Museu recria sons e odores da Idade da Pedra

Museu recria sons e odores da Idade da Pedra
Cientistas ainda estão intrigados e divididos em relação ao período de vários milhares de anos durante o qual os neandertais conviveram lado a lado com os humanos modernos, até sua extinção final.

KRAPINA - A ciência forense e simulações computadorizadas são apenas duas das ferramentas de alta tecnologia empregadas por um novo museu na Croácia para explicar um ramo da árvore evolutiva.

O Museu Neandertal foi aberto na semana passada, erguido no local em que cientistas encontraram a maior concentração na Europa de restos de neandertais - os ossos, crânios, ferramentas e outros resquícios de um ramo extinto da humanidade que habitou partes da Ásia e Europa até 30 mil anos atrás.

O conceito do museu - que resume a evolução em um período de 24 horas, representado em um caminho que serpenteia pelos dois andares do prédio - ressalta o fato de os primeiros parentes dos humanos terem surgido em um momento tardio dessas 24 horas: às 23h52.

Construído com a ajuda de museus de história natural americanos e britânicos, o museu expõe muitos dos ossos e artefatos desenterrados no local no final do século 19.

"Naquela época, os cientistas procuravam o chamado elo perdido, metade homem, metade animal, e os neandertais eram retratados como selvagens peludos e de aparência bruta, que não sabiam andar eretos", disse o paleoantropólogo Jackov Radovic.

Mas as figuras de neandertais recriadas em tamanho natural pelo museu contam uma história diferente.

"Hoje vemos os neandertais como humanos. Eles tinham emoções, eles ajudavam os fracos e doentes, temos indicativos de que faziam rituais de sepultamento e determinamos que eles possuíam o gene da fala, como nós", disse Radovic.

Descobertas feitas em toda a Europa mostram que os neandertais faziam pinturas, provavelmente praticavam algum tipo de dança ou música tribal e até mesmo escovavam os dentes.

"Mesmo que não tenham sido nossos antepassados diretos, foram parentes muito próximos de nossos ancestrais, o que faz deles nossos ancestrais", disse Radovic.

"Acredito - e existem algumas provas científicas nesse sentido - que eles se miscigenaram aos humanos, que houve troca de material genético. Algumas descobertas recentes em Portugal também provam que o contato entre as duas populações foi possível", disse ele.

Os visitantes ao museu podem tocar partes de um corpo neandertal digital para ouvir uma explicação médica de suas doenças e males - em sua maioria muito semelhantes aos nossos, como problemas de ombro e joelho em uma idade mais avançada.

A cena central do museu - uma grande família neandertal reunida em volta de uma fogueira em uma caverna - impressiona especialmente devido aos odores fortes de suor e carne queimada que a acompanham, além de sons que visam reproduzir os sons típicos da Idade da Pedra.

Exposição “Obras de Referência da Madeira” com receitas a reverter para a Região

O Ministério da Cultura decidiu prolongar até ao dia 6 de Abril a exibição da exposição “Obras de Referência dos Museus da Madeira”, prevista para terminar no final deste mês, na Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, e assumir todos os custos inerentes a este prolongamento, revertendo a receita da bilheteira para a Região Autónoma da Madeira.

Patente ao público desde 20 de Novembro, “Obras de Referência dos Museus da Madeira” é composta por uma selecção de cerca de 300 peças, num percurso cronológico iniciado no séc. XV até meados do séc. XX. Provenientes de vários museus e instituições da Região, estas peças, representativas das colecções de escultura, pintura, ourivesaria, mobiliário, cerâmica e fotografia, reflectem a importância estratégica do arquipélago no contexto da expansão portuguesa e europeia, ligada aos seus ciclos do Açúcar, Vinho e Turismo.

Incluem-se, nesta mostra, 11 das mais significativas peças do acervo do Museu do Açúcar, instituição museológica que sofreu graves danos na sua colecção, devido à intempérie que assolou a Madeira, que, por se encontrarem nesta exposição, ficaram a salvo das consequências das inundações que afectaram o Museu.

O Ministério da Cultura pretende, com este prolongamento da exposição no Palácio Nacional da Ajuda, homenagear a Cultura madeirense neste momento trágico, permitir que mais visitantes a conheçam e dar um contributo para a recuperação do Museu do Açúcar.

Urban Manners 2 - Todas as Fichas na Índia

Olhe para o indiano aí ao lado. Ele se chama Subodh Gupta. No século passado, era um estudante de pintura na cidade de Patna, no nordeste de seu país, perto da fronteira com Bangladesh, uma das nações mais pobres no mundo.

No século 21, ele se tornou um fenômeno do mundo das artes. É chamado de "Duchamp subcontinental" ou "Damien Hirst de Nova Délhi". O primeiro apelido se deve à capacidade de transformar objetos absolutamente banais, como panelas e bules, em obras de arte - na linha do dadaísta Marcel Duchamp (1887-1968), precursor dessa atitude ao levar objetos como um urinol para os museus. A segunda alcunha refere-se ao grande popstar da produção atual, o britânico Damien Hirst, que em 2007 vendeu uma caveira cravejada de diamantes por exorbitantes US$ 100 milhões. Gupta ainda não chegou a esses valores, mas já faz parte da mesma turma. Obras suas - como as de Hirst - integram a coleção do mais estelar dos galeristas britânicos, Charles Saatchi (casado com a chef de cozinha Nigella Lawson, famosa por fazer coisas nojentas como lamber o dedão em pleno programa de TV). No ano passado, Gupta foi um dos grandes destaques na Arco, a famosa feira de artes plásticas sediada em Madri. Na capital da Espanha, não era possível comprar uma obra sua por menos de US$ 100 mil.

