Exposição “Obras de Referência da Madeira” com receitas a reverter para a Região

O Ministério da Cultura decidiu prolongar até ao dia 6 de Abril a exibição da exposição “Obras de Referência dos Museus da Madeira”, prevista para terminar no final deste mês, na Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, e assumir todos os custos inerentes a este prolongamento, revertendo a receita da bilheteira para a Região Autónoma da Madeira.

Patente ao público desde 20 de Novembro, “Obras de Referência dos Museus da Madeira” é composta por uma selecção de cerca de 300 peças, num percurso cronológico iniciado no séc. XV até meados do séc. XX. Provenientes de vários museus e instituições da Região, estas peças, representativas das colecções de escultura, pintura, ourivesaria, mobiliário, cerâmica e fotografia, reflectem a importância estratégica do arquipélago no contexto da expansão portuguesa e europeia, ligada aos seus ciclos do Açúcar, Vinho e Turismo.

Incluem-se, nesta mostra, 11 das mais significativas peças do acervo do Museu do Açúcar, instituição museológica que sofreu graves danos na sua colecção, devido à intempérie que assolou a Madeira, que, por se encontrarem nesta exposição, ficaram a salvo das consequências das inundações que afectaram o Museu.

O Ministério da Cultura pretende, com este prolongamento da exposição no Palácio Nacional da Ajuda, homenagear a Cultura madeirense neste momento trágico, permitir que mais visitantes a conheçam e dar um contributo para a recuperação do Museu do Açúcar.

Urban Manners 2 - Todas as Fichas na Índia

Olhe para o indiano aí ao lado. Ele se chama Subodh Gupta. No século passado, era um estudante de pintura na cidade de Patna, no nordeste de seu país, perto da fronteira com Bangladesh, uma das nações mais pobres no mundo.

No século 21, ele se tornou um fenômeno do mundo das artes. É chamado de "Duchamp subcontinental" ou "Damien Hirst de Nova Délhi". O primeiro apelido se deve à capacidade de transformar objetos absolutamente banais, como panelas e bules, em obras de arte - na linha do dadaísta Marcel Duchamp (1887-1968), precursor dessa atitude ao levar objetos como um urinol para os museus. A segunda alcunha refere-se ao grande popstar da produção atual, o britânico Damien Hirst, que em 2007 vendeu uma caveira cravejada de diamantes por exorbitantes US$ 100 milhões. Gupta ainda não chegou a esses valores, mas já faz parte da mesma turma. Obras suas - como as de Hirst - integram a coleção do mais estelar dos galeristas britânicos, Charles Saatchi (casado com a chef de cozinha Nigella Lawson, famosa por fazer coisas nojentas como lamber o dedão em pleno programa de TV). No ano passado, Gupta foi um dos grandes destaques na Arco, a famosa feira de artes plásticas sediada em Madri. Na capital da Espanha, não era possível comprar uma obra sua por menos de US$ 100 mil.

Gupta não é um fenômeno isolado. Ele surfa num tsunami que vem varrendo esse universo recentemente: o da arte indiana. "Trata-se de uma cena tão vibrante quanto o boom da arte britânica nos anos 90", diz o curador suíço Hans Ulrich Obrist, recentemente eleito a personalidade mais poderosa do mundo das artes. Ele compara os artistas indianos atuais com a geração conhecida como Young British Art (Jovem Arte Britânica), turbinada pelo milionário Saatchi e que valorizou nomes como Tracey Emin, Sarah Lucas, Chris Ofili e Damien Hirst, naturalmente. Neste mês, a nova arte indiana é tema de uma exposição em São Paulo, no Sesc Pompéia. Urban Manners 2 - Artistas Contemporâneos da Índia reúne trabalhos de onze representantes do país asiático, incluindo os expoentes Subodh Gupta e Jitish Kallat - outro artista que viu a vida dividida em "antes" e "depois" de ter uma obra comprada por Saatchi. Com curadoria de Adelina von Fürstenberg e Peter Nagy, a mostra traz obras grandiosas, como a instalação Hungry God (Deus Faminto), feita por Gupta com utensílios de cozinha. A maioria das peças vêm de coleções particulares. Kallat apresenta duas. Aquasaurus, sucesso na Arco no ano passado, consiste em uma escultura, híbrido de caminhão-pipa e esqueleto de animal pré-histórico. Artist Making Local Call (Artista Fazendo Chamada Local) é um painel fotográfico de dez metros de largura com um panorama algo caótico de uma metrópole indiana.

Xadrez GeopolíticoDe acordo com a ArtTactic, empresa londrina especializada em números do mercado de arte, o "boom" indiano é notável: em 2001, o mercado movimentou US$ 2,3 milhões; em 2006, chegou a US$ 140 milhões. Tudo começou por volta de 2005, e seguindo um roteiro semelhante à onda de arte chinesa. Indianos endinheirados que moravam fora do país passaram a procurar trabalhos de conterrâneos como Gupta para investir. E casas de leilões como Christie's e Sotheby's se articularam para encontrar obras que atendessem à demanda. Até nomes históricos da Índia se beneficiaram dessa movimentação: os recordes de valores unitários para obras indianas pertencem às pinturas Birth, de Francis Newton Souza (1924-2002), e La Terre, de Sayed Haider Raza, 87 anos, vendidas em 2008 a US$ 2,5 milhões cada uma. Pela qualidade das obras e pelas questões universais que elas levantam, não dá para justificar a forte presença da Índia hoje no circuito somente como curiosidade por algo exótico. A feira em Madri, Saatchi e, em última instância, a Urban Manners atestam o papel do país asiático como um "player" importante no xadrez geopolítico da produção contemporânea. Em termos artísticos, o país vem se juntar à China, à Rússia e ao Brasil. Países que, primeiro, se impuseram em termos econômicos. Depois, se fizeram notar culturalmente.

O marchand Daniel Roesler, da galeria paulistana Nara Roesler, única do país a representar uma artista indiana - Sutapa Biswas, radicada em Londres -, concorda que os emergentes estão em alta. "Vai haver leilões neste mês só com obras de BRICs (sigla usada para identificar os emergentes Brasil, Rússia, Índia e China), em Londres. O mercado está aquecido e interessado nesses países", diz ele. Outros galeristas mantêm-se atentos à produção indiana. Eduardo Leme, da galeria Leme, também em São Paulo, é um deles. Apesar de afirmar que não se preocupa com a nacionalidade dos nomes com que trabalha, acertou recentemente uma parceria com a Maskara, galeria sediada em Mumbai. Ou seja, vêm de lá atualmente as boas apostas. E certamente ainda vamos ouvir falar muito de arte indiana neste ano.

Escultura de Giacometti - a mais cara obra leiloada

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Recentemente os meios de comunicação do país divulgaram sobre escultura "L'Homme qui marche" (O homem caminhando), do suíço Alberto Giacometti (1901-1966) que se tornou atualmente a obra mais cara A obra de arte superou o recorde mundial que ostentava até agora "Garçon à la pipe" (Rapaz com cachimbo, em livre tradução) do espanhol Pablo Picasso, que foi negociada em 2004 no Sotheby's de Nova York por US$ 104,1 milhões.
do mundo a ser leiloada por 65 milhões de libras (US$ 104,3 milhões) na casa Sotheby's de Londres.

A estátua estilizada, de 1m83cm de altura, que tinha um preço estimado em 18 milhões de libras (US$ 29 milhões), concentrou o interesse dos compradores por ser a primeira vez em 20 anos que uma peça de Giacometti com essas dimensões é colocada à venda. Trata-se de um bronze monumental fundido em 1961 e comprado por volta dos anos 80 pelo banco alemão Dresdner Bank. Anos depois, a peça passou a integrar a coleção do Commerzbank, que este último banco comprou do primeiro.´Segundo especialistas no assunto, a escultura "O homem caminhando I" é uma obra emblemática e um dos grandes momentos da escultura europeia do século XX.

"L'Homme qui marche" representa o ponto culminante da experimentação do escultor suíço com a figura humana e pertence a sua etapa da maturidade. A escultura devia integrar um projeto público que nunca saiu do papel. Ao perceber que demoraria muitos anos para realizar o projeto, Giacometti terminou abandonando a idéia.

No leilão londrino também foram vendidas outras obras-primas, entre elas um Henri Matisse (1869-1954), "Femme Couchée", que juntos renderam 4,4 milhões de libras (US$ 7 milhões). Na lista das 25 obras mais caras do mundo, estão oito pinturas do Picasso. Além do espanhol que ostenta o segundo e o terceiro lugares nesse ranking, ainda aparecem Gustave Klimt, Van Gogh, Claude Monet, Renoir, Francis Bacon, Rubens e Mark Rothko.

Exposicao de insetos gigantes na Alemanha

Na cidade de Waren, norte da Alemanha acontece uma exposição de réplicas de insetos gigantes no Museu Mueritzeum, pertencentes à agência AP.
As réplicas possuem 60 vezes o tamanho natural dos insetos e foram criadas pela designer Julia Stoes, de Hamburgo. A exposição com os modelos gigantes já passou por museus de ciência natural da Alemanha, Áustria, Suíça e Finlândia.

Exposicão em Paris quer ensinar a ver o mundo com outros olhos

PARIS — Mais de 160 obras - tótens, máscaras brasileiras, pinturas flamengas, jóias peruanas, esculturas africanas - são apresentadas em Paris em uma exposição antropológica que propõe explicar as visões do mundo de diferentes culturas e suas representações.

A exposição, "A produção de imagens", que abre suas portas nesta terça-feira no museu Quai Branly, é uma tentativa, difícil mas facinante, de entrar nas diferentes visões e nos diversos modos de representá-las.

"Temos a ilusão de que todo o mundo vê as mesmas coisas", explicou o curador Philippe Descola, que ocupa a cadeira de antropologia do Collège de France, que no passado já pertenceu à Claude Lévi-Strauss.

"A cultura em que fomos criados faz com que vejamos as coisas diferentes" explicou Descola na apresentação à imprensa da exposição, que busca "colocar em imagens" suas ideias.

Esta mostra - a terceira exposição antropológica na história do Quai Branly - é também uma boa ocasião para que objetos da coleção do museu, organizados geograficamente, conversem entre si de outras maneiras.

