MoMA, um templo para contemplação de obras-primas da arte moderna


'A persistência da memória', de Dalí, uma das atrações da coleção do museu americano
'A persistência da memória', de Dalí, uma das atrações
 da coleção do museu americano
O Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque é um verdadeiro templo de devoção às obras-primas modernas. Há 82 anos, o MoMA acolhe importantes pinturas do mundo inteiro e, hoje, possui a melhor e mais completa coleção de arte dos séculos 19 a 21.

São cerca de 150 mil peças entre pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, objetos decorativos e maquetes.
Fica difícil até imaginar que o MoMA, o primeiro museu a dedicar toda sua coleção ao movimento modernista, deu o seu pontapé inicial com uma doação de oito gravuras e um desenho, e depois tornou-se o mais famoso museu de arte moderna do mundo.
No Brasil

Temos no Rio nosso belo Museu de Arte Moderna,arquitetura de Reidy, fundado por Niomar Moniz Sodré Bittencourt, e por trabalho dela teve acrescido seu acervo com obras importantes de artistas nacionais e estrangeiros. A Escola de Paris com sua produção de início e meados do séc XX estava toda presente no valioso acervo do MAM. Artistas como Lazzarini, Ivan Serpa e Aluizio Carvão ministravam cursos de alto nível.

O MAM foi um movimentado centro cultural, a nível internacional, com belas e bem montadas exposições, como a do Expressionismo Alemão. Alem disso era local de debates, congressos sobre arte,performances, manifestações artísticas mixtas, educação artística,fantástica cinemateca, e ponto de encontro entre diretores do então Cinema Novo, artistas, jornalistas. O Debate Cultural estava ainda vivo, otimista e amigavel, apesar da repressão da ditadura.

O MAM foi ainda um centro cultural,local de debates e palestras, congressos,que reuniu artistas, diretores do então Cinema Novo, jornalistas. E sobretudo exposições internacionais fantásticas. Antonio Bandeira, Cacá Diegues, Patrick Caulfield, Alexander Calder, Juscelino Kubitschek, e até Leo Castelli andaram pelo MAM...Ainda garota vi alí uma exposição de Arcâgelo Ianelli que me deixou maravilhada, pelo requinte técnico. E contemporãneo, embora no histórico período moderno. Ele até poderia, no começo ter tido alguma influência de Rothko, porem a técnica dele sempre foi muito OUTRA.

Agora, creio ser muito impórtante apresentar produções dos anos 50 e 60 da arte brasileira,pois esta foi uma produção que alem de seu contexto histórico,aliado à indústria, design (a Cadeira Mole de Sérgio Rodrigues)tem a marca estética de uma época. Mas ninguem quase conhece esta fantástica produção. É hora de INFORMAR os mais jóvens! E somos tão poucos artistas!.. Salvem a memória e a nossa valiosa identidade cultural!

Evany Fanzeres  

O fado nas artes plásticas nacionais

Intitulada “Ecos do Fado na Arte Portuguesa XIX-XXI”, a exposição estará patente até Setembro na Sala do Risco no Pátio da Galé, à Praça do Comércio, em Lisboa.

“O fado também influenciou outras artes” e da pintura à gravura, passando pelo desenho e pela escultura, esta exposição “mostra o enraizamento do fado no território e que sempre foi objecto de fascínio dos artistas”, disse Sara Pereira, directora do Museu do Fado e comissária da exposição.

“A mostra documenta a história do fado à luz da sua representação e do seu enraizamento na cultura portuguesa, em termos locais e nacionais, mesmo os que em paralelo com a literatura demonstraram algum antagonismo relativamente ao fado, como é exemplo a tela 'Anti-fadismo', de Cândido da Costa Pinto”, disse a responsável.

Sara Pereira sublinhou que “artistas com diferentes constrangimentos ideológicos simbólicos ou estéticos incansavelmente têm representado o fado”.

Segundo a investigadora, a entrada oficial do fado no domínio das artes plásticas é marcada pela apresentação, em 1910, do quadro “O Fado”, de José Malhoa.

“Nesta mostra apresentam-se estudos da obra de Malhoa, uma primeira versão de ‘O Fado’, de 1909, muito semelhando à versão conhecida de 1910. Serão também expostos estudos para a mesma obra de 1908 onde é possível perceber uma terceira figura feminina, muito provavelmente uma alcoviteira”, contou.

Sara Pereira referiu ainda que existem obras que documentam a guitarra portuguesa no século XIX, quer em representações extraídas da literatura de viajantes, quer de outras representações "de carácter mais etnográfico".

A responsável citou, entre outros, o quadro “O Marujo”, de José Maia, “A Festa na Aldeia”, de Leonel Marques Pereira, e os desenhos de Columbano Bordalo Pinheiro representando guitarristas, todos da segunda metade do século XIX.

Na Sala do Risco estarão patentes cerca de 90 peças, entre elas inéditos de Júlio Pomar, “um deles em que retrata Fernando Pessoa e Alfredo Marceneiro em conversa”, contou.

Há obras assinadas por Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Raquel Roque Gameiro, caricaturas de João Abel Manta, o retrato de Amália Rodrigues por Leonel Moura, o "Coração Independente", de Joana Vasconcelos, e a interpretação de João Vieira do emblemático quadro de Malhoa.

A mostra abre com a peça de João Pedro Vale, “Barco Negro”, que “remete para as mitológicas origens marítimas do fado”, disse Sara Pereira.

(IB)

Mostra com as obras do génio da pintura

Mostra com as obras do génio da pintura e escultura fica no Instituto Ricardo Brennand até o dia 4 de setembro.

Uma tarde de encantamento para as pessoas que foram na abertura da exposição ‘A beleza na escultura de Michelângelo’, no Instituto Ricardo Brennand (IRB), nesta quarta-feira (06), no Recife. Para muitos, foi uma chance única de ver na capital pernambucana as obras de um gênio da pintura e escultura.

Crianças de escolas públicas, gente interessada em história da arte, visitantes de diversas as idades e uma mesma sensação de encantamento compartilhada por todos. “É impressionante a riqueza dos detalhes, nariz, da configuração física das estátuas”, resumiu o engenheiro Carlos Gesteira,

A exposição foi exibida em São Paulo e no Espírito Santo e, pela primeira vez, é apresentada no Recife. A mostra reúne, ao todo, 25 esculturas. De Michelângelo são nove obras, réplicas perfeitas esculpidas em gesso, e mais seis desenhos originais.

O visitante vai poder conhecer também trabalhos de artistas que viveram antes do gênio italiano. Além de ver como ele influenciou, de modo marcante e decisivo, as gerações que vieram depois. Michelângelo morreu aos 79 anos, em 1564. Quase 450 anos depois, o talento dele permanece atual e continua impressionado olhos do mundo inteiro.

“Ele é o autor da Capela Sistina, autor do Davi de Florença, autor do painel do Juízo Final, então, o que você puder imaginar de grandiosidade em escultura e pintura do século XVI você tem que ir a Michelângelo”, explicou Leonardo Dantas Silva, coordenador de documentação e pesquisa do IRB.

A exposição fica em cartaz no Instituto Ricardo Brennand, no bairro da Várzea, até o dia 04 de setembro, de terça à sexta, das 13h às 17h. O ingresso custa R$ 15 inteira e R$ 5 a meia-entrada.