Gupta não é um fenômeno isolado. Ele surfa num tsunami que vem varrendo esse universo recentemente: o da arte indiana. "Trata-se de uma cena tão vibrante quanto o boom da arte britânica nos anos 90", diz o curador suíço Hans Ulrich Obrist, recentemente eleito a personalidade mais poderosa do mundo das artes. Ele compara os artistas indianos atuais com a geração conhecida como Young British Art (Jovem Arte Britânica), turbinada pelo milionário Saatchi e que valorizou nomes como Tracey Emin, Sarah Lucas, Chris Ofili e Damien Hirst, naturalmente. Neste mês, a nova arte indiana é tema de uma exposição em São Paulo, no Sesc Pompéia. Urban Manners 2 - Artistas Contemporâneos da Índia reúne trabalhos de onze representantes do país asiático, incluindo os expoentes Subodh Gupta e Jitish Kallat - outro artista que viu a vida dividida em "antes" e "depois" de ter uma obra comprada por Saatchi. Com curadoria de Adelina von Fürstenberg e Peter Nagy, a mostra traz obras grandiosas, como a instalação Hungry God (Deus Faminto), feita por Gupta com utensílios de cozinha. A maioria das peças vêm de coleções particulares. Kallat apresenta duas. Aquasaurus, sucesso na Arco no ano passado, consiste em uma escultura, híbrido de caminhão-pipa e esqueleto de animal pré-histórico. Artist Making Local Call (Artista Fazendo Chamada Local) é um painel fotográfico de dez metros de largura com um panorama algo caótico de uma metrópole indiana.

Xadrez GeopolíticoDe acordo com a ArtTactic, empresa londrina especializada em números do mercado de arte, o "boom" indiano é notável: em 2001, o mercado movimentou US$ 2,3 milhões; em 2006, chegou a US$ 140 milhões. Tudo começou por volta de 2005, e seguindo um roteiro semelhante à onda de arte chinesa. Indianos endinheirados que moravam fora do país passaram a procurar trabalhos de conterrâneos como Gupta para investir. E casas de leilões como Christie's e Sotheby's se articularam para encontrar obras que atendessem à demanda. Até nomes históricos da Índia se beneficiaram dessa movimentação: os recordes de valores unitários para obras indianas pertencem às pinturas Birth, de Francis Newton Souza (1924-2002), e La Terre, de Sayed Haider Raza, 87 anos, vendidas em 2008 a US$ 2,5 milhões cada uma. Pela qualidade das obras e pelas questões universais que elas levantam, não dá para justificar a forte presença da Índia hoje no circuito somente como curiosidade por algo exótico. A feira em Madri, Saatchi e, em última instância, a Urban Manners atestam o papel do país asiático como um "player" importante no xadrez geopolítico da produção contemporânea. Em termos artísticos, o país vem se juntar à China, à Rússia e ao Brasil. Países que, primeiro, se impuseram em termos econômicos. Depois, se fizeram notar culturalmente.

O marchand Daniel Roesler, da galeria paulistana Nara Roesler, única do país a representar uma artista indiana - Sutapa Biswas, radicada em Londres -, concorda que os emergentes estão em alta. "Vai haver leilões neste mês só com obras de BRICs (sigla usada para identificar os emergentes Brasil, Rússia, Índia e China), em Londres. O mercado está aquecido e interessado nesses países", diz ele. Outros galeristas mantêm-se atentos à produção indiana. Eduardo Leme, da galeria Leme, também em São Paulo, é um deles. Apesar de afirmar que não se preocupa com a nacionalidade dos nomes com que trabalha, acertou recentemente uma parceria com a Maskara, galeria sediada em Mumbai. Ou seja, vêm de lá atualmente as boas apostas. E certamente ainda vamos ouvir falar muito de arte indiana neste ano.

Escultura de Giacometti - a mais cara obra leiloada

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Recentemente os meios de comunicação do país divulgaram sobre escultura "L'Homme qui marche" (O homem caminhando), do suíço Alberto Giacometti (1901-1966) que se tornou atualmente a obra mais cara A obra de arte superou o recorde mundial que ostentava até agora "Garçon à la pipe" (Rapaz com cachimbo, em livre tradução) do espanhol Pablo Picasso, que foi negociada em 2004 no Sotheby's de Nova York por US$ 104,1 milhões.
do mundo a ser leiloada por 65 milhões de libras (US$ 104,3 milhões) na casa Sotheby's de Londres.

A estátua estilizada, de 1m83cm de altura, que tinha um preço estimado em 18 milhões de libras (US$ 29 milhões), concentrou o interesse dos compradores por ser a primeira vez em 20 anos que uma peça de Giacometti com essas dimensões é colocada à venda. Trata-se de um bronze monumental fundido em 1961 e comprado por volta dos anos 80 pelo banco alemão Dresdner Bank. Anos depois, a peça passou a integrar a coleção do Commerzbank, que este último banco comprou do primeiro.´Segundo especialistas no assunto, a escultura "O homem caminhando I" é uma obra emblemática e um dos grandes momentos da escultura europeia do século XX.

"L'Homme qui marche" representa o ponto culminante da experimentação do escultor suíço com a figura humana e pertence a sua etapa da maturidade. A escultura devia integrar um projeto público que nunca saiu do papel. Ao perceber que demoraria muitos anos para realizar o projeto, Giacometti terminou abandonando a idéia.

