Sintra tem um novo espaço cultural: a Casa do Fauno

Palestras, Concertos, Apresentações de Livros e Cursos - No coração da Serra de Sintra

A Casa do Fauno é um novo espaço cultural que se situa no coração da Serra de Sintra, por entre carvalhos, azevinhos e outro arvoredo, dentro da Quinta dos Lobos, a 500 metros da Quinta da Regaleira.

Conhecida na antiguidade como Monte da Lua, Serra Solércia ou Monte Sagrado, a Serra de Sintra sempre foi considerada como sagrada desde tempos imemoriais. Integrando-se no espírito do lugar, a Casa do Fauno procura ser um lugar de encontro: de pessoas, de tradições e de saberes.

Tendo aberto ao público no início deste mês de Março, estão já em agenda diversas actividades até ao mês de Maio. Contam-se entre elas concertos de música celta e tradicional, palestras e cursos sobre temas culturais, esotéricos e espiritualistas, bem como apresentações de livros. Sendo também o novo espaço da editora Zéfiro, a Casa do Fauno é dirigida pelos seus editores: Alexandre Gabriel e Sofia Vaz Ribeiro.

Para mais informações visite a página da Casa do Fauno: http://www.casadofauno.wordpress.com/

Próximas Actividades na Casa do Fauno:

MARÇO
31 Março, 21h
Palestra: SCRYABINE, O ACORDE MÍSTICO E O SEU MYSTERIUM por Paulo Brandão

ABRIL
2 e 9 Abril, 15h-18h
Curso: LER NAS PEDRAS – DO MEGALITISMO AO MANUELINO por António Carlos Carvalho
5 Abril, 20h-22h
Curso: KABBALAH: TEORIA E PRÁTICA por Paulo Brandão
8 Abril, 21h30
Concerto: AVALON - MÚSICA DE INSPIRAÇÃO CELTA (Irlandesa, Escocesa e Bretã)
16 Abril, 17h
Lançamento: AS MÁSCARAS DA GRANDE DEUSA por Cristina Aguiar
17 Abril, 15h
Palestra: A LITERATURA MIRANDESA ACTUAL por Amadeu Ferreira
23 Abril, 14h30-19h
Curso: MAÇONARIA – HISTÓRIA, SOCIEDADE E POLÍTICA por Jorge Morais
30 Abril, 14h30-19h
Curso: GEOMÂNCIA OCIDENTAL por Manuel J. Gandra
30 Abril, 21h30
Concerto: TERESA GABRIEL

MAIO
1 Maio, 15h-18h
I ENCONTRO DA ORDEM DOS BARDOS, OVATES E DRUIDAS - OBOD EM SINTRA: BELTANE – O Fogo de Bel


1898: Art Nouveau conquista Viena

No final do século 19, reinava um clima de inovação nas artes e um novo estilo começou a se impor na Europa. Ele floresceu de 1890 até a Primeira Guerra Mundial e teve nomes diferentes. Na França, foi chamado Art Nouveau; na Alemanha, Jugendstil; na Áustria, Secessão; na Itália, Liberty e, na Inglaterra, Modern Style.

Um dos principais centros de propagação da nova arte foi Viena. Na capital austríaca, 19 artistas renomados formaram o chamado grupo Secessão de Viena, independente do meio artístico reconhecido pelo Estado. Segundo o diretor da Galeria Austríaca, Gerbert Frodl, esse grupo procurou se firmar na cidade sem passar pelos meandros da Casa do Artista, que ditava as regras no setor cultural.

No dia 26 de março de 1898, a nova associação de artistas, liderada por Gustav Klimt, Kolo Moser, Joseph Hoffmann e Alfred Roller, lançou a pedra fundamental de sua própria galeria. O edifício branco com um hemisfério em folhas douradas na cúpula lembra um planetário, que se destaca exoticamente da suntuosa arquitetura de um dos principais anéis viários de Viena. As exposições da Secessão – como foi batizada a galeria – tiveram forte repercussão pública e aumentaram rapidamente a fama do grupo.

Oposição ao historicismo neobarroco

Nessa época, ainda dominava em Viena o historicismo neobarroco, marcado por quadros pomposos e detalhistas do pintor Hans Markart. Provocativo, o novo estilo Secessão (Art Nouveau) valorizava o decorativo e o ornamental, determinando formas tridimensionais delicadas, sinuosas, onduladas e sempre assimétricas. Foi uma reação individualista de conteúdo romântico frente às tendências ecléticas e ao classicismo acadêmico.

A pintura do austríaco Gustav Klimt (O Beijo), as ilustrações eróticas do inglês Aubrey Beardsley, as luminárias, bibelôs e vidros dos franceses Émile Gallé e René Lalique, os projetos arquitetônicos do belga Victor Horta, do francês Hector Guimard (que desenhou as saídas do metrô de Paris) e a arquitetura do catalão Antonio Gaudí são os exemplos mais típicos desse estilo.

A Art Nouveau – também chamada “estilo 1900″ – valorizava a linha curva, inspirada no mundo vegetal (Bélgica, França) ou na geometria (Escócia, Áustria). O propósito comum era acabar com a imitação de estilos do passado, substituindo-os por uma arquitetura florida, que explorava o artesanato, os materiais coloridos e revestimentos exóticos. Foi também uma tentativa de integrar a arte à vida social.

Todo um estilo de vida

O novo estilo estendeu-se a todos os campos da arte. A música extrapolou lentamente os limites da tonalidade. Dança expressiva foi o nome dado ao novo balê sem sapatilhas. Os costureiros libertaram o guarda-roupa feminino do clássico espartilho. Arquitetos dessa corrente construíram nas metrópoles europeias estações de metrô tão elegantes quanto casas de ópera. O novo estilo invadiu também as fábricas de tecidos, cristais e joias. Em poucos anos, o Jugendstil tornou-se onipresente, a ponto de ser criticado pela revista Jugend – principal porta-voz do movimento.

Uma das características marcantes da Art Nouveau foi o fato de ter sido um “estilo de artistas”, que procurou a unidade e igualdade das artes. Vinculado intrinsecamente à literatura, pintura, escultura, música, às artes decorativas e gráficas, o movimento propagou ideais estéticos inexplorados e, em sua fase final, tentou conciliar a arte com a indústria. A Primeira Guerra Mundial (1914–1918) pôs fim à Art Nouveau, que foi sucedida pela Art Déco, o estilo Bauhaus e o expressionismo.

Barroco

Barroco Português. Europa séculos 16 e 17. Brasil séculos 18 e 19.

A designação passou do português para o italiano, barocco, e o francês, baroque. A designação é uma analogia com a pérola (e também com a pedra), antigamente chamada barroca, ou seja, que é arredondada e apresenta formas irregulares.

ARQUITETURA. O gosto pelo barroco surgiu na Europa a partir dos finais do século 16, inicialmente na Itália da década de 1620, movimento que ficou ligado à Contra-reforma da Igreja Católica e aos jesuítas.

A ordem jesuítica foi fundada em 1543. Em 1568, os jesuítas estavam em plena construção da Igreja de Jesus em Roma, modelo que veio para o Brasil colonial através da tradição lusitana. Essa igreja, que assinala o início da arquitetura barroca eclesiástica, sofreu a influência do teórico e arquiteto Giacomo Barozzi da Vignola (1507-73). A arte da Contra-reforma mostra uma Igreja triunfante, rica e poderosa, que utiliza prata e ouro, recorre aos anjose amorinos, tochas, colunas em espiral, volutas e baldaquinos.

Foram alguns arquitetos sediados em Roma que organizaram e deram ordem aos primórdios do barroco, principalmente Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) e Francesco Borromini (1599-1667); além do pintor Pietro da Cortona (1596-1669).

O movimento se espalhou por outros países, em cada região assumindo características nacionais. O renascimentopermanecia supostamente refém do maneirismo.A Igreja Católica, o mais importante poder financiador das artes nessa época, defendia a volta à tradição e à espiritualidade. As linhas curvas e exuberantes foram procuradas para exprimir emoções exacerbadas e teatrais. Sua predominância durou até os inícios do século 18, quando foi substituído pelo rococó.

PINTURA. Uma das características dos artistas barrocos é sua refinada preparação técnica em todas as suas atividades, fosse na arquitetura, escultura ou pintura. Além de uma grande preocupação com os efeitos visuais espetaculares, criando uma teia de relações espaciais capazes de criar uma ilusão, de “espantar”, de levar o observador a compartilhar a emoção da obra de arte. Apesar de sua concepção rebuscada, o artista recorria, por vezes, a um ilusionismo bem naturalista para atingir efeitos de luz e de volumetria, que criava um ambiente dramático, impregnando a obra de arte com uma energia própria, inserida num contexto teatralizado, próprio para surpreender e encantar o “espectador”.

Alguns pintores, como G. F. Guercino (1591-1666), aproveitaram os efeitos da pintura ilusionística para criar espaços profundos, onde se veem portas e corredores. O espanhol Diego Velásquez (1599-1660) recorreu a espelhos para recriar essas espacialidades.

