Xaime Fuentes: pintor galego divulga obra aos bracarenses

O pintor galego Xaime Fuentes associou-se à exposição de homenagem a Jerónimo porque considerou que esta é uma boa oportunidade para se apresentar aos bracarenses. A mostra colectiva está patente, até 8 de Janeiro, na galeria ‘Nímbus’.


Não foi apenas a divulgação do seu trabalho que trouxe Xaime Fuentes a Braga, mas também o facto desta ser uma iniciativa solidária, uma vez que o dinheiro que resultar da venda das obras de arte expostas vai reverter para instituições de solidariedade social.

Xaime Fuentes refere que não conheceu pessoalmente o pintor Jerónimo, mas ouviu falar bastante dele e conheceu a sua “magnífica obra” através do galerista Manuel Araújo, proprietário da ‘Nímbus’.

Em 2010, ainda sem data definida, Xaime Fuentes vai fazer uma exposição em Braga, precisamente na galeria ‘Nímbu s’.

A peça que doou para a exposição de homengaem a Jerónimo é um azulejo pintado a óleo.

Esta peça integra um conjunto de azulejos que o artista retirou das paredes de um talho desactivado e pintou com motivos relacionados com as rias baixas da Galiza e com o mar.

Xavier Fuentes sublinha que é um artista multidisciplinar. “Faço pintura, colagem e escultura em ferro”, adiantou ao ‘Correio do Minho’ o pintor que neste momento está também representado num exposição colectiva patente no Porto.

Quando questionado sobre em que se inspira para pintar, Xaime Fuentes responde que gosta de pintar o seu intrior. “A minha pintura sou. Não existe outra coisa”, vincou.

O pintor espanhol veio da Galiza expressamente para participar na inauguração da exposição que termina no dia do leilão.

Marlene Cerqueira

Director do Museu de Évora demite-se

O director do Museu de Évora, Joaquim Caetano, colocou o seu lugar à disposição da tutela por considerar que o organismo precisa, futuramente, de ser liderado por “alguém com outras características e perfil”.

Em declarações à agência Lusa, Joaquim Caetano disse hoje já ter comunicado a sua decisão ao Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), a qual implica ainda “a formalização de um pedido de demissão formal”.

À frente dos destinos do Museu de Évora há “cerca de nove anos”, o historiador Joaquim Caetano afiançou não ter “qualquer divergência” com o IMC, cujo novo director é João Brigola.

“Entendo é que aquilo que é necessário fazer no museu daqui para a frente requer uma pessoa com outro perfil e características, que não reconheço em mim próprio”, frisou.

Reaberto no final de Junho passado, depois de vários anos de “portas fechadas” para obras de remodelação - período em que funcionou apenas um núcleo de exposições temporárias -, o Museu de Évora enfrenta, agora, “novos desafios”.

“O museu precisa de uma pessoa com outra capacidade de gestão e de angariação de apoios, por exemplo através do mecenato. É preciso encontrar fórmulas alternativas para desenvolver actividades”, defendeu Joaquim Caetano.

O responsável disse que vai manter-se em funções até que o IMC escolha, através de concurso, um novo director e traçou um balanço “positivo” de quase uma década à frente da instituição.

“O museu aumentou o conhecimento, promoveu exposições de um nível que nunca tinha tido e tem melhores condições para apresentar ao público e conservar as suas colecções. Com a remodelação do edifício em que está instalado, dispõe de uma melhor capacidade para o seu trabalho”, sustentou.

Um trabalho que “era importante ser feito por uma pessoa com o meu perfil”, afiançou Joaquim Caetano, que está disponível para continuar a dar o seu contributo à instituição, mas apenas “como técnico”.

A programação de exposições temporárias para o próximo ano já está “fechada” e inclui uma mostra de armas orientais (Março), outra de escultura romana (Junho), várias de arte contemporânea e uma de pintura luso-flamenga do século XVI.

“Por isso, é uma vantagem sair agora, quando o trabalho do próximo ano está todo programado, o que vai permitir à pessoa que ficar como director, depois da escolha do júri do concurso, concentrar-se noutros aspectos de gestão”, afirmou.

Contactado hoje pela Lusa, o IMC informou que o director do Museu de Évora “não apresentou formalmente” ainda “a sua demissão, tendo hoje manifestado a intenção de o fazer a breve prazo”.

“Caso esta intenção venha a concretizar-se, a direcção do IMC definirá o perfil mais adequado para o cargo, sendo o novo director seleccionado de acordo com as regras em vigor na Administração Pública”, acrescentou o IMC nos esclarecimentos prestados através de mensagem electrónica.

O Museu de Évora possui um acervo de mais de 20 mil peças, que integram ourivesaria, desenho, pintura, escultura, lapidária, azulejaria, paramentaria, mobiliário, cerâmica, numismática ou naturália (objectos curiosos da natureza), entre outras categorias.

Computadores fazem arte


Este é o retrato em movimento do III salão Abraham Palatnik que este ano recebeu 139 inscrições com a participação de 80 artistas visuais. Ao todo foram 20 trabalhos selecionados que serão expostos a partir da próxima quinta feira (17) na galeria da Biblioteca Câmara Cascudo até o dia 22 de janeiro de 2010.

Francisco Assis ou Vairvtae (nome artístico) foi o vencedor. Ele que é professor de artes em escola pública inscreveu seu trabalho intitulado “Cristo” na intenção de incentivar um aluno a participar também. “É a primeira vez que eu participo de um concurso sobre arte. Nunca vivi de arte e é uma nova porta que se abre para mim. Nunca tinha me dedicado a concursos, a não ser de logomarcas e foi uma surpresa especial. Na verdade, eu participei para incentivar um aluno meu, esse era o único objetivo. E ganhar o concurso é mudar as perspectivas dentro da arte”, disse o artista.

Sua obra é feita com peças sucateadas de computadores e imãs, formando a imagem de um cristo numa escultura projetada em 30x40 cm. “Quis representar nessa escultura a confraternização humana como sendo a paz entre os homens. Estamos a beira de uma destruição o tempo inteiro e a paz é o que nos falta”, contou.

Depois da ideia na cabeça, a construção de sua arte foi “simples”. “Juntei as peças de uma tecnologia atual e reaproveitei como arte. O artista é um descobridor de formas. A gente cria formas diferentes para mostrar um olhar diferente ao outro. Penso que é descobrir o que a maioria não vê”, disse.

Com o prêmio, Francisco incentivará sua própria arte e ajudará também seus alunos, impulsionando-os a não deixar de criar nunca. “Tenho um aluno que é um gênio, o Cícero. Mesmo com seu problema mentar devido ao nascimento, ele consegue transcender tudo através da arte. É para ele toda minha inspiração”, contou.

Para Vatenor Oliveira, coordenador do salão Abrahan Palatnik, este ano foi surpreendente no quesito criativo. “O interessante neste salão foi a diversidade. Houve um equilíbrio de várias tendencias. Tiveram desenhos, pinturas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos. Esse é o reflexo da criatividade dos artistas”, disse Vatenor.

Segundo o coordenador e também artista plástico, outro ponto positivo é a revelação de novos artistas. “Os três fizeram raras exposições e guardam suas obras escondidas em casa, o que é um pecado”. Para Vatenor o Salão mostra o fomento das artes no Rio Grande do Norte e a diversidade dos concorrentes. “Cada um com sua imaginação e seu processo de criatividade são enaltecidos aqui. A maioria é jovem e desconhecidos, por isso é muito estimulante ver e ter acesso a esta criação. É como abrir uma caixa de esperanças”.

Além da coordenação de Vatenor em parceria com Lucina Guerra, o Salão teve a comissão julgadora formada por Venâncio Pinheiro, Marcos Andruchak e Gláucio Brandão. A curadoria do salão é de Tânia Andrade.

Pirogravura leva o 2º lugar: interação e fogo

Homens invisíveis socialmente desenhados na madeira com o fogo. Esse é o trabalho de Marinho, que levou o segundo lugar do prêmio Abrahan Palatnik. Sua obra, segundo Vatenor Oliveira, é realizado com uma das técnicas de artes visuais mais antigas no mundo e pouco executada no Rio Grande do Norte. “Pirogravura hoje em dia é técnica rara e esse rapaz conseguiu transcender o espaço da madeira e nos levar para um lugar que pouco enxergamos. Os olhares das ruas, os abandonos do mundo”, disse.

Instalação interativa feita com projeção e espelhos leva 3º lugar

O terceiro lugar foi destinado ao artista Leandro Garcia. Sua obra intitulada “Spectrum” é uma instalação interativa. Através de uma caixa com uma filmadora dentro, o visitante observa a imagem do seu rosto projetada na parede. “Venho trabalhando esta obra nos últimos dois meses e foi meu conclusão de curso em Artes Visuais na UFRN. É um trabalho interativo e tem a ver com os nossos espelhos internos. É uma cbra potencial, só quando a pessoa se olha ali ela passa a existir.

E ao ser filmado o rosto da pessoa sua imagem é projetada de maneira híbrida, ou seja, aparece a imagem real da pessoa com outras cores. Quando a pessoa se olha, a imagem dela não é mais a dela”, contou Leandro. Ele também é praticamente iniciante no ramo das Artes Visuais. Mesmo tendo terminado o curso recentemente ele só tem em seu currículo uma exposição individual realizada em 2007 e intitulada “único”.