No leilão londrino também foram vendidas outras obras-primas, entre elas um Henri Matisse (1869-1954), "Femme Couchée", que juntos renderam 4,4 milhões de libras (US$ 7 milhões). Na lista das 25 obras mais caras do mundo, estão oito pinturas do Picasso. Além do espanhol que ostenta o segundo e o terceiro lugares nesse ranking, ainda aparecem Gustave Klimt, Van Gogh, Claude Monet, Renoir, Francis Bacon, Rubens e Mark Rothko.

Exposicao de insetos gigantes na Alemanha

Na cidade de Waren, norte da Alemanha acontece uma exposição de réplicas de insetos gigantes no Museu Mueritzeum, pertencentes à agência AP.
As réplicas possuem 60 vezes o tamanho natural dos insetos e foram criadas pela designer Julia Stoes, de Hamburgo. A exposição com os modelos gigantes já passou por museus de ciência natural da Alemanha, Áustria, Suíça e Finlândia.

Exposicão em Paris quer ensinar a ver o mundo com outros olhos

PARIS — Mais de 160 obras - tótens, máscaras brasileiras, pinturas flamengas, jóias peruanas, esculturas africanas - são apresentadas em Paris em uma exposição antropológica que propõe explicar as visões do mundo de diferentes culturas e suas representações.

A exposição, "A produção de imagens", que abre suas portas nesta terça-feira no museu Quai Branly, é uma tentativa, difícil mas facinante, de entrar nas diferentes visões e nos diversos modos de representá-las.

"Temos a ilusão de que todo o mundo vê as mesmas coisas", explicou o curador Philippe Descola, que ocupa a cadeira de antropologia do Collège de France, que no passado já pertenceu à Claude Lévi-Strauss.

"A cultura em que fomos criados faz com que vejamos as coisas diferentes" explicou Descola na apresentação à imprensa da exposição, que busca "colocar em imagens" suas ideias.

Esta mostra - a terceira exposição antropológica na história do Quai Branly - é também uma boa ocasião para que objetos da coleção do museu, organizados geograficamente, conversem entre si de outras maneiras.

Segundo Descola, as diferentes culturas do mundo expressaram suas ideias da realidade de quatro maneiras diferentes em pinturas, esculturas e outros objetos: animismo, totemismo, analogismo e naturalismo, que apareceu na Europa na Idade Média.

No "animismo", todos os animais e plantas são considerados possuidores de uma interioridade e, como resultado, suas representações fazem alusão à essa dimensão. Assim, as máscaras de animais do Canadá se abrem para revelar rostos humanos em seu interior.

Quase todos os objetos latino-americanos da mostra possuem essa visão animista, incluindo máscaras gigantes Wauja do Brasil, e um par de brincos verde resplandecente, que parecem feitos de penas e foram fabricados com dezenas de asas de escaravelho, vindos do Peru.

Os objetos "possuem atributos animais" que o homem admira, explicou Anne-Christine Taylor, diretora de pesquisas do museu.

Em segundo lugar, através de retratos e paisagens holandesas aparece o "naturalismo", que propõe que apenas o homem possui uma interioridade.

Para Descola era importante incluir na mostra o mundo ocidental, ausente nas coleções do museu. "Não temos que excluí-lo, nem colocá-lo como o único" falou à AFP na véspera da inauguração da mostra, que termina em julho de 2011.

No "totemismo", ilustrado por objetos de aborígenes da Austrália, os homens, animais e plantas vêm de ancestrais comuns.

Os cangurus e as tartarugas, desenhados em tons ocre e formas geométricas em uma série de pinturas sobre cortiça, não seriam representações dos próprios animais, mas sim de seus "toténs" originais.

Finalmente o "analogismo" acredita que todos os seres são diferentes, e que o homem busca relações entre eles para organizar o caos do mundo.

Formam parte do grupo os objetos que representam "seres compostos", como um colorido tapete cósmico do norte do México.

Como diz a frase de Leonardo da Vinci que recebe os visitantes quando entram na mostra: "A pintura é uma coisa mental".

Escultura é arrebatada por 104 milhões de dolares e bate recorde

'L'Homme Qui Marche', do artista suíço Alberto Giacometti, bateu valor alcançado por um Picasso em leilão em Nova York em 2004.

Uma escultura de bronze do escultor suíço Alberto Giacometti foi leiloada em Londres por £ 65 milhões (US$ 104 milhões), um preço jamais alcançado por outra obra de arte vendida sob o martelo.

Foram necessários apenas oito minutos para o preço da escultura "L'Homme Qui Marche I" sair do valor inicial de £12 milhões (pouco mais de US$ 19 milhões) e escalar até £ 58 milhões (US$ 93 milhões), na casa de leilões Sotheby's.

Adicionando o prêmio do leiloeiro, o valor alcança £ 65 milhões (US$ 104 milhões), um recorde. Um Picasso vendido em 2004 em Nova York atingiu a mesma quantia em dólares, mas, pela diferença cambial, rendeu £ 7 milhões a menos para a mesma Sotheby's.

Apenas obras vendidas em operações privadas alcançaram valor tão alto.
"Existe um mercado que é um pouco uma exceção para objetos que são exceção", disse a editora do The Art Newspaper, Georgina Adam, para quem o preço astronômico se explica pela pouca oferta de trabalhos de Giacometti no mercado de arte.

"Se algo é uma oportunidade única na vida, os compradores estão dispostos a pagar quantias enormes porque é 'agora ou nunca'."

Raridade
Giacometti (1901-1966) é considerado um dos mais importantes artistas suíços do século 20. Nascido na Suíça de língua italiana, o filho de artistas desde cedo se interessou pelo ofício.

