A sexta edição da Feira Medieval de Silves tomou conta do centro histórico da cidade, entre os dias 8 e 16 de Agosto de 2009, das 18h00 à uma da manhã. Contou com nove dias de recriação fiel do ambiente vivido na antiga capital do Al-Gharb.
Os primeiros dias da Feira foram de influência predominantemente árabe e os últimos dias de influência marcadamente cristã, num esforço de situar historicamente a recriação do espaço e factos dramatizados ao longo dos nove dias do evento nos séculos XI, XII e XIII. Num cenário natural e único no que concerne ao património edificado, do vermelho do grés que coabita com o ocre que pincelou beirais e paredes, passando por pátios e varandas, passaram figuras do povo, do clero ou da nobreza, homens de armas e muitos outros. Entre os sons e os aromas característicos, foram muitos os apelos aos sentidos e ao imaginário de cada um.
Do rio Arade ao Castelo surgiu todo um ambiente de festa e de descoberta contínua. A história foi contada não só através das várias representações, mas também pela cenografia envolvente e por inúmeros apontamentos que surgiram, ora num painel, ora numa exposição, ou até mesmo num edital.
Tudo começou no dia 8, ao som de tambores que rufiaram por toda a cidade. Músicos, bailarinos, outros artistas e personagens juntaram-se e junto ao cais esperaram Ibn Mozaine, nomeado governador de Silves, quando esta cidade integrava o Al-Andalus.
Ao longo dos dias foram recordados os povos que ali viveram, respeitando e valorizando o legado por eles deixado: da judiaria e seu lugar de culto à mesquita e a outros credos, culminando no cristianismo, que terá larga expressão quando D. Paio Peres Correia conquistar definitivamente Silves. Por fim e numa inesquecível viagem pelo tempo, relembraremos como D. Dinis, Senhor e Rei de Portugal e do Algarve, soube administrar, reordenar e fazer poesia.
A animação foi uma constante, da música à representação, sem esquecer a gastronomia, chegando ao pormenor da moeda: no recinto da feira só se pagava com XILB (o câmbio era feito à entrada e à saída). E quem quis abraçar verdadeiramente o espírito medieval pode alugar trajes adequados pelo valor de dois euros (ou, melhor dizendo, 2 XILB).
Vasco Ribeiro, Presidente Internacional da Assembleia Geral da United Photo Press, entrevista a pintora Luz Henriques e o escritor Manuel Sousa na Marina Gallery em Albufeira.
Com uma carreira repleta de grandes discos, Fado em Mim (2001), Fado Curvo (2003), Transparente (2005) e Concerto Em Lisboa (2006), mais o DVD Live In London (2004), todos eles abençoados com uma multiplicação de galardões de Platina, Mariza tornou-se na voz que mais tem popularizado a alma portuguesa a todo o mundo.Em sete anos, Mariza conquistou, à força de alma e de garganta, de disciplina e de trabalho, o estatuto das grandes cantoras universais Amália, Piaf, Elis, Ella, Garland e mais uma mão-cheia de mulheres a quem basta um nome para o reconhecimento imediato e entusiasmado.
Passava das 22h30 quando Ive Mendes subiu ao palco montado nos jardins do Hotel Dom Pedro, em Vilamoura, no passado dia 13 de Agosto, para mais um excelente concerto no âmbito do programa Allgarve. Irradiando simpatia e sensualidade, a cantora e compositora brasileira, que tem conhecido um crescente mas fulgurante sucesso internacional graças à sua música envolvente de fusão onde se misturam os ritmos quentes do jazz e da bossa nova, interpretou temas do seu álbum de estreia (‘Eve Mendes’, 2002) assim como uma versão inédita e belíssima de ‘I don’t wanna talk about it’ de Rod Stewart, incluída na colectânea Lady Jazz que irá ser lançada em Portugal antes do Natal. Sempre muito alegre e dando mostras dum grande à-vontade em palco, Ive Mendes conquistou rapidamente a audiência do Dom Pedro, não só pela qualidade da sua música mas em igual medida pela sua espontaneidade e dom de comunicação, conversando de forma muito natural com o público entre todas as canções e saindo do palco por mais que uma vez, circulando entre as cadeiras, num claro gesto de aproximação às pessoas que partilharam com ela mais uma fantástica noite algarvia. Com o mesmo à-vontade, divertiu o público partilhando um momento de aflição antes do concerto, quando o vestido escolhido para actuar nessa noite se rasgou, fazendo-a usar jeans em palco, pela primeira vez em toda a sua carreira. Entre gargalhadas, contou que acabara por ser mais um episódio para relembrar o seu lema: a única coisa certa que existe é a mudança e recebê-la de braços abertos faz-nos viver mais felizes cada dia que nos é oferecido para viver. O espectáculo que Ive ofereceu ao público de ontem à noite foi seguramente uma dádiva, e constituiu mais um momento musical único com a qualidade a que já nos vêm habituando as edições do programa Allgarve.
Num concerto muito intimista, a cantora brasileira Maria Rita,acompanhada pela Big Band dirigida por Carlos Azevedo e Pedro Guedesda Orquestra Jazz de Matosinhos, actuou no passado dia 5 de Agosto emAlbufeira, no Grande Real Santa Eulália Resort, no âmbito do projecto Allgarve. Apresentando-se bem-disposta e muito alegre, Maria Rita interpretoucerca de uma dezena de temas, quase todos incluídos nos três discos deMaria Rita (“Maria Rita”, de 2003, “Segundo”, de 2005 e “Samba meu”,de 2007) com arranjos originais para a big band a cargo de PedroGuedes. A excepção foi o tema “Soledad”, do cantor uruguaio JorgeDrexler, interpretada ainda no inicio do concerto. Ao longo doespectáculo, Maria Rita tornou-se cada vez mais expressiva e emotiva,com rasgos de uma euforia entusiasmante que contagio todo o publicoque a acompanhava nos refrões das músicas mais conhecidas. Com simplicidade e uma simpatia surpreendente, Maria Rita e a Big Bandproporcionaram um dos mais belos momentos musicais do programa Allgarve de 2009.
De pés descalços mas revestida de musicalidade, a menina prodígio do Soul, Joss Stone, actuou na passada sexta-feira (31/07) em Loulé, no âmbito dos concertos Allgarve Music. A cantora prometera dar “uma verdadeira festa em palco” e não defraudou. Desafiou o público para abandonar as cadeiras e este correspondeu ao repto entregando-se as sonoridades de Soul, R&B e Blues. Abordou temas de todos os álbuns, inclusivamente do último trabalho denominado Colour Me Free. I fell in love with a boy; Baby Baby Baby; You had me; Right to Be Wrong; Don't Cha Wanna Ride e Free me, foram algumas das músicas do repertório que se ouviram no palco montado junto ao monumento Eng. Duarte Pacheco. Em 1987 nasceu na Inglaterra e passou sua adolescência escutando uma grande variedade de géneros musicais interpretados por artistas como Dusty Springfield e Aretha Franklin. Em 2002, viajou rumo à Nova Iorque para uma audição com Steve Greenberg, o chefe do sector executivo da S-Curve Records. Desde então, ela se apresentou com artistas como Blondie e Gladys Knight. Aos 17 anos editou o álbum "The Soul Sessions" e atingiu depressa o estrelato musical. Os três primeiros álbuns venderam mais de 10 milhões de unidades que lhe valeram vários BRIT Awards e um Grammy. Depois de Mind, Body & Soul, álbum lançado em Setembro de 2004, surge em 2007 Introducing Joss Stone. Agora com 22 anos, para além de cantora e compositora, participa como actriz na série dramática The Tudors, em que interpreta o papel de Ana de Clèves.
Com simplicidade e simpatia, que se evidenciavam pelos sorrisos que expressava ao ouvir os piropos do público, a cantora britânica fez-se acompanhar por músicos exímios. Ao som de No woman no cry e oferecendo rosas brancas à audiência “Jossie”, como afectuosamente lhe chamavam, despediu-se e finalizou um concerto encantador.
Com seis álbuns de originais editados e mais de dez discos de platina alcançados pelo mundo fora, Seal tornou-se por direito próprio num dos mais importantes nomes da Soul contemporânea. Na Herdade dos Salgados, em Albufeira, Portugal, Seal deu um dos seus melhores concertos desta tourné, enchendo o recinto com cerca de 8 mil fãns.
Grandes músicas como, Kiss from a Rose ou Fly Like an Eagle fazem parte de uma carreira recheada de grandes êxitos do cantor e compositor britânico, que editou em 2008 o último álbum de originais, Soul.
Teve lugar nos dias 24, 25 e 26 de Julho o V Festival Tribal, pelo terceiro ano consecutivo na Quinta da Bugueira, junto das Termas das Caldas da Felgueira, onde perto de 400 tendas de campistas festivaleiros e 1500 visitantes portugueses e estrangeiros acompanharam durante 3 dias este evento repleto de cultura e misticismo.
Como tem sido habito foi surpreendente a subida em número de campistas 3 dias. No ano 2008, teve perto de 200 residentes e em 2009 o valor aumentou para o dobro. Mais uma vez a organização abriu inscrições para voluntários/colaboradores e todas as 30 vagas foram ocupadas, com pessoas vindas de norte a sul de Portugal, dando mostras de que este evento multicultural e já bem conhecido.
Com o nome do Festival Tribal a crescer todos os anos, a organização começa já a preparar 2010, tendo na forja diversos acordos, protocolos e parcerias agendadas, para a evolução sustentada do maior evento com entradas pagas, organizado e participado por entidades do Concelho de Nelas.
A Civilização Activa agradece o apoio e colaboração de todos os voluntários, colaboradores, entidades públicas e privadas, envolvidas neste projecto.
A Organização Civilização Activa – Promoção de Actividades Culturais, Recreativas e Desportivas
Depois das grandes capitais europeias, Berlim, Paris, Madrid, Lisboa, chegou no passado dia 1 de Agosto a Viseu o evento do ano. Em pleno coração da cidade, com todas as condições de segurança e conforto, decorreu, no sub-solo do Centro Comercial Forum o Viseu Underground. Com toda a comodidade os noctívagos da Região Centro puderam estacionar a sua viatura nos pisos -1 e -2 e aceda ao piso -3 entrar num ambiente único e mágico. Muita animação, bons Dj`s, demonstração de Urban Culture, exposição de tunings, tatuagens, graffities, skaters, bailarinos de hiphop/freestyle, tornaram a noite de sabado bem especial e única.