Além dos três trabalhos citados ao longo da matéria, o salão concedeu duas menções honrosas aos artistas Guaraci Gabriel, com a instalação “O gênio da lâmpada” e Pedro Ivo, com a fotografia “Tribalismo”. Os três primeiros colocados serão premiados com o valor de R$ 3 mil, 2.5 mil e 2 mil respectivamente. Todas as obras poderão ser comercializadas durante o evento, exceto as premiadas, que passarão a pertencer ao acervo da Fapern. Todos os 20 artistas selecionados receberão a importância de R$ 500 reais como prêmio de participação.

Arte vendida

Estive em Londres na semana passada e, toda vez que vou para lá, quando sobra algum tempo, procuro dar uma olhada no que acontece nas artes e nos espetáculos. Porque a capital britânica é um dos sismógrafos culturais do mundo (São Paulo também é). O que ela detecta acaba por se espalhar pelo mundo. A novidade é que o interesse do público londrino pela arte contemporânea anda crescendo muito. Até mesmo a ala conservadora acha chique hoje visitar exposições.

Três em especial tiveram grande concorrência de um mês para cá: a do escultor Anish Kapoor, que se encerrou dia 10 na tradicional Royal Academy – que até pouco tempo atrás vedava a entrada de artistas vivos –, a retrospectiva da francesa Sophie Calle – "Talking to Strangers", na Whitechapel Gallery em cartaz até 3 de janeiro, e a mais importante de todas, a exibição "Pop Life: Art in a Material World" (Vida pop: a arte em um mundo material), na Tate Modern até 17 de janeiro, com obras de Andy Warhol, Jeff Koons, Damian Hirst, Takashi Murakami e outros.


Os chamarizes são um tanto toscos, mas sintomáticos da qualidade do interesse atual pelo fenômeno contemporâneo. Anish Kapoor fez sucesso porque acionava um canhão contra uma parede multicolorida de cera dezenas de vezes ao dia, criando obras de quase acaso e provocando o riso nervoso da plateia. Sophie Calle se diz a criadora da arte da autoficção, ou seja, uma espécie de culto histérico à personalidade que consiste em fazer da própria vida uma eterna instalação, um eterno happening. Está fazendo sucesso.

Na Tate, o pessoal vai para espiar a sala secreta de Jeff Koons, com a série "Made in Heaven" (Feito no céu), com fotografias e esculturas pornográficas que mostram o artista copulando em 1991 com a ex-parlamentar e prostituta Cicciolina. Uma escultura gigantesca em acrílico e cores berrantes que mostra o casal no auge do acasalamento é o ícone da exposição. Há outras salas escandalosas, só que a de Koons supera todas pelo exibicionismo – e obtém a pronta resposta do público. Não é novidade: ponha sexo, que todo mundo comparece.

Minha primeira impressão foi de que a Tate Modern, um altar da arte experimental, finalmente se rendeu aos mercenários mais descarados da arte. Na epígrafe da exibição, vem o autor do termo e da tela em acrílico que traz as palavras em néon “Pop Life”: Andy Warhol (1926-1987), o pai da pop art. Entre tantas frases de efeito de Warhol, uma foi destacada para dar sentido ao evento: "Arte boa é bom negócio" (Good art is good business).

Mas logo me dei conta de que a intenção do curador principal da exposição, Jack Bankowsky, editor da revista Artforum, era provocar o espectador e fornecer uma reflexão crítica e negativa sobre os rumos que a arte tomou nos últimos 30 anos. Nesse período houve uma crescente banalização acompanhada de mercantilização da obra de arte.

A mostra coloca a fase final de Warhol como o centro irradiador de um movimento que chega até nossos dias. Trata-se da exacerbação da ideia do artista-celebridade, dono de uma fábrica (Factory, fábrica em inglês, era o nome do ateliê de Warhol em Nova York). Ele vira um entrepeneur capaz de produzir lucros cada vez maiores com obras de arte cada vez mais repetitivas e massificadas.


Warhol ficou famoso nos anos 60 por ter levado a lata de sopa Campbell's para os museus, destruindo assim qualquer resquício da aura na obra de arte. Foi uma atitude renovadora, pois levantou a discussão sobre as diferenças entre arte culta e popular, aura e automação. No fim da vida, porém, Warhol levou seu cinismo ao extremo. Em vez de se renovar, pôs em prática aquilo que havia vaticinado vinte anos antes: a “pós-arte”. Falido, ele tratou de repetir suas pinturas de acrílico e silk-screen com auto-retratos, caras de Marilyn Monroe e sopas Campbell's, para assim vender mais rapidamente.

Ele que já tinha uma queda para o mundo dos famosos passou a aparecer ainda mais nos anos 80. Como uma caricatura de si próprio, participou de programas cômicos, apresentou um talk show de moda e reproduziu sua técnica em tudo quanto foi capa de revista. Chegou a apresentar um comercial de videocassete no Japão. Tudo isso é exibido em vídeo na mostra. O artista virou o paparazzi de si mesmo. Em suas últimas obras, fez descontos em retratos para celebridades e assinou em pernas de modelos. Também produziu um retrato de seu namorado, o artista Jean-Michel Basquiat (1960-1988), com tinta acrílica e manchas de urina sobre a tela. Horrível. Mas é só o início da exposição.

Os discípulos de Warhol são ainda mais podres. Não inventaram nada, apenas copiaram os piores procedimentos da fase mais medíocre do “mestre”. Seu protegé Keith Haring (1958-1990) montou nos anos 80 a loja Pop Shop em Nova York para vender subprodutos de seus grafites. O já citado Jeff Koons (está vivo, o infeliz) vampirizou mulheres famosas para produzir sua pornografia. E criou um abjeto coelho de aço inoxidável usado na inauguração de uma temporada de liquidação da loja Bloomingdale's em Nova York. O alemão Martin Kippenberger (1953–1997) se produziu em auto-retratos e pichações em Berlim. Quis se vender como astro boêmio (conversei esse cara em Berlim um ano antes de ele morrer, patético) e ficou famoso depois de morto.

O modelo maior do culto à própria personalidade e do mercenarismo é Damian Hirst (nascido em 1965), um dos YBAs (Young British Artists) que comecou a aparecer em 1990 com telas de bolinhas coloridas produzidas em série por uma equipe e ganhou notoriedade em 2008 quando decidiu colocar sua obra diretamente nos leilões, sem passar por galerias de arte. Foi assim que, enquanto o mundo mergulhava numa recessão, ele ficou milionário da noite para o dia por causa de um leilão da Sotheby's.

Algumas de suas “obras” estão na mostra: a caixa "O beijo de midas", que mostra uma estante de diamantes cinzelados (um eco das fotografias escuras que Warhol fez no fim da vida de sua joias), e o famoso "Bezerro", um animal empalhado, fixado no chão por ferraduras de ouro, mergulhado em formol em uma caixa de vidro. Arte para Hirst é venda mesmo e não tem conversa. Quem quer pagar que pague. É o artista-obra (Sophie Calle ficaria bem na exposição).

Esta é mais ou menos a postura do japonês Takashi Murakami (nascido em 1963). Na sala mais espalhafatosa da mostra figuram as peças dele. Há uma espécie de pokémon vermelho com olho furado e a boca aberta, onde estão copos de papel e hambúrgueres cravejados de joias. Um afresco imenso representa a princesa Majokko, a personagem de mangá dos otakus do bairro de Akihabara de Tóquio – o paraíso das histórias em quadrinhos. Os cabelos azuis, as minissaias e as meias xadrez de Majokko inspiram até hoje as lolitas japonesas. Em um telão, a atriz Kirsten Dunst participa de um videoclipe dirigido por McG e Murakami. Ela é a Majokko em seu elemento, Akihabara, batendo papo e dançando com todo otaku que encontra pela frente. Eu falei com Murakami na Bienal de 2004. O sujeito acreditava que o que fazia era o futuro. “Minha arte representa o futuro”, disse na ocasião.

“É só uma questão de tempo. Por isso que tenho de produzir rapidamente minha obra.” Cumpriu o que disse. Sua arte não usa apenas a linguagem do animê e do mangá, como também seus artistas. Murakami mantém seu "ateliê" em Akihabara, cercado de jovens que ambicionam conquistar o mundo com uma espécie de apologia da “leveza” (eu leio: “idiotice”) da imagética mangá. Na verdade, a obra de Murakami revela o seu patético fascínio pelo Ocidente naquilo que o Ocidente tem de pior. Eu prefiro animê de verdade que esse tipo de arremedo cretino.

Estar diante desse tipo de obra causa um desconforto e uma espécie de alívio. Pelo menos no que diz respeito a mim, saí da exposicão com asco de arte. Nem quis continuar a visita pelos sete andares da Tate Modern. Se tudo o que foi realizado antes veio dar nisso, então é melhor ficar sem ela. Melhor esquecê-la. A arte só está servindo para enriquecer esses vigaristas que se dizem artistas: vigartistas.

As obras de Hirst, Murakami e outros empobrecem o olhar, aniquilam a sensibilidade, rebaixam o visitante com sua riqueza obscena. Num mundo totalmente materialista, a arte rasteja na lama, no sexo, na futilidade e na morte para vender mais em leilões de banqueiros. Se antes as pessoas lamentavam que a arte havia abdicado da beleza, agora ela perdeu a aura, o respeito, a vergonha e – pior – a capacidade de ao menos chocar. Vai demorar, mas espero me recuperar do enjoo.