Seus trabalhos estão expostos em alguns dos principais museus do mundo, incluindo a Tate Gallery, de Londres, o Kunsthaus, de Zurique, e o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York.

""L'Homme Qui Marche I" é provavelmente uma das esculturas mais simbólicas de Giacometti. Seu leilão é algo raro, já que nunca houve uma seleção desses bronzes sendo oferecida no mercado", disse Helena Newman, porta-voz da Sotheby's.

O recorde anterior alcançado por uma obra em leilão foi do quadro "Garçon à la Pipe", vendido em Nova York em 2004.

Em vendas privadas, o quadro Nº 5, 1948, de Jackson Pollock, alcançou US$ 140 milhões em 2006.

No mesmo leilão em que o bronze de Giacometti bateu recorde, uma pintura rara do pintor austríaco Gustav Klimt foi vendida por quase £ 27 milhões (no câmbio atual, US$ 42 milhões) desta hoje e, o valor mais alto para o artista.

"Kirche in Cassone", de 1913, é uma rara paisagem de Klimt, executada durante suas férias nos lagos italianos. A obra foi perdida durante a 2ª Guerra Mundial e encontrada depois.

A pintura "Pichet et fruits", de Paul Cézanne, foi vendida por pouco menos de £ 12 milhões.

Para Melanie Clore, vice-presidente da Sotheby's, os valores mostram a recuperação do mercado de arte, após um ano incerto de crise econômica.

"Existe um interesse incrível pelas artes visuais", ela disse. "Estou nesse mercado há mais de 20 anos e nunca vi um mercado tão global."

Arquiteto alemão celebra energia brasileira no Ibirapuera


 
SÃO PAULO - A vontade de dialogar com trabalhos de grandes expoentes da arquitetura e do urbanismo brasileiros será concretizada para o arquiteto alemão Hans-Walter Müller. Radicado na França, Müller, de 75 anos, traz ao Jardim de Esculturas do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, uma estrutura inflável, característica de suas obras, com 18 por 9 metros, que assume formas variadas e foi criada especialmente para ocupar o espaço. "Desejei muito uma oportunidade para um projeto que fizesse parte dessa energia que existe no Brasil", conta Müller. O projeto "Arquitetura em Movimento" estará aberto ao público a partir do dia 25 de janeiro, como parte das comemorações do aniversário de 456 anos da cidade de São Paulo.

Ali no parque, a "arquitetura efêmera" da estrutura inflável de Müller vai compor um cenário com duas obras de arquitetos admirados pelo artista alemão: a "Oca", projetada por Oscar Niemeyer ,e o "Jardim de Esculturas", cujo projeto paisagístico é de Burle Marx. Para Müller, sua criação pode ser vista como uma pintura. "O inflável dialogará com a arquitetura do Parque do Ibirapuera, que dialoga com o ''Jardim de Esculturas'' e como pano de fundo teremos o céu azul de São Paulo", diz ele. "Quando eu e o curador Eric Corne falamos (sobre o projeto), me foi permitido descobrir mais a cidade de São Paulo, uma cidade impossível que sabe encontrar equilíbrio em sua poesia."

A instalação também permitirá uma experiência multissensorial ao visitante, resultado da ambientação desenvolvida pelo coletivo de arte Estúdio BijaRi. Composto por seis arquitetos que desenvolvem projetos de intervenção urbana com o auxílio de novas tecnologias, o grupo de São Paulo criou uma escultura espelhada e iluminada por lâmpadas led que fica na parte interna da lona inflável. Pelo reflexo dos espelhos, a sensação será a de estar em uma cratera, clima reforçado pelo som abissal ouvido no ambiente, explica Maurício Brandão, integrante do coletivo. O objetivo, segundo ele, foi trabalhar com as alterações dos desvios da topografia e os diferentes contornos causados pela movimentação da estrutura inflável.

Assim, a obra poderá ser apreciada tanto do lado de fora, com o parque ao fundo, quanto internamente. "Mas com certeza é muito mais interessante do lado de dentro, já que, pelas suas características, o som funciona melhor lá dentro", afirma Brandão. Para fazer a trilha sonora e a iluminação, foram convidados, respectivamente, Ricardo Carioba e Mirella Brandi.

O projeto, realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, faz parte de um intercâmbio cultural da região de Ile-de-France com a cidade de São Paulo. Foi nessa área periférica de Paris que o BijaRi participou de uma residência artística em 2008 e 2009, oportunidade em que os participantes do grupo foram apresentados a Müller por Eric Corne. "Os BijaRi estão particularmente interessados em arquitetura e essas questões intervencionistas na cidade estão no coração de suas preocupações. As questões sociais e políticas transmitidas pelo gesto arquitetônico de Müller não estão longe do território artístico deles", avalia Corne. No ano passado, o francês foi curador da mostra "Arte na França 1860-1960: O Realismo", que ficou em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Müller chegou a São Paulo na última quarta-feira para ajudar na montagem e execução do projeto. Toda a fase de planejamento do trabalho e a comunicação com os integrantes do coletivo foi online, via e-mails. "O processo de uma arquitetura em movimento exige trabalho em grupo, sinergia e multidisciplinas para a execução", considera.

Serviço: "Arquitetura em Movimento", de Hans-Walter Müller com coordenação do Estúdio BijaRi

Parque Ibirapuera - Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portões 1 (pedestres) e 3 (automóveis). Aberto ao público de 25/01 a 28/02, das 14 horas às 23 horas. Acesso à área interna: das 18h30 às 22h30. Lotação: 150 pessoas por sessão

Site da 11ª edição do Festival Jazz & Blues está no ar!‏


Mostra de Picasso festeja centenário de galeria



A Galeria Kunsthaus Zurich, que acolheu a primeira exposição de Picasso num museu, em 1932, vai comemorar o seu centenário com um programa especial que inclui, entre outras iniciativas, uma exposição sobre a forma como os espanhóis receberam a obra do artista, a partir de 15 de Outubro.


