A arte como espelho da dor e da tristeza no Haiti

Um ano após a tragédia no Haiti, a Arte espelha o sofrimento e a tristeza da população.

O pintor Carel Blain é especialista em retratos de crianças. A violência do terramoto e a miséria deixaram marcas nos rostos infantis.

“A maioria das crianças não tem onde viver. Está em tendas. E há uma mudança nas expressões. Se o governo e a comunidade internacional pudessem fazer algo pelo Haiti, isso provocaria uma mudança nos seus rostos”, diz o artista.

Em Porto Príncipe, o escultor André Eugéne criou um Museu de Arte.

O artista conta que antes do terramoto se inspirava na vida e no futuro. Agora, a morte encontra-se em todo o lado.

“Vou fazer uma grande escultura (com uma caveira)em frente ao meu estúdio, como um memorial do terremoto”, conta André Eugéne.

Há um ano, o Museu Nader, em Porto Príncipe, ficou sob os escombros. Mas o proprietário do espaço não baixou os braços. Escavou durante três meses, com a ajuda de 30 pessoas e encontrou milhares de pinturas.

Muitos obras estão em restauro num centro de conservação na capital. Especialistas norte-americanos dão formação aos artesãos locais.

“Quero preservar a cultura para que os meus filhos e netos possam conhecer o passado. É muito importante lembrar as coisas boas do Haiti, sublinha George Nader.

Há mais de dez mil pinturas a aguardar restauro. Um esforço para preservar a herança cultural do Haiti que deverá implicar vinte anos de trabalho.

Reconhecem os visitantes estrangeiros a arte da Malásia ?

A criatividade das obras de arte é reconhecida principalmente entre os cidadãos da Malásia, mas os visitantes estrangeiros admiram hoje a sua qualidade.

Durante uma feira profissional de pintura e escultura na Galeria Nacional de Artes, o Vice-Ministro da Informação, Comunicação e Cultura, Joseph Salang, revelou a venda de 60 obras nacionais, a maioria delas para turistas estrangeiros.

O centro mostra também o património arquitectónico da nação, tanto a arquitectura do passado quanto a contemporânea em uma cidade que se caracteriza pela cultura multi-étnica e diversificada.

Artistas da Malásia participam cada cinco anos na exposição que se realiza em Kassel, Alemanha.

Em outubro de 2010, Kuala Lumpur, organizou uma grande exposição internacional, que foi espaço de arte independente e suas contribuições para o ecossistema artístico e cultural do país.

Expo-2010, reuniu personalidades da arte a nível internacional e apresentou aos malaios exposições de artistas na sua maioria da América Latina.

Prensa Latina

Parceria entre Sotheby´s e The Ligthbox expõe uma série de esculturas e desenhos da autoria de artistas britânicos.

A Sotheby´s Internacional expõe, a partir de segunda-feira, 10 de Janeiro, uma série de esculturas e desenhos da autoria de artistas britânicos, parte integrante da Colecção Ingram, uma das mais representativas da arte britânica do século XX. A mostra estará patente até 21 de Janeiro, nas galerias da New Bond Street e resulta de uma parceria entre a Sotheby´s e a conceituada galeria de arte The Lightbox.

Em exposição estarão obras de artistas como Barbara Hepworth, Henry Moore, Elisabeth Frink, Kenneth Armitage e Eduardo Paolozzi. A acompanhar as esculturas e desenhos, estarão fotografias dos autores, tiradas por Jorge Lewinski que fotógrafa artistas desde os anos 60.

A Colecção Ingram é composta por mais de 300 peças e tem sido enriquecida ao longo da última década. Trata-se de uma mostra exemplar de algumas das melhores obras de artistas britânicos com destaque para o período pós-Segunda Guerra Mundial.

Morreu o pintor Malangatana



Malangatana foi nomeado em 1997 Artista Pela Paz da UNESCO
e recebeu a Medalha da Ordem do Infante D. Henrique

O pintor moçambicano, de 74 anos, estava internado há vários dias no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. O artista, que pintava pessoas e a vivência moçambicana, morreu esta madrugada, vítima de doença prolongada, refere a direcção do hospital. A morte de Malangantana é lamentada pela comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Além de pintor, Malangatana era um escultor, contador de histórias, dinamizador cultural, poeta e ator, que começou a dedicar-se às artes quando o arquiteto português Pancho Guedes lhe cedeu uma garagem para atelier.


Pancho Guedes tem patente uma mostra de obras africanas no Mercado Santa Clara, em Lisboa, onde constam obras do início do percurso de Malangatana. Também na Casa da Cerca, em Almada, está disponível até domingo uma exposição de desenhos e esculturas do moçambicano. O Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, é outro dos locais onde se expõem cinco obras do pintor.

Representado em várias coleções públicas e privadas, Malangatana expôs em conjunto ou em nome individual em Moçambique, África do Sul, Brasil, Dinamarca, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Portugal.



Mundo diplomático e artístico lamenta morte de Malangatana

A morte do moçambicano representa "uma perda muito grande para o mundo lusófono", comentou o secretário de Estado da Cultura. Elísio Summavielle considera que Malangatana era "uma figura universal na área das artes, com uma obra muito vasta" e um "grande homem e um resistente anti-colonial".


Já o secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) sublinha que Malangatana “ultrapassou as fronteiras de Moçambique e de África. Esta perda é irreparável", disse Domingos Simões Pereira.


Apontando o carisma do pintor moçambicano que "rapidamente se transformou numa verdadeira lenda viva", o secretário-executivo da CPLP destacou também a sua "grande dimensão humana". "Espero que a obra que ele deixa inspire outros a continuar e a manter esta dimensão", declarou.


Para a diretora da Casa da Cerca, cuja mostra de obras de Malangatana não poderá ser prolongada devido a compromissos assumidos anteriormente, a morte do pintor é uma "grande perda" para a cultura e para a humanidade.

A exposição de desenhos e pinturas de Malangatana está patente desde outubro e termina no próximo domingo.

Ana Isabel Ribeiro destaca que o artista e o cidadão Malangatana deixaram sempre que "as pessoas, as culturas e o ser humano nas suas alegrias e tristezas invadissem as suas telas".

