é entalhada com elementos sintéticos que a elevam a um patamar de concentração de significados.

O aspecto “clean” e estrutural, longe de denotar ausências, vem acentuar o caráter forte, vigoroso e direto das formas simples. A tensão contida, que é a mesma empregada pelo entalhador durante a execução da obra, salienta a essência do tema.

O MASAC fica anexo à Igreja da Ordem no Centro Histórico de Curitiba e abre de Terça a Sexta e fecha às segundas-feiras.

ARTE CONCEITUAL - INTRODUÇÃO

Final da década de 1960.
“A própria ideia, mesmo se não é tornada visual, é uma obra de arte tanto quanto qualquer produto”, disse o escultor Sol LeWitt, que deu nome ao movimento.

“É qualquer coisa que não seja pintura ou escultura, que enfatize o pensamento do artista e não a manipulação de materiais.”

"Um cego pode fazer arte se o que estiver em sua mente puder ser transmitido para outra mente de forma perceptível", Sol LeWitt.

I – DADOS CRONOLÓGICOS:

Em 1969, acontecem três exposições que marcam o nascimento da ARTE CONCEITUAL: “Conceptual Art”, “No Object (Leverkusen)” e “Live in your head – whwn actitudes become form (Berna)”.

“A pintura morreu”, proclamava o mundo da arte no final dos anos sessenta e começo dos setenta. Não só a pintura, mas a escultura também, na opinião de um grupo chamado: Artistas Conceituais.
A Arte Conceitual recorre frequentemente, ao uso de fotografias, mapas e textos escritos (como definições de dicionário). Em alguns casos, como no de Sol Lewitt, Yoko Ono (grupo Fluxus) e Lawrence Weiner, reduz-se a um conjunto de instruções escritas que descrevem a obra, sem que esta se realize de fato, dando ênfase à ideia no lugar do artefato. Alguns artistas tentam, também, desta forma, mostrar a sua recusa em produzir objetos de luxo - função geralmente ligada à ideia tradicional de arte - como os que podemos ver em museus.

Sua ênfase durou até os anos 80, porém é muito praticada até hoje.

II – CARACTERÍSTICAS:

Qualquer ato ou pensamento pode ser considerado Arte Conceitual.





A arte deixa de ser o objeto tradicional, a materialização da ideia, para transformar-se na concepção que o artista tem da arte.


“As obras de arte são pouco mais que curiosidades históricas”, disse Joseph Kosuth e esse desenvolvimento era apenas parte de uma tendência chamada “desmaterialização da arte objeto”.

Se uma ideia criativa é fundamental para a arte, produzir um objeto concreto provocado pela ideia é supérfluo. Portanto, a execução é algo mecânico e pode ser desenvolvido com mero exercício; o problema é a ideia do pensamento que pode ser estrito entre o objeto e a palavra (história, texto ou narração, que deve ser expresso através de uma única ideia).
A ARTE CONCEITUAL reside no conceito essencial, não no trabalho real; trabalha os estratos profundos até então apenas acessíveis ao pensamento; às ideias e aos conceitos.
Ela não representa, não exprime, rejeita todos os códigos anteriores, a ponto de alguns críticos proporem uma nova periodização para a história da arte contemporânea: pré-conceitual e pós-conceitual. Afinal, os Minimalistas varreram da arte a imagem, a personalidade, a emoção, a mensagem e a produção manual e os Conceitualistas deram um passo além e eliminaram o objeto.

Além disso, os artistas conceituais reivindicaram uma nova relação entre arte e texto, usando mensagens verbais e escritas como a própria obra de arte.
Em 1961, o artista Piero Manzoni provando que tudo pode virar produto e ser vendido, defecou em 90 latinhas e as etiquetou com o texto “Merda d´ Artista” ( Merda de Artista). Detalhe: todas as latas foram realmente comercializadas. Já Sol LeWitt, dizia que os conceitualistas eram misteriosos e não podiam ser alcançados pela lógica.





“Isto é arte!” Situar nessa esfera como ideia central e expressá-la por meios e métodos, isto é, estarmos no domínio conceitual

Como o espectador tem que ter intelectualidade para entender esse tipo de arte e, como existe uma preguiça em pensar, é muito mais fácil dizer que: “Isso não é arte”. Como se o artista te chamasse de ignorante. Mas, na verdade, ele quer que você pense.

“A arte ajuda a respeitar os outros; as diferenças; os preconceitos e às pessoas preferem dizer que aquilo não é digno de sua atenção. Você acaba satirizando as coisas feitas pelos outros, mas o ignorante é você, que não as entende.”

“Eu faço e alguém executa”. O conceito de propriedade é intelectual (a ideia é autoria própria) e ela está inteiramente apoiada no texto.

O ato de conceber vem do conceito (algo concedido na mente e fruto de operações mentais). Começa-se pensar em conceito através da escrita (palavras) e esses conceitos, são abstrações que pertencem ao individual, pois cada um tem seu próprio conceito.

O conceito não é verbalizado, senão precisaria de outras palavras para existir.

A Arte Conceitual possui uma relação estreita entre o título e a obra, porque dela depende a interpretação que aí está. Por exemplo, a imagem do fogo ou da água. A forma de induzir esse pensamento pode ser qualquer uma (pintura, foto, música, performance) forma, porque a execução não é importante e sim a operação de pensar.

Surgiu no auge do movimento contra cultural (meados dos anos 60) e esse movimento, define-se contra tudo o que é estabelecido; portanto, revolucionário.

Começou a explosão com o Minimalismo (caixotes como obra de arte; produtos industrializados e executados por muitos funcionários e não pelo artista, acarretando muitas despesas); mas, essa detonada não foi suficientemente forte como a Arte Conceitual, ainda que as pessoas não entendam do que se trata.





Algumas obras são feitas dentro do contexto social-histórico e em algum segmento da sociedade, dificultando o entendimento da mensagem. Não eram “coisas” específicas para uma geração e acaba virando uma arte hermética, pois relaciona com particulares e específicas e não, universais. Um artista, por exemplo, dá instruções por telefone aos operários de um museu para montarem uma obra, que o próprio “artista” jamais havia visto ou tocado. Trata-se de uma arte desafiante.

Na arte conceitual, o espaço teórico toma à frente a práxis; se antes havia ainda qualquer preocupação quanto à presentidade da obra, na arte conceitual o objeto, quando também material, é mero sustentáculo das relações pretendidas pelo artista. Pode-se afirmar que na Arte Conceitual é mais importante a teoria, as concepções intelectuais, que o estético em si.

Não há na Arte Conceitual, como consequência, qualquer dos valores tradicionais da arte: nem domínio técnico e/ou resultados estéticos. Ela pode repercutir apenas no plano social (contestatório), no plano intra-subjetivo, psicológico (com intenções liberalizantes), ou no plano intra-artístico (com intenções meta críticas), que suas funções originárias estarão satisfeitas.