O programa, que tem início marcado para 12 de Fevereiro, permite também conhecer a famosa colecção do industrial Emil Buehrle. Para terminar o programa foi preparada uma mostra para homenagear Carl Moser, arquitecto responsável pelo prédio Art Nouveau que aloja o museu.

O museu, que segundo as estatísticas recebeu 228 mil visitantes no ano passado, quer agora exibir os pontos fortes e obras de arte de vários séculos, que vão desde pinturas de grandes mestres a filmes e instalações de artistas contemporâneos.

A iniciativa permite conhecer a colecção de Buehrle, uma das mais importantes de arte privadas da Europa, antes de ser transferida em 2015 para uma nova ala da Kunsthaus, projectada pelo arquitecto britânico David Chipperfield.

A colecção inclui 180 quadros e esculturas e fez manchete em Fevereiro de 2008, quando foram roubados grandes obras de Cezanne, Degas, Monet e Van Gogh no que ficou conhecido como o maior roubo de obras de arte da história da Suíça.

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ERIC ROHMER DEIXOU-NOS AOS 89 ANOS


O realizador francês Eric Rohmer , uma das grandes figuras da Nouvelle Vague, deixou-nos, com saudade, quase aos noventa anos. No Festival de Veneza, após a apresentação do seu último filme, de 2007, “Les amours d’Astrée et de Céladon”, onde se confirma o eterno amante das “jeunes filles en fleur”, Eric Rohmer anunciou a possibilidade de se reformar. Deixou-nos na passada segunda-feira, 11 de Janeiro, na sua casa em Paris.

Em Março faria 90 anos, o realizador francês de cinema que viveu e trabalhou em plena coerência para além de todas as críticas, desde os anos 50. Foi redactor chefe dos Cahiers du Cinéma de 1957 a 1963.


Com outros dois grandes nomes do cinema francês, François Truffaud e Jean-Luc Godard, foi um dos fundadores da Nouvelle Vague.

Depois do seu primeiro filme, “Le Signe du lion”, de 1959, e até 2007, realizou uma série de longas metragens que é urgente rever.

Foi com emoção e saudade que os mais altos dirigentes de França prestaram homenagem a Eric Rohmer. “Devo-lhe absolutamente tudo”, disse o actor Fabrice Luchini.

Saudando a memória de Eric Rohmer, o presidente francês , Nicolas Sarkozy, descrevia o realizador: “Clássico e romântico, sábio e iconoclasta, leve e grave, sentimental e moralista, criou o estilo ‘rohmérien’ que sobreviverá”.

Eric Rohmer, que provou ser possível fazer grandes filmes com poucos meios, ficou conhecido como o cineasta da subtileza. Nunca se pautando pelo ‘politicamente correcto’ ou pelas correntes de moda, eternizou pelos seus filmes o espírito de um homem livre e pertinente que dissecou amiúde, com mestria e subtileza, os grandes temas da liberdade e da moral.

O cinema perdeu um dos seus grandes autores. Nós não o perderemos na memória.

Vasco Ribeiro    

Alexandria, no Egito: uma das poucas cidades do mundo árabe onde a mistura entre o oriente e ocidente é bem acentuada

Uma das visitas mais marcantes é a do Forte QaitbeyÉ indispensável a visita a edifícios históricos, como o museu Greco-Romano, na Rua Mathaf al Romani, com os cerca de 40 mil itens do acervo que datam o século III a.C. O palácio Al-Montazah, que já serviu como residência real, destaca-se pelos seus mais de 370 jardins e vista para uma praia com seus iates.

Mas nada é tão marcante quanto o anfiteatro romano, em pleno centro da cidade, no antigo bairro de Kom al Dekka. E não podem faltar as mesquitas, entre elas a de Abu al-Abbas al-Mursi, a maior de Alexandria, construída por volta de 1775 pelos mouros argelinos, de cor clara e conservação impecável.

Mas talvez a visita mais interessante seja a do Forte Qaitbey. Datado de 1480 d.C., foi feito com pedras reaproveitadas do Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas da Antiguidade.

Pompey's Pillar, na rua Amod el Sawary, recebeu este nome de uma grande coluna de granito vermelho com mais de 30 metros de altura por 9 metros de largura. Ficava no grande templo dedicado a Serapis e hoje está ladeado por um par de esfinges de Heliopolis. Em seu subsolo, encontram-se catacumbas. E por falar nelas, Kom el Shaqafa, na rua Tawfikeya, guarda algumas que estão 35 metros abaixo do nível do solo e são alcançadas por uma escada em formato espiral. O complexo funerário foi descoberto em 1900, acidentalmente, quando um funcionário que trabalhava no local caiu no buraco. Além das escoriações, ele levou os louros da descoberta dos tesouros.

Outro sítio importante é o de Kom el Dikka, na rua Ismail Mehanna, que mais se parecia a uma "colina de cascalho" até a sua escavação nos anos 60. Após a construção de um novo edifício para proteger os mosaicos (e da retirada de 10 mil metros cúbicos de terra), Kom el Dikka guarda ruínas romanas, com colunas e um anfiteatro para 600 pessoas. Neste bairro, que pode ser acessado desde a estação Misr, pode-se observar outras obras da arquitetura romana do local. O Royal Jewelry Museum, na Ahmed Yehia Pasha, é onde estão relíquias do passado que pertenceram à família real do país, entre coleções de jóias em instrumentos de diamantes, relógios, miniaturas e medalhas.