Martinho da Vila depressa se tornou um dos mais respeitados artistas Brasileiros. O seu primeiro álbum, lançado em 1969, intitulado Martinho da Vila, já demonstrava a extensão do seu talento como compositor e músico. Internacionalmente conhecido como sambista, com várias composições gravadas no exterior, Martinho da Vila é um legítimo representante da Música Popular Brasileira e compositor ecléctico, continuando a ser uma referência musical aos 71 anos. O show em Faro, Algarve, Portugal foi uma prova viva da multidão que cercava o estádio para assistir a mais um clássico da musica brasileira...
Quando falamos de Flamenco temos, obrigatoriamente, de mencionar a Andaluzia e a forte mescla cultural e musical que teve lugar em Espanha ate ao século XVIII. Árabes, Judeus, Hindus, Sírios e Persas são apontados por diversos historiadores como influenciadores no desenvolvimento do que viria a ser chamado de Flamenco. A partir do século XV, e depois da reconquista cristã da Andaluzia pelo Reino de Castela, o que hoje é denominado de Flamenco, sofreu fortes influencias, desta vez, pelos romances de Castela, entre as quais as “coplas” e as “seguidillas”, que ainda hoje se podem identificar nas diferentes formas do Flamenco moderno. Na mesma época, a chegada dos ciganos europeus, provavelmente oriundos do Egipto, também ajudou à gestação do que é hoje conhecido como uma forma de arte por excelência. Depois de se estabelecerem no Sul da Península Ibérica, este povo deparou-se com o folclore Andaluz, que, aparentemente, assimilou e transformou de acordo com as suas raízes culturais, mudando a face desse mesmo estilo. Foi a partir do século XIX que o Flamenco começou a dar os primeiros passos como um estilo distinto que passou do campo para a cidade, onde cresceu à noite em pátios, bares e “ventorros”, iluminado por uma lâmpada de óleo. Depressa, os espectáculos passaram a ser apresentados, regularmente, nos cafés, sendo o café “Los Lombardos”, em Sevilha, apontado como um dos pioneiros. “El Planeta” foi um dos primeiros cantores de Flamenco profissionais de que há memória e não podemos, também, deixar de referir outro nome que ficou intimamente ligado a divulgação do Flamenco. Silverio Franconetti que depois de dedicar toda a sua vida a esta arte como intérprete, acabou por ser um dos grandes promotores do Flamenco do século XIX, inaugurando o primeiro café cantante Flamenco.
Mas o que é o Flamenco?
A origem etimológica da palavra Flamenco não é de todo consensual, havendo diferentes teorias. Por exemplo, a quem aponte para o facto de ter a ver com os próprios animais com o mesmo nome, devido à sua elegância. Também há quem defenda que, devido ao facto de ser o estilo musical dos fellah-mengu (campesinos mouros sem terra), se denominou de Flamenco. Ou por estar intimamente ligado a cultura cigana e aos ciganos, também chamados de “flamencos”, em Espanha. O Flamenco originalmente era apenas cantado (cante), sem acompanhamento, sendo o tradicional acompanhado por uma guitarra (toque), palmas, sapateado e dança (baile). Actualmente, foram introduzidos instrumentos tais como o “cajon” (caixa de repercussão), com o intuito de dar mais vida ao Flamenco. Este estilo musical pode dividir-se em três categorias. A primeira denominada de “Jondo” que é a forma mais tradicional. O Clássico, acompanhada de novas técnicas para a guitarra e dança, que consiste numa forma mais moderna. E o Flamenco Contemporâneo que além de misturar o “Jondo” e o Clássico, também engloba o Jazz e Fusion. O Flamenco passou de uma forma de arte um pouco marginalizada por parte da sociedade, devido as suas raízes, a um ícone da cultura espanhola.
Actualmente, podemos mencionar como mais populares e importantes autores do estilo Flamenco, Paco de Lúcia e Tomatito (guitarra), Camaron de la Isla, Nina Pastori, José Mercê, Rocio Marquez e Cármen Linares (cante), Ojos de Brujo (flamenco contemporâneo).
Entrevista com Alfredo Mesa (guitarra)
NRG: Fala-nos um pouco da historia do Flamenco na tua vida?
AM: Tudo começou com 7 anos numa “rondalla” (grupo musical), onde aprendi o folclore próprio da minha terra, tal como as “alboreas”, “cachuchas”, “la mosca” e o “fandango de Albaicin”. Pouco depois, juntei-me as “juventudes musicales”, onde aprendi a tocar guitarra a um nível elementar (4 anos), e nível médio (6 anos). No entanto, estes estudos foram realizados com uma guitarra clássica porque na altura ainda não existia a especialidade de guitarra flamenca no conservatório. Nesta altura conjugava concertos de flamenco com o gosto pela linguagem instrumental da guitarra. Entretanto, em Córdoba, chegou finalmente a oportunidade de tirar uma licenciatura de guitarra flamenca, oportunidade essa que agarrei sem hesitar visto ser o que ambicionava há já bastante tempo. Ou seja, se juntar todos estes anos de aprendizagem, levo já 14 anos só a estudar guitarra.
NRG: E o que significa para ti tocar e porque começaste?
AM: Para mim, Flamenco é uma forma de vida, é uma droga que me alimentará até ao dia da minha morte. É a música que me acompanha desde pequeno e que me seduz pelo seu ritmo, pela sua tonalidade e pelo seu selvagismo. Quando comecei, era apenas um hobbie mas pouco a pouco tornou-se em algo mais. Desde pequeno, com cerca de 4 anos, costumava pedir pelas portas com um vizinho meu, eu com uma guitarra de plástico e o meu amigo com um acordeão. E pelo natal, sempre pedia uma guitarra como presente.
NRG: O que sentes quando tocas?
AM: Quando toco sinto um alivio tremendo, é como quando alguém tem algo para dizer e só descansa quando deita tudo cá para fora. Transporta-me a um lugar onde estou muito “agusto”. E, nesse lugar, tenho tudo o que necessito.
NRG: Quais as tuas influencias?
AM: As minha influencias são Paco de Lúcia, Manolo Sanlucar, Riqueni e, sobretudo, Camaron de la Isla.
NRG: Que projectos tens em mente?
AM: Como referi antes, acabo de me licenciar em guitarra flamenca, algo que desejava há muito tempo. De resto, tenho uma agenda repleta de concertos, não só em Espanha como também fora, nomeadamente em Portugal, e acima de tudo estar de bem com os meus, comigo mesmo e com os meus amigos. Tudo o resto é secundário.
Noite de Flamenco nos “Jardines de Zoraya”, em Granada
Baile: José Cortes “El Indio” e Judith Cabrera Cante: Raul Sakay Guitarra: Alfredo Mesa
A primeira edição do Festival Rock One vai decorrer no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, de 5 a 8 de Agosto, a partir das 17h00. Durante quatro dias de pura emoção os visitantes poderão ouvir as suas bandas favoritas e desfrutar do melhor que um autódromo pode oferecer. A inaugurar a primeira noite de música vão estar os portugueses Fonzie, seguidos da banda mais esperada da noite, os Linkin Park, Por último, os também portugueses Klepth e o britânico James Morrison. Na segunda noite do evento, dia 6, sobem ao palco Mia Rose, Dub Inc, Os Pontos Negros e os britânicos Bloc Party. No dia 7, será a vez da jovem portuguesa Ana Free, Björn Again, James e também The Waterboys. Na última noite, dia 8, os concertos começam com a actuação das bandas nacionais The Doups e Tara Perdida, seguidos dos britânicos My Bloody Valentine e dos cabeças-de-cartaz, os americanos The Offspring. No final de cada noite, estará ainda no Palco One (palco principal), um DJ de renome internacional, para garantir animação até ao nascer do sol. O Autódromo Internacional do Algarve é o local ideal para acolher este novo conceito de viver a música e o desporto motorizado. O passe para os quatro dias do festival custa 80 euros, enquanto que o bilhete diário custa 50 euros.
Originário de Jersey City (EUA), onde nasceu em 22 de Julho de 1954, é um guitarrista virtuoso, tanto na guitarra eléctrica como na acústica. Trata-se de uma referência na música de fusão, seja com o jazz ou a world music, consequência provável do seu interesse por tradições musicais bem diversas.
Após uma passagem pela prestigiada Berklee School, integrou o mítico Return to Forever (Chick Corea, Stanley Clarke). A sua colaboração com os grandes nomes e a sua discografia são incontornáveis: de Larry Coryell a Jean-Luc Ponty, a Bireli Lagrène, a Stomu Yamashita, Aziza Mustafa ou Steve Winood. Quem não recorda, por exemplo, a associação com McLaughlin e Paco de Lucía?