Luís Antônio Giron

Directora do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian quer tornar espaço "apetecível" para público e artistas

Um espaço apetecível para público e artistas, com uma programação dinâmica e uma consciência crítica, são os traços que a directora do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian pretende imprimir na nova identidade do museu.

"É um desafio muito estimulante", avalia Isabel Carlos, numa entrevista à Agência Lusa, sobre a instituição que passou a dirigir em Abril deste ano, recordando que o espaço foi "o primeiro que trabalhou em Portugal com a arte contemporânea".

Comissária da representação portuguesa na Bienal de Veneza de 2005 e antigo membro da direcção do então Instituto de Arte Contemporânea, Isabel Carlos, 48 anos, detém também o CAM nas memórias pessoais: foi o primeiro espaço onde visitou exposições e teve os contactos iniciais com a arte contemporânea.

"Quero que volte a ter o papel relevante que teve no início", exprimiu a nova directora, que iniciou funções em Abril deste ano, na sequência da aposentação de Jorge Molder.

O Centro de Arte Moderna (CAM), completa 30 anos de existência em 2013. Desde a abertura, o panorama museológico mudou muito em Portugal, e surgiram, entretanto, outras entidades dedicadas à arte moderna e contemporânea, como o Museu da Fundação de Serralves e o Museu Colecção Berardo.

Isabel Carlos está totalmente consciente destas mudanças e pretende que o CAM possa vir a "colmatar as falhas que os outros museus têm e apresentar uma programação dinâmica, mantendo-se também como uma consciência crítica" na área.

"Vamos ter programações com um equilíbrio entre a presença de artistas nacionais e internacionais", indicou, exprimindo ainda a vontade de acolher primeiras antologias de criadores portugueses.
O CAM possui uma colecção com cerca de 9000 obras de arte, com um grande peso de desenho, pintura, mas também fotografia, escultura e instalações. "Até à primeira metade do século XX, temos o melhor da arte portuguesa", avaliou Isabel Carlos, mas "as limitações financeiras" impostas nos últimos anos levaram a uma diminuição nas aquisições. Com um orçamento de cerca de 600 mil euros para 2010, o mesmo que em 2009, as opções eram duas: investir nas exposições ou nas aquisições, sublinha Isabel Carlos.

Porém, as aquisições vão continuar, pontualmente, com a filosofia de deixar na colecção uma memória das exposições que se fazem no CAM. "Também queremos colmatar falhas na colecção", acrescentou a directora do centro. Exemplo disso será a aquisição, no final do ano, de uma peça de Fernanda Fragateiro, a primeira da artista plástica a entrar no acervo do museu.

Por outro lado, a colecção do CAM continua a ser enriquecida pelas doações dos artistas. "Quando as doações existem é porque o museu está a funcionar bem, é porque os artistas se revêem nele e as obras serão bem tratadas e acarinhadas", apontou. As doações mais recentes foram feitas por Alberto Carneiro ("Árvore Jogo/Lúdico em Sete Imagens Espelhadas" de 1974) e Rui Órfão (instalação multimédia de 1979 "Memória das Imagens Ausentes"), e integram actualmente a exposição "Anos 70. Atravessar Fronteiras".

Na vibração dos mantras

Encontre um cantinho especial na sua casa e experimente entoar um mantra. Ele tem o poder de acalmar a mente. Nada mais oportuno nesta época de correria de fim de ano.



Chegando de um dia agitado em sua casa, sente-se em um canto confortável e, num ambiente calmo, ouça uma música suave. A sensação de relaxamento até pode aparecer, mas perceba que você não consegue se desligar do mundo lá fora: o que precisa fazer no dia seguinte, as contas para pagar, para quem precisa ligar antes de dormir, se vai tomar banho já ou ler os e-mails antes...

O exercício de tentar desligar a mente e relaxar não é fácil nem rápido. Quem trabalha com técnicas de meditação usa um som capaz de mexer com as ondas cerebrais. Os mantras são canções consideradas sagradas, com letras que têm significado e objetivos específicos. É um som que tem como instrumento a voz e que pode ser monossilábico, como o mantra “Om”, uma frase curta, como “Om Gam Ganapataye namah” (“eu saúdo Ganesha, o deus-elefante”), ou uma estrofe de 24 sílabas. “A função é desobstruir os canais sutis através da ressonância da vibração. Ele vai auxiliar a fluir melhor a energia, equalizar essa energia do corpo e diminuir a instabilidade da mente”, explica Alice Regina de Jesus, instrutora do Sathya Ateliê de Yoga.

Além dos praticantes de ioga, o mantra é usado também por budistas da linha tibetana, por seguidores do Hare Krishna e até por algumas linhas cristãs, como os monges beneditinos.

Entoar mantras é uma maneira de afastar pensamentos negativos, reverenciar um ser sagrado e tentar passar para o mundo um pensamento positivo. Pode ser usado em qualquer lugar, seja no trânsito, em uma reunião de trabalho, em um momento de raiva... “Tenho conhecidos que me contaram que começaram a entoar mantras mentalmente em ambiente de trabalho, quando estavam estressados, e que passaram a curtir até as reuniões tediosas. Com o tempo, colegas começaram a perguntar o que eles estavam fazendo para conseguir ficar mais calmos”, conta o lama Rigdzin, do centro de budismo tibetano Dordje Ling.

Ele diz que os mantras despertam o sentimento de compaixão e que esse fenômeno é explicado fisiologicamente. “Entoar mantras faz com que ativemos ondas cerebrais do lobo frontal esquerdo, que, quando estimulado, aumenta a sensação de bem-estar e, por isso, de paz”, diz o lama.

Para os budistas tibetanos, o mantra é uma maneira de agradecer a vida e retribuir, emanando energia positiva para o mundo. Tais letras e sons, para os budistas e praticantes de ioga, são transmitidos por budas sagrados, captados por mestres de meditação, fortemente espiritualizados. Por isso, essas letras são escritas em sânscrito, a língua sagrada para os budistas.

Para os não iniciados, podem parecer incompreensíveis. “Mantras sem significado não funcionam. Todo mantra sânscrito significa alguma coisa ou aponta para algum aspecto da realidade, adequado como tema de reflexão para cada praticante”, diz Alice.

Para o ioga, são dois tipos de mantra. Um, chamado de kirtan, trabalha com a extroversão, alegria, leveza e satisfação. O outro são os sons japa, uma forma de vocalizar o mantra repetitivamente, que consegue levar o praticante a um estado de introspecção.

Quem não é acostumado com esses sons e mudanças nas ondas cerebrais que eles trazem pode estranhar no início. “O mal-estar inicial acontece porque é como se o corpo fosse um quarto empoeirado. O mantra vem para fazer essa faxina e, na hora em que a poeira que estava parada se levanta, a pessoa sofre. O mantra dissipa essa poeira do nosso corpo, traz limpeza e, por isso, leveza”, diz o lama Rigdzin.

Por serem sons poderosos, os mantras podem mexer com alguns sentimentos que estavam guardados e por isso não é difícil que um iniciante sinta raiva, vontade de chorar ou de dar gargalhadas. É o início da limpeza espiritual. “Dalai Lama ensinou que a maior parte da nossa vida está ótima, mas a estragamos com preocupações obsessivas do passado e do futuro”, afirma o lama. Assim, o mantra nos traz para o presente e é uma espécie de refúgio dos problemas, uma maneira de aprender a lidar com eles de forma mais suave.

Meditação

Benefícios são explicados pela Ciência

O estado de introspecção provocado pela meditação é explicado por estudos de neurofisiologia. De acordo com o psicólogo Gilberto Gaertner, coordenador de grupos de pesquisa em Psicologia e Meditação da Universidade Positivo (UP), inicialmente a meditação provoca um estado alterado de consciência com predominância de ondas cerebrais de frequência mais lenta – alfa e delta. “Elas provocam a ativação do córtex pré-frontal (parte anterior do cérebro), que é ligada a atenção e concentração, tomada de decisões, interações sociais, entre outras coisas”, diz Gaertner.

As pesquisas sobre a meditação e seus efeitos começaram a ganhar força a partir da década de 1970. Um dos pioneiros foi o norte americano Joe Kamiya que, com a utilização do eletroencefalograma em praticantes de ioga, constatou o aumento da atividade alfa no cérebro. “Essas pesquisas foram reforçadas ao longo dos anos. Na última década, o interesse pela meditação reacendeu e inúmeras investigações passaram a ser desenvolvidas”, diz o psicólogo.

Dentre os benefícios sentidos com a meditação, o psicólogo cita a redução do nível de estresse e da ansiedade, diminuição da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, redução da condutância elétrica da pele, associada a sensações de relaxamento, aumento dos níveis de serotonina, alívio nas dores crônicas, entre outros.

Aprenda alguns mantras


Para entoar, concentre-se e procure um lugar calmo

Do budismo tibetano
Om mani padna hung (“a joia no coração do lótus”) é um mantra de compaixão
Om Tare Tam Soha (“o mundo muda e a iluminação torna-se possível”) é o mantra da buda feminina Tara, imanta coisas positivas

Do ioga
Om sahanavavatu sahanau bhunaktu sahaviryam karva vahai tejas vinava dhitamastu ma vidvisha vahai Om shanti shanti shantihi
“Que todos nós estejamos protegidos e unidos. Que todos nós estejamos nutridos e unidos. Que nós todos possamos trabalhar juntos, unindo as nossas forças pelo bem comum da Humanidade. Que o nosso saber seja luminoso e realizador. Que nunca briguemos e não haja inimizade entre nós. Om. Que haja paz, paz, paz.”

