Heimo Zobernig

Projectos do artista austríaco são colocados em diálogo com obras da colecção do CAM e peças da colecção da Tate St. Ives. Até 24 de Maio no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Feita em parceria com a Tate St. Ives, a exposição apresenta obras produzidas nos últimos 25 anos por Heimo Zobernig (n.1958, Mauthen), que utiliza escultura, vídeo, pintura, instalação, intervenção arquitectónica e performance, e que tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde os anos 80. É um dos mais significativos artistas europeus a trabalhar na actualidade.
Mas os projectos apresentados não serão expostos "sozinhos", o artista escolheu obras de referência pertencentes a duas colecções - do próprio Centro de Arte Contemporânea e da Tate St.Ives - para alinharem com as suas. O comissário da exposição é Jürgen Bock, alemão radicado em Portugal há vários anos.

Exposição em Berlim foca viés político na arte minimalista


Mostra "Political/Minimal", no Kunst-Werke – Instituto de Arte Contemporânea – de Berlim, traz obras que se apropriam do vocabulário estético minimalista para apontar discretamente as feridas da sociedade contemporânea.

Distantes da máxima cunhada por Frank Stella (What you see is what you see / O que você vê é o que você vê), que serviu de guia para a minimal art dos anos 1960, as 32 obras expostas em Berlim fazem uso de formas geométricas, abstratas e reduzidas "ao mínimo". O propósito, contudo, difere essencialmente daquele dos artistas que se negavam a qualquer compromisso político ou relação direta com a realidade.

Esse "pós-minimalismo" não está isento de uma carga política, já que as obras em questão se referem à miséria, exclusão e discriminação. O curador Klaus Biesenbach (um dos fundadores do espaço Kunst-Werke e atualmente curador do MoMA em Nova York), fez questão de reunir trabalhos que optam pelo formalismo para embrulhar um teor político.

Ou que fazem uso de uma linguagem não tradicionalmente narrativa para contar, por exemplo, as mazelas sofridas pelas vítimas do genocídio em Ruanda, como na obra de Alfredo Jaar. Ou para criticar o papel delegado à mulher na sociedade, como nos quadros de ferro esmaltados nas cores azul, rosa e amarelo (Rosemarie Trockel), que sustentam enormes trempes de um fogão elétrico.

'Sem Título', obra da alemã Rosemarie Trockel (1992)

Bildunterschrift: 'Sem Título', obra da alemã Rosemarie Trockel (1992)

Os contextos a que essas obras se referem são os mais variados, indo desde o amontoado de papéis brancos que leva o nome de Sem Título (Passaporte), do já falecido Felix Gonzales Torres, até os desmembrados tanques de guerra, usados para o tráfico de combustível na fronteira turco-iraquiana e que compõem o trabalho do coletivo turco xurban_collective.

No caso de várias obras, a associação "política" só se torna possível a partir de uma análise do título ou de uma explicação do artista a respeito do processo de constituição da obra. À primeira vista estéreis e limpos, esses trabalhos só permitem uma leitura mais precisa numa segunda abordagem.

Como no caso de Enterro (1999), da mexicana Teresa Margolles: uma escultura de cimento que guarda os restos mortais de um feto. Algo que o observador só percebe, ou melhor, só "fica sabendo" ao ler a explicação da própria artista: impossibilitados de pagar o enterro da criança nascida morta, seus familiares doaram à Margolles o feto, para que sua escultura servisse pelo menos de memorial à mais essa vítima da pobreza e miséria.

O branco asséptico que remete à lama

Nos trabalhos expostos, percebe-se, de toda forma, a suspensão da dicotomia political x minimal, num contexto em que um cubo asséptico e branco pode sem problemas remeter à podridão, à lama e à violência. Essa reordenação do conceito de minimal art fica também clara nas milhares de moscas mortas coladas por Damien Hirst numa tela que está dependurada "como uma pintura" nas paredes do Kunst-Werke. Ou no trabalho de Taryn Simon, em que o rosto de Bill Gates pode, a duras penas, ser identificado num quadrado negro que lembra o cubo de Kasimir Malewitsch.

'Sphères 2' (2006), de Adel Abdessemed: arame farpado fala por si

Bildunterschrift: 'Sphères 2' (2006), de Adel Abdessemed: arame farpado fala por si

É possível falar até de um aprisionamento do político pela geometria minimalista, embora o discreto charme dessas 32 obras esteja exatamente nesse limiar entre o estético e o político, nesse mecanismo de subenteder e sugerir, sem, contudo, agredir ou ser demasiado explícito.

Além do papel empilhado Sem Título (Passaporte) de Felix Gonzales Torres, outro dos trabalhos mais contundentes é o arame farpado do argelino Abel Abdessemeds, que esconde, por detrás de uma estrutura reluzente e redonda, a realidade cruel das zonas fronteiriças e dos campos de prisioneiros espalhados pelo mundo.

Não à ditadura da eficiência

Entre as poucas obras que utilizam vídeos ou pelo menos projeções nessa exposição que não dá lugar a excessos, está Blue (1993), do também já falecido Derek Jarman. Depois de ter ficado cego em consequência de enfermidades acarretadas pela aids, o artista britânico usou seus próprios offs pessoais sobre seu estado emocional naquele momento, ouvidos sobre a "eterna" projeção de uma superfície azul.

E o eficaz Paradox of Praxis (1997), do belga Francis Alÿs, que empurra lentamente, durante horas, um bloco de gelo pelas ruas da Cidade do México, até não sobrar mais nada além de uma pequena poça d' água. "Às vezes, fazer alguma coisa não leva a nada", diz lacônico o texto que acompanha a performance. Com sua sutil e "mínima" alfinetada na apologia ocidental da eficiência, o artista adiciona o político a seu minimalismo. Sem grandes tempestades, só com uma pequena poça d'água.

Há 20 anos, o mundo perdia Salvador Dalí

Ícone do surrealismo, o artista catalão é uma das maiores autoridades da arte contemporânea. Para marcar duas décadas de sua morte, o museu que leva seu nome faz exposição especial.



"Sou o surrealismo", dizia Salvador Dalí. Egocêntrico, excêntrico, rebelde e provocador, o artista foi um dos expoentes mundiais da arte contemporânea. Na manhã do dia 23 de fevereiro de 1989, morria o homem que, acima de qualquer coisa, tentou – e conseguiu com grande êxito – nunca passar despercebido. Dalí tinha 84 anos e já fazia parte da história universal quando faleceu, há 20 anos, no hospital de sua cidade natal, Figueras, na Espanha.


Para marcar o aniversário de sua morte, o Museu Dalí de Figueras expõe até o dia 18 de março uma das obras mais emblemáticas do artista catalão: A persistência da memória, pintada em 1931, quando Dalí tinha 27 anos. Popularmente conhecido como Os relógios moles, o quadro em que esses objetos parecem derreter-se foi cedido pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma).


'A persistência da memória', uma das mais emblemáticas obras de Dalí

Bildunterschrift: 'A persistência da memória', uma das mais emblemáticas obras de Dalí"Por que os relógios são moles?", perguntaram certa vez a Dalí, em referência à obra, considerada um ícone do surrealismo. "O importante não é que sejam duros ou moles, e sim que marquem a hora exata", respondeu.


Legado


Para a história, ficou a vida de um homem que alguns consideram um gênio, e outros, um artista extravagante. No entanto, duas décadas depois, seu legado e sua lembrança se mantêm, graças a entidades como a Fundação Gala-Salvador Dalí e sua Casa-Museu, em Port Ligat, o Teatro-Museu de Figueras, onde está enterrado, e a Casa-Museu Castelo Gala-Dalí, em Púbol, onde o artista se recolheu depois da morte de sua musa e companheira, em 1982.


Atualmente, novos títulos presentes nas livrarias lembram o autor. Entre eles ¿Por qué se ataca a la Gioconda? (Por que ataca-se a Monalisa?), uma compilação de textos que Dalí escreveu entre 1927 e 1978, e que publicou na revista francesa Oui. A mesma editora, Siruela, pôs também no mercado outras duas outras obras em sua homenagem: El camino de Dalí (O caminho de Dalí), de Ignacio Gomez de Liaño, e El fenômeno del éxtasis (O fenômeno do êxtase), de Juan José Lahuerta.


Menino mimado


Nascido em 11 de maio de 1904 em Figueras, Dalí nunca foi uma criança comum. "Quando tinha seis anos de idade, eu queria ser cozinheiro e aos sete, Napoleão. Desde então, minha ambição foi aumentando sem parar", escreveu no prólogo de Vida secreta. A morte de um irmão ao qual nunca conheceu e que tinha o mesmo nome, fez com que seus pais o educassem como um menino mimado, consentindo todos os seus caprichos e o superprotegendo.


A obra 'Metamorfose de Narciso'

Bildunterschrift: A obra 'Metamorfose de Narciso'


Descobriu a pintura quase por casualidade, na casa de amigos da família. Sem técnica alguma, começou a pintar quadros com óleo e aquarela, surpreendendo aos que viam seu trabalho.


Seu caráter rebelde fez com que fosse expulso de todos os centros de ensino nos quais se matriculou, entre eles a Academia Real de Belas Artes de São Fernando, em Madri, onde foi matriculado pelo pai, como condição para que pudesse ser pintor.


García Lorca e Buñuel


Sua estadia na capital espanhola marcou sua vida. Ali, experimentou o cubismo e o dadaísmo, e conheceu o poeta Federico García Lorca e o diretor Luis Buñuel, dos quais se tornou amigo íntimo na residência de estudantes. Com Buñuel, realizou os filmes surrealistas Un chien andalou (Um cão andaluz) e L'Âge d'or (A idade de ouro).


Dalí não se dedicou somente à pintura. Sua obra abrange também o cinema, a escultura, o desenho e a escrita. Sua primeira exposição individual de pintura aconteceu em 1925, em Barcelona. Com este acontecimento, Dalí conseguiu chamar a atenção de dois grandes artistas, Pablo Picasso e Joan Miró. Um ano depois, encontrou Picasso em Paris. "Arte somos Picasso e eu", chegou a manifestar.


A imagem estrambótica de Dalí com cabelos compridos e costeletas, vestido com casaco, meias e bombacha, é mundialmente conhecida. "Sabia vender melhor ele mesmo do que sua obra. Foi um ícone da cultura de massa", segundo Javier Pérez Andújar, um de seus biógrafos. "Era um grande pintor, mas não um gênio" e acabou convertendo-se em um "showman obcecado", opina o hispanista irlandês Ian Gibson.


Dalí e sua musa, Gala Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Dalí e sua musa, Gala

Depois de sua passagem por Paris, onde se integrou no círculo surrealista e se casou com Gala, a musa e companheira com a qual esteve até sua morte - apesar da infidelidade e das manias de ambos - Dalí foi aos Estados Unidos, forçado a deixar a França, em 1940, com o avanço das tropas alemãs. Regressou à Espanha oito anos depois.