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora, abriu o Festival Al-Buhera, em Albufeira, no Algarve, actuando na Praça dos Pescadores, pelas 22h30, numa iniciativa inserida no programa “Albufeira Anima”, que até 27 de Setembro decorre nesta cidade de Portugal. É a senhora das mornas, a diva dos pés descalços ou, simplesmente, a maior representante da música de Cabo Verde, e umas das maiores da world music. Regressou a Portugal para protagonizar o momento alto do festival Al-Buhera. Na bagagem veio o novo/velho "Rádio Mindelo", um trabalho que recupera algumas das primeiras canções de Cesária, na companhia do músico e compositor Gregório Gonçalves (quase metade das músicas aqui reunidas são da sua autoria). Os registos, feitos nos anos 60, recordam sessões organizadas pela Rádio Barlavento do Mindelo. A maior parte dos temas nunca tinha sido editada.Cesária Évora nasceu em 1941 no Mindelo, Cabo Verde. Rapidamente se tornou notada pela sua voz, mas a carreira como cantora profissional ainda tardaria. Uma associação de mulheres cabo-verdianas e o cantor Bana trouxeram-na diversas vezes a Lisboa para gravar, mas nenhuma destas gravações despertou a atenção dos produtores portugueses. Em 1988, um jovem francês de origem cabo-verdiana convidou-a a ir a Paris fazer um disco. Cesária tinha 47 anos. Não conhecia Paris e disse sim. Nesse mesmo ano, lançava o primeiro álbum "La Diva aux Pieds Nus". Nascia uma diva: Cize, como é carinhosamente conhecida em Cabo Verde. Sob o lema “Encontro de Culturas”, o festival vai levar até Albufeira, entre hoje e domingo, um conjunto de iniciativas que, além da música, se traduzem em animações de rua, artesanato, mostras de gastronomia e visitas nocturnas a algumas igrejas da cidade. No que à música diz respeito, Cesária Évora foi a grande protagonista da primeira noite, com lotação esgotada do recinto, seguindo-se a actuação dos portugueses Kumpanhia Algazarra, na quinta-feira, dos brasileiros Natiruts, na sexta-feira, dos britânicos Aswad, no sábado, cabendo ao projecto “Amália Hoje” a responsabilidade de encerrar o festival no domingo. O programa “Albufeira Anima”, onde se inclui o Festival Al-Buhera, teve início a 6 de Junho com um concerto de ópera, e termina a 27 de Setembro com as comemorações do Dia Mundial do Turismo. Com um investimento de 400 mil euros, o programa pretende animar os meses de Verão na cidade e levar até Albufeira um maior número de turistas.
O Saxofonista alto, nascido a 24 de Maio de 1989 em Vittoria, Itália, superou todas as espectativas no 15ª festival de Jazz de Loulé. É já considerado um dos talentos mais precoces da história do jazz: - começou a partilhar o palco com músicos de craveira internacional aos nove anos de idade. Um dos mais prestigiados críticos, Ira Gitler, ficou surpreendido quando o ouviu tocar ao lado do veterano pianista Franco DAndrea, em 2002, no festival de Pescara (com 13 anos, portanto!). Um ano depois integrou o septeto de Winton Marsalis na sua tournée europeia. Seguiu-se uma estadia em Nova Orleans e Nova Iorque e, desde então, o trabalho ininterrupto com estrelas como James Williams, Ray Drummond, Bem Riley, Hank Jones, Mulgrew Miller, Joe Lovano, Lewis Nash, George Mraz e todos os grandes músicos italianos. Por outro lado, têmse sucedido os prémios: - Massimo Urbani, Eurojazz Award, Jazz Festivals Organization, World Saxophone Competition, New Stars Award ou o Django dOr. Recentemente, Francesco Cafiso terminou os estudos superiores de flauta e continua os de piano.
Como se de uma viagem temporal se tratasse, a Glenn Miller Orchestra conduziu o público do Centro de Congressos do Arade, em Portimão, rumo à época dourada do swing. Nas últimas décadas, a orquestra actuou em grandes festivais e auditórios como: Festival de Jazz de Edimburgo, Festival de Jazz de Glasgow, Godiva Music Festival, Royal Festival Hall, Barbican Hall londrinense, Palacio de Versalles, Castelo de Windsor, etc. Mas foi no passado 16 de Julho, com casa cheia, que o Allgarve Jazz brindou o auditório com clássicos intemporais como Moonligth serenade, In the mood e Chattanooga Choo Choo, entre outros. Numa noite memorável, o espectáculo foi marcado pela excelência dos cerca de 20 músicos, incluindo cantores e instrumentistas, e por uma constante interacção, requintada com graça, com a audiência. Arranjos elaborados em orquestrações doces e executadas meticulosamente comprovaram o virtuosismo da banda. Os músicos ligam-se ao jazz do grande trombonista e compositor Glenn Miller, um prodígio do período do swing e líder de uma das mais históricas big bands norte-americanas. Após o seu enigmático desaparecimento, em 1944, o seu legado musical foi conservado por duas orquestras que lhe dedicam tributo oficialmente, sendo a Glenn Miller Orchestra a mais distinta. Embora alguns críticos afirmam que o contributo do jazz para a música da sua orquestra foi ténue, é indiscutível que sua sonoridade representa o paradigma da música popular do seu tempo. Fundado no Reino Unido em 1989, a génese deste actual agrupamento deve-se a que, durante a II Guerra Mundial, Glenn Miller serviu o exército norte-americano baseado em Inglaterra, estabelecendo-se assim fortes vínculos com “a sua universal e sedutora música”. Desde então, a orquestra tem preservado a mesma formação sobre o palco que criou o grande músico norte-americano e seu repertório, que inclui mais de 200 temas muitos deles procedentes das partituras originais, entre as quais não podia faltar American Patrol e Tuxedo Junction. I’ve a Gal in Kalamazoo". O actual maestro e director musical, Ray Mcvay, conta com uma longa trajectória profissional de cinco décadas, e é reconhecido como um dos grandes directores do panorama musical no Reino Unido. Tem sido também uma personagem popular na televisão britânica. Durante doze anos participou no programa Come Dancing, onde obteve uma dúzia de prémios pela sua dedicação ao mundo da dança, e conduziu o seu próprio programa de rádio, Monday, Monday, durante quatro anos. A presença da Glenn Miller Orchestra que mantém viva a recordação do fabuloso músico norte-americano. Finalizada, naquele serão, a travessia musical pelos tempos áureos das big bands, o maior festival de Jazz da região algarvia continua com outras propostas musicais como: o Quarteto de Francesco Cafis; Al Di Meola World Sinfonia; Chick Corea & Gary Burton Duets, e o trio composto por Mário Laginha, Bernardo Moreira e o baterista Alexandre Frazão. Grandes músicos em grandes espectáculos.
Texto: Grethel Ceballos Fotos: Carlos Sousa / Manuel Oliveira
O Concerto de Esperanza Spalding, a nova menina prodigio do jazz que teve lugar dia 10 de junho no Sitio das Fontes, inserido no ALLGARVE JAZZ esgotou a lotação e as atenções do público presente. Essa americana com ares de brasileira é realmente incrível. O seu repertório é baseado em um som de jazz super suingado, complexo, moderno, com toques de música brasileira (deve ser o sotaque brasileiro da banda, o guitarrista Ricardinho). Mas apesar de ela cantar muito bem, o que chama a atenção é sua performance como baixista/cantora: a garota de apenas 25 anos detona no baixo elétrico, mas é no acústico que ela realmente chama a atenção. Esperanza não é apenas talentosa; ela consegue transformar um objeto gigantesco que é um baixo acústico de dois metros em um instrumento sensual. Ela age como se tocar, para ela, fosse um verdadeiro ato de amor. Não posso deixar de mencionar a versão maravilhosa que ela fez de 'Wild is the Wind', que ficou famosa nas vozes de Nina Simone e, mais tarde, de David Bowie.
Em poucas palavras, poderíamos dizer que a biografia de Esperanza Spalding corresponde a uma geração de mulheres jazzistas castas: nunca foi presa por porte de drogas ou armas, não está envolvida com a máfia, não tem um amante que a espanca, não tem cinco filhos, não perdeu uma perna ou ficou cega nem, tampouco, passou qualquer temporada na Casa Correcional para Mulheres do Estado de Alderson. Segue assim uma dinastia que passa pelo piano de Diana Krall e pelo veludo na voz de Norah Jones - embora Madeleine Peyroux costume desaparecer meses e ser vista, maltrapilha, bêbada e sem rumo por algumas em ruas americanas.
Em poucas palavras, poderíamos dizer que a biografia de Esperanza Spalding corresponde a uma geração de mulheres jazzistas castas: nunca foi presa por porte de drogas ou armas, não está envolvida com a máfia, não tem um amante que a espanca, não tem cinco filhos, não perdeu uma perna ou ficou cega nem, tampouco, passou qualquer temporada na Casa Correcional para Mulheres do Estado de Alderson. Segue assim uma dinastia que passa pelo piano de Diana Krall e pelo veludo na voz de Norah Jones - embora Madeleine Peyroux costume desaparecer meses e ser vista, maltrapilha, bêbada e sem rumo por algumas em ruas americanas.
Sua história não é, entretanto, pouco bizarra. Tomemos simples eventos: aos quatro anos de idade Esperanza começou a tocar o violino e aos cinco integrava a Sociedade de Música de Câmara de Oregon e aos dez era compositora do grupo, desfilando canções que versavam a respeito de brinquedos e pick-ups vermelhas, seu universo visto dali, sem os arrebatamentos do amor que só conheceria mais tarde.
A pequena Esperanza detestava estudar. Pior do que isso, na adolescência ganhara bolsa de estudos numa escola local bastante privilegiada: aquilo foi horrível! eu odiei, por isso nunca ia, ela conta. Sentava-se na cadeira para assistir a professora e a mente começava a vaguear sabe-se lá por onde. Foi num desses momentos vue d'esprit que entediou-se com um violino e saiu pela sala indo encontrar um baixo acústico que abraçou e imediatamente, a moldes Sidarta, começou uma série de improvisações. Só não cabulava as classes de música; a mãe teve de lhe ensinar coisas da escrita e da leitura em casa ou Esperanza não conseguiria acompanhar o ensino formal junto com os meninos e meninas da sua idade.