Mostra coletiva entra em cartaz no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça

Pintar não é pecado nem demodé. Muita gente gosta e faz. E já ficou velho falar em morte da pintura. Parece que a técnica está sempre à beira do abismo, o que é bom motivo para ser sempre salva, recuperada, reabilitada e arrancada da depressão. A mostra Pintura reprojetada é uma tentativa feliz de um desses resgates. O curador carioca Marcus Lontra foi buscar no modernismo as referências para montar a exposição que inaugura hoje no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. A pintura funciona como tema ou técnica na prática de Alvaro Seixas, Flávia Metzler, Hugo Houayek, Lucia Laguna e Rafael Alonso.

Lontra classifica os artistas como destemidos por não hesitarem em trabalhar com referências modernistas. "Sempre me interessou investigar qual o limite tênue entre o modernismo e a contemporaneidade. Esses artistas representam um tipo de olhar muito importante que é a retomada sem culpa da herança modernista", explica o curador. "A gente tem tendência em achar que o contemporâneo é deixar tudo para trás e fazer uma coisa nova. Isso também é contemporâneo, mas se apropriar de determinados referências que também fizeram nossa história é tão contemporâneo quanto qualquer outra coisa."

Lucia Laguna, uma carioca cujo trabalho ganhou projeção nos últimos cinco anos, admite ser uma herdeira do movimento modernista, embora nem sempre soubesse disso. A artista começou a pintar aos 54 anos, depois de se aposentar como professora. Descobriu que podia traduzir para a tela a arquitetura precária do Morro da Mangueira que visualizava todo dia da janela do apartamento no Rio de Janeiro. Os elementos construtivos tomaram forma em pinturas cuidadosamente desorganizadas, uma matemática muito precisa e espontânea que Lucia, hoje com 70, cultiva há anos. "A questão urbana e construtiva virou um tema. O que me fez tomar esse caminho é o fato de morar bem em frente ao morro. Fui passando um crivo e trazendo para a questão da pintura", avisa.

Para Hugo Houayek o questionamento pode ir além da combinação entre tinta e pincel. O trabalho desse carioca é uma possibilidade de pintura. Com plásticos coloridos, espumas e objetos do cotidiano ele monta as obras que ficam no limite entre a instalação e a escultura. "Minha pesquisa é elaborada pensando o campo pictórico como se fosse um território. Assim, começo a pesquisar as fronteiras da pintura com a escultura, com a instalação, com o cinema. Fico na área de confronto tentando entender onde acaba a pintura", explica. A intenção é enfrentar a rigidez de conceitos modernistas que delimitam as fronteiras da técnica. Materiais alheios à pintura aparecem ainda nas paisagens de Rafael Alonso. Eventualmente, as tintas estão presentes, mas o artista gosta de acrescentar linhas e fitas e criar uma certa ironia na junção de materiais.

Já Flávia Metzler não explora conceitos, mas significados. A artista - única figurativa da exposição - parte de uma brincadeira. No Google, ela faz uma busca de imagens para expressões filosóficas e referentes à história da arte. Se a pesquisa resulta em objetos, Flávia os pinta. "Tento estabelecer relações entre significantes e significados", avisa. "É uma tentativa de estabelecer novas relações, como criar novos códigos. E a pintura é o que estabeleci desde o início." A figuração de Flávia é o contrário da total abstração de Álvaro, que faz alusão à iconografia modernista ao propor um grafismo meio pop.

Papa inaugura exposição com obras de artistas contemporâneos

O Papa Bento XVI inaugurou nesta segunda-feira no Vaticano uma exposição com obras de 60 artistas contemporâneos que tentam combinar inspiração religiosa e arte contemporânea através de uma "linguagem intensa e articulada", segundo palavras do Sumo Pontífice.

"A caridade transforma a vida numa obra-prima e todo homem em um artista extraordinário", afirmou ainda.

A exposição, sob o título "Esplendor da verdade, a beleza da verdade", exibe esculturas, pinturas, partituras de músicos e textos de escritores.

A maioria dos artistas é de europeus, principalmente italianos.

Três célebres arquitetos, o brasileiro Oscar Niemeyer, o suíço Mario Botta e o italiano Renzo Piano participam na exposição.

Niemeyer, de 104 anos, participa no projeto de um campanário para uma igreja de Belo Horizonte.

Bellas Artes do México comemora 65º aniversário com mostra

A exibição foi inaugurada nesta segunda-feira (4)
pelo presidente do México, Felipe Calderón


O Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA) comemora 65 anos na Cidade do México com uma exposição que percorre o melhor de seu acervo, que inclui obras de Frida Kahlo, Rufino Tamayo e Saturnino Herrán.

A mostra Alicerces. 65 anos do INBA: Legados, doações e aquisições estará exposta até o dia 21 de agosto e é integrada por 254 peças de 97 artistas mexicanos e estrangeiros produzidas desde o século XVII.

A exibição, que será inaugurada nesta noite de segunda-feira (4) pelo presidente do México, Felipe Calderón, conta com pinturas, esculturas, desenhos, instalações, vídeos e estamparias, artesanato, gravuras, aquarelas e fotografias.

Ana Garduño, curadora da mostra, disse à Agência Efe que esta revisão dos acervos do INBA oferecerá uma reflexão em torno da formação do patrimônio artístico do México e no papel do Estado frente à arte e a cultura. "O INBA, desde sua criação (1946), adquiriu a responsabilidade de enriquecer e proteger os bens culturais do México e esse compromisso continua até hoje presente nesta exposição", assegurou a também doutora em arte.

As obras de artistas mexicanos como Manuel Felguérez, Francisco Zúñiga, Francisco Toledo, Frida Kahlo e Rufino Tamayo estão presentes na exposição junto ao belga Francis Alÿs, o espanhol Francisco Clapera e o alemão Wolfgang Tillmans. No total, 65% das peças expostas foram adquiridas em 2010 com recursos aprovados pelo Congresso do México após uma gestão realizada pela presidente do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes (Conaculta), Consuelo Sáizar.

O investimento de US$ 8,6 milhões permitiu a aquisição de 2,2 mil peças que incluem criações de José Guadalupe Posada, Ricardo Pérez Escamilla e Xavier Villaurrutia.

Pedro Cabrita Reis: um gato à caça

Com uma toalha branca enrolada ao pescoço e uma garrafa de água na mão, Pedro Cabrita Reis circulava, trocava opiniões e dava instruções na passada terça-feira no espaço em montagem de ‘One after another, a few silent steps’. A grande retrospectiva, com cerca de 300 obras, ocupará, de forma inédita, todo o grande hall, no piso zero, do Museu Colecção Berardo (MCB).

Ele é uma figura central da arte portuguesa contemporânea. «Não tenho dúvidas que é um dos grandes artistas do nosso tempo», disse Jean-François Chougnet, o director do MCB que planeou e não assistiu (deixou o cargo em Abril) a este que é um grand finale para o seu mandato.

‘A minha escola sou eu’

Há um mistério que envolve Cabrita Reis, que vive semi-recluso dos circuitos, ausente dos cocktails, mas com uma presença subliminar e irradiante. Como uma Garbo. Ele é, como diz o chavão, incontornável. E carismático. Diz não se sentir incluído num movimento estético e pode dizê-lo, sem que haja vaidade pessoal envolvida nisso:«A minha escola sou eu». Aceita , porém, que outros estabeleçam ‘pontes’ e o metam em ‘correntes’.

