É a primeira vez que uma exposição individual do artista francês Henri Matisse (1869-1954) vem ao Brasil e à América Latina. Em mais um evento comemorativo ao ano da França no Brasil, a exposição "Matisse Hoje" está na Pinacoteca do Estado de São Paulo desde o dia 5 de setembro.
Organizada pela curadora adjunta do museu Henri Matisse na França, Émilie Ovaere e a curadora adjunta, Regina Teixeira, da Pinacoteca, a exposição está dividida em "Paisagens iniciais", "Naturezas mortas", "Mulheres nos interiores, odaliscas", "O gabinete de artes gráficas" e "Papéis recortados". "A Dança", o quadro mais conhecido de Matisse, não será encontrada na exposição. O motivo é que as duas versões, encontradas no Museu de Arte Moderna de Nova York e de São Petersburgo, na Rússia, têm dimensões gigantescas e por motivos logísticos inviabilizou o trâmite para São Paulo. A exposição "Matisse Hoje", apresenta mais de 80 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e um vídeo que destaca a criação da capela em Vence, no sul da França feita por Matisse.
A exposição "Diálogos com Cinco Artistas Franceses Contemporâneos", Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard - participam da exposição "Matisse Hoje" e fazem um viés com as técnicas do artista explorando os temas básicos de sua arte. Pertencentes ao acervo da Pinacoteca, os trabalhos dos brasileiros Beatriz Milhazes, Rodrigo Andrade, Paulo Pasta, Dudi Maia Rosa, Felipe Cohen e Waltércio Caldas também fazem parte desta exposição.
Através das fotografias feitas por Cartier-Bresson e Man Ray que registram e documentam a forma de produzir de Matisse podemos ver o artista em seu ateliê.
Matisse possui características marcantes como a combinação única e intensa de cores, linhas, arabescos e espaço, transportadas no corpo feminino, roupas, tecidos, tapeçaria, etc.
Embora injustamente Matisse tenha sido julgado por muitos, em sua época, como um artista meramente decorativo, pois suas obras são agradáveis aos olhos e de fácil sedução, Matisse é referência no séc. XX, rivalizando, apenas com Picasso. O próprio Matisse declarava que intensionava criar uma arte que trouxesse mais "leveza" à vida.
Obras de Matisse em exposição na Pinacoteca de São Paulo, 2009.
Exposição "Diálogos com Cinco Artistas Franceses Contemporâneos" Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2009.
Natureza-Morta com Magnólia (1941) a obra preferida de Henri Matisse
Milhares de pessoas já visitaram a exposição inédita no Brasil e na América Latina
O pintor: Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espanha, em 1881. Cresceu em Barcelona e sempre conviveu com artistas e escritores. Em 1904 foi para Paris onde ficou amigo de Georges Braque, de Guillaume Apollinaire, de Max Jacob e de Gertrude Stein, amiga e muitas vezes, esteio. Criou, com seu amigo Braque, o cubismo, e daí em diante não parou mais de criar.
Seu estilo foi do clássico às abstrações mais radicais. Pintor, escultor, desenhista, ceramista, cenógrafo, gravurista e projetista, Picasso é uma das figuras mais importantes e influentes nas Artes Plásticas do século XX. Longevo, talentoso, e com vida amorosa rica e variada, foi um homem que marcou seu tempo.
O retrato: Em seu livro “A Autobiografia de Alice B. Toklas” (1932), Gertrude Stein conta: “Picasso desde os dezesseis anos nunca mais tinha tido alguém que posasse para ele. Nessa altura ele estava com 24 anos . Gertrude nunca pensara em ter seu retrato pintado. Nenhum dos dois sabe contar como a ideia surgiu. Mas o fato é que aconteceu e que ela posou para esse retrato noventa vezes. Havia uma grande poltrona quebrada onde ela se sentou.
Um sofá onde todos sentavam e dormiam. Uma cadeirinha da cozinha onde Picasso sentou para pintar. Um grande cavalete e muitas telas. Ela sentou na pose escolhida e ele sentou muito teso em sua cadeira e muito perto da tela e numa pequena paleta, toda marrom acinzentada, ele misturou mais marrom cinzento e começou a pintar. De repente, num dia ele pintou toda a cabeça. “Quando eu olho, não consigo mais te ver”, ele disse, irritado, e então o quadro ficou assim mesmo”. Óleo sobre tela, 100 x 81.3 cm.
Gertrude Stein nasceu em 3 de fevereiro de 1874, em Pittsburgh, EUA e faleceu dia 27 de julho de 1946, em Paris.
Foi escritora, poeta e uma precursora do feminismo. 27, rue de Fleurus foi o primeiro endereço dela e de seu irmão Leo após deixarem Oakland, em 1891. Foi ali que ela viveu quase 40 anos. Leo era um colecionador de arte e logo Gertrude seguiu os passos do irmão. Sua casa passou a ser conhecida como um "salon": os quadros que cobriam todas as paredes ela comprava de Picasso, Renoir, Gauguin, Cézanne, Gris, Matisse, e muitos outros.
Artistas, escritores e críticos passaram a ser freqüentadores assíduos da casa dos Stein para as reuniões à noite. Picasso e ela tornaram-se grandes amigos e ela foi fundamental no início da vida e da carreira do jovem catalão. Quando alguém comentou que ela não se parecia com a figura no retrato que ele fez dela, o pintor respondeu: “Pode deixar, vai parecer”.
A rua de Fleurus se tornou tão popular que Gertrude, escritora, passou a escrever somente bem tarde da noite, quando todos haviam se retirado. Em 1910, Alice B. Toklas, a amiga que a ajudava fazendo a revisão de seus textos, se muda para lá e passa a ser, dali em diante, a companheira de Gertrude, uma relação que durou 39 anos.
Quando começa a I Guerra Mundial, elas saem de Paris, mas em 1916 voltam para a cidade. Encomendam um Ford dos EUA e o transformam em uma caminhonete para distribuir medicamentos pelos hospitais da cidade. Depois de 1918, tudo mudou e Paris não era mais a mesma. Esses anos seriam conhecidos como “A Geração Perdida”, um mundo desiludido pela guerra. Essa é a Paris de Hemingway e Fitzgerald, que também se tornam grandes amigos de Gertrude. Eles descrevem uma Paris onde a liberdade é muito grande, mas onde o idealismo desapareceu. A festa de Hemingway é uma festa triste.
Até 1933, Gertrude era conhecida como a patronesse de artistas e a protetora de gênios e não como a escritora que sempre quis ser. Mas, nesse ano, com a publicação do interessante “A Autobriografia de Alice B. Toklas”, tudo mudou. Nesse livro, no qual ela escreve como se fosse sua companheira falando, ela relata as primeiras décadas do século XX na Paris dos artistas com quem conviveu intimamente e a quem muito ajudou. É um testemunho de quem viveu e participou dos movimentos artísticos mais interessantes do início do século XX.
Nos confins da Etiópia, a séculos da modernidade, Hans Silvester fotografou, durante seis anos, tribos onde homens, mulheres, crianças e velhos são gênios de uma arte ancestral. A seus pés, o rio de Omo.
Sobre um triângulo Etíope-Sudanês-Keniano, no grande Vale do Rift que se separa lentamente da África, existe uma região vulcânica que fornece uma imensa paleta de pigmentos: ocre vermelho, argila branca, verde cobre, amarelo luminoso ou o cinza de cinzas.
Eles são gênios da pintura e seus corpos, de dois metros de altura, uma imensa tela. A força de sua arte cabe em três palavras: os dedos, a vitalidade e a liberdade. Eles desenham com as mãos abertas, com a ponta das unhas, às vezes com uma ponta de madeira, um junco, um talo quebrado.
O casal Obama pediu emprestadas 47 obras de arte a museus de Washington para decorar as paredes da Casa Branca, revelando um gosto pela arte moderna e contemporânea e pelo trabalho de artistas representantes de minorias.
As obras selecionadas pelo presidente Barack Obama e sua esposa Michelle foram solicitadas a cinco museus, entre eles a National Gallery of Art e o Museu da Escultura Hirshhorn, indicou a assessoria da primeira-dama.
'Sunset', de Winslow Homer
Entre os quadros escolhidos figuram sete obras de artistas negros, entre as quais uma de Glenn Ligon, artista conceitual que explora os temas da política e da raça utilizando em suas telas textos, neón e fotos.
O pintor William Johnson, do movimento "Harlem Renaissance", está representado por quatro obras naif enquanto que os quadros de Alma Thomas, umas das primeiras pintoras afro-americanas, são pinturas abstratas.
Também foram escolhidas várias peças de barro cozido ou de arte dos nativos americanos. George Catlin, retratista do estilo de vida dos indígenas americanos do século XIX, tem uma dúzia de quadros na Casa Branca.
Entre as obras mais clássicas estão "Sunset", de Winslow Homer, e dois bronzes de bailarinas de Degas, enquanto que os pintores abstratos Mark Rothko, Josef Albers, conceituais como Edward Corbett e Jasper Johns, ou representantes da pop-art como Edward Ruscha estão bem representados.
Do outro lado do Atlântico, além de Degas, há naturezas mortas do pintor italiano Giorgio Morandi junto a uma imagem de Nice, de Nicolas de Staël.
Segundo o conselheiro de arte da Casa Branca, William Allman, a escolha dos Obama "demonstra um interesse pela verdadeira arte moderna".
Jackie Kennedy levou um Cézanne para a Casa Branca e Hillary Clinton gostava de artistas abstratos como Kandinsky ou Kooning e as obras de Georgia O'Keefe.
CBS is located at Vale dos Barris. It was designed to be an ecological and living block. In a microclimate that ranges from the dry heat to damp cold, the application of cork is a good way of thermally isolating the shelter and also providing acoustic insulation for study/sleep. The dynamic facade gives visual interaction when in living-studying mode; in rest-sleep mode it closes to provide privacy for its occupant.