Não se sabe se é possível dizer que essa perseverante mãe teve sucesso, para Esperanza Spalding, aos quinze anos, o ensino formal já não fazia mais sentido; ela fora promovida concertista mestre daquela mesma sociedade de música da câmara e estreou num clube de blues como crooner numa banda formada por músicos dos anos 50. Ao final da apresentação, um dos veteranos chamou-a lá fora e perguntou se ela não queria seguir com eles para ver se “assim aprendia realmente tocar alguma coisa”. A senhora Spalding teve de se conformar quando a filha, no ano seguinte, resolveu largar a escola e quem ficou desesperado mesmo foi seu professor de baixo que insistia pra que Esperanza enviasse seu histórico para Berklee, o que fez quase a contra gosto. Ela foi aprovada. Ela conseguiu uma bolsa de estudos integral. Ela não tinha dinheiro para manter-se em Boston. Sugeriram –lhe que fizesse um concerto beneficente mas eu não tinha um ego suficiente isso... fiquei tipo não, não, não . Tudo bem, a essa altura, nossa personagem já mereceria uma título beatífico então, pelo mínimo, seus amigos e fãs angariaram secretamente mil dólares, uma boa quantia que já pagava uns aluguéis em Boston. Mas para os virtuosos nada é fácil e, na nova cidade, Esperanza Spalding agora tinha de andar duas milhas com o baixo às costas para chegar na estação de trem e, de lá na universidade; sorte que estava muito excitada com os acontecimentos, ou desistiria. Veio o inverno ela se viu afundada na neve com o instrumento, foi quando a excitação passou. Voltaria para Portland? Estava em vias disso, ainda mais porque nunca mesmo gostara de colégio, principalmente daquele em que os alunos viviam competindo entre si: e então você descobre esses lugares dentro de si em que voce é vulnerável onde nunca havia sido antes, diz sobre aquele primeiro semestre. Todavia, ficava por teimosia incompreensível o que lhe rendeu frutos, como já podíamos esperar. A academia lhe trouxe conhecimentos e, como Esperanza era considerada a aluna mais talentosa de sua turma, ganhando consecutivas premiações institucionais e, três anos depois tornou-se a professora mais jovem na história da Universidade de Berkley; o prodígio confirmara-se. Junjo, de 2006 é seu álbum de estréia, basicamente instrumental em que ousa em algumas composições. Esperanza também canta, canta ao baixo e com ele dança em expressões nada menos que sensuais. Seu último disco, e aponta para o impactante disco de 2008 “Esperanza” em que passeia por fusões do jazz contemporâneo que flerta com a MPB e a música latina – seus idiomas: inglês, castellano e português.
A sexta edição do Festival MED, uma organização da Câmara Municipal de Loulé, teve a maior adesão de sempre, com 24 mil pessoas a visitarem o recinto nos cinco dias em que decorreu o evento.
Com uma média diária de quase cinco mil pessoas, foi atingido o objectivo de apresentar propostas diversificadas e de qualidade, para todas as idades, sendo o balanço final considerado muito positivo pela organização do Festival MED.
De acordo com Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé, “o Festival MED já é incontestavelmente uma marca da região, tendo garantido uma posição de referência na oferta cultural nacional e internacional, enquanto festival de world music. Consideramos, por isso, que cumprimos o objectivo a que nos propusemos, não só junto dos louletanos, como de todos os que nos visitaram nestes cinco dias intensos de festival”.
Com uma produção que envolveu mais de 1200 elementos acreditados, entre equipas técnicas, artistas, produção, logística, comunicação social, entre outros, esta foi a edição mais exigente e ambiciosa de sempre. No entanto, a opinião é consensual: o MED 2009 foi um sucesso.
Michael Jackson desaparece aos 50 anos e deixa uma das mais duradouras obras da pop.
Os primeiros anos de vida artística de Michael, nascido em Gary, no Estado do Indiana, em 1958, não foram fáceis. O pai e líder do clã Jackson, Joseph, era extremamente severo e normalmente acompanhava os ensaios dos filhos com um cinto na mão. Joseph sabia que a sua ascensão da condição operária em que se encontrava dependia do talento dos filhos e por isso, desde a formação oficial do grupo em 1964, o trabalho duro era a única realidade conhecida por Michael e pelos irmãos. Em 1966, os Jackson Brothers passaram a responder pelo nome de Jackson 5 e o papel de Michael tornou-se mais relevante quando conquistaram um prémio numa mostra de talentos e puderam alargar o seu raio de acção até à cidade de Chicago. As constantes digressões pelo "chitlin circuit" (as salas da costa este e do sul que aceitavam artistas negros na época em que a segregação ainda se fazia sentir) renderam os seus dividendos quando em 1968 os Jackson 5 assinaram um contrato com a poderosa Motown de Berry Gordy. O sucesso chegou imediatamente. Berry Gordy terá percebido desde logo que a sua nova contratação era especial.
O segredo da Motown até aí assentava na ideia de linha de montagem, com especialistas para as fases de escrita, orquestração, produção e execução dos temas a trabalharem para que o produto final se destacasse. Para tratar especialmente dos Jackson 5, Gordy criou A Corporação, uma equipa de que faziam parte ele mesmo, Freddie Perren (que haveria de escrever êxitos para os Sylvers e Gloria Gaynor, entre outros), Deke Richards (que assinou hits das Supremes e Martha & The Vandellas) e Alphonso Mizell (parte dos Mizell Brothers, grandes responsáveis pela definição do som da década de 70 com as suas clássicas produções para gente como Donald Byrd e Bobbi Humphrey, na Blue Note). O resultado da junção de tais talentos criativos foi devastador: os primeiros quatro singles dos Jackson 5 chegaram todos ao primeiro lugar das tabelas - "I Want You Back", "ABC", "The Love You Save" e "I'll Be There" são quatro impressionantes clássicos que serviram de pilar a uma progressão absolutamente incrível da carreira dos Jackson 5 e sobretudo de Michael Jackson. Em 1971, apenas um ano depois de "I'll Be There", Michael estreava-se a solo com o álbum Got To Be There , a forma encontrada pela Motown para fazer concorrência directa à estreia a solo de um membro de uma outra família musical muito famosa - Danny Osmond, dos Osmonds.
A história não deixa dúvidas sobre quem terá ganho essa disputa... Ben , de 1972, foi o álbum seguinte de Michael, que se mantinha nos Jackson 5 ao mesmo tempo que impulsionava a sua carreira a solo. Music & Me , de 1973 , e Forever, Michael , de 1975, foram os dois últimos registos de Michael na Motown, com o apropriadamente intitulado Moving Violation , também de 75, a ser o derradeiro trabalho dos Jackson 5 para a mesma editora.. A Epic, selo discográfico mais tarde adquirido pelo gigante Sony, foi o passo seguinte dos irmãos Jackson que deixaram na casa de Berry Gordy não apenas a sua designação oficial - a partir de 76 os Jackson 5 passaram a ser conhecidos apenas por The Jacksons - mas também o segundo irmão mais carismático, Jermaine, que por ser casado com uma filha do patrão da Motown acabou por não acompanhar a família nessa "moving violation". Joseph Jackson, o pai, comentou o facto na época: "é o meu sangue que corre nas veias de Jermaine, não o de Berry Gordy." Em 1978, Michael assumiu o papel do Espantalho na adaptação cinematográfica do espectáculo da Broadway "The Wiz", uma nova leitura do clássico "The Wonderful Wizard of Oz" de L. Frank Baum. Com um cast inteiramente afro-americano - que registava participações de Diana Ross e Richard Pryor - dirigido por Sidney Lumet, "The Wiz" contava com a participação de Quincy Jones nas orquestrações dos temas escritos por Charlie Smalls e Luther Vandross.
O filme foi um tremendo falhanço de bilheteira e crítica, mas aproximou Quincy Jones e Michael Jackson que não tardariam a fazer história. Michael e Quincy Quincy Jones é uma verdadeira lenda. Nascido em 1933, em Chicago, aos 18 anos já tinha deixado claro que a música seria o seu futuro, quando aceitou levar o seu trompete em digressão com o lendário Lionel Hampton. Ainda na década de 50, Jones andou em digressão com Dizzy Gillespie e, em 1957, mudou-se para a mais permissiva Paris, onde estudou, entre outros, com Oliver Messiaen, um dos maiores compositores eruditos do século XX. No mesmo ano em que os Jackson 5 nasciam, 1964, Jones tornou-se no primeiro vice-presidente negro de uma grande companhia discográfica, mais propriamente da Mercury Records. Jones tinha passado por um mau bocado antes de chegar à Mercury e declarou à revista Musician que esse foi também um período de aprendizagem: "Nós tínhamos literalmente a melhor banda de jazz do planeta, mas mesmo assim passávamos fome. Foi então que descobri que existe a música e o negócio da música. Para sobreviver, tive que aprender a diferença entre os dois." Pode dizer-se que Jones tornou-se um especialista nessa preciosa diferença e não tardou a aplicar esse talento na descoberta de fenómenos musicais: em 1963, Lesley Gore, descoberta por Quincy, chegou a número 1 com o clássico "It's My Party".
Outra área em que Quincy se notabilizou foi a escrita para cinema e aí também foi pioneiro, pois não era terreno fértil para compositores negros. A convite de Sidney Lumet (o mesmo de "The Wiz"...), Quincy Jones assinou a banda sonora de "The Pawnbroker", a primeira de uma série de bandas sonoras clássicas com o seu carimbo, como "The Italian Job" ou "In the Heat of The Night", precursoras da explosão de talento negro nos grandes ecrãs com a Blaxploitation dos anos 70. Quando Michael conheceu Quincy no set de "The Wiz" não teve dúvidas e convidou o produtor e orquestrador para trabalhar na sua estreia a solo no catálogo da Epic que levaria o título de Off The Wall. Editado em finais de 1979, Off The Wall é produto de uma época em que a música negra atravessava um período de transformação. Os dias do disco sound estavam a chegar ao fim e a nova época trazia consigo a promessa de um funk mais angular apoiado nas novas tecnologias electrónicas. Richard Cook, no já citado artigo de capa da Wire, descreve Off The wall como "um passo em frente na carreira de Michael, da mesma forma que Music of My Mind tinha sido um passo em frente para esse outro menino-prodígio da Motown, Stevie Wonder, quase dez anos antes."