"É uma alegria e também uma grande tristeza saber que somos talvez os únicos a expôr neste momento desenhos e pinturas do artista feitos propositadamente para esta mostra", referiu a diretora da Casa da Cerca. Recorda uma das últimas aparições em público de Malangatana, a 23 de outubro: “contou histórias, riu, brincou com amigos quando nesse dia participou numa conversa que antecipou a exposição dele e outra de José Forjaz".

Malangatana "cruzou e fez a simbiose entre a iconografia africana e o modernismo europeu", explica a diretora do Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian, cuja coleção integra cinco obras do pintor.

Isabel Carlos, que antes de assumir a direcção do CAM foi crítica de arte, aponta o forte caráter autoral da obra de Malangatana. Nas suas telas “o coletivo e as multidões são representadas" com rostos que são máscaras. "A obra tem uma identidade muito forte. Quando olhamos para uma obra do Malangatana, imediatamente dizemos que é Malangatana. Tem uma autoria fortíssima", sublinhou Isabel Carlos.

O crítico de arte Rui Mário Gonçalves, em declarações à Antena 1, destaca a importância da obra do pintor moçambicano, com a “sua tendência para a universalidade, mas sem perder a genuidade da própria origem”.

Lusa

Conceitos de Cultura

Ciências sociais - (latu sensu) é o aspecto da vida social que se relaciona com a produção do saber, arte, folclore, mitologia, costumes, etc., bem como à sua perpetuação pela transmissão de uma geração à outra.

Sociologia - o conceito de cultura tem um sentido diferente do senso comum. Sintetizando simboliza tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença. Na sociologia não existem culturas superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é relativa, designando-se em sociologia por relativismo cultural, isto é a cultura do Brasil não é igual à cultura portuguesa, por exemplo: diferem na maneira de se vestirem, na maneira de agirem, têm crenças, valores e normas diferentes... isto é têm padrões culturais distintos.

Filosofia - cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural. Por seu turno, em biologia uma cultura é normalmente uma criação especial de organismos (em geral microscópicos) para fins determinados (por exemplo: estudo de modos de vida bacterianos, estudos microecológicos, etc.). No dia-a-dia das sociedades civilizadas (especialmente a sociedade ocidental) e no vulgo costuma ser associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores, superiores, ou seja, erudição, este sentido normalmente se associa ao que é também descrito como “alta cultura”, e é empregado apenas no singular (não existem culturas, apenas uma cultura ideal, à qual os homens indistintamente devem se enquadrar). Dentro do contexto da filosofia, a cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos humanos. Cultura é informação, isto é, um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros. A cultura é o resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas ao longo da história. Cultura é criação. O homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam. A cultura é um fator de humanização. O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos.

Antropologia - esta ciência entende a cultura como o totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.

O uso de abstração é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, em seus símbolos tais como padrões artísticos e mitos. Entretanto fala-se também em cultura material (por analogia a cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc.). Essa forma de cultura (material) é preservada no tempo com mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é extremamente frágil. A principal característica da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem não precisou, por exemplo, desenvolver longa pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptou-se com o uso de roupas, do fogo e de habitações. A evolução cultural é mais rápida do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução biológica, o homem torna-se dependente da cultura, pois esta age em substituição a elementos que constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos (por exemplo, a supressão de um aspecto da cultura) causaria o mesmo efeito de uma amputação ou defeito físico, talvez ainda pior.

Além disso a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.

FELIZ OLHAR NOVO !!! 2011

NASCEU 2011, o grande triunfo da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem. 2011 foi um ano cheio.

Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. Às vezes se espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal. 2011 não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança? O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos. Ou mude de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém. O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE. Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial. 2011 pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. 2011 pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!! Feliz olhar novo!!! Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!" Muita paz, saúde, amor, dinheiro e principalmente felicidade...

FELIZ ANO NOVO A TODOS!!!

Polícia espanhola divulgou imagens dos 12 quadros mais procurados

"Auvers Sur Oise", de Cézanne (DR)

A polícia espanhola difundiu as imagens dos 12 quadros mais procurados. São obras de Picasso, Matisse, Rembrandt, Velázquez, Van Gogh, Cézanne ou Sorolla que foram roubadas de vários museus nos últimos 20 anos.

As duas obras mais procuradas são Le pigeon aux petit pois de Pablo Picasso e Pastoral de Henri Matisse, revela o El País. Ambas desapareceram do Museu de Arte Moderna de Paris em Maio deste ano em conjunto com quatro outros quadros. Os quadros El Santero de la Cofradía, de Joaquín Sorolla, e o quadro Lady with a Hat, de Henri Toulouse Lautrec, também foram roubados este ano.

Há pinturas que já desapareceram há mais de vinte anos. A Brigada de Património Histórico, responsável por estas investigações, ainda não desistiu de encontrar quatro pinturas que foram roubadas do Palácio Real de Madrid: Dama desconocida e Mano de Diego Velásquez, San Carlos Borromeu de Bayeau e Retrato de dama de Juan Carreno de Miranda.

Apesar da dificuldade de se saber o valor de cada quadro no mercado negro, sabe-se que estas obras alcançam preços exorbitantes. O óleo de Paul Cézanne Auvers Sur Oise pode atingir os 4,8 milhões de euros. O quadro foi roubado em 2000, do museu de Ashmolean de Oxford, no Reino Unido. No final da década de 1990 roubaram dez obras-primas do museu Gardner de Boston, nos Estados Unidos, no valor de 250 milhões de euros. Uma das obras foi de Rembrandt, Storm on the sea of Galilee, de 1663.

O pintor holandês Van Gogh também está na lista com dois quadros Brooms and Red Poppies, que estava no Egipto, no museu de Giza e View of the Sea at Scheveningen, roubado em 2002 do museu Van Gogh, em Amsterdão.