Loka Samasta Su
“Que todos os seres no universo sejam felizes” Mantra da felicidade

Por que não visitamos galerias de arte?


Prestem atenção ao assunto e, aliás, façam uma enquete junto aos familiares e amigos, sobre quem e quando costuma visitar uma galeria de arte da sua cidade. Faça, também, essa pergunta a você mesmo e verá que, salvo exceção, faz tempo que frequentou alguma exposição de pintura, escultura, alguma instalação e até museus e bibliotecas. Na verdade, uma pequena parcela de nós adquiriu o hábito de prestigiar esses eventos culturais, essas opções de entretenimento. O curioso é que, na maioria das vezes, esses espaços estão abertos ao público gratuitamente, constam das agendas culturais de todos os jornais de grande circulação de nossas cidades, estão bem localizadas e confortáveis, em fim, bem mais perto de nós do que muitas vezes percebemos.

Alguns fatores parecem ser determinantes dessa circunstância: a falta de uma adequada orientação, ainda na escola, de forma a aproximar o aluno desses espaços que, além de serem ótimos ambientes para pesquisa e aprendizado, estabelecem uma dinâmica lúdica e rica em signos e informações culturais. Outro fator é a dependência de uma prévia valorização do evento pelos canais de mídia de prestígio. Ou seja, visitamos aquilo que a mídia joga luz em cima, como se cultura fosse um mero objeto de moda passageira. Aqui, perdemos a oportunidade até de construir um olhar mais crítico que propicie uma melhor compreensão daquilo que a mídia nos mostra no dia a dia. Mas, há uma coisa que temos receio de reconhecer como fator de desestímulo ao programa cultural: o medo do desconhecido.

 Essa dificuldade da qual qualquer ser humano padece ganha corpo à medida que não recebemos adequada orientação sobre do que realmente trata cada um desses espaços. Parecem lugares proibidos, onde circulam pessoas que falam uma língua diferente da nossa, vestindo roupas pouco convencionais, tratando assuntos, digamos, “papo cabeça” demais e que, ao menor vacilo, estaremos à beira da humilhação, do mico, de uma quase vergonha por não sabermos nada ou muito pouco sobre o conteúdo da mostra, do evento. Relaxem. Quando muito, o artista ou curador – brincadeira minha – da exposição domina o tema em absoluto e, ainda assim, necessita da presença, impressão e expressão de um simples ou cativo olhar seu para sua obra.

Bem, que são lugares muito diferentes, isso são. Não temos nem como comparar um lugar desses com a praia, o estádio de futebol, o cinema, as casas de shows e mesmo o teatro – percebem quão diversos são esses ambientes? E tem mais que ser assim. A riqueza cultural decorrente da visita a uma exposição de pintura – por exemplo – está muito apoiada na opção de um olhar diferente, provocado, estimulado, de um encontro entre o artista e seu público, a crítica, especialmente quando nos conduz a outra dimensão intelectual e espiritual. O objeto artístico seja ele um quadro, escultura, uma música, o livro que está sendo lançado, o acervo de museus e bibliotecas, a magia de cores e movimentos cênicos do filme, da peça de teatro ou espetáculo de dança que, por alguns instantes nos desestabilizam e provocam, mas na verdade, dependem da nossa presença, do nosso olhar para cumprirem sua função estética. O mesmo se dá, também, quanto aos projetos de proteção ambiental que tanto nos aproximam da natureza e massageiam nossos corações.

Por outro lado, o sistema de vida ao qual estamos atrelados, que induz ao consumo do fastfood, dos descartáveis, pegue-leve, do tudo pronto e enlatado, parecido com a TV do dia a dia, deixa-nos inibidos diante de algumas necessidades. Vejam que, quando vamos ao jogo de futebol ou show musical, naturalmente, antes, buscamos informações sobre escalação de times, árbitros, histórico de resultados, assim como, das principais músicas, figurino e críticas recentes ao artista que queremos assistir. Então, o ideal é que busquemos nos inteirar de parte do conteúdo da exposição de arte, da biografia do artista e sua trajetória, do contexto de sua obra ou daquela parte dela, agora, aguardando por você. Verá que poderá usufruir muito mais da experiência, dialogará noutro nível e, com o tempo, terá o olhar exercitado e ávido por esse tipo de diversão. Sim, porque, a experiência cultural sempre diverte.

Então, fica o convite para saiam da frente da TV por alguns instantes e usufruam de infinitas opções culturais, com diversas linguagens visuais, sonoras e espaciais, algumas próprias da nossa cultura, outras, de estrangeiros que tanto nos ajudam a compreender melhor o mundo e a nós mesmos. Sozinho ou em grupo, de mãos dadas com uma boa companhia, com os filhos, às vezes com o próprio artista que expõe. Depois, um lanche, um drink, conhecendo o lugar, a comunidade, tão perto de nossas casas… Fica mais fácil, assim, de encontrar ou reencontrar o amor pela arte, pela vida, por alguém…

Festival MED promoveu-se na Dinamarca


No âmbito da aposta de promoção internacional do Festival MED, a Câmara Municipal de Loulé marcou presença, entre os dias 28 de Outubro e 1 de Novembro, no WOMEX 09 - The World Music Expo, que este ano teve lugar, pela primeira vez, em Copenhaga, Dinamarca.

A participação naquele que é considerado como o mais importante certame dirigido ao mercado profissional internacional das músicas do mundo decorreu através de um stand de divulgação do evento, com uma série de informações sobre as edições anteriores do MED, os artistas que por aqui já passaram, o seu conceito e também a apresentação da imagem para 2010.

Foi uma verdadeira corrida ao espaço deste Festival, que teve uma forte adesão sobretudo por parte dos artistas, agentes, promotores, directores artísticos e imprensa dedicada à temática. Na maioria dos casos, foi manifestado o interesse numa participação no Festival que tem lugar em Junho de 2010.

Por outro lado, esta foi uma oportunidade para os organizadores do Festival MED ficarem a par das novas tendências da chamada “World Music”, já que o WOMEX constitui uma verdadeira bússola nesta vertente artística.

Esta participação foi mais um passo em frente para a consolidação do MED e integração no roteiro mundial da área, permitindo deste modo o contacto e uma troca de experiências com festivais que decorrem na Europa e noutros continentes.

Refira-se que esta feira internacional reúne profissionais do mundo da música, dos povos, das raízes da música étnica à tradicional e aos concertos, conferências e documentários. Contribui, através das redes de contactos, para a promoção da música e cultura de todos os tipos através das fronteiras.

Este ano estiveram presentes no WOMEX cerca de 250 stands e a apresentação de 40 show cases. O único nome português a subir ao palco foi o grupo Deolinda que, curiosamente, em 2008, foi uma das grandes apostas no cartaz do Festival MED.

A capital das monstruosidades


Desde que Marcel Duchamp, um ex-artista cubista, francês de nascimento que escolheu os Estados Unidos como residência, mandou um urinol para ser exposto numa galeria de Nova York e, quase em seguida, em 1915, montou uma roda de bicicleta equilibrada sobre um pequeno banco e a fez passar por obra de arte, abriu-se a Caixa de Pandora dos horrores estéticos que a partir de então invadiram o cenário das exposições de arte.

Para acentuar ainda mais o seu deboche para com o que se entendia como arte, Duchamp, um pândego, um moleque crescido, pintou um belo bigode numa imagem da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, ícone da pintura ocidental. Como ele não foi confinado num manicômio nem encarcerado por ofensas ao patrimônio estético (interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!), parte da vanguarda artística ocidental tomou-o como um profeta dos novos tempos. Estabeleceu-se então um deus nos acuda.

Todavia, o que particularmente nos chama a atenção como cidadãos desta nossa capital, que mais uma vez se vê intimidada pelo flagelo de uma nova “instalação”, é a notável concentração de “esculturas” e “monumentos” absolutamente espantosos. Um pior do que o outro.

Nosso calvário começa por aquela mandada erguer pelos burgueses do bairro Moinhos de Vento para celebrar sua vitória em 1964 que se encontra no Parcão (homenagem ao marechal Castello Branco, mas que também pode referir-se ao desembarque de um extraterrestre), chegando ao hediondo “timão” situado na rótula que antecede o museu Iberê Camargo.

Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).

Este colar sem fim de mau gosto que nos assola ainda é composto pelo “cuiódromo”, encravado na rótula da Praça da Harmonia (obra que por igual pode ser entendida como a exaltação de um superúbere de uma vaca premiada), e por um tarugo de ferro enferrujado que adentra o Rio Guaíba nas proximidades da Usina do Gasômetro e que se intitula, pasmem, Olhos Atentos.

Nem os que foram perseguidos pelo regime militar escaparam destas maldades estéticas. O “monumento” que os lembra, no Parque Marinha do Brasil, nos faz supor que eles continuarão atormentados ainda por muito tempo mais.

A gota d’água destas perversidades que acometem contra nós, pobres porto-alegrenses, foi a inauguração recente da Casa Monstro, situada na Rua dos Andradas. Pelo menos o autor, um jovem paulista, enfim alguém sincero no ramo, não a escondeu atrás de um título esotérico ou poético: é monstruosa, sim!

Trata-se da reprodução de um tumor que, inchado, é expelido pelas aberturas da construção e vem se mostrar aos olhos dos passantes, tal como se fora um abdômen de um canceroso recém aberto. Como se vê, uma maravilha!

