Artista mostra escultura microscópica em Londres

Uma galeria de arte em Birmingham, centro da Inglaterra, tem em exposição uma escultura microscópica do príncipe William e de Kate Middleton, que casaram sexta-feira passada, em Londres.

As duas figurinhas de fibra, representando um noivo e uma noiva são tão pequenas que cabem no buraco de uma agulha.

Os visitantes que quiserem ver o trabalho, exposto na Castle Gallery, no Centro de Convenções Internacionais de Birmingham, precisam de microscópio.“Um casamento real não acontece todos os diaa e eu queria prestar o maior tributo aos noivos”, disse o artista Willard Wigan.

O artista plástico disse que utilizou o próprio cílio para fazer a pintura e que escolheu esculpir William e Kate em pose “imediatamente reconhecível”.

“O maior desafio foi pintar o casal em proporção correcta em relação ao outro, reflectindo as diferenças de altura.” Espécie de “mestra da microescultura”, o artista produz algumas das menores e mais pormenorizadas figuras no mundo artístico.

Cerimónia de atribuição do grau de doutor honoris causa a José Veiga Simão e André Jordan pelo ISCTE-IUL

José Veiga Simão e André Jordan foram galardoados com a distinção de “Doutoramento Honoris Causa” pelo ISCTE - IUL, numa cerimónia que decorreu no Grande Auditório do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa a 27 de Abril de 2011 pelas 18:00.

Na cerimónia estiveram presentes o reitor do ISCTE-IUL, Luís Reto, Ramalho Eanes, Carlos Lopes, Maria de Lurdes Rodrigues e Virgínia Trigo.



Veja a reportagem completa do fotografo da United Photo Press Hugo Cruz

GRANDE REPORTAGEM: ´O que dá as cartas´

Descartes Gadelha, modelo para o personagem Oiti do livro
 "Lenda Estrela Brilhante: "Ele é pretinho e gorducho como eu"

FOTO: KID JUNIOR



O multiartista Descartes Gadelha está lançando o livro infantil "Lenda Estrela Brilhante", premiado no Edital. Com a delicadeza que lhe é peculiar, Descartes falou de beleza, lixo, prostituição, carnaval, arte, barcos, saúde e doença

Você está lançando mais um livro infantil "Lenda Estrela Brilhante". Que história é essa?
Esse livro é um pequeno depoimento disfarçado da minha vida. Porque fui engolido pelo carnaval ainda criança. Na minha infância, nossa Capital era recheada de eventos culturais não patrocinados pelo poder público. A cultura era nascida, produzida e fomentada dentro dos bairros. Todo calendário de festas e manifestações populares estava presente nessa cidade, era vivido de forma intensa.

Tínhamos São João da melhor qualidade. Lembro dos chamados "Caboclos da Parangaba" que, em novembro, saíam pelas ruas e distritos tocando e cantando para angariar fundos para a igreja, e muitos outros. Tínhamos os Pastoris que eram transmitidos ao vivo pela Ceará Rádio Clube e pela concorrente, Rádio Iracema de Fortaleza, os verdadeiros reisados, os autos de Natal e, dessa forma, eram os Maracatus.

Aos 10 anos tive contato com o Maracatu Estrela Brilhante e me contaminei com aquilo até hoje. Eu ia no meio do "canelau", porque as pessoas que não tinham dinheiro para sair no Maracatu, dançavam acompanhando a bateria, o batuque, lá atrás.

A ideia surgiu daí?
Pois bem. Eu, conversando com o Pingo (de Fortaleza), disse a ele que tinha vontade de prestar homenagem ao Estrela Brilhante. E ele gostou da ideia. Daí, escrevi, ilustrei e transformei em estilo de literatura infantil, até tentando dar um toque mais contemporâneo ao gênero. Porque, hoje, tudo está tudo muito ligado à robótica, à eletrônica, ou então, estão ainda nas Histórias da Carochinha.

Pensei em fazer algo atual, trazer a literatura infantil para temas do nosso cotidiano, tanto que aparece até o Ronda do Quarteirão. Mas, quando eu era criança, que morava na avenida Tristão Gonçalves, Fortaleza se dava ao luxo de ter ruas largas, com árvores plantadas ao longo delas, principalmente, oitizeiros, que é uma árvore bonita, frondosa, que dá frutos.

Percorria um quarteirão ou mais, de galho em galho, brincando com outras crianças. Comi muuuuito oiti, não queria nem comida de panela, e esse era meu apelido, porque eu também era pretinho e gorducho, eu era igual a um oiti! Daí o nome do personagem do livro.

Entre suas brincadeiras mais requintadas, estão as réplicas de veleiros. É mais uma paixão?
Estou proibido de pintar, por causa da doença, então... Mas os barcos são outra paixão, sim. Gosto de brincar de talhar barquinhos na madeira. Desde criança sou apaixonado por navegação à vela. É uma história cármica, algum vínculo reencarnatório.

Porque a paixão é tão grande que, ainda hoje, na idade em que estou, me imagino dentro do estaleiro, conversando com construtores e carpinteiros. É fantástico!

Penso em Camões, relembro as grandes navegações. As caravelas, como a internet, encurtaram distâncias, apesar dos barcos frágeis, à vela, sem motor, com alimentação precária. Quando estou na oficina cortando madeira, colando, fazendo uma velinha, me sinto navegando e digo: Deus, que maravilha ser uma eterna criança!

O senhor é pintor, escultor, escritor, músico, compositor. Tantos dons apareceram juntos?
Veja bem, nunca me considerei artista, acho uma palavra muito distante de mim, os outros é que dizem isso. Acho essa palavra muito pomposa, carregada demais para uma pessoa tão insignificante como eu. Sempre achei que artista era cowboy, o Tarzan, o Zorro, o Superman, mas não sou nenhum deles (risos). Mas, aos nove anos, eu já desenhava com perfeição.

Bastava olhar qualquer coisa, que desenhava nas proporções corretas. Recordo os pintores de letreiros, eram senhores profissionais que tinham suas oficinas de pintar. E tinham muito trabalho, porque em Fortaleza tinha o Cine Diogo, Cine Moderno, Cine Majestic, Cine Rex, Cine Luz. Certa vez, um desses homens me viu pintando caricaturas nos muros próximos à Estação Central Ferroviária Professor João Felipe, eu morava por ali.

E disse: ´você sabe desenhar mesmo, garoto? Pois desenhe aí um Rocky Lane. Eu sabia quem era o cowboy americano, porque lia muita história em quadrinho. Ele queria grande e colorido e me deu uma foto pequena e em preto-e-branco.

Eu me trepava num banco e desenhava. Eles me pagavam com a coisa mais encantadora e maravilhosa da vida, que era chocolate. Por isso tenho problemas de intestino. Comi chocolate demais (risos). Mas, o impulso artístico é um só, seja para fazer uma loa ou uma escultura.
Como está sua saúde?
Há cerca de dez anos descobri o câncer. Já fiz várias cirurgias, até perdi a conta. Porque o câncer que tenho é turístico, ele quer fazer uma viagem pelos meus órgãos. Apareceu na próstata, foi para o intestino, passou pelo pulmão, e assim vou eu, diminuindo de tamanho, fazendo uma "lipo-órgão".

Enquanto aparecer o que não presta, vou tirando. Ainda estou me tratando, porque são vários cânceres. Esses dias o médico me abriu, tirou metade do meu pulmão e fiz seis meses de quimioterapia. Quando terminou, apareceu outro no outro pulmão. Daí perguntei ao médico se já podia ir preparando meu escafandro (risos).

Ainda bem que já fui mergulhador... Vou mandar buscar um Aqualand. E olhe que nunca fumei, nunca me droguei, sempre fui atleta, fiz luta livre, boxe, karatê, fui campeão de natação (mostra os músculos do braço), tenho pescoço grosso e corpo forte. É cármico mesmo. Só agora entendo que estava me preparando para receber esse amigo que ia redimir minhas traquinagens de outras vidas. Fica fácil entender mergulhando nessa compreensão.

Então, pela lei do espiritismo, o senhor acredita estar em um processo cármico?
Carma significa cumprir o compromisso, mas sua compreensão é ampla. Tudo o que ocorre está registrado dentro desse processo, ele é nosso código de barras. Carma é a regra. Quem traça nosso destino somos nós mesmos. Só que esse traçado obedece regras sociais interplanetárias, cósmicas.

Estamos passando por mudanças. O planeta está se corrigindo, está mudando seu eixo para uma determinada combinação cósmica com outras dimensões. Ele tem que se ajeitar, é uma questão de evolução. O processo é renovador, nada é destrutivo. Se não fosse assim, os dinossauros ainda estariam por aqui.

Quando a natureza criou o espírito, foi para ser um coadjuvante de Deus, um colaborador, um trabalhador, um auxiliar, que, no Candomblé corresponde ao Ogan. Somos Ogans de Deus, de Olorum, que é como os africanos chamam Deus.

O planeta é um grande centro de Candomblé, onde todos estamos trabalhando para Deus. Ainda não existe uma forma de ensino que transfira esse conhecimento de forma convencional, racional, programática. Mas um dia vai acontecer. Imagine uma faculdade que forme doutores em "Ogan de Olorum", que maravilha isso! O mundo seria outro.

