Morreu a artista surrealista Leonora Carrington

Pintora e escultora, namorou com Marx Enrst, um dos expoentes do surrealismo, e com ele fugiu para Paris onde privou com Picasso, Salvador Dalí, Marcel Duchamp, André Bretón, Luis Buñuel e Joan Miró. Leonora Carrington morreu de pneumonia esta quinta-feira no México, onde passou parte da sua vida. Tinha 94 anos.

Nascida em 1917, em Chorley, na Inglaterra, Leonora Carrington foi uma artista rebelde que viveu e viajou por vários países, até se estabelecer no México, onde passou os últimos 70 anos, longe da fama.

Apreciada por muitos, Leonora Carrington era considerada como uma das últimas artistas originais do surrealismo, destacando-se na arte com as suas esculturas e pinturas de mundos oníricos e fantásticos.

Antes de se estabelecer no México, a pintora esteve três anos em Paris a acompanhar o seu então namorado e também artista, Max Ernst. Um romance que terminaria de forma trágica com Ernst a ser perseguido pelos nazis. “Foram momentos muito felizes, mas chegou um momento em que só falávamos de Hitler, e então acabou essa felicidade”, disse uma altura a artista.

Leonora Carrington viu-se assim obrigada a fugir, primeiro para Espanha e depois para Lisboa, onde conheceu Renato Leduc, um escritor mexicano, e com quem se mudou para o México em 1941. Relação que também não foi bem-sucedida e que acabaria dois anos depois.

Uma vida agitada, com muitas aventuras pelo meio, e que valeu à escritora Elena Poniatowska, sua amiga durante mais de 50 anos, o prémio Biblioteca Breve 2011, com o livro sobre a sua vida, “Leonora”.

Também em 1995, Leonora Carrington viu a sua vida ser representada no cinema, num filme, “Carrington”, realizado por Christopher Hampton e protagonizado por Emma Thompson.

“Leonora é uma pintora do tamanho de Frida Kahlo e a última figura que existe do surrealismo”, disse ao “El País” Elena Poniatowska.

A sua arte chegou à rainha Isabel de Inglaterra, que a condecorou com a Ordem do Império Britânico, em 2005.

Entre as suas obras destacam-se os trabalhos: "La giganta", "Quería ser pájaro", "Laberinto", "El despertar", "Y entonces vi a la hija del Minotauro" e "El juglar".

Praça da Canção, teve concerto de Ivete Sangalo

A Cidade de Coimbra, recebeu no sábado 21 de Maio a “Tour Madison Square Garden”, de Ivete Sangalo. A brasileira “furacão” esteve em Portugal e apresentou concertos em Lisboa, Porto e Coimbra.

Na cidade dos estudantes Ivete Snagalo não desiludiu e deu espectáculo durante mais de duas horas, interpretando novos e velhos temas que puseram a multidão, composta por mais de dez mil pessoas, em plena agitação. A artista brasileira fez levantar poeira, pôs milhares de braços no ar, levou a vasta plateia a dançar e sambar ao som dos ritmos quentes que caracterizam a sua música.

No seu terceiro dia de actuação em Portugal a cantora não defraudou as expectativas das gentes da região centro que se deslocaram ao Parque da Canção em Coimbra e que assistiram durante mais de duas horas a um espectáculo cheio de cor e movimento. Ivete Sangalo começou o espectáculo com “Acelera aê”, altura em que pediu logo à multidão para «tirar o pé do chão», e percorreu uma boa parte dos seus temas mais conhecidos. “Pererê”, “Carro velho” e “Arerê”, como não podia deixar de ser, puseram a multidão a mexer ainda mais, mas seria “Poeira” a grande música da noite.

A artista referiu no durante o concerto que gostou bastante de Coimbra e prometeu voltar.

Susana Alves



DOMINIQUE ZINKPÉ, 1968

Desde 1989 que Dominique Zinkpé tem participado regularmente em exposições no Benim. A partir de 1995 a sua carreira ganha também uma dimensão internacional. Zinkpe trabalha vários media: pintura, escultura, instalação.




Na base do trabalho de Zinkpé estão as esculturas em tamanho natural de seres humanos realizadas com pedaços de madeira, arame e textéis.

Estes personagens combinam características humanas e animais e abordam temáticas sociais de alcance local ou internacional. A política, a (in)justiça, a SIDA, etc. são temas recorrentes.

Na pintura, Zinkpé recorre a uma cosmogonia de espíritos e fantasmas. Criaturas que resultam da transformação dos seres humanos com os animais povoam as suas telas de fundos brancos.

[obras disponíveis de Dominique Zinkpé]

Alfredo Luz e Jorge Pé-Curto expõem juntos

De 19 de Maio a 15 de Junho, os artistas Alfredo Luz e Jorge Pé-Curto expõem mostras individuais de pintura e de escultura, respectivamente, na Galeria de Arte do Casino Estoril.

O título da exposição de Alfredo Luz é Lavrando o Mar. Não com os arados que rasgam a terra, mas com as proas dos barcos que sulcam as águas. É titular de um currículo que já conta 32 exposições individuais, cinco das quais na Galeria de Arte do Casino Estoril e uma no Parlamento Europeu, em Bruxelas, para além da participação em dezenas de colectivas, com realce para o Salão de Outono, com 16 presenças.

Alfredo Luz é titular de uma escrita neofigurativa, em que o surrealismo também aparece, e sempre com uma subtil mensagem de sentido humanista, de respeito pela natureza e pelos seres que a habitam. A sua paleta prefere as cores quentes e a temática dos seus trabalhos obedece a um ciclo de fases em que o sonho e o encanto estão sempre presentes.

Quanto a Jorge Pé-Curto, optou por levar ao Casino cerca de vinte trabalhos em pedra e outros materiais em que o tema básico é o corpo humano. Daí o nome desta exposição ser Este é o meu corpo?. Trata-se de um autor multifacetado, com actividade desenvolvida nas áreas da cerâmica, da pintura, do cartaz e da gravura.

Porém, é na escultura que agora centra a sua actividade artística, em trabalhos de formato normal, mas também em obras públicas de grande dimensão. É autor de conjuntos escultóricos, em que a sua imaginação criadora sempre tem lugar de realce, a par de um humor muito pessoal, sobretudo em peças de características decorativas.

Estas exposições ficam patentes ao público até 15 de Junho, todos os dias, entre as 15h00 e a meia-noite. A entrada é livre.

Tecnobrega: a nova música brasileira tipo exportação

A mistura de ritmos folclóricos do Pará com música eletrônica se tornou a bola da vez em clubes e festas da Europa e dos Estados Unidos, acompanhando uma onda de pesquisas por músicas produzidas em periferias

Organizados em pequenos selos musicais e produtoras de festas, DJs americanos e europeus promovem uma espécie de intercâmbio de novos gêneros musicais

Em dezembro de 2009, o DJ inglês Lewis Robinson, de 44 anos, se embrenhou no mercado de Ver o Peso, em Belém do Pará, para descobrir o que era o tecnobrega. “Fiquei espantado ao encontrar uma música brasileira que não é excessivamente polida como a bossa nova”, diz ele. Referir-se ao tecnobrega como "não excessivamente polido" é uma forma muito mais do que polida de descrever essa mistura tóxica de carimbó, brega dos anos 70, calipso e música eletrônica. Mas Lewis queria isso mesmo. Levou para casa, em Londres, dezenas de discos e passou a alimentar com eles a festa BatMacumba, que produz mensalmente em Nothing Hill, na capital inglesa.