O Museu Colecção Berardo vai alterar o seu horário de funcionamento e passa a estar aberto aos sábados até às 22h. Iniciando um novo ciclo de exposições com a mostra Amália – Coração Independente, o Museu mantém-se aberto todos os dias da semana, das 10h às 19h. O novo horário entra em vigor a partir de 10 Outubro.
É assim que no Brasil, os cearenses chamam a cidade de Cid Gomes, o ex-escoteiro socialista que implantou no sertão uma amostra do american way of life.
Paris e Nova York Sob inspiração francesa, Sobral ergueu seu arco do triunfo. Agora, usa ônibus escolares americanos e incentiva a prática do beisebol.
Encravada no sertão cearense, no Brasil, a cidade de Sobral cultiva estrangeirices com tal entusiasmo que passou a ser conhecida no resto do estado pelo título desta reportagem: "The United States of Sobral". Lá, circulam ônibus escolares americanos (originais), que, além de serem amarelos como os que se veem nos filmes, ainda trazem a inscrição em inglês: School Bus. Lá, pratica-se beisebol – ou uma versão rudimentar do jogo, segundo a confederação brasileira desse esporte. Lá, o Kentucky Derby, uma das mais tradicionais competições do circuito do turfe dos Estados Unidos, inspirou a criação do Derby Club Sobralense. A diferença é que, sob o sol do agreste, os jóqueis treinam com calção de futebol. Lá, a população apelidou o parque da cidade de "Central Park", parodiando seu congênere nova-iorquino. A veia, digamos, cosmopolita de Sobral não é nova, mas ganhou força entre 1997 e 2004, quando a cidade foi administrada por Cid Gomes, do PSB, o atual governador do Ceará. Desde então, já há quem veja semelhanças entre o Rio Acaraú, que corta a cidade, e o Hudson, que banha Nova York.
Antes de Gomes, a cidade mimetizava europeísmos, por obra e graça (muita graça) de um bispo que mandou e desmandou naquelas bandas durante a primeira metade do século XX: dom José Tupynambá da Frota. Ele queria conferir a Sobral um ar francês e, entre outros lampejos geniais, teve a ideia de homenagear Nossa Senhora de Fátima com um monumento inspirado no Arco do Triunfo, erguido em Paris por Napoleão Bonaparte, para comemorar suas vitórias militares. O monumento está localizado na Avenida Boulevard do Arco. Como tem bares e restaurantes, os sobralenses fazem uma associação imediata. "Ela lembra a Champs-Elysées de Paris", diz o colunista social Arnaud Cavalcante. Sob o domínio do socialista Cid Gomes, Sobral passou a se espelhar nos Estados Unidos. Ele começou a imaginar a aparência globalizada de Sobral em 1996, ainda na condição de deputado estadual. Escalado pela assembleia cearense para a árdua tarefa de fazer um périplo pelas câmaras legislativas americanas, Cid voltou dos Estados Unidos cheio de projetos. No ano seguinte, ao assumir a prefeitura, passou a pô-los em prática.
Seu irmão mais velho, Ciro Gomes, ajudou-o a dar os primeiros passos na americanização de Sobral. Em 1998, Ciro, que frequentou um curso de inglês básico na Universidade Harvard, convenceu uma fundação a doar 36 school buses usados para a prefeitura do irmão. O município precisou arcar somente com o frete dos veículos. Pena que houve um inconveniente: no Ceará, não existem peças nem mecânicos especializados para esse tipo de ônibus. Por isso, eles foram sendo encostados à medida que precisavam de manutenção. Dos 36 ônibus, só três ainda estão em circulação. Numa boa iniciativa, inspirada pelo empenho acadêmico do irmão mais velho, o então prefeito Cid resolveu que daria proficiência em inglês aos alunos das escolas públicas. Para tanto, instalou o Palácio de Ciências e Línguas Estrangeiras em um casarão neoclássico onde funcionou aquele que foi o clube mais elegante da cidade, o Palace. Construiu também um museu em memória da missão de cientistas ingleses que foi a Sobral em 1919, para tentar comprovar a teoria da relatividade por meio da observação de um eclipse. Hoje, o prédio abriga um relativamente bom observatório astronômico.
Sob a influência de Cid, a cidade foi adotando costumes de climas temperados. A 27 quilômetros do centro, a Serra da Meruoca, um maciço rochoso de 920 metros de altura, sofisticou-se. Em casas com lareira, os ricos aproveitam temperaturas que dizem ser 15 graus mais baixas do que a média de Sobral (30 graus), para usar seus casacos elegantes – um deles, como não poderia deixar de ser, é Cid. Nos restaurantes da Meruoca, saboreiam-se fondues, sopas e chocolate quente. E um festival de inverno oferece atividades culturais aos turistas. É a Aspen do Ceará.
Paisagem globalizada Um dos carrões "Miami Vice" da polícia local, o museu que celebra Einstein e a versão do turfe americano
No fim de sua gestão como prefeito, Cid patrocinou três equipes de beisebol e prometeu construir um campo exclusivo para a prática do esporte nas margens do Acaraú – que jamais saiu do papel. "Mas, quando ele era prefeito, nós tinhamos prioridade para usar o campo de futebol", pondera Reinaldo Marques Filho, treinador de todos os times de beisebol locais. Marques Filho é amigo de Cid desde a infância, quando eles viviam sempre alertas como escoteiros.
Esses rasgos modernizadores garantiram a Cid uma enorme popularidade. Muitos sobralenses o chamam de "El Cid" e o identificam como o redentor de uma profecia feita pelo bispo Tupynambá da Frota, o do arco do triunfo. Ao morrer, em 1959, ele previu três décadas de estagnação para Sobral – estancada pelo socialista yankee. Hoje, boa parte do maior reduto eleitoral do ex-prefeito e atual governador ainda é abastecida por carros-pipa, não fornece água tratada a toda a população nem dispõe de saneamento. Em Sobral, as principais causas de morte são as doenças infecciosas e parasitárias. Mas as ruas são iluminadas e a polícia se desloca, no confortável estilo "Miami Vice", em carrões equipados com ar-condicionado e câmbio automático. Graças à Votorantim e à Grendene, que empregam 12% da população, o comércio local é vigoroso. Cid agora quer mais um retoque à sua Nova York: metrô. No início do mês, lançou uma licitação para começar as obras. Em Fortaleza, a capital, cuja população é catorze vezes a de Sobral, o metrô local ainda não transportou ninguém. Está sendo construído desde 1999.
No Centro Cultural Dr. Marques Crespo (Estremoz) vai ser inaugurada a 19 de Setembro, a exposição temporária “Antologia de pintura de Gabriela Diaz-Bérrio”, uma organização da Câmara Municipal de Estremoz, através do seu Museu.
O evento termina a 17 de Outubro, estando patente de Terça-Feira a Sábado, sendo a entrada gratuita. Apresenta-nos a autora várias dezenas de pinturas a acrílico sobre tela. Os trabalhos são figurativos, plenos de cor, onde personalidades importantes do mundo das artes e espectáculo, convivem com retratos de pessoas comuns ou saídas do mundo muito próprio de Gabriela. As personagens estão em pose, ou congeladas numa expressão que permaneceu com a autora e que com habilidade conseguiu passar para a tela. Com o retratado convivem objectos (in)animados com significância, que conferem sentido ao discurso plástico, e inteligíveis numa observação mais atenta e cuidada por parte de espectador, que assim ganha para si a tela. O resultado e a evolução do trabalho de Gabriela Diaz-Bérrio estão então nesta exposição, que se entende e quer passar enquanto antologia.
Biografia
Maria Gabriela Teixeira de Sousa Diaz-Bérrio nasceu em Lisboa a 30 de Março de 1958. Com um percurso académico muito variado é na Escola de Artes Decorativas António Arroio, que se liga ás artes.Fez o curso geral de cerâmica, teve como professores, mestre Rogério, mestre Falardo e mestre Querubim Lapa.Sempre gostou de se relacionar com artistas plásticos e escultores como por exemplo; a já falecida Dória Castelo Branco. Por contingências da vida, abandona a cerâmica e mais tarde começa a trabalhar em boutiques, em cinema publicitário e como vendedora de espaços para publicidade numa revista de pesca desportiva. Em 1993, devido a grave doença, passa horas a desenhar para os amigos.Incentivada por Mimi Marçal, é convidada a mostrar os seus trabalhos a Fátima Mateus, também pintora que é sua “Madrinha”, uma vez que é com ela que expõe pela primeira vez em Sousel na “Fescaça 2006”. Desde 1986 que reside em Evoramonte, concelho de Estremoz, local onde tem atelier.
Exposições
2006- Setembro - Fescaça Sousel;
2006- Novembro – Rotary Club de Estremoz – Hotel Páteo dos Solares(colectiva), Estremoz 2007- Jan. / Fev. -Hotel Páteo dos Solares (individual) 2007-Fev. / Mar. – D. Tea Casa de Chá, Estremoz (individual) 2007- Junho - Igreja da Misericórdia Evoramonte (a convite da LACE), Projecto “Castelo Vivo”. (individual) 2007- Dezembro - Casa da Convenção de Evoramonte (a convite da LACE), Projecto “Evoramonte Castelo da Paz”
2008- Dezembro - Amorosa Place (condomínio), Loures2009- Junho – V Bienal de Stª. Maria da Serra (Fátima), (colectiva)
Dias Medievais voltaram ao castelo da vila e fizeram uma viagem ao passado. Terminou domingo, e contou com a visita de cerca 50 mil pessoas.