A partir de segunda-feira, e até dia 2 de Outubro, esta obra única – apesar de tudo muito mal conhecida do público em geral («o que quer que isso queira dizer»), e até muitas vezes dada como exemplo de produtos de idiossincrasias de artista – está, agora, à mostra de todos.

A retrospectiva percorreu um périplo europeu de quase um ano (Hamburgo, Nîmes, e Lovaina) até aterrar aqui. As exposições tiveram montagens diferentes. A de Lisboa é a maior, com duas peças feitas de propósito, e exibe a obra do artista com grande generosidade, refira-se. Embora as suas peças de grande escala, quase do domínio da arquitectura (aliás, mais da arquitectura pobre, inacabada, rude, em reboco), não caibam no espaço de síntese de um museu.

«Apesar de tudo eu tenho um percurso maioritariamente fora de Portugal. A ideia desta retrospectiva é informar as pessoas deste tempo que foi passando, com várias obras que vieram do ateliê, da Gulbenkian, de Serralves, de diversos museus e de colecções privadas». E é uma oportunidade de o artista se libertar «nos próximos anos de fazer uma exposição». Para o público é o momento de ver um artista essencial que se mostra pouco.

«Não é um ritmo tão seco quanto isso», assegura. «Apareço em média a espaços de sete a dez anos, que é um tempo de reflexão e de maturação de trabalho. A coisa mais delicada de saber construir é o tempo da nossa relação com o trabalho e o tempo da relação com as pessoas que o vêem. Há artistas que têm uma enorme presença sobre o público, isso não me interessa muito». Uma das últimas obras ‘públicas’ em Portugal foi a peça feita para a exposição ‘Povo’, uma intrigante edificação em tijolo sobre um molhe, em cima do Tejo, à porta do Museu da Electricidade.

Trabalho infernal

«Já viram um gato à caça?» pergunta. É assim que trabalha: «Toda a importância está no acto da preparação. Um gato concentra-se e retrai-se antes de atacar. É como eu faço». Mas a comparação felina acaba aqui: «Tenho uma capacidade de trabalho infernal!», diz, explicando a sua rotina. «Não sou o artista de escritório das nove às cinco».

Todos os dias, no ateliê da Rua do Açucar, na zona Oriental de Lisboa, trabalha, estuda, fala com os assistentes – alguns estão presentes na exposição e nota-se a cumplicidade. «Há uma coisa que todos os dias faço: desenhar. E tenho toneladas de livros com notas, de coisas que nunca farei, de outras que vou fazendo. Estou sempre a trabalhar e isto não é uma blague artística. Tenho desprezo pelas blagues artísticas». Sem hobbies, interessa-lhe o amor e a praia: «Toda a minha energia moral, física e espiritual está concentrada no trabalho».

O nome da exposição também lembra esta atitude felina, passos silenciosos, um atrás do outro, como foi construída a obra. Mas o processo de montagem da exposição foi menos programado: «Primeiro aceitámos cair na armadilha de encontrar um sistema. Nos dois primeiros momentos da exposição estão as peças do início da carreira. Depois libertei-me disso, mas deixei estar essa parte cronológica, dos anos 80. Dá uma ideia muito compactada do que foi esse tempo. À medida que a exposição avança chega a haver peças próximas produzidas com hiatos de 20 anos, misturando pintura, desenho e escultura e que, no entanto, sem balizas cronológicas ou temáticas, criaram uma tensão e equilíbrio entre elas. E isso até é mais verdadeiro, no percurso de um artista».

Instalação, que é isso?

Pedro Cabrita Reis nasceu em 1956, estudou Belas Artes, fez a primeira exposição indiviual (ainda magríssimo) aos 25 anos, criou os interiores do Frágil, o célebre bar do Bairro Alto em Lisboa, foi um dos representantes de Portugal na Bienal de Veneza de 1995.

«Sou alguém que vem na sequência dos anos 70, os meus anos de formação são aqueles em que se começam a cruzar o minimalismo, a arte povera, conceptual, e, depois dos anos 80, quando começo a ter alguma visibilidade, começa a formar-se o meu trabalho e o que sou», apresenta-se.

Tipicamente caracterizado como autor de instalações (esse grande saco-azul de onde se tira tudo), Pedro Cabrita Reis chegou agora ao ponto de renegar categoricamente essa invenção do século XX tardio. «Uma instalação não existe porque precisa de relacionar-se com um espaço em concreto. E se a obra de arte tem que ter autonomia, então ela tem que ser entendida per se. Não vejo porque não usar as denominações clássicas: desenho, pintura e escultura».

No catálogo da exposição haverá apenas, assegura, obras referenciadas de acordo com a ortodoxia das artes plásticas. Uma afirmação de regresso à história da arte.
E olhando para trás, o artista, herdeiro dos anos 70, procura referências também muito longe. Na pintura, Caravaggio e Picasso, na escultura Medardo Rosso, Brancusi têm «um mistério sempre renovado».

Tijolo, lâmpadas, ferro

Nos últimos anos, além do suporte em tela (e dos recorrentes auto-retratos que lhe permitem «ir avaliando a relação com o mundo»), Pedro Cabrita Reis fixou-se em materiais que explora de forma inesgotável. Agora as suas peças reclassificadas como esculturas são feitas de tijolo, madeira de obras, cimento e lâmpadas fluorescentes, o que o transforma num construtor de sítios em bruto. Mas nunca usaria o plástico, afirma. «Os materiais têm todos uma temperatura, e a temperatura do plástico, por exemplo, não me interessa. Não tem a frieza do vidro e da lâmpada fluorescente, nem o calor do tijolo. É um material que não tem nenhuma carga de significado para mim». E, metáforas à parte, explica como nunca poderia trabalhar com o plástico que seduz gerações mais novas: «Sou do tempo em que se lavavam os sacos de plástico e se penduravam na corda da roupa a secar!».

Telma Miguel

Quadro de Paula Rego atinge novo recorde em leilão

Um quadro de Paula Rego foi licitado por 866 mil euros, num leilão realizado hoje, em Londres, batendo o recorde anterior datado de 2008.

A estimativa base da Christie's para "Looking Back", de 1987, era de de 600 mil a 800 mil libras ( 675 mil a 900 mil euros) mas a licitação final foi de 769 250 libras (866 175 euros). O anterior recorde tinha sido registado em 2008 na leiloeira rival Sotheby's, quando "Baying", de 1994, foi arrematado por 558 mil libras (740 mil euros no câmbio da altura).

O valor do quadro hoje vendido deve-se ao significado e importância da tela na vida e carreira da pintora portuguesa, que terminou a obra em 1987, ano em que foi mostrada pela primeira vez em Londres, na galeria Edward Totah.

O quadro é considerado um estudo ambíguo das relações entre mulheres, mostrando duas figuras femininas reclinadas sugestivamente sobre uma mesa, enquanto uma criança está ajoelhada no chão junto a um cão.

"Looking Back" foi exposto em Lisboa, na Fundação Calouste ulbenkian e no Museu da Fundação Serralves, no Porto, em 1988, e no Centro Cultural de Belém, mais tarde, em 1997, ano em que Paula Rego teve uma retrospectiva no Museu Tate Britain em Liverpool.