Saúde, ou a falta dela, fazem parte dessa evolução?
Tudo faz parte da evolução. A maior glória da minha vida é o processo dessa doença. Foi a forma mais abençoada, acho essa palavra "bênção" tão meiga, de eu crescer, foi um presente de Deus. Mas só compreende o que estou falando quem tem um. O câncer é uma correção, a gente fica cada dia mais elastecido, iluminado, conhecedor e ciente da responsabilidade cármica.

O senhor tem uma longa trajetória ligada à música percussiva. Como é essa relação?
Não sou músico, sou animador de brincadeiras e utilizo as músicas que faço, que são ruins, tortas, cheias de nós pelas costas, para brincar. E as pessoas também encomendam: "Descartes, tem uma loa aí sobre tal assunto?". No telefone mesmo rabisco e faço. Ela vem como se eu fosse apenas o instrumento. Não sei quantas composições tenho, não faço ideia.

Outro dia encontrei uma loa, que fiz em 1958, sendo cantada no mercado, porque lá sou freguês de panelada. Aliás, é lá que me curo da quimioterapia. Saio do médico e vou comer panelada com cuscuz. O "cancervéi" chega fica acuado quando a panelada bate nele... Mas, voltando, se contar de 1957 para cá, se eu tiver feito 20 músicas por ano, devem existir por aí mais de 300 músicas circulando. Mas nunca gravei nem anotei nada. Outro dia o Pingo gravou um CD de loas, mas a pretensão é só documental. Não tenho veleidades de ser músico ou compositor.

O senhor é conhecido por encontrar beleza onde, aparentemente, não existe. Prova disso é seu trabalho no lixão do Jangurussu. Fale desse período.
Acho que nenhuma beleza me atrai, a natureza é tão bela, que detalhes estéticos e superficiais não me seduzem. Certa vez, queria pintar um pôr-do-sol. Coloquei no carro material de pintura, cavalete, telas, tintas e peguei a BR-116, que naquele tempo ainda era estreitinha, sem viadutos, sem nada. Fui andando sem rumo, entrei num beco, me perdi, mas encontrei um céu de cor linda. Só que quando comecei a desenhar, tinha um mau cheiro que incomodava muito.

Mudei de lugar, levei o material para mais longe, e nada de passar o cheiro de azedo. Daí, ia passando um garoto com um saco na cabeça e eu perguntei de onde vinha aquele cheiro horrível e ele apontou para detrás de um morro ao lado. Subi lá e presenciei uma das cenas mais chocantes da minha vida, o verdadeiro "inferno de Dante". Era o lixão do Jangurussu e lá estavam dezenas de pessoas buscando sua sobrevivência naquele chorume podre.

A princípio chorei muito, fiquei paralisado. Mas, nessa mesma noite voltei e tive um surto recolhedor de almas. Encurtando a história, a partir desse dia, passei um ano e meio em cima do lixão, desenhando e pintando até na luz de candeeiro. Peguei todo tipo de doença que se pode imaginar, mas também fiz muitas amizades e muitos retratos. Só parei quando não aguentei mais.

Falando em beleza, várias obras suas têm como tema a prostituição...
Aos 20 anos, mergulhei fundo na prostituição. Fui para o Centro da cidade e lá tinham as madames, as pensões, os grandes cabarés e o Zé Tatá, que era a parte terminal, que ficava no lugar chamado "Curral". As prostitutas tuberculosas, com sífilis, acabavam lá. O Zé Tatá era penúltima etapa da decadência social e moral da mulher que perdeu a virgindade no interior.

Presenciei tudo isso e passei a fazer leituras pictóricas desses ambientes. Durante muitos anos, em diferentes períodos, morei em vários cabarés, de mala e cuia. Porque você só faz uma boa matéria jornalística se tiver contato pessoal com seu entrevistado.

Aprendi a respeitar as prostitutas como seres superiores. Porque uma pessoa que apanha na cara e abaixa a cabeça, é um ser superior. Foram centenas de pinturas, desenhos e gravuras, acho que fiz uma espécie de doutorado e pós-doutorado na universidade "prostitucional". Eu sei tudo desse mundo que não existe mais. Vi muita coisa bela e muita coisa triste.

E agora, quais são os planos?
Ser melhor do que fui ontem, é só isso que desejo da vida. Fazer o menor mal que puder à natureza e às pessoas que convivo. Estou focado nisso.

NATERCIA ROCHA
REPÓRTER

Mercado da Primavera no Museu de Arte Popular

No fim-de-semana de 15 a 17 de Abril, o Museu de Arte Popular (MAP), em Lisboa, recuperou uma das suas tradições: o Mercado da Primavera.
A promoção e valorização do artesanato português e os seus artífices é um dos objectivos deste mercado.
"Café Portugal Abril de 2011"

«Os Nossos Bonecos - Memórias do Mercado da Primavera» é o ponto de partida para a iniciativa. Os bonecos concebidos pelos artistas Tomaz de Melo e Dalila Braga na década de 1930 servem, agora, de
inspiração a artistas contemporâneos. Os bonecos «ilustravam não apenas os diversos trajes regionais, mas também os diferentes tipos físicos», explica a organização.

«Esta colecção constitui uma referência incontornável na génese, na história e na identidade do museu, pois consubstancia não apenas o investimento que foi feito em iniciativas nacionais e internacionais de promoção da nação antes da criação do MAP, como revela também uma das leituras feitas pelo aparelho ideológico sobre o Portugal de então: um país amoroso que podia ser apresentado em formato de miniaturas».
"Museu de Arte Popular, Lisboa"

No dia 15, entre outras actividades, foi tempo de ver o Grupo Danças e Cantares do Minho.

São deste grupo as imagens aqui apresentadas, bem como do AJAC Eclodir Azul.

Pintor angolano Armando Pombal vence prémio de artes plásticas


Pintor angolano Armando Pombal
Com a obra “Um olhar sobre a África”, o pintor angolano Armando Pombal foi o vencedor do 4º Concurso de Artes Plásticas, promovido pela Embaixada da Itália.

A obra, votada pelo público presente na exposição patente no espaço do Elinga Teatro/Luanda, retrata, segundo Armando Pombal, que falava à Angop, a dedicação da mulher africana em prol do progresso do continente.

O artista, que vai receber três mil dólares pelo galardão, disse que a iniciativa da Embaixada de Itália é louvável, porquanto valoriza o trabalho dos criadores

Já as obras, igualmente de pinturas, intituladas “ O desprezo do Anjo”, de Mateus dos Santos, e “ O princípio”, de Fortunato Bangui, foram escolhidas pelo público para o segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Assim sendo, Mateus dos Santos vai receber 1500 dólares e Fortunato Bangui 500 dólares.

Por sua vez, o vice-ministro da Cultura, Cornélio Caley, parabenizou a embaixada italiana pela promoção deste concurso, pois os artistas plásticos precisam de mais eventos como este.

“Os artistas plásticos precisam de espaços para apresentar o seu trabalho, logo se uma embaixada toma essa iniciativa e a juventude aflui é porque esta iniciativa é de aplaudir. Certamente aconselho as outras entidades, essencialmente as de cariz privado, a tomarem iniciativas desta natureza, em prol da cultura”, asseverou.

Este concurso de artes plásticas, em que o público amante da arte vota nas obras, quer na especialidade de escultura quer na pintura, é promovido pela Embaixada de Itália, anualmente, com a colaboração da Fundação italiana-Angola Onlus.

Nesta quarta edição estiveram em concurso 29 pinturas e seis esculturas.

Arte contemporânea de Macau em exposição

O Museu do Oriente apresenta, entre 15 de Abril e 12 de Junho, a exposição Acessórios Imaginários, composta por trabalhos nas áreas da pintura, escultura, fotografia, instalação e videoarte, da autoria de 20 artistas contemporâneos macaenses.

O artista plástico José Drummond, a convite da Fundação Oriente, é o comissário da mostra Acessórios Imaginários, que supõe ser a maior exposição de arte contemporânea de Macau jamais realizada fora do território.

Ampliando a visibilidade de uma cidade multicultural, onde as culturas chinesa e portuguesa continuam a conviver, a exposição exibe a arte contemporânea de Macau através de 38 trabalhos criativos, que evidenciam o panorama natural deste território, onde pequenas realidades e grandes feitos definem a cultura quotidiana

A arte contemporânea de Macau sublinha os conflitos de uma cidade transnacional, que gradualmente vai evoluindo para uma identidade vaga com múltiplas questões. De entre os artistas, constam Alice Kok, Bianca Lei, Carlos Marreiros, James Chu, James Wong, João Ó, João Vasco Paiva, José Drummond, Kent Chi Kin, Konstantin Bessmertiny, Lei Ieng Wei, Lio Man Cheong, Mio Pang Fei, Ng Fong Chao, Pakeong Sequeira, Peng Yung, Tong Chong, Ung Vai Meng, Wong Ka Leong e Xin Jing.

Acessórios Imaginários vai estar na Galeria Sul do Museu do Oriente entre 15 de Abril e 12 de Junho, de ter a domingo entre as 10h00 e as 18h00 (sexta-feira até às 22h00).

A entrada é gratuita.

A ponte das artes entre a Suíça e Portugal

Biberstein está radicado em Portugal há 32 anos
(swissinfo)
“Aqui e além” é a exposição que reúne os artistas Michael Biberstein e Rui Sanches, no Pavilhão Branco do Museu da Cidade de Lisboa, em torno do tema da paisagem.

A partir do encontro da obra dos artistas, ao espectador é permitido desfrutar do diálogo criado entre os dois corpos de trabalho.