A vila de Castro Marim recuou até ao espírito da Idade Média e mostrou mais uma edição dos Dias Medievais no Castelo de Castro Marim. Esta, que já é a décima edição do certame, foi povoar as muralhas com guerreiros, engolidores de fogo, encantadores de serpentes e bobos. A realeza também não foi esquecida, nem os poderosos nobres acompanhados por jograis e trovadores. A feira e o mercado medievais foram outros pontos altos, e contou com a presença de mais de 60 artesãos que recriaram ao vivo os ofícios e profissões da época, como o padeiro, o farmacêutico ou o boticário.
A conferir autenticidade à feira, houve um espaço destinado à comercialização de produtos, onde não faltaram o sal, o peixe fresco e seco e o polvo. Nesta, que se pretende uma viagem pelo tempo, houve igualmente torneios de cavalaria, provas de falcoaria e a tenebrosa exibição dos instrumentos de punição e tortura. Como vem sendo tradição, o banquete marcou o arranque da agitação no Castelo, assegurada por várias representações, espectáculos musicais e duelos. A animação dentro das muralhas começou às oito da noite, com um desfile triunfal, seguido por um espectáculo de destreza, música e cor no Terreiro do Castelo. A noite terminou com um concerto a cargo do grupo «Els Berros de la Cort», no palco principal. Na sexta-feira, o destaque foi para a peça «Artes Populares na Idade Média contra o flagelo da Peste», representada pela Companhia de Teatro Vivarte, a partir das 23 horas. Uma hora antes, foi possível escutar um concerto de música Andalusí Magrebi, na Igreja do Castelo.
No terceiro dia do certame, o movimento começou às 17 horas, com a abertura da feira e mercado. Noite fora, já depois das 23 horas, realizou-se mais um Torneio Medieval a Cavalo, a cargo do Esquadrão da GNR do Alentejo e Algarve. No último dia, domingo, foi possível rever o Desfile Medieval pelas ruas de Castro Marim, depois das 16 horas. Duas horas mais tarde, a companhia de teatro Vivarte voltou a entrar em cena para representar um «Juízo de Heréticos e Malfeitores». O final da noite foi assinalado por um espectáculo de lenda e pirotecnia. Os Dias Medievais são uma organização da Câmara Municipal de Castro Marim e fazem parte da programação dos eventos de Verão «Allgarve».
Torturas medievais em exposição Durante os Dias Medievais foi possível visitar no paiol do castelo a exposição «Instrumentos de Tortura e Punição». Nesta mostra foram exibidas réplicas de máquinas de tortura utilizadas na Idade Média, tais como a jaula suspensa, a roda, o empalamento, a forca ou o garrote espanhol, mostrando uma das razões pela qual a Idade Média é apelidada pelos historiadores como «a época das trevas». Os instrumentos de tortura eram normalmente empregues nos interrogatórios judiciais e inquisitoriais, destinados a punir aqueles que tinham cometido qualquer tipo de crime ou para castigar os que eram considerados hereges.
Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, apresentaram-se para um espectáculo na Marina de Albufeira , sábado 29 de Agosto. Para este concerto, a banda veio com o seu mais recente álbum Time of the Gypsies, um registo semelhante aos anteriores, embora sem nunca esquecer as enigmáticas músicas Unza Unza Time!, Pitbull Terrier, Bubamara, entre muitas outras que são parte integrante da história do agrupamento, num concerto que proporcionou uma noite de grande festa em Albufeira.
“No Algarve existe muito talento à espera de ser revelado”
O guionista, realizador e produtor norte-americano Matt Cimber, considera que “no Algarve existe muito talento para fazer cinema, que só está à espera da oportunidade certa para ser revelado”.
Para demonstrar como existe talento na região, disponibilizou-se para dirigir uma longa-metragem onde toda a equipa seja local, incluindo actores, chefias, técnicos e músicos.
Matt Cimber falava, em Faro, durante um Workshop promovido pela ALGARVE FILM COMMISSION, no passado sábado, 15 de Agosto, que atraíu 80 participantes de toda a Região, Alentejo e Grande Lisboa.
Para além de dinamizar o Workshop, esteve três dias na Região tendo visitado várias localizações em Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, que poderão vir a ser cenários dos projectos que tem em preparação.
Durante a iniciativa diria mesmo que “vi paisagens e localizações que facilmente parecem a Califórnia ou o Sul de França, permitindo realizar aqui filmes de vários tipos”.
Matt Cimber acrescentou que “além de paisagens que se podem parecer com outras partes do Mundo, têm tudo o que está ligado à vossa história e ao património e locais únicos, como Sagres, que só existem no Algarve”.
O objectivo do Workshop promovido pela ALGARVE FILM COMMISSION foi familiarizar os participantes com o sistema de produção norte-americano, por forma a identificar as principais oportunidades que se colocam aos técnicos locais sempre que uma produção internacional seja rodada na região.
Matt Cimber começou a sua carreira nos anos 60, dirigindo teatro em Nova Iorque, tendo-se estreado como realizador de cinema em 1968. Desde então, assinou 20 longas-metragens e dezenas de documentários, tendo dirigido actores como Jayne Mansfield, Pia Zadora, Rex Harrison, Orson Welles, entre outros.
A ALGARVE FILM COMMISSION tem como objecto a promoção do desenvolvimento do sector do cinema, multimédia e audiovisual em geral, através da divulgação da Região do Algarve como local para a realização de produções audiovisuais nacionais e internacionais.
A Associação conta com o patrocínio da CCDR ALGARVE, das Câmaras Municipais de LAGOS, PORTIMÃO, TAVIRA, VILA DO BISPO e VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO, assim como com o apoio institucional da RTA – Região de Turismo do Algarve e Teatro Municipal de Faro, EM.
A nível internacional e sócia efectiva da AFCI – Association of Film Commissions Internacional, com sede nos Estados Unidos e da EUFCN – European Film Commissions Network, com sede em Bruxelas.
Os Abba Gold, que protagonizaram o último concerto Allgarve Music, tiveram lotação esgotada, ontem, no Vila Sol SPA & Golf Resort, em Vilamoura, com perto de um milhar de pessoas a recordar os êxitos da mítica banda sueca. “Take a chance on me”, “Waterloo”, “Daning Queen” ou “Mamma Mia”, foram alguns dos êxitos interpretados pelos Abba Gold, num espectáculo que agradou a várias gerações de fãs.
Desde que venceram o Festival Eurovisão da Canção em 1974, os Abba marcaram uma geração e deixaram um legado inigualável, com dezenas de êxitos editados, tendo alcançado a fama mundial.
Joss Stone, Seal, Martinho da Vila e Gilberto Gil, Mariza, Herman José e José Cid foram alguns dos artistas que passaram pelos dez concertos Allgarve Music, que decorreram durante o mês de Agosto em vários palcos da região sul do país.
O Allgarve Music é promovido pelo Turismo de Portugal e Região de Turismo do Algarve, as equipas de reportagem da United Photo Press estiveram presentes em todos os concertos e os internautas podem recordar os melhores momentos aqui: http://www.kulturiart.com/feeds/posts/default
As receitas do Turismo de Portugal na bilheteira dos concertos Allgarve Music revertem a favor de instituições de solidariedade social que actuam na região algarvia.
Roger Hodgson e Aron Mac Donald entraram em palco perante um público maioritariamente britânico que de imediato não regateou aplausos.
Hodgson foi um dos fundadores dos Supertramp em 1969 e durante 14 anos compôs e escreveu alguns dos greatest hits da banda, como "Give a Litle Bit", "The Logical Song", "Dreamer", "Take the Long Way Home", "Breakfast In America" ou "Fools Overture". E foram estes êxitos antigos que puseram o público a dançar e a cantar com Roger e com o seu extraordinário companheiro de palco, de seu nome Aron Mac Donald, exímio executante de sopros. E o público foi cantando "Dreamer", "Give a little Bit", pedindo sempre mais e quase não deixando o artista respirar.