Não só as noites londrinas são abaladas pelo tecnobrega. Em Nova York, Paris ou Montreal é possível escutar as suas batidas. O gênero está definitivamente em ascensão entre os DJs. Seus expoentes são artistas como Wanderley Andrade e Banda Calypso, que fazem o tecnobrega "clássico", e Waldo Squash, Maderito e Gaby Amarantos, que praticam uma variação mais recente e ainda mais encorpada da música paraense, batizada de eletromelody.

Conhecida como Beyoncé do Pará por causa das formas voluptuosas, Gaby Amarantos gravou há pouco um single que já faz algum sucessso em clubes da Europa O que ela canta, com timbre indomável e sintetizadores estridentes, é uma versão de Águas de Março (morra, bossa nova, morra!). “Só falta agora cantar no exterior”, diz Gaby. Não deve demorar.

World Music 2.0 – O single de Gaby Amarantos foi lançado por um selo alemão de música eletrônica. A produção ficou a cargo do DJ carioca João Brasil, que tem agenda nos próximos três meses na Alemanha, em Portugal, na Suíça e na Áustria. João – ao lado de outros nomes, como Chico Dub e Patrick Torquato – é um integrante brasileiro do movimento de DJs e produtores nomeado Global Guettotech ou World Music 2.0 (a contraparte eletrônica daquele gênero que congrega tocadores de bongô caribenhos e flautistas andinos).

Organizados em pequenos selos, dezenas de DJs canadenses, americanos, alemães, holandeses e ingleses promovem uma espécie de intercâmbio de funk, tecnobrega, kuduro, guarachero, calipso, merengue e cumbia, gêneros musicais produzidos em países como Brasil, Colômbia, México, Angola, Costa do Marfim e África do Sul. Oriundas de países que muitas vezes sequer tem indústria fonográfica estabelecida, as músicas são “traficadas” por meio de CD caseiros, pen drives e sites de download gratuito. Em menor escala, música dos Bálcãs e da Ásia é arrolada no esquema de troca.

Lewis Robinson: viagem para Balém do Pará, discos de tecnobrega e festa em Londres

Trocando informações por e-mail, redes sociais e blogs, os DJs e produtores organizam viagens para pesquisar novos ritmos “periféricos” e, ao voltarem para os seus países de origem, criam novas versões dessas músicas, combinando-as com house, techno e dubstep. A partir disso, mudam-se até os nomes. O merengue, ritmo típico da República Dominicana, se transformou em merengue street nos clubes de Amsterdam quando remixado com tecno e reggaton, este de origem jamaicana.

No Brasil, a garimpagem dos estrangeiros começou há alguns anos. O primeiro “achado” foi o funk carioca, que DJs como o americano Diplo e o já mencionado Lewis Robinson trataram de divulgar. O funk está perdendo espaço para o tecnobrega porque esse é mais fácil de dançar. “Quando eu toco tecnobrega em festas na Europa, percebo que as pessoas dançam mais. O funk é agressivo por natureza, os estrangeiros gostam mas não sabem direito como se mexer”, diz João Brasil. Mas ainda há interesse pelo gênero dos morros cariocas. Em fevereiro deste ano, o DJ americano Al Doyle foi detido por policiais durante uma visita à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. “Eles não acreditaram que eu estava procurando discos de funk”, escreveu Doyle no Twitter pouco depois de ser liberado.

Dance, dance, dance – A troca de músicas entre os DJs e os produtores gerou um circuito de festas temáticas em três continentes. As características comuns a esses eventos são a mistura de música eletrônica tradicional com ritmos locais, quase sempre sincopados, dançantes e com coreografias de forte apelo sexual.

Certamente não era nisso que estava pensando o compositor alemão Karlheinz Stockhausen, em suas experimentações pioneiras com a eletrônica, no final dos anos 40. A música eletrônica nasceu assim: como uma das vertentes mais cerebrais da composição erudita. E ela conservou essa característica por um bom tempo, mesmo depois de entrar na corrente sanguínea do pop. Basta lembrar dos discos do também alemão Kraftwerk.

Hoje em dia, no entanto, a música eletrônica é o contrário do que era ao nascer. Dos primórdios, só guardou a ideia dos “loops”, as repetições de batidas ou frases musicais. Mas com um único objetivo: fazer dançar. Ela é, em resumo, música de festa. Quem frequenta as festas na Europa e nos Estados Unidos, pode ter um pouco de “curiosidade antropológica”. No Leblon, ouve-se funk com uma certa ironia. Mas tanto a curiosidade antropológica quanto a ironia se acabam na pista. Nas pistas de tecnobrega, aliás, a música eletrônica completa o seu trajeto: de cerebral, a totalmente descerebrada. Ou será que ainda dá para ir além?

A bossa nova ainda é o gênero musical brasileiro mais exportado. Pontualmente, cantores e grupos venceram a barreira da língua e fizeram relativo sucesso no exterior. Em alguns dos casos, mais por excentricidade do que por talento.

Investigador português de arte africana defende maior protecção das esculturas


Primeiro secretário da embaixada de Angola em Berlim
manteve um encontro com o investigador José Luís
Ferreira e o pintor Etona.




O investigador de arte José Luís Ferreira defendeu, segunda-feira, na cidade de Berlim, maior protecção das obras de escultura africana, pela riqueza histórica e das interpretações filosóficas, culturais e psicossociais que reúnem.

O português José Luís Ferreira, que também é professor e sociólogo, apresentou esta ideia na sexta Conferência Internacional sobre as Artes na Sociedade, que termina hoje, durante a sua dissertação sobre o tema “A filosofia da arte como razão tolerante”, baseada na concepção artística do pintor angolano António Tomás Ana “Etona”.

O orador, que apresentou o tema a estudiosos de várias nacionalidades, centrou a sua comunicação nas esculturas e pinturas de Etona, que foram exibidas em slides durante a comunicação.

Para o palestrante, Etona é um artista plástico exemplar, cujo trabalho preserva traços da arte africana. José Luís Ferreira adiantou que a apreciação adjacente do trabalho de Etona é definida pela investigação complementar, através do trabalho feito pelo pesquisador Patrício Batsikama.

Defensor da corrente “etonismo”, o professor José Luís Ferreira disse que Etona desenvolve uma teoria ética da estética, que torna o conteúdo da sua obra universal.

No final da palestra, José Julião de Oliveira, primeiro secretário da embaixada de Angola em Berlim, disse ao Jornal de Angola ter ficado com uma boa impressão da comunicação apresentada por José Luís Ferreira sobre o “etonismo”.

“Já tive a oportunidade de conversar com o artista em 2005, na Expo do Japão, sobre o ‘etonismo’, uma corrente de arte universal que tem origens angolanas e vai crescendo a nível internacional. Por isso foi uma boa ideia convida-lo para mostrar a arte e a filosofia angolana aos alemães e a todos os presentes na conferência”, disse.

José Julião de Oliveira considerou a participação do artista um passo importante para a afirmação do “etonismo” fora das fronteiras de Angola. “Agora é necessário dar continuidade, aqui na Alemanha, ao trabalho de Etona”, apelou.