Polêmico


Anticomunista radical, apesar de ter circulado pela esquerda em sua juventude, era acusado por alguns de direitista. Contudo, há especialistas que afirmam que Dalí teria sido um oportunista, que utilizou o direitismo para fazer com que o ditador espanhol Francisco Franco lhe deixasse trabalhar em paz.


Outra sombra que ronda a sua figura é atração desmedida que tinha pelo dinheiro. De fato, seus últimos anos estiveram mais marcados pela comercialização de sua obra do que pela inovação da mesma.


Os trabalhos de Dalí se converteram em um negócio mundial, assim como suas falsificações. Dalí se importava tanto com estas cópias ilegítimas que, inclusive, favoreceu suas produções, assinando folhas em branco. Na imitação de sua obra, via uma prova de sua grandeza.

Britânico cria escultura de família Obama em buraco de agulha


Um artista britânico criou uma escultura minúscula da família do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no buraco de uma agulha, para marcar a sua posse. Willard Wigan, da cidade de Birmingham, no norte da Inglaterra, realiza esculpe entre batimentos cardíacos para evitar que a mão trema na hora de moldar e pintar seus personagens. Seu trabalho costuma ser visível apenas através de uma lupa ou microscópio. Ele usa uma lâmina cirúrgica para esculpir em grãos de arroz, fibra de carbono, ouro e nylon.


Wigan usou o pelo de uma mosca morta como pincel para colorir a família americana - Barack, Michelle e suas filhas Malia e Sasha. O artista passou meses criando a peça e disse esperar que ela ainda seja exibida na Casa Branca. "Eu sabia que tinha que fazer uma homenagem nesta grande ocasião", disse o artista. "Isto é algo que eu nunca achei que veria em minha vida", acrescentou Wigan, que é negro. No passado, ele criou esculturas de Elvis Presley, de Branca de Neve e da Última Ceia, com os doze discípulos.

Burle Marx: Um grande amante da arte

Para o amigo inglês Laurence Fleming, autor do livro Roberto Burle Marx, um retrato, o paisagista era a cara do físico Albert Einstein. Quem vê a fotografia do homem de fartos cabelos grisalhos, de bigode e óculos não tarda a compará-lo ao escritor baiano Jorge Amado. Mesmo que as aparências enganem, o certo é que, para quem o conheceu pessoalmente, era um homem de personalidade forte, comunicativo, ao mesmo tempo alegre e sério. Considerado o “pai do paisagismo moderno”, foi ainda desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor e pesquisador, entre outras atividades. Burle Marx nasceu em São Paulo, em 4 de agosto de 1909. Era o quarto filho da pernambucana Cecília Burle, exímia pianista, e do alemão Wilhelm Marx, dono de um curtume, homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia. Desde cedo, o menino demonstrou afeto pelos jardins, ao acompanhar Cecília no trato diário de rosas, begônias, antúrios e outras flores dos canteiros da casa. Em 1913, a família se mudou para o Rio de Janeiro. De 1928 a 1929, ele estudou pintura na Alemanha, tendo sido frequentador assíduo do Jardim Botânico de Berlim, onde descobriu, nas estufas, a flora brasileira. Em 1949, com a compra do sítio de 365 mil metros quadrados em Barra de Guaratiba – em 1985, propriedade e acervo foram doados ao governo federal –, Burle Marx organizou uma grande coleção de plantas. Em 1955, fundou a empresa Burle Marx & Cia. Ltda., que cuida de todo o seu legado (projetos paisagísticos), e é dirigida pelo ex-sócio e amigo de quase 30 anos, o arquiteto Haruyoshi Ono. Marx morreu em 4 de junho de 1994, no Rio, vítima de câncer no estômago. Entre seus principais projetos paisagísticos estão ainda o do Parque do Ibirapuera (SP), o do Museu de Arte Moderna (RJ), o Eixo Monumental de Brasília (DF) e o projeto da Embaixada do Brasil em Washington (EUA).

Quadros de Matisse e Picasso são roubados em Berlim

Uma exposição de arte em Berlim foi totalmente saqueada durante festas de réveillon na virada de 2008 para 2009. Mais de 30 obras foram roubadas, com o prejuízo chegando a 180 mil euros (aproximadamente R$ 600 mil), segundo estimativas da polícia local. A galeria é de arte privada e tinha 25 quadros de pinturas, gravuras e desenhos de artistas como Pablo Picasso e Henri Matisse. Também havia esculturas do alemão Richard Hess. O arrombamento ocorreu durante a noite de réveillon mas somente na tarde da quinta-feira (1º) a proprietária do estabelecimento, Ulrike Erben, percebeu o fato e alertou a polícia. Os ladrões entraram, aparentemente, por uma entrada nos fundos. A polícia acredita que pelo menos duas pessoas foram necessárias para efetuar o roubo. Oito esculturas foram levadas, uma delas chegando a pesar 50kg. Segundo Erben, os quadros foram em grande parte arrancados das moldutas, deixando muito vidro quebrado na região. Para a polícia de Berlim, este é o maior furto em uma galeria de arte nos últimos anos.

A Arte Possível em Portugal

A 8.ª edição da Arte Lisboa, a decorrer até amanhã, poderá ficar marcada como a feira da crise. Espera-se que não e que os resultados contrariem as visões mais pessimistas. Crise à parte, resta ir à FIL (Parque das Nações) e ver o que os artistas fazem.

Acontece todos os anos e tem tentado afirmar-se como a plataforma principal do negócio da arte contemporânea em Portugal. A maioria das galerias portuguesas tem mantido a sua presença porque, para uns, trata-se da principal feira em que participam e, para as galerias com currículo internacional, de uma comparência motivada pela esperança de que um dia a feira de Lisboa atinja uma dimensão mais apetecível e dinâmica.Em traços gerais, pode dizer-se que esta edição da feira não traz grandes novidades, o modelo é o possível para Portugal e em termos internos não se pode fazer mais: estão lá quase todas as galerias e quase todos os artistas representativos da "cena" da arte portuguesa têm trabalhos expostos. O crescimento, a acontecer, terá de vir do exterior através da criação de uma rede internacional que traga a Lisboa artistas, galerias, curadores, coleccionadores e críticos cuja presença legitime e afirme esta feira além- -fronteiras. Como é normal neste tipo de acontecimentos, a Arte Lisboa é um lugar de confusão:


boas obras misturam-se com más obras, o silêncio com o ruído, os bons artistas com os maus artistas. No entanto, é possível ter encontros felizes com autores e trabalhos que resistem à diluição na massa indistinta em que normalmente caem as obras quando mostradas neste tipo de contexto.O ambiente desta feira é, em clara oposição ao que acontecia no início desta década, em que o vídeo e o som enchiam de ruído a totalidade do recinto, mais calmo e tranquilo. Nota-se um forte regresso da pintura e da escultura e uma consolidação da fotografia como meio artístico privilegiado, e a exuberância passada parece estar a dar lugar a uma certa contenção e sobriedade. Uma transformação que não é fruto da escassez de meios, mas da necessidade dos artistas em afirmar o seu trabalho não como entretimento mas enquanto formas pertinentes de pensar as diferentes disciplinas e dinâmicas culturais.


No que toca aos project rooms, este ano da responsabilidade do curador espanhol Paco Barragán com o título "Pintura e outras histórias", o panorama não é nada animador. Ao contrário do que acontecia na edição passada, este ano as propostas individuais dos artistas, à excepção da performance da dupla Sara e André, não são surpreendentes, não acrescentam nada ao debate sobre a pintura na contemporaneidade.A visita à feira é é uma mais-valia sobretudo como forma de desco-berta de trabalhos de artistas que de outra forma não se poderiam encontrar. Fica a vontade de que fos- se melhor, maior e com maiores consequências nas dinâmicas de mercado.

Britânico ganha Prêmio Turner de Arte Contemporânea

O artista britânico Mark Leckey conquistou o Prêmio Turner, uma das distinções mais valorizadas - e também mais polêmicas - da Arte Contemporânea, conforme anunciado em cerimônia no Tate Museum de Londres, nesta segunda-feira. Leckey, de 44 anos, único homem entre os quatro finalistas, ganhou o prêmio de 25.000 libras (37.000 dólares), ao qual foi indicado por sua obra "Industrial Light & Magic", que combina cinema, som e escultura.

O júri destacou seu trabalho com a imagem, especialmente desenhos animados e curtas-metragens, nos quais aparecem alguns dos mais populares personagens do mundo dos quadrinhos e da animação, como Homer Simpson, o gato Félix e Garfield. Em nota, os jurados saudaram "a natureza inteligente, enérgica e sedutora de seu trabalho". Esse prêmio anual criado em 1984 está aberto a artistas com menos de 50 anos que tenham nascido, trabalhem, ou morem na Grã-Bretanha e que tenham exposto sua obra nos últimos meses.

Sempre acompanhado de polêmicas - e, às vezes, de escândalos -, o Turner Prize contribuiu para consolidar Londres como uma das capitais mundiais da Arte Contemporânea.Nessa edição, o júri independente, que muda todos os anos, selecionou obras que misturam filmes, escultura, vídeos e performances, relegando completamente a pintura, o que gerou um grande rebuliço. Completam a lista de finalistas a britânica Cathy Wilkes, a polonesa Goshka Macuga e Runa Islam, nascida em Bangladesh.

Mais público na ARTE|Lisboa’08

Até ao final do dia, atingimos 17 500 visitantes, ou seja, sensivelmente o mesmo que no ano passado, mas com mais público e menos convidados", disse ao KULTURIART - Ivânia Gallo, directora da ARTE Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, cuja oitava edição terminou ontem na FIL, Parque Expo.

Em tempos de crise, os coleccionadores retraem-se, mas o público, esse, tem cada vez mais interesse por uma feira onde há de tudo: desde pintura a fotografia, vídeo, instalação, escultura ou graffiti. E entre peças de cento e poucos euros ou um quadro de Paula Rêgo, de 850 mil, há artigos para todas as bolsas. Daí que este ano tenha havido um acréscimo de 11 por cento de visitantes ‘não profissionais’ da área.

Por isso – e apesar de não ter conseguido alcançar a desejada meta dos 20 mil visitantes – Ivânia Gallo diz-se satisfeita com a "melhor edição de sempre da ARTE Lisboa". "Há unanimidade sobre a qualidade das obras que estão expostas", diz, "que justifica que se tenham realizado 200 mil euros em vendas institucionais." Ou seja, as aquisições efectuadas por empresas, por intermédio da organização da Feira.

Quanto às restantes – as que são directamente acordadas entre compradores e galerias – o número será sempre uma incógnita. "As galerias não revelam as verbas dos seus negócios", explica. "A crise sente-se na forma como se compra. Fazem--se mais contas e compra-se menos por impulso. Como em tudo."