“Frases sobre a Arte Conceitual”, de Sol Lewitt

1. Os artistas conceituais são místicos e não racionalistas. Eles saltam para conclusões que a lógica não pode alcançar.
2. Julgamentos racionais repetem julgamentos racionais.
3. Julgamentos ilógicos levam a novas experiências.
4. A arte formal é essencialmente racional.
5. Pensamentos irracionais devem ser seguidos absolutamente e logicamente.
6. Se o artista muda de idéia no meio da execução da obra ele compromete o resultado e repete resultados passados.
7. A vontade do artista é secundária em relação ao processo que ele inicia a partir da idéia até sua completude. Sua obstinação pode ser apenas ima questão de ego.
8. Quando palavras como pintura e escultura são usadas, conotam toda uma tradição implicam uma conseqüente aceitação desta tradição, assim estabelecendo limitações ao artista que ficaria relutante em fazer arte que vai além das limitações.
9. Conceito e ideia são diferentes. O primeiro implica uma direção geral enquanto que a última, seus componentes. As ideias implementam o conceito.
10. Ideias sozinhas podem ser obras de arte; estão em uma cadeia de desenvolvimento que pode eventualmente encontrar uma forma. Nem todas as ideias precisam ser concretizadas.
11. Ideias não necessariamente seguem uma ordem lógica. Podem apontar para inesperadas direções, mas uma ideia deve estar completa na mente antes que a próxima seja formada.
12. Para cada obra de arte que se concretiza há muitas variações que não se concretizam.
13. Uma obra de arte pode ser compreendida como um condutor que parte da mente do artista para as mentes dos espectadores. Porém, pode nunca alcançar o espectador ou nunca deixar a mente do artista.
14. As palavras de um artista para outro podem induzir ideias em cadeia, se eles compartilham do mesmo conceito.
15. Como nenhuma forma é intrinsecamente superior à outra, o artista pode usar qualquer forma, desde uma expressão por palavras (escritas ou faladas), até realidade física, igualmente.
16. Se palavras forem usadas, e ela procederem de ideias sobre arte, então são arte e não literatura; números não são matemática.
17. Todas as ideias são arte se estão relacionadas à arte e cabem nas convenções da arte.
18. Geralmente, entende-se a arte do passado através da aplicação das convenções do presente, assim, compreendendo de maneira equivocada a arte do passado.
19. As convenções da arte são alteradas pelas obras de arte.
20. A arte bem sucedida muda nosso entendimento das convenções por alterar nossas percepções.
21. A percepção de ideias leva a novas ideias.
22. O artista não pode imaginar sua arte nem percebê-la até que esteja completa.
23. O artista não pode ter, em relação a uma obra de arte, uma percepção diversa (entender diferentemente do autor) e, no entanto, isso pode desencadear nele uma cadeia de pensamentos relacionados a essa percepção.
24. A percepção é subjetiva.
25. O artista não necessariamente entende sua própria arte. Sua percepção não é melhor nem pior do que a percepção dos outros.
26. Um artista pode perceber a arte de outros melhor do que a sua própria.
27. O conceito de uma obra de arte pode envolver o conteúdo da obra ou o processo pelo qual ela foi produzida.
28. Uma vez estabelecida a ideia da obra na mente do artista e decidida sua forma final, o processo é desenvolvido automaticamente. Existem muitos efeitos colaterais que o artista não pode imaginar. Estes podem ser usados como ideias para novos trabalhos.
29. O processo é mecânico e não deve ser modificado. Deve seguir seu curso.
30. Há muitos elementos envolvidos na obra de arte. Os mais importantes são os mais óbvios.
31. Se um artista utiliza a mesma forma em um grupo de obras, e muda o material, pode-se presumir que o conceito do artista envolvia o material.
32. Ideias banais não podem ser salvas por uma bela execução.
33. É difícil estragar uma boa ideia.
34. Quando um artista aprende sua arte muito bem, ele faz arte refinada.
35. Estas frases são comentários sobre arte; mas, não é arte.

Feira Internacional de Artes realiza-se em Coimbra

A primeira Feira Internacional de Artes – FIARTE/ART€UROPA 2011 realiza-se de 1 a 10 de Abril próximo, na Praça da Canção, em Coimbra, por iniciativa do Movimento Artístico de Coimbra (MAC).

O evento, apresentado em conferência de imprensa, na Casa da Cultura de Coimbra, contemplará tudo o que se relacione com pintura, escultura, fotografia e instalação, através de exposições, conferências, workshops, entre outras iniciativas que oportunamente serão consagradas no programa.

A vertente científica das artes será desenvolvida através da participação de conferencistas (licenciados, mestres e professores universitários) de Arte ou de História da Arte.

O MAC conta com a participação de diversas entidades ligadas ao universo das artes e com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra e da Escola Universitária das Artes de Coimbra.

Arte contemporânea: Cabral Moncada leiloa 400 obras

Obras de Júlio Pomar, Vieira da Silva, Nikias Skapinakis e Cargaleiro, entre outros artistas portugueses, num total de 400 lotes, na maioria de pintura, desenho e escultura vão a leilão no dia 31 de janeiro, em Lisboa.

Organizado pela Cabral Moncada Leilões, o leilão vai apresentar também peças de mobiliário e de design, arte africana, fotografia, e ainda diversas peças de autor em prata, segundo a empresa.

Jorge Vieira, Carlos Botelho, Ângelo de Sousa, Raul Perez, Jorge Martins, João Vieira, Graça Morais, Rogério Amaral, Dórdio Gomes, José de Guimarães, Julião Sarmento, Malangatana, Nadir Afonso e Jorge Pinheiro são outros dos artistas representados no leilão, num total de 186 criadores.

Na pintura estará à venda uma obra de Maria Helena Vieira da Silva, intitulada "Indigo", cuja estimativa está estabelecida entre os 30.000 e os 45.000 euros, a pintura "O Violinista", de Júlio Pomar (entre 60.000 e 90.000 euros), um óleo sobre tela sem título de Nadir Afonso (entre 27.000 e 40.500 euros), e a pintura de Carlos Botelho "Panorâmica Rósea - Lisboa" (entre 35.000 e 52.500 euros).

Entre outras telas de artistas portugueses estão "Paisagem de Lisboa", de Nikias Skapinakis (entre 20.000 e 30.000), "O Cheiro do Rio Tejo", de Manuel Cargaleiro (entre 17.500 e 26.250 euros), um sem título de Ângelo de Sousa (estimativa entre 10.000 e 15.000 euros), também um óleo sobre tela sem título de José de Guimarães (entre 15.000 e 22.500) e uma tela de Malangatana (entre 8.000 e 12.000 euros).