Constituída por seis pinturas do suíço Michael Biberstein, quatro esculturas do português Rui Sanches e a peça “Aqui e além”, assinada pelos dois, que resulta da colaboração inédita feita entre os artistas e pensada propositadamente para o espaço, a exposição oferece a construção de uma leitura em fusão com as características singulares do pavilhão e com o espaço envolvente.

Comunicar através da paisagem

O tema da paisagem, que sempre foi o assunto central da pintura abstrata de Biberstein, é representado, agora, com um teor mais efémero e mais atmosférico. Para o pintor “agora as coisas são, talvez, um bocadinho mais efémeras, mais atmosféricas. Têm mais cores, têm menos indicadores exatos de paisagem. São mais difusas. Mas ainda se vê uma paisagem.” Acrescentando que, desde a última vez que expôs em Lisboa, na galeria Cristina Guerra, “houve pequenas alterações. Sempre há. Mas nada revolucionário.”

O conjunto de obras que Rui Sanches elaborou para a exposição, mais do que é costume no seu trabalho, revela um caráter paisagístico Uma produção que o escultor reconhece ter “referências óbvias a paisagens, a horizontes e montanhas”. O que pode ser considerado como elemento catalítico no “diálogo com as peças do Michael.”

John Coltrane e Alentejo

“Eu penso que o facto de estar parcialmente fixado no Alentejo, isso tem-se refletido no meu trabalho”, revela Rui Sanches. “Essa questão de dar maior atenção à paisagem tem, com certeza, que ver com o facto de eu estar agora muito mais perto desse ambiente natural, pelo menos durante uma parte do ano.”
Para Michael Bieberstein, radicado em Portugal há 32 anos e a viver atualmente no Alentejo, a música é o elemento crucial no processo criativo. A sua banda sonora de eleição é aquela que tem a assinatura do músico de jazz John Coltrane. “Eu utilizo muito John Coltrane. Adoro!”

A paixão pela música de John Coltrane, a principio, era fácil de reconhecer no documentário que o realizador Fernando Lopes fez sobre o artista suíço e o seu trabalho (Michael Biberstein: O meu amigo Mike ao trabalho), mas “como a Impulse Records não cedeu os direitos, foi preciso substituir a música dentro do filme.”

Conta Biberstein que o som de Coltrane foi, então, substituído pelo grupo português Norman. “É um grupo fabuloso de jazz-rock” composto por “um guitarrista fantástico que é o Norberto Lobo, de nível mundial, o baterista é o João Lobo, também muito forte, e nos teclados está o Manuel Mesquita. Chamam-se Norman e é um grupo muito, muito bom.”

Colaboração rara

Uma amizade de vários anos e a afinidade artística entre os dois criadores, foram os elementos que permitiram reunir no mesmo espaço duas formas distintas de abordar um mesmo tema e fazer nascer a obra “Aqui e além”.

A exposição nasceu “com o respeito mutuo que nós temos um pelo outro, com o respeito que temos pelo trabalho de cada um”, afirma Biberstein. “O Rui também trata o assunto da paisagem, só que com uma linguagem totalmente diferente. Mas também com um certo sossego, com uma certa calma.“

“Somos amigos há muitos anos e várias vezes falámos em fazermos um projeto conjunto.” revela Rui Sanches. “Gostamos muito do trabalho um do outro. Agora, houve algo que fez despoletar este projeto e estamos aqui juntos neste espaço da Câmara.”

“Foi uma troca através das escolhas que fizemos das obras, das propostas que fizemos da ocupação do espaço e da montagem da exposição. Tudo isso foi feito em colaboração, mas o trabalho de cada um foi completamente autónomo e respeitado”, conclui.

Sobre a peça “Aqui e além”, cuja autoria é partilhada pelos dois artistas, Biberstein considera que “é bastante raro haver uma colaboração de trabalho assim,” mas “foi bom!”. E explica: “Aqui e além” surge de uma escultura de Rui Sanches que “é uma pequena casa, onde se pode entrar e, uma vez dentro dessa casa, vê-se uma abertura. Através daquela abertura ele (Rui Sanches) queria ver uma pintura minha, e eu pensei nisso. E sugeriu fazermos uma colaboração. Então, eu fiz uma pintura para esta peça e surgiu esta obra que é uma colaboração. Uma peça assinada pelos dois.”

Pavilhão Branco

Usufruindo de “uma situação fabulosa,” no jardim de um palácio setecentista habitado por famílias de pavões, o Pavilhão Branco é, nas palavras do pintor suíço, “muito bonito. Foi um grande prazer” fazer a exposição neste espaço.

“O Pavilhão Branco tem uma arquitetura minimalista e tem muita luz, o que para as minhas pinturas é muito favorável. As minhas pinturas são feitas de muitas camadas de cores diferentes. São camadas muito diluídas. Portanto, quando a luz muda a pintura também muda. Dependendo se se vê a exposição de manhã ou de tarde, pode-se ver uma exposição bastante diferente,” esclarece Biberstein.

Rui Sanches já tinha realizado uma exposição no pavilhão, no final dos anos noventa, mas Michael Biberstein nunca tinha exposto neste espaço. Por isso, quando a dupla considerou o Pavilhão Branco como “o espaço ideal para fazerem essa exposição”, o Chefe de Divisão de Galerias e Ateliers da Câmara Municipal de Lisboa, João Mourão, viu aqui uma “excelente oportunidade de ter o Michael Biberstein.” E assim permitir o “reencontro com a obra dos dois artistas, mas numa interacção diferente.” Para João Mourão, “o que existe aqui é a criação de um diálogo muito importante.”

“Há imenso tempo que achávamos que o trabalho do Michael Bieberstein se adaptava perfeitamente às características do Pavilhão Branco e que era uma lacuna ele ainda não ter passado pelo Pavilhão. Foi nesse sentido que aconteceu a exposição e a oportunidade de mostrar a obra,” concluiu João Mourão.

Luís Guita

“Encontro” de Alice Alves e Jean Buyer na vila medieval de Monsaraz

A pintora Alice Alves e o escultor Jean Buyer apresentam a exposição “Encontro” na Igreja de Santiago, na vila medieval de Monsaraz. Organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz e integrada no Ciclo de Exposições Monsaraz Museu Aberto, esta mostra de pintura e escultura vai ser inaugurada no sábado, dia 9 de Abril, pelas 16h, e pode ser apreciada até 8 de Maio, entre as 10h e as 12h30 e das 14h às 18h30.

Alice Alves é uma pintora autodidacta que iniciou a sua actividade artística há mais de uma década. Desde 2005 realizou exposições individuais e colectivas em França, Alemanha, Espanha e Portugal. Actualmente, deseja desenvolver a sua arte como método de terapia para crianças com dificuldades e deficiências.

Alice Alves descreve-se “apaixonada pela pintura e curiosa sobre tudo o que está ao meu redor. A natureza que temos de proteger é a minha fonte contínua de inspiração e o meu objectivo é que as pessoas que vêem as minhas obras reflictam sobre a existência e a exigência da vida, da natureza, dos seres vivos, porque parece que tudo o que nos cerca é muito frágil”. A artista vai expor 35 quadros pintados a óleo, cinco de colecções particulares e os restantes para aquisição pelo público.

Na exposição “Encontro”, Jean Buyer propõe ao observador a reflexão, o desenvolvimento do seu próprio imaginário, esculpe e afeiçoa dialogando com o objecto para criar uma imagem que não está encerrada numa só representação. O escultor vai mostrar 10 obras em Monsaraz, todas disponíveis para compra pelos visitantes.

O jornalista e historiador Eduardo Raposo diz que uma das linhas de força em que se consubstancia esta exposição é “o desejo de intervir, de denunciar, de trazer para a luz do dia a Mulher - mas não só -, sobretudo a mulher negra que é alvo de horríveis mutilações genitais, retirando-lhe ou reduzindo-lhe drasticamente a sua capacidade de prazer sexual”.

Para Eduardo Raposo, nesta colectiva “Encontro”, pode-se “saborear o mistério e a sensualidade feminina enquanto expressão de poder pela sedução subjacente – como por exemplo em «Regarder de femme» ou «Neta», mas também o mistério que nos surge nas «naturezas mortas», caso das orquídeas, plantas enigmáticas. Encontramos então neste conjunto de trabalhos expostos um jogo onde sedução, mistério e sensualidade se cruzam entre o universo feminino e o mistério das orquídeas, jogo feito de erotismo e beleza, onde a delicadeza das aves dão o contraponto ao elemento que faltava para completar o triângulo”.


Julião Sarmento inaugura duas exposições em Madrid


Julião Sarmento no seu atelier, em 2008 (Daniel Rocha)

Julião Sarmento inaugura este fim-de-semana duas exposições diferentes em Madrid, “Distancias Cortas” na Casa Encendida e “Papel” na galeria Ivorypress. O artista português está em destaque na imprensa espanhola.

Em “Distancias Cortas”, patente até ao dia 5 de Junho, Julião Sarmento reúne vídeos, desenhos, pinturas, esculturas e performances, a maior parte trabalhos desconhecidos do público espanhol, revisitando diferentes aspectos da sua obra dos últimos 20 anos. A exposição, que tem como curador o britânico Adrian Searle, crítico de arte do “The Guardian”, está divida em nove salas da Casa Encendida, da Fundação Obra Social Caja Madrid.