Minha interrogação, depois de passar rapidamente os olhos sobre este vale de horrores que nos circunda, é por que Porto Alegre, cidade aprazível, moderna, povoada por gente simpática, habitada pelas mulheres mais belas do país e que abrigou artistas como Vasco Prado, Xico Stockinger e Danúbio Gonçalves, termina por excitar o pior lado de muitos que por aqui vêm expor?

Dizem-me que eles deixam estas abominações como doação (por não encontrarem compradores e não quererem arcar com o translado) e a infeliz prefeitura, constrangida, não tem como lhes dizer não.

Faço desde já um apelo ao secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, se este ano tal ameaça se repetir, mobilize-se. Levante recursos, promova uma ação entre os amigos da cidade para despachar tais coisas para qualquer outro lugar. Senão, peça socorro à ONU. Porto Alegre, aliviada, lhe será eternamente agradecida.

Professor e Historiador
VOLTAIRE SCHILLING

Coco Chanel - A Moda em Tempos de Guerra


O filme Coco antes de Chanel passa longe do ponto mais polêmico da biografia da estilista: sua colaboração com os nazistas.

No filme Coco antes de Chanel, que entra em cartaz no Brasil neste mês, a diretora Anne Fontaine, nascida em Luxemburgo, desperdiçou personagem tão fascinante. Ela optou por mostrar, na tela, apenas o lado heroico da estilista, ignorando a complexidade da mulher que revolucionou a moda. E deixando de lado o momento mais dramático da vida de sua protagonista, aquele que poderia conferir densidade a seu filme e fazer com que a obra ganhasse relevância: a colaboração de Chanel com o 3o Reich de Adolf Hitler. 

Gabrielle Chanel - ou Coco, "queridinha", nome que adotara quando cantava em cafés entre os anos de 1905 e 1908 - já era bastante conhecida quando, martelando as botas no famoso passo de ganso, as tropas do Führer cruzaram o Arco do Triunfo, em Paris. Os chapéus, o look masculino, as roupas confortáveis e o famoso "pretinho básico", tudo recendendo ao perfume Chanel no 5, lançado em 1922, a tinham consagrado. Mas foi durante a Segunda Guerra que seu papel chamou a atenção dos historiadores. Foi quando a já famosa estilista ligou-se, como tantos franceses, aos alemães. Tal tipo de ligação ao longo dos anos ficou conhecida como "colaboração".

Chanel passou toda a ocupação no famoso Hotel Ritz, quartel-general dos nazistas em Paris e bem pertinho de sua loja, na rue Cambon. Já havia algum tempo ela era simpática aos nazistas - um de seus ex-namorados, o cartunista Paul Iribe, era partidário de que uma estreita relação com os alemães podia ser benéfica à França. Antes da guerra, Chanel já se alinhava à direita e era descrita como alguém de ideias racistas.

No Ritz, sua companhia permanente era o alemão Hans Gunther von Dinck­lage, um misto de playboy, oficial e espião enviado à França para preparar a invasão nazista. Spatz, ou pardal - como era chamado em referência ao pássaro que está em toda a parte -, era 13 anos mais jovem do que ela. Nessa época, a estilista tentou se aproveitar do antissemitismo reinante para espoliar os sócios Pierre e Paul Wertheimer, judeus, que a ajudaram no início da carreira. Alta traição, na medida em que os Wertheimer eram seus parceiros no negócio de essências e responsáveis pelo sucesso do perfume Chanel no 5.

Coco movimentava-se nos mais altos círculos militares alemães e desempenhou um papel decisivo num dos episódios mais bizarros da Segunda Guerra, a chamada Operação Modelhut. "Modelhut", em alemão, significa "chapéu da moda", referência ao fato de Chanel ser uma estilista e confeccionar para mulheres chapéus masculinos. A ideia estapafúrdia consistia em promover uma aproximação entre o alto-comando germânico e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o objetivo de cooptar os ingleses - acredite! - para a causa nazista.

Chanel foi escolhida para a missão estapafúrdia pelo estreito contato que mantinha, de um lado, com um ex-amante, o inglês Hugh Richard Arthur Grosvenor, o duque de Westminster, que era próximo de Churchill, e, de outro, com Walter Schellenberg, chefe do serviço de espionagem e inteligência nazista e assistente direto de Heinrich Himmler, uma das figuras-chave na execução do Holocausto. Por desempenhar serviços como esse, Chanel prosperou durante a guerra. Abriu lojas em Deau­ville e Biarritz. Segundo alguns autores, o logotipo CC tem a ver com a suástica e com o conhecido SS que ornamentava as roupas negras desses conhecidos oficiais.

Os estudiosos identificam dois tipos de colaboracionismo. O primeiro, "de Estado", teria o objetivo de salvaguardar os interesses franceses, assegurando ao país uma posição confortável na Europa ocupada. O governo do marechal Philippe Pétain, sediado em Vichy - a cidade que se tornou a capital administrativa do país depois da queda de Paris -,disseminava a ideia de que a colaboração era um caminho para a liberação. Fazia isso por meio de documentários de propaganda oficial como os La France en Marche - "A França a Caminho". Esse tipo de colaboracionismo de Estado via a cooperação com os nazistas como única salvação contra a expansão do comunismo. Tal fato levou milhares de franceses a vestir o uniforme do Reich e integrar a Legião dos Voluntários Franceses contra o Bolchevismo.

Para além dessa capitulação oficial, havia também o colaboracionismo anônimo, praticado por franceses que se aproveitaram da situação com finalidades mesquinhas. Esse colaboracionismo era aquele das cartas dedurando judeus, simpatizantes esquerdistas, homossexuais ou comerciantes do mercado negro. Mas o mais impressionatnte de tudo foi mesmo a colaboração de artistas e intelectuais - justamente o circuito em que Coco Chanel se movimentava, ela que era amiga de gente como o compositor Igor Stravinsky, o pintor Pablo Picasso e o bailarino Vaslav Nijinski. As socialites parisienses animavam salões e saraus nos quais a elite da ocupação encontrava a elite da colaboração. A marquesa de Polignac e a milionária Florence Gould recebiam escritores como Robert Brasillach, Louis-Ferdinand Céline ou Jean Cocteau.

A situação tinha, claro, suas complexidades - foi graças a tais jantares que Jean Paulhan, escritor, editor e pintor, foi avisado de que seria preso; o teatrólogo Sacha Guitry interveio em favor do poeta Max Jacob; e impediu-se que a mulher do pintor Henri Matisse, Amélie Parayre, fosse para um campo de concentração. Havia quem fizesse jogo duplo, como o artista Pablo Picasso, que, de um lado, escondeu fugitivos e emprestou-lhes dinheiro, mas, de outro, visitava e recebia oficiais da Gestapo.

Com a derrota dos nazistas, os que aderiram aos alemães foram punidos não apenas judicialmente, mas com execração. Ao fim da guerra, 6.091 mulheres foram presas, tiveram a cabeça raspada e, desnudas, foram exibidas em praça pública. As Câmaras Cívicas, instauradas em agosto de 1944, reprovaram sobretudo as que, usando um termo machista da época, tinham tido "colaboração sexual" com os invasores. Houve exageros, claro. Perseguiram-se também aquelas que, desempregadas, tinham encontrado asilo nas fábricas inimigas.

Chanel foi capturada e escapou por pouco. Alguns autores atribuem sua rápida libertação às relações com o duque de Westminster, o amigo de Winston Churchill. Mas ela não foi perdoada. Malquista na França, teve de se esconder na Suíça, de onde só regressou em 1956. Os jornais arrasaram sua coleção, considerada ultrapassada, já que a moda mudara e se endeusava o "new look" de Christian Dior. Seu concorrente resolveu feminilizar as mulheres, em oposição ao look masculino de Chanel (leia quadro acima). Além do Atlântico, contudo, as americanas continuavam apaixonadas por seus "pretinhos básicos". Jacqueline Kennedy usava um tailleur assinado por ela no dia em que John Kennedy foi assassinado.

Durante muito tempo, a França tentou apagar o passado colaboracionista. Nos anos 1958-1968, durante a presidência do general Charles de Gaulle, construiu-se o mito de gauleses unidos em torno da Resistência, opondo-se ao governo de Vichy. Durante a presidência de François Mitterrand, entre 1981 e 1995, o paradigma caiu por terra. Inúmeras pesquisas revelaram os diferentes níveis de colaboração dos diversos grupos sociais. Mais recentemente, os presidentes Jac­ques Chirac e Nicolas Sarkozy tentaram reabilitar a Resistência e manter viva a ideia de que o país sofreu horrores, esmagado sob as botas do Reich.

 Nesta nova onda de interpretações, Coco Chanel entra repaginada. No filme, a personagem é totalmente detetizada, desinfetada, limpa. Não se toca em sua cooperação com o inimigo nem nos desdobramentos que sua atitude teria tido. Afinal, é preciso preservar o fenomenal negócio que são suas bolsas, compradas pelas apreciadoras de moda do mundo inteiro, e o rostinho de Audrey Tautou, garota-propaganda do perfume Chanel no 5. Se Coco antes de Chanel é um comercial bem chatinho, pelo menos nos faz lembrar de questões importantes. E, quando se comemoram 70 anos do maior conflito mundial, um pouco de história não faz mal a ninguém.

This Is It Michael Jackson ?