Dórdio Gomes está representado com um "Auto-retrato no Atelier" (entre 20.000 e 30.000 euros), Mário Cesariny com um acrílico sobre aglomerado de madeira intitulado "A Pianista" (entre 2.000 e 3.000 euros), um sem título de Noronha da Costa (entre 5.000 e 7.500 euros) e outro sem título de Raúl Perez (entre 9.000 e 13.500).

Na escultura, entre outras peças, constam do leilão esculturas de Jorge Vieira: uma em aço, sem título, cuja estimativa varia entre 10.000 e 15.000 euros e uma intitulada "Casal de Alentejanos", em bronze, entre 3.000 e 4.500 euros.

SOTHEBY´S vende obras raras de Gauguin

A Sotheby´s Internacional vai vender, a 30 de Março, em Londres, uma série de gravuras da autoria de Paul Gauguin. Pintadas entre 1894 e 1902, em França e no Taiti, estas dez obras fazem parte da colecção de Stanley J. Seeger. Esta série de desenhos irá liderar a venda “Gravuras antigas, modernas e contemporâneas”, avaliada entre 513 e 686 mil euros.

As obras foram feitas com recurso a técnicas inovadoras para a época como pinturas em madeira. Quando chegou ao Taiti, Gauguin explorou e desenvolveu novas técnicas de impressão em papel e madeira, nunca antes vistas pelos seus contemporâneos.

Entre as obras mais representativas deste lote, encontram-se “Oviri” (avaliado em cerca de 95 mil euros), a representação de uma criatura mítica do Taiti, e “Crouching Tahitian Woman” (avaliado em 261 mil euros).

Sobre a SOTHEBY’S International Realty

Com trinta anos de experiência no mercado imobiliário de luxo e 260 no leiloeiro, a marca Sotheby’s é sinónimo de serviços de excelência e relações de confiança, tendo realizado, em 2004, uma parceria estratégica com o grupo norte-americano, Realogy Corporation, para o desenvolvimento do negócio imobiliário.

A Sotheby’s International Realty, que conta com mais de 500 escritórios distribuídos por 42 países, com destaque para Reino Unido, Estados Unidos, Espanha, Rússia, Brasil, França, Alemanha, África do Sul, integrando uma rede imobiliária de dimensão internacional com mais de 11.000 colaboradores.

A Sotheby’s International Realty está representada em Portugal desde Outubro de 2007. Com escritórios em Lisboa, Restelo, Estoril e Vilamoura, é líder do mercado imobiliário de luxo em Portugal, prestando um serviço diferenciado a um público sofisticado e do segmento alto. A aposta da marca em Portugal continua em 2011 com a expansão da rede de lojas, alargando a excelência do serviço a mais cidades portuguesas.

Mais informações em http://www.sothebysrealtypt.com/

Festa das Fogaceiras - Santa Maria da Feira

A Festa das Fogaceiras é uma tradição com mais de cinco séculos, marcados pela devoção do povo das Terras de Santa Maria.

A mais emblemática festividade do concelho de Santa Maria da Feira teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, numa altura em que a região foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu ao santo a oferta de um pão doce chamado 'Fogaça'.

No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes e seguia pela Igreja do Convento Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas, divididas em fatias e posteriormente repartidas pelo povo.

Assim nasceu a 'Festa das Fogaceiras'. Cumprida em cada dia 20 de Janeiro, esta promessa constitui uma referência histórica e cultural para as Terras de Santa Maria.

O cortejo sai pela manhã dos Paços do Concelho para a Igreja Matriz, fazendo parte dele dezenas de crianças, vestidas de branco com uma faixa à cintura, que levam à cabeça uma fogaça enfeitada. O cortejo é fechado por três raparigas que transportam à cabeça uma miniatura do Castelo. Na Igreja realiza-se uma missa solene, com a benção das fogaças e, à tarde, realiza-se a preocissão que percorre o centro da cidade com os andores de S. Sebastião e de Nossa Senhora.

Reportagem
Cesar Coriolano
cesar.coriolano@unitedphotopressworld.org

Utilidades das Artes

Uma das características da arte é a dificil capacidade que nós temos de dar uma clara utilidade ou valor utilitarista. No entanto, essa "capacidade dificil" é por vezes criticada como sendo preconceito contra a classe de artista. Há os que não vem utilidade na arte, mas isso não é verdade, pois ela é capaz de alterar a psique do espectador e do autor. Exemplo disso é a grande capacidade que o Cinema possuiu em suas raízes e que ainda faz na mente de quem assiste.

A arte também é usada por terapeutas, psicoterapeutas e psicólogos clínicos como terapia. Paul McCartney, ex-Beatle, diz que a música é capaz de curar. Em uma de suas visitas a um hospital de altistas, revelou que quando se tenta comunicar com uma criança altista, ela não responde facilmente. Entretanto, quando se dedilha algo no violão, elas respondem.

O resultado de uma arte pode trazer consigo toda a história de uma nação, de uma região, de um povo, de um acontecimento, de uma vitória, de um fracasso. Grafite e outros tipos de arte de rua são gráficos e imagens pintadas por spray. São vistos pelo público em paredes de edifícios, em ônibus, trens, pontes e, normalmente sem permissão do governo. Este tipo de arte faz parte de diversas culturas juvenis. Nos EUA, da cultura hip-hop. São comumemente usadas para a expressão de opiniões sobre política, e outras vezes trazem mensagens de paz, de amor e união.
Em contexto social, essa arte une a população à mensagens moralísticas, no sentido da bondade. O humor também faz parte da arte e, por isso, diverte e faz rir. Todos os tipos de arte são capazes de trazer humor, desde o teatro, até uma letra musical. E embora o grafite não seja bem vista por alguns olhos, estão por todos os lados de grandes metrópoles.

De uma perspectiva mais antropológica, a arte é muitas vezes uma forma de transmitir idéias e conceitos sobre a posteridade numa linguagem universal (um pouco). Prova disto são músicas voltadas ao amor, e à questões políticas. Os livros também podem fazer críticar quanto a coisas ruins de uma determinada sociedade. Les Misérables, de Victor Hugo, narra a situação política e social francesa no período da Insurreição Democrática ou Revolução de 1830, em 5 de junho de 1832, no reinado de Luís Filipe I de França, através da história de Jean Valjean, o protagonista.

A interpretação da obra depende do observador da perspectiva e contexto. Portanto, inversamente a própria subjetividade da arte demonstra a sua importância no sentido de facilitar a troca e discussão de ideias rival, ou para prestar um contexto social em que diferentes grupos de pessoas possam reunir e misturardes

Museu Dalí reabre na Florida


O edifício custou 36 milhões de dólares (Steve Nesius/Reuters)




Foi inaugurado ontem em São Petersburgo, na Florida, o novo edifício do museu dedicado ao surrealista espanhol Salvador Dalí (1904-1989). A colecção do museu, segundo alguns especialistas a mais importante do pintor fora de Espanha, tem 2000 obras, entre as quais esculturas, esboços, gravuras, desenhos e 90 pinturas a óleo, que cobrem todas as fases da carreira do artista.