Segundo Descola, as diferentes culturas do mundo expressaram suas ideias da realidade de quatro maneiras diferentes em pinturas, esculturas e outros objetos: animismo, totemismo, analogismo e naturalismo, que apareceu na Europa na Idade Média.

No "animismo", todos os animais e plantas são considerados possuidores de uma interioridade e, como resultado, suas representações fazem alusão à essa dimensão. Assim, as máscaras de animais do Canadá se abrem para revelar rostos humanos em seu interior.

Quase todos os objetos latino-americanos da mostra possuem essa visão animista, incluindo máscaras gigantes Wauja do Brasil, e um par de brincos verde resplandecente, que parecem feitos de penas e foram fabricados com dezenas de asas de escaravelho, vindos do Peru.

Os objetos "possuem atributos animais" que o homem admira, explicou Anne-Christine Taylor, diretora de pesquisas do museu.

Em segundo lugar, através de retratos e paisagens holandesas aparece o "naturalismo", que propõe que apenas o homem possui uma interioridade.

Para Descola era importante incluir na mostra o mundo ocidental, ausente nas coleções do museu. "Não temos que excluí-lo, nem colocá-lo como o único" falou à AFP na véspera da inauguração da mostra, que termina em julho de 2011.

No "totemismo", ilustrado por objetos de aborígenes da Austrália, os homens, animais e plantas vêm de ancestrais comuns.

Os cangurus e as tartarugas, desenhados em tons ocre e formas geométricas em uma série de pinturas sobre cortiça, não seriam representações dos próprios animais, mas sim de seus "toténs" originais.

Finalmente o "analogismo" acredita que todos os seres são diferentes, e que o homem busca relações entre eles para organizar o caos do mundo.

Formam parte do grupo os objetos que representam "seres compostos", como um colorido tapete cósmico do norte do México.

Como diz a frase de Leonardo da Vinci que recebe os visitantes quando entram na mostra: "A pintura é uma coisa mental".

Escultura é arrebatada por 104 milhões de dolares e bate recorde

'L'Homme Qui Marche', do artista suíço Alberto Giacometti, bateu valor alcançado por um Picasso em leilão em Nova York em 2004.

Uma escultura de bronze do escultor suíço Alberto Giacometti foi leiloada em Londres por £ 65 milhões (US$ 104 milhões), um preço jamais alcançado por outra obra de arte vendida sob o martelo.

Foram necessários apenas oito minutos para o preço da escultura "L'Homme Qui Marche I" sair do valor inicial de £12 milhões (pouco mais de US$ 19 milhões) e escalar até £ 58 milhões (US$ 93 milhões), na casa de leilões Sotheby's.

Adicionando o prêmio do leiloeiro, o valor alcança £ 65 milhões (US$ 104 milhões), um recorde. Um Picasso vendido em 2004 em Nova York atingiu a mesma quantia em dólares, mas, pela diferença cambial, rendeu £ 7 milhões a menos para a mesma Sotheby's.

Apenas obras vendidas em operações privadas alcançaram valor tão alto.
"Existe um mercado que é um pouco uma exceção para objetos que são exceção", disse a editora do The Art Newspaper, Georgina Adam, para quem o preço astronômico se explica pela pouca oferta de trabalhos de Giacometti no mercado de arte.

"Se algo é uma oportunidade única na vida, os compradores estão dispostos a pagar quantias enormes porque é 'agora ou nunca'."

Raridade
Giacometti (1901-1966) é considerado um dos mais importantes artistas suíços do século 20. Nascido na Suíça de língua italiana, o filho de artistas desde cedo se interessou pelo ofício.

Seus trabalhos estão expostos em alguns dos principais museus do mundo, incluindo a Tate Gallery, de Londres, o Kunsthaus, de Zurique, e o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York.

""L'Homme Qui Marche I" é provavelmente uma das esculturas mais simbólicas de Giacometti. Seu leilão é algo raro, já que nunca houve uma seleção desses bronzes sendo oferecida no mercado", disse Helena Newman, porta-voz da Sotheby's.

O recorde anterior alcançado por uma obra em leilão foi do quadro "Garçon à la Pipe", vendido em Nova York em 2004.

Em vendas privadas, o quadro Nº 5, 1948, de Jackson Pollock, alcançou US$ 140 milhões em 2006.

No mesmo leilão em que o bronze de Giacometti bateu recorde, uma pintura rara do pintor austríaco Gustav Klimt foi vendida por quase £ 27 milhões (no câmbio atual, US$ 42 milhões) desta hoje e, o valor mais alto para o artista.

"Kirche in Cassone", de 1913, é uma rara paisagem de Klimt, executada durante suas férias nos lagos italianos. A obra foi perdida durante a 2ª Guerra Mundial e encontrada depois.

A pintura "Pichet et fruits", de Paul Cézanne, foi vendida por pouco menos de £ 12 milhões.

Para Melanie Clore, vice-presidente da Sotheby's, os valores mostram a recuperação do mercado de arte, após um ano incerto de crise econômica.

"Existe um interesse incrível pelas artes visuais", ela disse. "Estou nesse mercado há mais de 20 anos e nunca vi um mercado tão global."

Arquiteto alemão celebra energia brasileira no Ibirapuera


 
SÃO PAULO - A vontade de dialogar com trabalhos de grandes expoentes da arquitetura e do urbanismo brasileiros será concretizada para o arquiteto alemão Hans-Walter Müller. Radicado na França, Müller, de 75 anos, traz ao Jardim de Esculturas do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, uma estrutura inflável, característica de suas obras, com 18 por 9 metros, que assume formas variadas e foi criada especialmente para ocupar o espaço. "Desejei muito uma oportunidade para um projeto que fizesse parte dessa energia que existe no Brasil", conta Müller. O projeto "Arquitetura em Movimento" estará aberto ao público a partir do dia 25 de janeiro, como parte das comemorações do aniversário de 456 anos da cidade de São Paulo.

Ali no parque, a "arquitetura efêmera" da estrutura inflável de Müller vai compor um cenário com duas obras de arquitetos admirados pelo artista alemão: a "Oca", projetada por Oscar Niemeyer ,e o "Jardim de Esculturas", cujo projeto paisagístico é de Burle Marx. Para Müller, sua criação pode ser vista como uma pintura. "O inflável dialogará com a arquitetura do Parque do Ibirapuera, que dialoga com o ''Jardim de Esculturas'' e como pano de fundo teremos o céu azul de São Paulo", diz ele. "Quando eu e o curador Eric Corne falamos (sobre o projeto), me foi permitido descobrir mais a cidade de São Paulo, uma cidade impossível que sabe encontrar equilíbrio em sua poesia."

A instalação também permitirá uma experiência multissensorial ao visitante, resultado da ambientação desenvolvida pelo coletivo de arte Estúdio BijaRi. Composto por seis arquitetos que desenvolvem projetos de intervenção urbana com o auxílio de novas tecnologias, o grupo de São Paulo criou uma escultura espelhada e iluminada por lâmpadas led que fica na parte interna da lona inflável. Pelo reflexo dos espelhos, a sensação será a de estar em uma cratera, clima reforçado pelo som abissal ouvido no ambiente, explica Maurício Brandão, integrante do coletivo. O objetivo, segundo ele, foi trabalhar com as alterações dos desvios da topografia e os diferentes contornos causados pela movimentação da estrutura inflável.

Assim, a obra poderá ser apreciada tanto do lado de fora, com o parque ao fundo, quanto internamente. "Mas com certeza é muito mais interessante do lado de dentro, já que, pelas suas características, o som funciona melhor lá dentro", afirma Brandão. Para fazer a trilha sonora e a iluminação, foram convidados, respectivamente, Ricardo Carioba e Mirella Brandi.

O projeto, realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, faz parte de um intercâmbio cultural da região de Ile-de-France com a cidade de São Paulo. Foi nessa área periférica de Paris que o BijaRi participou de uma residência artística em 2008 e 2009, oportunidade em que os participantes do grupo foram apresentados a Müller por Eric Corne. "Os BijaRi estão particularmente interessados em arquitetura e essas questões intervencionistas na cidade estão no coração de suas preocupações. As questões sociais e políticas transmitidas pelo gesto arquitetônico de Müller não estão longe do território artístico deles", avalia Corne. No ano passado, o francês foi curador da mostra "Arte na França 1860-1960: O Realismo", que ficou em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Müller chegou a São Paulo na última quarta-feira para ajudar na montagem e execução do projeto. Toda a fase de planejamento do trabalho e a comunicação com os integrantes do coletivo foi online, via e-mails. "O processo de uma arquitetura em movimento exige trabalho em grupo, sinergia e multidisciplinas para a execução", considera.

Serviço: "Arquitetura em Movimento", de Hans-Walter Müller com coordenação do Estúdio BijaRi

Parque Ibirapuera - Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portões 1 (pedestres) e 3 (automóveis). Aberto ao público de 25/01 a 28/02, das 14 horas às 23 horas. Acesso à área interna: das 18h30 às 22h30. Lotação: 150 pessoas por sessão

Site da 11ª edição do Festival Jazz & Blues está no ar!‏


Mostra de Picasso festeja centenário de galeria



A Galeria Kunsthaus Zurich, que acolheu a primeira exposição de Picasso num museu, em 1932, vai comemorar o seu centenário com um programa especial que inclui, entre outras iniciativas, uma exposição sobre a forma como os espanhóis receberam a obra do artista, a partir de 15 de Outubro.


O programa, que tem início marcado para 12 de Fevereiro, permite também conhecer a famosa colecção do industrial Emil Buehrle. Para terminar o programa foi preparada uma mostra para homenagear Carl Moser, arquitecto responsável pelo prédio Art Nouveau que aloja o museu.

O museu, que segundo as estatísticas recebeu 228 mil visitantes no ano passado, quer agora exibir os pontos fortes e obras de arte de vários séculos, que vão desde pinturas de grandes mestres a filmes e instalações de artistas contemporâneos.

A iniciativa permite conhecer a colecção de Buehrle, uma das mais importantes de arte privadas da Europa, antes de ser transferida em 2015 para uma nova ala da Kunsthaus, projectada pelo arquitecto britânico David Chipperfield.