Nunca vamos chegar a saber o que teria sido This Is It ao vivo, tal como nunca vamos chegar a saber quem era ele: Michael Jackson. A estreia mundial de This Is It, o filme póstumo, é hoje. Em Portugal, até ontem, 19 mil pessoas tinham comprado bilhetes para assistir aos últimos dias do ambíguo rei sem cor nem sexo, que, afinal, tinha 50 anos e era humano. Ele nunca foi completamente nosso - uma supernova nunca é completamente nossa: era esse o seu mistério.


Norman Mailer, osso duro de roer pelo tempo, tinha ideias claras sobre aquilo a que um dia nos habituaríamos a chamar "síndrome de Peter Pan": "Havia aquela lei da vida tão cruel e tão justa que exigia que tivéssemos que crescer ou pagar mais por permanecer iguais."

Foi em 1955, quando acabáramos de inventar o conceito de "adolescente" e faltavam anos para que começássemos todos a recusar-nos a ser adultos, palavras de O Parque dos Veados, retrato tirado à corrupção de valores entre os pântanos desse bizarro planeta chamado Hollywood.

Hollywood, a fábrica de todos os sonhos e pesadelos americanos. A duas horas de carro mais para norte, uma prisão de cristal isolada entre quilómetros de campo, com lagos e piscinas, carrinhos de gelado e algodão-doce, parques de diversões e guaridas para animais exóticos: Neverland, a Terra do Nunca inventada por alguém que acabaria por nos dar a conhecer a dimensão exacta da factura a saldar.

Michael Jackson foi um pequeno querubim negro que viveu na era Motown, capaz de invocar sentimentos e gestos de adultos através do corpo de uma criança. Foi um fantástico e tímido rapaz-prodígio de graciosidade e delicadeza raras, bailarino extraordinário capaz de nos olhar com toda a doçura, ao mesmo tempo que se agarrava ferozmente às rédeas da criação da sua própria era. Foi um fulgurante jovem rei sem tempo, cor nem sexo, de rosto cinzelado como um ícone, sorriso encantador e voz de soprano cristalino, capaz de levar milhões à histeria, homens e mulheres a cair em lágrimas por apenas lhe tocar.

Michael Jackson foi um poderosíssimo mas frágil recluso, de identidade mutante, com os braços cheios de prémios, a esconder-se sob holofotes e uma muralha de excentricidades. Foi um talento super-humano, ou seja, mais humano, idiossincrático e vulnerável do que o permitido. Foi um ser acossado por fantasmas, ridicularizado, preso entre a ambiguidade das quatro paredes de vidro da fama, a tentar espreitar lá para fora, enquanto o mundo inteiro colava o nariz à montra a tentar ver lá para dentro. Foi um mito em perda tornado freak show, a imagem cada vez mais distorcida que nos era devolvida por um espelho cada vez mais estilhaçado.

Michael Jackson foi uma patética máscara de alienação, dor e morte. E quando, por fim, uma inabalável multidão de fãs esperava vê-lo renascer das cinzas e o resto do mundo se preparava para abrandar o carro e torcer o pescoço a assistir de passagem ao pior acidente rodoviário de sempre, voltou a desaparecer pela porta dos fundos.

Michael Jackson morreu a 25 de Junho, quando faltavam menos de três semanas para o início daquela que estava anunciada como a sua última série de concertos de sempre - uma arriscadíssima vertigem de 50 apresentações na 02 Arena, em Londres, com 800 mil bilhetes vendidos; a sua primeira grande apresentação em 12 anos, desde a HIStory World Tour, de 1996-1997, depois da qual actuara apenas em 2001, em dois concertos comemorativos dos seus 30 anos de carreira a solo, no Madison Square Garden, em Nova Iorque.

Em crescendo

Foi uma saída dramática, à medida da imagem que ele tinha de uma grande estrela. Ele, que tão bem conhecia a importância da ocultação como ferramenta de ancoragem no imaginário colectivo, desaparecia em mais uma nuvem de dúvida: nunca vamos saber o que teria sido This Is It ao vivo - apenas o que fizeram de This Is It num filme póstumo realizado a partir de mais de 100 horas de registos de ensaios.

Durante o encenadíssimo crescendo dos últimos meses, a culminar na estreia mundial de hoje - em Portugal, até ontem, havia 19 mil bilhetes adquiridos em pré-venda, como se fosse um concerto -, não houve antestreias nem visionamentos para imprensa. Como (quase) sempre no que toca à vida profissional de Michael Jackson, cada passo foi meticulosamente planeado de forma a pavimentar, milímetro a milímetro, o caminho até uma esperada apoteose.

Vimos o que nos quiseram dar a ver. Gota a gota. Primeiro ele de fato cinzento anódino à frente de um corpo de bailarinos na coreografia de inspiração militar do polémico They don''t care about us (1996), gravado com o grupo de percussão baiano Olodum, videoclip rodado na Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro.

Foi o primeiro registo a aparecer on-line de uma série de teasers que entreabriram a janela só o suficiente para ficarmos sem certezas - a não ser as que já tínhamos: que nas primeiras semanas de Junho Michael Jackson estava vivo, em palco.

A acreditar que o alinhamento de This Is It, a banda sonora, corresponde à ordem prevista de This Is It, o concerto, They don''t care about us, seria o terceiro momento, depois do arranque com Wanna be startin'' somethin'', composto durante Off The Wall (1979), mas lançado apenas com Thriller (1982). Daí até ao fim, haveríamos de reconhecê-lo em tudo, claro: o tom confessional e melódico, por vezes sacarino e soluçante de Human nature (1982), Man in the mirror e I just can''t stop loving you (1987); a narrativa noir e o registo sincopado de Smooth criminal (1987), com as possibilidades cénicas do seu Girl hunt ballet, Fred Astair e Cyd Charrise revistos, e o impossível Lean, o famoso passo de dança antigravidade, com o corpo a inclinar-se para a frente a 45 graus, o mais conhecido depois do moonwalk, o back-slide que caiu como um meteorito no final da interpretação de Billie Jean do 25º aniversário da Motown, em 1983, a estreia, também, do chapéu fedora preta com luva branca.

A Rolling Stone diria: "Aquele foi o momento que cristalizou o estatuto de celebridade de Michael Jackson." O mesmo Michael Jackson que acabara de se tornar no primeiro afro-americano com um vídeo na MTV e que pouco depois estaria a redefinir o que era essa mesma MTV, a arrecadar oito Grammys de uma só vez e a entrar para o Guinness com o álbum mais vendido de sempre - Thriller, mais de 104 milhões de cópias -, reconfigurando para lá do que parecia provável as fronteiras dos géneros, um mainstream pop feito de soul, funk, R&B, rock...

É tão fácil perceber como tem sido fácil esquecer o que ficou para trás que fez com que nas horas que se seguiram ao anúncio da morte se tenham ouvido rappers do mais duro lamentar de voz embargada e lágrimas nos olhos o desaparecimento do mesmo homem que nos últimos tempos só parecia ser-nos vendido como réu, mas que ainda havia quem defendesse como um dos primeiros a preparar o caminho para o mundo de Tiger Woods e Obama.

Quase toda a gente deve qualquer coisa a Michael Jackson e a esse seu lugar imaginário onde a ficção se misturou de tal forma com a realidade que nunca ninguém poderá estabelecer os limites de uma e outra.

O mestre

Na altura em que anunciou a realização de This Is It, o filme, Kenny Ortega, diria: "Quando começámos a reunir as imagens, percebemos que tínhamos captado qualquer coisa de extraordinário. É um olhar muito privado e exclusivo sobre o mundo de um génio criativo. Os fãs vão ver Michael como nunca antes - um grande artista em acção. É um registo cru, emocional, comovente e poderoso que capta a sua interacção com os colaboradores de This Is It que ele reuniu pessoalmente. Mostra um performer consumado a trabalhar com e a guiar os cantores, bailarinos, músicos, coreógrafos, especialistas de efeitos especiais. Consigo pensar em muitas palavras para descrever Michael, à medida que ensaia e cria This Is It - inspirador, dinâmico, generoso, dedicado, carinhoso -, vemo-lo como verdadeiro arquitecto e força motriz deste projecto - um verdadeiro mestre do seu métier, o entertainer dos entertainers. Um raro retrato de Michael enquanto se preparava para a sua última chamada de cena, para aquilo que eu acredito que seria a sua obra-prima."

Todos os que se aproximaram de Michael Jackson e saíram de lá sem nada a perder e com um registo em punho prometeram, desde sempre, olhares únicos, esclarecedores e privados.

Num dos raríssimos clips não oficiais que apareceram na Internet, vemo-lo concentradíssimo, perfurante, a mastigar freneticamente pastilha elástica num casting para bailarinos - talvez o tubarão dos negócios de que alguns falavam -, mas vemo-lo também constantemente a puxar o cabelo sobre a cara já escondida atrás de óculos escuros - sempre autoconsciente, sempre desconfortável na própria pele.

Num dos depoimentos incluídos em This Is It alguém menciona o perfume e a luz da sua presença em palco como que a falar de qualquer coisa de divino, o mesmo palco onde o vemos uma e outra vez, magríssimo, de rosto encovado, numa parada de figurinos, umas vezes a usar o insuportável falsetto que assumia como a sua "voz pública", outras no soprano mais profundo e masculino que constava ser a sua "verdadeira voz".

Alguém escreveu um dia que, quando começou a transformar o seu rosto, com uma identidade sexual cada vez mais ambígua, Michael Jackson deixou de ser corpo, passando a ser só alma. Em Junho, num especial Remembering Michael, em que recordou a célebre entrevista de 1993, Oprah falaria da doença que a maior parte do mundo nem queria acreditar existir - vitiligo - e de como foi estranho "olhar para uma pessoa que é quase translúcida", "através da qual se vê até às veias azuis".