Com Rod Temperton (músico e compositor britânico que fez parte dos Heatwave, o grupo multi-nacional - com americanos, ingleses, um espanhol, um checo e um jamaicano a bordo! - que obteve enorme sucesso com o clássico "Boogie Nights") de serviço, Quincy criou um álbum que definitivamente impôs Michael como o mais popular dos artistas negros da sua época, muito graças ao enorme impacto de temas como "Don't Stop Til You Get Enough" ou "Rock With You" que levaram Off the Wall a ter um comportamento de excepção na Billboard: 48 semanas no Top 20 que se traduziram em 20 milhões de cópias vendidas em todo o mundo! Thriller Em 1984, quando foram divulgadas as até então inéditas 12 nomeações do homem de Thriller para os Grammys, o New York Times escrevia que "no mundo da música pop há Michael Jackson de um lado e todas as outras pessoas do outro". O incrível dessa frase é que quando foi originalmente publicada não continha o mínimo exagero porque, de facto, Michael era um singular caso de sucesso e talento. Gravado entre Abril e Novembro de 1982, Thriller contou com a colaboração de vários dos membros dos então líderes do rock mais adulto, os Toto, que nesse mesmo ano tinham visto a sua reputação aumentar graças ao enorme sucesso do tema "Africa" (impressionante obra-prima AOR!).
Por esta altura, tudo indica que Quincy Jones já tinha dominado na perfeição a diferença entre música e negócio, conseguindo conjugar as duas faces da mesma moeda de forma absolutamente perfeita. Richard Cook escrevia em 1991 que "o que eleva este disco é a forma como Jackson ilumina os valores de produção absolutamente perfeitos de Jones com uma personalidade explosiva." Ou seja, Thriller , pode dizer-se, é um disco sem falhas que traduz a sua época (ver caixa) ao mesmo tempo que antecipa o futuro numa produção absolutamente visionária encimada por uma interpretação de puro génio. "Billie Jean", "Beat It" ou "Thriller" são canções a todos os títulos perfeitas que Michael transformou em poderosos clássicos que teimosamente recusam a passagem do tempo: todos os anos saem para o mercado de djs bootlegs desses temas que provam a sua eterna vitalidade nas pistas de dança. Em 1984, a Time Magazine descrevia Michael como "estrela de discos, rádio e vídeos rock. Uma equipa de um só homem capaz de salvar a indústria. Um escritor de canções que estabelece o ritmo para uma década. Um bailarino com os pés mais sofisticados da rua.
Um cantor que atravessa todas as divisões de estilo, gosto e até cor. Michael Jackson, 25 anos de idade." Thriller era um álbum com 9 temas. Sete chegaram ao top 10 de singles. E isso tem que querer dizer alguma coisa. Sozinho, Thriller deu à indústria discográfica uma das melhores performances até à época. E também estabeleceu uma nova fasquia para o sucesso de um artista: em 84, John Branca, advogado de Michael, explicava à revista Time que o seu cliente tinha uma das mais altas percentagens de royalties do país que se traduziam em dois dólares por cada unidade vendida. Multiplicando esses dois dólares pelos 100 milhões de cópias vendidas é fácil perceber de onde veio a vida de luxo extremo levada por Michael a partir do rancho Neverland equipado com o seu próprio parque de diversões e zoo privado. Thriller, 25 anos depois Vinte e cinco anos passados sobre a edição de Thriller deixam claro que Michael nunca mais atingiu a fasquia desse álbum (apesar de haver momentos especiais em Bad , o álbum que marca a última colaboração com Quincy Jones, como são os casos de "Smooth Criminal" e "Man in the Mirror"), mas também que a pop nunca mais foi a mesma. Michael ajudou a transformar a pop num negócio global e, de certa forma, foi uma vítima dessa nova realidade, vendo a sua vida exposta nos media de todo o mundo.
Homem profundamente perturbado, teve problemas com a lei devido ao seu relacionamento com menores que muitas testemunhas descreveram em tribunal ser pouco saudável, para usar um eufemismo. Também não lidou com a paternidade da melhor forma e o episódio do filho pendurado numa janela de hotel foi mais uma das manchas na sua vida. Desaparece agora deixando uma obra ímpar e colossal. E, pode dizer-se, com ele morre uma era.
Primeiros humanos modernos da Alemanha produziram instrumentos. Matéria-prima foi osso e marfim; para pesquisadores, é a origem da música.
A asa de um abutre e presas de mamute serviram de matéria-prima para produzir os mais antigos instrumentos musicais do mundo, afirma um estudo na edição desta semana da revista científica "Nature". São flautas encontradas em cavernas do sudoeste da Alemanha, testemunhas de uma aparente explosão de criatividade que tomou conta dos primeiros seres humanos a colonizarem a Europa.
As flautas de osso (a mais completa e bem preservada) e de marfim foram encontradas e analisadas pela equipe de Nicholas J. Conard, arqueólogo da Universidade de Tübingen (Alemanha) que é um dos maiores especialistas nessa aparente Semana de Arte Moderna que aconteceu há cerca de 35 mil anos, na Europa da Idade do Gelo.
A escavação; no detalhe da flecha, os fragmentos das flautas de marfim (Foto: M. Malina/Universidade de Tübingen)
Depois de remontada, a flauta de osso de abutre revelou ter quase 22 cm de comprimento (embora ela não esteja inteira, até onde os pesquisadores podem estimar; pode ser que ela fosse ainda mais comprida). Com cinco buracos para os dedos, os arqueólogos estimam que ele pudesse produzir uma variedade de notas tão grande quanto a da maioria das flautas modernas.
Antes da descoberta, alguns pesquisadores tinham proposto que os neandertais, nossos parentes extintos mais próximos, também tinham tradições musicais. No entanto, os instrumentos alemães apresentam a primeira prova inequívoca da existência de música entre seres humanos modernos ou seus parentes. Na mesma época, artes como a pintura e a escultura também estavam emergindo na Europa.
Vão com calma e passeiem neste longo quadro. Desloquem o cursor de um lado para o outro. Logo que apareçam os quadrados brancos cliquem neles. É um quadro chinês muito célebre. As pessoas fazem fila de horas no museu de Xangai para o ver. O quadro foi pintado cerca de 1085-1145, durante a dinastia da "Canção do Norte". Foi repintado durante a dinastia Qing. Mede 5,28m de comprimento e 24,8cm de altura. É considerado como um dos grandes tesouros da China e foi exposto no museu de arte de Hong-Kong no ano passado.
HAL 9000, um grupo italiano especializado em restauro e preservação de obras de arte, colocou na Net uma gigantesca imagem de 8,6 gigapixels de um fresco italiano de 1513, existente na Igreja de Santa Maria delleGrazie, em Varalli Sesia, na Itália, da autoria de GaudenzioFerrarri, um dos grandes mestres do Renascimento. O grupo afirma ser a maior fotografia de alta resolução do mundo. O resultado final é surpreendente. A possibilidade de ampliar a imagem até ao mínimo pormenor, leva ovisitante a conhecer a obra de arte com um detalhe que, de outra forma,seria impossível. O Requiem de Mozart que acompanha a visualização da imagem torna aexperiência ainda mais atraente.
Depois dos Quadro Nuevo a abrir o Festival no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a norte-americana Maria Shneider fez as honras de abertura do Festival Matosinhos em Jazz 2009 no auditório da Exponor na noite de 14 de Maio. A compositora e directora da orquestra com o seu nome e uma das referências do jazz contemporâneo, dirigiu a Orquestra de Jazz de Matosinhos num programa preenchido por obras suas.
Um concerto para toda a família, em que sobressaiu a sonoridade encorpada, segura e pronta para qualquer desafio da Orquestra de Jazz de Matosinhos. Para tocar a música de Maria Schneider, a formação ensaiou apenas durante três dias com a compositora. Quem não soubesse diria, certamente, que estava ali o fruto de um longo trabalho.Seguiu-se Maria Anadon no dia 15, considerada por muitos a melhor voz feminina do jazz nacional e o sexteto liderado por Arturo Sandoval, fundador do grupo mais místico da música cubana, Irakere, e o melhor instrumentista, entre 1982 e 1990 da música cubana.
Foram alguns dias de concertos e de múltiplas actividades paralelas que culminaram no dia 16 de Maio com as actuações do jovem guitarrista Sandro Norton, um filho da terra, que se apresentou em versão noneto, bem como o Trumpet Summit, um projecto iniciado em 1995 para o Festival francês Jazz in Marciac, que tem vindo a reunir em palco alguns dos mais talentosos trompetistas da actualidade.Foi, assim, da melhor forma, que terminou mais um Festival Internacional Matosinhos em Jazz, um certame cujo sucesso se deve ao saber e à experiência acumulada que faz atrair um público cada vez mais exigente e diferenciado.
Obras de 16 artistas plásticos formam panorama atual das artes visuais brasileiras.
A exposição Conexões reúne obras de 16 artistas que fazem parte do circuito brasileiro de artes, de 15 a 30 de maio, no Centro Cultural Raul de Leoni, em Petrópolis. Um dos objetivos da mostra é estimular, entre os visitantes, a reflexão sobre a diversidade da produção artística contemporânea brasileira. A Conexões acontece no âmbito da XIII Mostra Minimalista, que aborda outras manifestações artísticas como o teatro e a dança.
A exposição tem curadoria de Gláucia Mayer, também artista plástica, que selecionou os trabalhos no intuito de apresentar ao público um recorte variado de artistas que utilizam diferentes tipos de suporte, como pintura, escultura, objetos e vídeo.
Além de a curadoria ter sido formulada sob a ótica de um artista, ela buscou facilitar a comunicação com o público de várias formas. “Pedi aos artistas para que escrevessem sobre os seus trabalhos, mas com uma linguagem menos formal, mais livre.”, explica Gláucia Mayer, que também disponibilizará um email para esclarecer dúvidas e fornecer informações ao público interessado.
Os artistas - Entre os artistas convidados figuram nomes, como o de Gustavo Speridião, destaque da nova geração de artistas; Pedro Varela - que recentemente teve exposição solo na galeira A Gentil Carioca - e Carolina Ponte, que atualmente vivem e trabalham no México; e João Penoni, radicado em Londres.
Além deles, participam outros artistas cariocas — além dos petropolitanos Juliana Nicolay, Nelson Ricardo e Rosa Paranhos — que vem produzindo interessantes trabalhos em linguagens contemporâneas. Neste sentido, a Conexões será uma excelente oportunidade para o público conhecer e refletir sobre a arte que feita no Brasil hoje.