O actual edifício do Museu Dalí, que custou 36 milhões de dólares (cerca de 25 milhões de euros) e foi desenhado pela HOK, um colectivo de arquitectos liderado por Yann Weymouth, tem o dobro do tamanho do espaço anterior, que abriu ao público em 1982.

A infanta Cristina de Espanha, que esteve na inauguração, disse acreditar que a “cidade de São Petersburgo ganhou um marco de grande beleza cultural”. A colecção foi reunida por A. Reynolds e Eleanor Morse, de Cleveland, Ohio, a partir de 1942. Quarenta anos depois, quando o casal procurava um espaço para a expor, São Petersburgo propôs-se. De acordo com a Reuters, há muito que os responsáveis pelo Museu Dalí tentavam mudar a colecção para um novo edifício, maior e mais seguro. O espaço agora inaugurado tem ainda uma livraria, teatro, lojas e um café, e está preparado para receber 5000 visitantes por dia.

Segundo o “El Mundo”, o director do museu, Hank Hine, acredita que “o Museu Dalí é a jóia que simboliza o crescimento cultural da cidade” e que virá a dar-lhe um “impulso económico muito importante”. O jornal espanhol refere ainda que a inauguração começou com um desfile, que percorreu a curta distância que separa o antigo museu do novo. No museu podem agora ver-se quadros como “The Discovery of America by Christopher Columbus” (1958-1959), “The Disintegration of the Persistence of Memory” (1952-1954) e “Geopoliticus Child Watching the Birth of the New Man” (1943).

ARCO Madrid celebra 30 anos com participação de 190 galerias, 12 portuguesas

A Feira ARCO Madrid 2011 vai reunir em fevereiro 190 galerias, 12 portuguesas, terá a Rússia como país convidado, e uma exposição especial sobre o contributo de trinta anos "para criar o setor da arte contemporânea" em Espanha.

Carlos Urroz, diretor do certame espanhol, que decorrerá entre 16 e 20 de fevereiro, esteve hoje em Lisboa para apresentar a programação aos jornalistas e destacou que o modelo deste ano tem a particularidade de não colocar as galerias do país convidado concentradas num pavilhão.

"Pela primeira vez dispersamos as galerias pelo espaço da feira, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, porque achámos que faz sentido, dado que as obras apresentadas também são muito diferentes", justificou.

São galerias provenientes de mais de trinta países, com pintura, escultura, instalações, fotografia, vídeo, new media, desenho e gravura.

Questionado pela agência Lusa sobre as expetativas da edição deste ano, num quadro de crise económica, o diretor do certame no género mais importante da Península Ibérica respondeu que as feiras "ajudam a quebrar os ciclos negativos".

Para atrair o público em geral interessado em arte, os colecionadores, os museus e outras entidades do setor, a direção apostou numa programação especial com uma exposição de fotografia dos trinta anos da ARCO Madrid, com curadoria de Andrés Mengs.

"O mais importante - sublinhou - é mostrar o contributo da ARCO para a criação de todo um setor de produção e mercado de arte contemporânea em Espanha ao longo destas três décadas".

Outra parte importante do programa está centrada em conferências e debates especiais sobre os trinta anos do certame, um programa novo com jovens galerias europeias e ainda uma área dedicada à América Latina.

Na programação geral participam 117 galerias com conteúdos dedicados às vanguardas históricas, clássicos contemporâneos e a arte atual, somando-se a estas mais 35 galerias com propostas na secção ARCO 40, com a apresentação da obra recente de artistas.

Como novidade, neste espaço, vão estar as oito galerias russas que integram o Programa FOCUS Rússia, selecionadas por Daria Pyrkina, comissária da National Centre for Contemporary Arts e professora da Moscow State Lomonosov University.

De Portugal participam 12 galerias: Carlos Carvalho, Filomena Soares, Galeria 111, Lisboa 20/Miguel Nabinho, Pedro Cera, Cristina Guerra e Vera Cortés - de Lisboa - Quadrado Azul, Pedro Oliveira, Presença e Nuno Centeno/Reflexus - do Porto - e ainda Fonseca Macedo, de Ponta Delgada.

Está ainda prevista a presença de Sérgio Mah, curador da representação de Portugal na Bienal de Veneza de Arte 2011, que irá falar do projeto de Francisco Tropa, artista escolhido este ano.

Carlos Urroz disse à Lusa que a dimensão de visitantes portugueses no certame de Madrid ronda anualmente os 15 por cento, "um valor incrível" num universo de cerca de 150 mil visitantes, e destacou ainda que este ano "regressam algumas galerias portuguesas que tinham deixado de estar na ARCO".

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Lusa

A arte como espelho da dor e da tristeza no Haiti

Um ano após a tragédia no Haiti, a Arte espelha o sofrimento e a tristeza da população.

O pintor Carel Blain é especialista em retratos de crianças. A violência do terramoto e a miséria deixaram marcas nos rostos infantis.

“A maioria das crianças não tem onde viver. Está em tendas. E há uma mudança nas expressões. Se o governo e a comunidade internacional pudessem fazer algo pelo Haiti, isso provocaria uma mudança nos seus rostos”, diz o artista.

Em Porto Príncipe, o escultor André Eugéne criou um Museu de Arte.

O artista conta que antes do terramoto se inspirava na vida e no futuro. Agora, a morte encontra-se em todo o lado.

“Vou fazer uma grande escultura (com uma caveira)em frente ao meu estúdio, como um memorial do terremoto”, conta André Eugéne.

Há um ano, o Museu Nader, em Porto Príncipe, ficou sob os escombros. Mas o proprietário do espaço não baixou os braços. Escavou durante três meses, com a ajuda de 30 pessoas e encontrou milhares de pinturas.

Muitos obras estão em restauro num centro de conservação na capital. Especialistas norte-americanos dão formação aos artesãos locais.

“Quero preservar a cultura para que os meus filhos e netos possam conhecer o passado. É muito importante lembrar as coisas boas do Haiti, sublinha George Nader.

Há mais de dez mil pinturas a aguardar restauro. Um esforço para preservar a herança cultural do Haiti que deverá implicar vinte anos de trabalho.

Reconhecem os visitantes estrangeiros a arte da Malásia ?

A criatividade das obras de arte é reconhecida principalmente entre os cidadãos da Malásia, mas os visitantes estrangeiros admiram hoje a sua qualidade.

Durante uma feira profissional de pintura e escultura na Galeria Nacional de Artes, o Vice-Ministro da Informação, Comunicação e Cultura, Joseph Salang, revelou a venda de 60 obras nacionais, a maioria delas para turistas estrangeiros.