A colecção inclui 180 quadros e esculturas e fez manchete em Fevereiro de 2008, quando foram roubados grandes obras de Cezanne, Degas, Monet e Van Gogh no que ficou conhecido como o maior roubo de obras de arte da história da Suíça.

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ERIC ROHMER DEIXOU-NOS AOS 89 ANOS


O realizador francês Eric Rohmer , uma das grandes figuras da Nouvelle Vague, deixou-nos, com saudade, quase aos noventa anos. No Festival de Veneza, após a apresentação do seu último filme, de 2007, “Les amours d’Astrée et de Céladon”, onde se confirma o eterno amante das “jeunes filles en fleur”, Eric Rohmer anunciou a possibilidade de se reformar. Deixou-nos na passada segunda-feira, 11 de Janeiro, na sua casa em Paris.

Em Março faria 90 anos, o realizador francês de cinema que viveu e trabalhou em plena coerência para além de todas as críticas, desde os anos 50. Foi redactor chefe dos Cahiers du Cinéma de 1957 a 1963.


Com outros dois grandes nomes do cinema francês, François Truffaud e Jean-Luc Godard, foi um dos fundadores da Nouvelle Vague.

Depois do seu primeiro filme, “Le Signe du lion”, de 1959, e até 2007, realizou uma série de longas metragens que é urgente rever.

Foi com emoção e saudade que os mais altos dirigentes de França prestaram homenagem a Eric Rohmer. “Devo-lhe absolutamente tudo”, disse o actor Fabrice Luchini.

Saudando a memória de Eric Rohmer, o presidente francês , Nicolas Sarkozy, descrevia o realizador: “Clássico e romântico, sábio e iconoclasta, leve e grave, sentimental e moralista, criou o estilo ‘rohmérien’ que sobreviverá”.

Eric Rohmer, que provou ser possível fazer grandes filmes com poucos meios, ficou conhecido como o cineasta da subtileza. Nunca se pautando pelo ‘politicamente correcto’ ou pelas correntes de moda, eternizou pelos seus filmes o espírito de um homem livre e pertinente que dissecou amiúde, com mestria e subtileza, os grandes temas da liberdade e da moral.

O cinema perdeu um dos seus grandes autores. Nós não o perderemos na memória.

Vasco Ribeiro    

Alexandria, no Egito: uma das poucas cidades do mundo árabe onde a mistura entre o oriente e ocidente é bem acentuada

Uma das visitas mais marcantes é a do Forte QaitbeyÉ indispensável a visita a edifícios históricos, como o museu Greco-Romano, na Rua Mathaf al Romani, com os cerca de 40 mil itens do acervo que datam o século III a.C. O palácio Al-Montazah, que já serviu como residência real, destaca-se pelos seus mais de 370 jardins e vista para uma praia com seus iates.

Mas nada é tão marcante quanto o anfiteatro romano, em pleno centro da cidade, no antigo bairro de Kom al Dekka. E não podem faltar as mesquitas, entre elas a de Abu al-Abbas al-Mursi, a maior de Alexandria, construída por volta de 1775 pelos mouros argelinos, de cor clara e conservação impecável.

Mas talvez a visita mais interessante seja a do Forte Qaitbey. Datado de 1480 d.C., foi feito com pedras reaproveitadas do Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas da Antiguidade.

Pompey's Pillar, na rua Amod el Sawary, recebeu este nome de uma grande coluna de granito vermelho com mais de 30 metros de altura por 9 metros de largura. Ficava no grande templo dedicado a Serapis e hoje está ladeado por um par de esfinges de Heliopolis. Em seu subsolo, encontram-se catacumbas. E por falar nelas, Kom el Shaqafa, na rua Tawfikeya, guarda algumas que estão 35 metros abaixo do nível do solo e são alcançadas por uma escada em formato espiral. O complexo funerário foi descoberto em 1900, acidentalmente, quando um funcionário que trabalhava no local caiu no buraco. Além das escoriações, ele levou os louros da descoberta dos tesouros.

Outro sítio importante é o de Kom el Dikka, na rua Ismail Mehanna, que mais se parecia a uma "colina de cascalho" até a sua escavação nos anos 60. Após a construção de um novo edifício para proteger os mosaicos (e da retirada de 10 mil metros cúbicos de terra), Kom el Dikka guarda ruínas romanas, com colunas e um anfiteatro para 600 pessoas. Neste bairro, que pode ser acessado desde a estação Misr, pode-se observar outras obras da arquitetura romana do local. O Royal Jewelry Museum, na Ahmed Yehia Pasha, é onde estão relíquias do passado que pertenceram à família real do país, entre coleções de jóias em instrumentos de diamantes, relógios, miniaturas e medalhas.

A atual Biblioteca de Alexandria foi construída em homenagem à Grande Biblioteca, uma das maiores da Antiguidade, fundada no século III a.C. e destruída por um incêndio que a tradição atribui a um erro do imperador Júlio César . Inaugurada frente ao mar em 2002, a biblioteca é hoje a maior do mundo.

Alexandria é bem abastecida também em culinária. Os restaurantes mais conhecidos servem especialidades árabes. Comida mediterrânea e frutos do mar são servidos por casas em toda a cidade. Pode-se degustar de um saboroso shawarma (sanduíche árabe) a um kushari, o prato egípcio mais consumido, que é uma mistura de macarrão, arroz, lentilha, cebola torrada, molho de tomate e caldo de limão com alho. No Cap D'Or, bar em que as paredes são todas decoradas com antigas campanhas de publicidade, peça uma cerveja e prove nishouga, um pequeno peixe servido como aperitivo.

O El-Yunani, na Sharia Memphis, em Sidi Gaber, é uma taverna grega que tem paredes azuis cobertas de cartões-postais. É um point popular entre moradores e turistas, servindo boa comida e ótimos drinques. Existe ainda o Karma, que está na rua Bab Sidra, restaurante que, a partir das 23h, transforma-se em um sofisticado clube noturno.

Não se volta de Alexandria sem fazer as tradicionais compras nos mercados de rua. Os principais ficam nas ruas Attarine e Fransa, onde o turista encontra ruelas lotadas de lojinhas que vendem absolutamente de tudo de botões e tecidos até peixes e verduras. O mercado de peixes funciona todos os dias e oferece um ar de pitoresquismo único, mas exige chegar bem cedo. Por roupas e lençóis egípcios, vá até Mahattat el-Raml. Mas por coisas para casa, então Mancheya e Mostafa Kamel são mais atrativas.

Para hospedar-se, uma dica: o hotel Cecil, que fica na Midan Saad Zaghloul, na Midan Ramla Area. É uma instituição de Alexandria e um memorial para a belle époque da cidade: o escritor Somerset Maugham e Winston Churchill eram habituês. O serviço secreto britânico funcionava em uma suíte no primeiro andar.

Homenagens marcam os 75 anos de Elvis Presley


Se estivesse vivo, Elvis Presley completaria 75 anos nesta sexta-feira, dia 8 de janeiro. A data será lembrada com exposições nos Estados Unidos, relançamentos de álbuns do cantor e uma nova e polêmica sobre o astro do rock.


A exposição One life: Echoes of Elvis (“Uma vida: Ecos de Elvis”) na National Portrait Gallery, em Washington, traz exemplos da influência da imagem de Presley depois de sua morte, como um selo postal de 1993 com o rosto do cantor que se tornou o selo mais vendido de todos os tempos nos EUA.

No Grammy Museum, em Los Angeles, os fãs do astro do rock poderão ver a exposição Elvis at 21: Photographs by Alfred Wertheimer (“Elvis aos 21: Fotografias de Alfred Wertheimer”). O fotógrafo registrou imagens promocionais de Elvis antes que o cantor se tornasse famoso.

A gravadora Sony prometeu relançar todos os álbuns da carreira de Elvis. O relançamento da discografia do cantor deve acontecer primeiro nos Estados Unidos e ainda não há previsão para os álbuns chegarem ao Brasil.

Outro lançamento é Elvis 75: Good Rockin’ Tonight, da Legacy Records, uma coletânea contendo 100 músicas que vem acompanhada de um livro com 80 páginas com fotos do cantor.

A escritora Alanna Nash optou por uma homenagem mais original: o livro Baby, Let’s Play House, relata os relacionamentos amorosos do cantor.

O Cirque du Soleil anunciou que prepara um espetáculo sobre a vida do cantor. A estreia de Viva Elvis está prevista ainda para este mês, em Las Vegas.

Elvis Aaron Presley nasceu no dia 8 de janeiro de 1935, na cidade de East Tupelo, Estado do Mississippi, nos Estados Unidos. De origem humilde, chegou a trabalhar como lanterninha de cinema e caminhoneiro para ajudar nas despesas de casa.

Começou a cantar ainda menino em concursos de calouros. Em 1954, Elvis decidiu gravar um disco em homenagem a sua mãe. Foi aí que o jovem aspirante a cantor chamou a atenção dos produtores. O sucesso aconteceu dois anos depois. Elvis também atuou em 31 longas-metragens, entre os quais se destacam Prisioneiro do Rock (1957) e Balada Sangrenta (1958).

Em 16 de agosto de 1977, aos 42 anos, Elvis foi encontrado morto no banheiro de sua famosa propriedade, Graceland, por sua namorada na época, Ginger Alden. A residência do rei do rock, onde está o túmulo do artista, até hoje é local de peregrinação dos fãs do cantor.

Para lembrar Elvis, elaboramos um quiz com questões sobre o astro. Mais que um desafio, a brincadeira é uma boa oportunidade para você relembrar ou conhecer detalhes sobre a vida e a carreira de um dos maiores artistas que o mundo já viu.

Elvis não morreu!

GUARAMIRANGA | Festival Jazz e Blues 2010‏


DESBUNDIX | A FINE ART DO DIXIE


“Up 2 Nine” é o mais recente albúm deste projecto musical, que conta com a participação de 2 grandes músicos portugueses, a Maria João na voz e o Filipe Melo no piano. Este disco conta com 14 temas, onde se destacam temas de referência do Dixieland como “The Original Dixieland One-Step”e“Ory´s Creole Trombone”, ou músicas celebrizadas por Louis Armstrong nos anos 20 e 30 como é o caso dos lendários “Baby Won’t You Please Come Home?”

”West End Blues” e mais tarde “What a Wonderful World”e”Hello Dolly!”, entre muitos outros, um deles sendo até referência da soul music, caso do “Georgia on my Mind”, celebrizado por Ray Charles.