Artistas participantes: Ana Luisa Flores, Andrei Müller e Gustavo Speridião, Carolina Ponte, Cris Oliveira, Flávia Metzler, Gabriela Mureb, João Penoni, Juliana Nicolay, Leonardo Ayres, Marcelo Mello, Nelson Ricardo, Pedro Varela, Pontogor, Rodrigo Torres, Rosa Paranhos, Tatiana Dager
De 15 a 30 de maio.de 2009, de segunda a sábado de 13h às 19h - domingo de 12h às 17h, n Centro de Cultura Raul de Leoni, Praça Visconde de Mauá, 305 – Centro Histórico, Praça Visconde de Mauá, 305 – Centro Telefone: (24) 2247-3747. Informações ao público: conexões@glauciamayer.com.br Entrada Gratuita.
A exposição de Beatriz Milhazes na Fundação Cartier não é um acontecimento isolado em Paris. Ela tem o privilégio de fazer parte de uma safra de eventos culturais singular até para a capital francesa. Neste momento, mais de uma dezena de grandes mostras de pintura, escultura e fotografia leva milhares de pessoas a museus como o Grand Palais, o Centro Pompidou e o Quai Branly. Um dos maiores destaques da temporada de primavera na Europa é Andy Warhol.
O homem que sintetizou a pop art é revisto em retrospectiva que explica o princípio da repetição celebrizado pelo artista. Mais de 100 mil visitantes estiveram no Grand Palais nos primeiros 20 dias de portas abertas. O abstracionismo do pintor russo Vassily Kandinsky é outro a atrair milhares de espectadores ao Centro Pompidou. O sucesso da mostra Jaune Rouge Bleu ("Amarelo Vermelho Azul") se explica pela reunião única dos três maiores acervos do pintor, guardados pela Städtische Galerie, de Munique, pelo Guggenheim de Nova York e pelo Pompidou.
A riqueza de alternativas joga às sombras mostras singulares. Relegado ao Museu de Arte Moderna, o pintor italiano Giorgio de Chirico recebe na cidade - pela primeira vez em 25 anos - retrospectiva com 170 de suas "pinturas metafísicas". E há ainda o renascentismo do italiano Lippi, no Museu de Luxemburgo, o romantismo de Willian Blake, no Petit Palais, e os anos parisienses de Alexander Calder, além de Une Image Peut Cacher Une Autre (Uma imagem pode esconder uma outra), sobre as mensagens semióticas de pintores como Dalí.
Além da pintura, os admiradores da fotografia têm pelo menos duas grandes opções: a primeira no Museu d’Orsay, é Voir l’Italie et Mourir (Ver a Itália e morrer), imagens das ruínas de Roma feitas no século 19 com os primeiros aparelhos fotográficos, os daguerreótipos, que marcam o "grande retorno" dos europeus à Itália, revigorando a fonte de inspiração dos pintores do século 16. A segunda, Controverse (Controvérsia), na Biblioteca Nacional da França, exibe fotos que despertaram a polêmica mundial, como as do italiano Oliviero Toscani para a Benetton. Já os aficionados pela escultura podem redescobrir, em Oublier Rodin? ("Esquecer Rodin?"), as influências, às avessas, que a obra de Rodin produzia em artistas clássicos como Maillol, Bernard e Lehmbruck e modernos como Duchamp e Brancusi. Membros da "nova geração" de escultores entre 1905 e 1914, eles queriam se emancipar do gênio de Rodin e buscar novos rumos para sua arte. E para quem ama música há no Quai Branly Le Siècle du Jazz ("O Século do Jazz"), mostra criada pelo filósofo e crítico de arte Daniel Soutif que recupera o gênero como fenômeno cultural e prova suas relações com as artes gráficas do século 20.(AE)
Uma exposição do anatomista alemão Gunther von Hagens, que abriu ontem em Berlim, está a provocar escândalo entre políticos e dignatários eclesiásticos. Veja o video aqui
Depois de ancorar o Monumento às Bandeiras e equilibrar bicicletas sobre a Paulista, o artista-pop-engajado Eduardo Srur enfileirou vinte garrafas PET gigantes no Rio Tietê.
As margens do Rio Tietê, entre as pontes do Limão e da Casa Verde, amanheceram tomadas por garrafas pet gigantes. Durante os dois meses em que ficaram expostos, os vinte infláveis, nas cores verde, vermelho e laranja, roubaram a atenção dos mais distraídos dos motoristas. Com as embalagens, já são oito as intervenções do paulistano Eduardo Srur na cidade. Foi ele quem equilibrou seis bicicletas sobre cabos de aço em plena Avenida Paulista, em novembro do ano passado.
Em 2006, espalhou bonecos de plástico remando sobre uma centena de caiaques ao longo do Rio Pinheiros. O nome do artista pode ser ainda desconhecido da maioria, mas é difícil não cruzar por aí com uma de suas obras - ou pirações, dependendo do ponto de vista. Em escalas proporcionais ao tamanho da metrópole, misturam humor e crítica social em doses muito bem planejadas.
"A gente atravessa as marginais e quase nem percebe mais a sujeira do rio", diz Srur, uma espécie de ecochato das artes. "Espero que com as garrafas PET no Tietê eu chame atenção para o problema do esgoto." Para viabilizar a nova instalação, ele enfrenta há catorze meses uma rotina de cálculos, pesquisas e negociações com a prefeitura.
Com a ajuda de especialistas, chegou a um vinil de aspecto semelhante ao das embalagens comerciais, mas resistente às variações do clima. Para elas brilharem à noite, colocou ainda dez lâmpadas frias no interior de cada protótipo. Vão dar o que falar, mais uma vez.
Cerca de 8.000 crianças de escolas estaduais verão os modelos de perto. Elas navegarão em barcos pelo rio e, ao término da mostra Quase Líquido, organizada pelo Itaú Cultural, receberão mochilas feitas com o plástico reciclado das enormes garrafas infláveis.
Aos 33 anos, formado em artes plásticas pela Faap, Srur começou, como a maioria dos artistas, pintando telas. Logo resolveu partir para as tais ações urbanas. A idéia era ampliar o número de espectadores e provocá-los.
Não à toa, sua grande referência é o artista americano, de origem búlgara, Christo. Dono de um currículo extenso de intervenções, embrulhou em 1995 o Parlamento alemão, em Berlim. "Com ele eu aprendi a ter uma visão de empreendimento", conta Srur. "Christo não se intimida em ter 300 pessoas a seu serviço para conseguir o que quer."
Desde o primeiro trabalho da série, Acampamento dos Anjos, em 2004, ele afinou sua capacidade de surpreender os paulistanos. Na época, pendurou 35 barracas de camping na então estrutura de concreto abandonada no Jardim Paulista - hoje, o Instituto Doutor Arnaldo.
"Suas criações têm um tom pop engajado interessante, com mensagens bem diretas", afirma o crítico e curador Cauê Alves. "Uma obra puxa a outra", diz Srur. "Das garrafas PET que se prenderam aos caiaques dois anos atrás surgiu, por exemplo, a idéia da intervenção que exponho agora." E vem mais.
Não é à toa que milhões de pessoas enfrentam filas. Neles estão alguns dos quadros mais famosos que conhecemos, objetos da antiguidade ou as mais surpreendentes esculturas contemporâneas. Veja quais foram os dez museus mais visitados do mundo em 2008:
1. Louvre, Paris (http://www.louvre.fr/ ) - É, de longe, o mais visitado museu do mundo e parada obrigatória para quem quer conhecer os maiores frutos da civilização, começando no Egito, passando pela Vênus de Milo, pela Monalisa, e chegando até o século XIX. Em 2008, foram ao Louvre 8,5 milhões de pessoas.
2. British Museum, Londres (http://www.britishmuseum.org/ ) - Fundado em 1753, é um dos primeiros do mundo moderno. Seu acervo possui mais de 7 milhões de objetos de todos os continentes (muitos guardados por falta de espaço). Entre suas relíquias mais famosas está a Pedra de Roseta, um bloco de granito negro com as inscrições que deram a chave para entender os hieróglifos egípcios.
3. National Gallery of Art, Washington D.C. (http://www.nga.gov/ ) - Possui uma coleção de 116 mil pinturas, desenhos, fotografias, esculturas e outras obras de arte produzidas no Ocidente. Mais antiga, sua ala oeste guarda trabalhos europeus e americanos criados até o começo do século XX. Obras mais recentes ficam na parte leste do museu.
4. Tate Modern, Londres (www.tate.org.uk/modern ) - Existe um caso de amor entre o público e o local, embora alguns críticos digam que a bela vista do Tâmisa influencia nesse sucesso. Instalado em uma antiga usina, possui mais de 60 mil trabalhos de arte moderna em constante rotação, incluindo Matisse, Warhol, Duchamp, Rodin e Rothko.
5. Metropolitan Museum of Art, Nova York (http://www.metmuseum.org/ ) - Megalômano, o MET, como é conhecido, se gaba por ter 2 milhões de peças de arte, abrangendo 5 mil anos de cultura, da pré-história ao presente. Essa coleção não se restringe exclusivamente a obras ocidentais, o que torna o museu um ótimo lugar para conhecer também a arte asiática e islâmica.
6. Museus Vaticanos, Roma (mv.vatican.va ) - Como o próprio nome diz, não é uma, e sim um conjunto de instituições culturais da Santa Sé, dispostas em um mesmo local. O gigantesco acervo é formado pelas obras artísticas e peças antigas reunidas pelos papas ao longo de muitos séculos. Destaque para as estátuas e bustos clássicos, os artefatos egípcios e etruscos e para as pinturas renascentistas.
7. National Gallery, Londres (http://www.nationalgallery.org.uk/ ) - O grande trunfo desse museu não é a quantidade de obras, mas a qualidade delas. Há aqui pinturas do século XIII ao fim do XIX, bastante representativas para seus períodos, como os jogos de luz de Caravaggio, a vênus com seu espelho de Velázquez e girassóis de Van Gogh.
8. Musée d'Orsay, Paris (http://www.musee-orsay.fr/ ) - Instalado em uma antiga estação de trem, contém uma supercoleção de obras impressionistas - Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Degas, Manet - e pós-impressionistas - Van Gogh, Cézanne, Seurat, Matisse. Exibe ainda trabalhos de Art Nouveau.