A atual Biblioteca de Alexandria foi construída em homenagem à Grande Biblioteca, uma das maiores da Antiguidade, fundada no século III a.C. e destruída por um incêndio que a tradição atribui a um erro do imperador Júlio César . Inaugurada frente ao mar em 2002, a biblioteca é hoje a maior do mundo.

Alexandria é bem abastecida também em culinária. Os restaurantes mais conhecidos servem especialidades árabes. Comida mediterrânea e frutos do mar são servidos por casas em toda a cidade. Pode-se degustar de um saboroso shawarma (sanduíche árabe) a um kushari, o prato egípcio mais consumido, que é uma mistura de macarrão, arroz, lentilha, cebola torrada, molho de tomate e caldo de limão com alho. No Cap D'Or, bar em que as paredes são todas decoradas com antigas campanhas de publicidade, peça uma cerveja e prove nishouga, um pequeno peixe servido como aperitivo.

O El-Yunani, na Sharia Memphis, em Sidi Gaber, é uma taverna grega que tem paredes azuis cobertas de cartões-postais. É um point popular entre moradores e turistas, servindo boa comida e ótimos drinques. Existe ainda o Karma, que está na rua Bab Sidra, restaurante que, a partir das 23h, transforma-se em um sofisticado clube noturno.

Não se volta de Alexandria sem fazer as tradicionais compras nos mercados de rua. Os principais ficam nas ruas Attarine e Fransa, onde o turista encontra ruelas lotadas de lojinhas que vendem absolutamente de tudo de botões e tecidos até peixes e verduras. O mercado de peixes funciona todos os dias e oferece um ar de pitoresquismo único, mas exige chegar bem cedo. Por roupas e lençóis egípcios, vá até Mahattat el-Raml. Mas por coisas para casa, então Mancheya e Mostafa Kamel são mais atrativas.

Para hospedar-se, uma dica: o hotel Cecil, que fica na Midan Saad Zaghloul, na Midan Ramla Area. É uma instituição de Alexandria e um memorial para a belle époque da cidade: o escritor Somerset Maugham e Winston Churchill eram habituês. O serviço secreto britânico funcionava em uma suíte no primeiro andar.

Homenagens marcam os 75 anos de Elvis Presley


Se estivesse vivo, Elvis Presley completaria 75 anos nesta sexta-feira, dia 8 de janeiro. A data será lembrada com exposições nos Estados Unidos, relançamentos de álbuns do cantor e uma nova e polêmica sobre o astro do rock.


A exposição One life: Echoes of Elvis (“Uma vida: Ecos de Elvis”) na National Portrait Gallery, em Washington, traz exemplos da influência da imagem de Presley depois de sua morte, como um selo postal de 1993 com o rosto do cantor que se tornou o selo mais vendido de todos os tempos nos EUA.

No Grammy Museum, em Los Angeles, os fãs do astro do rock poderão ver a exposição Elvis at 21: Photographs by Alfred Wertheimer (“Elvis aos 21: Fotografias de Alfred Wertheimer”). O fotógrafo registrou imagens promocionais de Elvis antes que o cantor se tornasse famoso.

A gravadora Sony prometeu relançar todos os álbuns da carreira de Elvis. O relançamento da discografia do cantor deve acontecer primeiro nos Estados Unidos e ainda não há previsão para os álbuns chegarem ao Brasil.

Outro lançamento é Elvis 75: Good Rockin’ Tonight, da Legacy Records, uma coletânea contendo 100 músicas que vem acompanhada de um livro com 80 páginas com fotos do cantor.

A escritora Alanna Nash optou por uma homenagem mais original: o livro Baby, Let’s Play House, relata os relacionamentos amorosos do cantor.

O Cirque du Soleil anunciou que prepara um espetáculo sobre a vida do cantor. A estreia de Viva Elvis está prevista ainda para este mês, em Las Vegas.

Elvis Aaron Presley nasceu no dia 8 de janeiro de 1935, na cidade de East Tupelo, Estado do Mississippi, nos Estados Unidos. De origem humilde, chegou a trabalhar como lanterninha de cinema e caminhoneiro para ajudar nas despesas de casa.

Começou a cantar ainda menino em concursos de calouros. Em 1954, Elvis decidiu gravar um disco em homenagem a sua mãe. Foi aí que o jovem aspirante a cantor chamou a atenção dos produtores. O sucesso aconteceu dois anos depois. Elvis também atuou em 31 longas-metragens, entre os quais se destacam Prisioneiro do Rock (1957) e Balada Sangrenta (1958).

Em 16 de agosto de 1977, aos 42 anos, Elvis foi encontrado morto no banheiro de sua famosa propriedade, Graceland, por sua namorada na época, Ginger Alden. A residência do rei do rock, onde está o túmulo do artista, até hoje é local de peregrinação dos fãs do cantor.

Para lembrar Elvis, elaboramos um quiz com questões sobre o astro. Mais que um desafio, a brincadeira é uma boa oportunidade para você relembrar ou conhecer detalhes sobre a vida e a carreira de um dos maiores artistas que o mundo já viu.

Elvis não morreu!

GUARAMIRANGA | Festival Jazz e Blues 2010‏


DESBUNDIX | A FINE ART DO DIXIE


“Up 2 Nine” é o mais recente albúm deste projecto musical, que conta com a participação de 2 grandes músicos portugueses, a Maria João na voz e o Filipe Melo no piano. Este disco conta com 14 temas, onde se destacam temas de referência do Dixieland como “The Original Dixieland One-Step”e“Ory´s Creole Trombone”, ou músicas celebrizadas por Louis Armstrong nos anos 20 e 30 como é o caso dos lendários “Baby Won’t You Please Come Home?”