Grupo Würth vai criar museu de arte moderna e contemporânea em Sintra em 2010

O grupo multinacional Würth vai criar um museu de arte moderna e contemporânea em Sintra, junto à sede da representação da empresa em Portugal, prevendo arrancar com as obras do projecto no segundo semestre de 2010. Manuela dos Santos, directora-geral da Würth Portugal, disse hoje em Logroño, que o projecto do museu foi aprovado em 2006 pela empresa-mãe alemã e representará um investimento de três milhões de euros na construção e equipamento. O grupo empresarial possui dois museus na Alemanha, um em França e outro em Espanha, em Logroño - o Museu Würth La Rioja - criado há um ano, onde inaugurou em Maio a exposição do artista português José de Guimarães "Mundos, Corpo e Alma", com uma retrospectiva dos últimos trinta 30 anos do seu trabalho, e parte da colecção pessoal de arte tribal africana. A peça central da exposição, intitulada "Favela" (2007), criada pelo artista como uma metáfora sobre a imigração e a interculturalidade, foi adquirida recentemente pelo museu para o seu acervo permanente. José de Guimarães já se encontra representado com cerca de uma centena de obras entre as 11.600 de arte moderna e contemporânea da Colecção Würth, iniciada nos anos 60 do século passado pelo empresário e coleccionador alemão Reinhold Würth, e que reúne artistas de renome como Edvard Munch, Emil Nolde, Camille Pissaro, Max Ernst, Jean Arp, Henry Moore, Anthony Caro, Robert Jacobsen, René Magritte e Georg Baselitz.

Manuela dos Santos adiantou ainda à Lusa que o museu que a Würth Portugal irá criar em Sintra, junto à sede da empresa, terá uma área total de 3.500 metros quadrados, com mil metros quadrados de exposição distribuídos por dois pisos, e ainda com um auditório de cerca de 400 lugares e uma área de leitura com biblioteca. O objectivo "é abrir ao público não como um museu da empresa, mas, à semelhança dos outros museus Würth na Europa, como um museu de arte contemporânea destinado a mostrar a colecção principal e dar oportunidade aos jovens artistas emergentes para exporem os seus trabalhos". A abertura do museu em Sintra é vista como "uma expansão do carácter social da empresa em Portugal", salientou. Inaugurado há um ano em Logroño, o Museu Würth La Rioja possui um acervo próprio de uma centena de obras de arte, sobretudo de pintura e escultura de artistas espanhóis, e recebeu neste período cerca de 65 mil visitantes, disse hoje à Agência Lusa a directora do espaço, Silvia Lindner. No Museu Würth La Rioja - com cerca de quatro mil metros quadrados e um orçamento anual de 1,2 milhoes de euros - encerra hoje "José de Guimarães: Mundos, Corpo e Alma", a primeira exposição individual dedicada a um artista, e que recebeu um total de 25 mil visitantes em seis meses, adiantou a directora.

A exposição encerra hoje à tarde com as presenças do ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro, o presidente do Governo de La Rioja, Pedro Sanz, e do próprio José de Guimarães. O artista de 69 anos adoptou como pseudónimo o nome da sua cidade natal e esteve nos anos 60 em Angola para cumprir o serviço militar, acabando por ficar no país sete anos, que viriam a ser determinantes para a sua forma de criar e entender a arte.Também as culturas chinesa e japonesa inspiraram José de Guimarães em certos períodos da sua carreira, tendo-se deslocado frequentemente ao Oriente para exposições e criação de obras de arte pública, nomeadamente em Macau. A comunicação, a guerra, o amor, o erotismo e a literatura são temas presentes nos seus trabalhos adquiridos por colecções públicas e privadas a nível nacional e internacional tais como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves, o Museu Nacional de Arte Contemporânea de Madrid, o Rockefeller Art Center (EUA), o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte Moderna de Bruxelas e o Museu de Angola, entre outros. Fundado no pós-guerra no sector da metalo-mecânica, o Grupo Würth possui actualmente 420 empresas em 86 países. Em Portugal a multinacional está representada há 35 anos, com o edifício-sede instalado em Sintra desde 1993.

Ensaio Sobre a Cegueira

Snipose da adpatação do livro do Português José Saramago , Prémio Nobel da Literatura para o cinema: Cada dia que passa aparecem mais pacientes, e esta recém-criada "sociedade de cegos" entra em colapso. Tudo piora quando um grupo de criminosos, mais poderoso fisicamente, se sobrepõe aos fracos, racionando-lhes a comida e cometendo actos horríveis. Há, porém, uma testemunha ocular a este pesadelo: uma mulher, cuja visão não foi afectada por esta praga, que acompanha o seu marido cego para o asilo. Ali, mantendo o seu segredo, ela guia sete desconhecidos que se tornam, na sua essência, numa família. Ela leva-os para fora da quarentena em direcção às ruas deprimentes da cidade, que viram todos os vestígios de uma civilização entrar em colapso. A viagem destes é plena de perigos, mas a mulher guia-os numa luta contra os piores desejos e fraquezas da raça humana, abrindo-lhes a porta para um novo mundo de esperança, onde a sua sobrevivência e redenção final reflectem a tenacidade do espírito humano.

"Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho

"Birth", óleo sobre tela de Paula Rego com um valor base de licitação de 180.000 euros, estará em destaque no leilão que o Palácio do Correio Velho organiza dias 12 e 13 de Novembro em Lisboa.
Da mesma pintora, uma tinta-da-china e guache sobre papel, de 2007, tem um valor estimado entre 60.000 e 80.000 euros.
Do lote de obras a leiloar constam ainda "Grande Festa na Grécia Antiga", de Manuel Cargaleiro, que irá a praça por 20.000 euros, uma colagem sobre tela de Luís Demée (30.000 euros), "Pierrot e Columbine", desenho a tinta-da-china sobre papel de Almada Negreiros, com uma estimativa de 8.000 euros, e uma escultura em terracota de Jorge Vieira (quatro peças, 20.000/40.000 euros).
Outros nomes de vulto das artes plásticas - nacionais e estrangeiros - participam nas duas sessões do leilão. Entre eles, Júlio Pomar, Jorge Martins, Almada Negreiros, Costa Pinheiro, Menez, Graça Morais, Nikias Skapinakis, Álvaro Lapa, Arpad Szènes, Tàpies, Noronha da Costa, Canogar, Artur Bual, Raúl Perez, Charrua, Nadir Afonso, Lindstrom, Fernando Calhau, Eduardo Nery, José de Guimarães, Carlos Botelho, Palolo, José Pedro Croft, Alvarez, Dacosta e Ana Vidigal.
Além de Pintura, Escultura e Obra Gráfica, o leilão apresenta também uma tapeçaria das Manufacturas de Portalegre, objectos de design e obras de artistas estrangeiros, entre os quais Picasso, do qual serão leiloados "Cabra, um prato em cerâmica" (5.000/10.000) e "Pássaro, travessa em cerâmica" (3.000/5.000).
A exposição que antecede o leilão estará patente no Palácio do Correio Velho dias 7 e 9 das 15:00 às 20:00 e dia 10 das 15:00 às 19:00 e das 21:00 às 23:00.

Floresta cultural transferida de França para a Comporta

O pintor e escultor alemão Anselm Kiefer quer deslocalizar de França para Brejos, na Comporta, toda a sua produção cultural, que envolve dezenas de pessoas na construção de obras de arte de grande volumetria, exportadas para todo o mundo. A "Floresta Cultural" de Kiefer, que será instalada no vale Perdido, na Herdade da Comporta, do Grupo Espírito Santo, obrigou à execução especial de um Plano de Intervenção em Espaço Rural, que já se encontra em apreciação na CCDR do Alentejo. De acordo com o presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Pedro Paredes, o parecer da CCDR-A tornou--se necessário porque uma das obras de arte que Kiefer quer transferir para a Comporta tem mais de seis metros de altura, estando em desacordo com o PDM daquela área. "É uma construção única, que será colocada à entrada daquele espaço". A Floresta Cultural na Comporta (designação do empreendimento) abrange 600 hectares, mas a área de construção só abrangerá 1,5 hectares, onde serão edificados os ateliers amovíveis e áreas de alojamento para artistas e funcionários. Para Pedro Paredes, o interesse de Keifer pela Comporta evidencia a excelência daquele local para os projectos culturais. Por isso, a autarquia promete celeridade nos licenciamentos: "Projectos destes mostram que a arte pode ser uma actividade económica sustentável, criando empregos directos e indirectos e trazendo desenvolvimento", justifica o autarca, sublinhando que só existem dois ou três exemplos mundiais de complexos culturais desta dimensão. Acreditando que poderá ter uma resposta da CCDR--A até ao fim do ano, Pedro Paredes, assegura que o Plano de Intervenção acautelou a zona de paisagem protegida, garantindo que não serão abertas novas vias internas, mas sim requalificadas as existentes. Considerado um dos maiores artistas plástico actuais, Anselm Kiefer apaixonou-se pelo estuário do Sado, tendo anunciado que irá ceder o espaço que actualmente ocupa em França à Fundação Guggenheim.

Exposição revela o poder de cura da arte

O Museu Oscar Niemeyer abre hoje a exposição Nise da Silveira- Caminhos de uma psiquiatria rebelde, por conta do centenário de nascimento de Nise da Silveira (1905-1999). Luiz Carlos Mello é o curador da exposição. Ele conta que Nise da Silveira é responsável por um movimento de renovação da psiquiatria. Na década de 40 ela se revoltou contra os métodos violentos aplicados aos doentes mentais. Contra as formas de tratamento da época, ela abriu em 1946 o serviço de Terapia Ocupacional com sapataria, música e corte de cabelo. Quando entraram as atividades expressivas, as vivências emocionais dos pacientes foram canalizadas em forma de pintura e escultura. As obras foram reconhecidas pelo crítico Mário Pedroso como arte virgem. Os artistas desenvolveram a técnica dentro da atividade de Terapia Ocupacional. Na exposição há painéis fotográficos com temas explicativos com a trajetória científica de Nise. Nise visava tratá-los com humanidade. Há 300 obras baseadas em estudos científicos numa exposição ampla com texto coloquial para facilitar o acesso ao público. Nise queria criar um serviço ocupacional para os internos que viviam esquecidos e jogados. Na atividade artística mostraram um poder expressivo muito forte. Através da arte, os pacientes canalizam as forças do inconsciente. No tema das formas circulares, pessoas pintavam mandalas e se recuperavam de problemas emocionais e mentais. Ao estudar o assunto, Nise descobriu que há forças no cérebro que procuram a unidade. Mandala é uma palavra originária do sânscrito, antiga língua da Índia, que significa literalmente círculo. Outro tema revela que assim como o corpo, a psique- a alma humana tem uma história. Trabalhos de pessoas sem bagagem cultural dialogam com grandes obras da humanidade. Havia um preconceito de que uma pessoa tida como “louca” podia ser um artista. Nise buscava mostrar a humanidade do doente mental, opondo o potencial criativo deles aos métodos violentos como lobotomia e eletro choque.Luiz Carlos Mello fala do privilégio de trabalhar com uma pessoa tão importante como a doutora Nise, dos anos de convivência que renderam uma amizade e cujos detalhes ele promete relatar em uma biografia da rica figura humana de Nise da Silveira.