O centro mostra também o património arquitectónico da nação, tanto a arquitectura do passado quanto a contemporânea em uma cidade que se caracteriza pela cultura multi-étnica e diversificada.

Artistas da Malásia participam cada cinco anos na exposição que se realiza em Kassel, Alemanha.

Em outubro de 2010, Kuala Lumpur, organizou uma grande exposição internacional, que foi espaço de arte independente e suas contribuições para o ecossistema artístico e cultural do país.

Expo-2010, reuniu personalidades da arte a nível internacional e apresentou aos malaios exposições de artistas na sua maioria da América Latina.

Prensa Latina

Parceria entre Sotheby´s e The Ligthbox expõe uma série de esculturas e desenhos da autoria de artistas britânicos.

A Sotheby´s Internacional expõe, a partir de segunda-feira, 10 de Janeiro, uma série de esculturas e desenhos da autoria de artistas britânicos, parte integrante da Colecção Ingram, uma das mais representativas da arte britânica do século XX. A mostra estará patente até 21 de Janeiro, nas galerias da New Bond Street e resulta de uma parceria entre a Sotheby´s e a conceituada galeria de arte The Lightbox.

Em exposição estarão obras de artistas como Barbara Hepworth, Henry Moore, Elisabeth Frink, Kenneth Armitage e Eduardo Paolozzi. A acompanhar as esculturas e desenhos, estarão fotografias dos autores, tiradas por Jorge Lewinski que fotógrafa artistas desde os anos 60.

A Colecção Ingram é composta por mais de 300 peças e tem sido enriquecida ao longo da última década. Trata-se de uma mostra exemplar de algumas das melhores obras de artistas britânicos com destaque para o período pós-Segunda Guerra Mundial.

Morreu o pintor Malangatana



Malangatana foi nomeado em 1997 Artista Pela Paz da UNESCO
e recebeu a Medalha da Ordem do Infante D. Henrique

O pintor moçambicano, de 74 anos, estava internado há vários dias no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. O artista, que pintava pessoas e a vivência moçambicana, morreu esta madrugada, vítima de doença prolongada, refere a direcção do hospital. A morte de Malangantana é lamentada pela comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Além de pintor, Malangatana era um escultor, contador de histórias, dinamizador cultural, poeta e ator, que começou a dedicar-se às artes quando o arquiteto português Pancho Guedes lhe cedeu uma garagem para atelier.


Pancho Guedes tem patente uma mostra de obras africanas no Mercado Santa Clara, em Lisboa, onde constam obras do início do percurso de Malangatana. Também na Casa da Cerca, em Almada, está disponível até domingo uma exposição de desenhos e esculturas do moçambicano. O Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, é outro dos locais onde se expõem cinco obras do pintor.

Representado em várias coleções públicas e privadas, Malangatana expôs em conjunto ou em nome individual em Moçambique, África do Sul, Brasil, Dinamarca, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Portugal.



Mundo diplomático e artístico lamenta morte de Malangatana

A morte do moçambicano representa "uma perda muito grande para o mundo lusófono", comentou o secretário de Estado da Cultura. Elísio Summavielle considera que Malangatana era "uma figura universal na área das artes, com uma obra muito vasta" e um "grande homem e um resistente anti-colonial".


Já o secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) sublinha que Malangatana “ultrapassou as fronteiras de Moçambique e de África. Esta perda é irreparável", disse Domingos Simões Pereira.


Apontando o carisma do pintor moçambicano que "rapidamente se transformou numa verdadeira lenda viva", o secretário-executivo da CPLP destacou também a sua "grande dimensão humana". "Espero que a obra que ele deixa inspire outros a continuar e a manter esta dimensão", declarou.


Para a diretora da Casa da Cerca, cuja mostra de obras de Malangatana não poderá ser prolongada devido a compromissos assumidos anteriormente, a morte do pintor é uma "grande perda" para a cultura e para a humanidade.

A exposição de desenhos e pinturas de Malangatana está patente desde outubro e termina no próximo domingo.

Ana Isabel Ribeiro destaca que o artista e o cidadão Malangatana deixaram sempre que "as pessoas, as culturas e o ser humano nas suas alegrias e tristezas invadissem as suas telas".

"É uma alegria e também uma grande tristeza saber que somos talvez os únicos a expôr neste momento desenhos e pinturas do artista feitos propositadamente para esta mostra", referiu a diretora da Casa da Cerca. Recorda uma das últimas aparições em público de Malangatana, a 23 de outubro: “contou histórias, riu, brincou com amigos quando nesse dia participou numa conversa que antecipou a exposição dele e outra de José Forjaz".

Malangatana "cruzou e fez a simbiose entre a iconografia africana e o modernismo europeu", explica a diretora do Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian, cuja coleção integra cinco obras do pintor.

Isabel Carlos, que antes de assumir a direcção do CAM foi crítica de arte, aponta o forte caráter autoral da obra de Malangatana. Nas suas telas “o coletivo e as multidões são representadas" com rostos que são máscaras. "A obra tem uma identidade muito forte. Quando olhamos para uma obra do Malangatana, imediatamente dizemos que é Malangatana. Tem uma autoria fortíssima", sublinhou Isabel Carlos.

O crítico de arte Rui Mário Gonçalves, em declarações à Antena 1, destaca a importância da obra do pintor moçambicano, com a “sua tendência para a universalidade, mas sem perder a genuidade da própria origem”.

Lusa

Conceitos de Cultura

Ciências sociais - (latu sensu) é o aspecto da vida social que se relaciona com a produção do saber, arte, folclore, mitologia, costumes, etc., bem como à sua perpetuação pela transmissão de uma geração à outra.

Sociologia - o conceito de cultura tem um sentido diferente do senso comum. Sintetizando simboliza tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença. Na sociologia não existem culturas superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é relativa, designando-se em sociologia por relativismo cultural, isto é a cultura do Brasil não é igual à cultura portuguesa, por exemplo: diferem na maneira de se vestirem, na maneira de agirem, têm crenças, valores e normas diferentes... isto é têm padrões culturais distintos.

Filosofia - cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural. Por seu turno, em biologia uma cultura é normalmente uma criação especial de organismos (em geral microscópicos) para fins determinados (por exemplo: estudo de modos de vida bacterianos, estudos microecológicos, etc.). No dia-a-dia das sociedades civilizadas (especialmente a sociedade ocidental) e no vulgo costuma ser associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores, superiores, ou seja, erudição, este sentido normalmente se associa ao que é também descrito como “alta cultura”, e é empregado apenas no singular (não existem culturas, apenas uma cultura ideal, à qual os homens indistintamente devem se enquadrar). Dentro do contexto da filosofia, a cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos humanos. Cultura é informação, isto é, um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros. A cultura é o resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas ao longo da história. Cultura é criação. O homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam. A cultura é um fator de humanização. O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos.