A polícia espanhola colocou um vídeo no Youtube onde mostra os vários quadros. A investigação do paradeiro destes quadros é feita com a ajuda do programa informático Dulcinea, que tem informação sobre mais de oito mil pinturas, esculturas, telas e peças arqueológicas que foram roubadas

Colecionador de arte Roy Neuberger morre aos 107 anos

O financista de Wall Street e colecionador de arte contemporânea Roy Neuberger morreu em Manhattan aos 107 anos de idade, informou neste sábado (25) o jornal The New York Times.
 
Neuberger, cofundador da companhia de investimentos Neuberger Berman, morreu na sexta-feira em seu apartamento no Hotel Pierre, em Nova York, confirmou seu neto, Matthew London.
 
Grande amante da arte, criou em 1974 o Neuberger Museum of Art, no norte de Nova York, onde são expostas centenas de pinturas e esculturas de artistas como Milton Avery, Georgia O'Keeffe, Edward Hopper, Willem de Kooning e Jackson Pollock, entre outros. Desde então, sua coleção se estendeu pelos EUA e pôde ser contemplada em mais de 70 instituições de 24 estados.
 
Nascido em Bidgeport, Conneticut, em 1903, Neuberger era considerado um dos principais colecionadores de arte contemporânea e, em 2007, recebeu a Medalha Nacional das Artes dos EUA.
 
Após estudar arte um ano na universidade de Nova York, se lançou ao mundo dos negócios. Segundo escrito em sua autobiografia, publicada em 1997, sentiu que "poderia aprender muito mais no mundo dos negócios".
 
Em 1939, fundou a Neuberger Berman com seu sócio Robert Berman, uma das firmas de investimento mais bem-sucedidas de Nova York. Neuberger foi um dos poucos financistas que viveram três crises em Wall Street, a de 1929, a de 1987 e a de 2008.

Entrevista com GIJS BAKKER | á maneira flamenca

Desenhou jóias nos anos 60, roupa em 70, mobiliário em 80. Em 90 fundou a carismática droog e fecha 2010 apresentando ao mundo o melhor que taiwan tem para oferecer. Espere: o melhor de Gijs Bakker ainda está para vir.

Como entrou no mundo da moda nos anos 60?
Não lhe chamaria moda. Na altura trabalhava em joalharia, de uma forma muito experimental. Jóias, roupa e objectos são familiares muito próximos entre si. Em 70 pareceu-nos – a mim e à minha falecida mulher – um passo lógico usar em roupas os mesmos conceitos que tínhamos desenvolvido para as jóias.

Porque fundou a Droog?
No fim dos anos 80, princípio de 90, o clima para jovens designers era muito difícil na Holanda. A indústria tinha fugido para países com produção mais barata, como Portugal, e não havia uma plataforma de trabalho. A Droog surgiu instruindo os jovens designers a mostrar o seu produto como peças de alto artesanato, e apresentá-lo em protótipo, sem esperar que a indústria viesse até eles. No início de 90, o Salão de Milão tornava-se cada vez mais um ponto privilegiado de contacto entre designers, produtores e compradores, e por isto era lógico levarmos os nossos talentos até lá, onde estava o poder internacional e comercial.

Porque abandonou a Droog?
É como um casamento: ao fim de 15 anos, por vezes, cansamo-nos. O atelier tornou-se cada vez mais comercial. Eu gosto de explorar novas direcções no design, tem sido sempre o meu desígnio, o meu desejo, a minha vida. Deixou de ter interesse para mim.

Como começou esta nova aventura com a YII?
Estive pela primeira vez em Taiwan em 2006, para executar um projecto para o Museu do Palácio Nacional. O Taiwan Craft Research Institute pediu-me ajuda para encontrar uma identidade unificadora para a fantástica produção artesanal, secular e tradicional, treinada nos adornos dos templos budistas que abundam em Taiwan. A ideia foi pegar nestes artesãos e nesta arte e dar-lhes um novo significado.

O que gostaria de desenhar a seguir?
Uma cadeira de escritório que verdadeiramente juntasse na mesma peça beleza e conforto.

Para onde adivinha que o design vai num futuro próximo?
Em 10, no máximo 15 anos, tenho a certeza que todos nós teremos em casa uma impressora 3D, ou seja, um dispositivo que permitirá executar uma peça real a partir de um desenho. Se der um jantar, desenha os pratos, os talheres e as cadeiras, carrega num botão e terá na sua impressora 3D os objectos como os idealizou. No fim da festa, entram num recipiente de reciclagem e a massa é usada para produzir novos objectos. Não está assim tão longe.


1. SHOULDER PIECE, colar, desenho de 1967, alumínio anodizado a verde e púrpura. 2. e 3. EXEMPLOS da aventura de Gijs em Taiwan, como director criativo da YII. Os objectos partem da produção da Ikea e graças à perícia dos artesãos e à sábia condução de Gijs transformam-se em peças de arte.

GIJS BAKKER, EM PRIVADO

Quais são os essenciais numa casa sua?
A minha casa está cheia de essenciais. Protótipos, produtos de colegas, mas talvez tenha um mais essencial que os outros: um conjunto de jardim do escultor britânico Tony Craig.

E o que nunca lá entra?
Muitas coisas, mas talvez destaque um jacuzzi – nunca ninguém desenhou um bonito. Prefiro nadar no mar.

João Galvão | máxima interiores

Exposição revela cantradições na biografia de Napoleão Bonaparte

Alguns o consideram um herói político, outros acreditam que fosse, acima de tudo, um guerreiro desumano. Mostra em Bonn trata dos ambíguos aspectos desse personagem histórico.

São quase 400 peças, divididas em 12 capítulos – pinturas de grande formato, esculturas, desenhos, documentos, medalhas, armas, móveis, ferramentas: peças emprestadas de instituições de 17 países. Além disso, o visitante tem à sua disposição um material adicional de 40 páginas e um pesado catálogo de 400 páginas.

O peso da exposição Europa, Traum und Trauma (Europa, sonho e trauma), no museu Bundeskunsthalle de Bonn, faz jus à relevância de seu tema: Napoleão Bonaparte e seu regime, os efeitos de sua política e as formas como esta foi abordada pela arte.

"Estado moderno e eficiente"

A mostra oferece um amplo panorama entre a guerra e a arte, o militarismo e a modernidade, o Iluminismo e a propaganda. Ela é fruto de um projeto franco-alemão, que tem como patronos a premiê alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy.