A obra, que o coleccionador Charles Saatchi comprou após uma exposição na Serpentine Gallery, em 1988, foi a leilão juntamente com um conjunto de obras da ex-mulher Kay Saatchi, que vai regressar aos EUA.

Cioran, filósofo romeno, é tema de documentário

Como comemorar o centenário de nascimento de um escritor que preferiu viver sempre na clandestinidade, que fez da indiferença sua trincheira?
Que recusou todo tipo de títulos e honrarias, escolhendo passar necessidades a negociar suas ideias?
Como comemorar aquele que fez de sua vida um ferrenho combate a qualquer tipo de adoração - adoração segundo ele responsável por todos os nossos crimes?
Como homenagear sem faltar com aquele que acreditava ter a sorte de ser desconhecido, de merecer permanecer na sombra, no imperceptível, tão inapreensível e impopular quanto a nuança, que acreditava ser a consagração a pior das punições?

Tarefa difícil homenagear Emil Cioran sem renunciá-lo. Filosofo e escritor romeno, nasceu em Sibiu, Transilvânia, em 08 de abril de 1911. Até hoje é, sem dúvida, o estilo mais fértil e apurado do pensamento pessimista desde Schopenhauer e Nietzsche. Aos 17 anos ingressou na Universidade de Bucareste. De família ligada à Igreja Ortodoxa - seu pai era padre -, tornou-se um agnóstico, circulando na juventude com os futuros filósofos e escritores Eugène Ionesco, Mircea Eliade, Constantin Noica e Petre Tutea.

Cioran graduou-se com uma tese sobre Henri Bergson. Foi um leitor compulsivo de autores, desde os pré-socráticos até Borges, de Teógnis a Beckett. Um estudioso de Emmanuel Kant, Arthur Schopenhauer, Friedrich Nietzsche, George Simmel, Max Stiner, Ludwig Klages, Martin Heidegger e Lev Shestov.

Mas o próprio filósofo fazia a ressalva: “Não são, todavia, minhas leituras que me formaram, mas os acidentes e os encontros. Tudo o que escrevi é fruto de circunstâncias, azares, conversações, ruminações noturnas, crises de abatimento mais ou menos cotidianas, obsessões intoleráveis. Meu estado de saúde, afortunadamente mau, é, em grande parte, responsável pela direção, pela cor, dos meus pensamentos. Comecei a ser ‘eu’ graças à insônia, essa catástrofe à qual devo tudo o que marcou profundamente minha juventude. Se percebi certas coisas neste mundo, é porque tive a sorte de não poder dormir”.

Mas o sábio não se dizia um filósofo. Lembra que na juventude foi um fanático pela filosofia. “Depois, tudo que pude experimentar ou pensar não foi nada mais que uma luta contra toda forma de sistema, em qualquer domínio”. Enquanto Nietzsche se intitulava “um martelo” por sua filosofia iconoclasta, Cioran é uma britadeira destruidora de sistema. Um nômade do pensamento, um pensar migratório que muito sondou para não ficar refém de ninguém e fez da dúvida seu combustível: “O estrangeiro se tornara meu Deus. Daí esta sede de peregrinar através das literaturas e das filosofias, de devorá-las com ardor doentio”.

Em 1933 ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Berlim. Em 1937 foi morar em Paris, após ganhar uma bolsa para fazer uma tese sobre Nietzsche que nunca será acabada. Jamais retorna a seu país de origem. Seu primeiro livro, “Nos Cumes do Desespero”, publicado aos 20 anos, ainda na Romênia, foi a base de sua obra posterior. Escreveu ainda em romeno “Das Lágrimas e dos Santos”. Seu primeiro livro em francês foi o premiado “Breviário da Decomposição”, de 1947, que fez Saint-John Perse afirmar que Cioran era o maior prosador da língua francesa desde Valéry. Essa obra de 1947 só foi editada no Brasil em 1989, traduzida primorosamente por José Thomaz Brum, que também traduziu “Silogismos da Amargura”, lançada em 1991.

Cioran é veneno. Cioran é a cicuta que matou Sócrates. É todos os seus descendentes que criam na filosofia como saída. Cioran lembra cianureto, veneno letal que, se apreciado como antídoto, como remédio à propensão à crença na verdade, no poder e na adoração, sem dúvida nos propiciará uma vida menos pesada e uma morte mais tranquila.

Cioran nos deixou em 20 de junho de 1995. Em seu “Breviário da Decomposição” registrou seu epitáfio: “Teve o orgulho de jamais mandar, de não dispor de nada e de ninguém. Sem subalternos, sem amos, não deu nem recebeu ordens. Excluído do império das leis, e como se fosse anterior ao bem e ao mal, nunca fez ninguém padecer...”.

Roteiro essencial da arte portuguesa

Há mais de dois mil anos que fazemos arte e até inventámos correntes exóticas como o indo-português e o sino-português. "Arte Portuguesa - História Essencial" é um enciclopédia portátil que começa nas antas pré-históricas e vai até ao sapato de panelas de Joana Vasconcelos.

O historiador de arte e professor universitário, Paulo Pereira, criou um guia de consulta fácil que vai torná-lo um expert. Não se deixe intimidar por palavras como jónico ou dórico e vai ver que é mais fácil que ir ao Google. Pedimos a Paulo Pereira que elegesse as peças mais valiosas e as suas favoritas. Aqui ficam 12 que podem servir de roteiro para as férias.

Esta é inesperada, de certeza!", responde Paulo Pereira quando lhe pedimos para fazer a lista das dez obras mais valiosas. O dolmén ou anta, de Antelas data de 3600 a. C.- 3100 a.C. e destaca-se pela qualidade das suas pinturas a negro, ocre vermelho sobre fundos brancos.

Dolmén de Antelas
Oliveira do Hospital

Considerado um dos mais importantes mosteiros medievais portugueses foi mandado construir em 1153 e é, nas palavras do historiador, “a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português”. Esta igreja é uma das maiores abadias cistercienses, ou seja, da Ordem Religiosa Católica fundada em 1098 e que tinha como mentor espiritual São Bernardo. Segundo o autor, os mosteiros caracterizavam-se por ter uma ornamentação discreta e o mais importante era a luz.

Os túmulos de Pedro e Inês
Alcobaça

D. Pedro apaixona-se por Inês de Castro, uma galega, e quer casar-se com ela. O pai, o rei D. Afonso VI, teme que o trono português caia nas mãos dos espanhóis e manda matá-la. Quando D. Pedro é coroado mata os assassinos, manda desenterrar D. Inês e coroa-a rainha. Uma história tão trágica tinha de culminar numa obra prima: os túmulos estão repletos de esculturas de grande qualidade.

Leda e o Cisne
Lisboa

Francisco Vieira Portuense pintou um mito trágico. Sim, é uma história grega. Leda era casada com o rei dos Espartanos Tindáreo mas era tão bonita que o deus Zeus apaixonou-se por ela. Zeus decidiu então tomar a forma de um cisne para se aproximar dela. O que aconteceu a seguir, fica entre os deuses. O que resta são várias obras sobre esta reunião. A de Vieira Portuense pode ser vista no Museu de Arte Antiga em Lisboa e é um bom exemplo da estética neoclássica já a namorar o romantismo.