Quanto ao possível apoio da embaixada na afirmação desta corrente, o diplomata disse que a representação diplomática de Angola em Berlim pode contribuir, através da divulgação, em comemorações oficiais, relacionadas com o país ou o continente africano.

Sobre o lema “Artefactos. O conhecimento é arte – arte é conhecimento”, a Conferência Internacional sobre as Artes na Sociedade em Berlim é uma realização da Academia de Berlim-Brandenburgo de Ciências e Humanidades. O evento reúne participantes de várias nacionalidades e inclui no seu programa palestras sobre temas relacionados com a arte na sociedade.

Última obra de Malangatana leiloada na internet

Não é uma tela, não é uma escultura, não é um texto. Trata-se antes de um carro: um Fiat 500 pintado pelo próprio Malangatana antes de morrer.

A receita será investida na formação artística e cultural dos mais jovens e carenciados, através da Fundação com o nome do moçambicano, falecido em Janeiro.

Depois de no último Verão ter conhecido o representante da marca italiana em Maputo, que aceitou o desafio de se aliar ao mestre da pintura moçambicana, Malangatana foi dia após dia ao encontro de 'A italiana', nome que acabou por dar ao carro.

Um carro que é uma obra de arte, conjugando o design transalpino e os símbolos visuais de África: a carroçaria alia o vermelho a figuras relacionadas com a natureza e tradições moçambicanas. No tablier, em alumínio, a assinatura do pintor.

Com 'A italiana' espera-se que a obra de Malangatana cumpra um dos maiores sonhos do pintor, conjugando o trabalho social e artístico junto dos mais necessitados.

O leilão estará aberto em https://malangatana.sapo.mz/ até 6 de Julho em língua portuguesa e inglesa, com uma base de licitação de 125 mil dólares (quase 87 mil euros).

As ofertas terão de ser pelo menos 2500 dólares acima da anterior, refere ainda a SAPO Moçambique

Palácio do Gelo Shopping comemorou 3º. aniversário com desfile de Moda

O Palácio do Gelo Shopping “vestiu-se” a preceito com as tendências mais fashion da Primavera/ Verão 2011 e assinalou o seu terceiro aniversário no passado Sábado, com um deslumbrante desfile de Moda, pelo qual passaram algumas das figuras públicas mais queridas dos portugueses.
 
Uma vez mais, o Palácio do Gelo Shopping voltou a inovar e surpreender os seus visitantes, reforçando o seu destaque como um espaço comercial dinâmico, de entretenimento, de lazer e inovação.

A apresentação deste grande evento de Moda coube a Catarina Furtado e Diogo Infante, que conduziram com o charme e simpatia a que acostumaram os portugueses, uma passarela de glamour, recheada das mais recentes tendências de Moda para a Primavera/ Verão, das montras e lojas do Palácio do Gelo Shopping.

Pela passarela do Palácio do Gelo Shopping passaram ainda caras muito conhecidas e queridas dos portugueses – a actriz Diana Chaves, protagonista da novela “Laços de Sangue” da SIC, encantou a plateia de largas centenas de visitantes do Palácio do Gelo Shopping, com a sua beleza estonteante e contagiante sorriso.

As apresentadoras do Programa Fama Show, Rita Andrade e Laura Figueiredo, também se juntaram à grande festa do Palácio do Gelo Shopping, desfilando a sua beleza e boa forma física na passarela do centro comercial de Viseu.

E como o número mágico da noite era o três, das três velas do Palácio do Gelo Shopping, o encerramento do espectáculo de Moda foi da responsabilidade da sedutora voz do grande vencedor da terceira temporada do concurso Ídolos. Filipe Pinto derreteu literalmente a plateia de fãs presentes no Palácio do Gelo Shopping.

A grande festa continuou pela noite a dentro com muita animação a cargo dos DJs Vitto e Verylight na Discoteca Ice Club – localizada também ela no Palácio do Gelo.

No âmbito do desfile de Moda, o Palácio do Gelo Shopping vai oferecer ainda, , nos próximos dias 13 e 14 de Maio, sessões de aconselhamento personalizado em maquilhagem e imagem. Para que todos os seus visitantes se possam sentir autênticos top models, maximizando os seus atributos.

 

Oito quadros de Picasso arrecadam 34 milhões de euros em leilão

“Femmes lisant (Deux Personnages)”
foi o quadro de Picasso que atingiu o valor mais alto
A obra do pintor espanhol “Femmes lisant (Deux Personnages)”, de 1934, foi o quadro do artista que rendeu mais, arrecadando 14 milhões de euros, um valor, ainda assim, abaixo das expectativas, que apontavam para 25 milhões.

No total, a leiloeira Sotheby’s, de Nova Iorque, vendeu no leilão de arte impressionista e moderna, um dos primeiros da Primavera, oito quadros de Picasso, de diferentes períodos artísticos do pintor, no valor de 34 milhões de euros.

A maior surpresa do leilão foi, no entanto, para uma obra rara de Paul Gauguin. Uma escultura de madeira que representa a cabeça de uma jovem polinésia foi vendida por um preço recorde para este tipo de trabalhos do artista, tendo sido leiloada por 7,5 milhões de euros. De acordo com a Sotheby's, o anterior recorde de venda para uma escultura de Gauguin foi de 942 mil euros.

Intitulada “Jeune Tahitienne”, a escultura foi feita por Gauguin numa viagem à polinésia entre 1890 e 1893, representando uma jovem com uns grandes brincos e colares de corais ao pescoço.

A obra de arte tinha sido oferecida por Gauguin a uma menina de dez anos, Jeanne Fournier, filha de um crítico de arte que acabou por vender a escultura em 1961 a um coleccionador privado que a levou, esta terça-feira, a leilão.

Para a leiloeira o resultado obtido por esta obra é sinal de que o interesse por peças trabalhadas em madeira está a aumentar. “O mercado tem demonstrado que há uma procura excepcional por obras deste género”, disse um responsável da Sotheby’s à AFP.

A primeira noite do leilão, que termina esta quarta-feira, levou a hasta 59 trabalhos, totalizando 115 milhões de euro, superando a estimativa mais baixa que era de 107 milhões. Entre 15 e 25 por cento dos trabalhos não foram vendidos.

Para os responsáveis, este foi um resultado muito positivo, tendo em conta os tempos que correm, onde os coleccionadores preferem centrar-se nas obras de arte de topo do que arriscar investir o dinheiro em obras mais pequenas.

“Os leiloes não foram eufóricos, mas na maior parte dos casos as vendas foram sólidas”, explicou Simon Shaw, vice-presidente da Sotheby’s de Nova Iorque, acrescentando que as vendas foram maioritariamente para coleccionadores russos e norte-americanos.

A temporada da primavera será concluída no final deste mês com as vendas de arte latino-americana, nas quais se destaca, entre outras, um auto-retrato em miniatura de Frida Kahlo, avaliado pela Sotheby's entre 539 mil euros e 810 mil euros.

Dior em museu de belas artes

Após o escândalo de John Galliano, a “Christian Dior” pretende usar toda a publicidade positiva, começando com uma retrospetiva da sua história no museu de belas artes de Pushkin, para recuperar a magia da marca.

As belas artes encontraram-se, recentemente, na capital russa, com modelos de Christian Dior. Uma mostra que passou pelo meio das pinturas e das esculturas do museu de Pushkin.