O império de Napoleão, aprendemos na exposição, é considerado um exemplo clássico de um Estado moderno e eficiente, no qual o progresso técnico exercia um papel importante: infraestrutura, construção de estradas, correios e telegrafia atingiam naquela época um novo estágio de desenvolvimento.

Mas Napoleão, acima de tudo, outorgou o Código Civil dos Franceses (Code Civil des Français), primeiro compêndio legal estabelecido e respeitado em uma nação, válido até hoje na França e exemplo para Constituições de diversos outros países. Este é um lado da moeda.

Europa: campo de batalha

O outro lado, hediondo, mostra Napoleão como defensor de um Estado policial, um soberano do medo, cuja máquina militar semeou a guerra e a destruição por toda a Europa.

Seu sonho de dominar o mundo custou a vida de 3 milhões de europeus, e 10 milhões ficaram feridos nos campos de batalha e nos países destruídos. Essa é a experiência coletiva de toda uma geração, diz Bénédicte Savoy, curadora da mostra. "Guerra, extermínio, medo, frio, ferimentos, essa é a herança europeia, uma lembrança comum, que queremos mostrar aqui de qualquer forma", completa.

Napoleão, com sua máquina militar, a Grande Armée, passou por cima de toda a Europa. Para a invasão da Rússia, em 1812, ele reuniu o maior Exército que a Europa vira até então, formado por 600 mil homens. A maioria morreu, apenas poucos voltaram do gélido inverno russo. O número de vítimas foi tamanho que até no ano de 2002 foram descobertas, nos arredores de Vilnius, capital da Lituânia, valas comuns com cadáveres dos tempos napoleônicos.

Na exposição em Bonn, há imagens contemporâneas que documentam a guerra e a morte, bem como o sofrimento nos campos de batalha e nos hospitais de guerra, além de mostras da retirada deprimente de um Exército abatido, desenhos médicos de feridas horrendas, malas com utensílios para amputação de órgãos, próteses e instrumentos cirúrgicos, que deixam entrever parte do que foi o horror nos campos de batalha.

Roubo da memória cultural

Por outro lado, Napoleão era um incentivador das artes, um mecenas que instrumentalizava sem pudores os artistas em prol do culto à própria personalidade, fazendo com que esses cultivassem sua imagem em pinturas de grande formato.

Paris só pôde se transformar, no início do século 19, em uma meca das artes e da ciência devido à extensa apropriação de objetos oriundos de bibliotecas, arquivos e coleções de arte: estátuas de Roma, pinturas de Viena, caixas cheias de livros de Berlim, obras de arte valiosas tomadas de igrejas e mosteiros – troféus confiscados e meticulosamente listados por comissões a serviço de Napoleão, enviados a Paris como carga, em nome da fama do imperador e general.

Gravuras, pinturas e documentos servem de testemunho de tudo isso na exposição. Bénédicte Savoy explica: "A ideia era transformar Paris em um lugar central da memória, que deveria congregar todos os arquivos da Europa. O plano era também criar uma espécie de museu universal, suprir as lacunas já existentes nas coleções e torná-las as maiores e mais belas". A restituição das peças a seus países de origem foi um processo difícil, salienta a curadora.

Fascínio Bonaparte

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: 'Terminator Napoleon', bronze de Jonathan Meese (2006)

Napoleão fascinou muitos de seus contemporâneos, entre o quais Friedrich Hölderlin, Ludwig van Beethoven, Alexander von Humboldt e Friedrich Hegel. Eles eram representantes de uma geração "eletrizada" por Bonaparte, diz Bénédicte Savoy.

A fascinação persiste até hoje: no fim da mostra, há uma escultura intitulada Terminator Napoleon, de Jonathan Meese. O irreverente artista plástico alemão concebeu uma mistura fetiches arcaicos, personagens de quadrinhos e um monstro fortemente armado, com um pênis gigante.

Cornelia Rabitz

Brasil marca forte presença na Art Basel Miami Beach

Respeitadas galerias e artistas latino-americanos se encontram a partir de quinta-feira na Art Basel Miami Beach, a maior mostra de arte contemporânea dos Estados Unidos, onde o Brasil é o país da região com maior presença do evento, com 11 galerias.

Nara Roesler, dona da galeria de mesmo nome em São Paulo, disse que "o bom momento econômico que o Brasil atravessa permite aos artistas sair e se mostrar internacionalmente".

"Para vender arte é preciso procurar quem a compre porque os grandes colecionadores não vão ao Brasil, vêm a locais como este", comentou.

Com a economia global atravessando um mau momento, muitos investidores veem na crise uma oportunidade para a compra de arte a preços melhores.

Jorge Mara, da galeria Mara La Ruche, de Buenos Aires, disse que este ano oferece "opções para todos os bolsos" e acredita que muitos colecionadores que estão mais retraídos pela crise encontram na arte latino-americana "uma opção muito boa pela escelente relação preço-qualidade".

Espera-se que 40.000 pessoas visitem a exposição, que se celebra até domingo e conta com representantes de 29 países que levarão suas obras a vários pontos da cidade, anunciaram os organizadores esta quarta-feira na abertura para a imprensa e colecionadores VIP.

A exposição monumental tem seu núcleo no Centro de Convenções de Miami Beach onde, em diferentes espaços, se expõem pinturas, desenhos, esculturas, instalações, fotografia e vídeos.

Mas estará presente em outras partes de Miami Beach com programas como o Oceanfront Night (um espaço aberto em frente à praia), no qual este ano se representa a arte - cinema, músia, vídeo e outras modalidades - de quatro cidades, entre elas a Cidade do México.

Além disso, esculturas e instalações de muitos artistas internacionais são expostos em parques e espaços públicos, no programa Art Public, com curadoria do mexicano Patrick Charpenel.

No total, 20 galerias latino-americanas foram selecionadas para participar da exposição, que reúne um total de 200 companhias expoentes, a metade delas dos Estados Unidos e grande parte, europeias.