Nesta exposição, Julião Sarmento aborda temas íntimos e por vezes provocadores, despertando no espectador uma experiência de contrastes, entre o obscuro e a luz, a proximidade e a distância, a pornografia e a subtileza. “Sarmento esconde e mostra muitas vezes ao mesmo tempo, incita o espectador a lutar contra o seu desejo de ver e não ver, de completar o que falta”, disse ao “El País” Adrian Searle. “As salas são adequadas para o que poderíamos considerar várias exposições distintas da obra do artista”, acrescentou o comissário.

“Para mim os objectos e as peças são como palavras e o Adrian construiu um romance com as minhas palavras, é uma exposição de dois artistas”, disse o português, citado pelo “El País”, na conferência de imprensa na inauguração da exposição “Distancias Cortas”.

Em “Papel”, na galeria Ivorypress até ao dia 28 de Maio, Julião Sarmento apresenta 24 obras sobre papel que mostram parte da trajectória do artista. Entre as obras expostas estão colagens, fotografias e desenhos recentes.

Com as duas inaugurações, “Papel” na sexta-feira e “Distancias Cortas” no sábado, a imprensa espanhola voltou as atenções para o português. O “El Mundo” escreve que Julião Sarmento é “o mais importante artista português depois da veteraníssima Paula Rego”, enquanto o “El País” o apelida de “artista português mais internacional”. Para o “Público” espanhol, Sarmento “pertence a uma estranha e reduzida estirpe de artistas”.

Até ao fim do mês de Março, Julião Sarmento teve também uma exposição no Centro de Arte Contemporânea de Málaga que contou com mais de 27 mil visitas.

Julião Sarmento, de 63 anos, vive e trabalha em Portugal. Em 1997, representou Portugal na Bienal de Veneza. As suas obras encontram-se em colecções nacionais como na Fundação Calouste Gulbenkian, Caixa Geral de Depósitos e Fundação de Serralves, mas também em colecções internacionais, tais como a Fundació La Caixa (Barcelona), Hirshorn Museum and Sculture Garden (Washington), Moderna Meseet (Estocolmo), MoMA (Nova Iorque), Centre Georges Ponpidou (Paris), Salomon Gugenheim Museum (Nova Iorque), Staatlische Galerie am Lembachaus (Munique) e Stedelik Van Abbemuseum (Eindhoven).

Exposição do mais conhecido pintor colombiano reaviva trauma da violência

Pintura de Botero expressa a violência política colombiana.

Uma caveira empunha a bandeira colombiana enquanto pisa sobre cinco corpos ensanguentados caídos sobre um campo verdejante. Assim, o mais importante e prestigiado artista plástico colombiano, Fernando Botero, retratou o que enxergava como sendo a paisagem de seu país, a Colômbia, em 2004.

Para o pintor e escultor, uma paisagem então pontilhada de corpos sem vida, baleados ou esquartejados, e ofuscada por sucessivas guerras e conflitos sociais que acompanham a história colombiana desde o processo de independência nacional e que se intensificam a partir do surgimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 1964.

Nascido em Medellín, em 1932, mas já há muito tempo dividindo seu tempo entre a Europa, os Estados Unidos e seu país, Botero se tornou mundialmente famoso por pintar e esculpir modelos gordos e roliços, desdenhando, assim, do moderno estereótipo de sensualidade e ironizando políticos, militares, religiosos e burocratas.

Entre os anos de 1994 e 2004, no entanto, o artista decidiu pintar os 36 desenhos, 25 telas a óleo e seis aquarelas atualmente expostos na mostra Dores da Colômbia, aberta até 1º de maio na galeria da Caixa Cultural, em Brasília. Nessas obras, Botero deixa um pouco de lado o viés bem-humorado de suas obras mais famosas para registrar aos sequestros, torturas, assassinatos e atentados que, ainda hoje, o mundo associa à Colômbia.

E que, além de milhares de mortos, obrigaram mais de 1,5 milhão de moradores de pequenas cidades e zonas rurais a abandonar tudo e migrar para as grandes cidades, fenômeno chamado de desplazamiento em espanhol.

"Meu país tem duas faces. A Colômbia é esse mundo amável que eu pinto sempre, mas também tem o rosto terrível da violência", comentou Botero, a respeito da opção temática que impressiona quem se depara com 67 obras que, desde a abertura da exposição, no dia 16, até o último domingo (27), já foram vistas por cerca de 3 mil pessoas.

Embora Botero tenha declarado em entrevistas não ser fácil transformar o drama em arte e que preferiria que os quadros agora expostos em Brasília não tivessem razão de existir, a impressão causada pelas obras é tão forte que, mesmo a mostra tendo obtido a classificação etária livre, seus organizadores desaconselham pais e escolas a levarem crianças pequenas para ver o que o pintor classificou como seu testemunho da dolorosa situação que o país enfrentou. “Em vista do drama que atinge a Colômbia, senti a obrigação de deixar um registro sobre um momento irracional de nossa história”, declarou o artista.

E é justamente o caráter de registro histórico dos quadros o que alguns colombianos que vivem no Brasil esperam que fique claro para quem visita a exposição. Sem questionar a qualidade artística das obras e dizendo-se orgulhosos por Botero ser colombiano, alguns de seus compatriotas destacam que o país já não é mais aquele retratado nas telas. Apesar de muitas pessoas sequestradas continuarem em poder das Farc e da luta entre guerrilheiros, paramilitares e Estado não ter chegado ao fim.

Procurados pela Agência Brasil, vários colombianos que vivem em Brasília se negaram a falar sobre o assunto. A própria embaixadora da Colômbia no Brasil, Maria Elvira Holguín, não retornou os telefonemas da reportagem. Entre os que aceitaram falar sobre como foram atingidos pelo conflito armado e o que pensam da atual situação colombiana, houve quem dissesse não ter intenção de ir à exposição.

Mesmo os que acreditam que os quadros, se exibidos sem a necessária contextualização, podem reforçar preconceitos e estereótipos, disseram entender que as obras são um registro artístico de um momento histórico que não pode ser negado. Contudo, não esconderam que, após tantos anos de más notícias, prefeririam ver seu país exibindo suas belezas e aspectos positivos.

"Esta exposição nos machuca porque mostra algo que aconteceu e que ainda não foi totalmente resolvido, mas que também já não é mais a realidade atual. Mas é também algo que não pode ser ignorado e de que não nos orgulhamos. O importante é que as pessoas que visitarem a exposição tenham discernimento e saibam que o próprio Botero pinta muitas coisas bonitas de nosso país. E, principalmente, que as coisas mudaram", afirmou a colombiana Johanna del Pilar, que há 12 anos vive em Brasília.

De Brasília, onde pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 9h às 21h, a exposição segue para Curitiba. Na capital paranaense, as obras serão expostas de 18 de maio a 10 de julho, no Museu Oscar Niemeyer. Em seguida, a mostra ocupará os espaços da Caixa Cultural de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Salvador, em datas que ainda serão definidas.

A entrada é gratuita.

South Park ganha exposição de arte em NY

A série completa quinze temporadas com uma mostra em Nova York, reunindo obras de artistas pop responsáveis por reler as imagens subversivas do quarteto.
Santa ceia cool



Só os Simpsons, com 22 temporadas, batem os personagens de South Park. A série, que completa 15 temporadas em abril, mostra quatro colegiais com cara de paper dool falando absurdos. E para as comemorações, a exposição 15 Artists Reinterpret South Park entrou essa semana em cartaz em Nova York, analisando o cartoon sob interpretações de arte.


O sitcom animado deu uma nova cara à cultura pop, e agora os personagens ganham releituras de quinze artistas pop contemporâneos. Sob a curadoria de Ron English, nomes como Travis Louie, Colin Christian, Sas Christian e Tristan Eaton entraram na lista que criou obras para a apresentação.


Esculturas a pinturas lotam a Opera Gallery, no Soho, até o dia 10 de abril. De lá a exposição parte para San Diego e no dia 15 de maio o curador seleciona mais 15 obras para compor a coleção da Comi-Com International.


115, Spring Street
NEW YORK NY 10012 – USA
Tel (1) (212) 966 66 75


Artistas expõem obras para saudar Dia da Paz

Uma exposição de pintura, de Filomena Coquenão, e de esculturas em bronze, de Mpambukidi Nlunfidi, está patente desde ontem, em Luanda, no Salão Internacional de Exposição da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP).

A exposição, denominada “Angola, a Mulher e a Paz”, inaugurada em alusão ao Março Mulher e ao nono aniversário da Paz, que se comemora em 4 de Abril, encerra no dia 20. Os quadros expostos retratam a vivência do povo angolano e expressam o sentimento dos criadores em relação à mulher, à paz e ao país.

Filomena Coquenão disse, ao Jornal de Angola, que os quadros foram retirados das suas colecções antigas e recentes.

A maioria, afirmou, são feitos com base na técnica de acrílico sobre tela, “mas também há pinturas em azulejo e outras em papel de jornais e cartolina”.

Mpambukidi Nlunfidi preparou para a exposição esculturas produzidas no ano passado, também com mensagens sobre a mulher.

Intituladas “Mulher Angolana”, “Mulher Elegante”, “Mulher Sentada”, “Amor Verdadeiro”, “Família Feliz”, “Movimento de Desenvolvimento”, “O Segredo do Desenvolvimento”, “Comunicação” e “Expediente”, as peças do escultor Mpambukidi Nlunfidi revelam o olhar do artista em relação à emancipação da mulher angolana.

