A diversidade de São Paulo se estende aos seus museus

Dos tradicionais aos mais modernos e inusitados, São Paulo possui 90 museus que se destacam na grande programação cultural da cidade, a novidade é o Museu do Futebol, aberto no dia 1º de outubro. Metade dos dez milhões de turistas que chegam à capital paulista todos os anos vêm a lazer, compras e outros fins. Para eles, a cidade conta com a maior oferta de entretenimento do Brasil e uma agenda cultural bem recheada. Segundo pesquisa da São Paulo Turismo (SPTuris – empresa de promoção turística e eventos da cidade), cerca 83% dos turistas visitam ou pretendem visitar alguns museus que a metrópole abriga. E agora esses turistas terão mais uma opção: o Museu do Futebol, inaugurado no dia 01 de outubro. Mas São Paulo tem também o museu mais visitado do País, o Museu da Língua Portuguesa, e o de arquitetura mais arrojada, o Masp, além de alguns dos mais inusitados, como o do Relógio e o das Invenções. São cerca de 90 opções de museus, para todos os gostos. Abaixo estão algumas sugestões.


Modernos - Desde a sua inauguração, em março de 2006, 1,3 milhão pessoas já visitaram o Museu da Língua Portuguesa. Ele é o único em todo o mundo dedicado a um idioma. É tão diferente, que até o roteiro de visitação começa pelo último andar onde o visitante tem contato com um pouco da história da língua. No segundo andar há recursos para mostrar os processos de formação das palavras e o primeiro é reservado às exposições temporárias. A mostra “Machado de Assis: mas este capítulo não é sério” ocupa esse último espaço até o dia 26 de outubro. Todo acervo é multimídia e conta com vídeo narrado pela atriz Fernanda Montenegro, tela de 106m com projeções simultâneas de filmes sobre o uso cotidiano do português e uma sala especial (Beco das Palavras) com jogo eletrônico didático sobre a origem e o significado das palavras encantam pelos recursos interativos.Tão característico quanto o idioma é o interesse do brasileiro por futebol. E São Paulo inaugurou o único museu do mundo voltado exclusivamente para esse esporte sem ter ligação com nenhum clube específico. O Museu do Futebol promete ser um dos grandes atrativos turísticos da cidade. Seu acervo multimídia e o aspecto futurista das instalações são garantia de um ótimo passeio mesmo para os menos fanáticos pela modalidade.




Três eixos norteiam a visita do museu, segundo seu curador, Leonel Kaz: “emoção, história e diversão”. Localizado em uma área de 6.900 m² embaixo das arquibancadas do Estádio Paulo Machado de Carvalho – o Pacaembu. O visitante começa o percurso no saguão de entrada, batizado como Sala do Torcedor, onde estarão reunidos objetos utilizados pelos torcedores. Na Sala Anjos Barrocos o visitante pode andar pelos lances de craques como Pelé, Zico, Romário, Ronaldo, Gilmar, Gérson, Sócrates, Rivelino, entre outros, que têm suas imagens exibidas em grandes telas suspensas. Personalidades como Daniel Piza, João Gordo, Marcelo Tas e Ruy Castro narraram seus gols preferidos, que poderão ser ouvidas na Sala dos Gols. Narrações originais de Ary Barroso, Fiori Gigliotti, Oduvaldo Cozzi, Waldir Amaral, Jorge Cury e Osmar Santos estarão disponíveis na Sala do Rádio. Tem ainda a Sala das origens, dos heróis, das Copas do Mundo, a Sala Experiência Pelé e Garrincha entre outras. No dia 1º de outubro foi aberto com a exposição “Marcas do Rei” e conta com um preço acessível de R$6. Quem gosta de filmes, documentários, arquivos sonoros e afins não pode deixar de conhecer o Museu da Imagem e do Som (MIS). Reformado recentemente é garantia de um ótimo passeio.