A tradição do renascimento cultivara uma pintura voltada para os assuntos mais solenes, como alegorias, retratos, temas religiosos, históricos e mitológicos.

Os artistas barrocos, ajudados por uma burguesia cada vez mais poderosa, passaram a se interessar por assuntos profanos, paisagens, naturezas mortas, flores, frutos e cenasde gênero. Também continuaram a tradição de Michelangelo Caravaggio (1573-1610), de representar as pessoas simples de maneira naturalista, sem idealização. A paleta barroca foi variada, percorrendo todas as cores e tonalidades, sobretudo nos trabalhos de “claroescuro”. A pintura barroca é tão rica, espalhada e diversificada, que parece impossível enumerar seus principais representantes.

Entre os pintores que procuraram novos temas, estão: Johannes Vermeer (1632-75), Jacob van Ruysdael (1628-82) e Claude Lorrain (1600-82).

Além dos já citados, podemos mencionar, na França: Nicolas Poussin (1594-1665) e Georges de La Tour (1593-1652); na Espanha: Diego Velásquez (1599-1660) e José de Ribera (1591-1652); na Itália: Michelangelo Caravaggio, Guercino (1591-1666), Annibale Carraci (1560-1609) e Guido Reni (1575-1640): e na Holanda: Frans Post (1612-80), Rembrandt van Rijn (1606-69), J. Vermeer (1632-75), Franz Hals (1582-1666), Jacob Jordaens (1593-1678) e Peter P. Rubens (1577-1640).

ESCULTURA. A escultura tornou-se mais viva e afastou-se dos cânones renascentistas. Os artistas se sentiram à vontade para recorrer a toda espécie de materiais, e com liberdade para os combinar entre si. O mármore podia se juntar ao alabastro ou ao bronze e à madeira, sendo o ouro e a prata associados a outros suportes nobres, como o marfim. Os grupos escultóricos eram tratados arquitetonicamente e, por vezes, parecem flutuar, tal a ilusão criada.

Entre inúmeras esculturas italianas, podemos citar uma exemplar: “(...) O espírito da Contra-reforma anima a Santa Teresa de Ávila da capela Cornaro (na igreja), de Santa Maria della Vitória, em Roma. Esculpida em mármore branco, toda a capela está arranjada como um teatro. Um proscenio enquadra o altar. Dos lados, colunas geminadas suportam uma cimalha cuja linha é composta por uma sucessão de movimentos côncavos bruscamente interrompidos no centro por um movimento convexo, igualmente adotado pelo frontão. Nesta parte convexa foi aberta uma pequena janela que dá passagem aos raios luminosos que caem sobre a escultura como um projetor. Estes traços de luz parecem tanto mais sobrenaturais quanto é certo que eles se ligam a raios de metal dourado que se terminam sobre as personagens. As próprias paredes laterais da capela intervêm neste cenário: os membros da família Cornaro, esculpidos em alto-relevo, contemplam o palco do alto das suas frisas. Este quadro pertence bem ao século e ao país onde nasceu a ópera. Por cima do altar, Santa Teresa desfalece em êxtase. Bernini escolheu o instante descrito pela mística em que um anjo lhe apareceu em sonho e a atravessou com uma flecha. Ela sentiu um gozo profundo acompanhado por uma dor tal que a fez desmaiar(...). Essa obra exprime plenamente a arte barroca.” (Upjohn, Wingert e Mahler, História Mundial da Arte, 4. vol. pág. 21).

ABRANGÊNCIA DO BARROCO. O estilo abrangeu todas as manifestações da arte, da pintura à arquitetura, decoração em tecidos, mobiliário, escultura e literatura. Inicialmente disperso, enquadrou-se progressivamente em regras e cânones. Manifestou-se um revivalismodo barroco no século 19, no período do chamado Segundo Império francês, cujo estilo ficou conhecido como Napoleão III. (1852-70). A Ópera de Paris e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro têm influências barrocas. Durante muito tempo, o movimento sofreu acusações de que teria menor valor estético, mas a partir do final do século 19 voltou a figurar como uma das expressões mais poderosas e significativas da história da arte.

Em Portugal, o estilo expandiu-se entre os inícios do século 17 e meados do seguinte. Alguns exemplos: Aqueduto das Águas Livres (Lisboa); Igreja e escadarias do Bom Jesus (Braga), que deve ter inspirado o Bom Jesus em Congonhas do Campo, Minas Gerais; Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, já misturado ao rococó (Lamego); o Convento de Mafra, que inclui uma biblioteca de 88 metros de comprimento; e a Biblioteca da Universidade de Coimbra, considerada um dos exemplos de barroco arquitetônico mais perfeitos do mundo.

No Brasil o apogeu da predominância barroca deu-se no século 18 e no início do seguinte, influenciado pelo maneirismo, então dominante em Portugal. Intimamente ligado ao luxo, aos espaços públicos, à riqueza e ao domínio da Igreja, os artistas barrocos utilizaram em suas obras o ouro (no Brasil: Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro) e a prata (em alguns países da América espanhola, como Peru, Bolívia, México, Equador).

As esculturas do mestre Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), as pinturas de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830) e a arquitetura das cidades históricas de Minas, Bahia e Pernambuco são resultados preciosos da influência do movimento. No Mosteiro de Santo Antônio e na Capela Dourada, em Recife; e no Convento de Santo Antonio, em João Pessoa, existem igualmente exemplos notáveis de arte barroca.

Os modernistas brasileiros recuperaram a imagem do barroco colonial como um excelente período artístico. Neste caso, tratava-se de uma reação aos preconceitos no neoclassicismo, introduzido no país pela Missão Artística francesa.

De maneira esquemática, podemos dividir o barroco internacional em três fases:

- Inícial (C 1590-C 1625). Embora continuando sob o patrocínio de Roma, grandes artistas se distanciam do maneirismo eassumem um gosto mais naturalista e vigoroso. Exemplos: o arquiteto e escultor Lorenzo Bernini; o arquiteto Carlo Maderno (1556-1629) e os pintores Annibale Carraci e Michelangelo Caravaggio.

- Apogeu (C. 1625-1660). Na Itália, os trabalhos dos arquitetos Bernini e Francesco Borromini (1599-1667); na França, os pintores N. Poussin e C. Lorrain (1600-82). E uma extensa lista, com expoentes como Rembrandt, Rubens, Velázquez, e A.van Dyck.

- Tardio (C. 1660-1725). A França se torna o lugar proeminente, ultrapassando a Itália, em parte pelo patrocínio de Luis XIV, o Rei Sol. O estilo se populariza em toda a Europa e atravessa o Atlântico, implantando-se nas Américas.
Raul Mendes Silva

Axé in Rio

Musa do carnaval de Salvador, Claudia Leitte causa polêmica ao ser confirmada entre as atrações do Rock in Rio 2011
Os destaques do Carnaval baiano já se preparam para tocar no Rock in Rio – e enfrentar a oposição de raivosos fãs de rock. Entenda por que é besteira criticar a presença de axé no festival, que é feito, afinal, para a diversão.

A hegemonia é do axé, mas Salvador não tem corpo fechado. A cidade acolhe ritmos diversos, como se viu neste Carnaval na parceria entre Margareth Menezes e Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, ou na apresentação do DJ de música eletrônica americano Will.I.Am. O público aplaude. Em setembro, no Rio de Janeiro, pode acontecer o contrário. A seis meses do retorno do Rock in Rio -, cuja última edição, em 2001, foi marcada pela chuva de garrafas sobre Carlinhos Brown -, fãs de rock rosnam na internet ante o anúncio de que Claudia Leitte, musa do axé, está entre as atrações do evento. Bobagem. Quem protesta se esquece do que é a essência de um festival: o encontro entre diferentes tribos, que se juntam para festejar, beber e paquerar.

“Claudia Leitte confirmada, ninguém merece, não tem nada de rock”, diz num comentário um dos leitores de VEJA. O argumento, repetido por muitos outros antagonistas do axé, é furado, de acordo com o historiador de música brasileira Luiz Américo Lisboa Júnior. “O nome Rock in Rio é somente uma marca. Essa coisa romântica de um festival ideológico como o Woodstock ficou no passado, agora é tudo uma questão de mercado, de reunir mais gente”, afirma Lisboa Júnior, lembrando que festival é local de diversão e que o axé, do qual ele mesmo não é fã, ajuda a vender ingresso. E como: a um semestre da abertura dos portões, já foram comercializadas mais de 100.000 entradas.

Roqueiros podem se sentir frustrados diante de artistas pop e de axé, mas não poderão acusar surpresa, já que a programação é anunciada com antecedência. Tampouco vão sofrer por falta de legítimas bandas de rock. “Serão várias noites e muitos artistas, ninguém será obrigado a assistir à Claudia Leitte. Cada macaco no seu galho e tem galho para todo mundo”, diz o produtor musical Nelson Motta.