A exposição de Dior traz 110 vestidos, incluindo modelos usados por Marlene Dietrich, pela princesa Diana e por Sophia Loren. Artes plásticas, na receção à alta costura.

Os convidados reagiram com entusiasmo, a uma exposição inacreditável, como diz uma porta-voz da organização:

“Bom, isto não é apenas uma exposição de vestidos. Mas também foram as artes plásticas que inspiraram a criação de Dior. É uma exposição inacreditável. Eu não tenho palavras para tanta emoção”.

Os vestidos estão expostos junto das pinturas – incluindo trabalhos de Pierre Bonnard, Van Gogh e Klimt – que inspirou Dior e os seus seguidores tais como Yves Saint Laurent, Marc Boan, Gianfranco Ferre e John Galliano.

O interior clássico deste museu foi transformado, para acolher a mostra e recriar o estilo da casa Dior.

O artista russo Boris Messerer, um veterano, deu as boas-vindas à exposição, para os entusiastas da moda e para os frequentadores habituais do museu.

“Talvez sejam para gente muito rica que não pode trocar estes vestidos por obras de arte, exemplos maravilhosos de bom gosto”

A exposição serve também para continuar a relação de Chsitian Dior com o glamour da velha Rússia que visitou em 1931, durante o consulado do ditador soviético, Josef Stalin, um acontecimento raro, para um desenhador extrangeiro.


Artista mostra escultura microscópica em Londres

Uma galeria de arte em Birmingham, centro da Inglaterra, tem em exposição uma escultura microscópica do príncipe William e de Kate Middleton, que casaram sexta-feira passada, em Londres.

As duas figurinhas de fibra, representando um noivo e uma noiva são tão pequenas que cabem no buraco de uma agulha.

Os visitantes que quiserem ver o trabalho, exposto na Castle Gallery, no Centro de Convenções Internacionais de Birmingham, precisam de microscópio.“Um casamento real não acontece todos os diaa e eu queria prestar o maior tributo aos noivos”, disse o artista Willard Wigan.

O artista plástico disse que utilizou o próprio cílio para fazer a pintura e que escolheu esculpir William e Kate em pose “imediatamente reconhecível”.

“O maior desafio foi pintar o casal em proporção correcta em relação ao outro, reflectindo as diferenças de altura.” Espécie de “mestra da microescultura”, o artista produz algumas das menores e mais pormenorizadas figuras no mundo artístico.

Cerimónia de atribuição do grau de doutor honoris causa a José Veiga Simão e André Jordan pelo ISCTE-IUL

José Veiga Simão e André Jordan foram galardoados com a distinção de “Doutoramento Honoris Causa” pelo ISCTE - IUL, numa cerimónia que decorreu no Grande Auditório do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa a 27 de Abril de 2011 pelas 18:00.

Na cerimónia estiveram presentes o reitor do ISCTE-IUL, Luís Reto, Ramalho Eanes, Carlos Lopes, Maria de Lurdes Rodrigues e Virgínia Trigo.



Veja a reportagem completa do fotografo da United Photo Press Hugo Cruz

GRANDE REPORTAGEM: ´O que dá as cartas´

Descartes Gadelha, modelo para o personagem Oiti do livro
 "Lenda Estrela Brilhante: "Ele é pretinho e gorducho como eu"

FOTO: KID JUNIOR



O multiartista Descartes Gadelha está lançando o livro infantil "Lenda Estrela Brilhante", premiado no Edital. Com a delicadeza que lhe é peculiar, Descartes falou de beleza, lixo, prostituição, carnaval, arte, barcos, saúde e doença

Você está lançando mais um livro infantil "Lenda Estrela Brilhante". Que história é essa?
Esse livro é um pequeno depoimento disfarçado da minha vida. Porque fui engolido pelo carnaval ainda criança. Na minha infância, nossa Capital era recheada de eventos culturais não patrocinados pelo poder público. A cultura era nascida, produzida e fomentada dentro dos bairros. Todo calendário de festas e manifestações populares estava presente nessa cidade, era vivido de forma intensa.

Tínhamos São João da melhor qualidade. Lembro dos chamados "Caboclos da Parangaba" que, em novembro, saíam pelas ruas e distritos tocando e cantando para angariar fundos para a igreja, e muitos outros. Tínhamos os Pastoris que eram transmitidos ao vivo pela Ceará Rádio Clube e pela concorrente, Rádio Iracema de Fortaleza, os verdadeiros reisados, os autos de Natal e, dessa forma, eram os Maracatus.

Aos 10 anos tive contato com o Maracatu Estrela Brilhante e me contaminei com aquilo até hoje. Eu ia no meio do "canelau", porque as pessoas que não tinham dinheiro para sair no Maracatu, dançavam acompanhando a bateria, o batuque, lá atrás.

A ideia surgiu daí?
Pois bem. Eu, conversando com o Pingo (de Fortaleza), disse a ele que tinha vontade de prestar homenagem ao Estrela Brilhante. E ele gostou da ideia. Daí, escrevi, ilustrei e transformei em estilo de literatura infantil, até tentando dar um toque mais contemporâneo ao gênero. Porque, hoje, tudo está tudo muito ligado à robótica, à eletrônica, ou então, estão ainda nas Histórias da Carochinha.

Pensei em fazer algo atual, trazer a literatura infantil para temas do nosso cotidiano, tanto que aparece até o Ronda do Quarteirão. Mas, quando eu era criança, que morava na avenida Tristão Gonçalves, Fortaleza se dava ao luxo de ter ruas largas, com árvores plantadas ao longo delas, principalmente, oitizeiros, que é uma árvore bonita, frondosa, que dá frutos.

Percorria um quarteirão ou mais, de galho em galho, brincando com outras crianças. Comi muuuuito oiti, não queria nem comida de panela, e esse era meu apelido, porque eu também era pretinho e gorducho, eu era igual a um oiti! Daí o nome do personagem do livro.

Entre suas brincadeiras mais requintadas, estão as réplicas de veleiros. É mais uma paixão?
Estou proibido de pintar, por causa da doença, então... Mas os barcos são outra paixão, sim. Gosto de brincar de talhar barquinhos na madeira. Desde criança sou apaixonado por navegação à vela. É uma história cármica, algum vínculo reencarnatório.

Porque a paixão é tão grande que, ainda hoje, na idade em que estou, me imagino dentro do estaleiro, conversando com construtores e carpinteiros. É fantástico!

Penso em Camões, relembro as grandes navegações. As caravelas, como a internet, encurtaram distâncias, apesar dos barcos frágeis, à vela, sem motor, com alimentação precária. Quando estou na oficina cortando madeira, colando, fazendo uma velinha, me sinto navegando e digo: Deus, que maravilha ser uma eterna criança!

O senhor é pintor, escultor, escritor, músico, compositor. Tantos dons apareceram juntos?
Veja bem, nunca me considerei artista, acho uma palavra muito distante de mim, os outros é que dizem isso. Acho essa palavra muito pomposa, carregada demais para uma pessoa tão insignificante como eu. Sempre achei que artista era cowboy, o Tarzan, o Zorro, o Superman, mas não sou nenhum deles (risos). Mas, aos nove anos, eu já desenhava com perfeição.