Mosteiro dos Jerónimos
Lisboa

Era uma vez um Rei chamado D. Manuel que tinha muito dinheiro, gostava de coisas bonitas e vai daí encomendou um mosteiro e o seu nome deu origem a um estilo: manuelino. O claustro destaca-se pela arquitectura e decoração. É um reflexo de várias correntes, e o primeiro do seu género com “dois andades abobadados e uma planta quadrada com os cantos cortados formando um octógono virtual”, lê-se no livro. “São poucos os edifícios europeus da época com uma carga decorativa tão rica e densa de significado.” O professor refere-se às narrativas bíblicas e histórias que incluíam o casal D. Manuel e D. Maria.

O santuário do Bom Jesus
Braga

Trata-se do barroco no seu esplendor. A escadaria com os lanços em ziguezague, a entrada feita por um pórtico monumental, as fontes, as igrejas, os terraços, um novo barroco são razões mais que suficientes para tornar este monumento numa obra prima.

Jardins do Palácio Fronteira
Lisboa
Nem tudo o que é arte é religioso. “Os historiadores de arte têm as suas preferências geralmente distribuídas por géneros artísticos e por períodos. Portanto, maior subjectividade numa escolha destas não pode haver.” O Palácio Fronteira, em Lisboa, destaca-se pelos jardins com painéis de azulejos e uma galeria com bustos dos reis portugueses.

A Igreja da Falperra
Braga

Melhor dizendo, a Igreja de Santa Maria Madalena da Falperra, em Braga, tem um “debruado de pedra” sobre o fundo branco que é qualquer coisa de... incrível. Há que não ter medo dos adjectivos. Nas palavras do historiador: “Parece uma transposição dos desenhos dos decoradores rocaille [o estilo rocócó francês] utilizando um esquema de desenho que provoca a instabilidade de todos os elementos [...] oferecendo-lhes como que uma nova “ordem”.

Baixa Pombalina
Lisboa

Não precisa de grandes apresentações. Depois do terramoto de 1755, Lisboa ficou destruída e Marquês de Pombal arregaçou as mangas para a reconstruir. A Baixa foi desenhada a régua e esquadro e é um exemplo de urbanismo e arquitectura. Tinha chegado o funcionalismo citadino.

Painéis de São Vicente
Lisboa

“É inevitável referir esta obra”, explica. Os seis painéis de Nuno Gonçalves estão no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e são uma obra-prima que retrata a sociedade no século XV. Resultado de uma “síntese de correntes (..) que contribui para lhe conferir ainda maior originalidade e importância na cultura da época, revelando uma via mediterrânica para a pintura portuguesa, de algum modo italianizante e com influências da Catalunha, mas colhendo ainda a lição da pintura Flamenga”, lê-se no livro. Paulo Pereira vai mais longe: os painéis estão na origem da história de arte portuguesa.

Convento de Cristo
Tomar

Se leu tudo de seguida já percebeu que destacámos mais a arquitectura, muito relacionada com a religião. O claustro principal Convento de Cristo é mais uma das pérolas da arte nacional. Destaca-se porque teve uma mudança radical. Mas há mais. A janela ocidental da igreja manuelina do Convento – a mais conhecida – é uma das obras favoritas do historiador.

Antero de Quental
Lisboa

“O retrato de Antero de Quental do Columbano dava quase uma tese”, diz o historiador. O óleo pintado por Columbano Bordalo Pinheiro em 1889 pode ser visitado no Museu do Chiado em Lisboa e é uma das obras mais importantes desta época. Paulo Pereira escreve: “De grande expressividade, ao ponto de Antero de Quental, que se suicidaria dois anos depois, aparecer já como um enunciado da sua própria morte: a face parece escavada como a de uma caveira.”

Entrevista a Paulo Pereira, Historiador de Arte e professor na Faculdade de Arquitectura de Lisboa

“Foi na arquitectura portuguesa que se registou mais criatividade”

Porque decidiu escrever este livro?
Sentia dificuldade em indicar aos alunos bibliografia generalista. Existem boas edições mas são quase todas em vários volumes. Ora, este livro reúne num só volume o máximo de informação sobre a arte portuguesa e pode trazer-se debaixo do braço.

A arte portuguesa destaca-se mais na arquitectura, pintura ou escultura?
Depende das conjunturas. Para já, muitas peças perderam-se e o registo é incompleto. Por outro lado, Portugal foi um país periférico em termos de produção artística e, para mais, com uma grande escassez de oficinas, de “escolas” e de “academias” e de encomendadores, sobretudo de encomendadores cultos. Mas creio que foi na arquitectura que se registaram momentos de maior riqueza criativa.

Quais são as obras tipicamente portuguesas?
Em grande medida foi por causa de Portugal que nasceu uma arte “exótica”, quer indo-portuguesa, quer sino-portuguesa que não havia em mais lado nenhum. Depois, por muito que isto soe a senso-comum, o facto é que a azulejaria portuguesa se desenvolveu de uma forma autónoma e sem paralelos. O mesmo aconteceu com a talha barroca em madeira, a famosa talha dourada, que era mais barata que os sistemas retabulares em mármore, “à italiana” ou “à francesa” que tinham um efeito impressionante.

Em que corrente artística nos destacámos mais?
Em termos de reconhecimento, vê-se como a arquitectura, incluindo a arquitectura militar e o urbanismo, sempre se distinguiram. Não porque os portugueses e os que para eles trabalhavam fizessem obras excepcionais, mas antes porque, precisamente, essas obras não eram excepcionais. Faziam-se, o que já não era pouco. Depois, nas tais artes decorativas, portáteis, nas artes coloniais, que também, diga-se em abono da verdade, asfixiaram a chamada “grande encomenda”. A clientela nacional comprazia-se muito no bric-à-brac...

Quais são as suas peças favoritas?
Tenho os meus fraquinhos, como se costuma dizer. Diria: a janela ocidental da igreja manuelina do Convento de Cristo; o interior, inteiramente revestido a azulejos, da Igreja de Almancil no Algarve, uma obra-prima de azulejaria; o mastodôntico Forte da Graça, em Elvas; a pintura “Leda e o Cisne” do Vieira Portuense, que é uma belíssima pintura em qualquer parte do mundo; o retrato de Antero de Quental do Columbano, que dava quase uma tese, na minha opinião.




Morreu a artista surrealista Leonora Carrington

Pintora e escultora, namorou com Marx Enrst, um dos expoentes do surrealismo, e com ele fugiu para Paris onde privou com Picasso, Salvador Dalí, Marcel Duchamp, André Bretón, Luis Buñuel e Joan Miró. Leonora Carrington morreu de pneumonia esta quinta-feira no México, onde passou parte da sua vida. Tinha 94 anos.

Nascida em 1917, em Chorley, na Inglaterra, Leonora Carrington foi uma artista rebelde que viveu e viajou por vários países, até se estabelecer no México, onde passou os últimos 70 anos, longe da fama.

Apreciada por muitos, Leonora Carrington era considerada como uma das últimas artistas originais do surrealismo, destacando-se na arte com as suas esculturas e pinturas de mundos oníricos e fantásticos.

Antes de se estabelecer no México, a pintora esteve três anos em Paris a acompanhar o seu então namorado e também artista, Max Ernst. Um romance que terminaria de forma trágica com Ernst a ser perseguido pelos nazis. “Foram momentos muito felizes, mas chegou um momento em que só falávamos de Hitler, e então acabou essa felicidade”, disse uma altura a artista.