Antropologia - esta ciência entende a cultura como o totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.

O uso de abstração é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, em seus símbolos tais como padrões artísticos e mitos. Entretanto fala-se também em cultura material (por analogia a cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc.). Essa forma de cultura (material) é preservada no tempo com mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é extremamente frágil. A principal característica da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem não precisou, por exemplo, desenvolver longa pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptou-se com o uso de roupas, do fogo e de habitações. A evolução cultural é mais rápida do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução biológica, o homem torna-se dependente da cultura, pois esta age em substituição a elementos que constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos (por exemplo, a supressão de um aspecto da cultura) causaria o mesmo efeito de uma amputação ou defeito físico, talvez ainda pior.

Além disso a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.

FELIZ OLHAR NOVO !!! 2011

NASCEU 2011, o grande triunfo da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem. 2011 foi um ano cheio.

Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. Às vezes se espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal. 2011 não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança? O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos. Ou mude de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém. O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE. Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial. 2011 pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. 2011 pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!! Feliz olhar novo!!! Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!" Muita paz, saúde, amor, dinheiro e principalmente felicidade...

FELIZ ANO NOVO A TODOS!!!

Polícia espanhola divulgou imagens dos 12 quadros mais procurados

"Auvers Sur Oise", de Cézanne (DR)

A polícia espanhola difundiu as imagens dos 12 quadros mais procurados. São obras de Picasso, Matisse, Rembrandt, Velázquez, Van Gogh, Cézanne ou Sorolla que foram roubadas de vários museus nos últimos 20 anos.

As duas obras mais procuradas são Le pigeon aux petit pois de Pablo Picasso e Pastoral de Henri Matisse, revela o El País. Ambas desapareceram do Museu de Arte Moderna de Paris em Maio deste ano em conjunto com quatro outros quadros. Os quadros El Santero de la Cofradía, de Joaquín Sorolla, e o quadro Lady with a Hat, de Henri Toulouse Lautrec, também foram roubados este ano.

Há pinturas que já desapareceram há mais de vinte anos. A Brigada de Património Histórico, responsável por estas investigações, ainda não desistiu de encontrar quatro pinturas que foram roubadas do Palácio Real de Madrid: Dama desconocida e Mano de Diego Velásquez, San Carlos Borromeu de Bayeau e Retrato de dama de Juan Carreno de Miranda.

Apesar da dificuldade de se saber o valor de cada quadro no mercado negro, sabe-se que estas obras alcançam preços exorbitantes. O óleo de Paul Cézanne Auvers Sur Oise pode atingir os 4,8 milhões de euros. O quadro foi roubado em 2000, do museu de Ashmolean de Oxford, no Reino Unido. No final da década de 1990 roubaram dez obras-primas do museu Gardner de Boston, nos Estados Unidos, no valor de 250 milhões de euros. Uma das obras foi de Rembrandt, Storm on the sea of Galilee, de 1663.

O pintor holandês Van Gogh também está na lista com dois quadros Brooms and Red Poppies, que estava no Egipto, no museu de Giza e View of the Sea at Scheveningen, roubado em 2002 do museu Van Gogh, em Amsterdão.

A polícia espanhola colocou um vídeo no Youtube onde mostra os vários quadros. A investigação do paradeiro destes quadros é feita com a ajuda do programa informático Dulcinea, que tem informação sobre mais de oito mil pinturas, esculturas, telas e peças arqueológicas que foram roubadas

Colecionador de arte Roy Neuberger morre aos 107 anos

O financista de Wall Street e colecionador de arte contemporânea Roy Neuberger morreu em Manhattan aos 107 anos de idade, informou neste sábado (25) o jornal The New York Times.
 
Neuberger, cofundador da companhia de investimentos Neuberger Berman, morreu na sexta-feira em seu apartamento no Hotel Pierre, em Nova York, confirmou seu neto, Matthew London.
 
Grande amante da arte, criou em 1974 o Neuberger Museum of Art, no norte de Nova York, onde são expostas centenas de pinturas e esculturas de artistas como Milton Avery, Georgia O'Keeffe, Edward Hopper, Willem de Kooning e Jackson Pollock, entre outros. Desde então, sua coleção se estendeu pelos EUA e pôde ser contemplada em mais de 70 instituições de 24 estados.
 
Nascido em Bidgeport, Conneticut, em 1903, Neuberger era considerado um dos principais colecionadores de arte contemporânea e, em 2007, recebeu a Medalha Nacional das Artes dos EUA.
 
Após estudar arte um ano na universidade de Nova York, se lançou ao mundo dos negócios. Segundo escrito em sua autobiografia, publicada em 1997, sentiu que "poderia aprender muito mais no mundo dos negócios".
 
Em 1939, fundou a Neuberger Berman com seu sócio Robert Berman, uma das firmas de investimento mais bem-sucedidas de Nova York. Neuberger foi um dos poucos financistas que viveram três crises em Wall Street, a de 1929, a de 1987 e a de 2008.

Entrevista com GIJS BAKKER | á maneira flamenca

Desenhou jóias nos anos 60, roupa em 70, mobiliário em 80. Em 90 fundou a carismática droog e fecha 2010 apresentando ao mundo o melhor que taiwan tem para oferecer. Espere: o melhor de Gijs Bakker ainda está para vir.

Como entrou no mundo da moda nos anos 60?
Não lhe chamaria moda. Na altura trabalhava em joalharia, de uma forma muito experimental. Jóias, roupa e objectos são familiares muito próximos entre si. Em 70 pareceu-nos – a mim e à minha falecida mulher – um passo lógico usar em roupas os mesmos conceitos que tínhamos desenvolvido para as jóias.

Porque fundou a Droog?
No fim dos anos 80, princípio de 90, o clima para jovens designers era muito difícil na Holanda. A indústria tinha fugido para países com produção mais barata, como Portugal, e não havia uma plataforma de trabalho. A Droog surgiu instruindo os jovens designers a mostrar o seu produto como peças de alto artesanato, e apresentá-lo em protótipo, sem esperar que a indústria viesse até eles. No início de 90, o Salão de Milão tornava-se cada vez mais um ponto privilegiado de contacto entre designers, produtores e compradores, e por isto era lógico levarmos os nossos talentos até lá, onde estava o poder internacional e comercial.

Porque abandonou a Droog?
É como um casamento: ao fim de 15 anos, por vezes, cansamo-nos. O atelier tornou-se cada vez mais comercial. Eu gosto de explorar novas direcções no design, tem sido sempre o meu desígnio, o meu desejo, a minha vida. Deixou de ter interesse para mim.