Ela, uma das mulheres mais conhecidas da América, recordaria a sensação do "quão solitário era aquele sítio lá em cima, no topo". Foi a entrevista em que lhe perguntou, sem resposta, se ele era virgem, e também se estava satisfeito com o seu aspecto. À última questão ele respondeu com convicção: "Nunca estou satisfeito com nada, sou um perfeccionista. É quem eu sou." Foi a mesma entrevista em que explicaria como um erudito de profundidade insuspeita: "Acredito que toda a arte tem como objectivo máximo a união entre o material e o espiritual, o humano e o divino, acredito que essa é a razão da própria existência da arte. Acredito que fui escolhido como instrumento."

No memorial do Staples Center de Los Angeles, Brooke Shields voltou, anos depois, para falar, em lágrimas, num ser "carinhoso, divertido, honesto, puro" e para esclarecer nunca ter percebido completamente o cognome de rei escolhido para alguém que lhe fazia pensar mais no Principezinho de Saint- Exupéry. Queen Latifah leria um texto da actriz, bailarina, poeta e activista de direitos civis Maya Angelou, intitulado We Had Him ("nós tivemo-lo"): "Agora sabemos que não sabemos nada, agora que a nossa mais brilhante estrela nos pôde escapar da ponta dos dedos. No momento em que sabemos que Michael se foi, sabemos que não sabemos nada. Ele foi uma dádiva e nós tivemo-lo.

Deu-nos tudo o que lhe tinha sido dado." Percebe-se a escolha de palavras. Porque ele nunca foi completamente nosso - uma supernova nunca é completamente nossa: é esse o seu mistério, a sua magia. Para o termos seria necessário o Algoritmo de Deus, aquele que permite solucionar mais depressa o cubo mágico.

Mistérios de Lisboa realizado por Raoul Ruiz

«Há na vida acasos e coincidências tão extravagantes que nenhum novelista ousaria inventá-los»

Mistérios de Lisboa


«Quanto a mim, remeto-me aos velhos tratados de magia – porque se trata aqui, somente, de magia: a do cinema e a de Camilo Castelo Branco. Agora quero deambular por Lisboa e perder-me – descobrir os Mistérios de Lisboa».
Raoul Ruiz


Um dos maiores nomes do cinema mundial, Raoul Ruiz, volta a Portugal para filmar MISTÉRIOS DE LISBOA. O nono filme de Ruiz rodado no nosso país, é uma adaptação do romance homónimo de um dos nomes maiores da literatura portuguesa: Camilo Castelo Branco. Este ambicioso projecto, maioritariamente rodado em Lisboa, no Outono de 2009, prevê uma recriação da cidade do fim do século XVIII, início do século XIX, uma adaptação de Carlos Saboga que resultará num filme e numa série para televisão.


Com um elenco de luxo que reúne muitos dos melhores actores portugueses (Adriano Luz, José Afonso Pimentel, Maria João Bastos, Ivo Canelas, Margarida Vila Nova, Rogério Samora, Filipe Duarte, São José Correia, Marco D’Almeida, João Ricardo, Joana de Verona, Ana Bustorff, Rui Morrison entre muitos outros) inclui, também, um prestigiado cast internacional, estando previstas as participações de Laetitia Casta (Face de Tsai Ming-liang, 2009), Melvil Poupaud (44 Inch Chest, de Malcolme Venville, 2009), ou Marion Cotillard, vencedora em 2008 do Óscar de Melhor Actriz para a sua interpretação no «LaMôme», onde encarnava Edith Piaf.


Uma produção CLAP FILMES, rodada maioritariamente em Lisboa mas também em França e no Brasil e que estará concluída em Setembro 2010.


RAOUL RUIZ:


«O cineasta mais prolífico da nossa época, aquele cuja filmografia é «quase» impossível de definir tal é a sua diversidade, esplendor e multiplicidade de formas de produção há mais de vinte anos(…).»
Serge Toubiana, Cahiers du Cinema, 1983


Nascido no Chile em 1941 é durante os anos 60 que Raoul Ruiz se torna um dos líderes do cinema chileno e o conselheiro cinematográfico de Salvador Allende. Realizador de mais de uma centena de longas-metragens e unanimemente reconhecido, revela-se ao grande público com «TRÉS VIDAS E UMA SÓ MORTE» com Marcello Mastroianni, presente na Competição Oficial em Cannes 96; com «GENEALOGIAS DE UM CRIME» com Catherine Deneuve, que conquistou o Urso de Prata em Berlim, em 1987 e com «O TEMPO REENCONTRADO» uma adaptação da obra de Marcel Proust, presente na Competição Oficial do Festival de Cannes em 1999.


Raoul Ruíz, reconhecido como um dos principais cineastas em actividade, começou a sua carreira artística no teatro de vanguarda como dramaturgo, tendo escrito mais de cem peças. A partir dos anos 60, inicia a sua carreira no cinema. Ao trabalhar com directores de fotografia inovadores como Diego Bonancia, Sacha Vierny, Henri Alekan e Acácio de Almeida, traz, novamente, a magia da poesia realista francesa, ao explorar o mundo da manipulação, da impotência e da violência. A forma como utiliza a luz, jogando com filtros e espelhos, recriando a realidade fílmica numa espécie de caleidoscópio, que nos introduz no labirinto das suas representações e que nos familiariza com o seu exoterismo fantástico.


Exilado em Paris desde 1973, é galardoado em 1982 com um prémio especial, pela revista de cinema Cahiers du Cinema, que lhe dedica um número inteiro, elegendo-o como o cineasta francês mais importante desde Rohmer, Bresson e Godard. Entre 1985 e 1988 exerceu o cargo de director da Casa de Cultura de Le Havre. Entre muitos outros reconhecimentos no mundo inteiro, foi premiado em 1997 no Festival Internacional de Cinema de Berlim com o Silver Berlin Award” pela sua contribuição à sétima arte. No ano 2002 foi membro do júri da Selecção Oficial do Festival de Cannes.


Um tributo a Raoul Ruíz foi realizado no Festival Internacional de Cinema de Roterdão em 2004, numa retrospectiva intitulada: «Raoul Ruiz: An Eternal Wanderer».
Ao longo da sua carreira, Ruíz criou uma grande cumplicidade com o produtor Paulo Branco, desde o início dos anos 80, trabalhando com ele, primeiro em Portugal e depois também em França. Foram oito as longas-metragens de Raoul Ruíz filmadas em Portugal, e catorze, os filmes produzidos ou co-produzidos por Paulo Branco até ao momento, MISTÉRIOS DE LISBOA será a sua décima quinta colaboração. Desses filmes, três passaram pela competição na Selecção Oficial do Festival de Cannes. Todos os filmes de Raoul Ruíz produzidos por Paulo Branco estrearam em Portugal e em França, e a grande maioria em muitos outros países também, nomeadamente os mais recentes.

Música, pintura e escultura compõem cenário de “Tributo a Villa-Lobos”

 
Quadro de Ferjo em homenagem a Villa-Lobos.

Quadro de Ferjo em homenagem a Villa-Lobos.


Mais uma vez a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque é palco de uma importante exposição brasileira. “Tributo a Villa-Lobos” mostra trabalhos de 22 artistas brasileiros, numa justa homenagem a um dos mais expressivos nomes da música de todos os tempos.

A exibição vai de 26 de outubro a 6 de novembro. A abertura oficial no dia 30 de outubro, das 6pm às 9pm, traz os músicos Caroline Braga, Lívia Sandoval, Daniel Duarte e Dênis Hurtado como convidados especiais. O coquetel só vai acrescentar mais brasilidade ao evento.

Curada por Alcinda Saphira, Renê Nascimento e Antônio Oliveira, a exposição traz ainda obras das portuguesas Cila Santos e Isabel Amaro, e de artistas descendentes de 7 etnias indígenas. As obras são de artistas de New Jersey, Nova Iorque e Boston, Massachusetts, e até mesmo de artistas que moram no Brasil.

De acordo com Alcinda, o tema Villa-Lobos, aliado ao incentivo do Departamento de Língua Portuguesa da ONU, torna o evento ainda mais brasileiro. O músico homenageado era um visionário, dotado de extrema criatividade e representa muito para a cultura brasileira. Dia 17 de novembro é o cinquentenário de morte de Villa-Lobos. É um verdadeiro orgulho para os artistas participar do evento.

Heitor Villa-Lobos se inspirou em sons da Floresta Amazônica e dos índios para compor as obras. Com “Africanas” (1914), descobriu uma linguagem própria, a qual se firmou quando compôs “Amazonas e Uirapuru” (1917). Autor das famosas “Bachianas Brasileiras” (1930-1945), viajou ao Norte e Nordeste brasileiros. O interior do país que tanto amava influenciou “Miudinho”, “Cair da Tarde”, “Xangô” e “Quadrilha”.

Cor e música para o maestro
O trem produzido por D. Finotto faz alusão ao “Trenzinho Caipira” do Maestro Villa-Lobos. Ed Ribeiro preferiu uma Yemanjá estilizada, e Ferjo usou de muitas cores e perspectivas, acompanhadas de um belo piano. Também não faltaram instrumentos musicais nas obras de Luciano Lima e Alexandre Emmanuel. Para Ricardo Nascimento, nada melhor do que bordados com simples casas. As notas musicais de Shizue dançam num mar vermelho.