9. Musée d'Art Moderne de la Ville, Paris (http://www.mam.paris.fr/ ) - Seu acervo ilustra as principais correntes do século XX, como fauvismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo e expressionismo. No total, são mais de oito mil obras, incluindo de Matisse, Picasso, Braque, Modigliani e Chagall.
10. Museum of Modern Art, Nova York (http://www.moma.org/ ) - Foi criado em 1929 para apresentar aos nova-iorquinos a vanguarda das artes. Passados 80 anos e muitas reformas, o MoMA possui hoje mais de 150 mil pinturas, desenhos, esculturas, peças de design e fotografias, entre outros. Visite para ver obras-primas como Noite Estrelada, de Van Gogh, Les demoiselles d'Avignon, de Picasso, e Dança, de Henri Matisse.
O Ano da França no Brasil começa oficialmente no dia 21 de abril e terá uma série de atividades relacionadas ao tema em todo o Brasil até o final do ano. Época São Paulo indica os primeiros eventos na capital paulista. Confira:
Cinema francês no Mube O Museu Brasileiro da Escultura apresenta o Cine Clube MuBE - Aliança Francesa com filmes de renomados diretores. O evento exibe produções francesas que apresentam o universo das artes plásticas dentro do cinema. Entre os filmes da programação do final de abril e maio estão obras do diretor Alan Resnais e documentários que retratam a história da moda na França. A agenda está no site www.mube.art.br. MuBE: Rua Alemanha, 221, Jardim Europa, tel.: (11) 2594-2601. Grátis.
Fernand Léger: relações e amizades brasileiras
Obra La chapelinade le charlot cubiste VIII
Cerca de 50 obras de Fernand Léger, entre pinturas, desenhos, projetos de murais e cenografia, álbuns de gravura, fotografias e documentos. Léger é um dos artistas mais importantes da Escola de Paris – termo que remete à comunidade de artistas modernistas, franceses e estrangeiros, que moravam e trabalhavam em Paris na primeira metade do século XX. Sua obra expressa uma nova maneira de pensar a arte, por meio da identificação entre o ritmo da vida moderna e o humanismo cotidiano. O artista nunca esteve no Brasil, mas exerceu grande influência na obra de Tarsila do Amaral (1886 – 1973), que freqüentou o ateliê do artista em Paris, em 1923. Até 7 de junho, de terça a domingo, das 19h às 18h. Pinacoteca do Estado: Praça da Luz, 2, tel.: (11) 3324-1000. Ingresso: de R$ 2 a R$ 4, grátis aos sábados.
Olhar e fingir: fotografias da coleção Auer Uma seleção com obras de grandes nomes da fotografia como Cartier-Bresson, Brassaï e Man Ray. A exposição reúne cerca de 290 peças da abrangente coleção do casal Michel e Michèle Auer e compreende quase 170 anos de história.
Os curadores selecionaram imagens que trazem à tona a criação da fotografia contada pelo prisma de artistas transgressores. No lugar de buscar uma cópia do mundo real, esses artistas se apropriaram da fotografia para falar do imaginário, do universo das sensações e das percepções não visíveis representadas por meio de experimentações e metáforas visuais. A fotografia como invenção e não como catalogação do mundo. A câmera como um instrumento de acesso à imaginação. De 23/3 a 18/6, de terça a domingo e feriados, das 10h às 18h. MAM: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3, tel.: (11) 5085-1300. Ingresso: R$ 5,50.
Entre-Temps A mostra de videoarte se divide entre o MIS e o Paço das Artes e conta com trabalhos de artistas franceses ou radicados na França. A seleção privilegiou a década de 90 com obras que experimentam linguagens e tratam áreas diversas, como ciência e filosofia. Há desde animes e retransmissão de um jogo de futebol a documentário sobre um projeto de arquitetura. De 24/3 a 28/6, de terça a sexta, das 12h às 19h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h. MIS: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, tel.: (11) 2117-4777. Grátis.
À Procura de um Olhar – Fotógrafos franceses e brasileiros revelam o Brasil
Imagem feita pelo francês Pierre Verger que estará na mostra na Pinacoteca
A fotografia do século XX é retratada em 200 imagens em preto e branco e coloridas de grandes nomes como Pierre Verger, Jean Manzon e Bruno Barbey. A mostra presta uma homenagem ao antropólogo e filósofo Claude Lévi-Strauss (Bérgica, Bruxelas, 1908) com imagens realizadas entre 1935 e 1937, em locais como Avenida São João, durante o Carnaval, e em outras ruas da região central da cidade. De 25/3 a 28/6, de terça a domingo, das 19h às 18h. Pinacoteca do Estado: Praça da Luz, 2, tel.: (11) 3324-1000. Ingresso: de R$ 2 a R$ 4, grátis aos sábados.
Virada Cultural O Ano França-Brasil trará para a cidade de São Paulo grupos e intervenções urbanas de grande formato durante a Virada Cultural. Artistas de rua consagrados farão apresentações inéditas pelo centro velho. Na abertura do evento, as sirenes do grupo francês Mecanique Vivant, instaladas sobre os edifícios da região da Praça do Patriarca, darão a largada na maratona de espetáculos.
No dia 1 de maio, sexta-feira, às 22 horas, o grupo francês Carabosse irá se apresentar no Parque da Luz. Haverá reapresentação do espetáculo no dia 2, às 22 horas. A companhia mostra uma grande instalação visual e sonora, que faz uso do fogo e da música; a idéia principal é estimular os sentidos. Já o grupo "Les Piétons" apresenta Rue de l'atribut, espetáculo consagrado nos mais importantes festivais europeus de teatro de rua. Das 18h do dia 2 de maio até às 18h do dia 3.
Paris é uma festa! A programação do Sesc Pompeia durante a Virada Cultural fará um breve passeio noturno por algumas expressões culturais vividas nos séculos 19 e 20 na França. Os eventos envolvem poesia e apresentações de danças e bonecos. Dia 2/5 a partir das 18h. Sesc Pompeia: Rua Clélia, 93, tel.: (11) 3871-7700. Grátis.
Arte na França 1860-1960: O Realismo
Obra de Joan Miró
A mostra no MASP reúne mais de cem obras produzidas sob influência do realismo francês. A mostra faz um passeio por um século de arte produzida na França e levanta as questões das diversas e contraditórias manifestações do Realismo. A exposição cobre o período desde que a arte feita na França se afirmou e dominou o panorama cultural até o momento em que a arte feita nos EUA ascendeu ao primeiro posto. São obras de artistas franceses e estrangeiros que produziram França ou que por lá passaram, como Picasso, Dali e Miró. Estão incluídos trabalhos dos diversos movimentos e escolas, abordadas sob a perspectiva do Realismo - seus pontos de partida, suas versões e propostas. De 7/5 a 28/6, terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta até 20h. MASP: Av. Paulista, 1.578, tel.: (11) 3251 5644. Ingresso: de R$ 7 R$ 15, gratuito às terças-feiras.
O Francês no Brasil em todos os sentidos Primeira mostra binacional do Museu da Língua Portuguesa, a exposição mostrará os pontos de contato dos idiomas e culturas do Brasil e da França. O público verá, por exemplo, como palavras de origem francesa foram absorvidas e transformadas pela língua portuguesa. Culinária, moda, ciência, dança, música e literatura também serão abordadas, já que todas essas formas de arte no Brasil carregam uma forte influência da cultura francesa.
A mostra será dividida em 14 espaços expositivos diferentes, separados de acordo com o tema abordado. Além de uma cenografia onde, por exemplo, será reproduzida uma típica rua de Paris, a exposição terá recursos audiovisuais para exibição de vídeos e áudios. A partir de 11/5, de terça a domingo, das 10h às 17h. Museu da Língua Portuguesa: Praça da Luz, s/nº, Centro, tel.: (11) 3326-0775. Ingresso: R$ 4, grátis aos sábados.
Dia da família O programa Dia da Família, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), oferece atividades culturais e recreativas gratuitas para pais e filhos realizarem em conjunto. Em parceria com a Cinemateca do Consulado da França, a instituição exibirá no dia 31 de maio oito curtas franceses.
A programação começa às 15h e terá os filmes 2 Toneladas, Versus, Entre Duas Migalhas, O Rabo do Ratinho, Dynamo, Para que Serve o Amor?, O Príncipe Pequeno e Os Três Inventores. Após a exibição, as crianças farão fantoches com varinhas, em homenagem ao Teatro de Guignol, espetáculo de marionetes que surgiu nas praças de Paris. Dia 31/5, a partir das 15 h. CCBB: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, tel.: (11) 3113-3651. Grátis.
Não é uma proposta para quem vai aproveitar o fim-de-semana ao sol, a não ser que leve o portátil, mas para quem vai ficar por casa mas com intenções de voar mais alto. A lista de artistas presentes no Museu Virtual de Arte Brasileira é simpática e os trabalhos que pode visualizar também, sempre acompanhados da respectiva informação de enquadramento. À pintura e escultura juntam-se nesta plataforma textos e vídeos que permitem conhecer um pouco mais da cultura brasileira.