“Up 2 Nine” é um disco que conta com 9 musicos, os 7 músicos desta banda, mais 2 convidados, gravado no ano em que o projecto completa 9 anos de existência (formação no ano 2000) a 9 de Setembro (mês 9) , sendo portanto o 9, um número com grande simbolismo neste novo trabalho.

Depois do primeiro disco "Kick'n Blow" de 2007 surge agora este novo disco que promete mostrar um projecto bastante sólido e musicalmente evoluído, com a contribuição de alguns dos melhores músicos de Jazz do nosso país.

O vestuário em obras de arte

Os vestuário em obras de arteO que antes era apenas um elemento para servir de proteção ao corpo com o passar do tempo se transformou em um importante protagonista. Não há como falar de algumas peças de roupas sem mencionar a história que as envolvem.

Um exemplo disso é biquíni, hit de todos os verões. O traje foi inventado pelo estilista francês Louis Réard, que o batizou com esse nome por conta do atol Bikini, no Pacífico, onde os americanos realizaram uma série de testes atômicos.

Antes de ser algo tão comum nas praias, a peça foi alvo de verdadeira polêmica, mas em 1956, ele foi imortalizado pela francesa Brigitte Bardot, depois de usar o modelo xadrez vichy adornado com babadinhos, durante o filme "E Deus Criou a Mulher".

Ao longo do tempo, a roupa também serviu de inspiração para muitos artistas, como mostra a historiadora de arte Cacilda Teixeira da Costa, em seu livro "Roupa de artista — o vestuário na obra de arte" (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e a Edusp). Conforme a historiadora, descrições pictóricas, interpretações e apropriações do vestuário estão presentes nos principais movimentos da história da arte por meio da pintura, escultura, desenho, gravura, performance e outras categorias artísticas.

"Dadas suas relações com o corpo, a identidade, o poder e a sexualidade, tanto a indumentária como adereços e seus desdobramentos são tão instigantes, que poucos mestres, do passado ou contemporâneos, ficaram imunes ao seu extraordinário fascínio", acrescenta a autora.

No decorrer dos séculos, como ela mesma explica, desenvolveram-se técnicas artísticas específicas e um extraordinário virtuosismo na forma de retratar tecidos, texturas, drapeados e outros detalhes, tanto em pintura como na escultura, que variaram em diferentes tempos e circunstâncias.

Cacilda cita como exemplo, Velázquez, conhecido por retratar com riqueza de detalhes as pessoas da corte, sejam elas reis, mulheres ou crianças. O pintor, filho de nobres, viveu em Sevilha no século 16, a cidade mais rica da Espanha na época.

A obra de Cacilda também menciona o realismo descritivo, isso no século 19, e cita como exemplo as obras de Ingres, que dá mesma importância ao rosto, às mãos e ao vestuário. Outro artista destacado pela historiadora é Degas, responsável por quebrar alguns paradigmas e abrir as portas para novas ideias que vieram em seguida - ele deixou de lado a representação e utilizou o próprio vestuário como parte integrante da obra de arte, abrindo perspectivas para as vanguardas que viriam em seguida.

Outro importante passo para a história das vestimentas e das artes aconteceu no século 20, quando a indústria da moda começou a se desenvolver e não só se deu importância à criação, mas também aos formatos de divulgação nos meios de comunicação de massa. Aos poucos, os artistas perderam a sua influência e foram substituídos pelos costureiros, hoje estilistas.

Antes disso, por volta de 1770, surgiram as primeiras publicações de moda, como "La Galerie des Modes". Fora do campo da arte, eles reproduziam as roupas usadas pelos mais elegantes da época e, em seguida, passaram a apresentar modelos e informações sobre as tendências.

A historiadora termina a viagem no tempo destacando como o vestuário se tornou algo importante em todos os campos. "Jovens artistas continuam apropriando-se do vestuário como tema, metáfora ou forma de expressão — fora da moda. Do ângulo da relação com a moda, os estilistas propõem coleções inspiradas nas obras dos artistas e os desfiles são cada vez mais performáticos".

Malangatana recebe diploma Honoris Causa pela Universidade de Évora

O artista plástico moçambicano Malangatana Valente Ngwenya vai receber o diploma Honoris Causa pela Universidade de Évora no próximo dia 11 de Fevereiro, anunciou o pintor.

"A 11 de Fevereiro vou receber um diploma Honoris Causa pela Universidade de Évora", disse Malangatana, numa entrevista ao jornal O País, editado em Maputo.

Na entrada do novo ano, o artista mais consagrado nas artes plásticas em Moçambique assegurou que marcaria "o primeiro quadro de 2010", provavelmente, "o último" da sua carreira.

"Vou tentar marcar o primeiro quadro de 2010, que se calhar será o meu último quadro, porque a idade não perdoa", disse Malangatana, que em Junho comemora 74 anos.

A universidade justificou a atribuição do diploma com o reconhecimento das obras do pintor, que é igualmente escultor, poeta, dançarino, cantor e contador de histórias, "homem com uma inestimável dimensão humana e de cidadania, artista que projecta Moçambique além-fronteiras, professor de arte e de 'estórias', sobretudo para crianças".

Nascido em Matalane, arredores de Maputo, Malangatana Valente Ngwenya está representado em museus, galerias e colecções particulares em todo o mundo.

Arte e alucinação | SÍNDROME DE STENDHAL

Arte e alucinação pode causar fortes reações físicas e mentais a obras marcantes.


Sorriso introspectivo ou seriedade enigmática? Expressão tímida ou semblante discretamente sedutor? Em um episódio recente, se a Mona Lisa tivesse a habilidade de se expressar, certamente ganharia uma fisionomia bem diferente daquela que encanta e confunde no Museu do Louvre, em Paris. A obra mais famosa de Leonardo da Vinci foi alvo de uma caneca arremessada por uma visitante russa. Depois de deter a jovem que atacou o quadro, a polícia parisiense a transferiu para um hospital psiquiátrico. Logo começaram a surgir informações sobre a hipótese de a moça ter sido vítima da síndrome de Stendhal.

Aceleração cardíaca, tonturas, confusão mental, angústia e até alucinações são manifestações desse mal súbito e raro, que tem intrigado neurologistas e psiquiatras especialmente na Europa, onde acontecem os surtos de que se tem notícia.

A síndrome foi descrita pela psiquiatra italiana Graziella Magherini, em 1989. A médica a definiu como um conjunto de sintomas que acometem indivíduos psicologicamente equilibrados no momento em que contemplam obras de arte com características marcantes. “Nas décadas de 1980 e 1990, eu era responsável pelo serviço de saúde mental do Hospital de Santa Maria Novella, em Florença. Com meus colegas, comecei a perceber a recorrência de casos de emergência de pessoas afetadas por um distúrbio psíquico repentino”, descreveu a psiquiatra no livro que publicou sobre a síndrome, La Sindrome di Stendhal. “Estudando cada um deles, identificamos alguns elementos em comum nessas pessoas, todas portadoras de grande sensibilidade emocional, que tiveram contato com obras de arte e que eram turistas estrangeiros”, relatou na publicação.

No Brasil, poucos médicos conhecem a síndrome. De acordo com o neurocirurgião Edson Amâncio, o desconhecimento pode estar relacionado ao fato de o distúrbio não estar catalogado no Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, bíblia da psiquiatria americana.

– Sei de brasileiros que passaram pela situação contemplando obras na Europa. Eu próprio vivenciei os sintomas diante do quadro Cristo Morto, do pintor renascentista alemão Hans Holbein, o Jovem, no Museu da Basileia, na Suíça. Essa relíquia também provocou sensações perturbadoras no escritor russo Fiodor Dostoiévski – observa o neurologista.

Amâncio diz conhecer relatos de pessoas que permaneceram no interior de museus que guardam grandes trabalhos em uma espécie de sonambulismo:

– Alguns ficam estáticos diante de quadros ou esculturas num pranto silencioso. Em geral, as vítimas perdem a noção do tempo e do local.

O neurologista e professor da Universidade Federal do Paraná Hélio Teive sofreu por alguns minutos os sintomas da síndrome de Stendhal durante uma visita à Capela Sistina, no Vaticano.

– Diante do teto da capela, obra primorosa de Michelângelo, senti algo muito fugaz, mas que me deixou fora de mim. Fui tomado por taquicardia, tontura e uma ansiedade muito forte – relata Hélio.

Saiba o que é o Síndrome de Dtendhal aqui
Recuperação rápida

> Os episódios de mal-estar característicos da síndrome não parecem ter consequências graves. Um pouco de repouso, a proximidade com algo familiar ou a ingestão de tranquilizantes leves contornam o distúrbio.

> Segundo a psiquiatra italiana Graziella Magherini, autora de pesquisa sobre o assunto, o espectro de sintomas é bem variado. Algumas pessoas sofrem com alucinações e alteração de percepção, outras manifestam desequilíbrio afetivo ou depressão. Angústia ou ataques de pânico também podem ocorrer.

> Durante seus 10 anos de observação, Graziella verificou que a remissão rápida dos sinais é frequente, mas aqueles portadores que apresentaram dissociações psicóticas, mania de perseguição ou alucinações têm sete vezes mais chances de não se recuperar rapidamente.

Recuperada a guitarra de brincar de Picasso

Brinquedo criado pelo artista espanhol para a sua filha Paloma encontrava-se desaparecido.

Uma guitarra de brincar criada por Pablo Picasso (1881-1973) para a filha Paloma foi encontrada numa velha caixa de sapatos, escondida numa casa na região do Lácio, anunciaram as autoridades italianas.

A polícia encontrou o brinquedo - conhecido como Pequena Guitarra - em casa de um comerciante após uma investigação desencadeada pela denúncia da viúva de Giuseppe Vittorio Parisi, amigo a quem o artista plástico espanhol doara a peça.

Há dois anos, Giuseppe Vittorio Parisi tinha entregue a guitarra de brinquedo ao comerciante com instruções de criar uma urna para a obra, para ela ficar protegida, mas o objecto nunca chegou a ser devolvido. Quando Parisi faleceu, este ano, a viúva alertou a polícia para o desaparecimento do brinquedo, tendo sido desencadeada uma operação de buscas na casa do comerciante em Pomezia.