Maior taça de espumante do mundo no Museu do Vinho da Bairrada

A maior taça de espumante do mundo, escultura em ferro com 2,5 metros de altura e quase uma tonelada de peso, é uma das atracções da exposição a inaugurar Sábado, no Museu do Vinho da Bairrada, Anadia. "Segundo o livro Guiness de recordes o maior flute de champanhe tem cerca de dois metros de altura. Este é o maior do mundo, tem 2,5", disse hoje à agência Lusa Pedro Dias, director do museu. A escultura, da autoria de Rogério Timóteo "especialista em escultura monumental", demorou vários meses a ser concluída e será exposta no átrio do edifício, com vista para as vinhas "da casa mãe do espumante português" e estação vitivinícola da Bairrada.
"Houve uma preocupação de estabelecer a interligação da obra de arte com o espaço arquitectónico do museu e com a envolvente histórica do exterior do edifício", sublinhou Pedro Dias. A obra de arte acompanha outras cinco "também de grande dimensão", integrantes da exposição Equilibrium que estará patente até 19 de Abril de 2009. Outra peça, esta com quase oito toneladas e colocada no exterior do museu, representa uma figura de mulher na proa de um barco, numa alusão aos "vinhos de embarque", disse Pedro Dias. "Faz o casamento entre o ferro e o mármore com a pedra do período mais clássico", explicou. Para além da exposição de escultura o Museu do Vinho da Bairrada vai inaugurar na ocasião uma outra, de pintura, fotografia e instalações, intitulada "Matar a Sede", comemorativa dos 25 anos de carreira de Gustavo Fernandes. O artista plástico, frisa o director do museu, utiliza uma técnica "verdadeiramente surpreendente" em grandes telas, mostrando-se "exímio na utilização da luz e criando efeitos de tridimensionalidade fantásticos". Uma mostra de 70 caricaturas, da autoria de Luís Gamelas e Eugénios completa o ciclo de inaugurações agendadas para Sábado. Intitulada "Eugeniaturas", retrata personalidades portuguesas da política, teatro, televisão, futebol e música "com um sentido humorístico bastante aprimorado", referiu Pedro Dias.

F-1 vira assunto de exposição de arte

Além do Salão do Automóvel, o fã de carros e automobilismo que estará em São Paulo para acompanhar o GP do Brasil de F-1 também poderá optar por uma alternativa cultural.Entre os dias 29 de outubro e 12 de novembro, no Hotel Transamérica, será realizada a exposição "Arte na Fórmula 1", com a presença de 26 artistas plásticos e suas obras voltadas ao esporte à motor. A entrada será franca.A mostra tem curadoria de Paulo Solaris, artista plástico conhecido pelas pinturas sobre automobilismo e, principalmente, sobre Ayrton Senna. Pinturas e esculturas serão expostas por uma equipe composta, em sua maioria, por mulheres: são 17 artistas participantes.

José de Guimarães e Sociedade Portuguesa de Autores continuam sem resposta do Governo

O escultor português José de Guimarães reuniu-se ontem, pela primeira vez desde que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) escreveu ao Chefe do Executivo de Macau, com o director do departamento dos serviços jurídicos do organismo português, Lucas Serra. A carta que defende que houve violação dos direitos morais de autor com a alegada destruição das esculturas que o artista criou para o Jardim das Artes foi entregue há cerca de um mês ao Gabinete de Edmund Ho e continua sem resposta. Os preponentes não vão desistir. “Limito-me a aguardar os acontecimentos. A questão está nas mãos de quem sabe. Há-de haver uma resposta”, comenta José de Guimarães. O escultor esteve em Maio em Macau e contava ser recebido por Edmund Ho – apesar das duas cartas enviadas (uma das quais em 2007) o encontro nunca chegou a acontecer. O escultor ainda não sabe qual foi o destino que a Administração deu a seis das oito esculturas projectadas para o Jardim das Artes em 1999. E apesar de José de Guimarães estar agora a ser representado junto do Governo de Macau pela SPA o silêncio permanece. “Recorri para a SPA porque é a instituição mais adequada para resolver o assunto. É o organismo que defende os direitos dos artistas.


São matérias que me transcendem”, destaca o escultor. José de Guimarães reitera a confiança em como vai obter um esclarecimento por parte do Executivo. “Acho que vai haver uma resposta. Gostaria que isto fosse bem resolvido, sem perder mais tempo”, vinca. Postura que, de resto, assume desde que instou os primeiros contactos com o Governo. O segredo para a paciência? “As obras de arte pública entre a encomenda e a realização podem demorar sete anos a serem feitas. Envolvem vários organismos, aprovações, dinheiros para a construção. Adquiri esta persistência. Nunca desisto. Dou tempo ao tempo”, sublinha. O caso das esculturas desaparecidas envolve, pelo menos, três organismos: Direcção dos Serviços para Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPRT), Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) e Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). O Hoje Macau está também desde Maio a tentar obter esclarecimentos mas sem sucesso – os organismos passam as responsabilidades de uns para os outros. As esculturas de José de Guimarães faziam parte dum projecto lançado por Rocha Vieira e que previa a construção de uma estrutura artística por ano até à transferência.




O Jardim das Artes – projectado pelo arquitecto Francisco Caldeira Cabral – fechou portas há três anos para ser reformulado. Em 2004, Edmund Ho emitiu um despacho para “aprovar os parâmetros, condicionalismos urbanísticos e limites do terreno que foi concedido à Galaxy”, a operadora que gere o hotel-casino StarWorld. Um ano depois, o director da DSSOPT, Jaime Carion, anunciou a abertura de concurso público para a construção do Auto-Silo do Jardim das Artes. E em Maio de 2005 o então secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, subdelegou no coordenador do GDI, à altura Castanheira Lourenço, plenos poderes para celebrar o contracto com a empresa FC Cabral (do arquitecto Caldeira Cabral), a quem foi entregue o projecto de reformulação – plano que estipula a localização das esculturas mas que ainda não foi cumprido. Exposição de arte urbana José de Guimarães inaugurou, no final da semana passa, uma exposição em que divulga fotografias e maquetas de obras de arte urbana criadas para vários países. Nodesign Center de Lisboa está "uma vertente menos conhecida" do trabalho do pintor e escultor."Fiz várias peças de design para o centro, nomeadamente tapetes, cadeiras, copos e outros objectos", afirmou o escultura à Lusa, acrescentando que "as obras de arte pública acabam por ser um design a outra escala".




"Arte Urbana" será a maior exposição de José de Guimarães em Portugal sobre esta vertente do seu trabalho, representado com obras em Macau, Lisboa, Guimarães e em várias cidades na Alemanha e no Japão."É uma exposição didáctica porque vai mostrar que a intervenção urbana é mais do que realizar um trabalho plástico. Faço normalmente uma pesquisa antropológica antes da criação da obra", referiu.José de Guimarães está agora a ultimar uma peça de grandes dimensões para ser colocada em Solingen, na Alemanha, num espaço público junto a uma zona histórica, a inaugurar na Primavera de 2009.

I/Legítimo: Dentro e Fora do Circuito

A mostra I/Legítimo: Dentro e Fora de Circuito traz questionamentos sobre o sistema da arte, além de suas fronteiras e intersecções com outros circuitos. Assim, a exposição traz produções que lançam um olhar crítico, irreverente ou irônico sobre os mecanismos de legitimação da arte; ações inseridas em circuitos culturais que interagem com galerias e museus; trabalhos que evidenciam posicionamento político assumido em relação a questões recorrentes do mundo contemporâneo; e finalmente ações engajadas nos questionamentos sobre propriedade intelectual, processos colaborativos e autoria. Essa crítica social e artística é apresentada por meio de trabalhos e ações de 42 artistas e coletivos da Austrália, Brasil, Canadá, Espanha, EUA, França, Inglaterra, Peru, Romênia e Uruguai, nos mais diversos suportes – animação, fotografia, vídeo, arte digital, performance, instalação, arte digital, música, escultura, desenho e pintura. A exposição será dividida em dois núcleos, um no Espaço em Movimento do Museu da Imagem e do Som (MIS) e outro na Zona de Ação do Paço das Artes. “A discussão que buscamos com a mostra ‘I/Legítimo’ interessa a ambas instituições, pois diz respeito a questões determinantes da arte e da sociedade contemporâneas. O Paço das Artes há onze anos incentiva a produção emergente nesse campo, com a realização de sua Temporada de Projetos. O MIS, por sua vez, retoma suas atividades com um olhar agudo sobre as artes e as mídias do século 21”, explica a curadora Priscila Arantes, diretora-adjunta do MIS e do Paço das Artes. *Como a exposição acontece em locais distintos, o endereço disponível é o que abrigará por mais tempo a mostra.




*Disponível apenas para a operadora VIVO.

Cuba: Mais de oitenta artistas doaram obras para ajudar a reconstruir a cidade de Gibara

Mais de oitenta artistas doaram obras para serem vendidas na Galeria de Arte On-Line, inaugurada pelo actor cubano Jorge Perugorría, que pretende, com a iniciativa, angariar fundos para ajudar a reconstruir Gibara, uma cidade cubana. Segundo os orgãos de comunicação de Cuba, estão à venda 22 gravuras, cinco esculturas, oito fotografias e 62 pinturas, entre as quais se destacam obras do pintor espanhol Ximo Sanchez e do uruguaio Luis Camnitzer. Todas as vendas que forem efectuadas pela galeria, através do sítio online http://www.arteporcuba.com/ revertem exclusivamente para a recuperação da cidade. Gibara tem cerca de 16 mil habitantes e desde 2003 que é a sede do Festival Internacional de Cinema Pobre.

Arte em trânsito

A uma edição para fechar seis décadas de atuação, o Salão de Abril vem com o tema arte: desejo e resistência, invade terminais de ônibus da cidade e coloca em discussão a relação do público, obra e artista.

Escorados num banco do bosque, dois Marcos, um Vinícius da Silva e o outro Fábio de Souza, observam o movimento atípico enquanto tiram uma pausa da limpeza do Terminal do Siqueira. "Eu não sei o que é isso não, mas parece que é arte, né? Que vão trazer pro terminal", comenta a rabo de olho o Marcos Vinícius, apontando para a cola, tinta, escada cavalete e amontoado de papéis. "É bom que a gente aprende o que é arte, né?", responde o outro. Aglailson Araújo, porteiro de um edifício, chega perto e olha tudo com desdém. "Pois eu acho que meu irmão pequeno faz isso aí em três tempos, e fica mais bonito". No domingo, 12, a tarifa social e o Dia das Crianças entupiram o meio-dia do Terminal do Siqueira qual horário de pico de segunda-feira. Na mesma hora, chamavam a atenção dos usuários as primeiras obras prontas do 59º Salão de Abril. O evento pega dois dos pontos de integração do transporte público da cidade, do Siqueira e do Papicu, além do Centro de Referência do Professor (CRP), no Centro, para servir de lugar de exposição. Lambe-lambe de gente de boca aberta chamando um grito, fotografias, pinturas, instalações de parede e esculturas. Até o dia 23 de novembro, 20 dos 45 artistas selecionados de vários estados do Brasil terão seus trabalhos às vistas de parte das 480 mil pessoas que utilizam diariamente os dois terminais, além dos trabalhadores do espaço que conviverão diariamente com as obras.