O acervo do MIS possui mais de 300 mil itens: fotos, filmagens, vinis e registros sonoros. Entre esses materiais podemos encontrar vídeos de Tarsila do Amaral e Tom Jobim, registros sonoros sobre a Companhia de Cinema Vera Cruz. Além disso, o museu criou uma infra-estrutura que permite que os artistas possam desenvolver seus trabalhos dentro do próprio museu.Tradicionais - Os mais conservadores podem apreciar espaços como o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga. É o único museu que tem em seu acervo uma casa do século XIX, que foi usada por Dom Pedro I. A “Casa do Grito” foi reformada recentemente, e também nela é possível ver exposições. O grande acervo do museu relacionado à Independência do Brasil tem peças como escrivaninhas, camas, banheiras e móveis em geral, vestimentas, carruagens e outros meios de transporte da época, espadas, entre outros objetos. Uma curiosidade do museu é que em sua escadaria há recipientes com amostra de água de vários rios brasileiros. Em frente fica o Parque da Independência, onde paulistanos andam de bicicleta, skate e fazem piquenique, e o Riacho do Ipiranga, onde Dom Pedro teria declarado a independência do Brasil.




Já o Museu de Arte de São Paulo (Masp) chama muito a atenção do visitante mesmo antes de entrar. Sua arquitetura é surpreendente: duas colunas sustentam o prédio, formando o maior vão livre da América Latina. Lá estão expostas obras de Rafael,Botticceli, Bellini, Rembrandt, Velazquéz, Goya, Renoir, Monet, Cézanne, Degas, Van Gogh,e outros. A Pinacoteca do Estado também faz parte do rol dos museus mais conhecidos e tem arquitetura diferenciada, com contraste entre os tijolos de barro à mostra e elementos modernos, como elevadores em vidro e metal. Ao anoitecer é possível contemplar a belíssima iluminação externa que dá um charme todo especial ao prédio. Ao lado fica o Jardim da Luz ao lado, com esculturas, roteiro guiado e um charmoso café. O Museu de Arte Moderna (MAM) foi criado em 1940 na ocasião da 5° Bienal de Arte de São Paulo, em 1959. Grande parte do reconhecimento da cidade no mundo se deve ao grande destaque na área cultural e a Arte Moderna tem grande importância na história do país e da cidade, pois foi aqui que ocorreu a famosa Semana de 22, que revolucionou o trabalho de artistas de várias áreas.




Seu acervo que conta com obras de Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Rafael França, Marepe, Rivane Neuenschwander, Valdirlei Dias Nunes, Leda Catunda, Rubens Mano, Daniel Acosta, Laura Lima, Nelson Leirner e Carlos Fajardo. O museu, que fica no Parque do Ibirapuera, ainda oferece diversos cursos como história da arte, fotografia, e outros. E o Parque do Ibirapuera ainda é endereço da Oca, um espaço projetado por Oscar Niemeyer que abriga exposições temporárias além de outros espaços também destinado a exposições e feiras. Museus como o Afro-Brasil , o Pavilhão Japonês e o Museu Arte Contemporânea (MAC) fazem parte do Parque.
Inusitados - Não são apenas grandes obras de arte que merecem estar nos museus. Na cidade das diversidades, moda, relógio, crime, óculos, invenções, tecnologia, mágica, e até voz e pessoa têm espaço garantido. Quem gosta de roupas pode ir a Modateca e saber o que as pessoas usavam antigamente. O acervo é composto por doações efetuadas por colecionadores, profissionais de moda e pesquisadoras como Madame Marthe Monioz, que foi a principal chapeleira de origem francesa que atuou na alta-costura brasileira, e também o estilista brasileiro Walter Rodrigues.





E como ninguém está na moda se não usar um acessório legal, não deixe de visitar o Museu dos Óculos. Cerca de duzentas peças em exposição contam a história desse acessório que virou uma peça do vestuário. Modelos já usados por Débora Bloch, Jô Soares e outras celebridades podem ser encontrados no local. Para os que querem aproveitar bem o tempo, o Museu do Relógio também é uma ótima escolha. O acervo possui cerca de 700 objetos, entre eles, uma vela que marca o tempo e a imitação do famoso relógio derretido da tela “A persistência da memória”, de Salvador Dali. O espaço existe há 33 anos, por conta da paixão do professor Dimas de Melo Pimenta, que abriu sua coleção particular ao público. Para os mais corajosos, uma visita ao Museu do Crime é bem interessante. A vida de criminosos conhecidos como o Bandido da Luz Vermelha é abordada no Museu do Crime, localizado prédio da Polícia Civil na Cidade Universitária.Já o Museu das Invenções, inaugurado em novembro de 1996, tem como objetivo mostrar o quanto a ciência pode ser divertida. Lá o visitante encontra palito de dente com aroma e sabor, óculos com funil para colocar colírio, boné com cano para assoprar os olhos para tirar cisco e outras idéias inusitadas.