Olhando a assistência verificámos que Manuel Pinho não deixa os créditos do Allgarve Festival por mãos alheias e assiste entusiasmado aos espectáculos que o seu ex-Ministério patrocina. Presente também Desidério Silva, Presidente da Câmara de Albufeira manifestamente satisfeito com a oferta da sua edilidade a turistas e forasteiros. Descobrimos Nuno da Câmara Pereira que atentamente seguia a actuação de Roger Hodgson, talvez fazendo a comparação mental com o fado que interpreta. E quando Roger interpreta "Dreamer" como uma mola o público salta para junto do palco e cantou com o artista uma das melodias mais conhecidas dos Supertramp. De repente começam a ver-se chapéus de chuva a abrirem-se e o pedido era óbvio:" It's raining again". E foi o delírio, chapéus acenando, vozes cantando, palmas a compasso, o público agradecia assim o belo espectáculo que Roger Hodgson tinha proporcionado. Actualmente, este artista multifacetado, que toca teclado, guitarra e piano, actua a solo com uma banda de suporte e colabora em concertos de orquestra, com apresentações em todo o mundo. Zita Ferreira Braga
Televisão, máquina de fazer doido. E foi justamente a partir da linguagem televisiva que surgiu a videoarte. Nascida a partir do cruzamento da arte e tecnologia, a videoarte apesar de ser considerada “de vanguarda”, não é uma ideia nada nova. Eram os anos de 1960 e o mundo das artes passava por uma verdadeira revolução. Cada vez mais as obras articulavam diferentes modalidades de arte, como dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura, desafiando as classificações habituais, questionando o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte. Alguns artistas decidiram ganhar as ruas e produziram intervenções na paisagem urbana. Outros passaram a utilizar o próprio corpo como suporte artístico e converteram suas obras em performances no espaço público. Outros ainda procuraram mesclar os meios e relativizar as fronteiras entre as artes, produzindo objetos e espetáculos híbridos como as instalações e os happenings. E houve também aqueles que foram buscar materiais para experiências estéticas inovadoras nas tecnologias geradoras de imagens. “A videoarte surge de uma crise de suportes tradicionais, como a pintura e a escultura. Na busca por uma nova forma de se expressar, os artistas incorporam o vídeo a sua linguagem e a mídia ganhou uma nova dimensão”, explica Val Sampaio, videoartista e artista plástica paraense. Movimento através do tempo Inovações tecnológicas e a necessidade de romper barreiras permitiram a criação de mais uma forma de arte As primeiras incursões na videoarte no país 40 anos atrás produziram uma arte instigante, independente, moderna e desvinculada de qualquer regra ou padrão pré-estabelecido, um rompimento total com os esquemas estéticos e mercadológicos da pintura de cavalete e a arte das grandes galerias e museus. O vídeo até então era associado com a televisão e aquela fita caseira das suas férias na praia quando criança, não com arte. Era acessível e fácil de usar. Porque não tinha uma estética nem uma história, era simplesmente uma ferramenta, a videoarte não criou nenhuma expectativa. Isso permitiu os pioneiros da nova mídia, nomes como Antonio Dias, Artur Barrio, Iole de Freitas, Lygia Pape, Rubens Gerchman, Agrippino de Paula, Arthur Omar, Antonio Manuel e Hélio Oiticica, a abrir um outro capítulo na história da arte. “Houve uma sincronia entre o que aconteceu lá fora e aqui no Brasil. Acho até por razões tecnológicas inclusive, foi a partir da implementação da tecnologia que se pode interagir com o novo equipamento e experimentar com o suporte. O que se vê então, a partir daí, é a relação do artista com a natureza da imagem eletrônica.”, diz Val.INCOMPREENDIDA É importante notar que o vídeo não é um meio estático. Pintura e escultura podem, a sua maneira, contar uma histórias, mas só o vídeo pode fazer histórias se moverem através do tempo e continuarem se movendo indefinidamente. Porque era relativamente barato, você podia brincar com isso, improvisar e deixar sua imaginação correr durante a edição. Experimentações, claro, resultaram em pretensão, muita pretensão. Teve uma quantidade enorme de vídeos terrivelmente chatos na década de 1970. Mas com certeza teve a mesma quantidade de quadros terrivelmente chatos no mesmo período. E algum desses quadros ainda estão pendurados nos museus enquanto os vídeos estão jogados em alguma prateleira empoeirada. “A videoarte sempre foi meio marginal, incompreendida. É um meio que te impõe um desafio a mais como receptor, porque ele rompe com a ideia tradicional de narrativa. É o meio como obra de arte.”, revela Mariano Klautau, fotógrafo e videoartista paraense. Com o tempo a videoarte ganhou credibilidade, ou seja, achou seu mercado. Os valores de produção aumentaram: melhores equipamentos, cores ricas, projeção em alta definição. As diferenças entre o vídeo e filme paulatinamente começam a desaparecer. Os primeiros videoarte eram mais curtos, contidos e conceituais, como se fossem objetos de arte. Por uma questão estritamente mercadológica, as instalações estavam ainda atreladas ao espaço físico das galerias de arte. Mas hoje em dia, com o advento da internet, a relação desse tipo de trabalho com o mundo da arte estruturado ao redor de museus, galerias e festivais, desfragmentou-se. INTERNET Você pode experienciar através do seu computador, como por exemplo os trabalhos do coletivo de videoartistas franceses do Instants Vídeo (www.instantsvideo.com), em qualquer lugar e a qualquer momento que você queira. Encabeçado pelo diretor francês Marc Mercier, de passagem por Belém como curador de uma oficina e exposição sobre videoarte esta semana, no IAP, o projeto tem como objetivo salvar, digitalizar e classificar uma grande parte do patrimônio europeu da criação de vídeo e multimídia, e disponibilizá-lo na internet. Quebrando a última barreira entre arte e público. “Era uma passagem natural. A videoarte veio inclusive como um movimento de questionamento do espaço da arte. De entender o que é arte e onde pode acontecer. É mais um lugar onde uma coisa não exclui a outra. A videoarte também tem seu espaço nas galerias. Mas, não importa a maneira que os espaços fazem apresentação, a videoarte é uma relação de tempo como obra de arte”, observa Val Sampaio Isso representa uma maneira possível de produzir algo sem a tirania do preciosismo da arte e fora do mercado de arte que vem se transformando atualmente em uma grotesca estrutura que prioriza muito mais o dinheiro e transforma a obra de arte em si em algo pequeno e dispensável. Em um tempo de produção veloz e mercantilização voraz, os videoartistas estão fazendo arte sob uma perspectiva diferente. Eles estão também fazendo arte que outros suportes físicos não podem fazer. E eles estão atingindo audiên-cias de uma maneira totalmente diferente. Afinal de contas, quem precisa de uma galeria de arte quando se tem Youtube?
A sexta edição da Feira Medieval de Silves tomou conta do centro histórico da cidade, entre os dias 8 e 16 de Agosto de 2009, das 18h00 à uma da manhã. Contou com nove dias de recriação fiel do ambiente vivido na antiga capital do Al-Gharb.
Os primeiros dias da Feira foram de influência predominantemente árabe e os últimos dias de influência marcadamente cristã, num esforço de situar historicamente a recriação do espaço e factos dramatizados ao longo dos nove dias do evento nos séculos XI, XII e XIII. Num cenário natural e único no que concerne ao património edificado, do vermelho do grés que coabita com o ocre que pincelou beirais e paredes, passando por pátios e varandas, passaram figuras do povo, do clero ou da nobreza, homens de armas e muitos outros. Entre os sons e os aromas característicos, foram muitos os apelos aos sentidos e ao imaginário de cada um.
Do rio Arade ao Castelo surgiu todo um ambiente de festa e de descoberta contínua. A história foi contada não só através das várias representações, mas também pela cenografia envolvente e por inúmeros apontamentos que surgiram, ora num painel, ora numa exposição, ou até mesmo num edital.
Tudo começou no dia 8, ao som de tambores que rufiaram por toda a cidade. Músicos, bailarinos, outros artistas e personagens juntaram-se e junto ao cais esperaram Ibn Mozaine, nomeado governador de Silves, quando esta cidade integrava o Al-Andalus.
Ao longo dos dias foram recordados os povos que ali viveram, respeitando e valorizando o legado por eles deixado: da judiaria e seu lugar de culto à mesquita e a outros credos, culminando no cristianismo, que terá larga expressão quando D. Paio Peres Correia conquistar definitivamente Silves. Por fim e numa inesquecível viagem pelo tempo, relembraremos como D. Dinis, Senhor e Rei de Portugal e do Algarve, soube administrar, reordenar e fazer poesia.
A animação foi uma constante, da música à representação, sem esquecer a gastronomia, chegando ao pormenor da moeda: no recinto da feira só se pagava com XILB (o câmbio era feito à entrada e à saída). E quem quis abraçar verdadeiramente o espírito medieval pode alugar trajes adequados pelo valor de dois euros (ou, melhor dizendo, 2 XILB).
Vasco Ribeiro, Presidente Internacional da Assembleia Geral da United Photo Press, entrevista a pintora Luz Henriques e o escritor Manuel Sousa na Marina Gallery em Albufeira.
Com uma carreira repleta de grandes discos, Fado em Mim (2001), Fado Curvo (2003), Transparente (2005) e Concerto Em Lisboa (2006), mais o DVD Live In London (2004), todos eles abençoados com uma multiplicação de galardões de Platina, Mariza tornou-se na voz que mais tem popularizado a alma portuguesa a todo o mundo.Em sete anos, Mariza conquistou, à força de alma e de garganta, de disciplina e de trabalho, o estatuto das grandes cantoras universais Amália, Piaf, Elis, Ella, Garland e mais uma mão-cheia de mulheres a quem basta um nome para o reconhecimento imediato e entusiasmado.
Passava das 22h30 quando Ive Mendes subiu ao palco montado nos jardins do Hotel Dom Pedro, em Vilamoura, no passado dia 13 de Agosto, para mais um excelente concerto no âmbito do programa Allgarve. Irradiando simpatia e sensualidade, a cantora e compositora brasileira, que tem conhecido um crescente mas fulgurante sucesso internacional graças à sua música envolvente de fusão onde se misturam os ritmos quentes do jazz e da bossa nova, interpretou temas do seu álbum de estreia (‘Eve Mendes’, 2002) assim como uma versão inédita e belíssima de ‘I don’t wanna talk about it’ de Rod Stewart, incluída na colectânea Lady Jazz que irá ser lançada em Portugal antes do Natal. Sempre muito alegre e dando mostras dum grande à-vontade em palco, Ive Mendes conquistou rapidamente a audiência do Dom Pedro, não só pela qualidade da sua música mas em igual medida pela sua espontaneidade e dom de comunicação, conversando de forma muito natural com o público entre todas as canções e saindo do palco por mais que uma vez, circulando entre as cadeiras, num claro gesto de aproximação às pessoas que partilharam com ela mais uma fantástica noite algarvia. Com o mesmo à-vontade, divertiu o público partilhando um momento de aflição antes do concerto, quando o vestido escolhido para actuar nessa noite se rasgou, fazendo-a usar jeans em palco, pela primeira vez em toda a sua carreira. Entre gargalhadas, contou que acabara por ser mais um episódio para relembrar o seu lema: a única coisa certa que existe é a mudança e recebê-la de braços abertos faz-nos viver mais felizes cada dia que nos é oferecido para viver. O espectáculo que Ive ofereceu ao público de ontem à noite foi seguramente uma dádiva, e constituiu mais um momento musical único com a qualidade a que já nos vêm habituando as edições do programa Allgarve.