"Todas as obras causam estranhamento", aponta Maíra Ortis, curadora geral do evento e coordenadora das Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Com o tema Arte: Desejo e resistência, a inquietação do Salão pode vir de um diferencial. O evento apostou em pôr nos terminais obras pensadas para uma galeria e não somente aquelas feitas para exposições nos ambientes públicos das vias. Maíra julga que os trabalhos de rua já estão em vários espaços, por isso, as pessoas já estão habituadas. Daí a minimização do seu impacto. "Muitas das obras do salão não compõe cotidianamente aquele ambiente. Geralmente, estão num lugar que intimida, os museus. Mesmo nos gratuitos, muita gente não entra, achando que aquele não é lugar para ela, tem medo de ser expulsa", explica a curadora. Agora, a história é diferente. São as obras que não passam despercebidas e entram nos lugares já ocupados pelas pessoas nos seus percursos cotidianos. Obras e o ambiente Algumas das obras foram re-significadas pelo ambiente. Espelho Meu, trabalho de Gentil Barreira, por exemplo, traz um homem e uma mulher em fotografias espelhadas e estão vizinhas aos respectivos banheiros masculino e feminino. Nas paredes que cercam o terminal, as colunas servem de moldura às colagens de desenhos feitos em jornal pela artista Ise Braga. Dois boxes no terminal do Papicu estão enfeitados por pinturas.

A escolha dos trabalhos alocados nos terminais, segundo Maíra, ficou ao critério das obras que pudessem ser expostas às condições climáticas. Uma gravura que não fosse reprodução, por exemplo, correria o risco de se desgastar. As obras que requeriam mais cuidados foram postas no Centro de Referência do Professor. As de materiais mais resistentes e ainda as obras perenes, recebidas nos terminais. Ainda assim, o discurso de dar acesso a arte à população que não freqüenta o museu não foi comprado tão facilmente por todos os artistas. Maíra Ortis conta que alguns deles não gostaram da idéia de expor nos terminais, temerosos que suas obras se desgastassem ou sofresse algum tipo de intervenção da população. Depois de um processo de negociação, algumas obras foram transferidas, apesar de constar no edital que a escolha dos lugares previstos, o CRP e os terminais, seria a critério da comissão organizadora. Segurança para as obras "Se não tiver ninguém vigiando, isso num dura 24 horas", observou, a passos ligeiros, um dos guardas municipais do terminal. Por não serem trabalhos feitos para a rua, as obras exigiram segurança. Rapazes grandes e largos, contratados de uma empresa terceirizada de segurança, estarão 24 horas a postos para garantir a integridade dos trabalhos.

A gente passava, se aproximava ou olhava de longe. Muitos com indiferença, outros com curiosidade. Tinham vontade de tocar. "Não pode!", gritou um dos seguranças quando um rapaz quis pôr o dedo em Filateista, trabalho da artista paulista Heloísa Etelvina, um emaranhado de 3600 selos fictícios. "Eu falei que não podia pegar, cara! Entendeu, ou quer que eu desenhe?", aumentou mais ainda a voz o segurança com a insistência do rapaz, enquanto, igual a um galo que canta, inflava o peito. O rapaz murchou e saiu. A cena, ocorrida enquanto a repórter entrevistava Maíra Ortis, deixou quem estava perto temeroso de chegar perto das obras. "Olha só, isso não pode acontecer, o seu papel é de proteger e informar", foi explicar a curadora ao segurança. "É uma questão de cultura e vem dos próprios seguranças, que muitas vezes não têm seus papéis explicados. A população também não está habituada com as obras de arte e como esse é o espaço delas, é natural que queiram tocar, queria agir como costumam fazer", aponta Maíra.

A curadora diz que o Salão passará por uma prova de fogo, a tentativa de orientação, sem intimidar os visitantes/passantes. Enquanto nem todos os trabalhos eram montados, um deles chamava mais atenção. Sem título (Fora de Prumo), uma fotografia feita em câmera pinhole. O cobrador de ônibus Nilton Souza Carvalho chegava para o serviço e deixou-se demorar. "É a Ponte Metálica. Ela traz o mar para a periferia. Nesse ponto aqui, ó (aponta), eu tomava era muito banho. Tem uns pregos retorcidos, mas bem daqui dá para pular". SERVIÇO 59º Salão de Abril. Abertura hoje, 14, às 19 horas, no Centro de Referência do professor (rua Conde D'eu, 560 - Centro). Exposições até 23 de novembro. Visitação: Segunda a sexta, das 8 às 20 horas. Sábado, das 8 às 15h30min. Nos terminais do Siqueira e Papicu, diariamente, sem limite de horário. Informações: 3105 1358/ 3246 2708 ou pelo site http://www.salaodeabril.org/. Todas as atividades têm entrada franca. EMAIS! - Dos 45 artistas selecionados, 19 são cearenses. - A programação inclui oficinas, mini-cursos e entrevistas. O aspecto formativo do Salão inclui outros espaços de encontro, como a Vila das Artes, o Sobrado Dr. José Lourenço e o Centro Cultural do Bom Jardim. - Em destaque na programação a realização, no dia 18 de outubro, da palestra com o professor Paulo Oneto, do Rio de Janeiro, com o tema Arte: Desejo e Resistência - uma abordagem do tema do Salão a partir da filosofia estética, no Sobrado Dr. José Lourenço. - Ainda em outubro, estão marcadas entrevistas com artistas locais e nacionais. Nos encontros, perguntas serão direcionadas às personalidades convidadas, com o objetivo de fomentar na platéia o desejo por intervir no discurso do palestrante. Os entrevistados de outubro são: Paulo Burscky (do Recife), em bate-papo sobre A arte contemporânea e o artista multimídia, no dia 16; Tiago Santana (de Fortaleza), em conversa sobre sua obra fotográfica, no dia 19; e Humberto Cunha (também de Fortaleza), no dia 30, sobre Direito autoral do artista plástico. Todas as entrevistas acontecerão na Vila das Artes. - A programação conta ainda com dois mini-cursos e duas oficinas, respectivamente: Pintura Contemporânea e O ensino da arte contemporânea; e Argila e Desenho. É necessário fazer inscrição.

Obras de Amadeu de Souza Cardoso e Vieira da Silva em diálogo com Picasso e Warhol em Paris

Obras de Amadeu de Souza Cardoso, Vieira da Silva e Lourdes Castro vão dialogar, a partir de quinta-feira, com criações de Andy Warhol, Picasso, Dali e outros artistas no Museu do Luxemburgo, em Paris. São 75 obras escolhidas do acervo do Museu Berardo pelo comissário André Cariou, director e conservador do Museu de Belas Artes de Quimper, na Bretanha, que pesquisou centenas de obras para apresentar uma certa perspectiva de peças emblemáticas desde 1910 até 1980 da colecção do comendador. Esta é a primeira vez que o Museu Colecção Berardo apresenta uma grande exposição no estrangeiro, com obras do seu acervo desde que foi inaugurado, a 25 de Junho de 2007, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na sequência de um acordo de comodato com o Estado português. Em Paris, a exposição "De Miró a Warhol - A Colecção Berardo em Paris" surge anunciada em grandes cartazes um pouco por toda a cidade - à saída do metro, junto aos Jardins do Luxemburgo, no coração da capital, onde está instalado o museu - com uma imagem apelativa e colorida de Tom Wesselman (1931-2004), intitulada "Great American Nude" de 1963.

"Escolhi esta obra da colecção do Museu Berardo para dar um rosto à exposição porque é ao mesmo tempo apelativa, moderna e funciona graficamente muito bem", disse o comissário em declarações à Agência Lusa. No interior do Museu do Luxemburgo, as 75 obras sobretudo de pintura, e também algumas esculturas, foram distribuídas por cinco salas, onde a equipa de produção finaliza os trabalhos de pormenor como a disposição da luz. Na primeira sala, que acolherá os visitantes do museu, convivem pinturas do artista português Amadeo de Souza Cardoso ("Pelas Janelas", 1914), Pablo Picasso ("Tete de Femme", 1909), Jackson Pollock ("Head", 1938), Balthus ("Portrait de Femme", 1935) e uma escultura de Germaine Richier ("La Mante Grande", 1946), entre outras. A exposição prossegue por períodos cronológicos da História da arte, percorrendo o Surrealismo, a Arte Abstracta de entre as Duas Guerras, a Pop Art Americana/Novo Realismo francês, e termina com Diversas Tendências dos Anos 60. No espaço dedicado à Pop Art surgem, por exemplo, obras da artista portuguesa Lourdes Castro, com "Sombra Projectada" (1964) e as emblemáticas sopas de tomate Campbell`s criadas por Andy Warhol.

A pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, que viveu muitos anos em Paris, está representada com duas telas criadas em 1948: "Composition" e "Craie". Max Ernst, Lucio Fontana, Robert Indiana, Piet Mondrian, René Magritte, Francis Gruber, Robert Delaunay, Marcelle Cahn, Jean Gorin, Julio Gonzalez, Salvador Dali e André Breton são outros artistas representados na exposição. Em declarações à Lusa, Sylvestre Verger, responsável pela produção das exposições do Museu do Luxemburgo desde 2000, referiu que esta entidade recebeu desde essa data até hoje cerca de cinco milhões de visitantes e espera que "De Miró a Warhol - A Colecção Berardo em Paris", que ficará patente até 22 de Fevereiro de 2009, venha a receber mais de 300 mil pessoas.

Saatchi inaugura nova galeria em Londres

O coleccionador britânico Charles Saatchi inaugurou uma nova galeria em Londres, reunindo 24 obras de artistas chineses que incluem pinturas, esculturas e instalações. O acervo, intitulado «A revolução continua: Nova arte da China», está localizado num antigo quartel na King´s Road, na capital britânica. «Queremos mostrar as obras de arte mais importantes da actualidade», disse Rebecca Wilson, porta-voz da galeria, que espera a visita de milhares de pessoas. Entre as obras mais destacadas, a instalação «Old Person´s Home» mostra um grupo de 13 idosos, em tamanho real, em cadeiras de rodas. As figuras dos artistas Sun Yuan e Peng Yu retratam um general, um bispo, um almirante, e aludem a políticos, entre outros. A mostra ocupa 15 salas distribuídas por quatro pisos. O coleccionador de 65 anos ajudou a lançar mundialmente um grupo de artistas ingleses, com a abertura da sua primeira galeria, em meados da década de 1980.

Berlim inaugura retrospectiva de Joseph Beuys

A Revolução Somos Nós é o nome da primeira grande retrospectiva de Joseph Beuys realizada na Alemanha nos últimos 20 anos. Aberta na sexta-feira em Berlim, ela traz 270 trabalhos do mais influente artista plástico alemão do pós-guerra, entre desenhos, esculturas, instalações, fotografias e vídeos. A exposição inclui obras vindas Amsterdã, Nova York e Bilbao e fica aberta até dia 25 de janeiro no Hamburger Bahnhof, museu de arte contemporânea berlinense instalado numa antiga estação de trem. Segundo os organizadores, a mostra é a maior já dedicada ao artista. O evento procura questionar a influência de Beuys na arte atual, investigando a relevância das suas idéias na sociedade atual. Ardoroso defensor da arte como instrumento de transformação social, cultural e política, o alemão - que sempre usava um inconfundível chapéu - era um militante engajado. Fez parte de movimentos ambientalistas, pacifistas e anti-nuclear, sendo presença freqüente na mídia nos anos 70 e 80.