Obras de Salvador Dalí, Joan Miró, Man Ray, Andy Warhol, Henri Matisse, Pablo Picasso e Le Corbusier, entre centenas de outros, se misturam com nomes latino-americanos consagrados, como Jesús Soto, Joaquín Torres García e figuras emergentes.

A mostra, caracterizada pela oferta de alto nível artístico e grande volume de negócios, oferece obras de museu dos mestres internacionais, avaliadas em milhões de dólares, mas também pelas de artistas novos a preços acessíveis de centenas de dólares.

Moda é arte! Ou, moda não é arte!

Vestimos moda ou arte, ou a moda só pode ser vista em galerias ou museus para se conceituar enquanto arte? Interatividade e identidade deverão ser os desafios para esta grande costura entre o pespontar da arte com a escultura da moda.

Por que esta questão é tão debatida e polêmica dentro deste território? E, no entanto, estas colocações passam ao mesmo tempo despercebidas frente a uma sociedade compulsiva de informações, onde muitas vezes não temos a percepção do que é arte e do que é moda dentro de uma reflexão contemporânea. E aí vem a pergunta: Moda é Arte? Se falarmos das seis belas artes que consistem em Música, Dança, Pintura, Escultura, Poesia (Literatura) e Teatro, realmente a moda não se encaixa. E muito menos nas noções medievais e as chamadas artes liberais, que se dividiam em Trívio (Gramática, Retórica e Dialética) e Quatrívio (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música). Contudo, mediante estas linguagens, podemos perceber que a Moda foi uma manifestação típica da passagem da Idade Média para a Idade Moderna que traz como trajetória uma capacidade híbrida de multiplicação.

Híbrida porque, mesmo sendo em princípio um produto artesanal, tem na sua forma o molde como reprodução enquanto desdobramento histórico. E ao lado das manifestações modernas como o Cinema, a Fotografia, o Design, ela tem como projeção a capacidade de reprodutibilidade técnica industrial. Daí iniciou-se um olhar preconceituoso no qual essas manifestações eram desconsideradas artisticamente porque, na visão tradicional da arte, o objeto deve ser único e perene. Com a chegada dos séculos 19 e 20, temos o advento da subjetividade, que passa a conceber um olhar de quebra de hierarquias no conceito de arte. Na belíssima obra O Belo na Arte, Friedrich Hegel (1770-1831) cita: "Temos na arte um particular modo de manifestação do espírito, dizemos que a arte é uma das formas de manifestação porque o espírito, para se realizar, pode servir-se de múltiplas formas".

Daí pode entrar neste território temático a pergunta: Então moda é uma forma de arte? No começo do século 20, quando as imagens cinematográficas produziam proezas estéticas, era um absurdo pensar que o Cinema era Arte e hoje todos o conclamam como a sétima arte. A grande tarefa para este debate é pôr os objetos da moda no centro de uma pesquisa estética, sociológica e histórica para encontrar pressupostos que distanciem da banalidade em que a sociedade de consumo se mantém. Vestimos moda ou arte, ou a moda só pode ser vista em galerias ou museus para se conceituar enquanto arte? É notório no envolvimento das questões a dificuldade de sabermos se moda tem em sua essência os códigos que remete a arte ou a própria arte já não precisa de códigos para apontar o que é arte.

Com estas inquietações seja no mundo acadêmico, ou no mercado, na indústria, devemos propor uma análise que seria possível tomar estas questões no instante de uma sociedade que tenta esmagar e modular tudo como esquecimento a seguinte pergunta: O que é moda enquanto produção de arte e arte enquanto produção de moda? Interatividade e identidade deverão ser os desafios para esta grande costura entre o pespontar da arte com a escultura da moda; na própria existência nossa de cada dia contemplando a beleza humana.

Museu do Caramulo

Dois irmãos, Abel e João de Lacerda, fundam nos anos cinquenta, um invulgar museu, numa pequena povoação chamada Caramulo, situada numa montanha no centro de Portugal, com luxuriante vegetação, virada a Sul, sobre um vale extenso de 80 Km: o mais vasto panorama do país.

Abel de Lacerda, apaixonado pela arte, constrói um edifício, com os mais modernos conceitos de museologia, para expor uma invulgar colecção de objectos de arte constituída por 500 peças de pintura, escultura, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, que vão da era Romana até Picasso.

João de Lacerda, apaixonado por automóveis, constrói outro edifício anexo ao primeiro, vocacionado para expor 100 automóveis e motos, dentro do princípio de que todos os veículos pudessem sair facilmente, para exibição e conservação.

Com a morte prematura de Abel de Lacerda em 1957, criou-se a Fundação Abel de Lacerda - hoje Fundação Abel e João de Lacerda - proprietária dos dois museus de Arte e Automóveis, abertos ao público todo o ano. Mais de 1 milhão de visitantes entraram neste meio século, no Museu do Caramulo.

Photography Luis Costa

Expo World Fashion

Na noite do dia 20 de Novembro no “Belém bar café” em Lisboa, aconteceu a festa da “Expo World Fashion”. Uma festa que reuniu muita gente conhecida e que serviu para apresentar uma espectáculo musical e de moda. Os músicos Rogério Correia (Delfins, Ena Pá 2000) e Mário Andrade (Delfins), abrilhantaram o espectáculo enquanto os manequins da “Just Academia”, “Just Models” e “L’Agence”, desfilavam.

DJOY foi o DJ convidado.


Pintura de Modigliani é vendido por US$ 68,9 milhões em leilão

'A Bela Romana' é parte de uma série de nus

Uma pintura de Amedeo Modigliani foi leiloada em Nova York por US$ 68,9 milhões, um recorde entre as obras do artista italiano. O preço de A Bela Romana havia sido estimado em US$ 40 milhões pela casa Sotheby's.


O quadro, parte de uma série de nus produzidos por volta de 1917, foi arrematado por um comprador anônimo.


O recorde anterior para uma obra de Modigliani era de US$ 43,1 milhões para uma escultura (vendida em junho passado) e de US$ 31,3 milhões para um quadro (2004).


Modigliani, que viveu entre 1884 e 1920, originalmente concentrou seu trabalho em esculturas, mas mudou para pintura, em parte, por problemas de saúde.