A guitarra é um dos temas recorrentes na obra de Picasso, quer na pintura, quer nas esculturas. A Pequena Guitarra vai agora ser entregue ao Museu Cívico de arte contemporânea do Lago Maggiore, no Norte de Itália.

Filha mais nova de Pablo Picasso e de Françoise Gilot, Paloma Picasso nasceu em 1949 e é actualmente uma conhecida estilista, famosa sobretudo pelas suas jóias e perfumes.

“Gotas de Ortega” : a desumanização da arte em Picasso e Duchamp


O nosso projecto em relação ao titulo dado a esta crónica, foi objetivamente o de tentar vincular algumas das interpretações conhecidas ao célebre ensaio La Deshumanización del Arte (2) do filósofo espanhol. O fato é que ao tentar aproximar-se da arte moderna através da definição de certos pressupostos, Ortega tocou em pontos extremamente precisos para lidar com Picasso e Duchamp. Verdade que de forma inteiramente inesperada, pois sua abordagem ao partir da “impopularidade” característica da arte moderna, era mais sociológica―daí tendendo sempre à generalização, mencionando artistas e obras apenas quando apropriados para esclarecer seu argumento―, mas isso, como veremos, de forma alguma o impede de ser útil à nossos propósitos.


Gota à Gota
À que se refere Ortega quando fala de “desumanização da arte”? antes de mais nada, o conceito é um instrumento utilizado por ele para compreender os objetivos da “nova arte”, que tenderiam à “desumanização” por buscar: (1) evitar formas vivas; (2) fazer da obra apenas arte; (3) considerar arte como jogo; (4) uma essencial ironia; (5) evitar a dissimulação; e por fim, (6) uma total intranscendência. Esses pontos, nos alerta o autor, são sumamente conexos entre si, e não devem ser analisados separadamente. O que nos propõe é antes uma explicação gradual do conceito de desumanização entrelaçada à esses pontos, a qual nos levará a compreender porque considera positiva, e mesmo necessária, uma “arte desumanizada”.

Para entendermos a atividade artística Ortega propõe inicialmente uma cena: um homem moribundo; junto ao leito sua mulher e um médico a tomar as pulsações do doente; ao fundo, mais duas figuras, um repórter e um pintor. Da mulher ao repórter, explica, observamos um distanciamento gradual em relação à experiência do moribundo. Todos, direta ou indiretamente, lá estão para compartilhar dessa experiência. Mas quando chegamos ao pintor algo muda: deparamo-nos com uma total indiferença, pois “sua atitude é puramente contemplativa, cabe dizer que não a contempla em sua integridade.”(3) Para Ortega, o pintor, diferente dos demais, precisa evitar o que chama de “realidade vivida”, a qual

“na escala das realidades possui uma peculiar supremacia que nos obriga a considerá-la como a realidade por excelência, (…) em vez de realidade vivida, poderíamos dizer realidade humana [pois] (…) o pintor que presencia impassível a cena de agonia parece inumano.”(4)


Ciencia y Caridad, (estudo e definitivo), Picasso, 1897.
É nesse sentido, pois, que devemos entender “humanidade”: estamos na realidade quando compartilhamos sentimentos supostamente “comuns”, somos humanos quando interagimos, ou aparentamos interagir no meio social. Inversamente, quando nos negamos a interagir, estamos fora da realidade e somos desumanos―pois não agimos de forma natural socialmente.


Por uma Arte
Logo no início do texto compreendemos que para Ortega são igualmente equívocas em seus objetivos a arte que simplesmente copia as formas naturais e a que o faz em relação à sentimentos ou reações “socialmente naturais”. O grau de pureza da arte, para ele, mede-se pelo êxito de certo processo de eliminação de “resíduos” de realidade humana. Importante notarmos aqui que não fala da “nova arte” unicamente, para ele a verdadeira arte sempre guiou-se ou realizou-se através desse objetivo, e não faria sentido combater tão veementemente a tradição—como faziam os jovens artistas de então—não estivesse esta demasiado “impura”. A arte modena apenas reagira de forma proporcional ao que Ortega chama de “desleal século XIX”, ou seja, radicalizavam evidenciando os reais objetivos da arte, cortando sistematicamente todas as “pontes” com a realidade―sempre presentes, mas de forma totalmente secundária na grande arte do passado.


Vermeer, The milkmaid (1658-61).
Nesse ponto muitos são os possíveis caminhos de análise; nossa opção aqui é de um lado seguir pelo que há de mais básico na Desumanização, a rígida contraposição realidade X arte, e de outro buscar aos poucos nos aproximarmos do que há de mais típico do pensamento orteguiano, isto é, sua interpretação histórica pautada pela “necessária divisão” da sociedade entre massa e elite. Daremos maior ênfase ao primeiro aspecto, advertindo porém que a estrutura do trabalho manteve sempre em vista esses dois planos.


Puro Kant?
Como vimos, para Ortega, a divisão válida não é de forma alguma tradição X vanguarda, que é apenas circunstancial, mas realidade X arte. O estudo das tradições, revelaria sobretudo uma história de superações, pois que “na arte é nula toda repetição”(5) . Os artistas do século XIX teriam procedido impuramente, pois

“reduziram ao mínimo os elementos estritamente estéticos e faziam a obra consistir em ficção de realidades humanas, nesse sentido podemos dizer que toda a arte daquele século foi realista (…) romantismo e naturalismo se aproximam ao revelar sua comum raiz realista.”(6)

Sem dúvida já pressentimos aí a vitalidade do pensamento de Ortega, a movimentar conceitos num universo sem lugares comuns. Há, no entanto, algo claramente familiar nesse critério de grau de pureza artística: faz-se sentir a influência do pensamento estético kantiano. Segundo Julián Mariás, seu discípulo direto, a formação de Ortega y Gasset deu-se em Marburgo com o grande neokantiano Hermann Cohen, a qual, segundo ele “deu-lhe minucioso conhecimento de Kant e uma verdadeira imersão na atitude idealista”.(7) Forçoso vermos nessa rígida divisão realístico X artístico, vestígios dessa “imersão” na tendência a compartimentalização das faculdades delineada por Kant na terceira Crítica―e levada adiante por Cohen no seu Kants Begründung der Asthetik (1889)―, onde vemos a arte afirmar-se à medida que submergem o útil e o agradável. É partindo daí que o argumento da desumanização evolui. Diz e diz:

“Alegrar-se ou sofrer com os destinos humanos é coisa inteiramente diversa do verdadeiro gozo estético (…) A percepção da forma artística e a da realidade vivida são, a princípio incompatíveis, pois requerem uma acomodação diferente em nosso aparelho receptor; uma arte que proponha essa dupla visão será uma arte vesga.”(8)

O risco de dogmatismo aí implícito é bem representado pela figura do marchant e esteta alemão Daniel-Henry Kahnweiler, cuja rígida oposição, típica do pensamento neokantiano, entre o belo e o agradável “led him to categorically reject not only Matisse, but all abstract art as hedonistic decoration (and so on)”(9) . Quando Ortega nos diz, sobre a arte do século XIX, que “o artista compunha grandes edifícios apenas para neles alojar sua auto-biografia”, ou que “de Beethoven à Wagner toda música é melodrama”, e ainda, que “apenas o gênio individual permitia que ocasionalmente brotasse em torno do núcleo humano uma fotosfera radiante, com um resplendor era impremeditado [como no caso de Baudelaire]”, a princípio é difícil evitarmos o mesmo “diagnóstico” de Kahnweiler.

Sabemos porém, como nos diz Yve-Alain Bois, que, ao menos em relação ao cubismo, esse “dogmatismo” mostrou-se secundário, sendo essencial o alto grau de compreensão e pioneirismo que Kahnweiler atingiu―tendo sido talvez o primeiro a compreender o potencial da aventura cubista―, e para isso foi-lhe imprescindível a aplicação da estética neokantiana. Ora, quanto mais no caso de Ortega, sua análise certamente não se fecha em Kant. À parte sua persepectiva bem original―da qual falaremos mais adiante―, pelo texto (e amparados por sua biografia intelectual) podemos perceber que ao menos três outros grandes pensadores ajudam-lhe a estruturar o conceito de desumanização.

De Husserl sentimos emanar o ímpeto anti-positivista de Ortega. Seu enfrentamento, claro está, não é apenas para com a “arte impura”, mas antes contra o “pensamento impuro” do século XIX, que desvinculara a filosofia da metafísica; a arte, a reboque, apenas deixara-se seduzir por curtos circuitos análogos, “sua operação se reduziu a polir um núcleo humano dado, a dar-lhe brilho, textura ou reverberação.”(10) Com a fenomenologia de Husserl a filosofia retornou à “verdadeira tradição”―a metafísica. Ortega, que parece enxergar um processo análogo nas artes, propõe-nos como introdução “algumas gotas de fenomenologia” para compreendermos o verdadeiro caminho do artista.

Ortega foi também profundamente influenciado por Wilhelm Dilthey, cuja grande contribuição foi o historicismo, a “consciência histórica sem qualquer matriz doutrinal”. Quis dizer com isso simplesmente que tudo se dá numa circunstância histórica, ou seja, “não só o homem está na história, nem tem história, mas é história”; segundo Julián Marías, “com Dilthey descobre-se que o que muda é o próprio homem”(11) . Sentimos sutilmente essa perspectiva em diversos trechos da Desumanização(12) , ademais presentes nos célebres aforismos de Ortega, “eu sou eu e minha circunstância”, “o homem não tem natureza, tem história”, etc.