”West End Blues” e mais tarde “What a Wonderful World”e”Hello Dolly!”, entre muitos outros, um deles sendo até referência da soul music, caso do “Georgia on my Mind”, celebrizado por Ray Charles.

“Up 2 Nine” é um disco que conta com 9 musicos, os 7 músicos desta banda, mais 2 convidados, gravado no ano em que o projecto completa 9 anos de existência (formação no ano 2000) a 9 de Setembro (mês 9) , sendo portanto o 9, um número com grande simbolismo neste novo trabalho.

Depois do primeiro disco "Kick'n Blow" de 2007 surge agora este novo disco que promete mostrar um projecto bastante sólido e musicalmente evoluído, com a contribuição de alguns dos melhores músicos de Jazz do nosso país.

O vestuário em obras de arte

Os vestuário em obras de arteO que antes era apenas um elemento para servir de proteção ao corpo com o passar do tempo se transformou em um importante protagonista. Não há como falar de algumas peças de roupas sem mencionar a história que as envolvem.

Um exemplo disso é biquíni, hit de todos os verões. O traje foi inventado pelo estilista francês Louis Réard, que o batizou com esse nome por conta do atol Bikini, no Pacífico, onde os americanos realizaram uma série de testes atômicos.

Antes de ser algo tão comum nas praias, a peça foi alvo de verdadeira polêmica, mas em 1956, ele foi imortalizado pela francesa Brigitte Bardot, depois de usar o modelo xadrez vichy adornado com babadinhos, durante o filme "E Deus Criou a Mulher".

Ao longo do tempo, a roupa também serviu de inspiração para muitos artistas, como mostra a historiadora de arte Cacilda Teixeira da Costa, em seu livro "Roupa de artista — o vestuário na obra de arte" (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e a Edusp). Conforme a historiadora, descrições pictóricas, interpretações e apropriações do vestuário estão presentes nos principais movimentos da história da arte por meio da pintura, escultura, desenho, gravura, performance e outras categorias artísticas.

"Dadas suas relações com o corpo, a identidade, o poder e a sexualidade, tanto a indumentária como adereços e seus desdobramentos são tão instigantes, que poucos mestres, do passado ou contemporâneos, ficaram imunes ao seu extraordinário fascínio", acrescenta a autora.

No decorrer dos séculos, como ela mesma explica, desenvolveram-se técnicas artísticas específicas e um extraordinário virtuosismo na forma de retratar tecidos, texturas, drapeados e outros detalhes, tanto em pintura como na escultura, que variaram em diferentes tempos e circunstâncias.

Cacilda cita como exemplo, Velázquez, conhecido por retratar com riqueza de detalhes as pessoas da corte, sejam elas reis, mulheres ou crianças. O pintor, filho de nobres, viveu em Sevilha no século 16, a cidade mais rica da Espanha na época.

A obra de Cacilda também menciona o realismo descritivo, isso no século 19, e cita como exemplo as obras de Ingres, que dá mesma importância ao rosto, às mãos e ao vestuário. Outro artista destacado pela historiadora é Degas, responsável por quebrar alguns paradigmas e abrir as portas para novas ideias que vieram em seguida - ele deixou de lado a representação e utilizou o próprio vestuário como parte integrante da obra de arte, abrindo perspectivas para as vanguardas que viriam em seguida.

Outro importante passo para a história das vestimentas e das artes aconteceu no século 20, quando a indústria da moda começou a se desenvolver e não só se deu importância à criação, mas também aos formatos de divulgação nos meios de comunicação de massa. Aos poucos, os artistas perderam a sua influência e foram substituídos pelos costureiros, hoje estilistas.

Antes disso, por volta de 1770, surgiram as primeiras publicações de moda, como "La Galerie des Modes". Fora do campo da arte, eles reproduziam as roupas usadas pelos mais elegantes da época e, em seguida, passaram a apresentar modelos e informações sobre as tendências.

A historiadora termina a viagem no tempo destacando como o vestuário se tornou algo importante em todos os campos. "Jovens artistas continuam apropriando-se do vestuário como tema, metáfora ou forma de expressão — fora da moda. Do ângulo da relação com a moda, os estilistas propõem coleções inspiradas nas obras dos artistas e os desfiles são cada vez mais performáticos".

Malangatana recebe diploma Honoris Causa pela Universidade de Évora

O artista plástico moçambicano Malangatana Valente Ngwenya vai receber o diploma Honoris Causa pela Universidade de Évora no próximo dia 11 de Fevereiro, anunciou o pintor.

"A 11 de Fevereiro vou receber um diploma Honoris Causa pela Universidade de Évora", disse Malangatana, numa entrevista ao jornal O País, editado em Maputo.

Na entrada do novo ano, o artista mais consagrado nas artes plásticas em Moçambique assegurou que marcaria "o primeiro quadro de 2010", provavelmente, "o último" da sua carreira.

"Vou tentar marcar o primeiro quadro de 2010, que se calhar será o meu último quadro, porque a idade não perdoa", disse Malangatana, que em Junho comemora 74 anos.

A universidade justificou a atribuição do diploma com o reconhecimento das obras do pintor, que é igualmente escultor, poeta, dançarino, cantor e contador de histórias, "homem com uma inestimável dimensão humana e de cidadania, artista que projecta Moçambique além-fronteiras, professor de arte e de 'estórias', sobretudo para crianças".