Alberto Carneiro

Alberto Carneiro, o artesão da natureza. Lições do mestre. «Prémio de Artes Casino da Póvoa». Tem 70 anos e expõe a sua arte há mais de quarenta, em Portugal e no estrangeiro.

Vive na terra onde nasceu, na aldeia do Coronado, Trofa, envolvido pela natureza original e vigorosa de um vale entre o Douro e o Minho. «A Natureza sonha nos meus olhos desde a infância», diz Alberto Carneiro, o artista plástico que tem vivido com a natureza uma relação íntima, dialogante e de mútua revelação: olha a terra, os vimes, os troncos, as raízes e as pedras para descobrir-lhes o que ainda lá não está, e redescobrir-se, ser humano, mostrando-o ao mundo.


«Perante a obra o espectador completa-a na medida em que a re-faz sua», escreve Bernardo Pinto de Almeida no álbum Alberto Carneiro – Lição de Coisas. É uma magnífica monografia editada no âmbito do «Prémio de Artes Casino da Póvoa 2007», que recentemente distinguiu o artesão da natureza, cuja arte, em época de urgência pelo respeito ambiental, é uma lição maior.

No valor de 30.000 euros, o «Prémio de Artes Casino da Póvoa» está na sua segunda edição, tendo distinguido na anterior o incontornável Nikias Skapinakis, que kaminhos referenciou (ver artigo relacionado). Para além da presente Monografia, uma vez mais com a chancela da Campo das Letras em parceria com o Casino da Póvoa, o Prémio incluiu também a Exposição Antológica do autor – Manifesto –, que esteve patente na Cooperativa Árvore, no Porto.

Alberto Carneiro – Lição de Coisas é um álbum de luxo com 242 páginas, com oito capítulos temáticos e a Biografia de Alberto Carneiro, antecedidos de uma majestosa Introdução. Está repleto de fotografias de alta definição de desenhos, projectos de esculturas, exposições e instalações do artista, tudo enquadrado pela excelência do texto do Historiador de Arte e Professor Catedrático Bernardo Pinto de Almeida, incansável na interpretação e divulgação da arte que por cá se faz, e a quem, por tudo isto, a Cultura portuguesa deve muitíssimo.

A mandala do artista Nas antigas filosofias orientais, Taoísmo, Zen e no pensamento de Lao-Tsé, Alberto Carneiro encontrou o processo de construção da sua mandala, o caminho da reflexão interior, a busca da sua consciência e iluminação que aplicou no acto criativo: uma prática filosófica «que requer profunda iniciação e que se liga com o conhecimento do corpo e da mente e da sua inter-relação, bem como a relação destes com o cosmos de que somos também nós manifestações a um nível microcósmico», escreve Bernardo Pinto de Almeida.

Designando a obra do artista como «política ou ecologia do sensível», que não investe «na transformação do mundo, mas na transformação da própria consciência», Pinto de Almeida aponta-lhe consequências maiores: «proporcionar ao espectador não um lugar passivo mas um lugar activo, em que a obra se lhe chegue a revelar como um caminho de iluminação da sua própria consciência, instrumento com que pode, por sua vez, actuar sobre a obra.».

Actuando sobre a paisagem numa intervenção estética, o artista transforma o objecto-natural numa segunda natureza; assim, refere o texto: «o artista (a arte)» é «um mediador entre natureza primeira, a natureza-natural, e a natureza segunda, artificial, que é a verdadeira natureza do ser humano». Neste projecto de encontros do homem com naturezas, sempre em busca da sua identidade, estão as composições O Canavial: memória-metamorfose de um corpo ausente, 1968, Uma floresta para os teus sonhos, 1970, Um campo depois da colheita para deleite estático do nosso corpo, (1973-76), com palha de centeio ou trigo e de feno, Os sete rituais estéticos sobre um feixe de vimes na paisagem, 1975, entre muitas outras apresentadas, de forma minudente, neste álbum.

Trajectos do corpo «O teu corpo reflectido nesta obra como imagem transforma-se em arte na percepção estética de ti mesmo», escreveu Alberto Carneiro no aforismo que acompanha a composição «Meu Corpo Árvore». Com efeito, os planos da consciência, o «vigor orgânico» das esculturas talhadas na madeira, a emoção estética do corpo, água, vento e fogo inscritos na madeira ou na pedra provocam no espectador estranheza e surpresa perante a originalidade e o mistério da luz experimentada. Imprescindível, o presente álbum é um subsídio para a compreensão da obra do artista, esclarece as obras mais enigmáticas de um percurso criativo assim explicado pelo próprio artista: «Afinal saí pelo meu corpo. Corpo e mente. Unidades de corpo. Ela nele e ele por ela. Desenvolvimentos para o cosmos. (…)

Pegar na montanha, na árvore, moldá-las em matéria arte e inscrever nela os gestos da memória do corpo sobre a terra – todos os caminhos, todas as viagens, todas as mudanças, todos os saberes, todas as inquietações…».

Mudança Cultural

Como mecanismo adaptativo e cumulativo, a cultura sofre mudanças.

Traços se perdem, outros se adicionam, em grandes velocidades variadas nas diferentes sociedades. Dois mecanismos básicos permitem a mudança cultural: a invenção ou introdução de novos conceitos, e a difusão de conceitos a partir outras culturas.

Há também a descoberta, que é um tipo de mudança cultural originado pela revelação de algo desconhecido pela própria sociedade e que ela decide adotar. A mudança acarreta normalmente em resistência. Visto que os aspectos da vida cultural estão ligados entre si, a alteração mínima de somente um deles pode ocasionar efeitos em todos os outros. Modificações na maneira de produzir podem, por exemplo, interferir na escolha de membros para o governo ou na aplicação de leis.

A resistência à mudança representa uma vantagem, no sentido de que somente modificações realmente proveitosas, e que sejam por isso inevitáveis, serão adotadas evitando o esforço da sociedade em adotar, e depois rejeitar um novo conceito. O ambiente exerce um papel fundamental sobre as mudanças culturais, embora não único: os homens mudam sua maneira de encarar o mundo tanto por contingências ambientais quanto por transformações da consciência social.