Uma conseqüência das invenções mais inusitadas é o avanço tecnológico. No Museu da Tecnologia, por meio de exposições, mostras tecnológicas, congressos, seminários, cursos, convenções, fóruns e workshops, o visitante pode perceber as principais avanços dessa área no Brasil e no mundo. E muito antes de entendermos as grandes inovações como tecnologia os mágicos já surpreendiam e encantavam com seus truques. No Museu de Arte Mágica os curiosos encontram um acervo com 500 objetos e aparelhos de mágica e 500 vídeos que contam a história dessa misteriosa maneira de divertir. E se muitos truques não podem ser contados, podemos compensar esse silêncio visitando outro museu bem diferente, o Museu da Voz, que conta com um acervo de cerca de três mil vozes, entre gravações, músicas, cantos, sons diversos e efeitos sonoros. A coleção inclui cantos de pássaros, sons das Copas do Mundo e raridades como a primeira voz humana gravada em 1887, que pertence a Thomas Edison. Depois de passar pelo Museu da Voz, nada melhor que saber um pouco mais sobre a história de quem tem o que dizer. O Museu da Pessoa, por sua vez, é um museu virtual que teve início em 1991 com o objetivo de construir uma rede internacional de histórias de vida. Para manter viva essa idéia, o museu ganhou em 2007 um espaço aberto para receber visitas. É só marcar um horário e contar o seu relato. Já foram contabilizadas mais de oito mil histórias. O visitante pode deixar sua história de vida gravada para que outras pessoas tenham acesso a ela.





Crianças - São Paulo tem museus para todos os gostos e idades. Para despertar nas crianças a vontade de visitá-los, uma boa pedida é o Museu dos Transportes. Lá os pequenos podem fazer uma viagem descontraída pela história dos transportes coletivos. Criado em 1984, o visitante pode ver antigos bondes elétricos, veículos de tração animal e o primeiro ônibus a diesel da cidade, além de exposições fotográficas. A Estação Ciência também proporciona uma experiência única à garotada. Lá tem um simulador de terremotos. Após receber informações de como os terremotos acontecem, o visitante pode ir a uma sala e sentir três tipos diferentes de abalos. O Planetário Inflável também chama muito a atenção. Nele é possível até mesmo ver como é o céu do hemisfério norte (não conseguimos fazê-lo normalmente, pois estamos no hemisfério sul) e saber o porquê dos nomes das constelações. Para as crianças que gostam de animais, o Instituto Butantan é ideal. Elas terão a oportunidade de ir além da observação e tocar em cobras. Todas as quintas-feiras, entre 14h30 e 13h30 o projeto “Mão na cobra, só no Butantan” permite que ao visitar o serpentário as pessoas possam pegar os animais.




E para saber como elas e outros animais peçonhentos são importantes para o desenvolvimento da ciência o Instituto mantém quatro museus diferentes. Um dos mais conhecidos é o Biológico, onde estão expostas serpentes vivas. No de Microbiologia é possível saber mais sobre o DNA e outras estruturas que não são vistas a olho nu de forma inovadora. E há também o Museu Histórico, instalado na antiga sala do fundador do Instituto, o Dr. Vital Brasil. Instrumentos científicos do início do século passado ajudam a contar a história do local. Vinte e um painéis na Alameda do Instituto também contribuem, com textos e fotos, para disseminar informações a respeito da criação do lugar. Religiões e etnias - São Paulo tem mais de onze milhões de habitantes, mas eles são mais que mais um número. Todos têm uma história, muitos vieram de outras partes do mundo e cada um tem sua forma de ver a religiosidade. E não poderiam faltar museus com diversas abordagens sobre esses assuntos. No Museu de Arte Sacra é possível ver a imagem que deu nome ao mosteiro e ao bairro da Luz, a Nossa Senhora da Luz. Data do século XVI e é a primeira imagem do museu. Grupos e crianças se encantam ao ver São Jorge com braços e pernas articulados, com armadura e montado em seu cavalo. Algo bem característico do santo, mas o detalhe é que essa imagem do século XVIII é em tamanho natural. Outra obra que além da beleza impressiona pelo tamanho é o Presépio Napolitano do século XVIII.