Por último, podemos destacar a influência do pensamento de Georg Simmel(13) para quem a vida tem duas definições que se completam reciprocamente: é mais vida e mais que vida:

“A vida precisa da forma e ao mesmo tempo é mais que a forma. (…) especialmente na atitude criadora, é o constante transcender do sujeito daquilo que lhe é alheio ou a produção daquilo que lhe é alheio. Com isso não se subjetiva esse ser alheio: o caráter absoluto desse outro, desse mais, é a fórmula e a condição da vida. O dualismo é a forma em que existe a unidade da vida. Por isso pode-se dizer num último e agudo paradoxo, que a vida encontra sua essência e seu processo em ser mais vida e mais que vida; isto é que seu positivo enquanto tal já é seu comparativo.”(14)

Ecos dessa perspectiva estão claros no texto de Ortega para quem o movimento por um arte pura é essencial não só na arte:

“Se vive na proporção em que se anseia viver mais; toda obstinação em manter-nos dentro de nosso horizonte habitual significa debilidade, decadência das energias vitais. O horizonte é uma linha biológica, um orgão vivo de nosso ser, ondula elástico quase ao compasso de nossa respiração.”(15)

Nossa pretensão aqui certamente não é posicionarmos o conceito de desumanização num contexto histórico-filosófico específico, apenas buscamos dar-lhe maior substância e coerência interna ao apontar essa composição específica. Busquemos então em que medida ele é aplicável à dois mestres da arte moderna.


Colagem sobre O Y G
Ao estudarmos as obras de Picasso e Duchamp nosso foco recai inevitavelmente em dois aspectos: o rompimento com a mímesis (Picasso) e na dissolução da aura/autor (com Duchamp), sendo esses dois pontos suficientemente complexos para desnortear-nos eis que requerem um considerável aparato histórico-filosófico para lidarmos com eles. Quando tratamos de arte, no entanto, temos sempre um recurso legítimo: se das obras surge a confusão, logo à elas devemos retornar na busca por respostas―, no fundo é desse movimento cíclico que, em boa parte, depende a vitalidade das obras-primas. Inevitável reentrarmos portanto nas órbitas de Duchamp e Picasso, em busca de uma força comum, só que agora em posse de uma nova orientação, os dois raios que amarram a arte moderna para Ortega y Gasset: metáfora e jogo.

Aparentemente estamos caindo em nova armadilha ao propormos lidar com outros dois conceitos tão amplos e difíceis, mas essa opção não é nada arbitrária; veio-nos das leituras mais relevantes sobre os dois artistas e da síntese que julgamos a mais adequada para a Desumanização. Da fusão de ambas parecem ter surgido bem naturalmente a metáfora picassiana e o jogo duchampiano. Sintetizamos Ortega então da seguinte forma:


(A) Desumanização = (propõe a arte como domínio da) metáfora = Picasso
(B) Desumanização = (propõe a arte como domínio do) jogo = Duchamp


Dentro da Metáfora
Se voltarmos aos seis pontos iniciais da Desumanização da Arte veremos que não consta entre eles, explicitamente, a metáfora. Então qual a razão para que a acrescentemos, e sobretudo, para que a elevemos, ao lado do jogo, acima dos demais? Primeiramente é preciso dizer que ao fazê-lo, de forma alguma estamos distorcendo o texto, que dedica-lhe um capítulo inteiro―El Tabú y la Metáfora(16) ―dando-lhe um destaque tão forte que por vezes chega estranhamente a ofuscar o conceito de desumanização. Na verdade a metáfora é nada menos que um instrumento para se atingir quatro dos pontos citados (evitar formas vivas, fazer da obra apenas arte, evitar a dissimulação e a busca pela intranscendência). E com isso afirma-se como o caminho que julgamos o mais apropriado para chegarmos à Picasso―para quem representação é a palavra chave. Do cubismo analítico às colagens, do impulso da máscara africana à célebre guitarra, e finalmente, ao atingir-se o cubismo sintético, assitimos à um processo de dissociação da representação tradicional, lastreada nas formas naturais.

E qual o papel que teve a metáfora, ou melhor, a compreensão do processo metafórico, nesse percurso? Yve-Alain Bois, no seu famoso Kanhweiler’s Lesson, atribui-lhe uma importância fundamental:

“[African Art] sintax is arbitrary, it no longer relies on anatomical knowledge (…) the vocabulary is arbitrary and, in consequence, extends to infinity because the elements no longer have need of any direct resemblance to their referent. A cowry can represent an eye, but a nail can fill the same function. From this second type of arbitrariness unfolds the third, as well as a complete range of poetic methods that we might now call metaphoric displacements. A cowry can represent an eye but also a navel or a mouth; therefore, an eye is also a mouth or a navel. Picasso had perceived African art’s potential for metaphoric extension (…) he insisted on the possibility of plastic metaphorization at the heart of cubism―in this sense we should speak of cubist work.”(17)


A lição da máscara africana (Grebo): El guitarrón (1912) e Cabeza de toro (1942).
Deixemos Yve-Alain Bois que não se aprofunda no conceito (interessa-se pela arbitrariedade do signo no viés estruturalista) e retornemos a Ortega que curiosamente abre um parêntese e (lembrando-nos Picasso e a máscara africana) recorre aos primitivos para explicar a metáfora:

“Quando se perguntou sobre a origem da metáfora surpreendentemente respondeu-se que uma de suas raízes está no espírito do tabú(18) . Houve uma época em que teria sido o medo a máxima inspiração humana. Sentia-se a necessidade de evitar certas realidades que, por outro lado, eram inevitáveis. O animal mais frequente do local e de que depende a sustento da população, adquire um prestígio sagrado. Essa consagração traz consigo a idéia de que não se pode tocá-lo com as mãos. Que faz o selvagem? Põe-se de cócoras e cruza as mãos abaixo das nádegas, porque assim as mãos são metaforicamente pés. E como para o homem primitivo o nome é um pouco a coisa mesma nomeada, não pode nomear certos objetos sem recair em tabú. Assim o polinésio, quando vê queimar o palácio-cabana do rei, diz: ‘Ardem raios nas nuvens do céu’. Desenvolvido desta forma tabuísta, logo o instrumento metafórico pôde ser empregado com os fins mais diversos; tornou-se a potência mais fértil que possuímos, tudo o mais nos mantém dentro do real, do que já é. Só a metáfora nos facilita a evasão, criando nas coisas ‘arrecifes imaginários, islas ingrávidas’.”(19)

No entanto, ao instrumentalizar a metáfora, percebeu-se o que esse processo de reformulação associativa tem de básico e generalizado, aquilo que simplesmente o torna possível: “A relação de nossa mente com as coisas consiste em pensá-las, em formar idéias delas. Com as idéias vemos as coisas, e nessa atitude natural de nossa mente, não nos damos conta daquelas. Porém entre a idéia e as coisas há sempre uma absoluta distância”. Conclui:

“O pintor que faz um retrato pretende apoderar-se da realidade da pessoa, quando na verdade deixou na tela uma seleção, caprichosamente escolhida por sua mente, da infinitude que integra a pessoa real. E se o pintor resolvesse então pintar sua idéia, seu esquema da pessoa? O quadro se converteria no que autênticamente é: um quadro, uma irrealidade. Antes se vestia a metáfora sobre uma realidade, como um adorno. [Com a arte moderna] ao contrário, se trata de realizar a metáfora, fazer dela res poética.”(20)

A “fuga da realidade” (expressão muito usada no texto) é o objetivo da desumanização, e essa fuga é logicamente algo paradoxal, pois sua estratégia a princípio parece ser apegar-se fortemente à própria estrutura da realidade―posto que esta não seria dada, e sim incessantemente construída. Mas afinal, à que mais pode-se recorrer? Como diz Ortega,

“o homem vulgar pensa que é coisa fácil fugir da realidade, quando na verdade é o mais difícil do mundo. Na linha mais abstrata vibra larvada uma reminiscência de certas formas naturais. [Diria o leigo:] ‘mas basta por exemplo fazer algo sem sentido, como juntar palavras aleatoriamente’. A questão no entanto é construir algo que não seja cópia do natural (…) a arte deve ser plena de claridade, melodia do intelecto, logo não pode consistir em nenhum tipo de contágio psíquico, porque esse é um fenômeno incosciente.”(21)

Do ponto de vista de Ortega temos sem dúvida confirmada a superioridade da aventura cubista em relação ao dadaísmo e ao surrealismo. Picasso e Braque sem dúvida projetaram e construíram algo novo e de forma bem consciente. A base analítica, com a lição da máscara africana, possibilitou o desdobramento de etapas sucessivas (colagem, “nova escultura”, cubismo sintético) de “êxitos desumanizadores”. A referência à fatores externos nas obras é mínima. Inverte-se a relação que teríamos no realismo; de fato, a realidade vivida não deve servir mais nem mesmo de “adorno”, passa a ser, metaforicamente falando, apenas uma peça de roupa a mais ordinária (muitas vezes literalmente de jornal), inevitável à condição humana, mas sem dúvida secundária.(22) Se Picasso buscava o quadro autêntico, pleno de irrealidade, acertou portanto quando insistiu e permaneceu operando no domínio da metáfora.

Botella de “Vieux Marc” (1913), Arlequín (1915) e Tres músicos (1921).
Não há dúvida que Ortega nos ajuda a vislumbrar o território cubista e que aparentemente seu argumento está bem formulado. Apenas quando diz que o pintor passou a “pintar sua idéia”, sentimo-nos um pouco afastados de Picasso, cujo trabalho percebemos como muito atrelado ao fazer-se da própria obra que torna-se tema de si mesma.(23) A menos que se entenda “idéia” de forma menos projetiva e alimentada por um eterno retorno às coisas; e que a “distância absoluta” não implique em renúncia prévia à materialidade. Ressalvamos ainda que em Picasso a ausência da “realidade vivida” pode ser bem mais problemática do que demos a entender (de certa forma Ortega sabe disso ao combinar desumanização com intranscedência), mas atentemos para algo novo, e mais interessante a nossos propósitos, que entra em questão: com o cubismo evidencia-se que o artista parece ter domínio sobre um processo, uma força estranha à ele mesmo. O texto chega a citar dois métodos artísticos-metafóricos que tem algo de “automáticos”, o supra e o infrarealismo, que consistem, um em trocar simplesmente a perspectiva habitual, outro em exagerar os acontecimentos mínimos, quase imperceptíveis, da vida. O que nos lembra o inframince… de Duchamp.

R. Mutt
Deixamos Ortega justo quando ia dizer que “a nova arte é a álgebra superior das metáforas”. Se diz álgebra é justamente para frisar a qualidade de frieza da desumanização, chega a citar: “toute la maîtrisse jette le froid” (Mallarmé). E nesse ponto já não nos sentimos mais tão próximos de Picasso como quando estávamos com a metaforização. Ainda que o caráter intelectual, cerebral, da sua obra seja manifesto, quando observamos as obras a frieza não é tão evidente (talvez, e apenas de forma imperfeita, no cubismo analítico). Já as colagens e o cubismo sintético apontam para um deleite inteligente do olhar, construídos com grande precisão, mas no plano da sensibilidade visual. A partir daqui certamente Duchamp é melhor companhia.