Os chineses estão chegando... nas artes

O título acima carrega uma grande imprecisão, pois os chineses têm uma tradição artística que vem de 3 mil anos, tendo sido a fonte de inspiração para todo o mundo na pintura, na porcelana, na cerâmica, laca, jade, no bronze, no marfim, na música, no teatro e na ópera.

Mas é recente a incursão da China nas artes ocidentais, como é o caso da música clássica. A entrada tem sido meteórica. Na Orquestra Filarmônica de Nova York, 20% dos músicos titulares são de origem asiática, vários da China. Na orquestra jovem de Nova York, 35% têm a mesma origem, boa parte de chineses. Na orquestra de adolescentes da Juilliard School of Music (uma das melhores do mundo), esse porcentual sobe para 43%.

Trata-se de um feito impressionante para uma região do mundo que passou milhares de anos circunscrita a instrumentos de corda muito simples, flautas de bambu, pratos, gongos e tímpanos. Atualmente, a China produz e consome a música ocidental de modo alucinado. Conseguir um ingresso para assistir às grandes orquestras do mundo que se apresentam em Pequim e em Xangai é um feito dificílimo.

É isso mesmo. A China está dando uma grande virada também nas artes. John Naisbitt e Doris Naisbitt (China Megatrends, New York: Harper Business, 2010) contam que mais de 20 milhões de jovens chineses estão estudando piano e 10 milhões estudam violino! São números colossais e que mostram a enorme vontade dos chineses de desfrutar as belezas da música ocidental. O grande pianista Lang Lang costuma dizer que a crise na educação musical está nos Estados Unidos, mas não na China.

O mundo da música está se tornando um fabuloso campo de trabalho para professores, administradores, compositores, críticos e produtores de instrumentos. As novas gerações da China estarão repletas de músicos para atender às demandas interna e externa e até para deslocar os ocidentais nas suas pretensões de carreira. Sim, porque, no caso de escolas e orquestras com vagas limitadas, a entrada de um chinês significa a exclusão de um americano, alemão ou francês.

O principal foco dos analistas da China é o espetacular crescimento econômico daquele país. Mas o avanço no mundo das artes merece ser avaliado, inclusive no contexto da própria economia. Isso faz parte da grande guinada histórica que está em andamento. Há mais de 40 anos, Deng Xiaoping, o pragmático sucessor de Mao Tsé-tung, sentenciou: "Temos de construir duas civilizações, a civilização material e a civilização espiritual."

Isso vem se materializando. Longe de ter um foco único na produção industrial e nas exportações, a China entende que o cultivo da música, das artes plásticas e da dramaturgia, inclusive óperas, é fundamental para completar a formação dos jovens, dar boas oportunidades de trabalho e tornar a sociedade mais bela.

Por decisão do governo, todo prédio público tem de ser decorado com uma ou mais peças de artistas chineses. A pintura saiu na frente, quando Yuan Yunsheng pintou um gigantesco mural para o aeroporto de Pequim. Na última Olimpíada, houve shows magistrais de música, dança, figurino e painéis, fazendo as artes ornamentarem o atletismo. O sucesso daquele certame teve um impacto no mundo inteiro. Para muitos ocidentais, foi uma grande surpresa ver os jovens chineses cantando e dançando os ritmos internacionais, cercados por uma riquíssima coreografia.

Os chineses querem para si não apenas um país grande e forte, mas também bonito e alegre. E visível. A arte chinesa se está internacionalizando. Em 2008, 15 artistas plásticos chineses venderam suas peças por mais de US$ 1 milhão (cada uma!) em galerias do país e do exterior.

Para o governo de hoje, ao contrário das ordens impositivas de Mao Tsé-tung, a arte deve expressar os sentimentos individuais do artista. A se confirmar essa tendência, trata-se de uma importante mudança dentro do colossal processo de transformação social do gigante asiático.

O propósito desse movimento é fazer o avanço espiritual convergir para o avanço material, integrando elementos culturais aos produtos industriais. A pintura e a escultura, por exemplo, constituem as usinas de ideias para o desenho industrial. A convivência é harmoniosa, produtiva e de largo espectro. Existem na China mais de 500 faculdades de design. O "made in China" se está espalhando com base na convergência entre a revolução no consumo e as liberdades que vêm sendo concedidas aos artistas. Produtos modernos têm surgido com formas arrojadas, chamando a atenção dos compradores de automóveis, motocicletas, equipamentos de informática, mobiliário, luminárias, material de escritório, utensílios domésticos, calçados, tecidos, confecções, porcelana, cerâmica e outros bens, mostrando que os produtos que conquistam os consumidores não são feitos apenas de madeira, plástico, chapas e parafusos.

Os chineses voltaram aos livros que foram para a fogueira na década de 1960. Com isso, aprofundam a sua cultura e se familiarizam com outras. As bibliotecas foram reconstruídas não só nas grandes cidades, mas também no interior. Até o fim de 2015, serão 640 mil em todo o país. Todas elas equipadas com livros chineses e estrangeiros. Isso vai atender centenas de milhões de leitores famintos e que aumentam a cada dia.

Está aí a fórmula do sucesso. A China ganha mercados, mesclando cultura com beleza e com engenharia. É a globalização dos produtos, dos conhecimentos e dos sentimentos.

Conclusão: com a aparente volta da liberdade no campo da cultura e das artes, os chineses estão dando uma grandiosa resposta à desatinada Revolução Cultural que tentou sufocar os talentos e acabar com a criatividade. Dessa forma, a China se fortalece, marca a sua identidade, cria empregos de boa qualidade e conquista os corações - e os bolsos - dos consumidores de todo o planeta.

Sugiro aos meus alunos e jovens leitores que estudem a China, não para copiá-la, mas para inspirar entre nós a implantação das ferramentas da competição: cultura, ciência e instituições.

Arte latino-americana está em alta, confirma a FIAC

A arte latino-americana está em alta, demonstra a Feira de Arte Contemporânea parisiense (FIAC), na qual colecionadores pagaram altos preços por obras da brasileira Lygia Clark, do mexicano Gabriel Orozco e do venezuelano Jesús Soto, entre outros.