Ele ocupa uma sala inteira e é atração o ano todo. O acervo é de cerca de 800 obras que incluem pratarias e objetos em ouro, pintura, mobiliário, altares, vestimentas sacras e livros litúrgicos raros. A coleção de lampadários só é menor que a dos Museus Vaticanos e também há uma rica coleção de ícones russos. Já o Museu Espírita nasceu da necessidade de reunir as primeiras obras de arte espírita e os trabalhos mediúnicos mais notáveis. A biblioteca é constituída com cerca de 4 mil títulos, em português, árabe, espanhol, esperanto, francês, grego, inglês, italiano, japonês. Tem ainda uma hemeroteca (acervo de revistas e periódicos) com mais de mil títulos, incluindo raridades do século passado. Sobre etnia, temos o Museu Afro-Brasileiro, no Parque do Ibirapuera. Num ambiente que deixa o visitante completamente envolvido pela cultura afro há um acervo de três mil obras entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, livros, vídeos e documentos, de artistas e autores brasileiros e estrangeiros, que resgatam a memória do negro no Brasil. O espaço abriga também uma loja com produtos artesanais. No Ibirapuera tem ainda o Pavilhão Japonês. O seu prédio principal representa a arquitetura nipônica.




Todo material envolvido na obra e no jardim foi trazido do Japão. O Salão de Exposição de Arte Japonesa mantém em seu acervo roupas de samurais, esculturas do século XI, estatuetas e vasos de várias dinastias. O Salão Nobre possui 80m² e fica a dois metros do chão. Tem também o Museu da Imigração Japonesa do Brasil, inaugurado em 1978 em comemoração ao 70º aniversário da imigração. A área é dividida em três andares: em dois estão documentos e objetos que abrangem da assinatura do Tratado de Amizade Brasil/Japão à chegada dos primeiros imigrantes e os núcleos coloniais. O último enfoca os 50 anos pós-guerra tratando sobre as mudanças da comunidade nikkei, a vinda das empresas japonesas e a contribuição dos nipo-brasileiros para o Brasil. A biblioteca e o acervo somam mais de cinco mil objetos, 28 mil documentos escritos (entre diários, livros, jornais, revistas) e cerca de 10 mil fotos relacionadas aos imigrantes japoneses. O Memorial do Imigrante está localizado em um dos poucos edifícios centenários da cidade de São Paulo.




O passeio de Maria-Fumaça é um charme a parte, que concretiza as informações que o visitante tem durante a visitação do Memorial. Além da pesquisa, coleta, documentação, preservação e divulgação do acervo documental de Estado, há também o desenvolvimento de projetos de apoio às comunidades de imigrantes estimulando a consciência de preservação e divulgação dos testemunhos de suas culturas. A programação do Memorial da América Latina é ainda mais diversificada: dança, exposição, música, palestra, teatro, cinema, biblioteca e tudo que envolver manifestações artísticas e científicas latino-americanas. Vale a pena visitar também - Quem quer saber mais sobre a produção audiovisual brasileira não pode deixar de conhecer a Cinemateca. Mais de 200 mil rolos de filmes, além de livros, roteiros, cartazes e fotografias fazem parte do acervo. Entre 6 de outubro e 6 de novembro acontece a 3° Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul. Em comemoração aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas, serão exibidos filmes que falam sobre os direitos elementares.




E quem passa pela Avenida Europa não deixa de apreciar duas grandes obras do Museu Brasileiro de Escultura (Mube): Coluna da Primavera, de Francisco Brennand e A Grande Coluna, de Caiporé Torres. Essas obras surpreendem pelo tamanho e beleza. Além das exposições convencionais e dos cursos, ele tem um charme extra: a feira de antiguidades que acontece todos os domingos. Quem gosta e precisa fazer pesquisas tem um grande aliado: o Arquivo do Estado. A instituição foi idealizada em 1721 e guarda um vasto acervo de documentos antigos, além de oferecer apoio aos pesquisadores e ter programas de orientação a professores.
Outro espaço imperdível para quem gosta de saber sobre o passado, mas sem se desligar do presente nem ficar por fora das novas tendências é o Museu da Casa Brasileira. O local expõe mobiliário antigo e promove debates sobre o que há de mais moderno em design, além de receber grupos musicais em apresentações dominicais. Foi por uma iniciativa do MCB que o Prêmio de Design foi criado e agracia profissionais desde 1986. A premiação e abertura da exposição com vencedores e selecionados será no dia 2 de dezembro. A Fundação Maria Luiza e Oscar Americano tem uma particularidade: o museu era a casa de uma família brasileira e o acervo é basicamente composto pelos quadros, esculturas, móveis e tapeçaria que eram do casal. Tem também peças que pertenceram a D. Pedro I, arrematadas em leilões. Os mais antenados não podem deixar de visitar também o Museu de Arte Contemporânea (MAC). Lá é possível contemplar obras de artistas como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Brecheret, Tarsila, Rego Monteiro, Portinari, Oiticica, De Chirico, Modigliani, Boccioni, Picasso, Chagall, entre tantos outros.
Sites: www.cidadedesaopaulo.com www.fiquemaisumdia.com.br www.spturis.com www.anhembi.com.br