Axé n’Roll – Alvo dos ataques de fãs do rock, a cantora Claudia Leitte minimiza o conflito. “Eu canto Led Zeppelin, Guns n’ Roses, Rolling Stones e Pink Floyd em cima do trio, em pleno Carnaval. Mistura é a palavra de ordem.” Margareth Menezes, veterana do axé que se apresentou no Hollywood Rock, em 1990, faz coro. A cantora ressalta que a diversidade de estilos e tendências é própria do Brasil.

Não é apenas do lado do axé que a bandeira branca se levanta. Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, grupo já escalado para a nova edição do festival, diz não ter “pruridos puristas a essa altura da vida” e rechaça preconceitos. “O Rock in Rio sempre teve proposta ampla, usando o rock mais como símbolo das múltiplas variantes da música pop do que propriamente como o estilo burilado por Chuck Berry”, argumenta.

O baiano Marcelo Nova, que fundou o Camisa de Vênus em Salvador em 1980, diz desprezar o axé, mas entender festivais como eventos de multiplicidade sonora. Não só o Rock in Rio não é feito apenas de rock, como o extinto Free Jazz não tinha somente jazz. E no mundo todo é assim, diz o ex-baterista do grupo O Rappa, Marcelo Yuka, que prepara um álbum com influências do funk carioca para apresentar no Rock in Rio. A atitude roqueira, acredita Yuka, não está mais na quantidade de distorção, de tatuagens nem na quantidade de atitudes inconsequentes que um artista pode tomar, e sim no quanto ele pode ser incisivo, rever e questionar sua carreira, debochar de todos e de si mesmo. “É nessa inquietude que me espelho.”

Apesar de baiana, Pitty é referência para o rock e diz não entender "essa coisa feliz do axé"

Rock in Bahia – A própria Bahia serve para mostrar que rock e axé podem conviver. Mesmo com todo o suingue herdado da África, o estado tem forte ligação com o rock. E boas contribuições ao gênero no Brasil. Foi na terra dos tropicalistas Caetano e Gil que nasceu um dos maiores guitarristas nacionais, o músico Pepeu Gomes, e que nos anos 1940 a dupla Dodô e Osmar criou a guitarra baiana, uma mistura de cavaquinho e guitarra tradicional. Mais tarde, ela seria levada aos trios elétricos, outra criação da dupla.

Ainda que Caetano e Gil sejam classificados como MPB e Pepeu Gomes como músico eclético, todos tiveram influências do rock e o alimentaram com seus acordes e, especialmente, atitude. “Na Bahia, Luiz Caldas, Dodô e Osmar e até a Ivete Sangalo têm algo de rock”, afirma o jornalista Edmundo Leite, que está escrevendo uma biografia de Raul Seixas, o patriarca do rock nacional, nascido e criado no estado.

“A Bahia é o nosso Tennessee”, conclui Tony Bellotto, comparando a terra de Raul Seixas com o estado onde se formou o fenômeno Elvis Presley. Das terras baianas, aliás, surgiu mais que Raul. Saíram também a banda Camisa de Vênus, uma das referências do punk dos anos 1980, e a cantora Pitty, nome forte do cenário roqueiro dos anos 2000. Pitty, aliás, ainda não está confirmada no Rock in Rio, mas é cotada para o evento. Resta saber se a cantora, que já disse não entender “essa coisa feliz do axé”, vai torcer o nariz como os fãs raivosos do rock ou curtir a balada, como se faz num festival.

Serviço: O primeiro lote de 100.000 ingressos para o Rock in Rio 2011 está esgotado. Os outros cerca de 500.000 estarão à venda a partir do dia 7 de maio, em shoppings do Rio de Janeiro e no site oficial do evento: http://www.rockinrio.com.br/

Percepção e Etnocentrismo

O ser humano comum, imerso em sua própria cultura, tende a encarar seus padrões culturais como os mais racionais e mais ajustados a uma boa vida.

Quando muito, percebe algo que é inadequado e que “poderia ser de outra forma.” O que permite uma percepção cultural mais intensa é o contato com outras culturas. Mas, uma vez que se dá este contato, a tendência natural é rejeitar a outra cultura como inferior, como inatural.

É o chamado etnocentrismo, uma barreira que, a despeito de prejudicar o entendimento e relação com outras culturas, serve justamente para preservar a identidade de uma cultura frente à possível difusão de preceitos de outras culturas.

Os estudiosos da cultura utilizam o chamado relativismo cultural contra o etnocentrismo: consideram cada aspecto cultural em relação à cultura estudada, e não em relação à sua própria cultura, enquanto sujeitos formados dentro de outro sistema de valores.

Soren Dahlgaard apresenta seus trabalhos que incluem até ação de voluntários


Dahlgaard: “Sou como um homem das cavernas,
não falo e enquanto estou fazendo a performance
estou agindo”
Quando o dinamarquês Soren Dahlgaard começou a fazer arte, há quase uma década, ficou preocupado em não repetir ideias. Concentrado na originalidade — qualidade que ele sabe ser impossível de alcançar mas não se cansa de perseguir — arquitetou a costura entre diversas técnicas e conceitos que permeiam a história da arte para criar um misto de performance, pintura e escultura.

Parte desses trabalhos já passaram por instituições como Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, e Tate Modern, de Londres. Há duas semanas, Dahlgaard desembarcou em Brasília para montar uma versão local de suas instalações. O que se verá a partir de hoje no Espaço Cultural Contemporâneo (Ecco) é apenas o fim de um processo iniciado com intervenções e colaborações de voluntários locais.

A exposição A beleza do caos: pintura expandida começou a tomar forma quando o artista convocou voluntários para figurar em duas séries de retratos. Para os Dough portraits, fotografou 200 brasilienses cujos rostos foram devidamente cobertos com uma molenga massa de pão. Retratos figuram entre os temas nobres da história da pintura e Dahlgaard quis dar à prática um aspecto divertido e questionador. “Quando você olha parece mármore, ou gesso. Mas é uma massa e ela faz um negativo do rosto, está sempre se movendo. Cada foto é fruto de um relacionamento meu com uma pessoa”, explica o artista, que compara o processo à confecção de uma escultura. “Todo mundo tem uma identidade e quando você olha os retratos normalmente olha direto para o rosto. Se cubro o rosto, você precisa olhar para algo mais, algo que você conhece muito bem de forma diferente. Por isso é muito importante que as mãos apareçam, elas se tornam muito expressivas quando você cobre o rosto.”

Dalghaard chama os retratos de escultura-action, uma referência ao movimento action-painting que mudou os rumos da pintura nos anos 1950 ao sobrepor a importância da abstração e do gestual à composição racional. Em outra série, ao invés de massa, são litros de tinta que escorrem pelas faces dos voluntários. Além dos retratos, o público poderá conferir o vídeo que documentou o processo de registro das imagens. Outra parte do trabalho consiste numa performance realizada pelo próprio artista travestido de guerreiro. Paramentado com uma armadura construída com pães, Dalghaard sai de uma caverna — também confeccionada com pães — montada no meio da galeria.

Energia

A performance consiste em se lambuzar de tinta e saltar uma série de obstáculos. As marcas da ação ficam impressas nas superfícies brancas e a energia despendida faz da ação uma furiosa entrega às tintas. A atitude enérgica de se jogar contra as superfícies resulta em manchas desordenadas. Dalghaard se transforma em um gigante pincel humano. “A pintura é a técnica mais antiga da história da arte e todos os artistas pintam. Nunca pintei, mas queria lidar com a pintura porque ela é parte da história. Então criei minha própria técnica. Sou como um homem das cavernas, não falo e enquanto estou fazendo a performance estou só agindo. É também um reflexo de um artista frustrado.” Além do próprio corpo, o artista também utiliza galhos para espirrar a tinta nas paredes e intitula as obras conforme os suportes, os movimentos e os objetos. Assim, escolhe títulos como Slide painting, Landscape painting, Hedge painting e The hurdler paintings. “Quero fazer algo que seja interessante hoje, não quero fazer algo que já foi feito. Quero dar um próximo passo, ter uma boa ideia original e levar as coisas adiante”

O “pincel humano” no qual o dinamarquês se transformou no último final de semana deixou rastros por toda a galeria e ainda imprimiu um colorido vibrante no ficus plantado em frente ao Ecco. “Ele é um artista completo”, avalia Karla Osório, curadora da exposição. “A questão do pão tem a ver com a origem da vida. Todo esse trabalho é permeado pelo trigo. O pão também discute a questão da identidade dele como artista e com o público. Tudo isso se transforma quando ele se traveste de pão.” No total, Dalhgaard utilizou mais de mil baguetes para construir sua caverna e armadura.

Pintura X perfomance

“Quero colocar junto action-painting e performance. Eu venho da escultura, não sou pintor. E da arte conceitual. Como pintar sem o pincel? Onde está a arte? Na tela? No vídeo? Na instalação toda? A ideia é que é importante, é mais importante que a técnica. É uma arte na qual você pode ver o que acontece. Frequentemente as performance são muito sérias, muito entediantes. Por isso pinto a paisagem, não há telas. Muitos pintores trabalham com a ilusão da representação sobre a tela. O meu é muito mais real.”