Filomena Coquenão é a criadora do programa “EDUC’ARTE” dirigido ao Centro de Formação de Estudo e Artes para Crianças, que apoia o ensino artístico no Complexo Escolar do Ensino Especial e no Centro de Oncologia de Luanda, e no estrangeiro.

Nlunfídi, membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), venceu, em 1994, no Congo Brazzaville, o Prémio União Europeia, durante a quinta Bienal do Centro Internacional de Civilizações Bantu (Ciciba).

Sintra tem um novo espaço cultural: a Casa do Fauno

Palestras, Concertos, Apresentações de Livros e Cursos - No coração da Serra de Sintra

A Casa do Fauno é um novo espaço cultural que se situa no coração da Serra de Sintra, por entre carvalhos, azevinhos e outro arvoredo, dentro da Quinta dos Lobos, a 500 metros da Quinta da Regaleira.

Conhecida na antiguidade como Monte da Lua, Serra Solércia ou Monte Sagrado, a Serra de Sintra sempre foi considerada como sagrada desde tempos imemoriais. Integrando-se no espírito do lugar, a Casa do Fauno procura ser um lugar de encontro: de pessoas, de tradições e de saberes.

Tendo aberto ao público no início deste mês de Março, estão já em agenda diversas actividades até ao mês de Maio. Contam-se entre elas concertos de música celta e tradicional, palestras e cursos sobre temas culturais, esotéricos e espiritualistas, bem como apresentações de livros. Sendo também o novo espaço da editora Zéfiro, a Casa do Fauno é dirigida pelos seus editores: Alexandre Gabriel e Sofia Vaz Ribeiro.

Para mais informações visite a página da Casa do Fauno: http://www.casadofauno.wordpress.com/

Próximas Actividades na Casa do Fauno:

MARÇO
31 Março, 21h
Palestra: SCRYABINE, O ACORDE MÍSTICO E O SEU MYSTERIUM por Paulo Brandão

ABRIL
2 e 9 Abril, 15h-18h
Curso: LER NAS PEDRAS – DO MEGALITISMO AO MANUELINO por António Carlos Carvalho
5 Abril, 20h-22h
Curso: KABBALAH: TEORIA E PRÁTICA por Paulo Brandão
8 Abril, 21h30
Concerto: AVALON - MÚSICA DE INSPIRAÇÃO CELTA (Irlandesa, Escocesa e Bretã)
16 Abril, 17h
Lançamento: AS MÁSCARAS DA GRANDE DEUSA por Cristina Aguiar
17 Abril, 15h
Palestra: A LITERATURA MIRANDESA ACTUAL por Amadeu Ferreira
23 Abril, 14h30-19h
Curso: MAÇONARIA – HISTÓRIA, SOCIEDADE E POLÍTICA por Jorge Morais
30 Abril, 14h30-19h
Curso: GEOMÂNCIA OCIDENTAL por Manuel J. Gandra
30 Abril, 21h30
Concerto: TERESA GABRIEL

MAIO
1 Maio, 15h-18h
I ENCONTRO DA ORDEM DOS BARDOS, OVATES E DRUIDAS - OBOD EM SINTRA: BELTANE – O Fogo de Bel


1898: Art Nouveau conquista Viena

No final do século 19, reinava um clima de inovação nas artes e um novo estilo começou a se impor na Europa. Ele floresceu de 1890 até a Primeira Guerra Mundial e teve nomes diferentes. Na França, foi chamado Art Nouveau; na Alemanha, Jugendstil; na Áustria, Secessão; na Itália, Liberty e, na Inglaterra, Modern Style.

Um dos principais centros de propagação da nova arte foi Viena. Na capital austríaca, 19 artistas renomados formaram o chamado grupo Secessão de Viena, independente do meio artístico reconhecido pelo Estado. Segundo o diretor da Galeria Austríaca, Gerbert Frodl, esse grupo procurou se firmar na cidade sem passar pelos meandros da Casa do Artista, que ditava as regras no setor cultural.

No dia 26 de março de 1898, a nova associação de artistas, liderada por Gustav Klimt, Kolo Moser, Joseph Hoffmann e Alfred Roller, lançou a pedra fundamental de sua própria galeria. O edifício branco com um hemisfério em folhas douradas na cúpula lembra um planetário, que se destaca exoticamente da suntuosa arquitetura de um dos principais anéis viários de Viena. As exposições da Secessão – como foi batizada a galeria – tiveram forte repercussão pública e aumentaram rapidamente a fama do grupo.

Oposição ao historicismo neobarroco

Nessa época, ainda dominava em Viena o historicismo neobarroco, marcado por quadros pomposos e detalhistas do pintor Hans Markart. Provocativo, o novo estilo Secessão (Art Nouveau) valorizava o decorativo e o ornamental, determinando formas tridimensionais delicadas, sinuosas, onduladas e sempre assimétricas. Foi uma reação individualista de conteúdo romântico frente às tendências ecléticas e ao classicismo acadêmico.

A pintura do austríaco Gustav Klimt (O Beijo), as ilustrações eróticas do inglês Aubrey Beardsley, as luminárias, bibelôs e vidros dos franceses Émile Gallé e René Lalique, os projetos arquitetônicos do belga Victor Horta, do francês Hector Guimard (que desenhou as saídas do metrô de Paris) e a arquitetura do catalão Antonio Gaudí são os exemplos mais típicos desse estilo.

A Art Nouveau – também chamada “estilo 1900″ – valorizava a linha curva, inspirada no mundo vegetal (Bélgica, França) ou na geometria (Escócia, Áustria). O propósito comum era acabar com a imitação de estilos do passado, substituindo-os por uma arquitetura florida, que explorava o artesanato, os materiais coloridos e revestimentos exóticos. Foi também uma tentativa de integrar a arte à vida social.

Todo um estilo de vida

O novo estilo estendeu-se a todos os campos da arte. A música extrapolou lentamente os limites da tonalidade. Dança expressiva foi o nome dado ao novo balê sem sapatilhas. Os costureiros libertaram o guarda-roupa feminino do clássico espartilho. Arquitetos dessa corrente construíram nas metrópoles europeias estações de metrô tão elegantes quanto casas de ópera. O novo estilo invadiu também as fábricas de tecidos, cristais e joias. Em poucos anos, o Jugendstil tornou-se onipresente, a ponto de ser criticado pela revista Jugend – principal porta-voz do movimento.

Uma das características marcantes da Art Nouveau foi o fato de ter sido um “estilo de artistas”, que procurou a unidade e igualdade das artes. Vinculado intrinsecamente à literatura, pintura, escultura, música, às artes decorativas e gráficas, o movimento propagou ideais estéticos inexplorados e, em sua fase final, tentou conciliar a arte com a indústria. A Primeira Guerra Mundial (1914–1918) pôs fim à Art Nouveau, que foi sucedida pela Art Déco, o estilo Bauhaus e o expressionismo.

Barroco

Barroco Português. Europa séculos 16 e 17. Brasil séculos 18 e 19.

A designação passou do português para o italiano, barocco, e o francês, baroque. A designação é uma analogia com a pérola (e também com a pedra), antigamente chamada barroca, ou seja, que é arredondada e apresenta formas irregulares.

ARQUITETURA. O gosto pelo barroco surgiu na Europa a partir dos finais do século 16, inicialmente na Itália da década de 1620, movimento que ficou ligado à Contra-reforma da Igreja Católica e aos jesuítas.

A ordem jesuítica foi fundada em 1543. Em 1568, os jesuítas estavam em plena construção da Igreja de Jesus em Roma, modelo que veio para o Brasil colonial através da tradição lusitana. Essa igreja, que assinala o início da arquitetura barroca eclesiástica, sofreu a influência do teórico e arquiteto Giacomo Barozzi da Vignola (1507-73). A arte da Contra-reforma mostra uma Igreja triunfante, rica e poderosa, que utiliza prata e ouro, recorre aos anjose amorinos, tochas, colunas em espiral, volutas e baldaquinos.

Foram alguns arquitetos sediados em Roma que organizaram e deram ordem aos primórdios do barroco, principalmente Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) e Francesco Borromini (1599-1667); além do pintor Pietro da Cortona (1596-1669).

O movimento se espalhou por outros países, em cada região assumindo características nacionais. O renascimentopermanecia supostamente refém do maneirismo.A Igreja Católica, o mais importante poder financiador das artes nessa época, defendia a volta à tradição e à espiritualidade. As linhas curvas e exuberantes foram procuradas para exprimir emoções exacerbadas e teatrais. Sua predominância durou até os inícios do século 18, quando foi substituído pelo rococó.

PINTURA. Uma das características dos artistas barrocos é sua refinada preparação técnica em todas as suas atividades, fosse na arquitetura, escultura ou pintura. Além de uma grande preocupação com os efeitos visuais espetaculares, criando uma teia de relações espaciais capazes de criar uma ilusão, de “espantar”, de levar o observador a compartilhar a emoção da obra de arte. Apesar de sua concepção rebuscada, o artista recorria, por vezes, a um ilusionismo bem naturalista para atingir efeitos de luz e de volumetria, que criava um ambiente dramático, impregnando a obra de arte com uma energia própria, inserida num contexto teatralizado, próprio para surpreender e encantar o “espectador”.