Num concerto muito intimista, a cantora brasileira Maria Rita,acompanhada pela Big Band dirigida por Carlos Azevedo e Pedro Guedesda Orquestra Jazz de Matosinhos, actuou no passado dia 5 de Agosto emAlbufeira, no Grande Real Santa Eulália Resort, no âmbito do projecto Allgarve. Apresentando-se bem-disposta e muito alegre, Maria Rita interpretoucerca de uma dezena de temas, quase todos incluídos nos três discos deMaria Rita (“Maria Rita”, de 2003, “Segundo”, de 2005 e “Samba meu”,de 2007) com arranjos originais para a big band a cargo de PedroGuedes. A excepção foi o tema “Soledad”, do cantor uruguaio JorgeDrexler, interpretada ainda no inicio do concerto. Ao longo doespectáculo, Maria Rita tornou-se cada vez mais expressiva e emotiva,com rasgos de uma euforia entusiasmante que contagio todo o publicoque a acompanhava nos refrões das músicas mais conhecidas. Com simplicidade e uma simpatia surpreendente, Maria Rita e a Big Bandproporcionaram um dos mais belos momentos musicais do programa Allgarve de 2009.
De pés descalços mas revestida de musicalidade, a menina prodígio do Soul, Joss Stone, actuou na passada sexta-feira (31/07) em Loulé, no âmbito dos concertos Allgarve Music. A cantora prometera dar “uma verdadeira festa em palco” e não defraudou. Desafiou o público para abandonar as cadeiras e este correspondeu ao repto entregando-se as sonoridades de Soul, R&B e Blues. Abordou temas de todos os álbuns, inclusivamente do último trabalho denominado Colour Me Free. I fell in love with a boy; Baby Baby Baby; You had me; Right to Be Wrong; Don't Cha Wanna Ride e Free me, foram algumas das músicas do repertório que se ouviram no palco montado junto ao monumento Eng. Duarte Pacheco. Em 1987 nasceu na Inglaterra e passou sua adolescência escutando uma grande variedade de géneros musicais interpretados por artistas como Dusty Springfield e Aretha Franklin. Em 2002, viajou rumo à Nova Iorque para uma audição com Steve Greenberg, o chefe do sector executivo da S-Curve Records. Desde então, ela se apresentou com artistas como Blondie e Gladys Knight. Aos 17 anos editou o álbum "The Soul Sessions" e atingiu depressa o estrelato musical. Os três primeiros álbuns venderam mais de 10 milhões de unidades que lhe valeram vários BRIT Awards e um Grammy. Depois de Mind, Body & Soul, álbum lançado em Setembro de 2004, surge em 2007 Introducing Joss Stone. Agora com 22 anos, para além de cantora e compositora, participa como actriz na série dramática The Tudors, em que interpreta o papel de Ana de Clèves.
Com simplicidade e simpatia, que se evidenciavam pelos sorrisos que expressava ao ouvir os piropos do público, a cantora britânica fez-se acompanhar por músicos exímios. Ao som de No woman no cry e oferecendo rosas brancas à audiência “Jossie”, como afectuosamente lhe chamavam, despediu-se e finalizou um concerto encantador.
Com seis álbuns de originais editados e mais de dez discos de platina alcançados pelo mundo fora, Seal tornou-se por direito próprio num dos mais importantes nomes da Soul contemporânea. Na Herdade dos Salgados, em Albufeira, Portugal, Seal deu um dos seus melhores concertos desta tourné, enchendo o recinto com cerca de 8 mil fãns.
Grandes músicas como, Kiss from a Rose ou Fly Like an Eagle fazem parte de uma carreira recheada de grandes êxitos do cantor e compositor britânico, que editou em 2008 o último álbum de originais, Soul.
Teve lugar nos dias 24, 25 e 26 de Julho o V Festival Tribal, pelo terceiro ano consecutivo na Quinta da Bugueira, junto das Termas das Caldas da Felgueira, onde perto de 400 tendas de campistas festivaleiros e 1500 visitantes portugueses e estrangeiros acompanharam durante 3 dias este evento repleto de cultura e misticismo.
Como tem sido habito foi surpreendente a subida em número de campistas 3 dias. No ano 2008, teve perto de 200 residentes e em 2009 o valor aumentou para o dobro. Mais uma vez a organização abriu inscrições para voluntários/colaboradores e todas as 30 vagas foram ocupadas, com pessoas vindas de norte a sul de Portugal, dando mostras de que este evento multicultural e já bem conhecido.
Com o nome do Festival Tribal a crescer todos os anos, a organização começa já a preparar 2010, tendo na forja diversos acordos, protocolos e parcerias agendadas, para a evolução sustentada do maior evento com entradas pagas, organizado e participado por entidades do Concelho de Nelas.
A Civilização Activa agradece o apoio e colaboração de todos os voluntários, colaboradores, entidades públicas e privadas, envolvidas neste projecto.
A Organização Civilização Activa – Promoção de Actividades Culturais, Recreativas e Desportivas
Depois das grandes capitais europeias, Berlim, Paris, Madrid, Lisboa, chegou no passado dia 1 de Agosto a Viseu o evento do ano. Em pleno coração da cidade, com todas as condições de segurança e conforto, decorreu, no sub-solo do Centro Comercial Forum o Viseu Underground. Com toda a comodidade os noctívagos da Região Centro puderam estacionar a sua viatura nos pisos -1 e -2 e aceda ao piso -3 entrar num ambiente único e mágico. Muita animação, bons Dj`s, demonstração de Urban Culture, exposição de tunings, tatuagens, graffities, skaters, bailarinos de hiphop/freestyle, tornaram a noite de sabado bem especial e única.
Martinho da Vila depressa se tornou um dos mais respeitados artistas Brasileiros. O seu primeiro álbum, lançado em 1969, intitulado Martinho da Vila, já demonstrava a extensão do seu talento como compositor e músico. Internacionalmente conhecido como sambista, com várias composições gravadas no exterior, Martinho da Vila é um legítimo representante da Música Popular Brasileira e compositor ecléctico, continuando a ser uma referência musical aos 71 anos. O show em Faro, Algarve, Portugal foi uma prova viva da multidão que cercava o estádio para assistir a mais um clássico da musica brasileira...
Quando falamos de Flamenco temos, obrigatoriamente, de mencionar a Andaluzia e a forte mescla cultural e musical que teve lugar em Espanha ate ao século XVIII. Árabes, Judeus, Hindus, Sírios e Persas são apontados por diversos historiadores como influenciadores no desenvolvimento do que viria a ser chamado de Flamenco. A partir do século XV, e depois da reconquista cristã da Andaluzia pelo Reino de Castela, o que hoje é denominado de Flamenco, sofreu fortes influencias, desta vez, pelos romances de Castela, entre as quais as “coplas” e as “seguidillas”, que ainda hoje se podem identificar nas diferentes formas do Flamenco moderno. Na mesma época, a chegada dos ciganos europeus, provavelmente oriundos do Egipto, também ajudou à gestação do que é hoje conhecido como uma forma de arte por excelência. Depois de se estabelecerem no Sul da Península Ibérica, este povo deparou-se com o folclore Andaluz, que, aparentemente, assimilou e transformou de acordo com as suas raízes culturais, mudando a face desse mesmo estilo. Foi a partir do século XIX que o Flamenco começou a dar os primeiros passos como um estilo distinto que passou do campo para a cidade, onde cresceu à noite em pátios, bares e “ventorros”, iluminado por uma lâmpada de óleo. Depressa, os espectáculos passaram a ser apresentados, regularmente, nos cafés, sendo o café “Los Lombardos”, em Sevilha, apontado como um dos pioneiros. “El Planeta” foi um dos primeiros cantores de Flamenco profissionais de que há memória e não podemos, também, deixar de referir outro nome que ficou intimamente ligado a divulgação do Flamenco. Silverio Franconetti que depois de dedicar toda a sua vida a esta arte como intérprete, acabou por ser um dos grandes promotores do Flamenco do século XIX, inaugurando o primeiro café cantante Flamenco.
Mas o que é o Flamenco?
A origem etimológica da palavra Flamenco não é de todo consensual, havendo diferentes teorias. Por exemplo, a quem aponte para o facto de ter a ver com os próprios animais com o mesmo nome, devido à sua elegância. Também há quem defenda que, devido ao facto de ser o estilo musical dos fellah-mengu (campesinos mouros sem terra), se denominou de Flamenco. Ou por estar intimamente ligado a cultura cigana e aos ciganos, também chamados de “flamencos”, em Espanha. O Flamenco originalmente era apenas cantado (cante), sem acompanhamento, sendo o tradicional acompanhado por uma guitarra (toque), palmas, sapateado e dança (baile). Actualmente, foram introduzidos instrumentos tais como o “cajon” (caixa de repercussão), com o intuito de dar mais vida ao Flamenco. Este estilo musical pode dividir-se em três categorias. A primeira denominada de “Jondo” que é a forma mais tradicional. O Clássico, acompanhada de novas técnicas para a guitarra e dança, que consiste numa forma mais moderna. E o Flamenco Contemporâneo que além de misturar o “Jondo” e o Clássico, também engloba o Jazz e Fusion. O Flamenco passou de uma forma de arte um pouco marginalizada por parte da sociedade, devido as suas raízes, a um ícone da cultura espanhola.
Actualmente, podemos mencionar como mais populares e importantes autores do estilo Flamenco, Paco de Lúcia e Tomatito (guitarra), Camaron de la Isla, Nina Pastori, José Mercê, Rocio Marquez e Cármen Linares (cante), Ojos de Brujo (flamenco contemporâneo).
Entrevista com Alfredo Mesa (guitarra)
NRG: Fala-nos um pouco da historia do Flamenco na tua vida?