Escultura

“Gesso, bronze e madeira têm uma longa tradição na história da arte. Se você acorda de manhã e diz quero fazer uma boa peça de gesso você já tem uma longa história de obras de muito bom gosto já feitas. Precisa ter uma boa razão para fazer algo e conseguir não ficar repetindo o que já foi feito. Os materiais de escultura têm anos e anos de uso, então tento fazer outra coisa. O material da minha escultura é muito problemático, não é fácil de fotografar. Minha escultura se torna fotografia e vídeo. A foto é uma espécie de escultura. A escultura é tridimensional e o tempo é a quarta dimensão. Então há uma narrativa acontecendo no cenário que crio, há sempre uma história. E há um tempo na foto e um tempo no vídeo.”

Maneiras de ver

“A coisa fundamental na minha arte é tentar encontrar novos caminhos. E isso sugere que as coisas que você conhece podem ser diferentes. No meu trabalho quero dar uma visão diferente do que podem ser os objetos que as pessoas já conhecem.”

Quadro de Renoir à venda por 10,8 M€ na Feira de Maastricht

Pierre-Auguste Renoir
Um quadro de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) vai estar à venda por 15 milhões de dólares (10,8 milhões de euros) na The European Fine Art Fair (TEFAF), que decorre entre 18 e 27 de Março na Holanda.

Considerada uma das mais importantes feiras de arte e antiguidades do mundo, a TEFAF, que se realiza na cidade de Maastricht, recebe anualmente mais de 75 mil visitantes, incluindo artistas, curadores, diretores de museus e coleccionadores de todo o mundo.

Este ano em 24.ª edição, a TEFAF vai apresentar cerca de 30 mil peças de arte antiga e moderna que abrangem variadas áreas: pintura, desenho, mobiliário, fotografia, escultura, arte oriental antiga, joalharia e design.

Entre as peças de valor mais elevado destaca-se uma pintura de Renoir criada no início do movimento impressionista: "Femme Cueillant des Fleurs" (Mulher a Colher Flores), que retrata Camille Monet, a primeira mulher de outro artista e grande amigo, Claude Monet, que morreu muito jovem e de forma trágica.

Camille Doncieux tinha 18 anos quando conheceu Claude, em 1865, e tornaram-se amantes. Foi modelo de muitas obras do artista, mas o pai de Monet nunca a aceitou na família devido às origens humildes.


Não obstante esta rejeição do patriarca da família Monet, casaram-se em 1870.

Monet e Renoir foram amigos toda a vida, e viveram o período de maior proximidade entre 1866 e 1875. Frequentemente pintavam juntos, com os cavaletes lado a lado, e Camille foi retratada em vários quadros, como em "Femme Cueillant des Fleurs".

Um ano depois de Renoir ter pintado este quadro, Camille adoeceu e, em 1879 morreu, aos 32 anos.

A segunda mulher de Claude Monet, Alice Hoschedé, sentiu intensos ciúmes da primeira companheira do artista e destruiu tudo o que encontrou que a retratasse. v O quadro pintado por Renoir pertence ao Sterling and Francine Clark Art Institute, de Massachusetts, nos Estados Unidos, que possui um conjunto de três dezenas de obras de Renoir.

Entre as peças em destaque este ano estarão também a escultura criada por Henry Moore "Mother and Child" (1983), três anos antes da morte do artista, e que mostra a figura da criança como um elemento abstrato, mas sublinhando a força protetora da mãe para o filho.

Também estará pela primeira vez em exposição pública um quadro pintado em 1906 por Pierre-Auguste Renoir, intitulado "La Leçon", representando o filho a aprender a ler com uma professora.

Nas antiguidades, uma das estrelas será um raro ídolo grego feminino em mármore com doze centímetros, criado no período Neolítico, com cerca de sete mil anos.

Na edição deste ano da TEFAF vão participar duas galerias portuguesas: a de Jorge Welsh, em Lisboa, e a de Luís Alegria, do Porto, ambos antiquários.

Lusa

Mergulho na cultura popular



Efrain Almeida talha sua infância no sertão cearense

Arte que é artesanal, que vai para galerias de todo o mundo, mas não se esquece de levar consigo o sertão cearense. Com suas referências à cultura e à arte populares, Efrain Almeida talha a infância em Boa Viagem em madeira no Rio de Janeiro.

Nascido em Boa Viagem, crescido em Fortaleza e feito artista no Rio de Janeiro, Efrain Almeida nunca deixou de lado sua raiz sertaneja. Suas influências visuais são memórias da infância sertaneja: os entalhes dos artesãos, os ex-votos das igrejas, os pintinhos do terreiro. A mãe cuidava do jardim, e o pai se ocupava com a marcenaria. Quando se mudou para o Sudeste, quis estudar arte.

Começou pintando. Entre suas experimentações, utilizava a madeira como tela. Hoje se dedica mais à escultura, que talha na umburana, que conhecia dos tempos de criança, do terreiro da mãe e do trabalho do pai. Cheias de lirismo, as imagens de Efrain abordam questões do corpo, da sexualidade, da religião, da natureza. Artista contemporâneo mergulhado em cultura popular.

Em entrevista ao O POVO, Efrain fala de sua obra e comenta, com propriedade, as relações entre arte e artesanato e o preconceito que ainda existe quanto à aceitação da arte popular como peça dotada de valor e requinte, tanto na utilização em ambientação quanto na exposição em galerias. (Alinne Rodrigues)

O POVO - Na sua obra, a influência do artesanato é muito forte. Você faz figuras pequenas, esculpe em madeira. Como essa técnica artesanal começou a fazer parte da sua obra?
Efrain Almeida – Não foi uma coisa proposital. Tem a ver com o processo de trabalho e das questões que me interessam. Inicialmente eu fazia pintura, mas já usava madeira como suporte. Depois, com o processo de trabalho, passei para a escultura. Comecei a utilizar madeira como matéria mesmo. As imagens são sempre referentes à minha história. Fui pesquisar materiais. Antes utilizava o cedro, mas, de uns anos para cá, mudei para a umburana, uma madeira que tem toda uma tradição, que é utilizada na confecção de brinquedos artesanais. A escolha tem a ver com essa ideia de um certo imaginário popular. A coisa da artesania sempre me interessou. O meu trabalho de pintura também era muito meticuloso, rebuscado. Acho que a artesania na pintura é uma característica, tem o gesto, a mão, assim como o artesanato e a escultura.

OP - Você usa uma técnica artesanal, material artesanal, mas não faz artesanato. Como uma técnica e um estilo de artesanato pode se tornar arte? O artesanato é utilitário, e a arte não é?
Efrain – Isso é muito complexo. Existe artesanato que é arte e artesanato que não é. Existe o artesanato comercial, que as pessoas fazem por uma ideia de identidade local e vão repetindo aquilo por tradição. Existem artesãos que têm um trabalho muito específico que você pode classificar como artista, que está fora do utilitário. O cara cria um imaginário. E existe ainda a questão da arte contemporânea e a arte popular: quando um contemporâneo usa uma técnica artesanal, existe um conceito; existem também os ingênuos, que têm a ver com tradição, sem um pensamento.

OP – É por isso que peças de artesãos e artistas têm valores comerciais tão distintos?
Efrain – O valor da arte é um valor completamente abstrato, que tem a ver com o mercado, com um sistema mercadológico. Eu não sou ingênuo de acreditar que um cara que mora no meio do mato, que não tem a menor informação de absolutamente nada, possa entrar no mercado contemporâneo e ser classificado como grande artista. Acho que ser um grande artista está ligado a informação e conceito. Agora, em nenhum momento existe da minha parte nenhuma arrogância com os artistas populares, apenas são coisas distintas.

OP - Seu pai trabalha com os mesmos materiais que você, mas não faz arte. Como você se tornou artista e não artesão?
Efrain – Pela minha história. A minha família mudou para Fortaleza, eu estudei em Fortaleza. Depois me mudei para o Rio, estudei arte aqui. Toda essa rede, essa formação que eu tive, me fez olhar para essas coisas, a tradição, a minha história, a da minha família, mas de um modo completamente outro, crítico e distanciado. É um outro jeito de olhar para as coisas.

OP – Quando a gente olha para o design no mundo inteiro, a gente vê que existe uma admiração pelo artesanato nordestino na decoração, em ambientes sofisticados. Por que o brasileiro em geral não tem essa percepção?
Efrain – Preconceito. Sabe qual? Uma espécie de complexo que o nordestino tem em relação ao artesanato. O mundo inteiro valoriza isso. A Prada usou isso numa coleção e foi ovacionada. A Viviene Westwood usou richelieu, que, pra gente, é superbanal, em uma coleção. Existe um complexo de inferioridade, parece que aquilo não tem valor só porque faz parte do nosso cotidiano. Fico pensando que, se eu morasse no Ceará a vida inteira, talvez meu trabalho fosse diferente. Talvez eu estivesse tão próximo que não conseguisse sentir.