Alguns pintores, como G. F. Guercino (1591-1666), aproveitaram os efeitos da pintura ilusionística para criar espaços profundos, onde se veem portas e corredores. O espanhol Diego Velásquez (1599-1660) recorreu a espelhos para recriar essas espacialidades.

A tradição do renascimento cultivara uma pintura voltada para os assuntos mais solenes, como alegorias, retratos, temas religiosos, históricos e mitológicos.

Os artistas barrocos, ajudados por uma burguesia cada vez mais poderosa, passaram a se interessar por assuntos profanos, paisagens, naturezas mortas, flores, frutos e cenasde gênero. Também continuaram a tradição de Michelangelo Caravaggio (1573-1610), de representar as pessoas simples de maneira naturalista, sem idealização. A paleta barroca foi variada, percorrendo todas as cores e tonalidades, sobretudo nos trabalhos de “claroescuro”. A pintura barroca é tão rica, espalhada e diversificada, que parece impossível enumerar seus principais representantes.

Entre os pintores que procuraram novos temas, estão: Johannes Vermeer (1632-75), Jacob van Ruysdael (1628-82) e Claude Lorrain (1600-82).

Além dos já citados, podemos mencionar, na França: Nicolas Poussin (1594-1665) e Georges de La Tour (1593-1652); na Espanha: Diego Velásquez (1599-1660) e José de Ribera (1591-1652); na Itália: Michelangelo Caravaggio, Guercino (1591-1666), Annibale Carraci (1560-1609) e Guido Reni (1575-1640): e na Holanda: Frans Post (1612-80), Rembrandt van Rijn (1606-69), J. Vermeer (1632-75), Franz Hals (1582-1666), Jacob Jordaens (1593-1678) e Peter P. Rubens (1577-1640).

ESCULTURA. A escultura tornou-se mais viva e afastou-se dos cânones renascentistas. Os artistas se sentiram à vontade para recorrer a toda espécie de materiais, e com liberdade para os combinar entre si. O mármore podia se juntar ao alabastro ou ao bronze e à madeira, sendo o ouro e a prata associados a outros suportes nobres, como o marfim. Os grupos escultóricos eram tratados arquitetonicamente e, por vezes, parecem flutuar, tal a ilusão criada.

Entre inúmeras esculturas italianas, podemos citar uma exemplar: “(...) O espírito da Contra-reforma anima a Santa Teresa de Ávila da capela Cornaro (na igreja), de Santa Maria della Vitória, em Roma. Esculpida em mármore branco, toda a capela está arranjada como um teatro. Um proscenio enquadra o altar. Dos lados, colunas geminadas suportam uma cimalha cuja linha é composta por uma sucessão de movimentos côncavos bruscamente interrompidos no centro por um movimento convexo, igualmente adotado pelo frontão. Nesta parte convexa foi aberta uma pequena janela que dá passagem aos raios luminosos que caem sobre a escultura como um projetor. Estes traços de luz parecem tanto mais sobrenaturais quanto é certo que eles se ligam a raios de metal dourado que se terminam sobre as personagens. As próprias paredes laterais da capela intervêm neste cenário: os membros da família Cornaro, esculpidos em alto-relevo, contemplam o palco do alto das suas frisas. Este quadro pertence bem ao século e ao país onde nasceu a ópera. Por cima do altar, Santa Teresa desfalece em êxtase. Bernini escolheu o instante descrito pela mística em que um anjo lhe apareceu em sonho e a atravessou com uma flecha. Ela sentiu um gozo profundo acompanhado por uma dor tal que a fez desmaiar(...). Essa obra exprime plenamente a arte barroca.” (Upjohn, Wingert e Mahler, História Mundial da Arte, 4. vol. pág. 21).

ABRANGÊNCIA DO BARROCO. O estilo abrangeu todas as manifestações da arte, da pintura à arquitetura, decoração em tecidos, mobiliário, escultura e literatura. Inicialmente disperso, enquadrou-se progressivamente em regras e cânones. Manifestou-se um revivalismodo barroco no século 19, no período do chamado Segundo Império francês, cujo estilo ficou conhecido como Napoleão III. (1852-70). A Ópera de Paris e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro têm influências barrocas. Durante muito tempo, o movimento sofreu acusações de que teria menor valor estético, mas a partir do final do século 19 voltou a figurar como uma das expressões mais poderosas e significativas da história da arte.

Em Portugal, o estilo expandiu-se entre os inícios do século 17 e meados do seguinte. Alguns exemplos: Aqueduto das Águas Livres (Lisboa); Igreja e escadarias do Bom Jesus (Braga), que deve ter inspirado o Bom Jesus em Congonhas do Campo, Minas Gerais; Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, já misturado ao rococó (Lamego); o Convento de Mafra, que inclui uma biblioteca de 88 metros de comprimento; e a Biblioteca da Universidade de Coimbra, considerada um dos exemplos de barroco arquitetônico mais perfeitos do mundo.

No Brasil o apogeu da predominância barroca deu-se no século 18 e no início do seguinte, influenciado pelo maneirismo, então dominante em Portugal. Intimamente ligado ao luxo, aos espaços públicos, à riqueza e ao domínio da Igreja, os artistas barrocos utilizaram em suas obras o ouro (no Brasil: Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro) e a prata (em alguns países da América espanhola, como Peru, Bolívia, México, Equador).

As esculturas do mestre Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), as pinturas de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830) e a arquitetura das cidades históricas de Minas, Bahia e Pernambuco são resultados preciosos da influência do movimento. No Mosteiro de Santo Antônio e na Capela Dourada, em Recife; e no Convento de Santo Antonio, em João Pessoa, existem igualmente exemplos notáveis de arte barroca.

Os modernistas brasileiros recuperaram a imagem do barroco colonial como um excelente período artístico. Neste caso, tratava-se de uma reação aos preconceitos no neoclassicismo, introduzido no país pela Missão Artística francesa.

De maneira esquemática, podemos dividir o barroco internacional em três fases:

- Inícial (C 1590-C 1625). Embora continuando sob o patrocínio de Roma, grandes artistas se distanciam do maneirismo eassumem um gosto mais naturalista e vigoroso. Exemplos: o arquiteto e escultor Lorenzo Bernini; o arquiteto Carlo Maderno (1556-1629) e os pintores Annibale Carraci e Michelangelo Caravaggio.

- Apogeu (C. 1625-1660). Na Itália, os trabalhos dos arquitetos Bernini e Francesco Borromini (1599-1667); na França, os pintores N. Poussin e C. Lorrain (1600-82). E uma extensa lista, com expoentes como Rembrandt, Rubens, Velázquez, e A.van Dyck.

- Tardio (C. 1660-1725). A França se torna o lugar proeminente, ultrapassando a Itália, em parte pelo patrocínio de Luis XIV, o Rei Sol. O estilo se populariza em toda a Europa e atravessa o Atlântico, implantando-se nas Américas.
Raul Mendes Silva

Axé in Rio

Musa do carnaval de Salvador, Claudia Leitte causa polêmica ao ser confirmada entre as atrações do Rock in Rio 2011
Os destaques do Carnaval baiano já se preparam para tocar no Rock in Rio – e enfrentar a oposição de raivosos fãs de rock. Entenda por que é besteira criticar a presença de axé no festival, que é feito, afinal, para a diversão.

A hegemonia é do axé, mas Salvador não tem corpo fechado. A cidade acolhe ritmos diversos, como se viu neste Carnaval na parceria entre Margareth Menezes e Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, ou na apresentação do DJ de música eletrônica americano Will.I.Am. O público aplaude. Em setembro, no Rio de Janeiro, pode acontecer o contrário. A seis meses do retorno do Rock in Rio -, cuja última edição, em 2001, foi marcada pela chuva de garrafas sobre Carlinhos Brown -, fãs de rock rosnam na internet ante o anúncio de que Claudia Leitte, musa do axé, está entre as atrações do evento. Bobagem. Quem protesta se esquece do que é a essência de um festival: o encontro entre diferentes tribos, que se juntam para festejar, beber e paquerar.

“Claudia Leitte confirmada, ninguém merece, não tem nada de rock”, diz num comentário um dos leitores de VEJA. O argumento, repetido por muitos outros antagonistas do axé, é furado, de acordo com o historiador de música brasileira Luiz Américo Lisboa Júnior. “O nome Rock in Rio é somente uma marca. Essa coisa romântica de um festival ideológico como o Woodstock ficou no passado, agora é tudo uma questão de mercado, de reunir mais gente”, afirma Lisboa Júnior, lembrando que festival é local de diversão e que o axé, do qual ele mesmo não é fã, ajuda a vender ingresso. E como: a um semestre da abertura dos portões, já foram comercializadas mais de 100.000 entradas.

Roqueiros podem se sentir frustrados diante de artistas pop e de axé, mas não poderão acusar surpresa, já que a programação é anunciada com antecedência. Tampouco vão sofrer por falta de legítimas bandas de rock. “Serão várias noites e muitos artistas, ninguém será obrigado a assistir à Claudia Leitte. Cada macaco no seu galho e tem galho para todo mundo”, diz o produtor musical Nelson Motta.

Axé n’Roll – Alvo dos ataques de fãs do rock, a cantora Claudia Leitte minimiza o conflito. “Eu canto Led Zeppelin, Guns n’ Roses, Rolling Stones e Pink Floyd em cima do trio, em pleno Carnaval. Mistura é a palavra de ordem.” Margareth Menezes, veterana do axé que se apresentou no Hollywood Rock, em 1990, faz coro. A cantora ressalta que a diversidade de estilos e tendências é própria do Brasil.