Itália

Entre as principais atrações da exibição está a instalação Palazzo Regale, criada pelo artista na Itália poucos meses antes de sua morte, em 1986. Outra obra que deverá chamar a atenção dos visitantes é Valores da Economia, composta por uma estante onde estão com diversas embalagens velhas de produtos de supermercado da Alemanha Oriental. A instalação é acompanhada por uma projeção de A Corrida do Ouro, de Charlie Chaplin. Cerca de 50 registros em vídeo ilustram, ainda, a ampla visão artística de Beuys. Os filmes documentam as muitas performances e apresentações do artista. Nelas, o alemão divulgava sua idéia de arte como base para o que chamava de "revolução de todas as relações sociais".

Beuys, A Revolução Somos Nós é parte de uma temporada de exposições em Berlim chamada de O Culto do Artista, que ainda terá retrospectivas de outros artistas influentes como o americano Andy Warhol e o pintor alemão Paul Klee.

Museu inaugura mostra sobre o artista italiano

É célebre o embate entre Michelangelo e os cardeais de Roma, durante a execução de uma de suas obras-primas, o teto da Capela Sistina, no Vaticano. Realizada entre 1535 e 1541, a pedido do papa Júlio II, o número de nus na representação das passagens bíblicas escandalizou tanto os cardeais que, posteriormente, foram colocados tecidos sobre as partes íntimas das almas subindo ao céu — que o artista representa como homens e mulheres nus. Este episódio é importante para lembrar como Michelangelo (1475-1564) era apaixonado pela anatomia — nos afrescos da Sistina, ele fez seu elogio ao corpo humano, dotando cada personagem de beleza e expressividade extraordinárias. Uma mostra significativa da produção do mestre e de outros artistas da época chega ao Brasil na exposição Michelangelo em Contexto: Desenhos da Fondazione Buonarroti e Gessos da Gipsoteca Dell’Istituto Statale d’1Arte de Florença. Com abertura hoje, no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), em São Paulo, a exposição apresenta dois desenhos originais e inéditos no Brasil — Nudo di Schiena (1504-5) e Madonna col Bambino (1525) — e mais 25 grandes esculturas e relevos em gesso, preparados com base nos moldes originais de Michelangelo, de escultores contemporâneos a ele (como Jacopo della Quercia e Andrea Verrocchio), de seguidores de Michelangelo (como Gian Bernini e Vincenzo Danti) e de seus alunos.
As obras foram divididas em quatro partes: Clássica, Artistas Contemporâneos a Michelangelo, Seguidores de Michelangelo e Michelangelo. Nesta, estão os dois desenhos e nove réplicas de obras-primas como Moisés e Pietà-Rondanini (a última obra do artista, que ficou inacabada). A idealização, curadoria e cenografia são assinadas pelos arquitetos italianos Patrizia Pietrogrande e Eugênio Martera. O investimento superior a R$ 1,5 milhão foi bancado pelos patrocinadores Mercedes-Benz do Brasil, Planner Corretora de Valores e Eurofarma Laboratórios. Para o curador do MuBE, Jacob Klintowitz, Michelangelo “é o arauto visual da renascença, portador das novas idéias”. Saudado pelo seus contemporâneos como “divino Michelangelo”, o artista destacou-se também, como poeta, deixando mais de 300 sonetos, madrigais e outros tipos de poesia. Nascido na província de Arezzo, na Itália, vindo de linhagem nobre, Michelangelo di Ludovico Buonarrotti Simoni é fruto tardio da renascença, e não um pioneiro. Afinal, em 1475, o movimento artístico que enterrou a Idade Média e revolucionou o modo de pensar, pintar, esculpir e construir edifícios somava cerca de 200 anos na Itália e já tinha produzido uma enorme galeria de gênios, como os pintores Giotto e Leonardo da Vinci, o escultor Donatello e o arquiteto Brunelleschi. Mesmo assim, Michelangelo conseguiu atingir um grau tão alto de realismo e perfeição em suas esculturas e pinturas que, conta-se, ao terminar a estátua de Moisés (1513-16), ele bateu o martelo no joelho da escultura e gritou: Perché non parli? (Por que não falas?). SAIBA MAIS O quê: Exposição Michelangelo em Contexto: Desenhos da Fondazione Buonarroti e Gessos da Gipsoteca Dell'Istituto Statale d'Arte de Florença Quando: Visitas de segunda a domingo, das 10h às 19h, até 30/11 Onde: Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), na Rua Alemanha, 221, Jardim Europa, São Paulo. Informações e agendamento para visitas monitoradas: (11) 2594-2601

Kate Moss foi banhada a ouro


O artista britânico Marc Quinn apresentou esta quinta-feira a estátua que fez em ouro da supermodelo britânica Kate Moss, no museu britânico de Londres.
Quinn revelou pela primeira vez ao grande público a estátua, que pesa 50 quilos.
A supermodelo aparece em poses artísticas e arrojadas. A estátua está avaliada em 1,9 milhões de euros e vai estar em exibição na exposição «Statuephilia».

Japão inaugura maior exposição sobre Picasso de sua história

O Japão inaugurou hoje a maior mostra de Pablo Picasso de sua história, evento que promete se transformar em uma das grandes exposições da temporada nesta nação ávida de arte e que admira de forma especial a obra do mestre espanhol. A retrospectiva reúne 230 obras, entre pinturas, esculturas, cerâmicas, desenhos, gravuras e fotos que cobrem o início da carreira do artista até peças dos anos 70, pouco antes de sua morte. Realizada em dois museus muito próximos ao centro de Tóquio - o Museu Suntory e o Centro Nacional de Arte -, a mostra abriu hoje suas portas à imprensa e a partir deste sábado poderá ser vista pelo público em geral. Entretanto, apenas com jornalistas, os dois museus estavam hoje cheios de japoneses e tudo leva a crer que a exibição, que já passou pela Espanha em fevereiro deste ano e recebeu mais de 60 mil pessoas no Museu Rainha Sofía, em Madri, será um êxito no Japão.
A exposição, que procede do Museu Nacional Picasso, em Paris, ficará no país até 14 de dezembro para comemorar os 150 anos das relações diplomáticas entre Japão e França, dois países entre os quais existe admiração mútua em questões de arte. As obras estão divididas em dois grupos: em um se mostra uma retrospectiva do artista espanhol (1881-1973) - de suas primeiras pinturas até seu período surrealista - e no outro, se exibe um aspecto mais pessoal, através de uma coleção de retratos. A primeira exposição - "Picasso: sua Vida e suas Criações" - está espalhada por várias salas do imponente Centro Nacional de Arte de Tóquio, nas quais a luz e o espaço são partes essenciais do espetáculo. Ali são mostradas, por ordem cronológica, obras que vão desde o início de sua carreira ou seu célebre Período azul (1901-1904), como "A Celestina" (pintado em Barcelona em 1904), até algumas de suas últimas obras surrealistas. Já o evento no Museu Suntory reúne em várias salas uma coleção de retratos do artista espanhol, iluminados com luz tênue e azulada, sob o título "Picasso: Retrato de uma Alma".

Aberta em Lisboa maior exposição de pintura cubana até o momento

A mostra aberta por António Filipe, vice-presidente da Assembléia da República e chefe do grupo parlamentar português de amizade com Cuba, traz 26 peças dos artistas Pedro Pablo Oliva, Prêmio nacional de Artes Plásticas de Cuba, Flora Fong, Nelson Domínguez, Agustín Bejarano e Julio César Banasco. Oliva salientou em declarações à PL que é a primeira vez que um grupo tão numeroso de criadores cubanos expõe em Portugal, o que tende uma ponte entre artistas de ambos os países. Aliás, destacou o momento em que se abre, pois a exposição estimula mais ainda a solidariedade que Cuba recebe atualmente por causa dos estragos causados pelos recentes furacões. Entre os convidados à abertura da mostra, que inclui seis peças do escultor cubano residente em Portugal Hans Varela, esteve Jorge Castro, embaixador cubano na nação ibérica, bem como Jerônimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português, vários prefeitos, pintores, artistas, outras figuras da cultura lusitana e membros do corpo diplomático.

A diversidade de São Paulo se estende aos seus museus

Dos tradicionais aos mais modernos e inusitados, São Paulo possui 90 museus que se destacam na grande programação cultural da cidade, a novidade é o Museu do Futebol, aberto no dia 1º de outubro. Metade dos dez milhões de turistas que chegam à capital paulista todos os anos vêm a lazer, compras e outros fins. Para eles, a cidade conta com a maior oferta de entretenimento do Brasil e uma agenda cultural bem recheada. Segundo pesquisa da São Paulo Turismo (SPTuris – empresa de promoção turística e eventos da cidade), cerca 83% dos turistas visitam ou pretendem visitar alguns museus que a metrópole abriga. E agora esses turistas terão mais uma opção: o Museu do Futebol, inaugurado no dia 01 de outubro. Mas São Paulo tem também o museu mais visitado do País, o Museu da Língua Portuguesa, e o de arquitetura mais arrojada, o Masp, além de alguns dos mais inusitados, como o do Relógio e o das Invenções. São cerca de 90 opções de museus, para todos os gostos. Abaixo estão algumas sugestões.


Modernos - Desde a sua inauguração, em março de 2006, 1,3 milhão pessoas já visitaram o Museu da Língua Portuguesa. Ele é o único em todo o mundo dedicado a um idioma. É tão diferente, que até o roteiro de visitação começa pelo último andar onde o visitante tem contato com um pouco da história da língua. No segundo andar há recursos para mostrar os processos de formação das palavras e o primeiro é reservado às exposições temporárias. A mostra “Machado de Assis: mas este capítulo não é sério” ocupa esse último espaço até o dia 26 de outubro. Todo acervo é multimídia e conta com vídeo narrado pela atriz Fernanda Montenegro, tela de 106m com projeções simultâneas de filmes sobre o uso cotidiano do português e uma sala especial (Beco das Palavras) com jogo eletrônico didático sobre a origem e o significado das palavras encantam pelos recursos interativos.Tão característico quanto o idioma é o interesse do brasileiro por futebol. E São Paulo inaugurou o único museu do mundo voltado exclusivamente para esse esporte sem ter ligação com nenhum clube específico. O Museu do Futebol promete ser um dos grandes atrativos turísticos da cidade. Seu acervo multimídia e o aspecto futurista das instalações são garantia de um ótimo passeio mesmo para os menos fanáticos pela modalidade.