AM: Tudo começou com 7 anos numa “rondalla” (grupo musical), onde aprendi o folclore próprio da minha terra, tal como as “alboreas”, “cachuchas”, “la mosca” e o “fandango de Albaicin”. Pouco depois, juntei-me as “juventudes musicales”, onde aprendi a tocar guitarra a um nível elementar (4 anos), e nível médio (6 anos). No entanto, estes estudos foram realizados com uma guitarra clássica porque na altura ainda não existia a especialidade de guitarra flamenca no conservatório. Nesta altura conjugava concertos de flamenco com o gosto pela linguagem instrumental da guitarra. Entretanto, em Córdoba, chegou finalmente a oportunidade de tirar uma licenciatura de guitarra flamenca, oportunidade essa que agarrei sem hesitar visto ser o que ambicionava há já bastante tempo. Ou seja, se juntar todos estes anos de aprendizagem, levo já 14 anos só a estudar guitarra.
NRG: E o que significa para ti tocar e porque começaste?
AM: Para mim, Flamenco é uma forma de vida, é uma droga que me alimentará até ao dia da minha morte. É a música que me acompanha desde pequeno e que me seduz pelo seu ritmo, pela sua tonalidade e pelo seu selvagismo. Quando comecei, era apenas um hobbie mas pouco a pouco tornou-se em algo mais. Desde pequeno, com cerca de 4 anos, costumava pedir pelas portas com um vizinho meu, eu com uma guitarra de plástico e o meu amigo com um acordeão. E pelo natal, sempre pedia uma guitarra como presente.
NRG: O que sentes quando tocas?
AM: Quando toco sinto um alivio tremendo, é como quando alguém tem algo para dizer e só descansa quando deita tudo cá para fora. Transporta-me a um lugar onde estou muito “agusto”. E, nesse lugar, tenho tudo o que necessito.
NRG: Quais as tuas influencias?
AM: As minha influencias são Paco de Lúcia, Manolo Sanlucar, Riqueni e, sobretudo, Camaron de la Isla.
NRG: Que projectos tens em mente?
AM: Como referi antes, acabo de me licenciar em guitarra flamenca, algo que desejava há muito tempo. De resto, tenho uma agenda repleta de concertos, não só em Espanha como também fora, nomeadamente em Portugal, e acima de tudo estar de bem com os meus, comigo mesmo e com os meus amigos. Tudo o resto é secundário.
Noite de Flamenco nos “Jardines de Zoraya”, em Granada
Baile: José Cortes “El Indio” e Judith Cabrera Cante: Raul Sakay Guitarra: Alfredo Mesa
A primeira edição do Festival Rock One vai decorrer no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, de 5 a 8 de Agosto, a partir das 17h00. Durante quatro dias de pura emoção os visitantes poderão ouvir as suas bandas favoritas e desfrutar do melhor que um autódromo pode oferecer. A inaugurar a primeira noite de música vão estar os portugueses Fonzie, seguidos da banda mais esperada da noite, os Linkin Park, Por último, os também portugueses Klepth e o britânico James Morrison. Na segunda noite do evento, dia 6, sobem ao palco Mia Rose, Dub Inc, Os Pontos Negros e os britânicos Bloc Party. No dia 7, será a vez da jovem portuguesa Ana Free, Björn Again, James e também The Waterboys. Na última noite, dia 8, os concertos começam com a actuação das bandas nacionais The Doups e Tara Perdida, seguidos dos britânicos My Bloody Valentine e dos cabeças-de-cartaz, os americanos The Offspring. No final de cada noite, estará ainda no Palco One (palco principal), um DJ de renome internacional, para garantir animação até ao nascer do sol. O Autódromo Internacional do Algarve é o local ideal para acolher este novo conceito de viver a música e o desporto motorizado. O passe para os quatro dias do festival custa 80 euros, enquanto que o bilhete diário custa 50 euros.
Originário de Jersey City (EUA), onde nasceu em 22 de Julho de 1954, é um guitarrista virtuoso, tanto na guitarra eléctrica como na acústica. Trata-se de uma referência na música de fusão, seja com o jazz ou a world music, consequência provável do seu interesse por tradições musicais bem diversas.
Após uma passagem pela prestigiada Berklee School, integrou o mítico Return to Forever (Chick Corea, Stanley Clarke). A sua colaboração com os grandes nomes e a sua discografia são incontornáveis: de Larry Coryell a Jean-Luc Ponty, a Bireli Lagrène, a Stomu Yamashita, Aziza Mustafa ou Steve Winood. Quem não recorda, por exemplo, a associação com McLaughlin e Paco de Lucía?
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora, abriu o Festival Al-Buhera, em Albufeira, no Algarve, actuando na Praça dos Pescadores, pelas 22h30, numa iniciativa inserida no programa “Albufeira Anima”, que até 27 de Setembro decorre nesta cidade de Portugal. É a senhora das mornas, a diva dos pés descalços ou, simplesmente, a maior representante da música de Cabo Verde, e umas das maiores da world music. Regressou a Portugal para protagonizar o momento alto do festival Al-Buhera. Na bagagem veio o novo/velho "Rádio Mindelo", um trabalho que recupera algumas das primeiras canções de Cesária, na companhia do músico e compositor Gregório Gonçalves (quase metade das músicas aqui reunidas são da sua autoria). Os registos, feitos nos anos 60, recordam sessões organizadas pela Rádio Barlavento do Mindelo. A maior parte dos temas nunca tinha sido editada.Cesária Évora nasceu em 1941 no Mindelo, Cabo Verde. Rapidamente se tornou notada pela sua voz, mas a carreira como cantora profissional ainda tardaria. Uma associação de mulheres cabo-verdianas e o cantor Bana trouxeram-na diversas vezes a Lisboa para gravar, mas nenhuma destas gravações despertou a atenção dos produtores portugueses. Em 1988, um jovem francês de origem cabo-verdiana convidou-a a ir a Paris fazer um disco. Cesária tinha 47 anos. Não conhecia Paris e disse sim. Nesse mesmo ano, lançava o primeiro álbum "La Diva aux Pieds Nus". Nascia uma diva: Cize, como é carinhosamente conhecida em Cabo Verde. Sob o lema “Encontro de Culturas”, o festival vai levar até Albufeira, entre hoje e domingo, um conjunto de iniciativas que, além da música, se traduzem em animações de rua, artesanato, mostras de gastronomia e visitas nocturnas a algumas igrejas da cidade. No que à música diz respeito, Cesária Évora foi a grande protagonista da primeira noite, com lotação esgotada do recinto, seguindo-se a actuação dos portugueses Kumpanhia Algazarra, na quinta-feira, dos brasileiros Natiruts, na sexta-feira, dos britânicos Aswad, no sábado, cabendo ao projecto “Amália Hoje” a responsabilidade de encerrar o festival no domingo. O programa “Albufeira Anima”, onde se inclui o Festival Al-Buhera, teve início a 6 de Junho com um concerto de ópera, e termina a 27 de Setembro com as comemorações do Dia Mundial do Turismo. Com um investimento de 400 mil euros, o programa pretende animar os meses de Verão na cidade e levar até Albufeira um maior número de turistas.
O Saxofonista alto, nascido a 24 de Maio de 1989 em Vittoria, Itália, superou todas as espectativas no 15ª festival de Jazz de Loulé. É já considerado um dos talentos mais precoces da história do jazz: - começou a partilhar o palco com músicos de craveira internacional aos nove anos de idade. Um dos mais prestigiados críticos, Ira Gitler, ficou surpreendido quando o ouviu tocar ao lado do veterano pianista Franco DAndrea, em 2002, no festival de Pescara (com 13 anos, portanto!). Um ano depois integrou o septeto de Winton Marsalis na sua tournée europeia. Seguiu-se uma estadia em Nova Orleans e Nova Iorque e, desde então, o trabalho ininterrupto com estrelas como James Williams, Ray Drummond, Bem Riley, Hank Jones, Mulgrew Miller, Joe Lovano, Lewis Nash, George Mraz e todos os grandes músicos italianos. Por outro lado, têmse sucedido os prémios: - Massimo Urbani, Eurojazz Award, Jazz Festivals Organization, World Saxophone Competition, New Stars Award ou o Django dOr. Recentemente, Francesco Cafiso terminou os estudos superiores de flauta e continua os de piano.
Como se de uma viagem temporal se tratasse, a Glenn Miller Orchestra conduziu o público do Centro de Congressos do Arade, em Portimão, rumo à época dourada do swing. Nas últimas décadas, a orquestra actuou em grandes festivais e auditórios como: Festival de Jazz de Edimburgo, Festival de Jazz de Glasgow, Godiva Music Festival, Royal Festival Hall, Barbican Hall londrinense, Palacio de Versalles, Castelo de Windsor, etc. Mas foi no passado 16 de Julho, com casa cheia, que o Allgarve Jazz brindou o auditório com clássicos intemporais como Moonligth serenade, In the mood e Chattanooga Choo Choo, entre outros. Numa noite memorável, o espectáculo foi marcado pela excelência dos cerca de 20 músicos, incluindo cantores e instrumentistas, e por uma constante interacção, requintada com graça, com a audiência. Arranjos elaborados em orquestrações doces e executadas meticulosamente comprovaram o virtuosismo da banda. Os músicos ligam-se ao jazz do grande trombonista e compositor Glenn Miller, um prodígio do período do swing e líder de uma das mais históricas big bands norte-americanas. Após o seu enigmático desaparecimento, em 1944, o seu legado musical foi conservado por duas orquestras que lhe dedicam tributo oficialmente, sendo a Glenn Miller Orchestra a mais distinta. Embora alguns críticos afirmam que o contributo do jazz para a música da sua orquestra foi ténue, é indiscutível que sua sonoridade representa o paradigma da música popular do seu tempo. Fundado no Reino Unido em 1989, a génese deste actual agrupamento deve-se a que, durante a II Guerra Mundial, Glenn Miller serviu o exército norte-americano baseado em Inglaterra, estabelecendo-se assim fortes vínculos com “a sua universal e sedutora música”. Desde então, a orquestra tem preservado a mesma formação sobre o palco que criou o grande músico norte-americano e seu repertório, que inclui mais de 200 temas muitos deles procedentes das partituras originais, entre as quais não podia faltar American Patrol e Tuxedo Junction. I’ve a Gal in Kalamazoo". O actual maestro e director musical, Ray Mcvay, conta com uma longa trajectória profissional de cinco décadas, e é reconhecido como um dos grandes directores do panorama musical no Reino Unido. Tem sido também uma personagem popular na televisão britânica. Durante doze anos participou no programa Come Dancing, onde obteve uma dúzia de prémios pela sua dedicação ao mundo da dança, e conduziu o seu próprio programa de rádio, Monday, Monday, durante quatro anos. A presença da Glenn Miller Orchestra que mantém viva a recordação do fabuloso músico norte-americano. Finalizada, naquele serão, a travessia musical pelos tempos áureos das big bands, o maior festival de Jazz da região algarvia continua com outras propostas musicais como: o Quarteto de Francesco Cafis; Al Di Meola World Sinfonia; Chick Corea & Gary Burton Duets, e o trio composto por Mário Laginha, Bernardo Moreira e o baterista Alexandre Frazão. Grandes músicos em grandes espectáculos.