Bastava olhar qualquer coisa, que desenhava nas proporções corretas. Recordo os pintores de letreiros, eram senhores profissionais que tinham suas oficinas de pintar. E tinham muito trabalho, porque em Fortaleza tinha o Cine Diogo, Cine Moderno, Cine Majestic, Cine Rex, Cine Luz. Certa vez, um desses homens me viu pintando caricaturas nos muros próximos à Estação Central Ferroviária Professor João Felipe, eu morava por ali.

E disse: ´você sabe desenhar mesmo, garoto? Pois desenhe aí um Rocky Lane. Eu sabia quem era o cowboy americano, porque lia muita história em quadrinho. Ele queria grande e colorido e me deu uma foto pequena e em preto-e-branco.

Eu me trepava num banco e desenhava. Eles me pagavam com a coisa mais encantadora e maravilhosa da vida, que era chocolate. Por isso tenho problemas de intestino. Comi chocolate demais (risos). Mas, o impulso artístico é um só, seja para fazer uma loa ou uma escultura.
Como está sua saúde?
Há cerca de dez anos descobri o câncer. Já fiz várias cirurgias, até perdi a conta. Porque o câncer que tenho é turístico, ele quer fazer uma viagem pelos meus órgãos. Apareceu na próstata, foi para o intestino, passou pelo pulmão, e assim vou eu, diminuindo de tamanho, fazendo uma "lipo-órgão".

Enquanto aparecer o que não presta, vou tirando. Ainda estou me tratando, porque são vários cânceres. Esses dias o médico me abriu, tirou metade do meu pulmão e fiz seis meses de quimioterapia. Quando terminou, apareceu outro no outro pulmão. Daí perguntei ao médico se já podia ir preparando meu escafandro (risos).

Ainda bem que já fui mergulhador... Vou mandar buscar um Aqualand. E olhe que nunca fumei, nunca me droguei, sempre fui atleta, fiz luta livre, boxe, karatê, fui campeão de natação (mostra os músculos do braço), tenho pescoço grosso e corpo forte. É cármico mesmo. Só agora entendo que estava me preparando para receber esse amigo que ia redimir minhas traquinagens de outras vidas. Fica fácil entender mergulhando nessa compreensão.

Então, pela lei do espiritismo, o senhor acredita estar em um processo cármico?
Carma significa cumprir o compromisso, mas sua compreensão é ampla. Tudo o que ocorre está registrado dentro desse processo, ele é nosso código de barras. Carma é a regra. Quem traça nosso destino somos nós mesmos. Só que esse traçado obedece regras sociais interplanetárias, cósmicas.

Estamos passando por mudanças. O planeta está se corrigindo, está mudando seu eixo para uma determinada combinação cósmica com outras dimensões. Ele tem que se ajeitar, é uma questão de evolução. O processo é renovador, nada é destrutivo. Se não fosse assim, os dinossauros ainda estariam por aqui.

Quando a natureza criou o espírito, foi para ser um coadjuvante de Deus, um colaborador, um trabalhador, um auxiliar, que, no Candomblé corresponde ao Ogan. Somos Ogans de Deus, de Olorum, que é como os africanos chamam Deus.

O planeta é um grande centro de Candomblé, onde todos estamos trabalhando para Deus. Ainda não existe uma forma de ensino que transfira esse conhecimento de forma convencional, racional, programática. Mas um dia vai acontecer. Imagine uma faculdade que forme doutores em "Ogan de Olorum", que maravilha isso! O mundo seria outro.

Saúde, ou a falta dela, fazem parte dessa evolução?
Tudo faz parte da evolução. A maior glória da minha vida é o processo dessa doença. Foi a forma mais abençoada, acho essa palavra "bênção" tão meiga, de eu crescer, foi um presente de Deus. Mas só compreende o que estou falando quem tem um. O câncer é uma correção, a gente fica cada dia mais elastecido, iluminado, conhecedor e ciente da responsabilidade cármica.

O senhor tem uma longa trajetória ligada à música percussiva. Como é essa relação?
Não sou músico, sou animador de brincadeiras e utilizo as músicas que faço, que são ruins, tortas, cheias de nós pelas costas, para brincar. E as pessoas também encomendam: "Descartes, tem uma loa aí sobre tal assunto?". No telefone mesmo rabisco e faço. Ela vem como se eu fosse apenas o instrumento. Não sei quantas composições tenho, não faço ideia.

Outro dia encontrei uma loa, que fiz em 1958, sendo cantada no mercado, porque lá sou freguês de panelada. Aliás, é lá que me curo da quimioterapia. Saio do médico e vou comer panelada com cuscuz. O "cancervéi" chega fica acuado quando a panelada bate nele... Mas, voltando, se contar de 1957 para cá, se eu tiver feito 20 músicas por ano, devem existir por aí mais de 300 músicas circulando. Mas nunca gravei nem anotei nada. Outro dia o Pingo gravou um CD de loas, mas a pretensão é só documental. Não tenho veleidades de ser músico ou compositor.

O senhor é conhecido por encontrar beleza onde, aparentemente, não existe. Prova disso é seu trabalho no lixão do Jangurussu. Fale desse período.
Acho que nenhuma beleza me atrai, a natureza é tão bela, que detalhes estéticos e superficiais não me seduzem. Certa vez, queria pintar um pôr-do-sol. Coloquei no carro material de pintura, cavalete, telas, tintas e peguei a BR-116, que naquele tempo ainda era estreitinha, sem viadutos, sem nada. Fui andando sem rumo, entrei num beco, me perdi, mas encontrei um céu de cor linda. Só que quando comecei a desenhar, tinha um mau cheiro que incomodava muito.

Mudei de lugar, levei o material para mais longe, e nada de passar o cheiro de azedo. Daí, ia passando um garoto com um saco na cabeça e eu perguntei de onde vinha aquele cheiro horrível e ele apontou para detrás de um morro ao lado. Subi lá e presenciei uma das cenas mais chocantes da minha vida, o verdadeiro "inferno de Dante". Era o lixão do Jangurussu e lá estavam dezenas de pessoas buscando sua sobrevivência naquele chorume podre.

A princípio chorei muito, fiquei paralisado. Mas, nessa mesma noite voltei e tive um surto recolhedor de almas. Encurtando a história, a partir desse dia, passei um ano e meio em cima do lixão, desenhando e pintando até na luz de candeeiro. Peguei todo tipo de doença que se pode imaginar, mas também fiz muitas amizades e muitos retratos. Só parei quando não aguentei mais.

Falando em beleza, várias obras suas têm como tema a prostituição...
Aos 20 anos, mergulhei fundo na prostituição. Fui para o Centro da cidade e lá tinham as madames, as pensões, os grandes cabarés e o Zé Tatá, que era a parte terminal, que ficava no lugar chamado "Curral". As prostitutas tuberculosas, com sífilis, acabavam lá. O Zé Tatá era penúltima etapa da decadência social e moral da mulher que perdeu a virgindade no interior.

Presenciei tudo isso e passei a fazer leituras pictóricas desses ambientes. Durante muitos anos, em diferentes períodos, morei em vários cabarés, de mala e cuia. Porque você só faz uma boa matéria jornalística se tiver contato pessoal com seu entrevistado.

Aprendi a respeitar as prostitutas como seres superiores. Porque uma pessoa que apanha na cara e abaixa a cabeça, é um ser superior. Foram centenas de pinturas, desenhos e gravuras, acho que fiz uma espécie de doutorado e pós-doutorado na universidade "prostitucional". Eu sei tudo desse mundo que não existe mais. Vi muita coisa bela e muita coisa triste.