Três eixos norteiam a visita do museu, segundo seu curador, Leonel Kaz: “emoção, história e diversão”. Localizado em uma área de 6.900 m² embaixo das arquibancadas do Estádio Paulo Machado de Carvalho – o Pacaembu. O visitante começa o percurso no saguão de entrada, batizado como Sala do Torcedor, onde estarão reunidos objetos utilizados pelos torcedores. Na Sala Anjos Barrocos o visitante pode andar pelos lances de craques como Pelé, Zico, Romário, Ronaldo, Gilmar, Gérson, Sócrates, Rivelino, entre outros, que têm suas imagens exibidas em grandes telas suspensas. Personalidades como Daniel Piza, João Gordo, Marcelo Tas e Ruy Castro narraram seus gols preferidos, que poderão ser ouvidas na Sala dos Gols. Narrações originais de Ary Barroso, Fiori Gigliotti, Oduvaldo Cozzi, Waldir Amaral, Jorge Cury e Osmar Santos estarão disponíveis na Sala do Rádio. Tem ainda a Sala das origens, dos heróis, das Copas do Mundo, a Sala Experiência Pelé e Garrincha entre outras. No dia 1º de outubro foi aberto com a exposição “Marcas do Rei” e conta com um preço acessível de R$6. Quem gosta de filmes, documentários, arquivos sonoros e afins não pode deixar de conhecer o Museu da Imagem e do Som (MIS). Reformado recentemente é garantia de um ótimo passeio.




O acervo do MIS possui mais de 300 mil itens: fotos, filmagens, vinis e registros sonoros. Entre esses materiais podemos encontrar vídeos de Tarsila do Amaral e Tom Jobim, registros sonoros sobre a Companhia de Cinema Vera Cruz. Além disso, o museu criou uma infra-estrutura que permite que os artistas possam desenvolver seus trabalhos dentro do próprio museu.Tradicionais - Os mais conservadores podem apreciar espaços como o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga. É o único museu que tem em seu acervo uma casa do século XIX, que foi usada por Dom Pedro I. A “Casa do Grito” foi reformada recentemente, e também nela é possível ver exposições. O grande acervo do museu relacionado à Independência do Brasil tem peças como escrivaninhas, camas, banheiras e móveis em geral, vestimentas, carruagens e outros meios de transporte da época, espadas, entre outros objetos. Uma curiosidade do museu é que em sua escadaria há recipientes com amostra de água de vários rios brasileiros. Em frente fica o Parque da Independência, onde paulistanos andam de bicicleta, skate e fazem piquenique, e o Riacho do Ipiranga, onde Dom Pedro teria declarado a independência do Brasil.




Já o Museu de Arte de São Paulo (Masp) chama muito a atenção do visitante mesmo antes de entrar. Sua arquitetura é surpreendente: duas colunas sustentam o prédio, formando o maior vão livre da América Latina. Lá estão expostas obras de Rafael,Botticceli, Bellini, Rembrandt, Velazquéz, Goya, Renoir, Monet, Cézanne, Degas, Van Gogh,e outros. A Pinacoteca do Estado também faz parte do rol dos museus mais conhecidos e tem arquitetura diferenciada, com contraste entre os tijolos de barro à mostra e elementos modernos, como elevadores em vidro e metal. Ao anoitecer é possível contemplar a belíssima iluminação externa que dá um charme todo especial ao prédio. Ao lado fica o Jardim da Luz ao lado, com esculturas, roteiro guiado e um charmoso café. O Museu de Arte Moderna (MAM) foi criado em 1940 na ocasião da 5° Bienal de Arte de São Paulo, em 1959. Grande parte do reconhecimento da cidade no mundo se deve ao grande destaque na área cultural e a Arte Moderna tem grande importância na história do país e da cidade, pois foi aqui que ocorreu a famosa Semana de 22, que revolucionou o trabalho de artistas de várias áreas.




Seu acervo que conta com obras de Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Rafael França, Marepe, Rivane Neuenschwander, Valdirlei Dias Nunes, Leda Catunda, Rubens Mano, Daniel Acosta, Laura Lima, Nelson Leirner e Carlos Fajardo. O museu, que fica no Parque do Ibirapuera, ainda oferece diversos cursos como história da arte, fotografia, e outros. E o Parque do Ibirapuera ainda é endereço da Oca, um espaço projetado por Oscar Niemeyer que abriga exposições temporárias além de outros espaços também destinado a exposições e feiras. Museus como o Afro-Brasil , o Pavilhão Japonês e o Museu Arte Contemporânea (MAC) fazem parte do Parque.
Inusitados - Não são apenas grandes obras de arte que merecem estar nos museus. Na cidade das diversidades, moda, relógio, crime, óculos, invenções, tecnologia, mágica, e até voz e pessoa têm espaço garantido. Quem gosta de roupas pode ir a Modateca e saber o que as pessoas usavam antigamente. O acervo é composto por doações efetuadas por colecionadores, profissionais de moda e pesquisadoras como Madame Marthe Monioz, que foi a principal chapeleira de origem francesa que atuou na alta-costura brasileira, e também o estilista brasileiro Walter Rodrigues.





E como ninguém está na moda se não usar um acessório legal, não deixe de visitar o Museu dos Óculos. Cerca de duzentas peças em exposição contam a história desse acessório que virou uma peça do vestuário. Modelos já usados por Débora Bloch, Jô Soares e outras celebridades podem ser encontrados no local. Para os que querem aproveitar bem o tempo, o Museu do Relógio também é uma ótima escolha. O acervo possui cerca de 700 objetos, entre eles, uma vela que marca o tempo e a imitação do famoso relógio derretido da tela “A persistência da memória”, de Salvador Dali. O espaço existe há 33 anos, por conta da paixão do professor Dimas de Melo Pimenta, que abriu sua coleção particular ao público. Para os mais corajosos, uma visita ao Museu do Crime é bem interessante. A vida de criminosos conhecidos como o Bandido da Luz Vermelha é abordada no Museu do Crime, localizado prédio da Polícia Civil na Cidade Universitária.Já o Museu das Invenções, inaugurado em novembro de 1996, tem como objetivo mostrar o quanto a ciência pode ser divertida. Lá o visitante encontra palito de dente com aroma e sabor, óculos com funil para colocar colírio, boné com cano para assoprar os olhos para tirar cisco e outras idéias inusitadas.





Uma conseqüência das invenções mais inusitadas é o avanço tecnológico. No Museu da Tecnologia, por meio de exposições, mostras tecnológicas, congressos, seminários, cursos, convenções, fóruns e workshops, o visitante pode perceber as principais avanços dessa área no Brasil e no mundo. E muito antes de entendermos as grandes inovações como tecnologia os mágicos já surpreendiam e encantavam com seus truques. No Museu de Arte Mágica os curiosos encontram um acervo com 500 objetos e aparelhos de mágica e 500 vídeos que contam a história dessa misteriosa maneira de divertir. E se muitos truques não podem ser contados, podemos compensar esse silêncio visitando outro museu bem diferente, o Museu da Voz, que conta com um acervo de cerca de três mil vozes, entre gravações, músicas, cantos, sons diversos e efeitos sonoros. A coleção inclui cantos de pássaros, sons das Copas do Mundo e raridades como a primeira voz humana gravada em 1887, que pertence a Thomas Edison. Depois de passar pelo Museu da Voz, nada melhor que saber um pouco mais sobre a história de quem tem o que dizer. O Museu da Pessoa, por sua vez, é um museu virtual que teve início em 1991 com o objetivo de construir uma rede internacional de histórias de vida. Para manter viva essa idéia, o museu ganhou em 2007 um espaço aberto para receber visitas. É só marcar um horário e contar o seu relato. Já foram contabilizadas mais de oito mil histórias. O visitante pode deixar sua história de vida gravada para que outras pessoas tenham acesso a ela.





Crianças - São Paulo tem museus para todos os gostos e idades. Para despertar nas crianças a vontade de visitá-los, uma boa pedida é o Museu dos Transportes. Lá os pequenos podem fazer uma viagem descontraída pela história dos transportes coletivos. Criado em 1984, o visitante pode ver antigos bondes elétricos, veículos de tração animal e o primeiro ônibus a diesel da cidade, além de exposições fotográficas. A Estação Ciência também proporciona uma experiência única à garotada. Lá tem um simulador de terremotos. Após receber informações de como os terremotos acontecem, o visitante pode ir a uma sala e sentir três tipos diferentes de abalos. O Planetário Inflável também chama muito a atenção. Nele é possível até mesmo ver como é o céu do hemisfério norte (não conseguimos fazê-lo normalmente, pois estamos no hemisfério sul) e saber o porquê dos nomes das constelações. Para as crianças que gostam de animais, o Instituto Butantan é ideal. Elas terão a oportunidade de ir além da observação e tocar em cobras. Todas as quintas-feiras, entre 14h30 e 13h30 o projeto “Mão na cobra, só no Butantan” permite que ao visitar o serpentário as pessoas possam pegar os animais.




E para saber como elas e outros animais peçonhentos são importantes para o desenvolvimento da ciência o Instituto mantém quatro museus diferentes. Um dos mais conhecidos é o Biológico, onde estão expostas serpentes vivas. No de Microbiologia é possível saber mais sobre o DNA e outras estruturas que não são vistas a olho nu de forma inovadora. E há também o Museu Histórico, instalado na antiga sala do fundador do Instituto, o Dr. Vital Brasil. Instrumentos científicos do início do século passado ajudam a contar a história do local. Vinte e um painéis na Alameda do Instituto também contribuem, com textos e fotos, para disseminar informações a respeito da criação do lugar. Religiões e etnias - São Paulo tem mais de onze milhões de habitantes, mas eles são mais que mais um número. Todos têm uma história, muitos vieram de outras partes do mundo e cada um tem sua forma de ver a religiosidade. E não poderiam faltar museus com diversas abordagens sobre esses assuntos. No Museu de Arte Sacra é possível ver a imagem que deu nome ao mosteiro e ao bairro da Luz, a Nossa Senhora da Luz. Data do século XVI e é a primeira imagem do museu. Grupos e crianças se encantam ao ver São Jorge com braços e pernas articulados, com armadura e montado em seu cavalo. Algo bem característico do santo, mas o detalhe é que essa imagem do século XVIII é em tamanho natural. Outra obra que além da beleza impressiona pelo tamanho é o Presépio Napolitano do século XVIII.




Ele ocupa uma sala inteira e é atração o ano todo. O acervo é de cerca de 800 obras que incluem pratarias e objetos em ouro, pintura, mobiliário, altares, vestimentas sacras e livros litúrgicos raros. A coleção de lampadários só é menor que a dos Museus Vaticanos e também há uma rica coleção de ícones russos. Já o Museu Espírita nasceu da necessidade de reunir as primeiras obras de arte espírita e os trabalhos mediúnicos mais notáveis. A biblioteca é constituída com cerca de 4 mil títulos, em português, árabe, espanhol, esperanto, francês, grego, inglês, italiano, japonês. Tem ainda uma hemeroteca (acervo de revistas e periódicos) com mais de mil títulos, incluindo raridades do século passado. Sobre etnia, temos o Museu Afro-Brasileiro, no Parque do Ibirapuera. Num ambiente que deixa o visitante completamente envolvido pela cultura afro há um acervo de três mil obras entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos e documentos, de artistas e autores brasileiros e estrangeiros, que resgatam a memória do negro no Brasil. O espaço abriga também uma loja com produtos artesanais. No Ibirapuera tem ainda o Pavilhão Japonês. O seu prédio principal representa a arquitetura nipônica.