Participam ainda Artur Moreira, Flory Menezes, Arlete Costa, Arnaldo Garcez, Astride Rosa, Júnia d’Affonseca, Deborah Costa, Maria Antônia, Sandra Romano, Lúcia Tolentino, Íris Alvarez, Laila Guimarães, Czanotti, Ce Granito e Cássia Maia. Os artistas indígenas, que trouxeram machetaria e acrílico sobre tela são Duhigo, Dhiani, Pa’saro, Sanipa, Too Xac Wa, Yupury, Tchanpan, Kawena e Iwiri-Ki. Todos eles são membros do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura Amazônicas (IDC), batizado com o nome de um ex-aluno de Villa-Lobos.

Todos os artistas sem exceção ficaram muito entusiasmados em participar do evento. De acordo com Alcinda, alguns deles passaram dois meses em função da exposição. A curadora acredita que este trabalho possa ajudar a expandir muito mais a já positiva imagem de Villa-Lobos no mundo.

Para participar da recepção de abertura é preciso confirmar presença através do e-mail alcindas@aol.com. A entrada para a abertura oficial só sera permitida das 6pm às 7pm. A visitação é de segunda a sexta-feira, das 9am às 5pm. Por ser uma área de acesso restrito da ONU, é preciso também confirmar presença através do mesmo endereço de e-mail. “Tributo a Villa-Lobos” estará no Secretariat South Lobby da ONU, 46th Street com a 1ª Avenida.

Homenagem ao “Ciclo do Linho”


Obviamente, e também com muito enlevo, coadjuvar o importante trabalho secular da ordem dos Beneditinos no Mosteiro de Cucujães. Neste momento já contamos com um vasto repositório de utensílios e ferramentas de várias actividades profissionais, as quais constituíram a forma de vida das gentes da região na qual estamos inseridos. Iremos realizar uma exposição com todos os trâmites do linho.


Esta exposição vai ser realizada nos claustros do Seminário das Missões em Cucujães. É nosso propósito homenagear todas as pessoas que trabalharam o linho, envolvê-las e apresentá-las nas diversas fases do mesmo, apresentando-o em vinte cenários distintos.

Apontamos a data de 24 de Outubro pelas 15:00h para a abertura da exposição.

Toda a exposição vai ser recriada e animada pelo grupo de cantares do Museu Regional de Cucujães e pelo grupo de concertinas recentemente criado pelo mesmo museu.

As cores da Henri Matisse Invadem a Pinacoteca de São Paulo

É a primeira vez que uma exposição individual do artista francês Henri Matisse (1869-1954) vem ao Brasil e à América Latina. Em mais um evento comemorativo ao ano da França no Brasil, a exposição "Matisse Hoje" está na Pinacoteca do Estado de São Paulo desde o dia 5 de setembro.

Organizada pela curadora adjunta do museu Henri Matisse na França, Émilie Ovaere e a curadora adjunta, Regina Teixeira, da Pinacoteca, a exposição está dividida em "Paisagens iniciais", "Naturezas mortas", "Mulheres nos interiores, odaliscas", "O gabinete de artes gráficas" e "Papéis recortados". "A Dança", o quadro mais conhecido de Matisse, não será encontrada na exposição. O motivo é que as duas versões, encontradas no Museu de Arte Moderna de Nova York e de São Petersburgo, na Rússia, têm dimensões gigantescas e por motivos logísticos inviabilizou o trâmite para São Paulo. A exposição "Matisse Hoje", apresenta mais de 80 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e um vídeo que destaca a criação da capela em Vence, no sul da França feita por Matisse.

A exposição "Diálogos com Cinco Artistas Franceses Contemporâneos", Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard - participam da exposição "Matisse Hoje" e fazem um viés com as técnicas do artista explorando os temas básicos de sua arte. Pertencentes ao acervo da Pinacoteca, os trabalhos dos brasileiros Beatriz Milhazes, Rodrigo Andrade, Paulo Pasta, Dudi Maia Rosa, Felipe Cohen e Waltércio Caldas também fazem parte desta exposição.
Através das fotografias feitas por Cartier-Bresson e Man Ray que registram e documentam a forma de produzir de Matisse podemos ver o artista em seu ateliê.

Matisse possui características marcantes como a combinação única e intensa de cores, linhas, arabescos e espaço, transportadas no corpo feminino, roupas, tecidos, tapeçaria, etc.
Embora injustamente Matisse tenha sido julgado por muitos, em sua época, como um artista meramente decorativo, pois suas obras são agradáveis aos olhos e de fácil sedução, Matisse é referência no séc. XX, rivalizando, apenas com Picasso. O próprio Matisse declarava que intensionava criar uma arte que trouxesse mais "leveza" à vida.



Obras de Matisse em exposição na Pinacoteca de São Paulo, 2009.


 Exposição "Diálogos com Cinco Artistas Franceses Contemporâneos" Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2009.


Natureza-Morta com Magnólia (1941) a obra preferida de Henri Matisse


Milhares de pessoas já visitaram a exposição inédita no Brasil e na América Latina

Gertrude Stein | 1905



O pintor: Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espanha, em 1881. Cresceu em Barcelona e sempre conviveu com artistas e escritores. Em 1904 foi para Paris onde ficou amigo de Georges Braque, de Guillaume Apollinaire, de Max Jacob e de Gertrude Stein, amiga e muitas vezes, esteio. Criou, com seu amigo Braque, o cubismo, e daí em diante não parou mais de criar.

Seu estilo foi do clássico às abstrações mais radicais. Pintor, escultor, desenhista, ceramista, cenógrafo, gravurista e projetista, Picasso é uma das figuras mais importantes e influentes nas Artes Plásticas do século XX. Longevo, talentoso, e com vida amorosa rica e variada, foi um homem que marcou seu tempo.

O retrato: Em seu livro “A Autobiografia de Alice B. Toklas” (1932), Gertrude Stein conta: “Picasso desde os dezesseis anos nunca mais tinha tido alguém que posasse para ele. Nessa altura ele estava com 24 anos . Gertrude nunca pensara em ter seu retrato pintado. Nenhum dos dois sabe contar como a ideia surgiu. Mas o fato é que aconteceu e que ela posou para esse retrato noventa vezes. Havia uma grande poltrona quebrada onde ela se sentou.

Um sofá onde todos sentavam e dormiam. Uma cadeirinha da cozinha onde Picasso sentou para pintar. Um grande cavalete e muitas telas. Ela sentou na pose escolhida e ele sentou muito teso em sua cadeira e muito perto da tela e numa pequena paleta, toda marrom acinzentada, ele misturou mais marrom cinzento e começou a pintar. De repente, num dia ele pintou toda a cabeça. “Quando eu olho, não consigo mais te ver”, ele disse, irritado, e então o quadro ficou assim mesmo”. Óleo sobre tela, 100 x 81.3 cm.
Gertrude Stein nasceu em 3 de fevereiro de 1874, em Pittsburgh, EUA e faleceu dia 27 de julho de 1946, em Paris.

Foi escritora, poeta e uma precursora do feminismo. 27, rue de Fleurus foi o primeiro endereço dela e de seu irmão Leo após deixarem Oakland, em 1891. Foi ali que ela viveu quase 40 anos. Leo era um colecionador de arte e logo Gertrude seguiu os passos do irmão. Sua casa passou a ser conhecida como um "salon": os quadros que cobriam todas as paredes ela comprava de Picasso, Renoir, Gauguin, Cézanne, Gris, Matisse, e muitos outros.

Artistas, escritores e críticos passaram a ser freqüentadores assíduos da casa dos Stein para as reuniões à noite. Picasso e ela tornaram-se grandes amigos e ela foi fundamental no início da vida e da carreira do jovem catalão. Quando alguém comentou que ela não se parecia com a figura no retrato que ele fez dela, o pintor respondeu: “Pode deixar, vai parecer”.

A rua de Fleurus se tornou tão popular que Gertrude, escritora, passou a escrever somente bem tarde da noite, quando todos haviam se retirado. Em 1910, Alice B. Toklas, a amiga que a ajudava fazendo a revisão de seus textos, se muda para lá e passa a ser, dali em diante, a companheira de Gertrude, uma relação que durou 39 anos.

Quando começa a I Guerra Mundial, elas saem de Paris, mas em 1916 voltam para a cidade. Encomendam um Ford dos EUA e o transformam em uma caminhonete para distribuir medicamentos pelos hospitais da cidade. Depois de 1918, tudo mudou e Paris não era mais a mesma. Esses anos seriam conhecidos como “A Geração Perdida”, um mundo desiludido pela guerra. Essa é a Paris de Hemingway e Fitzgerald, que também se tornam grandes amigos de Gertrude. Eles descrevem uma Paris onde a liberdade é muito grande, mas onde o idealismo desapareceu. A festa de Hemingway é uma festa triste.

Até 1933, Gertrude era conhecida como a patronesse de artistas e a protetora de gênios e não como a escritora que sempre quis ser. Mas, nesse ano, com a publicação do interessante “A Autobriografia de Alice B. Toklas”, tudo mudou. Nesse livro, no qual ela escreve como se fosse sua companheira falando, ela relata as primeiras décadas do século XX na Paris dos artistas com quem conviveu intimamente e a quem muito ajudou. É um testemunho de quem viveu e participou dos movimentos artísticos mais interessantes do início do século XX.

Acervo Metropolitan Museum of Art, New York
www.ellensplace.net/gstein4.html
http://www.metmuseum.org/