E agora, quais são os planos?
Ser melhor do que fui ontem, é só isso que desejo da vida. Fazer o menor mal que puder à natureza e às pessoas que convivo. Estou focado nisso.

NATERCIA ROCHA
REPÓRTER

Mercado da Primavera no Museu de Arte Popular

No fim-de-semana de 15 a 17 de Abril, o Museu de Arte Popular (MAP), em Lisboa, recuperou uma das suas tradições: o Mercado da Primavera.
A promoção e valorização do artesanato português e os seus artífices é um dos objectivos deste mercado.
"Café Portugal Abril de 2011"

«Os Nossos Bonecos - Memórias do Mercado da Primavera» é o ponto de partida para a iniciativa. Os bonecos concebidos pelos artistas Tomaz de Melo e Dalila Braga na década de 1930 servem, agora, de
inspiração a artistas contemporâneos. Os bonecos «ilustravam não apenas os diversos trajes regionais, mas também os diferentes tipos físicos», explica a organização.

«Esta colecção constitui uma referência incontornável na génese, na história e na identidade do museu, pois consubstancia não apenas o investimento que foi feito em iniciativas nacionais e internacionais de promoção da nação antes da criação do MAP, como revela também uma das leituras feitas pelo aparelho ideológico sobre o Portugal de então: um país amoroso que podia ser apresentado em formato de miniaturas».
"Museu de Arte Popular, Lisboa"

No dia 15, entre outras actividades, foi tempo de ver o Grupo Danças e Cantares do Minho.

São deste grupo as imagens aqui apresentadas, bem como do AJAC Eclodir Azul.

Pintor angolano Armando Pombal vence prémio de artes plásticas


Pintor angolano Armando Pombal
Com a obra “Um olhar sobre a África”, o pintor angolano Armando Pombal foi o vencedor do 4º Concurso de Artes Plásticas, promovido pela Embaixada da Itália.

A obra, votada pelo público presente na exposição patente no espaço do Elinga Teatro/Luanda, retrata, segundo Armando Pombal, que falava à Angop, a dedicação da mulher africana em prol do progresso do continente.

O artista, que vai receber três mil dólares pelo galardão, disse que a iniciativa da Embaixada de Itália é louvável, porquanto valoriza o trabalho dos criadores

Já as obras, igualmente de pinturas, intituladas “ O desprezo do Anjo”, de Mateus dos Santos, e “ O princípio”, de Fortunato Bangui, foram escolhidas pelo público para o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Assim sendo, Mateus dos Santos vai receber 1500 dólares e Fortunato Bangui 500 dólares.

Por sua vez, o vice-ministro da Cultura, Cornélio Caley, parabenizou a embaixada italiana pela promoção deste concurso, pois os artistas plásticos precisam de mais eventos como este.

“Os artistas plásticos precisam de espaços para apresentar o seu trabalho, logo se uma embaixada toma essa iniciativa e a juventude aflui é porque esta iniciativa é de aplaudir. Certamente aconselho as outras entidades, essencialmente as de cariz privado, a tomarem iniciativas desta natureza, em prol da cultura”, asseverou.

Este concurso de artes plásticas, em que o público amante da arte vota nas obras, quer na especialidade de escultura quer na pintura, é promovido pela Embaixada de Itália, anualmente, com a colaboração da Fundação italiana-Angola Onlus.

Nesta quarta edição estiveram em concurso 29 pinturas e seis esculturas.

Arte contemporânea de Macau em exposição

O Museu do Oriente apresenta, entre 15 de Abril e 12 de Junho, a exposição Acessórios Imaginários, composta por trabalhos nas áreas da pintura, escultura, fotografia, instalação e videoarte, da autoria de 20 artistas contemporâneos macaenses.

O artista plástico José Drummond, a convite da Fundação Oriente, é o comissário da mostra Acessórios Imaginários, que supõe ser a maior exposição de arte contemporânea de Macau jamais realizada fora do território.

Ampliando a visibilidade de uma cidade multicultural, onde as culturas chinesa e portuguesa continuam a conviver, a exposição exibe a arte contemporânea de Macau através de 38 trabalhos criativos, que evidenciam o panorama natural deste território, onde pequenas realidades e grandes feitos definem a cultura quotidiana

A arte contemporânea de Macau sublinha os conflitos de uma cidade transnacional, que gradualmente vai evoluindo para uma identidade vaga com múltiplas questões. De entre os artistas, constam Alice Kok, Bianca Lei, Carlos Marreiros, James Chu, James Wong, João Ó, João Vasco Paiva, José Drummond, Kent Chi Kin, Konstantin Bessmertiny, Lei Ieng Wei, Lio Man Cheong, Mio Pang Fei, Ng Fong Chao, Pakeong Sequeira, Peng Yung, Tong Chong, Ung Vai Meng, Wong Ka Leong e Xin Jing.

Acessórios Imaginários vai estar na Galeria Sul do Museu do Oriente entre 15 de Abril e 12 de Junho, de ter a domingo entre as 10h00 e as 18h00 (sexta-feira até às 22h00).

A entrada é gratuita.

A ponte das artes entre a Suíça e Portugal

Biberstein está radicado em Portugal há 32 anos
(swissinfo)
“Aqui e além” é a exposição que reúne os artistas Michael Biberstein e Rui Sanches, no Pavilhão Branco do Museu da Cidade de Lisboa, em torno do tema da paisagem.

A partir do encontro da obra dos artistas, ao espectador é permitido desfrutar do diálogo criado entre os dois corpos de trabalho.

Constituída por seis pinturas do suíço Michael Biberstein, quatro esculturas do português Rui Sanches e a peça “Aqui e além”, assinada pelos dois, que resulta da colaboração inédita feita entre os artistas e pensada propositadamente para o espaço, a exposição oferece a construção de uma leitura em fusão com as características singulares do pavilhão e com o espaço envolvente.

Comunicar através da paisagem

O tema da paisagem, que sempre foi o assunto central da pintura abstrata de Biberstein, é representado, agora, com um teor mais efémero e mais atmosférico. Para o pintor “agora as coisas são, talvez, um bocadinho mais efémeras, mais atmosféricas. Têm mais cores, têm menos indicadores exatos de paisagem. São mais difusas. Mas ainda se vê uma paisagem.” Acrescentando que, desde a última vez que expôs em Lisboa, na galeria Cristina Guerra, “houve pequenas alterações. Sempre há. Mas nada revolucionário.”

O conjunto de obras que Rui Sanches elaborou para a exposição, mais do que é costume no seu trabalho, revela um caráter paisagístico Uma produção que o escultor reconhece ter “referências óbvias a paisagens, a horizontes e montanhas”. O que pode ser considerado como elemento catalítico no “diálogo com as peças do Michael.”

John Coltrane e Alentejo

“Eu penso que o facto de estar parcialmente fixado no Alentejo, isso tem-se refletido no meu trabalho”, revela Rui Sanches. “Essa questão de dar maior atenção à paisagem tem, com certeza, que ver com o facto de eu estar agora muito mais perto desse ambiente natural, pelo menos durante uma parte do ano.”
Para Michael Bieberstein, radicado em Portugal há 32 anos e a viver atualmente no Alentejo, a música é o elemento crucial no processo criativo. A sua banda sonora de eleição é aquela que tem a assinatura do músico de jazz John Coltrane. “Eu utilizo muito John Coltrane. Adoro!”