Todo material envolvido na obra e no jardim foi trazido do Japão. O Salão de Exposição de Arte Japonesa mantém em seu acervo roupas de samurais, esculturas do século XI, estatuetas e vasos de várias dinastias. O Salão Nobre possui 80m² e fica a dois metros do chão. Tem também o Museu da Imigração Japonesa do Brasil, inaugurado em 1978 em comemoração ao 70º aniversário da imigração. A área é dividida em três andares: em dois estão documentos e objetos que abrangem da assinatura do Tratado de Amizade Brasil/Japão à chegada dos primeiros imigrantes e os núcleos coloniais. O último enfoca os 50 anos pós-guerra tratando sobre as mudanças da comunidade nikkei, a vinda das empresas japonesas e a contribuição dos nipo-brasileiros para o Brasil. A biblioteca e o acervo somam mais de cinco mil objetos, 28 mil documentos escritos (entre diários, livros, jornais, revistas) e cerca de 10 mil fotos relacionadas aos imigrantes japoneses. O Memorial do Imigrante está localizado em um dos poucos edifícios centenários da cidade de São Paulo.




O passeio de Maria-Fumaça é um charme a parte, que concretiza as informações que o visitante tem durante a visitação do Memorial. Além da pesquisa, coleta, documentação, preservação e divulgação do acervo documental de Estado, há também o desenvolvimento de projetos de apoio às comunidades de imigrantes estimulando a consciência de preservação e divulgação dos testemunhos de suas culturas. A programação do Memorial da América Latina é ainda mais diversificada: dança, exposição, música, palestra, teatro, cinema, biblioteca e tudo que envolver manifestações artísticas e científicas latino-americanas. Vale a pena visitar também - Quem quer saber mais sobre a produção audiovisual brasileira não pode deixar de conhecer a Cinemateca. Mais de 200 mil rolos de filmes, além de livros, roteiros, cartazes e fotografias fazem parte do acervo. Entre 6 de outubro e 6 de novembro acontece a 3° Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul. Em comemoração aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas, serão exibidos filmes que falam sobre os direitos elementares.




E quem passa pela Avenida Europa não deixa de apreciar duas grandes obras do Museu Brasileiro de Escultura (Mube): Coluna da Primavera, de Francisco Brennand e A Grande Coluna, de Caiporé Torres. Essas obras surpreendem pelo tamanho e beleza. Além das exposições convencionais e dos cursos, ele tem um charme extra: a feira de antiguidades que acontece todos os domingos. Quem gosta e precisa fazer pesquisas tem um grande aliado: o Arquivo do Estado. A instituição foi idealizada em 1721 e guarda um vasto acervo de documentos antigos, além de oferecer apoio aos pesquisadores e ter programas de orientação a professores.
Outro espaço imperdível para quem gosta de saber sobre o passado, mas sem se desligar do presente nem ficar por fora das novas tendências é o Museu da Casa Brasileira. O local expõe mobiliário antigo e promove debates sobre o que há de mais moderno em design, além de receber grupos musicais em apresentações dominicais. Foi por uma iniciativa do MCB que o Prêmio de Design foi criado e agracia profissionais desde 1986. A premiação e abertura da exposição com vencedores e selecionados será no dia 2 de dezembro. A Fundação Maria Luiza e Oscar Americano tem uma particularidade: o museu era a casa de uma família brasileira e o acervo é basicamente composto pelos quadros, esculturas, móveis e tapeçaria que eram do casal. Tem também peças que pertenceram a D. Pedro I, arrematadas em leilões. Os mais antenados não podem deixar de visitar também o Museu de Arte Contemporânea (MAC). Lá é possível contemplar obras de artistas como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Brecheret, Tarsila, Rego Monteiro, Portinari, Oiticica, De Chirico, Modigliani, Boccioni, Picasso, Chagall, entre tantos outros.
Sites: www.cidadedesaopaulo.com www.fiquemaisumdia.com.br www.spturis.com www.anhembi.com.br

Nova Arte Nova no CCBB | Rio de Janeiro

CCBB apresenta a nova geração de artistas brasileiros, em exposição que terá catálogo com textos de cinco jovens críticos. A diversidade da arte contemporânea brasileira produzida por uma geração de jovens artistas nesta primeira década no século XXI será exibida na mostra Nova Arte Nova, no Centro Cultual Banco do Brasil Rio de Janeiro, de 21 de outubro a 4 de janeiro de 2009, dentro das comemorações dos 200 anos do Banco do Brasil. Com a participação de artistas em torno de 30 anos, é uma exposição que manifesta por parte do CCBB, da curadoria de Paulo Venancio Filho, e da FazerArte, produtora da mostra, uma confirmação da relevância e originalidade da produção artística brasileira mais recente. A Nova Arte Nova irá ocupar todo o espaço expositivo do CCBB, com obras de 57 artistas nascidos em 14 estados, de Goiás a Pernambuco, do Pará ao Rio Grande do Sul, abrangendo cinco regiões do país. Serão mais de cem obras, a maioria inédita, com linguagens e técnicas diversas: da pintura ao vídeo, da colagem às instalações sonoras, da escultura ao desenho.


A mostra será a primeira apresentação abrangente e completa desta nova geração de artistas pioneiros do novo século, alguns dos quais já evidenciados em mostras e exposições no Brasil e no exterior, inclusive Bienais. No catálogo da exposição, textos da nova geração de críticos brasileiros, uma outra iniciativa inédita. Para o curador Paulo Venancio Filho, mais do que apresentar trabalhos individuais, a exposição Nova Arte Nova pretende sintetizar aspectos e possibilidades de uma mesma geração de jovens artistas brasileiros no confronto com o processo global do circuito de arte. “São artistas que absorvem e reagem às variadas direções artísticas globais, mas formados com uma consciência crítica de sua história e importância, que vem do reconhecimento da arte brasileira como partícipe do processo mundial. Mostrar esta nova geração pressupõe apresentar as possibilidades que estes artistas experimentam – as mais diferentes possíveis de qualquer outro período histórico.




E, embora explorem assuntos e linguagens diversas, apresentam uma forte consistência artística, um núcleo que segue uma coerência própria. Assim, a diversidade pode, efetivamente, ser apreciada verdadeiramente como um panorama coerente e esclarecedor”. O arco de interesses dos artistas convidados mostra a heterogeneidade e multiplicidade das investigações artísticas contemporâneas. E diversidade não está só no tema, assunto ou conteúdo, mas também nas linguagens e nas mídias nas quais o trabalho irá aparecer: instalações, fotografias, vídeos, objetos, pinturas, performances, etc. Mesa redonda e palestras.: Incluem o projeto da Nova Arte Nova a realização de uma mesa redonda, com a participação dos novos críticos brasileiros - Luisa Duarte, Marisa Flórido, Daniela Labra, Guilherme Bueno e Cauê Alves – além de duas palestras com convidados estrangeiros - Briony Fer, da Modern and Contemporary art, e Ann Gallagher, da Tate Moden - que irão refletir sobre a arte contemporânea neste novo contexto histórico, em que a produção nacional ganha um reconhecimento inédito no exterior. Obra de referência.: O catálogo da mostra, com cerca de 200 páginas, em edição bilíngüe, trará textos dos novos críticos brasileiros, reunindo sínteses biográficas e imagens de obras expostas de todos os artistas. Essa peça gráfica se constituirá em obra de referência sobre a arte contemporânea no Brasil, na primeira década do século 21.A exposição Nova Arte Nova será exibida também no CCBB de São Paulo, de janeiro a abril de 2009.





Exposição Nova Arte Nova, de 21 de outubro a 4 de janeiro de 2009, de terça a domingo, das 10h às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, Rua Primeiro de Março, 66 , Centro do Rio de Janeiro (RJ). Tel: (21) 3808-2020 www.bb.com.br Entrada franca .

Exposição destaca amizade de marchand com ícones do século 20

O marchand francês Aime Maeght não foi apenas amigo de alguns dos maiores artistas do século 1920.Ele foi também assessor, patrono e editor de artistas como Miro, Braque e Giacometti. Quando sua galeria em Paris foi aberta, em 1945, ela simbolizou o novo espírito nas artes, após os tempos sombrios da 2a Guerra Mundial e da ocupação alemã. Uma nova exposição na Royal Academy de Londres sobre Maeght e sua família reúne grandes obras com artefatos pessoais para destacar a jornada do marchand, de proprietário de uma lojinha de rádios em Cannes para influente galerista, colecionador e marchand. A jornada começou em 1941, quando o pintor Pierre Bonnard conheceu Maeght e sua mulher, Marguerite, na loja Arte, que também abrigava uma gráfica e agência de publicidade, e pediu que imprimissem um pôster. Marguerite convenceu Bonnard a lhe confiar algumas de suas telas para vender, levando o artista a encorajar o casal a abrir uma galeria em Paris, pouco após o fim da 2a Guerra Mundial. Henri Matisse passou tempo com a família Maeght durante a guerra, na relativa calma do sul da França, e produziu obras para a exposição inaugural da Galeria Maeght em 1945.
Maeght via Bonnard e Matisse como mentores, mas também teve uma amizade estreita com o artista catalão Joan Miro, o americano Alexander Calder, o co-fundador do cubismo Georges Braque e o escultor suíço Alberto Giacometti. "Decidimos nos concentrar em quatro dos grandes artistas do século 20 que estão ao cerne da história da família Maeght", disse a curadora da exposição, Ann Dumas, ao lado do filho e dos três netos de Aime Maeght.
IMAGENS RARAS EM FILME
Um dos principais eventos da Galeria Maeght em seus primeiros anos de vida foi a Exposição Surrealista Internacional de 1947, que marcou o retorno do movimento a Paris após a guerra e destacou obras de Miro. Algumas das esculturas mais famosas de Giacometti estão na exposição, incluindo a grande "Mulher em Pé I" e uma obra-prima anterior, "Mulher-colher", criada nos anos 1920. A mostra também tem móbiles e esculturas de Calder, pinturas importantes de Miro e Braque e uma parede dedicada a capas da revista de arte "Derrière le Miroir", publicada pelos Maeght entre 1946 e 1982. Chagall, Leger e Kandinsky aparecem nas capas, revelando a importância dos Maeght no mundo da arte.
O que torna a exposição tão singular, disse Dumas, é a combinação de grandes obras e vitrines contendo artefatos pessoais ligados à família Maeght e aos artistas, muitos dos quais nunca antes foram expostos. Eles incluem imagens em filme feitas pelo filho então adolescente de Aime, mostrando Matisse pintando um retrato de Marguerite. Em outra, Giacometti é visto dançando e brincando com as crianças da família Maeght numa sala ensolarada. Aime Maeght, que estudou litografia quando jovem, incentivou seus artistas a trabalhar com mídias diferentes, e a última sala da exposição contém grandes litografias criadas por Miro em sua velhice.