Nova Arte Nova no CCBB | Rio de Janeiro

CCBB apresenta a nova geração de artistas brasileiros, em exposição que terá catálogo com textos de cinco jovens críticos. A diversidade da arte contemporânea brasileira produzida por uma geração de jovens artistas nesta primeira década no século XXI será exibida na mostra Nova Arte Nova, no Centro Cultual Banco do Brasil Rio de Janeiro, de 21 de outubro a 4 de janeiro de 2009, dentro das comemorações dos 200 anos do Banco do Brasil. Com a participação de artistas em torno de 30 anos, é uma exposição que manifesta por parte do CCBB, da curadoria de Paulo Venancio Filho, e da FazerArte, produtora da mostra, uma confirmação da relevância e originalidade da produção artística brasileira mais recente. A Nova Arte Nova irá ocupar todo o espaço expositivo do CCBB, com obras de 57 artistas nascidos em 14 estados, de Goiás a Pernambuco, do Pará ao Rio Grande do Sul, abrangendo cinco regiões do país. Serão mais de cem obras, a maioria inédita, com linguagens e técnicas diversas: da pintura ao vídeo, da colagem às instalações sonoras, da escultura ao desenho.


A mostra será a primeira apresentação abrangente e completa desta nova geração de artistas pioneiros do novo século, alguns dos quais já evidenciados em mostras e exposições no Brasil e no exterior, inclusive Bienais. No catálogo da exposição, textos da nova geração de críticos brasileiros, uma outra iniciativa inédita. Para o curador Paulo Venancio Filho, mais do que apresentar trabalhos individuais, a exposição Nova Arte Nova pretende sintetizar aspectos e possibilidades de uma mesma geração de jovens artistas brasileiros no confronto com o processo global do circuito de arte. “São artistas que absorvem e reagem às variadas direções artísticas globais, mas formados com uma consciência crítica de sua história e importância, que vem do reconhecimento da arte brasileira como partícipe do processo mundial. Mostrar esta nova geração pressupõe apresentar as possibilidades que estes artistas experimentam – as mais diferentes possíveis de qualquer outro período histórico.




E, embora explorem assuntos e linguagens diversas, apresentam uma forte consistência artística, um núcleo que segue uma coerência própria. Assim, a diversidade pode, efetivamente, ser apreciada verdadeiramente como um panorama coerente e esclarecedor”. O arco de interesses dos artistas convidados mostra a heterogeneidade e multiplicidade das investigações artísticas contemporâneas. E diversidade não está só no tema, assunto ou conteúdo, mas também nas linguagens e nas mídias nas quais o trabalho irá aparecer: instalações, fotografias, vídeos, objetos, pinturas, performances, etc. Mesa redonda e palestras.: Incluem o projeto da Nova Arte Nova a realização de uma mesa redonda, com a participação dos novos críticos brasileiros - Luisa Duarte, Marisa Flórido, Daniela Labra, Guilherme Bueno e Cauê Alves – além de duas palestras com convidados estrangeiros - Briony Fer, da Modern and Contemporary art, e Ann Gallagher, da Tate Moden - que irão refletir sobre a arte contemporânea neste novo contexto histórico, em que a produção nacional ganha um reconhecimento inédito no exterior. Obra de referência.: O catálogo da mostra, com cerca de 200 páginas, em edição bilíngüe, trará textos dos novos críticos brasileiros, reunindo sínteses biográficas e imagens de obras expostas de todos os artistas. Essa peça gráfica se constituirá em obra de referência sobre a arte contemporânea no Brasil, na primeira década do século 21.A exposição Nova Arte Nova será exibida também no CCBB de São Paulo, de janeiro a abril de 2009.