OP – Talvez até o seu reconhecimento fosse outro, não é?
Efrain – O preconceito é uma leitura prévia que as pessoas fazem antes de conhecer. Eu tenho feito muitas exposições internacionais. Domingo (hoje) eu viajo para os Estados Unidos para minha quarta exposição em Seattle. Todas as vezes, meu trabalho tem uma ótima recepção, porque as pessoas não olham com esse olhar preconceituoso, olham como arte, não como artesanal, que tem ligação com cultura popular. Na verdade, para eles, isso é um valor a mais para o trabalho, um valor positivo, não negativo.

OP – Será que é necessário estar em outro país, em outro continente para que o artesanato seja reconhecido como arte? É uma questão de ponto de vista?
Efrain – Mesmo no Brasil, acho que a gente consegue. A pintura da Beatriz Milhazes se refere ao popular. Ela fez alguns trabalhos com rendas, com caju, carnaval que têm super a ver. É pintura, tem relação artesanal, porque é um trabalho supermeticuloso e manual, e ela é uma das maiores pintoras do Brasil. Sem dúvida nenhuma.

Museu italiano pede asilo à Alemanha

Antonio Manfredi, director do Museu de Arte Contemporânea de Casoria, na região de Nápoles, escreveu à chanceler alemã, Ângela Merkel, a pedir asilo para o museu que dirige devido às ameaças da máfia e falta de apoio financeiro do governo italiano.

O pedido de asilo, que teve como base telefonemas ameaçadores e actos de vandalismo, visa a protecção do espólio do museu, numa tentativa de fuga da cidade dos seus crónicos problemas sociais, nomeadamente ligados ao crime organizado.

"Se o governo italiano não é capaz de zelar pelo seu património, então vamos fazê-lo noutro país”, disse Manfredi em declarações ao “Spiegel Online“, afirmando ainda que “este é um grito de alerta da arte italiana para o mundo”.

Os cortes orçamentais sofridos nos últimos meses pelo sector cultural e a subsequente onda de protestos em Itália estiveram também na base do pedido de auxilio à Alemanha. "A Alemanha tem sido um dos poucos países que não cortou o orçamento da cultura. Dá dinheiro para investigação”, ao contrário de Itália, justificou Manfredi.

No entanto, apesar da exposição mediática do acontecimento, segundo o jornal britânico “The Independent” o gabinete da chanceler alemã foi indiferente ao apelo feito por Manfredi, tendo um porta – voz de Merkel mencionado que a carta não obterá uma resposta oficial, considerada uma forma de protesto público e não um verdadeiro pedido de asilo.

O museu, fundado em 2005, reúne cerca de mil obras de pintura, escultura, fotografia, vídeo e instalações de importantes artistas internacionais

Esculturas inéditas de Manuel Baptista ganham corpo passados quarenta anos

Vinte esculturas inéditas, pensadas há quarenta anos pelo artista Manuel Baptista, mas só agora concretizadas, vão estar expostas a partir de sexta-feira no Museu da Eletricidade, em Lisboa, com desenhos criados nos anos 1960 e 1970.

Agora com 75 anos e uma vida dedicada à pintura e ao desenho, Manuel Baptista conseguiu "a concretização de um sonho" com a exposição "Fora de Escala", comissariada por João Pinharanda, que é inaugurada às 19:30, no museu da Fundação EDP, em Lisboa.

"Foi uma grande surpresa", disse o artista numa entrevista à agência Lusa na véspera da inauguração, sobre os trabalhos de escultura pensados há mais de quarenta anos e só agora produzidos.

As obras foram selecionadas em conjunto por Manuel Baptista e o comissário da exposição com base em desenhos criados em cadernos que o artista guardou e nunca teve a possibilidade de dar corpo.

Nascido em Faro, em 1936, Manuel Baptista frequentou o curso de arquitetura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, que depois abandonou para se dedicar inteiramente à pintura.

Foi para Paris como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde residiu até 1963. Esteve em Itália com uma Bolsa do Instituto de Alta Cultura e regressou a Lisboa, onde foi professor de pintura na ESBAL até 1972.

Ensinou futuros artistas como Eduardo Batarda, Cristina Reis, Fátima Vaz e Helena Lapas.

A paixão pelo desenho despertou em Manuel Baptista quando, ainda criança, via filmes de animação da Disney: "Comecei a desenhar os bonecos em papel e até usando um prego, para criá-los na parede e a minha mãe castigava-me", recordou.

Ainda menino, o sonho de Manuel Baptista era trabalhar com Walt Disney. Não o concretizou, mas o treino a desenhar bonecos dos filmes, mesmo mais tarde, em aguarela, "foi muito positivo para estudar pintura".

Participou em mais de três dezenas de exposições individuais e quase quarenta exposições coletivas, e conquistou, entre outros, o Prémio Soquil de Artes Plásticas (1970) e o Grande Prémio de Pintura da IV Bienal internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira (1984).

Por iniciativa da Fundação EDP, e por sugestão do curador João Pinharanda, foram agora produzidas em grandes dimensões as vinte esculturas, que se reúnem na exposição a outros tantos desenhos dos anos 1960 e 1970.

Falésias, camisas, mesas, novelos de lã, envelopes e outros objetos do quotidiano passaram do desenho à tridimensionalidade através da madeira, fibra de vidro, plástico e alumínio.

"Eram ideias com décadas, mas resultou muito bem", avaliou Manuel Baptista, mostrando-se satisfeito com o resultado.

Os motivos têm a ver com memórias de infância: a mãe tricotava, as falésias são parte do ambiente algarvio onde nasceu, os envelopes marcaram "porque tinham coisas lá dentro".

"É a primeira vez que faço escultura. Talvez agora me transforme num escultor", disse à Lusa, com grande entusiasmo.

João Pinharanda, comissário da exposição, comentou que, tal como Manuel Baptista, muitos outros artistas portugueses só décadas mais tarde realizaram projetos antigos: Jorge Pinheiro e Ângelo de Sousa são disso exemplo.

“Se estes artistas portugueses - que não o conseguiram, na época - tivessem concretizado essas obras, a História da Arte em Portugal teria sido diferente", comentou Pinharanda em declarações à Lusa, sobre esta exposição.

"Fora de Escala" vai estar patente no Museu da Eletricidade, em Belém, até 15 de maio de 2011.

AG.
Lusa

Pedro Cabrita Reis expõe a maior retrospectiva da sua obra em Lovaina

O museu M de Lovaina (Bélgica) inaugura na quarta-feira uma exposição de Pedro Cabrita Reis com cerca de 40 esculturas, pinturas, fotos e instalações espaciais daquele que é considerado uma das principais figuras da cena artística portuguesa.

A exposição "One after another, a few silent steps" (Um após outro, alguns passos silenciosos) é a maior retrospectiva da obra de Pedro Cabrita Reis.

Depois de ter estado no Kunsthalle de Hamburgo (Alemanha) e no museu Carré d'Art de Nîmes (França), a exposição em Lovaina, de 24 de Fevereiro a 22 de Maio, é a terceira etapa de um périplo europeu que termina no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, entre 4 de Julho e 2 de Outubro.

Paralelamente ao desenho e pintura, a sua actividade inclui trabalhos de cenografia para teatro e intervenções, como a decoração do bar lisboeta "Frágil".

A obra pictórica, produzida na década de 80, caracteriza-se pela grande dimensão dos suportes, onde se representam objectos do quotidiano, reordenados em ambientes enigmáticos.

Na segunda metade dos anos 80, diversifica as modalidades de expressão, passando da pintura à escultura e à instalação.

Obras de Nuno Cera compradas pela Fundação Coca-Cola

Obras de Nuno Cera e Filipa César estão entre as 10 peças adquiridas durante a 30.ª edição da ARCO, que terminou domingo, pela Fundação Coca-Cola, uma das mais importantes de arte contemporânea de Espanha.

Trata-se de um vídeo de Filipa César e da fotografia “A room with a view #13 (intercontinental Hong Kong)” de Nuno Cera.

As compras de obras de sete artistas representam um aumento de 25 por cento no investimento total da Fundação relativamente à edição do ano passado da ARCO.

Estas novas aquisições somam-se às mais de 330 obras que integram já a coleção que reúne obras de artistas portugueses e espanhóis em todos os suportes de criação contemporânea, de fotografia, a pintura, escultura ou vídeo-arte, entre outros.

As obras estão, desde há três anos, depositadas no Centro de Arte Contemporâneo de Salamanca Domus Artium 2002.

Eduardo Malé expõe pinturas e esculturas em Barcelona

De 25 de Fevereiro à 30 de Março próximo, a expressão artística são-tomense marca presença na cidade espanhola de Barcelona. Obras do artista plástico Eduardo Mallé, que promete conquistar o público de Barcelona.

“Nós e nozes”, é o tema da exposição que será aberta no espaço DeGusto Portugués – Tienda Gourmet y Bodega de Barcelona. Com a colaboração da Associação Caué, que enviou uma nota para a redacção do Téla Nón, a exposição de Eduardo Malé, reflecte um universo artístico, que tem como base o quotidiano.