Leonora Carrington viu-se assim obrigada a fugir, primeiro para Espanha e depois para Lisboa, onde conheceu Renato Leduc, um escritor mexicano, e com quem se mudou para o México em 1941. Relação que também não foi bem-sucedida e que acabaria dois anos depois.

Uma vida agitada, com muitas aventuras pelo meio, e que valeu à escritora Elena Poniatowska, sua amiga durante mais de 50 anos, o prémio Biblioteca Breve 2011, com o livro sobre a sua vida, “Leonora”.

Também em 1995, Leonora Carrington viu a sua vida ser representada no cinema, num filme, “Carrington”, realizado por Christopher Hampton e protagonizado por Emma Thompson.

“Leonora é uma pintora do tamanho de Frida Kahlo e a última figura que existe do surrealismo”, disse ao “El País” Elena Poniatowska.

A sua arte chegou à rainha Isabel de Inglaterra, que a condecorou com a Ordem do Império Britânico, em 2005.

Entre as suas obras destacam-se os trabalhos: "La giganta", "Quería ser pájaro", "Laberinto", "El despertar", "Y entonces vi a la hija del Minotauro" e "El juglar".

Praça da Canção, teve concerto de Ivete Sangalo

A Cidade de Coimbra, recebeu no sábado 21 de Maio a “Tour Madison Square Garden”, de Ivete Sangalo. A brasileira “furacão” esteve em Portugal e apresentou concertos em Lisboa, Porto e Coimbra.

Na cidade dos estudantes Ivete Snagalo não desiludiu e deu espectáculo durante mais de duas horas, interpretando novos e velhos temas que puseram a multidão, composta por mais de dez mil pessoas, em plena agitação. A artista brasileira fez levantar poeira, pôs milhares de braços no ar, levou a vasta plateia a dançar e sambar ao som dos ritmos quentes que caracterizam a sua música.

No seu terceiro dia de actuação em Portugal a cantora não defraudou as expectativas das gentes da região centro que se deslocaram ao Parque da Canção em Coimbra e que assistiram durante mais de duas horas a um espectáculo cheio de cor e movimento. Ivete Sangalo começou o espectáculo com “Acelera aê”, altura em que pediu logo à multidão para «tirar o pé do chão», e percorreu uma boa parte dos seus temas mais conhecidos. “Pererê”, “Carro velho” e “Arerê”, como não podia deixar de ser, puseram a multidão a mexer ainda mais, mas seria “Poeira” a grande música da noite.

A artista referiu no durante o concerto que gostou bastante de Coimbra e prometeu voltar.

Susana Alves



DOMINIQUE ZINKPÉ, 1968

Desde 1989 que Dominique Zinkpé tem participado regularmente em exposições no Benim. A partir de 1995 a sua carreira ganha também uma dimensão internacional. Zinkpe trabalha vários media: pintura, escultura, instalação.




Na base do trabalho de Zinkpé estão as esculturas em tamanho natural de seres humanos realizadas com pedaços de madeira, arame e textéis.

Estes personagens combinam características humanas e animais e abordam temáticas sociais de alcance local ou internacional. A política, a (in)justiça, a SIDA, etc. são temas recorrentes.

Na pintura, Zinkpé recorre a uma cosmogonia de espíritos e fantasmas. Criaturas que resultam da transformação dos seres humanos com os animais povoam as suas telas de fundos brancos.

[obras disponíveis de Dominique Zinkpé]

Alfredo Luz e Jorge Pé-Curto expõem juntos

De 19 de Maio a 15 de Junho, os artistas Alfredo Luz e Jorge Pé-Curto expõem mostras individuais de pintura e de escultura, respectivamente, na Galeria de Arte do Casino Estoril.

O título da exposição de Alfredo Luz é Lavrando o Mar. Não com os arados que rasgam a terra, mas com as proas dos barcos que sulcam as águas. É titular de um currículo que já conta 32 exposições individuais, cinco das quais na Galeria de Arte do Casino Estoril e uma no Parlamento Europeu, em Bruxelas, para além da participação em dezenas de colectivas, com realce para o Salão de Outono, com 16 presenças.

Alfredo Luz é titular de uma escrita neofigurativa, em que o surrealismo também aparece, e sempre com uma subtil mensagem de sentido humanista, de respeito pela natureza e pelos seres que a habitam. A sua paleta prefere as cores quentes e a temática dos seus trabalhos obedece a um ciclo de fases em que o sonho e o encanto estão sempre presentes.

Quanto a Jorge Pé-Curto, optou por levar ao Casino cerca de vinte trabalhos em pedra e outros materiais em que o tema básico é o corpo humano. Daí o nome desta exposição ser Este é o meu corpo?. Trata-se de um autor multifacetado, com actividade desenvolvida nas áreas da cerâmica, da pintura, do cartaz e da gravura.

Porém, é na escultura que agora centra a sua actividade artística, em trabalhos de formato normal, mas também em obras públicas de grande dimensão. É autor de conjuntos escultóricos, em que a sua imaginação criadora sempre tem lugar de realce, a par de um humor muito pessoal, sobretudo em peças de características decorativas.

Estas exposições ficam patentes ao público até 15 de Junho, todos os dias, entre as 15h00 e a meia-noite. A entrada é livre.

Tecnobrega: a nova música brasileira tipo exportação

A mistura de ritmos folclóricos do Pará com música eletrônica se tornou a bola da vez em clubes e festas da Europa e dos Estados Unidos, acompanhando uma onda de pesquisas por músicas produzidas em periferias

Organizados em pequenos selos musicais e produtoras de festas, DJs americanos e europeus promovem uma espécie de intercâmbio de novos gêneros musicais

Em dezembro de 2009, o DJ inglês Lewis Robinson, de 44 anos, se embrenhou no mercado de Ver o Peso, em Belém do Pará, para descobrir o que era o tecnobrega. “Fiquei espantado ao encontrar uma música brasileira que não é excessivamente polida como a bossa nova”, diz ele. Referir-se ao tecnobrega como "não excessivamente polido" é uma forma muito mais do que polida de descrever essa mistura tóxica de carimbó, brega dos anos 70, calipso e música eletrônica. Mas Lewis queria isso mesmo. Levou para casa, em Londres, dezenas de discos e passou a alimentar com eles a festa BatMacumba, que produz mensalmente em Nothing Hill, na capital inglesa.

Não só as noites londrinas são abaladas pelo tecnobrega. Em Nova York, Paris ou Montreal é possível escutar as suas batidas. O gênero está definitivamente em ascensão entre os DJs. Seus expoentes são artistas como Wanderley Andrade e Banda Calypso, que fazem o tecnobrega "clássico", e Waldo Squash, Maderito e Gaby Amarantos, que praticam uma variação mais recente e ainda mais encorpada da música paraense, batizada de eletromelody.

Conhecida como Beyoncé do Pará por causa das formas voluptuosas, Gaby Amarantos gravou há pouco um single que já faz algum sucessso em clubes da Europa O que ela canta, com timbre indomável e sintetizadores estridentes, é uma versão de Águas de Março (morra, bossa nova, morra!). “Só falta agora cantar no exterior”, diz Gaby. Não deve demorar.

World Music 2.0 – O single de Gaby Amarantos foi lançado por um selo alemão de música eletrônica. A produção ficou a cargo do DJ carioca João Brasil, que tem agenda nos próximos três meses na Alemanha, em Portugal, na Suíça e na Áustria. João – ao lado de outros nomes, como Chico Dub e Patrick Torquato – é um integrante brasileiro do movimento de DJs e produtores nomeado Global Guettotech ou World Music 2.0 (a contraparte eletrônica daquele gênero que congrega tocadores de bongô caribenhos e flautistas andinos).