As esculturas de Lygia Clark foram algumas das obras vendidas por mais de 500.000 dólares nesta 37º edição da FIAC, encerrada no domingo, após deixar claro que o mercado de arte, que em 2008 sofreu uma contração de 40% por causa da crise financeira internacional, se recuperou.

"Foi uma FIAC muito boa, muito melhor que as duas passadas", disse à AFP Natalie Seroussi, dona de uma das 185 galerias de 24 países que participaram desta feira inaugurada na quinta-feira em três espaços marcantes: o Grand Palais, o Carré du Louvre e os jardins das Tulherias.

"Comprovei o interesse em criadores latino-americanos de parte de colecionadores internacionais", acrescentou Seroussi, que vendeu a um francês duas esculturas da série "Bicho", de Lygia Clark.

"As pequenas peças de Clark foram vendidas por 300.000 euros (420.000 dólares)", disse Seroussi, ressaltando que as maiores peças alcançaram preços mais altos.

O interesse do mercado pela artista construtivista brasileira, associada ao movimento Tropicália foi comprovado, ainda, em um leilão de arte dos BRIC (Brasil, Índia, Rússia e China), celebrado em maio, em Londres, no qual uma escultura em alumínio da série "Bicho" dobrou o preço no qual estava estimado, chegando a meio milhão de dólares.

Seroussi destacou, ainda, a venda em 350.000 dólares, de pequenos desenhos de Gabriel Orozco, cuja quota está definitivamente em alta, após as retrospectivas em sua homenagem celebradas pelo Museu de Arte Moderna de Nova York e agora o parisiense Centro Pompidou.

"Os grandes colecionadores de arte contemporânea querem ter Orozco em suas coleções, vimos isto nesta FIAC", informou à AFP a galeria Marian Goodman.

O galerista de Nova York Christophe Van de Weghe comemorou também "a boa energia" da feira, na qual vendeu várias obras, entre elas uma pequena pintura de Jean Michel Basquiat por US$ 1 milhão.

Outro Basquiat, "Desmond", de 1984, bem mais caro, ainda não tinha encontrado comprador horas antes do fechamento da feira.

"Tivemos vários colecionadores interessados, mas ainda nada de concreto", informou a galeria.

Frank Marlot, da galeria parisiense Denise René - que ajudou a impulsionar a 'op-art' e a arte cinética, que brincam com os efeitos ópticos e o movimento -, disse também que "está foi uma excelente FIAC".

Esta galeria vendeu obras de Jesús Soto, já falecido, do argentino Julio Le Parc e do venezuelano Carlos Cruz Diez.

"Soto sempre tem um mercado muito enérgico, e o de Cruz Diez e Le Parc está em ascenção", disse Marlot à AFP.

Diretora da FIAC, a neozelandesa Jennifer Flay também destacou o interesse crescente do mercado em artistas e galerias da América Latina.

"Este ano pela primeira vez participou da FIAC o México, onde se está vivendo uma cena artística muito forte", disse Flay em entrevista à AFP, destacando a presença da galeria Kurimanzzuto, que representa Orozco, Gabriel Kuri e Damián Ortega, entre outros artistas.

O crescente apetite pela arte da América Latina se reflete, ainda, em vários museus europeus, que o descuidaram durante anos, mas que agora estão tentando recuperar o tempo perdido.

A Tate de Londres começou a comprar arte latino-americana há alguns anos, e o Centro Pompidou está criando um projeto com a finalidade de enriquecer suas coleções com obras emblemáticas de criadores da região.

Na FIAC se viram também muitos colecionadores sul-americanos, entre eles um que pagou 450.000 dólares por uma pequena tela de Joan Mitchell em uma galeria nova-iorquina, e um brasileiro que se interessava em uma obra oferecida em uma das galerias mais visitadas desta FIAC, a de Larry Gagosian.

A galeria Gagosian, de propridade daquele que é considerado o homem mais poderoso do mercado de arte, não quis abordar o tema das vendas, algo que não é incomum em um setor em que prima a opacidade.

AFP

Arquivo da Tate revela 40 objectos no 40.º aniversário

O arquivo da Tate celebra esta semana o 40.º aniversário com uma exposição de 40 objectos da colecção na galeria Tate Britain, distinguindo-se da mais conhecida Tate Modern, inteiramente dedicada à arte britânica.

Uma caixa de pintura de William Turner, o caderno de notas do historiador de arte Keneth Clark da série da BBC "Civilização" e a nota de suicídio do pintor Keith Vaughan contam-se entre os objectos a expor.

A Tate enriqueceu substancialmente a colecção este ano com mais de 40 arquivos graças à generosidade de artistas, particulares e instituições, refere um comunicado da galeria.

Do acervo constam 30 mil fotografias de Gemma Levine, entre as quais figuram um conjunto de imagens que documenta a última década da vida do escultor Henry Moore.

Um dos objectos mais comoventes da exposição dos 40 anos é a nota de suicídio do pintor Keith Vaughan, datada de 04 de Novembro de 1977: "Não creio ter-me suicidado por nada se ter passado... 65 anos foram suficientes para mim... Não foi um completo fracasso.

Outra carta que vai ficar exposta foi escrita em 1958, em Marrocos, por Francis Bacon à sua agente Erica Vaughan, a solicitar um adiantamento de 300 libras: "Estou muito mal de dinheiro e tenho que comprar muitas tintas".

Na exposição figura uma carta carinhosa do pintor John Constable para a mulher Maria, datada de 1825: "Meu mais querido e único amor". E outra de Lucian Freud para a aluna e amiga Joan Warburton. E ainda o aglomerado de erros de ortografia escritos em Janeiro de 1929 pelo pescador da Cornualha e pintor naïf Alfred Wallis ao mais famoso colega Ben Nicholson, perguntando-lhe pelos dois barcos que construíra para os filhos.

Mais de um milhão de objectos e mais de 750 arquivos relacionados com artistas do século passado integram as reservas da Tate. Entre os últimos objectos catalogados estão os documentos pessoais, os modelos e as maquetas do famoso escultor construtivista russo Naum Gabo.