Exposição Nova Arte Nova, de 21 de outubro a 4 de janeiro de 2009, de terça a domingo, das 10h às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, Rua Primeiro de Março, 66 , Centro do Rio de Janeiro (RJ). Tel: (21) 3808-2020 www.bb.com.br Entrada franca .

Exposição destaca amizade de marchand com ícones do século 20

O marchand francês Aime Maeght não foi apenas amigo de alguns dos maiores artistas do século 1920.Ele foi também assessor, patrono e editor de artistas como Miro, Braque e Giacometti. Quando sua galeria em Paris foi aberta, em 1945, ela simbolizou o novo espírito nas artes, após os tempos sombrios da 2a Guerra Mundial e da ocupação alemã. Uma nova exposição na Royal Academy de Londres sobre Maeght e sua família reúne grandes obras com artefatos pessoais para destacar a jornada do marchand, de proprietário de uma lojinha de rádios em Cannes para influente galerista, colecionador e marchand. A jornada começou em 1941, quando o pintor Pierre Bonnard conheceu Maeght e sua mulher, Marguerite, na loja Arte, que também abrigava uma gráfica e agência de publicidade, e pediu que imprimissem um pôster. Marguerite convenceu Bonnard a lhe confiar algumas de suas telas para vender, levando o artista a encorajar o casal a abrir uma galeria em Paris, pouco após o fim da 2a Guerra Mundial. Henri Matisse passou tempo com a família Maeght durante a guerra, na relativa calma do sul da França, e produziu obras para a exposição inaugural da Galeria Maeght em 1945.
Maeght via Bonnard e Matisse como mentores, mas também teve uma amizade estreita com o artista catalão Joan Miro, o americano Alexander Calder, o co-fundador do cubismo Georges Braque e o escultor suíço Alberto Giacometti. "Decidimos nos concentrar em quatro dos grandes artistas do século 20 que estão ao cerne da história da família Maeght", disse a curadora da exposição, Ann Dumas, ao lado do filho e dos três netos de Aime Maeght.
IMAGENS RARAS EM FILME
Um dos principais eventos da Galeria Maeght em seus primeiros anos de vida foi a Exposição Surrealista Internacional de 1947, que marcou o retorno do movimento a Paris após a guerra e destacou obras de Miro. Algumas das esculturas mais famosas de Giacometti estão na exposição, incluindo a grande "Mulher em Pé I" e uma obra-prima anterior, "Mulher-colher", criada nos anos 1920. A mostra também tem móbiles e esculturas de Calder, pinturas importantes de Miro e Braque e uma parede dedicada a capas da revista de arte "Derrière le Miroir", publicada pelos Maeght entre 1946 e 1982. Chagall, Leger e Kandinsky aparecem nas capas, revelando a importância dos Maeght no mundo da arte.
O que torna a exposição tão singular, disse Dumas, é a combinação de grandes obras e vitrines contendo artefatos pessoais ligados à família Maeght e aos artistas, muitos dos quais nunca antes foram expostos. Eles incluem imagens em filme feitas pelo filho então adolescente de Aime, mostrando Matisse pintando um retrato de Marguerite. Em outra, Giacometti é visto dançando e brincando com as crianças da família Maeght numa sala ensolarada. Aime Maeght, que estudou litografia quando jovem, incentivou seus artistas a trabalhar com mídias diferentes, e a última sala da exposição contém grandes litografias criadas por Miro em sua velhice.

MUSEU DO CARAMULO - A paixão de coleccionar retalhos da história automóvel

Dois irmãos, Abel e João de Lacerda, fundam nos anos cinquenta, um invulgar museu, numa pequena povoação chamada Caramulo, situada numa montanha no centro de Portugal, com luxuriante vegetação, virada a Sul, sobre um vale extenso de 80 km: o mais vasto panorama do país.
Abel de Lacerda, apaixonado pela arte, constrói um edifício, com os mais modernos conceitos de museologia, para expor uma invulgar colecção de objectos de arte constituída por 500 peças de pintura, escultura, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, que vão da era Romana até Picasso.
João de Lacerda tinha como paixão os automóveis por isso constrói outro edifício, anexo ao primeiro, vocacionado para expor 100 viaturas de quatro e duas rodas, dentro do princípio de que todos os veículos pudessem sair facilmente, para exibição e conservação.
Com a morte prematura de Abel de Lacerda em 1957, criou-se a Fundação Abel de Lacerda, hoje Fundação Abel e João de Lacerda, proprietária dos dois museus de Arte e Automóveis, abertos ao público todo o ano. Mais de 1 milhão de visitantes entraram neste meio século, no Museu do Caramulo.