Organizados em pequenos selos, dezenas de DJs canadenses, americanos, alemães, holandeses e ingleses promovem uma espécie de intercâmbio de funk, tecnobrega, kuduro, guarachero, calipso, merengue e cumbia, gêneros musicais produzidos em países como Brasil, Colômbia, México, Angola, Costa do Marfim e África do Sul. Oriundas de países que muitas vezes sequer tem indústria fonográfica estabelecida, as músicas são “traficadas” por meio de CD caseiros, pen drives e sites de download gratuito. Em menor escala, música dos Bálcãs e da Ásia é arrolada no esquema de troca.

Lewis Robinson: viagem para Balém do Pará, discos de tecnobrega e festa em Londres

Trocando informações por e-mail, redes sociais e blogs, os DJs e produtores organizam viagens para pesquisar novos ritmos “periféricos” e, ao voltarem para os seus países de origem, criam novas versões dessas músicas, combinando-as com house, techno e dubstep. A partir disso, mudam-se até os nomes. O merengue, ritmo típico da República Dominicana, se transformou em merengue street nos clubes de Amsterdam quando remixado com tecno e reggaton, este de origem jamaicana.

No Brasil, a garimpagem dos estrangeiros começou há alguns anos. O primeiro “achado” foi o funk carioca, que DJs como o americano Diplo e o já mencionado Lewis Robinson trataram de divulgar. O funk está perdendo espaço para o tecnobrega porque esse é mais fácil de dançar. “Quando eu toco tecnobrega em festas na Europa, percebo que as pessoas dançam mais. O funk é agressivo por natureza, os estrangeiros gostam mas não sabem direito como se mexer”, diz João Brasil. Mas ainda há interesse pelo gênero dos morros cariocas. Em fevereiro deste ano, o DJ americano Al Doyle foi detido por policiais durante uma visita à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. “Eles não acreditaram que eu estava procurando discos de funk”, escreveu Doyle no Twitter pouco depois de ser liberado.

Dance, dance, dance – A troca de músicas entre os DJs e os produtores gerou um circuito de festas temáticas em três continentes. As características comuns a esses eventos são a mistura de música eletrônica tradicional com ritmos locais, quase sempre sincopados, dançantes e com coreografias de forte apelo sexual.

Certamente não era nisso que estava pensando o compositor alemão Karlheinz Stockhausen, em suas experimentações pioneiras com a eletrônica, no final dos anos 40. A música eletrônica nasceu assim: como uma das vertentes mais cerebrais da composição erudita. E ela conservou essa característica por um bom tempo, mesmo depois de entrar na corrente sanguínea do pop. Basta lembrar dos discos do também alemão Kraftwerk.

Hoje em dia, no entanto, a música eletrônica é o contrário do que era ao nascer. Dos primórdios, só guardou a ideia dos “loops”, as repetições de batidas ou frases musicais. Mas com um único objetivo: fazer dançar. Ela é, em resumo, música de festa. Quem frequenta as festas na Europa e nos Estados Unidos, pode ter um pouco de “curiosidade antropológica”. No Leblon, ouve-se funk com uma certa ironia. Mas tanto a curiosidade antropológica quanto a ironia se acabam na pista. Nas pistas de tecnobrega, aliás, a música eletrônica completa o seu trajeto: de cerebral, a totalmente descerebrada. Ou será que ainda dá para ir além?

A bossa nova ainda é o gênero musical brasileiro mais exportado. Pontualmente, cantores e grupos venceram a barreira da língua e fizeram relativo sucesso no exterior. Em alguns dos casos, mais por excentricidade do que por talento.

Investigador português de arte africana defende maior protecção das esculturas


Primeiro secretário da embaixada de Angola em Berlim
manteve um encontro com o investigador José Luís
Ferreira e o pintor Etona.




O investigador de arte José Luís Ferreira defendeu, segunda-feira, na cidade de Berlim, maior protecção das obras de escultura africana, pela riqueza histórica e das interpretações filosóficas, culturais e psicossociais que reúnem.

O português José Luís Ferreira, que também é professor e sociólogo, apresentou esta ideia na sexta Conferência Internacional sobre as Artes na Sociedade, que termina hoje, durante a sua dissertação sobre o tema “A filosofia da arte como razão tolerante”, baseada na concepção artística do pintor angolano António Tomás Ana “Etona”.

O orador, que apresentou o tema a estudiosos de várias nacionalidades, centrou a sua comunicação nas esculturas e pinturas de Etona, que foram exibidas em slides durante a comunicação.

Para o palestrante, Etona é um artista plástico exemplar, cujo trabalho preserva traços da arte africana. José Luís Ferreira adiantou que a apreciação adjacente do trabalho de Etona é definida pela investigação complementar, através do trabalho feito pelo pesquisador Patrício Batsikama.

Defensor da corrente “etonismo”, o professor José Luís Ferreira disse que Etona desenvolve uma teoria ética da estética, que torna o conteúdo da sua obra universal.

No final da palestra, José Julião de Oliveira, primeiro secretário da embaixada de Angola em Berlim, disse ao Jornal de Angola ter ficado com uma boa impressão da comunicação apresentada por José Luís Ferreira sobre o “etonismo”.

“Já tive a oportunidade de conversar com o artista em 2005, na Expo do Japão, sobre o ‘etonismo’, uma corrente de arte universal que tem origens angolanas e vai crescendo a nível internacional. Por isso foi uma boa ideia convida-lo para mostrar a arte e a filosofia angolana aos alemães e a todos os presentes na conferência”, disse.

José Julião de Oliveira considerou a participação do artista um passo importante para a afirmação do “etonismo” fora das fronteiras de Angola. “Agora é necessário dar continuidade, aqui na Alemanha, ao trabalho de Etona”, apelou.

Quanto ao possível apoio da embaixada na afirmação desta corrente, o diplomata disse que a representação diplomática de Angola em Berlim pode contribuir, através da divulgação, em comemorações oficiais, relacionadas com o país ou o continente africano.

Sobre o lema “Artefactos. O conhecimento é arte – arte é conhecimento”, a Conferência Internacional sobre as Artes na Sociedade em Berlim é uma realização da Academia de Berlim-Brandenburgo de Ciências e Humanidades. O evento reúne participantes de várias nacionalidades e inclui no seu programa palestras sobre temas relacionados com a arte na sociedade.

Última obra de Malangatana leiloada na internet

Não é uma tela, não é uma escultura, não é um texto. Trata-se antes de um carro: um Fiat 500 pintado pelo próprio Malangatana antes de morrer.

A receita será investida na formação artística e cultural dos mais jovens e carenciados, através da Fundação com o nome do moçambicano, falecido em Janeiro.

Depois de no último Verão ter conhecido o representante da marca italiana em Maputo, que aceitou o desafio de se aliar ao mestre da pintura moçambicana, Malangatana foi dia após dia ao encontro de 'A italiana', nome que acabou por dar ao carro.

Um carro que é uma obra de arte, conjugando o design transalpino e os símbolos visuais de África: a carroçaria alia o vermelho a figuras relacionadas com a natureza e tradições moçambicanas. No tablier, em alumínio, a assinatura do pintor.