A paixão pela música de John Coltrane, a principio, era fácil de reconhecer no documentário que o realizador Fernando Lopes fez sobre o artista suíço e o seu trabalho (Michael Biberstein: O meu amigo Mike ao trabalho), mas “como a Impulse Records não cedeu os direitos, foi preciso substituir a música dentro do filme.”

Conta Biberstein que o som de Coltrane foi, então, substituído pelo grupo português Norman. “É um grupo fabuloso de jazz-rock” composto por “um guitarrista fantástico que é o Norberto Lobo, de nível mundial, o baterista é o João Lobo, também muito forte, e nos teclados está o Manuel Mesquita. Chamam-se Norman e é um grupo muito, muito bom.”

Colaboração rara

Uma amizade de vários anos e a afinidade artística entre os dois criadores, foram os elementos que permitiram reunir no mesmo espaço duas formas distintas de abordar um mesmo tema e fazer nascer a obra “Aqui e além”.

A exposição nasceu “com o respeito mutuo que nós temos um pelo outro, com o respeito que temos pelo trabalho de cada um”, afirma Biberstein. “O Rui também trata o assunto da paisagem, só que com uma linguagem totalmente diferente. Mas também com um certo sossego, com uma certa calma.“

“Somos amigos há muitos anos e várias vezes falámos em fazermos um projeto conjunto.” revela Rui Sanches. “Gostamos muito do trabalho um do outro. Agora, houve algo que fez despoletar este projeto e estamos aqui juntos neste espaço da Câmara.”

“Foi uma troca através das escolhas que fizemos das obras, das propostas que fizemos da ocupação do espaço e da montagem da exposição. Tudo isso foi feito em colaboração, mas o trabalho de cada um foi completamente autónomo e respeitado”, conclui.

Sobre a peça “Aqui e além”, cuja autoria é partilhada pelos dois artistas, Biberstein considera que “é bastante raro haver uma colaboração de trabalho assim,” mas “foi bom!”. E explica: “Aqui e além” surge de uma escultura de Rui Sanches que “é uma pequena casa, onde se pode entrar e, uma vez dentro dessa casa, vê-se uma abertura. Através daquela abertura ele (Rui Sanches) queria ver uma pintura minha, e eu pensei nisso. E sugeriu fazermos uma colaboração. Então, eu fiz uma pintura para esta peça e surgiu esta obra que é uma colaboração. Uma peça assinada pelos dois.”

Pavilhão Branco

Usufruindo de “uma situação fabulosa,” no jardim de um palácio setecentista habitado por famílias de pavões, o Pavilhão Branco é, nas palavras do pintor suíço, “muito bonito. Foi um grande prazer” fazer a exposição neste espaço.

“O Pavilhão Branco tem uma arquitetura minimalista e tem muita luz, o que para as minhas pinturas é muito favorável. As minhas pinturas são feitas de muitas camadas de cores diferentes. São camadas muito diluídas. Portanto, quando a luz muda a pintura também muda. Dependendo se se vê a exposição de manhã ou de tarde, pode-se ver uma exposição bastante diferente,” esclarece Biberstein.

Rui Sanches já tinha realizado uma exposição no pavilhão, no final dos anos noventa, mas Michael Biberstein nunca tinha exposto neste espaço. Por isso, quando a dupla considerou o Pavilhão Branco como “o espaço ideal para fazerem essa exposição”, o Chefe de Divisão de Galerias e Ateliers da Câmara Municipal de Lisboa, João Mourão, viu aqui uma “excelente oportunidade de ter o Michael Biberstein.” E assim permitir o “reencontro com a obra dos dois artistas, mas numa interacção diferente.” Para João Mourão, “o que existe aqui é a criação de um diálogo muito importante.”

“Há imenso tempo que achávamos que o trabalho do Michael Bieberstein se adaptava perfeitamente às características do Pavilhão Branco e que era uma lacuna ele ainda não ter passado pelo Pavilhão. Foi nesse sentido que aconteceu a exposição e a oportunidade de mostrar a obra,” concluiu João Mourão.

Luís Guita

“Encontro” de Alice Alves e Jean Buyer na vila medieval de Monsaraz

A pintora Alice Alves e o escultor Jean Buyer apresentam a exposição “Encontro” na Igreja de Santiago, na vila medieval de Monsaraz. Organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz e integrada no Ciclo de Exposições Monsaraz Museu Aberto, esta mostra de pintura e escultura vai ser inaugurada no sábado, dia 9 de Abril, pelas 16h, e pode ser apreciada até 8 de Maio, entre as 10h e as 12h30 e das 14h às 18h30.

Alice Alves é uma pintora autodidacta que iniciou a sua actividade artística há mais de uma década. Desde 2005 realizou exposições individuais e colectivas em França, Alemanha, Espanha e Portugal. Actualmente, deseja desenvolver a sua arte como método de terapia para crianças com dificuldades e deficiências.

Alice Alves descreve-se “apaixonada pela pintura e curiosa sobre tudo o que está ao meu redor. A natureza que temos de proteger é a minha fonte contínua de inspiração e o meu objectivo é que as pessoas que vêem as minhas obras reflictam sobre a existência e a exigência da vida, da natureza, dos seres vivos, porque parece que tudo o que nos cerca é muito frágil”. A artista vai expor 35 quadros pintados a óleo, cinco de colecções particulares e os restantes para aquisição pelo público.

Na exposição “Encontro”, Jean Buyer propõe ao observador a reflexão, o desenvolvimento do seu próprio imaginário, esculpe e afeiçoa dialogando com o objecto para criar uma imagem que não está encerrada numa só representação. O escultor vai mostrar 10 obras em Monsaraz, todas disponíveis para compra pelos visitantes.

O jornalista e historiador Eduardo Raposo diz que uma das linhas de força em que se consubstancia esta exposição é “o desejo de intervir, de denunciar, de trazer para a luz do dia a Mulher - mas não só -, sobretudo a mulher negra que é alvo de horríveis mutilações genitais, retirando-lhe ou reduzindo-lhe drasticamente a sua capacidade de prazer sexual”.

Para Eduardo Raposo, nesta colectiva “Encontro”, pode-se “saborear o mistério e a sensualidade feminina enquanto expressão de poder pela sedução subjacente – como por exemplo em «Regarder de femme» ou «Neta», mas também o mistério que nos surge nas «naturezas mortas», caso das orquídeas, plantas enigmáticas. Encontramos então neste conjunto de trabalhos expostos um jogo onde sedução, mistério e sensualidade se cruzam entre o universo feminino e o mistério das orquídeas, jogo feito de erotismo e beleza, onde a delicadeza das aves dão o contraponto ao elemento que faltava para completar o triângulo”.


Julião Sarmento inaugura duas exposições em Madrid


Julião Sarmento no seu atelier, em 2008 (Daniel Rocha)

Julião Sarmento inaugura este fim-de-semana duas exposições diferentes em Madrid, “Distancias Cortas” na Casa Encendida e “Papel” na galeria Ivorypress. O artista português está em destaque na imprensa espanhola.