Texto: Grethel Ceballos Fotos: Carlos Sousa / Manuel Oliveira
O Concerto de Esperanza Spalding, a nova menina prodigio do jazz que teve lugar dia 10 de junho no Sitio das Fontes, inserido no ALLGARVE JAZZ esgotou a lotação e as atenções do público presente. Essa americana com ares de brasileira é realmente incrível. O seu repertório é baseado em um som de jazz super suingado, complexo, moderno, com toques de música brasileira (deve ser o sotaque brasileiro da banda, o guitarrista Ricardinho). Mas apesar de ela cantar muito bem, o que chama a atenção é sua performance como baixista/cantora: a garota de apenas 25 anos detona no baixo elétrico, mas é no acústico que ela realmente chama a atenção. Esperanza não é apenas talentosa; ela consegue transformar um objeto gigantesco que é um baixo acústico de dois metros em um instrumento sensual. Ela age como se tocar, para ela, fosse um verdadeiro ato de amor. Não posso deixar de mencionar a versão maravilhosa que ela fez de 'Wild is the Wind', que ficou famosa nas vozes de Nina Simone e, mais tarde, de David Bowie.
Em poucas palavras, poderíamos dizer que a biografia de Esperanza Spalding corresponde a uma geração de mulheres jazzistas castas: nunca foi presa por porte de drogas ou armas, não está envolvida com a máfia, não tem um amante que a espanca, não tem cinco filhos, não perdeu uma perna ou ficou cega nem, tampouco, passou qualquer temporada na Casa Correcional para Mulheres do Estado de Alderson. Segue assim uma dinastia que passa pelo piano de Diana Krall e pelo veludo na voz de Norah Jones - embora Madeleine Peyroux costume desaparecer meses e ser vista, maltrapilha, bêbada e sem rumo por algumas em ruas americanas.
Em poucas palavras, poderíamos dizer que a biografia de Esperanza Spalding corresponde a uma geração de mulheres jazzistas castas: nunca foi presa por porte de drogas ou armas, não está envolvida com a máfia, não tem um amante que a espanca, não tem cinco filhos, não perdeu uma perna ou ficou cega nem, tampouco, passou qualquer temporada na Casa Correcional para Mulheres do Estado de Alderson. Segue assim uma dinastia que passa pelo piano de Diana Krall e pelo veludo na voz de Norah Jones - embora Madeleine Peyroux costume desaparecer meses e ser vista, maltrapilha, bêbada e sem rumo por algumas em ruas americanas.
Sua história não é, entretanto, pouco bizarra. Tomemos simples eventos: aos quatro anos de idade Esperanza começou a tocar o violino e aos cinco integrava a Sociedade de Música de Câmara de Oregon e aos dez era compositora do grupo, desfilando canções que versavam a respeito de brinquedos e pick-ups vermelhas, seu universo visto dali, sem os arrebatamentos do amor que só conheceria mais tarde.
A pequena Esperanza detestava estudar. Pior do que isso, na adolescência ganhara bolsa de estudos numa escola local bastante privilegiada: aquilo foi horrível! eu odiei, por isso nunca ia, ela conta. Sentava-se na cadeira para assistir a professora e a mente começava a vaguear sabe-se lá por onde. Foi num desses momentos vue d'esprit que entediou-se com um violino e saiu pela sala indo encontrar um baixo acústico que abraçou e imediatamente, a moldes Sidarta, começou uma série de improvisações. Só não cabulava as classes de música; a mãe teve de lhe ensinar coisas da escrita e da leitura em casa ou Esperanza não conseguiria acompanhar o ensino formal junto com os meninos e meninas da sua idade.
Não se sabe se é possível dizer que essa perseverante mãe teve sucesso, para Esperanza Spalding, aos quinze anos, o ensino formal já não fazia mais sentido; ela fora promovida concertista mestre daquela mesma sociedade de música da câmara e estreou num clube de blues como crooner numa banda formada por músicos dos anos 50. Ao final da apresentação, um dos veteranos chamou-a lá fora e perguntou se ela não queria seguir com eles para ver se “assim aprendia realmente tocar alguma coisa”. A senhora Spalding teve de se conformar quando a filha, no ano seguinte, resolveu largar a escola e quem ficou desesperado mesmo foi seu professor de baixo que insistia pra que Esperanza enviasse seu histórico para Berklee, o que fez quase a contra gosto. Ela foi aprovada. Ela conseguiu uma bolsa de estudos integral. Ela não tinha dinheiro para manter-se em Boston. Sugeriram –lhe que fizesse um concerto beneficente mas eu não tinha um ego suficiente isso... fiquei tipo não, não, não . Tudo bem, a essa altura, nossa personagem já mereceria uma título beatífico então, pelo mínimo, seus amigos e fãs angariaram secretamente mil dólares, uma boa quantia que já pagava uns aluguéis em Boston. Mas para os virtuosos nada é fácil e, na nova cidade, Esperanza Spalding agora tinha de andar duas milhas com o baixo às costas para chegar na estação de trem e, de lá na universidade; sorte que estava muito excitada com os acontecimentos, ou desistiria. Veio o inverno ela se viu afundada na neve com o instrumento, foi quando a excitação passou. Voltaria para Portland? Estava em vias disso, ainda mais porque nunca mesmo gostara de colégio, principalmente daquele em que os alunos viviam competindo entre si: e então você descobre esses lugares dentro de si em que voce é vulnerável onde nunca havia sido antes, diz sobre aquele primeiro semestre. Todavia, ficava por teimosia incompreensível o que lhe rendeu frutos, como já podíamos esperar. A academia lhe trouxe conhecimentos e, como Esperanza era considerada a aluna mais talentosa de sua turma, ganhando consecutivas premiações institucionais e, três anos depois tornou-se a professora mais jovem na história da Universidade de Berkley; o prodígio confirmara-se. Junjo, de 2006 é seu álbum de estréia, basicamente instrumental em que ousa em algumas composições. Esperanza também canta, canta ao baixo e com ele dança em expressões nada menos que sensuais. Seu último disco, e aponta para o impactante disco de 2008 “Esperanza” em que passeia por fusões do jazz contemporâneo que flerta com a MPB e a música latina – seus idiomas: inglês, castellano e português.
A sexta edição do Festival MED, uma organização da Câmara Municipal de Loulé, teve a maior adesão de sempre, com 24 mil pessoas a visitarem o recinto nos cinco dias em que decorreu o evento.
Com uma média diária de quase cinco mil pessoas, foi atingido o objectivo de apresentar propostas diversificadas e de qualidade, para todas as idades, sendo o balanço final considerado muito positivo pela organização do Festival MED.
De acordo com Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé, “o Festival MED já é incontestavelmente uma marca da região, tendo garantido uma posição de referência na oferta cultural nacional e internacional, enquanto festival de world music. Consideramos, por isso, que cumprimos o objectivo a que nos propusemos, não só junto dos louletanos, como de todos os que nos visitaram nestes cinco dias intensos de festival”.
Com uma produção que envolveu mais de 1200 elementos acreditados, entre equipas técnicas, artistas, produção, logística, comunicação social, entre outros, esta foi a edição mais exigente e ambiciosa de sempre. No entanto, a opinião é consensual: o MED 2009 foi um sucesso.
Michael Jackson desaparece aos 50 anos e deixa uma das mais duradouras obras da pop.
Os primeiros anos de vida artística de Michael, nascido em Gary, no Estado do Indiana, em 1958, não foram fáceis. O pai e líder do clã Jackson, Joseph, era extremamente severo e normalmente acompanhava os ensaios dos filhos com um cinto na mão. Joseph sabia que a sua ascensão da condição operária em que se encontrava dependia do talento dos filhos e por isso, desde a formação oficial do grupo em 1964, o trabalho duro era a única realidade conhecida por Michael e pelos irmãos. Em 1966, os Jackson Brothers passaram a responder pelo nome de Jackson 5 e o papel de Michael tornou-se mais relevante quando conquistaram um prémio numa mostra de talentos e puderam alargar o seu raio de acção até à cidade de Chicago. As constantes digressões pelo "chitlin circuit" (as salas da costa este e do sul que aceitavam artistas negros na época em que a segregação ainda se fazia sentir) renderam os seus dividendos quando em 1968 os Jackson 5 assinaram um contrato com a poderosa Motown de Berry Gordy. O sucesso chegou imediatamente. Berry Gordy terá percebido desde logo que a sua nova contratação era especial.