O Mercedes blindado que Salazar recusou

Uma das viaturas em exposição, e uma das mais importantes da colecção do museu é o Grosser W07, da Mercedes-Benz, produzido pela marca alemã entre 1930 e 1938, na época era o maior e mais caro modelo da Mercedes.
Das 117 unidades que saíram da fábrica de Unterturkheim, 42 tinham uma carroçaria pullmann blindada. O imperador japonês Hiroito adquiriu três e, em 1938, o Estado português encomendou dois ao agente da Mercedes em Portugal, a Sociedade Comercial Mattos Tavares.
Os dois automóveis foram matriculados em Portugal em Junho de 1938, em nome da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), a antecessora da PIDE, tendo sido postos à disposição do Presidente da República, general Óscar Carmona, e do Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, como medida de segurança face ao atentado bombista contra Salazar no dia 4 de Julho de 1937, na avenida Barbosa do Bocage, quando o ditador se deslocou, como habitualmente, à missa no Buick que utilizava.
O Presidente do Conselho não foi ouvido sobre a compra dos veículos, manifestando o seu descontentamento, continuando a utilizar o Buick, enquanto que o Mercedes era utilizado pelo motorista Raul para transportar visitas ao palácio de São Bento, só tendo sido utilizado em cerimónias oficiais para transportar o Generalíssimo Franco, por ocasião da sua visita a Portugal em 1949.

Adquirido pelos bombeiros

Em 1955, o conta-quilómetros acusava apenas 6 mil kms quando o Mercedes foi vendido em hasta pública, sendo adquirido pelos Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais, que tencionavam transformá-lo em ambulância. O custo da transformação era elevado, e por isso o projecto foi colocado de lado, tendo sido comprado em Junho de 1956 por João Lacerda, para ser exposto no Museu Automóvel do Caramulo, onde ainda pode ser admirado, quer na sala de exposições, quer mesmo nos arruamentos para onde sai algumas vezes para rodar e preservar a mecânica.
Quando chegou ao Caramulo, não necessitou de qualquer restauro. A pintura, os cromados, os estofos em couro e até os pneus estavam em perfeitas condições. Por isso, é considerado um dos exemplares do Grosser W-07 melhor preservados em todo o mundo.

Peugeot 19 de 1899

Trata-se do mais antigo automóvel português em condições de circulação e pode ser igualmente apreciado no Museu do Caramulo. O Peugeot 19 foi uma das paixões de João Lacerda, e compreensível, pois é um raro exemplar.Crê-se que a Peugeot terá produzido apenas 75 unidades do modelo 19 entre 1897 e 1902. Na época eram automóveis sofisticados, equipados com motores traseiros de 5 e 8 hp, e robustas rodas de raios, feitas da experiência da marca na produção de bicicletas e triciclos.
Em 1963, João Lacerda descobriu um destes modelos (produzido em 1899), com uma carroçaria “Victória”, nos armazéns que a Câmara Municipal de Lisboa tinha na Avenida da Índia.
Pouco sabia sobre este automóvel, que se pensa terá sido um dos dez primeiros a ser importados para o nosso país, embora se desconheça o nome do primeiro proprietário.
Tinha sido desprovido de todos os órgãos mecânicos, e estava inventariado como “carruagem”. A sua compra só poderia ser feita em hasta pública, um processo que demorou cerca de dois anos. Mas, em 1965 foi incluído na lista de objectos a ser vendidos pela edilidade, tendo sido adquirido por João Lacerda por 5250$00, um valor que surpreendeu muito boa gente porque o Mercedes Blindado de Salazar havia sido vendido ao mesmo por 6000$00.
O restauro foi um longo trabalho de paciência. Durou doze anos, ao longo dos quais foi adquirido em França um motor da época, que teve de ser reparado. Mas o mais difícil foi conseguir a autorização do Museu Henri Malartre de Rochetaillée para desmontar uma caixa de velocidades para conseguir realizar os moldes e desenhos para as peças que foram fundidas em Portugal, onde também foi construído um radiador em serpentinas de cobre e o aparelho de lubrificação gota-a-gota, para já não falar nos pneus que a Michelin produziu de acordo com os planos da época.
Renasceu, assim, o Peugeot 19, que é o mais antigo automóvel em condições de circulação no nosso país, estando registado no ‘Veteran Car Club of Great Britain’ desde 30 de Abril de 1975.
Em 1977 e 1988 alinhou à partida do Rali Londres-Brighton, tendo percorrido os 100 km entre as duas cidades sem quaisquer problemas. Hoje, apesar dos seus cerca de 110 anos de idade, continua a sair regularmente pelos arruamentos do Caramulo, para conservação mecânica.