Segundo o artista plástico, a sua obra mostram a realidade actual e a necessidade urgente da sua transformação. «Obras que resultam da prática apurada do artista, das suas referências artísticas e da sua formação académica», diz a Associação Caué.

Para visitar a exposição a ser inaugurada no dia 25 de Fevereiro siga o seguinte endereço:
DeGusto Portugués – Tienda Gourmet y Bodega
Carrer del Montseny 12
08012 Barcelona
Telf. (+34) 931 186 748

«Duchamp: A Arte de Negar a Arte

A Exposição Duchamp: A Arte de Negar a Arte é composta por litografias, objectos, aguafortes e readymades do pintor e escultor francês Marcel Duchamp.

Tido como um dos precursores da arte conceitual e um dos principais impulsionadores do movimento do Dadaísmo, corrente artística que rompe com as formas de arte tradicionais e defende a espontaneidade e o absurdo, Duchamp é considerado um dos artistas mais influentes da história de Arte Moderna.

Os readymades, objectos de uso corrente retirados do seu contexto, assinados e transformados em obra de arte - como é o caso da Fonte (Urinol), uma das suas obras mais famosa e irónica - tornaram-se o elemento de destaque da produção de Duchamp.

A Exposição Duchamp: A Arte de Negar a Arte divide-se em dois temas, o Pensamento e o Método. O primeiro exprime-se numa série de trabalhos orgânicos e não convencionais, ligados à palavra como formulação do pensamento: o desenho, as serigrafias e as gravuras a águaforte. Aqui encontram-se obras como Erratum Musical, 1913, Possible de 1913 ou a célebre edição da La Mariée mise à nu par ses célibataires même (La boite verte) de 1934.

Mais iconoplasta e tridimensional, a segunda parte da exposição representa o Método como filosofia do quotidiano, apresentando os readymades no percurso de Marcel Duchamp como é o caso do Porta Garrafas (Bottle Dryer), o Urinol (Fountain) ou a Porta (Porte).

Artista(s): Marcel Duchamp
Endereço: Páteo de São Miguel,
7000-901 ÉVORA
Telefone: 266748300

ARCO Madrid continua a ser primeira porta de saída da criação portuguesa

A Feira ARCO Madrid, que em 2011 completa trinta anos, continua a ser uma primeira porta de saída da arte portuguesa para o exterior, na opinião de alguns dos 12 galeristas que vão estar presentes com produção nacional recente.

A Feira de Arte Contemporânea ARCO Madrid 2011 vai reunir entre 16 e 20 de fevereiro um total de 190 galerias e terá a Rússia como país convidado, além de uma exposição especial sobre o contributo de trinta anos para o setor da arte contemporânea em Espanha.

Portugal tem estado presente desde o início do certame internacional com cerca de uma dezena de galerias nacionais que continuam a apostar na apresentação da arte portuguesa em Madrid, como é o caso de Pedro Cera, com galeria em Lisboa.

Para o galerista, a ARCO Madrid continua a ser a primeira porta de saída da arte portuguesa para o exterior "porque é uma feira onde tradicionalmente se fazem muitos programas com comissários e diretores de museus", traduzindo-se em oportunidades de visibilidade para os artistas.

"Há um lado comercial, mas também de descoberta e contactos, o que faz com que muitos artistas portugueses tenham começado ali a sua carreira internacional", observou, em declarações à agência Lusa.

Para o galerista, que procura levar à ARCO todos os anos obra nova dos artistas portugueses com quem trabalha, "em Espanha, há muito interesse na arte portuguesa".

"Isso tem uma explicação, e as raízes estão na qualidade dos trabalhos que as galerias portuguesas apresentam. Os colecionadores espanhóis têm muita consideração por essa preocupação de mostrar um nível elevado da criação nacional", sustentou o também ex presidente da direção da Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA).

Este ano, conta levar à ARCO obras dos artistas portugueses Gil Heitor Cortesão, Pedro Barateiro, Ricardo Valentim, André Cepeda e Nuno Cera.

Também Manuel Ullisses, galerista da Quadrado Azul (no Porto e Lisboa), vai estar presente pelo décimo terceiro ano na "prestigiada feira internacional", onde tem levado artistas portugueses como hngelo de Sousa, Álvaro Lapa, Fernando Lanhas e José de Guimarães, entre outros.

Este ano, levará uma seleção que inclui Artur Barrio, artista português que vive no Rio de Janeiro desde 1955, Francisco Tropa, Hugo Canoilas, João Queiroz, Paulo Nozolino, Pedro Tropa e Thierry Simões, nascido em Paris, mas que reside em Portugal.

Francisco Tropa é o artista que vai representar Portugal na 54. Exposição Internacional de Arte -- da Bienal de Veneza, enquanto Artur Barrio fará a representação do Brasil naquele certame internacional.

Carlos Urroz, que esteve em janeiro em Lisboa para apresentar em detalhe a programação da ARCO Madrid, disse na altura à Lusa que a dimensão de visitantes portugueses no certame de Madrid ronda anualmente os 15 por cento, "um valor incrível" num universo de cerca de 150 mil visitantes.

As outras galerias de Portugal que participam na ARCO são: Carlos Carvalho, Filomena Soares, Galeria 111, Lisboa 20/Miguel Nabinho, Cristina Guerra e Vera Cortês - de Lisboa - Pedro Oliveira, Presença e Nuno Centeno/Reflexus - do Porto - e ainda Fonseca Macedo, de Ponta Delgada.

Na totalidade, participam galerias provenientes de mais de trinta países, com pintura, escultura, instalações, fotografia, vídeo, new media, desenho e gravura.

Flauta de Rão Kyao interpreta liturgia católica

Rão Kyao associou-se aos 75 anos do Seminário de São Paulo de Almada (inaugurado em outubro de 1935) e lançou o CD “Sopro de Vida – Ao ritmo da Liturgia”.

As 25 faixas são interpretados pela flauta de Rão Kyao, acompanhado ao órgão por Renato Silva Júnior.

No libreto que acompanha o CD, Rão Kyao explica a origem e os objetivos do projeto:

«Este CD é a concretização de um sonho: “Cantar”, numa gravação com a flauta, uma série de cânticos religiosos de grande profundidade melódica. O meu amigo Padre Rodrigo sugeriu-me para isso duas diretrizes:

Primeiro: coligir os temas escolhidos de acordo com a progressão do Ano Litúrgico: Advento, Natal, Epifania, Quaresma, Semana Santa, Paixão, Páscoa (Ressurreição, Ascensão e Pentecostes)... e, numa segunda parte, ordenar temas ao ritmo da celebração eucarística, com música para a entrada, aclamação da Palavra, ofertório, comunhão, ação de graças, cântico a Nossa Senhora e, no fim, um tema original, a parábola.

A segunda sugestão foi a de tocar temas exclusivamente de autores portugueses de várias épocas, para mais dar a conhecer a grande qualidade dos nossos compositores litúrgicos.

O ouvinte, se assim o desejar, tem ao seu alcance, no libreto, parte das letras dos respetivos temas para poder interiorizar melhor o ambiente e mensagem espirituais de cada um deles.

O CD, para nossa alegria, fica associado à celebração dos setenta e cinco anos do Seminário de São Paulo de Almada.

Agradeço a todos os envolvidos através do Padre Rodrigo cujo apoio, conhecimentos e força espiritual foram fundamentais na elaboração desta prestação musical a todos.

Reportagem de Carlos Jesus Silva

Artistas brasileiros vão expor no Dubai

Quadros e esculturas de 21 brasileiros vão estar na Gallery 76, a partir de quarta-feira. A exposição é organizada pela galeria Eric Art e tem apoio da embaixada do Brasil nos Emirados.

Os artistas plásticos brasileiros estão conquistando cada vez mais espaço nos Emirados Árabes. Na próxima quarta-feira (09), os árabes vão poder apreciar e comprar as obras de 21 artistas, que vão expor na Gallery 76, no Dubai, até dia 23 deste mês. A galeria vai abrigar 33 obras brasileiras, entre quadros e esculturas, que foram selecionadas pelo curador Eric Landmayer, diretor da galeria Eric Art, de São Paulo.

Os artistas são de diversas localidades do Brasil e trabalham com diferentes modalidades de artes plásticas, como pintura, escultura, arame em alumínio e desenho. “Gosto de levar um pouco de tudo”, disse Landmayer, que já organizou diversas exposições brasileiras nos Emirados Árabes.

De acordo com ele, as obras brasileiras são muito bem aceitas no mercado árabe. As cores, a temática e a variedade de estilo chamam a atenção dos árabes. “O Brasil está em alta no mercado de arte no exterior”, afirmou o curador, que trabalha no mercado há 35 anos e já levou as obras brasileiras para mais de 40 países.

Essa vai ser a primeira vez que Landmayer vai expor na Gallery 76. A exposição tem o apoio da embaixada do Brasil em Abu Dhabi. Para ajudar na divulgação, Landmayer tem um parceiro nos Emirados, que tem contato direto com clientes e colecionadores no mundo árabe.