O segredo da Motown até aí assentava na ideia de linha de montagem, com especialistas para as fases de escrita, orquestração, produção e execução dos temas a trabalharem para que o produto final se destacasse. Para tratar especialmente dos Jackson 5, Gordy criou A Corporação, uma equipa de que faziam parte ele mesmo, Freddie Perren (que haveria de escrever êxitos para os Sylvers e Gloria Gaynor, entre outros), Deke Richards (que assinou hits das Supremes e Martha & The Vandellas) e Alphonso Mizell (parte dos Mizell Brothers, grandes responsáveis pela definição do som da década de 70 com as suas clássicas produções para gente como Donald Byrd e Bobbi Humphrey, na Blue Note). O resultado da junção de tais talentos criativos foi devastador: os primeiros quatro singles dos Jackson 5 chegaram todos ao primeiro lugar das tabelas - "I Want You Back", "ABC", "The Love You Save" e "I'll Be There" são quatro impressionantes clássicos que serviram de pilar a uma progressão absolutamente incrível da carreira dos Jackson 5 e sobretudo de Michael Jackson. Em 1971, apenas um ano depois de "I'll Be There", Michael estreava-se a solo com o álbum Got To Be There , a forma encontrada pela Motown para fazer concorrência directa à estreia a solo de um membro de uma outra família musical muito famosa - Danny Osmond, dos Osmonds.
A história não deixa dúvidas sobre quem terá ganho essa disputa... Ben , de 1972, foi o álbum seguinte de Michael, que se mantinha nos Jackson 5 ao mesmo tempo que impulsionava a sua carreira a solo. Music & Me , de 1973 , e Forever, Michael , de 1975, foram os dois últimos registos de Michael na Motown, com o apropriadamente intitulado Moving Violation , também de 75, a ser o derradeiro trabalho dos Jackson 5 para a mesma editora.. A Epic, selo discográfico mais tarde adquirido pelo gigante Sony, foi o passo seguinte dos irmãos Jackson que deixaram na casa de Berry Gordy não apenas a sua designação oficial - a partir de 76 os Jackson 5 passaram a ser conhecidos apenas por The Jacksons - mas também o segundo irmão mais carismático, Jermaine, que por ser casado com uma filha do patrão da Motown acabou por não acompanhar a família nessa "moving violation". Joseph Jackson, o pai, comentou o facto na época: "é o meu sangue que corre nas veias de Jermaine, não o de Berry Gordy." Em 1978, Michael assumiu o papel do Espantalho na adaptação cinematográfica do espectáculo da Broadway "The Wiz", uma nova leitura do clássico "The Wonderful Wizard of Oz" de L. Frank Baum. Com um cast inteiramente afro-americano - que registava participações de Diana Ross e Richard Pryor - dirigido por Sidney Lumet, "The Wiz" contava com a participação de Quincy Jones nas orquestrações dos temas escritos por Charlie Smalls e Luther Vandross.
O filme foi um tremendo falhanço de bilheteira e crítica, mas aproximou Quincy Jones e Michael Jackson que não tardariam a fazer história. Michael e Quincy Quincy Jones é uma verdadeira lenda. Nascido em 1933, em Chicago, aos 18 anos já tinha deixado claro que a música seria o seu futuro, quando aceitou levar o seu trompete em digressão com o lendário Lionel Hampton. Ainda na década de 50, Jones andou em digressão com Dizzy Gillespie e, em 1957, mudou-se para a mais permissiva Paris, onde estudou, entre outros, com Oliver Messiaen, um dos maiores compositores eruditos do século XX. No mesmo ano em que os Jackson 5 nasciam, 1964, Jones tornou-se no primeiro vice-presidente negro de uma grande companhia discográfica, mais propriamente da Mercury Records. Jones tinha passado por um mau bocado antes de chegar à Mercury e declarou à revista Musician que esse foi também um período de aprendizagem: "Nós tínhamos literalmente a melhor banda de jazz do planeta, mas mesmo assim passávamos fome. Foi então que descobri que existe a música e o negócio da música. Para sobreviver, tive que aprender a diferença entre os dois." Pode dizer-se que Jones tornou-se um especialista nessa preciosa diferença e não tardou a aplicar esse talento na descoberta de fenómenos musicais: em 1963, Lesley Gore, descoberta por Quincy, chegou a número 1 com o clássico "It's My Party".
Outra área em que Quincy se notabilizou foi a escrita para cinema e aí também foi pioneiro, pois não era terreno fértil para compositores negros. A convite de Sidney Lumet (o mesmo de "The Wiz"...), Quincy Jones assinou a banda sonora de "The Pawnbroker", a primeira de uma série de bandas sonoras clássicas com o seu carimbo, como "The Italian Job" ou "In the Heat of The Night", precursoras da explosão de talento negro nos grandes ecrãs com a Blaxploitation dos anos 70. Quando Michael conheceu Quincy no set de "The Wiz" não teve dúvidas e convidou o produtor e orquestrador para trabalhar na sua estreia a solo no catálogo da Epic que levaria o título de Off The Wall. Editado em finais de 1979, Off The Wall é produto de uma época em que a música negra atravessava um período de transformação. Os dias do disco sound estavam a chegar ao fim e a nova época trazia consigo a promessa de um funk mais angular apoiado nas novas tecnologias electrónicas. Richard Cook, no já citado artigo de capa da Wire, descreve Off The wall como "um passo em frente na carreira de Michael, da mesma forma que Music of My Mind tinha sido um passo em frente para esse outro menino-prodígio da Motown, Stevie Wonder, quase dez anos antes."
Com Rod Temperton (músico e compositor britânico que fez parte dos Heatwave, o grupo multi-nacional - com americanos, ingleses, um espanhol, um checo e um jamaicano a bordo! - que obteve enorme sucesso com o clássico "Boogie Nights") de serviço, Quincy criou um álbum que definitivamente impôs Michael como o mais popular dos artistas negros da sua época, muito graças ao enorme impacto de temas como "Don't Stop Til You Get Enough" ou "Rock With You" que levaram Off the Wall a ter um comportamento de excepção na Billboard: 48 semanas no Top 20 que se traduziram em 20 milhões de cópias vendidas em todo o mundo! Thriller Em 1984, quando foram divulgadas as até então inéditas 12 nomeações do homem de Thriller para os Grammys, o New York Times escrevia que "no mundo da música pop há Michael Jackson de um lado e todas as outras pessoas do outro". O incrível dessa frase é que quando foi originalmente publicada não continha o mínimo exagero porque, de facto, Michael era um singular caso de sucesso e talento. Gravado entre Abril e Novembro de 1982, Thriller contou com a colaboração de vários dos membros dos então líderes do rock mais adulto, os Toto, que nesse mesmo ano tinham visto a sua reputação aumentar graças ao enorme sucesso do tema "Africa" (impressionante obra-prima AOR!).
Por esta altura, tudo indica que Quincy Jones já tinha dominado na perfeição a diferença entre música e negócio, conseguindo conjugar as duas faces da mesma moeda de forma absolutamente perfeita. Richard Cook escrevia em 1991 que "o que eleva este disco é a forma como Jackson ilumina os valores de produção absolutamente perfeitos de Jones com uma personalidade explosiva." Ou seja, Thriller , pode dizer-se, é um disco sem falhas que traduz a sua época (ver caixa) ao mesmo tempo que antecipa o futuro numa produção absolutamente visionária encimada por uma interpretação de puro génio. "Billie Jean", "Beat It" ou "Thriller" são canções a todos os títulos perfeitas que Michael transformou em poderosos clássicos que teimosamente recusam a passagem do tempo: todos os anos saem para o mercado de djs bootlegs desses temas que provam a sua eterna vitalidade nas pistas de dança. Em 1984, a Time Magazine descrevia Michael como "estrela de discos, rádio e vídeos rock. Uma equipa de um só homem capaz de salvar a indústria. Um escritor de canções que estabelece o ritmo para uma década. Um bailarino com os pés mais sofisticados da rua.
Um cantor que atravessa todas as divisões de estilo, gosto e até cor. Michael Jackson, 25 anos de idade." Thriller era um álbum com 9 temas. Sete chegaram ao top 10 de singles. E isso tem que querer dizer alguma coisa. Sozinho, Thriller deu à indústria discográfica uma das melhores performances até à época. E também estabeleceu uma nova fasquia para o sucesso de um artista: em 84, John Branca, advogado de Michael, explicava à revista Time que o seu cliente tinha uma das mais altas percentagens de royalties do país que se traduziam em dois dólares por cada unidade vendida. Multiplicando esses dois dólares pelos 100 milhões de cópias vendidas é fácil perceber de onde veio a vida de luxo extremo levada por Michael a partir do rancho Neverland equipado com o seu próprio parque de diversões e zoo privado. Thriller, 25 anos depois Vinte e cinco anos passados sobre a edição de Thriller deixam claro que Michael nunca mais atingiu a fasquia desse álbum (apesar de haver momentos especiais em Bad , o álbum que marca a última colaboração com Quincy Jones, como são os casos de "Smooth Criminal" e "Man in the Mirror"), mas também que a pop nunca mais foi a mesma. Michael ajudou a transformar a pop num negócio global e, de certa forma, foi uma vítima dessa nova realidade, vendo a sua vida exposta nos media de todo o mundo.
Homem profundamente perturbado, teve problemas com a lei devido ao seu relacionamento com menores que muitas testemunhas descreveram em tribunal ser pouco saudável, para usar um eufemismo. Também não lidou com a paternidade da melhor forma e o episódio do filho pendurado numa janela de hotel foi mais uma das manchas na sua vida. Desaparece agora deixando uma obra ímpar e colossal. E, pode dizer-se, com ele morre uma era.
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