Programa para celebrar a emblemática obra do arquitecto Ieo Ming Pei vai começar em Paris sexta-feira. Incluiu um debate sobre arquitectura de museus e a projecção de poemas de Jenny Holzer nas fachadas. Polémica desde o anúncio da sua construção feito pelo então presidente François Mitterrand, a pirâmide que alberga a principal entrada do Louvre é actualmente um ícone de Paris e do museu mais visitado do mundo. Com 21 metros de altura, 34 de largura e assente numa superfície de mil metros quadrados, aquela obra-prima do arquitecto Ieo Ming Pei celebrou ontem os 20 anos da sua inauguração e é agora alvo de um vasto programa de comemorações. Colóquios, concertos, projecções luminosas, conferências, publicações, sessões de cinema e passeios nocturnos musicais estão entre o rol de actividades que, segundo a agência Efe, terão início no próximo dia 3 de Abril. Com um programa dedicado à juventude e centrado na nova política de entradas gratuitas, em todos museus tutelados pelo Estado francês, oferecidas ao público entre os 18 e os 25 anos. De 7 a 10 de Abril, a artista norte-americana Jenny Holzer vai projectar vários poemas luminosos nas fachadas do museu. A 8 de Abril vai ser homenageado Ieo Ming Pei - o arquitecto sino-americano (nascido em Cantão, em 1917), que em 1983 conquistou o Prémio Pritzker, autor de obras como o principal terminal do aeroporto JFK (Nova Iorque), o Rock n'Roll Hall of Fame (em Cleveland, também nos EUA) e o Museu de Arte Moderna do Luxemburgo. Pei será um dos projectistas presentes num debate sobre arquitectura de museus, que contará com a participação de Rafael Moneo e Jean-Michel Wilmotte (autor da remodelação do Museu do Chiado, em Lisboa). Pelo Museu do Louvre passaram em 2008, de acordo com os números divulgados pelo The Art Newspaper, 8,5 milhões de visitantes (o segundo mais visitado foi o British Museum, em Londres, com 5,93 milhões de pessoas). Um caso bem sucedido de integração da arquitectura contemporânea numa zona histórica, graças à "profunda redefinição da imagem pública e dos seus usos sociais", referem os promotores. Rematado pela emblemática pirâmide de vidro e aço, o plano de Pei para o 'Grand Louvre' , que passou também pela requalificação do Jardim das Tulherias, foi tudo menos pacífico. Sofreu, por isso, várias alterações, como a redução do tamanho da pirâmide ou a retirada do projecto do grande corredor semi-subterrâneo por onde deveriam entrar, segundo as estimativas 4,5 milhões de pessoas por ano. O plano implicou mesmo a realização de escavações arqueológicas na chamada Cour Napoléon, onde foi criada a ligação, no subsolo, entre as três alas do edifício em 'U'. Palácio Real fundado por Carlos V no século XIV, o Louvre, recorde-se, foi transformado em museu em 1793, quatro anos depois da Revolução Francesa. Repartidas pelas alas Denon, Richelieu e Sully, as 300 salas do museu acolhem actualmente 55 mil peças (de um acervo que ascende às 450 mil), de antiguidades da Grécia, Roma e Antigo Egipto à Arte Islâmica, Escultura, Artes Decorativas ou Desenho. Sem esquecer, claro, a importantíssima colecção de Pintura, que tem como vedeta a famosa Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, principal atracção do Louvre e grande responsável pelas filas que diariamente se formam em redor da pirâmide.
O diário espanhol El País, que dá a notícia, classifica a decisão como "histórica": a partir de finais de Maio, o Museu Nacional Rainha Sofia, de Madrid, passa a integrar e a mostrar obras anteriores a 1881; para tudo o que for posterior a 1960 ficam reservados dois andares da ala mais recente, a ampliação assinada por Jean Nouvel.
É um corte com a actual lei orgânica do museu, que estabelece a baliza no ano de nascimento de Pablo Picasso. E já se estão a criar sinergias: o Museu do Prado já pôs à disposição duas séries de gravuras assinadas por Goya - Os Caprichos e Desastres de Guerra. Se assim o desejar, Manuel Borja-Villel, o director do Reina Sofia que tomou posse em finais de 2007, prometendo uma era de mudança, está agora à vontade para as integrar como depósito nas colecções do seu museu.
Não é uma pequena mudança de estratégia, mais uma redefinição identitária de fundo: Borja-Villel deixou-se inspirar pelos modelos de associação livre de imagens do conhecido historiador alemão Aby Warburg (1866-1929) e, com a sua nova estratégia, quer contar "a história da arte a partir de Espanha" sem medo de anacronismos e confrontos.
Em vez de uma grande narrativa, um arquipélago de micronarrativas com o cinema e a fotografia a entrar em força: na nova vida do museu, 39 salas em seis mil metros quadrados vão seguir esta lógica idiossincrática, pensando-se, por exemplo, que o negrume de Goya deverá "explicar" a obra de Gutiérrez Solana, que Buster Keaton poderá "explicar" aspectos do cubismo e que as Três Figuras de Dalí fazem todo o sentido lado a lado com uma projecção de Un Chien Andalou, de Luis Buñuel.
Borja-Villel diz que é um modelo único: "Nenhum museu de arte moderna do mundo faz isto. Digo-o como facto objectivo", explicou à imprensa espanhola.
Precisamente, One Week, o filme de 1920 de Keaton em que uma casa se decompõe em vários planos sob a força do vento, surgirá lado a lado com pinturas ligadas ao cubismo, da mesma forma que La Guerre est Finie (1966), de Alain Resnais, surgirá como símbolo de um momento de ruptura histórico, anunciando as salas dedicadas à produção artística posterior a 1960, agora no piso térreo e no primeiro andar do edifício do museu assinado por Nouvel, em vez de no quarto andar do edifício antigo.
Nas palavras de Borja-Villel, esta era uma decisão incontornável: "Era necessário fazer um salto físico, de um edifício a outro, para marcar a distância, a ruptura que se segue aos anos 50, a década de ouro da arte espanhola, que podia ter sido e não foi".
Ainda segundo o director do museu, o novo plano de aquisições terá como objectivo essencial colmatar lacunas sobretudo no que toca às décadas posteriores a 1960. Recentemente, o museu comprou, por exemplo, três cabeças do escultor italiano Medardo Rosso, "vários Picabias, três objectos de Marcel Duchamp, um Tàpies e muita obra contemporânea".
O artista plástico José de Guimarães vai participar na Feira Art Paris, no Grand Palais da capital francesa, disse hoje à Lusa fonte ligada ao artista. As obras de José de Guimarães fazem parte da representação da galeria italiana San Carlo, de Milão, Itália, naquela feira de arte. O artista vai expor um conjunto de obras intitulado Les Favelas. Estas instalações foram produzidas entre 2007 e 2009 e integram a série Brasil (2007). A exposição Art Paris será inaugurada quarta-feira e estará patente ao público até dia 23, estando a Galeria San Carlo situada no stand G6 daquela feira de arte. José de Guimarães vive e trabalha entre Lisboa e Paris, desde 1995. A passagem por Angola numa comissão de serviço militar entre a década de 60 e 70 do século passado tornar-se-ia um vector determinante na definição do seu vocabulário artístico. Foi o contacto com especialistas em etnologia africana que o conduziu à compreensão de uma simbologia existente em muitas peças de arte negra e sugeriu-lhe um projecto artístico movido por uma tentativa de osmose entre duas formas de expressão plástica, europeia e africana. Mas se na primeira década de produção artística se baseia em África, nos mais de quarenta anos de carreira, encontram-se séries completas dedicadas à filosofia e às culturas chinesa e japonesa, à arte de Rubens, à literatura de Camões ou à concepção particular da morte no México. Nos últimos anos, verifica-se que o seu percurso reflecte uma vocação de formas e figuras tendencialmente mais cosmopolita, tendo a sua expressão plástica vindo a acentuar a convivência de todos os vectores dominantes num longo percurso artístico. Tem também vindo a privilegiar a utilização do néon, sobretudo em caixas de madeira, que propõem um exterior de austeridade contrastante com a encenação do seu espaço interior, tratado com traços luminosos de néon, pintura, colagens e objectos desviados do sentido que lhes é conferido pela sua função tradicional. Embora a sua obra tenha actualmente uma visibilidade bastante mais significativa noutros países, José de Guimarães foi objecto de duas grandes exposições da sua pintura e da sua escultura em Portugal, na Fundação Calouste Gulbenkian e na Fundação de Serralves. Em 2001 teve lugar uma importante retrospectiva (1960-2001) na Cordoaria Nacional de Lisboa. Em 2003, a Fundação Caixanova promoveu em Espanha uma exposição itinerante da sua obra e, em 2005, a Fundação Cultural do SESI - FIESP de São Paulo dedicou-lhe uma exposição antológica com o título O Imaginário de José de Guimarães. Em 2006 o Museu Afro Brasil de São Paulo, organizou a Exposição África e Africanias de José de Guimarães. Um ano mais tarde, apresentou "China África América" no Today Art Museum - Beijing e, também no Parque Européen de la Sculpture, em Bruxelas, a exposição intitulada "Vozes Nómadas". Em 2008 expôs no Museo Wurth La Rioja, em Espanha, "José de Guimarães: Mundos, Cuerpo y Alma" e, na Galeria Quadrado Azul Lisboa a exposição Brasil que, iconograficamente nos remete para a passagem do artista pelo Brasil, e o reencontro com África, origem do seu projecto artístico. Em Outubro de 2008 inaugurou no Design Center de Lisboa a exposição Arte Urbana. Recentemente foi distinguido com o Prémio Escultura 2008 Doutor Gustavo Cordeiro Ramos da Academia Nacional de Belas Artes.
Sucatas, telas, pinturas. Essas são as principais ferramentas que o artista Inácio Cordeiro, conhecido como I. Cordeiro, utiliza para transformar suas inspirações em obras de arte. Em um único espaço, o pintor trabalha com temas como: tempo, música, cultura local, entre outros. É através da pintura de telas e confecções de esculturas, que o artista diz expressar seu produto final: arte. A mistura de cores e sucatas reaproveitadas dão formas aos desenhos e esculturas, que segundo o artista, provém de suas inspirações advindas dos seus próprios sentimentos.
Para mostrar sua arte, I Cordeiro esteve no Palácio das Artes, em Barreiras, para mostrar seu trabalho e incentivar as pessoas a prestigiá-las. Na sua avaliação, as pessoas ainda não possuem a cultura de adquirir uma obra de arte. Ele afirma que faz as peças por amor e acredita que seu trabalho será reconhecido.
Natural de São Desidério - BA, Cordeiro começou a pintar aos 12 anos e há 20 está na cidade trabalhando com comunicação visual, segundo ele, também inspirado em suas obras. Ele diz que costuma criar suas próprias peças, inspirado em artistas como: Van Gogh e Jackson Pollock.
As peças estão em exposição no Palácio das Artes, em Barreiras. Quem se interessar pelas obras do artista, pode entrar em contato pelos telefones: (77) 3611-8285 e (77) 9971-2442
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