Como começou esta nova aventura com a YII?
Estive pela primeira vez em Taiwan em 2006, para executar um projecto para o Museu do Palácio Nacional. O Taiwan Craft Research Institute pediu-me ajuda para encontrar uma identidade unificadora para a fantástica produção artesanal, secular e tradicional, treinada nos adornos dos templos budistas que abundam em Taiwan. A ideia foi pegar nestes artesãos e nesta arte e dar-lhes um novo significado.

O que gostaria de desenhar a seguir?
Uma cadeira de escritório que verdadeiramente juntasse na mesma peça beleza e conforto.

Para onde adivinha que o design vai num futuro próximo?
Em 10, no máximo 15 anos, tenho a certeza que todos nós teremos em casa uma impressora 3D, ou seja, um dispositivo que permitirá executar uma peça real a partir de um desenho. Se der um jantar, desenha os pratos, os talheres e as cadeiras, carrega num botão e terá na sua impressora 3D os objectos como os idealizou. No fim da festa, entram num recipiente de reciclagem e a massa é usada para produzir novos objectos. Não está assim tão longe.


1. SHOULDER PIECE, colar, desenho de 1967, alumínio anodizado a verde e púrpura. 2. e 3. EXEMPLOS da aventura de Gijs em Taiwan, como director criativo da YII. Os objectos partem da produção da Ikea e graças à perícia dos artesãos e à sábia condução de Gijs transformam-se em peças de arte.

GIJS BAKKER, EM PRIVADO

Quais são os essenciais numa casa sua?
A minha casa está cheia de essenciais. Protótipos, produtos de colegas, mas talvez tenha um mais essencial que os outros: um conjunto de jardim do escultor britânico Tony Craig.

E o que nunca lá entra?
Muitas coisas, mas talvez destaque um jacuzzi – nunca ninguém desenhou um bonito. Prefiro nadar no mar.

João Galvão | máxima interiores

Exposição revela cantradições na biografia de Napoleão Bonaparte

Alguns o consideram um herói político, outros acreditam que fosse, acima de tudo, um guerreiro desumano. Mostra em Bonn trata dos ambíguos aspectos desse personagem histórico.

São quase 400 peças, divididas em 12 capítulos – pinturas de grande formato, esculturas, desenhos, documentos, medalhas, armas, móveis, ferramentas: peças emprestadas de instituições de 17 países. Além disso, o visitante tem à sua disposição um material adicional de 40 páginas e um pesado catálogo de 400 páginas.

O peso da exposição Europa, Traum und Trauma (Europa, sonho e trauma), no museu Bundeskunsthalle de Bonn, faz jus à relevância de seu tema: Napoleão Bonaparte e seu regime, os efeitos de sua política e as formas como esta foi abordada pela arte.

"Estado moderno e eficiente"

A mostra oferece um amplo panorama entre a guerra e a arte, o militarismo e a modernidade, o Iluminismo e a propaganda. Ela é fruto de um projeto franco-alemão, que tem como patronos a premiê alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy.

O império de Napoleão, aprendemos na exposição, é considerado um exemplo clássico de um Estado moderno e eficiente, no qual o progresso técnico exercia um papel importante: infraestrutura, construção de estradas, correios e telegrafia atingiam naquela época um novo estágio de desenvolvimento.

Mas Napoleão, acima de tudo, outorgou o Código Civil dos Franceses (Code Civil des Français), primeiro compêndio legal estabelecido e respeitado em uma nação, válido até hoje na França e exemplo para Constituições de diversos outros países. Este é um lado da moeda.

Europa: campo de batalha

O outro lado, hediondo, mostra Napoleão como defensor de um Estado policial, um soberano do medo, cuja máquina militar semeou a guerra e a destruição por toda a Europa.

Seu sonho de dominar o mundo custou a vida de 3 milhões de europeus, e 10 milhões ficaram feridos nos campos de batalha e nos países destruídos. Essa é a experiência coletiva de toda uma geração, diz Bénédicte Savoy, curadora da mostra. "Guerra, extermínio, medo, frio, ferimentos, essa é a herança europeia, uma lembrança comum, que queremos mostrar aqui de qualquer forma", completa.

Napoleão, com sua máquina militar, a Grande Armée, passou por cima de toda a Europa. Para a invasão da Rússia, em 1812, ele reuniu o maior Exército que a Europa vira até então, formado por 600 mil homens. A maioria morreu, apenas poucos voltaram do gélido inverno russo. O número de vítimas foi tamanho que até no ano de 2002 foram descobertas, nos arredores de Vilnius, capital da Lituânia, valas comuns com cadáveres dos tempos napoleônicos.

Na exposição em Bonn, há imagens contemporâneas que documentam a guerra e a morte, bem como o sofrimento nos campos de batalha e nos hospitais de guerra, além de mostras da retirada deprimente de um Exército abatido, desenhos médicos de feridas horrendas, malas com utensílios para amputação de órgãos, próteses e instrumentos cirúrgicos, que deixam entrever parte do que foi o horror nos campos de batalha.

Roubo da memória cultural

Por outro lado, Napoleão era um incentivador das artes, um mecenas que instrumentalizava sem pudores os artistas em prol do culto à própria personalidade, fazendo com que esses cultivassem sua imagem em pinturas de grande formato.

Paris só pôde se transformar, no início do século 19, em uma meca das artes e da ciência devido à extensa apropriação de objetos oriundos de bibliotecas, arquivos e coleções de arte: estátuas de Roma, pinturas de Viena, caixas cheias de livros de Berlim, obras de arte valiosas tomadas de igrejas e mosteiros – troféus confiscados e meticulosamente listados por comissões a serviço de Napoleão, enviados a Paris como carga, em nome da fama do imperador e general.

Gravuras, pinturas e documentos servem de testemunho de tudo isso na exposição. Bénédicte Savoy explica: "A ideia era transformar Paris em um lugar central da memória, que deveria congregar todos os arquivos da Europa. O plano era também criar uma espécie de museu universal, suprir as lacunas já existentes nas coleções e torná-las as maiores e mais belas". A restituição das peças a seus países de origem foi um processo difícil, salienta a curadora.

Fascínio Bonaparte

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: 'Terminator Napoleon', bronze de Jonathan Meese (2006)

Napoleão fascinou muitos de seus contemporâneos, entre o quais Friedrich Hölderlin, Ludwig van Beethoven, Alexander von Humboldt e Friedrich Hegel. Eles eram representantes de uma geração "eletrizada" por Bonaparte, diz Bénédicte Savoy.

A fascinação persiste até hoje: no fim da mostra, há uma escultura intitulada Terminator Napoleon, de Jonathan Meese. O irreverente artista plástico alemão concebeu uma mistura fetiches arcaicos, personagens de quadrinhos e um monstro fortemente armado, com um pênis gigante.