Com a ajuda de Landmayer, que também é promotor cultural e crítico de arte pela Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica-Paris), as obras brasileiras já foram adquiridas por muitos colecionadores e compradores internacionais. Segundo ele, a ideia agora é divulgar mais o trabalho do Brasil no mundo árabe. Dos países árabes, além dos Emirados, o curador já fez uma exposição no Egito. No total, 40 países já receberam exposições organizadas pela Eric Arte.

A maioria dos artistas brasileiros que vai estar na Gallery 76 é emergente, alguns estão em início de carreira e outros já têm um nome mais conhecido, como é o caso da artista convidada Sônia Menna Barreto. A artista, que faz pintura a óleo, ficou muito conhecida em 2002, quando um de seus quadros foi entregue para fazer parte do acervo de obras da família real inglesa, no Palácio de Buckingham.

De acordo com Landmayer, em toda exposição organizada por ele nos Emirados Árabes ocorre venda. Essas exposições são realizadas uma vez por ano. As obras que vão estar na Gallery 76 custam em média US$ 3 mil. “Tenho muito interesse em me fixar no mercado árabe. Quero difundir a arte brasileira e quem sabe conseguir um espaço fixo para as obras brasileiras nesse mercado”, afirmou.

Quadro de Júlio Pomar vendido por 85 mil euros em Lisboa

Mestre Julio Pomar
Um óleo sobre tela de Júlio Pomar, intitulado "O Violinista", foi vendido na segunda-feira à noite num leilão em Lisboa por 85 mil euros, revelou hoje à agência Lusa a leiloeira Cabral Moncada.

Neste leilão foram à praça cerca de 400 lotes de obras de arte, na maioria de pintura, desenho e escultura de artistas portugueses como Maria Helena Vieira da Silva, Nikias Skapinakis e Cargaleiro.

De acordo com os dados fornecidos pela Cabral Moncada Leilões, entre as obras que atingiram valores mais elevados estão ainda um quadro de Maria Helena Vieira da Silva intitulado "Indigo", arrematado por 36 mil euros, e um "Autoretrato no Atelier", de Dórdio Gomes, que ficou por 34 mil euros.

Um quadro sem título de Manuel Cargaleiro foi arrematado por 22 mil euros, a tela "Paisagem de Lisboa", de Nikias Skapinakis, ficou por 20 mil euros, um quadro sem título de José de Guimarães foi vendido por 18 mil euros, e a obra "O Cheiro do rio Tejo", de Manuel Cargaleiro, por 17.500 euros.

A ilustração de Júlio Pomar "Uma Abelha na Chuva" ficou por 16 mil euros, um quadro sem título de Ângelo de Sousa foi arrematado por 13.500 euros, a obra "Variação sobre um Tema de Fuseli", de António Areal, foi vendido por 10.500 euros e, pelo mesmo valor, uma tela sem título de Jorge Pinheiro.

Um quadro de Noronha da Costa, também sem título, foi arrematado por 10 mil euros.

Estava também entre os lotes de pintura uma obra de Malangatana, pintor moçambicano falecido este ano em Matosinhos, na sequência de doença prolongada.

De acordo com a Cabral Moncada, a obra não foi arrematada no leilão de segunda-feira, mas ficou reservada por um interessado.

A Arte do Sagrado

O Museu Metropolitano de Arte de Curitiba da Fundação Cultural de Curitiba possui um dos maiores acervos paranaenses. Ao todo, são cerca de 3.500 itens, de arte popular e indígena a objetos diversos, peças de artesanato e obras de arte, divididos entre as coleções: Andrade Muricy, Ben Ami, Cleusa Salomão, Jorge Carlos Sade, Mohamed, Poty Lazzarotto, FCC e Prefeitura Municipal de Curitiba.

Além de doações independentes, efetuadas por artistas que expõem naquele espaço ou outros locais da entidade. É preciso observar que qualquer item acrescentado ao acervo tem que antes passar por um exame técnico, que atesta a integridade das condições físicas da obra, tais como estado da camada pictórica, estado do suporte, etc. e por análise estético-artística efetuada pelos Conselhos do Acervo da Fundação Cultural de Curitiba.

Qualquer acréscimo quantitativo a um acervo é denominado aquisição, que se classifica sob quatro aspectos principais: aquisição por compra de obra de arte, aquisição pela doação de obra de arte, aquisição por comodato – que é uma espécie de empréstimo e aquisição proveniente de projetos feitos com o objetivo de aumentar o acervo na justa medida em que se preencham as lacunas, como as decorrentes da ausência de nomes importantes de artistas que deveriam já estar representados com obras nas coleções.
Nesta exposição, o Museu Metropolitano de Arte de Curitiba - MuMA, se reúne ao Museu de Arte Sacra da Diocese de Curitiba - MASAC, para apresentar obras de arte e peças relacionadas à arte religiosa. Normalmente, as obras do acervo do MuMA são expostas na sua própria Sala do Acervo. Entretanto, o local encontra-se em reforma, fato que contribuiu para a realização desta mostra em conjunto com o MASAC. Lá se pode ver uma pintura sobre papel de Dulce Osinski, uma pintura à óleo de Everly Giller, e três peças de arte popular, estas pertencentes à coleção Poty Lazzarotto.

Dulce Osinski, destacada artista paranaense, possui uma linguagem em que o gestual expressionista é utilizado em registros de acontecimentos que permeiam sua própria vida, ora como protagonista, ora como narradora. Por meio de traços sensíveis e nervosos, somados ao uso de cores vibrantes centradas no vermelho e azul, ela pinta uma figura estática num momento especial na vida da menina católica: a primeira comunhão. A ênfase do desenho desloca-se para os pés, os quais, visivelmente aumentados, sugerem uma base sólida de fé, ao mesmo tempo em que se constituem como uma camisa de força simbólica – grilhões morais que se tornam atuantes, a partir dali, por toda a vida.

A pintura intitulada “Anunciação - Zwiastowanie” de Everly Giller – nascida em Caçador, Santa Catarina, porém adotada por Curitiba – apresenta outro tipo de abordagem conceitual, e conseqüentemente, pictórica.. Daí, surge uma visão extremamente lírica, em que a tela mostra uma série de tonalidades de azul mesclada com verdes, que fascina pelo uso das cores e pela composição fantástica, onírica, de um universo que se complementa nele mesmo, girando numa bolha etérea de formas, estrelas, cometas, flores. Produto intelectual, além do artístico, a obra alude à ícones religiosos, à arte medieval e à lei áulica que determina o tamanho maior para a personagem mais importante: a Virgem Maria. As duas obras em cerâmica pintada, “Santa Eugênia” e “Santa com Menino Jesus”, apresentam similaridades de concepção e execução que apontam para uma única autoria, infelizmente desconhecida.
A arte popular, muitas vezes, não possui registro de quem a executou, como no caso destas peças provenientes do Vale do Jequitinhonha, no Estado de São Paulo. Elas mostram a delicadeza e riqueza das formas ingênuas, em que o sentimento religioso se volta para um trabalho detalhista, de difícil elaboração e extremamente atraente. A escultura em madeira intitulada “Oratório” também é anônima e não possui referência do lugar de origem. Entretanto, produto de um artista ínsito, ela é entalhada com elementos sintéticos que a elevam a um patamar de concentração de significados.

O aspecto “clean” e estrutural, longe de denotar ausências, vem acentuar o caráter forte, vigoroso e direto das formas simples. A tensão contida, que é a mesma empregada pelo entalhador durante a execução da obra, salienta a essência do tema.

O MASAC fica anexo à Igreja da Ordem no Centro Histórico de Curitiba e abre de Terça a Sexta e fecha às segundas-feiras.

ARTE CONCEITUAL - INTRODUÇÃO

Final da década de 1960.
“A própria ideia, mesmo se não é tornada visual, é uma obra de arte tanto quanto qualquer produto”, disse o escultor Sol LeWitt, que deu nome ao movimento.

“É qualquer coisa que não seja pintura ou escultura, que enfatize o pensamento do artista e não a manipulação de materiais.”

"Um cego pode fazer arte se o que estiver em sua mente puder ser transmitido para outra mente de forma perceptível", Sol LeWitt.

I – DADOS CRONOLÓGICOS:

Em 1969, acontecem três exposições que marcam o nascimento da ARTE CONCEITUAL: “Conceptual Art”, “No Object (Leverkusen)” e “Live in your head – whwn actitudes become form (Berna)”.

“A pintura morreu”, proclamava o mundo da arte no final dos anos sessenta e começo dos setenta. Não só a pintura, mas a escultura também, na opinião de um grupo chamado: Artistas Conceituais.
A Arte Conceitual recorre frequentemente, ao uso de fotografias, mapas e textos escritos (como definições de dicionário). Em alguns casos, como no de Sol Lewitt, Yoko Ono (grupo Fluxus) e Lawrence Weiner, reduz-se a um conjunto de instruções escritas que descrevem a obra, sem que esta se realize de fato, dando ênfase à ideia no lugar do artefato. Alguns artistas tentam, também, desta forma, mostrar a sua recusa em produzir objetos de luxo - função geralmente ligada à ideia tradicional de arte - como os que podemos ver em museus.