Nascido em Matalane, arredores de Maputo, Malangatana Valente Ngwenya está representado em museus, galerias e colecções particulares em todo o mundo.

Arte e alucinação | SÍNDROME DE STENDHAL

Arte e alucinação pode causar fortes reações físicas e mentais a obras marcantes.


Sorriso introspectivo ou seriedade enigmática? Expressão tímida ou semblante discretamente sedutor? Em um episódio recente, se a Mona Lisa tivesse a habilidade de se expressar, certamente ganharia uma fisionomia bem diferente daquela que encanta e confunde no Museu do Louvre, em Paris. A obra mais famosa de Leonardo da Vinci foi alvo de uma caneca arremessada por uma visitante russa. Depois de deter a jovem que atacou o quadro, a polícia parisiense a transferiu para um hospital psiquiátrico. Logo começaram a surgir informações sobre a hipótese de a moça ter sido vítima da síndrome de Stendhal.

Aceleração cardíaca, tonturas, confusão mental, angústia e até alucinações são manifestações desse mal súbito e raro, que tem intrigado neurologistas e psiquiatras especialmente na Europa, onde acontecem os surtos de que se tem notícia.

A síndrome foi descrita pela psiquiatra italiana Graziella Magherini, em 1989. A médica a definiu como um conjunto de sintomas que acometem indivíduos psicologicamente equilibrados no momento em que contemplam obras de arte com características marcantes. “Nas décadas de 1980 e 1990, eu era responsável pelo serviço de saúde mental do Hospital de Santa Maria Novella, em Florença. Com meus colegas, comecei a perceber a recorrência de casos de emergência de pessoas afetadas por um distúrbio psíquico repentino”, descreveu a psiquiatra no livro que publicou sobre a síndrome, La Sindrome di Stendhal. “Estudando cada um deles, identificamos alguns elementos em comum nessas pessoas, todas portadoras de grande sensibilidade emocional, que tiveram contato com obras de arte e que eram turistas estrangeiros”, relatou na publicação.

No Brasil, poucos médicos conhecem a síndrome. De acordo com o neurocirurgião Edson Amâncio, o desconhecimento pode estar relacionado ao fato de o distúrbio não estar catalogado no Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, bíblia da psiquiatria americana.

– Sei de brasileiros que passaram pela situação contemplando obras na Europa. Eu próprio vivenciei os sintomas diante do quadro Cristo Morto, do pintor renascentista alemão Hans Holbein, o Jovem, no Museu da Basileia, na Suíça. Essa relíquia também provocou sensações perturbadoras no escritor russo Fiodor Dostoiévski – observa o neurologista.

Amâncio diz conhecer relatos de pessoas que permaneceram no interior de museus que guardam grandes trabalhos em uma espécie de sonambulismo:

– Alguns ficam estáticos diante de quadros ou esculturas num pranto silencioso. Em geral, as vítimas perdem a noção do tempo e do local.

O neurologista e professor da Universidade Federal do Paraná Hélio Teive sofreu por alguns minutos os sintomas da síndrome de Stendhal durante uma visita à Capela Sistina, no Vaticano.

– Diante do teto da capela, obra primorosa de Michelângelo, senti algo muito fugaz, mas que me deixou fora de mim. Fui tomado por taquicardia, tontura e uma ansiedade muito forte – relata Hélio.

Saiba o que é o Síndrome de Dtendhal aqui
Recuperação rápida

> Os episódios de mal-estar característicos da síndrome não parecem ter consequências graves. Um pouco de repouso, a proximidade com algo familiar ou a ingestão de tranquilizantes leves contornam o distúrbio.

> Segundo a psiquiatra italiana Graziella Magherini, autora de pesquisa sobre o assunto, o espectro de sintomas é bem variado. Algumas pessoas sofrem com alucinações e alteração de percepção, outras manifestam desequilíbrio afetivo ou depressão. Angústia ou ataques de pânico também podem ocorrer.

> Durante seus 10 anos de observação, Graziella verificou que a remissão rápida dos sinais é frequente, mas aqueles portadores que apresentaram dissociações psicóticas, mania de perseguição ou alucinações têm sete vezes mais chances de não se recuperar rapidamente.

Recuperada a guitarra de brincar de Picasso

Brinquedo criado pelo artista espanhol para a sua filha Paloma encontrava-se desaparecido.

Uma guitarra de brincar criada por Pablo Picasso (1881-1973) para a filha Paloma foi encontrada numa velha caixa de sapatos, escondida numa casa na região do Lácio, anunciaram as autoridades italianas.

A polícia encontrou o brinquedo - conhecido como Pequena Guitarra - em casa de um comerciante após uma investigação desencadeada pela denúncia da viúva de Giuseppe Vittorio Parisi, amigo a quem o artista plástico espanhol doara a peça.

Há dois anos, Giuseppe Vittorio Parisi tinha entregue a guitarra de brinquedo ao comerciante com instruções de criar uma urna para a obra, para ela ficar protegida, mas o objecto nunca chegou a ser devolvido. Quando Parisi faleceu, este ano, a viúva alertou a polícia para o desaparecimento do brinquedo, tendo sido desencadeada uma operação de buscas na casa do comerciante em Pomezia.

A guitarra é um dos temas recorrentes na obra de Picasso, quer na pintura, quer nas esculturas. A Pequena Guitarra vai agora ser entregue ao Museu Cívico de arte contemporânea do Lago Maggiore, no Norte de Itália.

Filha mais nova de Pablo Picasso e de Françoise Gilot, Paloma Picasso nasceu em 1949 e é actualmente uma conhecida estilista, famosa sobretudo pelas suas jóias e perfumes.