Cornelia Rabitz

Brasil marca forte presença na Art Basel Miami Beach

Respeitadas galerias e artistas latino-americanos se encontram a partir de quinta-feira na Art Basel Miami Beach, a maior mostra de arte contemporânea dos Estados Unidos, onde o Brasil é o país da região com maior presença do evento, com 11 galerias.

Nara Roesler, dona da galeria de mesmo nome em São Paulo, disse que "o bom momento econômico que o Brasil atravessa permite aos artistas sair e se mostrar internacionalmente".

"Para vender arte é preciso procurar quem a compre porque os grandes colecionadores não vão ao Brasil, vêm a locais como este", comentou.

Com a economia global atravessando um mau momento, muitos investidores veem na crise uma oportunidade para a compra de arte a preços melhores.

Jorge Mara, da galeria Mara La Ruche, de Buenos Aires, disse que este ano oferece "opções para todos os bolsos" e acredita que muitos colecionadores que estão mais retraídos pela crise encontram na arte latino-americana "uma opção muito boa pela escelente relação preço-qualidade".

Espera-se que 40.000 pessoas visitem a exposição, que se celebra até domingo e conta com representantes de 29 países que levarão suas obras a vários pontos da cidade, anunciaram os organizadores esta quarta-feira na abertura para a imprensa e colecionadores VIP.

A exposição monumental tem seu núcleo no Centro de Convenções de Miami Beach onde, em diferentes espaços, se expõem pinturas, desenhos, esculturas, instalações, fotografia e vídeos.

Mas estará presente em outras partes de Miami Beach com programas como o Oceanfront Night (um espaço aberto em frente à praia), no qual este ano se representa a arte - cinema, músia, vídeo e outras modalidades - de quatro cidades, entre elas a Cidade do México.

Além disso, esculturas e instalações de muitos artistas internacionais são expostos em parques e espaços públicos, no programa Art Public, com curadoria do mexicano Patrick Charpenel.

No total, 20 galerias latino-americanas foram selecionadas para participar da exposição, que reúne um total de 200 companhias expoentes, a metade delas dos Estados Unidos e grande parte, europeias.

Obras de Salvador Dalí, Joan Miró, Man Ray, Andy Warhol, Henri Matisse, Pablo Picasso e Le Corbusier, entre centenas de outros, se misturam com nomes latino-americanos consagrados, como Jesús Soto, Joaquín Torres García e figuras emergentes.

A mostra, caracterizada pela oferta de alto nível artístico e grande volume de negócios, oferece obras de museu dos mestres internacionais, avaliadas em milhões de dólares, mas também pelas de artistas novos a preços acessíveis de centenas de dólares.

Moda é arte! Ou, moda não é arte!

Vestimos moda ou arte, ou a moda só pode ser vista em galerias ou museus para se conceituar enquanto arte? Interatividade e identidade deverão ser os desafios para esta grande costura entre o pespontar da arte com a escultura da moda.

Por que esta questão é tão debatida e polêmica dentro deste território? E, no entanto, estas colocações passam ao mesmo tempo despercebidas frente a uma sociedade compulsiva de informações, onde muitas vezes não temos a percepção do que é arte e do que é moda dentro de uma reflexão contemporânea. E aí vem a pergunta: Moda é Arte? Se falarmos das seis belas artes que consistem em Música, Dança, Pintura, Escultura, Poesia (Literatura) e Teatro, realmente a moda não se encaixa. E muito menos nas noções medievais e as chamadas artes liberais, que se dividiam em Trívio (Gramática, Retórica e Dialética) e Quatrívio (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música). Contudo, mediante estas linguagens, podemos perceber que a Moda foi uma manifestação típica da passagem da Idade Média para a Idade Moderna que traz como trajetória uma capacidade híbrida de multiplicação.

Híbrida porque, mesmo sendo em princípio um produto artesanal, tem na sua forma o molde como reprodução enquanto desdobramento histórico. E ao lado das manifestações modernas como o Cinema, a Fotografia, o Design, ela tem como projeção a capacidade de reprodutibilidade técnica industrial. Daí iniciou-se um olhar preconceituoso no qual essas manifestações eram desconsideradas artisticamente porque, na visão tradicional da arte, o objeto deve ser único e perene. Com a chegada dos séculos 19 e 20, temos o advento da subjetividade, que passa a conceber um olhar de quebra de hierarquias no conceito de arte. Na belíssima obra O Belo na Arte, Friedrich Hegel (1770-1831) cita: "Temos na arte um particular modo de manifestação do espírito, dizemos que a arte é uma das formas de manifestação porque o espírito, para se realizar, pode servir-se de múltiplas formas".

Daí pode entrar neste território temático a pergunta: Então moda é uma forma de arte? No começo do século 20, quando as imagens cinematográficas produziam proezas estéticas, era um absurdo pensar que o Cinema era Arte e hoje todos o conclamam como a sétima arte. A grande tarefa para este debate é pôr os objetos da moda no centro de uma pesquisa estética, sociológica e histórica para encontrar pressupostos que distanciem da banalidade em que a sociedade de consumo se mantém. Vestimos moda ou arte, ou a moda só pode ser vista em galerias ou museus para se conceituar enquanto arte? É notório no envolvimento das questões a dificuldade de sabermos se moda tem em sua essência os códigos que remete a arte ou a própria arte já não precisa de códigos para apontar o que é arte.

Com estas inquietações seja no mundo acadêmico, ou no mercado, na indústria, devemos propor uma análise que seria possível tomar estas questões no instante de uma sociedade que tenta esmagar e modular tudo como esquecimento a seguinte pergunta: O que é moda enquanto produção de arte e arte enquanto produção de moda? Interatividade e identidade deverão ser os desafios para esta grande costura entre o pespontar da arte com a escultura da moda; na própria existência nossa de cada dia contemplando a beleza humana.

Museu do Caramulo

Dois irmãos, Abel e João de Lacerda, fundam nos anos cinquenta, um invulgar museu, numa pequena povoação chamada Caramulo, situada numa montanha no centro de Portugal, com luxuriante vegetação, virada a Sul, sobre um vale extenso de 80 Km: o mais vasto panorama do país.

Abel de Lacerda, apaixonado pela arte, constrói um edifício, com os mais modernos conceitos de museologia, para expor uma invulgar colecção de objectos de arte constituída por 500 peças de pintura, escultura, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, que vão da era Romana até Picasso.

João de Lacerda, apaixonado por automóveis, constrói outro edifício anexo ao primeiro, vocacionado para expor 100 automóveis e motos, dentro do princípio de que todos os veículos pudessem sair facilmente, para exibição e conservação.

Com a morte prematura de Abel de Lacerda em 1957, criou-se a Fundação Abel de Lacerda - hoje Fundação Abel e João de Lacerda - proprietária dos dois museus de Arte e Automóveis, abertos ao público todo o ano. Mais de 1 milhão de visitantes entraram neste meio século, no Museu do Caramulo.

Photography Luis Costa