Sua ênfase durou até os anos 80, porém é muito praticada até hoje.

II – CARACTERÍSTICAS:

Qualquer ato ou pensamento pode ser considerado Arte Conceitual.





A arte deixa de ser o objeto tradicional, a materialização da ideia, para transformar-se na concepção que o artista tem da arte.


“As obras de arte são pouco mais que curiosidades históricas”, disse Joseph Kosuth e esse desenvolvimento era apenas parte de uma tendência chamada “desmaterialização da arte objeto”.

Se uma ideia criativa é fundamental para a arte, produzir um objeto concreto provocado pela ideia é supérfluo. Portanto, a execução é algo mecânico e pode ser desenvolvido com mero exercício; o problema é a ideia do pensamento que pode ser estrito entre o objeto e a palavra (história, texto ou narração, que deve ser expresso através de uma única ideia).
A ARTE CONCEITUAL reside no conceito essencial, não no trabalho real; trabalha os estratos profundos até então apenas acessíveis ao pensamento; às ideias e aos conceitos.
Ela não representa, não exprime, rejeita todos os códigos anteriores, a ponto de alguns críticos proporem uma nova periodização para a história da arte contemporânea: pré-conceitual e pós-conceitual. Afinal, os Minimalistas varreram da arte a imagem, a personalidade, a emoção, a mensagem e a produção manual e os Conceitualistas deram um passo além e eliminaram o objeto.

Além disso, os artistas conceituais reivindicaram uma nova relação entre arte e texto, usando mensagens verbais e escritas como a própria obra de arte.
Em 1961, o artista Piero Manzoni provando que tudo pode virar produto e ser vendido, defecou em 90 latinhas e as etiquetou com o texto “Merda d´ Artista” ( Merda de Artista). Detalhe: todas as latas foram realmente comercializadas. Já Sol LeWitt, dizia que os conceitualistas eram misteriosos e não podiam ser alcançados pela lógica.





“Isto é arte!” Situar nessa esfera como ideia central e expressá-la por meios e métodos, isto é, estarmos no domínio conceitual

Como o espectador tem que ter intelectualidade para entender esse tipo de arte e, como existe uma preguiça em pensar, é muito mais fácil dizer que: “Isso não é arte”. Como se o artista te chamasse de ignorante. Mas, na verdade, ele quer que você pense.

“A arte ajuda a respeitar os outros; as diferenças; os preconceitos e às pessoas preferem dizer que aquilo não é digno de sua atenção. Você acaba satirizando as coisas feitas pelos outros, mas o ignorante é você, que não as entende.”

“Eu faço e alguém executa”. O conceito de propriedade é intelectual (a ideia é autoria própria) e ela está inteiramente apoiada no texto.

O ato de conceber vem do conceito (algo concedido na mente e fruto de operações mentais). Começa-se pensar em conceito através da escrita (palavras) e esses conceitos, são abstrações que pertencem ao individual, pois cada um tem seu próprio conceito.

O conceito não é verbalizado, senão precisaria de outras palavras para existir.

A Arte Conceitual possui uma relação estreita entre o título e a obra, porque dela depende a interpretação que aí está. Por exemplo, a imagem do fogo ou da água. A forma de induzir esse pensamento pode ser qualquer uma (pintura, foto, música, performance) forma, porque a execução não é importante e sim a operação de pensar.

Surgiu no auge do movimento contra cultural (meados dos anos 60) e esse movimento, define-se contra tudo o que é estabelecido; portanto, revolucionário.

Começou a explosão com o Minimalismo (caixotes como obra de arte; produtos industrializados e executados por muitos funcionários e não pelo artista, acarretando muitas despesas); mas, essa detonada não foi suficientemente forte como a Arte Conceitual, ainda que as pessoas não entendam do que se trata.





Algumas obras são feitas dentro do contexto social-histórico e em algum segmento da sociedade, dificultando o entendimento da mensagem. Não eram “coisas” específicas para uma geração e acaba virando uma arte hermética, pois relaciona com particulares e específicas e não, universais. Um artista, por exemplo, dá instruções por telefone aos operários de um museu para montarem uma obra, que o próprio “artista” jamais havia visto ou tocado. Trata-se de uma arte desafiante.

Na arte conceitual, o espaço teórico toma à frente a práxis; se antes havia ainda qualquer preocupação quanto à presentidade da obra, na arte conceitual o objeto, quando também material, é mero sustentáculo das relações pretendidas pelo artista. Pode-se afirmar que na Arte Conceitual é mais importante a teoria, as concepções intelectuais, que o estético em si.

Não há na Arte Conceitual, como consequência, qualquer dos valores tradicionais da arte: nem domínio técnico e/ou resultados estéticos. Ela pode repercutir apenas no plano social (contestatório), no plano intra-subjetivo, psicológico (com intenções liberalizantes), ou no plano intra-artístico (com intenções meta críticas), que suas funções originárias estarão satisfeitas.


“Frases sobre a Arte Conceitual”, de Sol Lewitt

1. Os artistas conceituais são místicos e não racionalistas. Eles saltam para conclusões que a lógica não pode alcançar.
2. Julgamentos racionais repetem julgamentos racionais.
3. Julgamentos ilógicos levam a novas experiências.
4. A arte formal é essencialmente racional.
5. Pensamentos irracionais devem ser seguidos absolutamente e logicamente.
6. Se o artista muda de idéia no meio da execução da obra ele compromete o resultado e repete resultados passados.
7. A vontade do artista é secundária em relação ao processo que ele inicia a partir da idéia até sua completude. Sua obstinação pode ser apenas ima questão de ego.
8. Quando palavras como pintura e escultura são usadas, conotam toda uma tradição implicam uma conseqüente aceitação desta tradição, assim estabelecendo limitações ao artista que ficaria relutante em fazer arte que vai além das limitações.
9. Conceito e ideia são diferentes. O primeiro implica uma direção geral enquanto que a última, seus componentes. As ideias implementam o conceito.
10. Ideias sozinhas podem ser obras de arte; estão em uma cadeia de desenvolvimento que pode eventualmente encontrar uma forma. Nem todas as ideias precisam ser concretizadas.
11. Ideias não necessariamente seguem uma ordem lógica. Podem apontar para inesperadas direções, mas uma ideia deve estar completa na mente antes que a próxima seja formada.
12. Para cada obra de arte que se concretiza há muitas variações que não se concretizam.
13. Uma obra de arte pode ser compreendida como um condutor que parte da mente do artista para as mentes dos espectadores. Porém, pode nunca alcançar o espectador ou nunca deixar a mente do artista.
14. As palavras de um artista para outro podem induzir ideias em cadeia, se eles compartilham do mesmo conceito.
15. Como nenhuma forma é intrinsecamente superior à outra, o artista pode usar qualquer forma, desde uma expressão por palavras (escritas ou faladas), até realidade física, igualmente.
16. Se palavras forem usadas, e ela procederem de ideias sobre arte, então são arte e não literatura; números não são matemática.
17. Todas as ideias são arte se estão relacionadas à arte e cabem nas convenções da arte.
18. Geralmente, entende-se a arte do passado através da aplicação das convenções do presente, assim, compreendendo de maneira equivocada a arte do passado.
19. As convenções da arte são alteradas pelas obras de arte.
20. A arte bem sucedida muda nosso entendimento das convenções por alterar nossas percepções.
21. A percepção de ideias leva a novas ideias.
22. O artista não pode imaginar sua arte nem percebê-la até que esteja completa.
23. O artista não pode ter, em relação a uma obra de arte, uma percepção diversa (entender diferentemente do autor) e, no entanto, isso pode desencadear nele uma cadeia de pensamentos relacionados a essa percepção.
24. A percepção é subjetiva.
25. O artista não necessariamente entende sua própria arte. Sua percepção não é melhor nem pior do que a percepção dos outros.
26. Um artista pode perceber a arte de outros melhor do que a sua própria.
27. O conceito de uma obra de arte pode envolver o conteúdo da obra ou o processo pelo qual ela foi produzida.
28. Uma vez estabelecida a ideia da obra na mente do artista e decidida sua forma final, o processo é desenvolvido automaticamente. Existem muitos efeitos colaterais que o artista não pode imaginar. Estes podem ser usados como ideias para novos trabalhos.
29. O processo é mecânico e não deve ser modificado. Deve seguir seu curso.
30. Há muitos elementos envolvidos na obra de arte. Os mais importantes são os mais óbvios.
31. Se um artista utiliza a mesma forma em um grupo de obras, e muda o material, pode-se presumir que o conceito do artista envolvia o material.
32. Ideias banais não podem ser salvas por uma bela execução.
33. É difícil estragar uma boa ideia.
34. Quando um artista aprende sua arte muito bem, ele faz arte refinada.
35. Estas frases são comentários sobre arte; mas, não é arte.