Não é apenas do lado do axé que a bandeira branca se levanta. Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, grupo já escalado para a nova edição do festival, diz não ter “pruridos puristas a essa altura da vida” e rechaça preconceitos. “O Rock in Rio sempre teve proposta ampla, usando o rock mais como símbolo das múltiplas variantes da música pop do que propriamente como o estilo burilado por Chuck Berry”, argumenta.

O baiano Marcelo Nova, que fundou o Camisa de Vênus em Salvador em 1980, diz desprezar o axé, mas entender festivais como eventos de multiplicidade sonora. Não só o Rock in Rio não é feito apenas de rock, como o extinto Free Jazz não tinha somente jazz. E no mundo todo é assim, diz o ex-baterista do grupo O Rappa, Marcelo Yuka, que prepara um álbum com influências do funk carioca para apresentar no Rock in Rio. A atitude roqueira, acredita Yuka, não está mais na quantidade de distorção, de tatuagens nem na quantidade de atitudes inconsequentes que um artista pode tomar, e sim no quanto ele pode ser incisivo, rever e questionar sua carreira, debochar de todos e de si mesmo. “É nessa inquietude que me espelho.”

Apesar de baiana, Pitty é referência para o rock e diz não entender "essa coisa feliz do axé"

Rock in Bahia – A própria Bahia serve para mostrar que rock e axé podem conviver. Mesmo com todo o suingue herdado da África, o estado tem forte ligação com o rock. E boas contribuições ao gênero no Brasil. Foi na terra dos tropicalistas Caetano e Gil que nasceu um dos maiores guitarristas nacionais, o músico Pepeu Gomes, e que nos anos 1940 a dupla Dodô e Osmar criou a guitarra baiana, uma mistura de cavaquinho e guitarra tradicional. Mais tarde, ela seria levada aos trios elétricos, outra criação da dupla.

Ainda que Caetano e Gil sejam classificados como MPB e Pepeu Gomes como músico eclético, todos tiveram influências do rock e o alimentaram com seus acordes e, especialmente, atitude. “Na Bahia, Luiz Caldas, Dodô e Osmar e até a Ivete Sangalo têm algo de rock”, afirma o jornalista Edmundo Leite, que está escrevendo uma biografia de Raul Seixas, o patriarca do rock nacional, nascido e criado no estado.

“A Bahia é o nosso Tennessee”, conclui Tony Bellotto, comparando a terra de Raul Seixas com o estado onde se formou o fenômeno Elvis Presley. Das terras baianas, aliás, surgiu mais que Raul. Saíram também a banda Camisa de Vênus, uma das referências do punk dos anos 1980, e a cantora Pitty, nome forte do cenário roqueiro dos anos 2000. Pitty, aliás, ainda não está confirmada no Rock in Rio, mas é cotada para o evento. Resta saber se a cantora, que já disse não entender “essa coisa feliz do axé”, vai torcer o nariz como os fãs raivosos do rock ou curtir a balada, como se faz num festival.

Serviço: O primeiro lote de 100.000 ingressos para o Rock in Rio 2011 está esgotado. Os outros cerca de 500.000 estarão à venda a partir do dia 7 de maio, em shoppings do Rio de Janeiro e no site oficial do evento: http://www.rockinrio.com.br/

Percepção e Etnocentrismo

O ser humano comum, imerso em sua própria cultura, tende a encarar seus padrões culturais como os mais racionais e mais ajustados a uma boa vida.

Quando muito, percebe algo que é inadequado e que “poderia ser de outra forma.” O que permite uma percepção cultural mais intensa é o contato com outras culturas. Mas, uma vez que se dá este contato, a tendência natural é rejeitar a outra cultura como inferior, como inatural.

É o chamado etnocentrismo, uma barreira que, a despeito de prejudicar o entendimento e relação com outras culturas, serve justamente para preservar a identidade de uma cultura frente à possível difusão de preceitos de outras culturas.

Os estudiosos da cultura utilizam o chamado relativismo cultural contra o etnocentrismo: consideram cada aspecto cultural em relação à cultura estudada, e não em relação à sua própria cultura, enquanto sujeitos formados dentro de outro sistema de valores.

Soren Dahlgaard apresenta seus trabalhos que incluem até ação de voluntários


Dahlgaard: “Sou como um homem das cavernas,
não falo e enquanto estou fazendo a performance
estou agindo”
Quando o dinamarquês Soren Dahlgaard começou a fazer arte, há quase uma década, ficou preocupado em não repetir ideias. Concentrado na originalidade — qualidade que ele sabe ser impossível de alcançar mas não se cansa de perseguir — arquitetou a costura entre diversas técnicas e conceitos que permeiam a história da arte para criar um misto de performance, pintura e escultura.

Parte desses trabalhos já passaram por instituições como Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, e Tate Modern, de Londres. Há duas semanas, Dahlgaard desembarcou em Brasília para montar uma versão local de suas instalações. O que se verá a partir de hoje no Espaço Cultural Contemporâneo (Ecco) é apenas o fim de um processo iniciado com intervenções e colaborações de voluntários locais.

A exposição A beleza do caos: pintura expandida começou a tomar forma quando o artista convocou voluntários para figurar em duas séries de retratos. Para os Dough portraits, fotografou 200 brasilienses cujos rostos foram devidamente cobertos com uma molenga massa de pão. Retratos figuram entre os temas nobres da história da pintura e Dahlgaard quis dar à prática um aspecto divertido e questionador. “Quando você olha parece mármore, ou gesso. Mas é uma massa e ela faz um negativo do rosto, está sempre se movendo. Cada foto é fruto de um relacionamento meu com uma pessoa”, explica o artista, que compara o processo à confecção de uma escultura. “Todo mundo tem uma identidade e quando você olha os retratos normalmente olha direto para o rosto. Se cubro o rosto, você precisa olhar para algo mais, algo que você conhece muito bem de forma diferente. Por isso é muito importante que as mãos apareçam, elas se tornam muito expressivas quando você cobre o rosto.”

Dalghaard chama os retratos de escultura-action, uma referência ao movimento action-painting que mudou os rumos da pintura nos anos 1950 ao sobrepor a importância da abstração e do gestual à composição racional. Em outra série, ao invés de massa, são litros de tinta que escorrem pelas faces dos voluntários. Além dos retratos, o público poderá conferir o vídeo que documentou o processo de registro das imagens. Outra parte do trabalho consiste numa performance realizada pelo próprio artista travestido de guerreiro. Paramentado com uma armadura construída com pães, Dalghaard sai de uma caverna — também confeccionada com pães — montada no meio da galeria.

Energia

A performance consiste em se lambuzar de tinta e saltar uma série de obstáculos. As marcas da ação ficam impressas nas superfícies brancas e a energia despendida faz da ação uma furiosa entrega às tintas. A atitude enérgica de se jogar contra as superfícies resulta em manchas desordenadas. Dalghaard se transforma em um gigante pincel humano. “A pintura é a técnica mais antiga da história da arte e todos os artistas pintam. Nunca pintei, mas queria lidar com a pintura porque ela é parte da história. Então criei minha própria técnica. Sou como um homem das cavernas, não falo e enquanto estou fazendo a performance estou só agindo. É também um reflexo de um artista frustrado.” Além do próprio corpo, o artista também utiliza galhos para espirrar a tinta nas paredes e intitula as obras conforme os suportes, os movimentos e os objetos. Assim, escolhe títulos como Slide painting, Landscape painting, Hedge painting e The hurdler paintings. “Quero fazer algo que seja interessante hoje, não quero fazer algo que já foi feito. Quero dar um próximo passo, ter uma boa ideia original e levar as coisas adiante”

O “pincel humano” no qual o dinamarquês se transformou no último final de semana deixou rastros por toda a galeria e ainda imprimiu um colorido vibrante no ficus plantado em frente ao Ecco. “Ele é um artista completo”, avalia Karla Osório, curadora da exposição. “A questão do pão tem a ver com a origem da vida. Todo esse trabalho é permeado pelo trigo. O pão também discute a questão da identidade dele como artista e com o público. Tudo isso se transforma quando ele se traveste de pão.” No total, Dalhgaard utilizou mais de mil baguetes para construir sua caverna e armadura.

Pintura X perfomance

“Quero colocar junto action-painting e performance. Eu venho da escultura, não sou pintor. E da arte conceitual. Como pintar sem o pincel? Onde está a arte? Na tela? No vídeo? Na instalação toda? A ideia é que é importante, é mais importante que a técnica. É uma arte na qual você pode ver o que acontece. Frequentemente as performance são muito sérias, muito entediantes. Por isso pinto a paisagem, não há telas. Muitos pintores trabalham com a ilusão da representação sobre a tela. O meu é muito mais real.”

Escultura

“Gesso, bronze e madeira têm uma longa tradição na história da arte. Se você acorda de manhã e diz quero fazer uma boa peça de gesso você já tem uma longa história de obras de muito bom gosto já feitas. Precisa ter uma boa razão para fazer algo e conseguir não ficar repetindo o que já foi feito. Os materiais de escultura têm anos e anos de uso, então tento fazer outra coisa. O material da minha escultura é muito problemático, não é fácil de fotografar. Minha escultura se torna fotografia e vídeo. A foto é uma espécie de escultura. A escultura é tridimensional e o tempo é a quarta dimensão. Então há uma narrativa acontecendo no cenário que crio, há sempre uma história. E há um tempo na foto e um tempo no vídeo.”