Com 'A italiana' espera-se que a obra de Malangatana cumpra um dos maiores sonhos do pintor, conjugando o trabalho social e artístico junto dos mais necessitados.

O leilão estará aberto em https://malangatana.sapo.mz/ até 6 de Julho em língua portuguesa e inglesa, com uma base de licitação de 125 mil dólares (quase 87 mil euros).

As ofertas terão de ser pelo menos 2500 dólares acima da anterior, refere ainda a SAPO Moçambique

Palácio do Gelo Shopping comemorou 3º. aniversário com desfile de Moda

O Palácio do Gelo Shopping “vestiu-se” a preceito com as tendências mais fashion da Primavera/ Verão 2011 e assinalou o seu terceiro aniversário no passado Sábado, com um deslumbrante desfile de Moda, pelo qual passaram algumas das figuras públicas mais queridas dos portugueses.
 
Uma vez mais, o Palácio do Gelo Shopping voltou a inovar e surpreender os seus visitantes, reforçando o seu destaque como um espaço comercial dinâmico, de entretenimento, de lazer e inovação.

A apresentação deste grande evento de Moda coube a Catarina Furtado e Diogo Infante, que conduziram com o charme e simpatia a que acostumaram os portugueses, uma passarela de glamour, recheada das mais recentes tendências de Moda para a Primavera/ Verão, das montras e lojas do Palácio do Gelo Shopping.

Pela passarela do Palácio do Gelo Shopping passaram ainda caras muito conhecidas e queridas dos portugueses – a actriz Diana Chaves, protagonista da novela “Laços de Sangue” da SIC, encantou a plateia de largas centenas de visitantes do Palácio do Gelo Shopping, com a sua beleza estonteante e contagiante sorriso.

As apresentadoras do Programa Fama Show, Rita Andrade e Laura Figueiredo, também se juntaram à grande festa do Palácio do Gelo Shopping, desfilando a sua beleza e boa forma física na passarela do centro comercial de Viseu.

E como o número mágico da noite era o três, das três velas do Palácio do Gelo Shopping, o encerramento do espectáculo de Moda foi da responsabilidade da sedutora voz do grande vencedor da terceira temporada do concurso Ídolos. Filipe Pinto derreteu literalmente a plateia de fãs presentes no Palácio do Gelo Shopping.

A grande festa continuou pela noite a dentro com muita animação a cargo dos DJs Vitto e Verylight na Discoteca Ice Club – localizada também ela no Palácio do Gelo.

No âmbito do desfile de Moda, o Palácio do Gelo Shopping vai oferecer ainda, , nos próximos dias 13 e 14 de Maio, sessões de aconselhamento personalizado em maquilhagem e imagem. Para que todos os seus visitantes se possam sentir autênticos top models, maximizando os seus atributos.

 

Oito quadros de Picasso arrecadam 34 milhões de euros em leilão

“Femmes lisant (Deux Personnages)”
foi o quadro de Picasso que atingiu o valor mais alto
A obra do pintor espanhol “Femmes lisant (Deux Personnages)”, de 1934, foi o quadro do artista que rendeu mais, arrecadando 14 milhões de euros, um valor, ainda assim, abaixo das expectativas, que apontavam para 25 milhões.

No total, a leiloeira Sotheby’s, de Nova Iorque, vendeu no leilão de arte impressionista e moderna, um dos primeiros da Primavera, oito quadros de Picasso, de diferentes períodos artísticos do pintor, no valor de 34 milhões de euros.

A maior surpresa do leilão foi, no entanto, para uma obra rara de Paul Gauguin. Uma escultura de madeira que representa a cabeça de uma jovem polinésia foi vendida por um preço recorde para este tipo de trabalhos do artista, tendo sido leiloada por 7,5 milhões de euros. De acordo com a Sotheby's, o anterior recorde de venda para uma escultura de Gauguin foi de 942 mil euros.

Intitulada “Jeune Tahitienne”, a escultura foi feita por Gauguin numa viagem à polinésia entre 1890 e 1893, representando uma jovem com uns grandes brincos e colares de corais ao pescoço.

A obra de arte tinha sido oferecida por Gauguin a uma menina de dez anos, Jeanne Fournier, filha de um crítico de arte que acabou por vender a escultura em 1961 a um coleccionador privado que a levou, esta terça-feira, a leilão.

Para a leiloeira o resultado obtido por esta obra é sinal de que o interesse por peças trabalhadas em madeira está a aumentar. “O mercado tem demonstrado que há uma procura excepcional por obras deste género”, disse um responsável da Sotheby’s à AFP.

A primeira noite do leilão, que termina esta quarta-feira, levou a hasta 59 trabalhos, totalizando 115 milhões de euro, superando a estimativa mais baixa que era de 107 milhões. Entre 15 e 25 por cento dos trabalhos não foram vendidos.

Para os responsáveis, este foi um resultado muito positivo, tendo em conta os tempos que correm, onde os coleccionadores preferem centrar-se nas obras de arte de topo do que arriscar investir o dinheiro em obras mais pequenas.

“Os leiloes não foram eufóricos, mas na maior parte dos casos as vendas foram sólidas”, explicou Simon Shaw, vice-presidente da Sotheby’s de Nova Iorque, acrescentando que as vendas foram maioritariamente para coleccionadores russos e norte-americanos.

A temporada da primavera será concluída no final deste mês com as vendas de arte latino-americana, nas quais se destaca, entre outras, um auto-retrato em miniatura de Frida Kahlo, avaliado pela Sotheby's entre 539 mil euros e 810 mil euros.

Dior em museu de belas artes

Após o escândalo de John Galliano, a “Christian Dior” pretende usar toda a publicidade positiva, começando com uma retrospetiva da sua história no museu de belas artes de Pushkin, para recuperar a magia da marca.

As belas artes encontraram-se, recentemente, na capital russa, com modelos de Christian Dior. Uma mostra que passou pelo meio das pinturas e das esculturas do museu de Pushkin.

A exposição de Dior traz 110 vestidos, incluindo modelos usados por Marlene Dietrich, pela princesa Diana e por Sophia Loren. Artes plásticas, na receção à alta costura.

Os convidados reagiram com entusiasmo, a uma exposição inacreditável, como diz uma porta-voz da organização:

“Bom, isto não é apenas uma exposição de vestidos. Mas também foram as artes plásticas que inspiraram a criação de Dior. É uma exposição inacreditável. Eu não tenho palavras para tanta emoção”.

Os vestidos estão expostos junto das pinturas – incluindo trabalhos de Pierre Bonnard, Van Gogh e Klimt – que inspirou Dior e os seus seguidores tais como Yves Saint Laurent, Marc Boan, Gianfranco Ferre e John Galliano.

O interior clássico deste museu foi transformado, para acolher a mostra e recriar o estilo da casa Dior.

O artista russo Boris Messerer, um veterano, deu as boas-vindas à exposição, para os entusiastas da moda e para os frequentadores habituais do museu.

“Talvez sejam para gente muito rica que não pode trocar estes vestidos por obras de arte, exemplos maravilhosos de bom gosto”

A exposição serve também para continuar a relação de Chsitian Dior com o glamour da velha Rússia que visitou em 1931, durante o consulado do ditador soviético, Josef Stalin, um acontecimento raro, para um desenhador extrangeiro.