Em “Distancias Cortas”, patente até ao dia 5 de Junho, Julião Sarmento reúne vídeos, desenhos, pinturas, esculturas e performances, a maior parte trabalhos desconhecidos do público espanhol, revisitando diferentes aspectos da sua obra dos últimos 20 anos. A exposição, que tem como curador o britânico Adrian Searle, crítico de arte do “The Guardian”, está divida em nove salas da Casa Encendida, da Fundação Obra Social Caja Madrid.

Nesta exposição, Julião Sarmento aborda temas íntimos e por vezes provocadores, despertando no espectador uma experiência de contrastes, entre o obscuro e a luz, a proximidade e a distância, a pornografia e a subtileza. “Sarmento esconde e mostra muitas vezes ao mesmo tempo, incita o espectador a lutar contra o seu desejo de ver e não ver, de completar o que falta”, disse ao “El País” Adrian Searle. “As salas são adequadas para o que poderíamos considerar várias exposições distintas da obra do artista”, acrescentou o comissário.

“Para mim os objectos e as peças são como palavras e o Adrian construiu um romance com as minhas palavras, é uma exposição de dois artistas”, disse o português, citado pelo “El País”, na conferência de imprensa na inauguração da exposição “Distancias Cortas”.

Em “Papel”, na galeria Ivorypress até ao dia 28 de Maio, Julião Sarmento apresenta 24 obras sobre papel que mostram parte da trajectória do artista. Entre as obras expostas estão colagens, fotografias e desenhos recentes.

Com as duas inaugurações, “Papel” na sexta-feira e “Distancias Cortas” no sábado, a imprensa espanhola voltou as atenções para o português. O “El Mundo” escreve que Julião Sarmento é “o mais importante artista português depois da veteraníssima Paula Rego”, enquanto o “El País” o apelida de “artista português mais internacional”. Para o “Público” espanhol, Sarmento “pertence a uma estranha e reduzida estirpe de artistas”.

Até ao fim do mês de Março, Julião Sarmento teve também uma exposição no Centro de Arte Contemporânea de Málaga que contou com mais de 27 mil visitas.

Julião Sarmento, de 63 anos, vive e trabalha em Portugal. Em 1997, representou Portugal na Bienal de Veneza. As suas obras encontram-se em colecções nacionais como na Fundação Calouste Gulbenkian, Caixa Geral de Depósitos e Fundação de Serralves, mas também em colecções internacionais, tais como a Fundació La Caixa (Barcelona), Hirshorn Museum and Sculture Garden (Washington), Moderna Meseet (Estocolmo), MoMA (Nova Iorque), Centre Georges Ponpidou (Paris), Salomon Gugenheim Museum (Nova Iorque), Staatlische Galerie am Lembachaus (Munique) e Stedelik Van Abbemuseum (Eindhoven).

Exposição do mais conhecido pintor colombiano reaviva trauma da violência

Pintura de Botero expressa a violência política colombiana.

Uma caveira empunha a bandeira colombiana enquanto pisa sobre cinco corpos ensanguentados caídos sobre um campo verdejante. Assim, o mais importante e prestigiado artista plástico colombiano, Fernando Botero, retratou o que enxergava como sendo a paisagem de seu país, a Colômbia, em 2004.

Para o pintor e escultor, uma paisagem então pontilhada de corpos sem vida, baleados ou esquartejados, e ofuscada por sucessivas guerras e conflitos sociais que acompanham a história colombiana desde o processo de independência nacional e que se intensificam a partir do surgimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 1964.

Nascido em Medellín, em 1932, mas já há muito tempo dividindo seu tempo entre a Europa, os Estados Unidos e seu país, Botero se tornou mundialmente famoso por pintar e esculpir modelos gordos e roliços, desdenhando, assim, do moderno estereótipo de sensualidade e ironizando políticos, militares, religiosos e burocratas.

Entre os anos de 1994 e 2004, no entanto, o artista decidiu pintar os 36 desenhos, 25 telas a óleo e seis aquarelas atualmente expostos na mostra Dores da Colômbia, aberta até 1º de maio na galeria da Caixa Cultural, em Brasília. Nessas obras, Botero deixa um pouco de lado o viés bem-humorado de suas obras mais famosas para registrar aos sequestros, torturas, assassinatos e atentados que, ainda hoje, o mundo associa à Colômbia.

E que, além de milhares de mortos, obrigaram mais de 1,5 milhão de moradores de pequenas cidades e zonas rurais a abandonar tudo e migrar para as grandes cidades, fenômeno chamado de desplazamiento em espanhol.

"Meu país tem duas faces. A Colômbia é esse mundo amável que eu pinto sempre, mas também tem o rosto terrível da violência", comentou Botero, a respeito da opção temática que impressiona quem se depara com 67 obras que, desde a abertura da exposição, no dia 16, até o último domingo (27), já foram vistas por cerca de 3 mil pessoas.

Embora Botero tenha declarado em entrevistas não ser fácil transformar o drama em arte e que preferiria que os quadros agora expostos em Brasília não tivessem razão de existir, a impressão causada pelas obras é tão forte que, mesmo a mostra tendo obtido a classificação etária livre, seus organizadores desaconselham pais e escolas a levarem crianças pequenas para ver o que o pintor classificou como seu testemunho da dolorosa situação que o país enfrentou. “Em vista do drama que atinge a Colômbia, senti a obrigação de deixar um registro sobre um momento irracional de nossa história”, declarou o artista.

E é justamente o caráter de registro histórico dos quadros o que alguns colombianos que vivem no Brasil esperam que fique claro para quem visita a exposição. Sem questionar a qualidade artística das obras e dizendo-se orgulhosos por Botero ser colombiano, alguns de seus compatriotas destacam que o país já não é mais aquele retratado nas telas. Apesar de muitas pessoas sequestradas continuarem em poder das Farc e da luta entre guerrilheiros, paramilitares e Estado não ter chegado ao fim.

Procurados pela Agência Brasil, vários colombianos que vivem em Brasília se negaram a falar sobre o assunto. A própria embaixadora da Colômbia no Brasil, Maria Elvira Holguín, não retornou os telefonemas da reportagem. Entre os que aceitaram falar sobre como foram atingidos pelo conflito armado e o que pensam da atual situação colombiana, houve quem dissesse não ter intenção de ir à exposição.

Mesmo os que acreditam que os quadros, se exibidos sem a necessária contextualização, podem reforçar preconceitos e estereótipos, disseram entender que as obras são um registro artístico de um momento histórico que não pode ser negado. Contudo, não esconderam que, após tantos anos de más notícias, prefeririam ver seu país exibindo suas belezas e aspectos positivos.

"Esta exposição nos machuca porque mostra algo que aconteceu e que ainda não foi totalmente resolvido, mas que também já não é mais a realidade atual. Mas é também algo que não pode ser ignorado e de que não nos orgulhamos. O importante é que as pessoas que visitarem a exposição tenham discernimento e saibam que o próprio Botero pinta muitas coisas bonitas de nosso país. E, principalmente, que as coisas mudaram", afirmou a colombiana Johanna del Pilar, que há 12 anos vive em Brasília.

De Brasília, onde pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 9h às 21h, a exposição segue para Curitiba. Na capital paranaense, as obras serão expostas de 18 de maio a 10 de julho, no Museu Oscar Niemeyer. Em seguida, a mostra ocupará os espaços da Caixa Cultural de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Salvador, em datas que ainda serão definidas.

A entrada é gratuita.