Maneiras de ver

“A coisa fundamental na minha arte é tentar encontrar novos caminhos. E isso sugere que as coisas que você conhece podem ser diferentes. No meu trabalho quero dar uma visão diferente do que podem ser os objetos que as pessoas já conhecem.”

Quadro de Renoir à venda por 10,8 M€ na Feira de Maastricht

Pierre-Auguste Renoir
Um quadro de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) vai estar à venda por 15 milhões de dólares (10,8 milhões de euros) na The European Fine Art Fair (TEFAF), que decorre entre 18 e 27 de Março na Holanda.

Considerada uma das mais importantes feiras de arte e antiguidades do mundo, a TEFAF, que se realiza na cidade de Maastricht, recebe anualmente mais de 75 mil visitantes, incluindo artistas, curadores, diretores de museus e coleccionadores de todo o mundo.

Este ano em 24.ª edição, a TEFAF vai apresentar cerca de 30 mil peças de arte antiga e moderna que abrangem variadas áreas: pintura, desenho, mobiliário, fotografia, escultura, arte oriental antiga, joalharia e design.

Entre as peças de valor mais elevado destaca-se uma pintura de Renoir criada no início do movimento impressionista: "Femme Cueillant des Fleurs" (Mulher a Colher Flores), que retrata Camille Monet, a primeira mulher de outro artista e grande amigo, Claude Monet, que morreu muito jovem e de forma trágica.

Camille Doncieux tinha 18 anos quando conheceu Claude, em 1865, e tornaram-se amantes. Foi modelo de muitas obras do artista, mas o pai de Monet nunca a aceitou na família devido às origens humildes.


Não obstante esta rejeição do patriarca da família Monet, casaram-se em 1870.

Monet e Renoir foram amigos toda a vida, e viveram o período de maior proximidade entre 1866 e 1875. Frequentemente pintavam juntos, com os cavaletes lado a lado, e Camille foi retratada em vários quadros, como em "Femme Cueillant des Fleurs".

Um ano depois de Renoir ter pintado este quadro, Camille adoeceu e, em 1879 morreu, aos 32 anos.

A segunda mulher de Claude Monet, Alice Hoschedé, sentiu intensos ciúmes da primeira companheira do artista e destruiu tudo o que encontrou que a retratasse. v O quadro pintado por Renoir pertence ao Sterling and Francine Clark Art Institute, de Massachusetts, nos Estados Unidos, que possui um conjunto de três dezenas de obras de Renoir.

Entre as peças em destaque este ano estarão também a escultura criada por Henry Moore "Mother and Child" (1983), três anos antes da morte do artista, e que mostra a figura da criança como um elemento abstrato, mas sublinhando a força protetora da mãe para o filho.

Também estará pela primeira vez em exposição pública um quadro pintado em 1906 por Pierre-Auguste Renoir, intitulado "La Leçon", representando o filho a aprender a ler com uma professora.

Nas antiguidades, uma das estrelas será um raro ídolo grego feminino em mármore com doze centímetros, criado no período Neolítico, com cerca de sete mil anos.

Na edição deste ano da TEFAF vão participar duas galerias portuguesas: a de Jorge Welsh, em Lisboa, e a de Luís Alegria, do Porto, ambos antiquários.

Lusa

Mergulho na cultura popular



Efrain Almeida talha sua infância no sertão cearense

Arte que é artesanal, que vai para galerias de todo o mundo, mas não se esquece de levar consigo o sertão cearense. Com suas referências à cultura e à arte populares, Efrain Almeida talha a infância em Boa Viagem em madeira no Rio de Janeiro.

Nascido em Boa Viagem, crescido em Fortaleza e feito artista no Rio de Janeiro, Efrain Almeida nunca deixou de lado sua raiz sertaneja. Suas influências visuais são memórias da infância sertaneja: os entalhes dos artesãos, os ex-votos das igrejas, os pintinhos do terreiro. A mãe cuidava do jardim, e o pai se ocupava com a marcenaria. Quando se mudou para o Sudeste, quis estudar arte.

Começou pintando. Entre suas experimentações, utilizava a madeira como tela. Hoje se dedica mais à escultura, que talha na umburana, que conhecia dos tempos de criança, do terreiro da mãe e do trabalho do pai. Cheias de lirismo, as imagens de Efrain abordam questões do corpo, da sexualidade, da religião, da natureza. Artista contemporâneo mergulhado em cultura popular.

Em entrevista ao O POVO, Efrain fala de sua obra e comenta, com propriedade, as relações entre arte e artesanato e o preconceito que ainda existe quanto à aceitação da arte popular como peça dotada de valor e requinte, tanto na utilização em ambientação quanto na exposição em galerias. (Alinne Rodrigues)

O POVO - Na sua obra, a influência do artesanato é muito forte. Você faz figuras pequenas, esculpe em madeira. Como essa técnica artesanal começou a fazer parte da sua obra?
Efrain Almeida – Não foi uma coisa proposital. Tem a ver com o processo de trabalho e das questões que me interessam. Inicialmente eu fazia pintura, mas já usava madeira como suporte. Depois, com o processo de trabalho, passei para a escultura. Comecei a utilizar madeira como matéria mesmo. As imagens são sempre referentes à minha história. Fui pesquisar materiais. Antes utilizava o cedro, mas, de uns anos para cá, mudei para a umburana, uma madeira que tem toda uma tradição, que é utilizada na confecção de brinquedos artesanais. A escolha tem a ver com essa ideia de um certo imaginário popular. A coisa da artesania sempre me interessou. O meu trabalho de pintura também era muito meticuloso, rebuscado. Acho que a artesania na pintura é uma característica, tem o gesto, a mão, assim como o artesanato e a escultura.

OP - Você usa uma técnica artesanal, material artesanal, mas não faz artesanato. Como uma técnica e um estilo de artesanato pode se tornar arte? O artesanato é utilitário, e a arte não é?
Efrain – Isso é muito complexo. Existe artesanato que é arte e artesanato que não é. Existe o artesanato comercial, que as pessoas fazem por uma ideia de identidade local e vão repetindo aquilo por tradição. Existem artesãos que têm um trabalho muito específico que você pode classificar como artista, que está fora do utilitário. O cara cria um imaginário. E existe ainda a questão da arte contemporânea e a arte popular: quando um contemporâneo usa uma técnica artesanal, existe um conceito; existem também os ingênuos, que têm a ver com tradição, sem um pensamento.

OP – É por isso que peças de artesãos e artistas têm valores comerciais tão distintos?
Efrain – O valor da arte é um valor completamente abstrato, que tem a ver com o mercado, com um sistema mercadológico. Eu não sou ingênuo de acreditar que um cara que mora no meio do mato, que não tem a menor informação de absolutamente nada, possa entrar no mercado contemporâneo e ser classificado como grande artista. Acho que ser um grande artista está ligado a informação e conceito. Agora, em nenhum momento existe da minha parte nenhuma arrogância com os artistas populares, apenas são coisas distintas.

OP - Seu pai trabalha com os mesmos materiais que você, mas não faz arte. Como você se tornou artista e não artesão?
Efrain – Pela minha história. A minha família mudou para Fortaleza, eu estudei em Fortaleza. Depois me mudei para o Rio, estudei arte aqui. Toda essa rede, essa formação que eu tive, me fez olhar para essas coisas, a tradição, a minha história, a da minha família, mas de um modo completamente outro, crítico e distanciado. É um outro jeito de olhar para as coisas.

OP – Quando a gente olha para o design no mundo inteiro, a gente vê que existe uma admiração pelo artesanato nordestino na decoração, em ambientes sofisticados. Por que o brasileiro em geral não tem essa percepção?
Efrain – Preconceito. Sabe qual? Uma espécie de complexo que o nordestino tem em relação ao artesanato. O mundo inteiro valoriza isso. A Prada usou isso numa coleção e foi ovacionada. A Viviene Westwood usou richelieu, que, pra gente, é superbanal, em uma coleção. Existe um complexo de inferioridade, parece que aquilo não tem valor só porque faz parte do nosso cotidiano. Fico pensando que, se eu morasse no Ceará a vida inteira, talvez meu trabalho fosse diferente. Talvez eu estivesse tão próximo que não conseguisse sentir.

OP – Talvez até o seu reconhecimento fosse outro, não é?
Efrain – O preconceito é uma leitura prévia que as pessoas fazem antes de conhecer. Eu tenho feito muitas exposições internacionais. Domingo (hoje) eu viajo para os Estados Unidos para minha quarta exposição em Seattle. Todas as vezes, meu trabalho tem uma ótima recepção, porque as pessoas não olham com esse olhar preconceituoso, olham como arte, não como artesanal, que tem ligação com cultura popular. Na verdade, para eles, isso é um valor a mais para o trabalho, um valor positivo, não negativo.

OP – Será que é necessário estar em outro país, em outro continente para que o artesanato seja reconhecido como arte? É uma questão de ponto de vista?
Efrain – Mesmo no Brasil, acho que a gente consegue. A pintura da Beatriz Milhazes se refere ao popular. Ela fez alguns trabalhos com rendas, com caju, carnaval que têm super a ver. É pintura, tem relação artesanal, porque é um trabalho supermeticuloso e manual, e ela é uma das maiores pintoras do Brasil. Sem dúvida nenhuma.