Se Picasso parece ter planejado, encontrado e aplicado largamente uma fórmula espetacular para uma “nova arte”, Duchamp, nos parece, encontra seu auge quando estabiliza-se no plano especulativo. Suas obras primas, os ready-mades e o Grand Verre, são obras a serem construídas pelo espectador.(24) Em vez de “formas naturais” acessórias (Picasso), agora é secundária a própria visualidade da arte que revela-se cruamente como um dado cultural da “realidade”. Duchamp, ao buscar fragmentos da realidade mediados por um “acaso consciente”, planeja e constrói enigmas culturais incompatíveis com a mesma: o “hasard en conserve” do artista é algo como uma “expressão” insolúvel por conter princípios distintos, mas que, deslocados para o contexto da arte, passam a comunicar-se intensamente, substituindo fluxos sintéticos por impulsos estéticos. E nessa indeterminação pressentimos, através de uma imagem, a arte em sua tempestade inicial―onipotente e plena de incertezas.(25)

Ready-mades: Roue de bicyclette (1913), Porte-bouteilles (1914) e In advance of the broken arm (1915).
Por isso Duchamp parece ter o mérito de manter-nos no nível mais elevado desumanização, nele vislumbramos uma arte ainda indissociável do todo de onde emana, ou uma “não arte” artisticamente apresentada (uma “vida não vivida”, se quisermos permanecer no paradoxo orteguiano): “É possível uma arte pura? Talvez não seja; mas as razões que conduzem a essa negação são bem precárias” (26) .

Duchamp, nos parece, permaneceu pacientemente (preguisosamente para alguns) diante do enigma. (E desse ângulo parece natural que sua produção seja tão diferente qualitativa e quantitativamente da de Picasso. Não haviam problemas a serem resolvidos dentro da arte). Nele, mesmo o produzir e o criar mostram-se como dados humanos desconfortáveis e artificiais. “Considero trabalhar uma imbecilidade” e “Meu objetivo de vida era passar pela chuva sem me molhar”(27) são frases do artista consideradas meramente cômicas mas que devem ser levadas à sério se quisermos entender o universo do artista. Para ele a arte deve servir de modelo para a vida.

Fair as Player
Entre as críticas feitas à Pierre Cabanne em sua famosa entrevista com Duchamp, uma é particularmente interessante: a de que o artista teria sido tratado como um “atleta campeão” (o que explicaria certa superficialidade do diálogo). A resposta do autor não é importante aqui e sim que, para Ortega, é justamente esse um dos caminhos mais férteis para compreendermos a arte moderna, isto é, seu caráter de jogo e brincadeira(28) ―chegando mesmo a aproximá-la dos esportes enquanto fenômeno sociológico.

Não vamos nos alongar sobre a questão da natureza do jogo, mas é indispensável delimitarmos minimamente a que estamos nos referindo, pois que facilmente podemos ser induzidos a consider como “jogo” toda atividade humana, o que obviamente esterilizaria o uso do conceito. Logicamente precisamos nesse momento de um guia à altura de tal tarefa, eis porque optamos por dar espaço ao grande Johan Huizinga cuja obra sobre o conceito em questão é da maior importância(29) . Em Homo Ludens, lemos:

“[O jogo] é uma função significante, isto é, encerra um determinado sentido. No jogo existe alguma coisa ‘em jogo’ que transcende as necessidades imediatas da vida, mas que confere um sentido à ação. A psicologia e a fisiologia procuram observar, descrever e explicar o jogo atribuindo-lhe um lugar no sistema da vida (…) preocupam-se apenas superficialmente em saber o que o jogo é em si mesmo e o que ele significa para os jogadores, não prestam atenção a seu caráter profundamente estético (…) o divertimento do jogo resiste a toda análise e interpretação lógica (…) É legítimo [portanto] considerar o jogo uma totalidade que ultrapassa a esfera da vida humana, logo é impossível que tenha seu fundamento em qualquer elemento racional. Em toda parte encontramos presente o jogo, como uma qualidade bem determinada e distinta da vida comum.”(30)

Essa qualidade distinta parece ser a que se refere Ortega (continuemos com Huizinga):
“Antes de mais nada, o jogo é uma atividade voluntária. Sujeito à ordens, deixa de ser jogo, podendo no máximo ser uma imitação forçada. Basta essa característica de liberdade para afastá-lo definitivamente do curso da vida natural (…) É possível em qualquer momento adiar ou suspender o jogo; jamais é imposto pela necessidade física ou moral. Chegamos à primeira das características fundamentais do jogo: de ser ele próprio liberdade (…) No que diz respeito as características formais do jogo todos dão grande ênfase ao fato de ser ele desinteressado. Visto que não pertence à vida ‘comum’, ele se situa fora do mecanismo de satisfação imediata das necessidades e desejos, e pelo contrário, interrompe esse mecanismo”.(31)

Esbarramos em Duchamp? A liberdade é, sem dúvida, a sua marca; antes de ser artista busca uma vida livre. E segundo Ortega são a arte e a ciência pura as atividades mais livres, menos submetidas às condições sociais da época. Quanto ao “desinteresse”, é o complemento perfeito para precisar a liberdade em Duchamp, em quem não há traço algum de comprometimento ou engajamento; quase dizemos que era artista somente porque precisamos dizer que todos “são” algo. Mesmo sua iconoclastia mais explícita, quando comparada à qualidade superior do pensamento duchampiano, perde todo sentido de revolta social, evidenciando-se muito mais, ora como autênticas brincadeiras, ora como mera estratégia auto-promocional. Se há algo de claro nele é sua incrível liberdade dentro de seu contexto (seja dadá, surrealismo ou cubismo), nada o retém substantivamente: sua ironia o preserva de qualquer fundo de seriedade(32) . De que outra forma explicaríamos a sua displicência em relação a arte enquanto instituição, o abandono precoce da pintura e, por fim, de qualquer atividade dita artística para dedicar-se ao xadrez?(33) Sem a leveza desses dois elmentos―desinteresse e liberdade individual―seria ele indiscernível dos demais dadaístas ou de um tipo comum de anarquista (tanto mais quando consideramos a obscuridade prolongada em que permaneceu).

Nu descendant un escalier (1912), L.H.O.O.Q. e Air de Paris (ambos de 1919).
Voltando ao curso da Desumanização, entramos então numa curva brusca, mas que logo revela um panorama muito agradável à nossos objetivos. Toda a questão da pureza até aqui tão reforçada parecia indicar um entusiasmo verdadeiramente ascético pela arte. Mas desponta uma contradição e aqui cremos ter Ortega agarrado algo de Duchamp; é o que ele chama de “irônico destino” da arte:

“Nunca demonstra a arte melhor seu dom que quando faz piada de si mesma. Porque ao aniquilar-se a si própria segue sendo arte, por uma maravilhosa dialética, sua negação é sua conservação e triunfo (…) Ser artista hoje é não levar à sério o homem tão sério que somos quando somos artistas.”(34)

Retornando a Huizinga (sobre “Jogo e Formas de Arte”), vemos que o caráter lúdico está nas raízes da linguagem poética:
“O abismo entre o ser e a idéia só pode ser franqueado pela imaginação. Os conceitos, prisioneiros das palavras, são sempre inadequados à torrente da vida; portanto, é apenas a palavra-imagem, a palavra figurativa, que é capaz de dar expressão às coisas e ao mesmo tempo a luminosidade das idéias; idéia e coisa são unidas na imagem. O que a linguagem poética faz é essencialmente jogar com as palavras. Ordena-as e injeta mistério em cada uma delas, de modo tal que cada imagem passa a encerrar um enigma (…) As escolas modernas, que se movem em domínios geralmente inacessíveis e gostam de envolver o sentido numa palavra enigmática, permanecem, portanto fiéis à essência de sua arte”.(35)

Duchamp parece mesmo operar nesse domínio da palavra-imagem, suas insistentes aliterações e assonâncias, sua incursão no cinema, os títulos-legendas de suas obras, e sobretudo a imaterialidade paradoxal do conceito-obra ready-made, remetem sempre a um aniquilamento da realidade, a escoar para o “abismo entre o ser e a idéia”. Rosalind Krauss chega mesmo a sugerir interpretar toda sua produção como uma reflexão sobre o processo fotográfico enquanto registrador de indícios de referentes materiais(36) .

Cenas de Anemic Cinema (Duchamp e Man Ray, 1926).
Interessante notarmos que, para Huizinga, nas artes visuais propriamente ditas o caráter lúdico torna-se mais questionável, pois,

“O fato de estarem ligadas à matéria e às limitações formais que daí decorrem é suficiente para impedir irremediavelmente a liberdade do jogo. O pintor, o escultor, o desenhista, geralmente gravam na matéria um certo impulso estético mediante um trabalho longo e penoso (…) No momento da ‘concepção’, sua inspiração pode ser livre, mas no momento da execução depende da habilidade da mão doadora de forma. E se na execução da obra de arte plástica tudo parece indicar a ausência do elemento lúdico, em sua contemplação não há qualquer lugar para ele, pois onde não há ação visível não pode haver jogo.”(37)

Logo, se concordamos com Huizinga, quando nos referirmos a arte de Duchamp, devemos insistir por um lado numa poética duchampiana, por outro numa abordagem artística que anuncia a morte das artes visuais na sociedade moderna.(38) Aqui detemo-nos; cremos ter nos aproximado suficientemente de nosso objetivo inicial, isto é, o de fazer bom uso da Desumanização enquanto indicador de caminhos para uma compreensão mais ampla da arte moderna.

Grand Verre (La Mariée mise à nu par ses célibataires, même [1915-23]), With my tongue in my cheek (1959) e Etant donnés (1946-66).

Conclusão ou Heróico Paradoxo
Quando optamos por essa estrutura de trabalho indicamos que havia outro ponto fundamental que voltaríamos apenas na conclusão. Trata-se do esquema montado por Ortega de modo a sempre convergir para suas próprias investigações:

“Se aproxima o tempo em que a sociedade, desde a política até a arte, voltará a organizar-se, como é devido, em duas ordens ou categorias: a dos homens cultivados (egregios) e a dos homens-massa. Todo mal-estar virá a desembocar e curar-se nesta cisão. A unidade indiferenciada, caótica, informe, sem disciplina regente em que vivemos não pode continuar. Permeia toda vida contêmporânea uma injustiça profunda e irritante: o falso pressuposto da igualdade real entre os homens. Durante um século e meio a massa pretendeu ser toda a sociedade (…) A música de Strawinsky e o drama de Pirandello tem a eficácia de obrigar o homem da massa a reconhecer-se tal como é, o bom burguês a sentir-se bem burguês: elemento incapaz de sacramentos artísticos, cego e surdo à beleza pura.

Se a arte não é inteligível para todos, quer dizer que seus temas não são os genericamente humanos. Não é uma arte para os homens em geral, mas para uma classe muito particular de homens, que podem não valer mais que os outros, mas que, evidentemente são distintos (…) A arte moderna contribui para que os ‘melhores’ se conheçam e reconheçam-se entre a multidão e aprendam sua missão, que consiste em ser poucos e ter que combater contra muitos.”(39)

Esse é portanto o sentido profundo da impopularidade da arte para Ortega y Gasset e de onde busca extrair um princípio essencial. Por isso poderia dizer sem contradição que as direções e obras particulares da arte moderna o interessam “mediocremente” e que “está próximo de concordar com os que dizem que a arte moderna até agora não produziu nada de valor.”(40) Sua posição seria exposta com toda clareza posteriormente, no seu La Rebelión de las Masas (1928), onde reafirmaria a “necessária cisão social”(41) , explicando que a diferença entre elite e massas, não era econômico-social, mas moral, inspirada na doutrina hindu do dharma e do karma, “de modo que o homem-massa podia se encontrar nas famílias ricas e o nobre, o homem de elite, nascer entre indigentes. Num discurso feito em 1912 numa organização sindical, ele indicava que as sementes da nova elite se encontravam entre os operários espanhóis”(42) . Vemos surgir daí certo ideal quixotesco de homem moderno, cultural e transcendente a um só tempo, que busca reconciliar-se consigo numa nova metafísica, numa nova razão (a razão vital).

Cabe ainda, como bom combustível para futuras investigações, citar a famosa pergunta de Porfiri Pietróvitch à Raskolnikov em Crime e Castigo: “Desculpe-me essa preocupação natural de homem prático e bem-intencionado, mas se houver uma confusão e um indivíduo de uma categoria imaginar que pertence à outra categoria, então aí…?”(43) Por ora, só podemos aqui esboçar uma resposta de Ortega (seria a mesma de Dostoiévski?):

“Na arte como na moral não depende o dever de nosso arbítrio; temos que aceitar o imperativo que a época nos impõe. A docilidade a ordem do tempo é a única possibilidade que tem o indivíduo de acertar.”(44)

Por fim, ao longo desse trabalho quando nos referimos ao “humano sem humanidade”, à “vida fora da vida”, quase dissemos várias vezes em vez de ideal orteguiano de arte, simplesmente ideal do Sturm und Drang. “A verdadeira poesia romântica”, diziam, “ainda não foi feita”. Sobre isso temos uma reveladora referência aos irmãos Schlegel no fim do texto, cuja proclamação da ironia como “máxima categoria estética”, para Ortega, “coincidiria com a nova intenção da arte”(45) . Eis onde vemos mais claramente a verdadeira tradição de Ortega e, quem sabe, (ainda que em matizes bem diferentes) a de Picasso e Duchamp.

BIBLIOGRAFIA
BOIS, Y.-A. Painting as Model, Cambridge: MIT Press, 1990.
CABANNE, P Duchamp: engenheiro do tempo perdido, São Paulo: Perspectiva, 2002.
DOSTOIÉVSKI, F. Crime e Castigo, São Paulo: Ed.34, 2001.
DUCHAMP, M. Duchamp du signe, org. Michel Sanouillet. Paris: Flammarion, 1994.
. The Creative Act, (Houston, 1957), publicado na Revista Art News, n.04, vol.56.
GREENBERG, C. Arte e cultura, São Paulo: Ática, 1996.
. Greenberg e o debate crítico, orgs. G. Ferreira e C. Cotrim. Rio de Janeiro: Zahar: Funarte , 1997.
HUIZINGA, J. Homo ludens : o jogo como elemento da cultura, São Paulo: USP: Perspectiva, 1971.
KRAUSS, R. The Picasso papers, Cambridge: MIT Press, 1999.
. Le photographique: pour une théorie des écarts, Paris: Macula, 1990.
MARIÁS, J. História da filosofia, São Paulo: Martins Fontes, 2004.
ORTEGA Y GASSET, J. La deshumanización del arte y otros ensayos de estética, Madri: Austral, 1987.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) “Pólos do Moderno: Picasso e Duchamp”, durante o primeiro semestre de 2008 na PUC-Rio com o Professor Ronaldo Brito (a quem sou imensamente grato pela generosidade com que conduziu o curso).
(2) La deshumanización del arte foi originalmente publicado em 1925 na Revista de Occidente, fundada por Ortega y Gasset em 1923.
(3) Ortega y Gasset, La deshumanización del arte y otros ensayos de estética, pág. 56. Todas as passagens citadas foram livremente traduzidas pelo autor deste trabalho.
(4) Op. cit. pág. 57.
(5) Op. cit. pág. 58.
(6) Op. cit. pág. 52.
(7) Op. cit. pág. 497. Verdade que o sistema da metafísica da razão vital, significou importante crítica ao idealismo da consciência pura de Husserl –esperamos não distorcer o pensamento orteguiano se o apresentamos nesse ponto específico como exemplo de neo-kantismo.
(8) Ortega, op. cit. págs. 50 e 62.
(9) Yve-Alain Bois, “Kanhweiler’s Lesson”, em “Painting as Model”, pág. 68.
(10) Ortega, op. cit. pág. 62.
(11) Citado em J. Mariás, op. cit. págs. 421-422.
(12) “Na arte como na moral não depende o dever de nosso arbítrio; temos que aceitar o imperativo que a época nos impõe. A docilidade a ordem do tempo é a única possibilidade que tem o indivíduo de acertar”. Ortega, op. cit. pág. 53.
(13) Significativamente citado por Rosalind Krauss em “Circulation of the sign”, em The Picasso Papers.
(14) J. Mariás, op. cit. págs. 428-429
(15) Ortega, op. cit. pág. 62.
(16) Ortega, op. cit. pág. 69.
(17) Yve-Alain Bois, Op. cit. págs. 84-85.
(18) Refere-se a Heinz Werner, “Die Ursprünge der Metapher”, 1919.
(19) Ortega, op. cit. págs. 69-70.
(20) Ortega, op. cit. págs. 72-73.
(21) Ortega, op. cit. pág. 61-64.
(22) Não considerando, no contexto cubista, a possibilidade da arte abstrata.
(23) Temos a confirmar-nos sua famosa citação: “Eu começo com uma idéia, mas depois vira outra coisa”.
(24) Em sua concepção de arte Duchamp radicaliza o papel do espectador (ver no Creative Act o conceito de “coeficiente de arte”).
(25) Na conclusão faremos alusão mais direta ao Sturm und Drang.
(26) Ortega, op. cit. pág. 52.
(27) Pierre Cabanne, Marcel Duchamp: engenheiro do tempo perdido, São Paulo: Perspectiva, 2002.
(28) Convém lembrar que nas principais línguas ocidentais, to play, jouer, jugar, spielen, significam tanto “jogar” como “brincar”. Na nossa somos obrigados a escolher.
(29) O pensamento de Huizinga a respeito do “jogo como elemento da cultura” exerceu forte influência sobre muitos pensadores no séc. 20–entre eles Gadamer que levou suas investigações adiante.
(30) Huizinga, “Homo Ludens”, págs. 4-7.
(31) Huizinga, op. cit. pág. 10-12.
(32) Na conclusão tentaremos esboçar algo nesse sentido, com uma rede histórica mais larga.
(33) Sobre a questão do xadrez precisaríamos de mais conhecimento específico sobre o jogo para apontar algo substancial que fugisse do óbvio que seria dizer que o divertimento da arte terminara para Duchamp, que teria então buscado um novo jogo.
(34) Ortega, op. cit. pág. 80.
(35) Huizinga, op. cit. págs. 148-150.
(36) “Duchamp e o campo do imaginário”, em Le photographique, Rosalind Krauss.
(37) Huizinga, op. cit. págs. 185-188.
(38) Ver no Creative Act e seu conceito de coeficiente de arte―arte como uma relação aritmética entre o não expresso mas intencionado e o que é expresso sem intenção.
(39) Ortega, op. cit. pág. 48.
(40) Ortega, op. cit. págs. 58 e 85.
(41) Tendo sido tomado por muitos como uma apologia da desigualdade social.
(42) La rebelión de las masas, por Olavo de Carvalho, revista “Primeira Leitura”, agosto 2005.
(43) Dostoiévski, Crime e castigo, pág. 271.
(44) Ortega, op. cit. pág. 53.
(45) Ortega, op. cit. pág. 80

O trabalho que se segue é fruto da dificuldade que encontramos quando, após um curso sobre Pablo Picasso e Marcel Duchamp(1) , tentamos articular as obras desses dois grandes artistas que, de formas distintas—e em certo sentido opostas—, indiscutivelmente marcaram a arte moderna. Tentativa à primeira vista ousada, mas que surgiu-nos naturalmente, como uma forma de lidar com a grande quantidade de interpretações―estudadas, propostas, revistas―, e ainda que não fosse nosso objetivo uma visão artificialmente hierarquizada ou organizada, sentimos que o contato com as obras nos convidava a buscar essa “articulação”. Grande era o risco de nos perdermos, e já de início desencorajáva-nos a falta de um horizonte comum a ambos os artistas; foi nesse momento que veio-nos socorrer o gênio de José Ortega y Gasset, com uma rede suficientemente ampla e delicada chamada desumanização da arte: um texto “movido pelo prazer de tentar compreender sem ira nem entusiamo”, que nos indicava um caminho promissor: a impopularidade da arte moderna.