Palácio de Belém expõe obras encomendadas a artistas portugueses para assinalar implantação da República

Uma exposição de obras de arte contemporânea encomendadas a oito artistas portugueses, entre eles Julião Sarmento e Paulo Catrica, vai ser inaugurada sábado no Palácio de Belém, no âmbito das comemorações da implantação da República. "18 Presidentes, Um Palácio e Outras Coisas Mais" é o título da exposição - comissariada por Miguel Amado - que mostrará também obras de Joana Vasconcelos, Noé Sendas, Pedro Calapez, Rita Sobral Campos, Rodrigo Oliveira e Susana Mendes Silva. Esta é a segunda de uma série de exposições promovidas pela Presidência da República para abordar o tema do poder e a política em geral, e, em particular, a República Portuguesa e o Palácio de Belém. Para criar as obras, os artistas inspiraram-se na representação de Portugal como uma das funções mais importantes do cargo do Presidente da República, em vez de explorar a habitual questão da identidade nacional.
As peças abordam, entre outros aspectos, a divulgação dos ideais republicanos, os registos alternativos à historiografia oficial, as tradições culturais da ditadura, a monumentalidade da arquitectura de Estado, os usos massificados da bandeira nacional, as mitologias associadas ao 25 de Abril de 1974, a glorificação da imagem dos Presidentes da República, e a afinidade entre o campo artístico e a esfera governamental. Com estas exposições, a Presidência da República pretende, ao mesmo tempo, dar a conhecer o Palácio de Belém e promover uma consciencialização do significado da efeméride, que se celebra a 05 de Outubro. Executadas em diversos meios de expressão - desde a escultura ao vídeo, da pintura à fotografia, e também a performance, um blogue, a edição de um jornal e uma intervenção no catálogo - estas obras traçam igualmente uma panorâmica das tendências estéticas e éticas da sociedade actual. Para a exposição, com inauguração prevista para sábado, às 18:00, foi criado um catálogo de 120 páginas a cores que reproduz as obras expostas, inclui um ensaio de Miguel Amado e uma mensagem do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Exposição retrospectiva de Paula Rego é inaugurada sexta, em Algés, com a presença da pintora

Uma exposição retrospectiva da obra de Paula Rego, com obras criadas desde os anos 50 até à actualidade, vai ser inaugurada sexta-feira no Centro de Arte Manuel de Brito - CAMB, em Algés, com a presença da pintora.
De acordo com o CAMB, Paula Rego, uma das mais conceituadas artistas plásticas portuguesas, estará presente na inauguração, pelas 18:30, no Palácio dos Anjos, onde também estarão outros artistas representados numa exposição paralela, intitulada "Anos 80".
A exposição "Anos 80" reunirá obras de um conjunto de artistas com trabalho importante desenvolvido na década de oitenta, tais como António Dacosta, Nadir Afonso, Júlio Pomar, Graça Morais, Nikias Skapinakis e José de Guimarães, entre outros.
O CAMB foi criado com base na Colecção Manuel de Brito depois da morte do galerista, que acompanhou desde o início a evolução da carreira de Paula Rego, e que viria a criar um importante acervo de obras da artista, ainda hoje representada em Portugal pela Galeria 111.
A retrospectiva sobre Paula Rego, com obras que mostram uma grande diversidade temáticas, suportes e técnicas, permite uma leitura da evolução do trabalho da pintora no decorrer deste período.
Na selecção da exposição "Anos 80" - que inclui ainda obras de Júlio Pomar, Costa Pinheiro, Ângelo de Sousa, David de Almeida e Albuquerque Mendes - é possível observar o retorno generalizado às práticas disciplinares mais tradicionais que caracterizaram este período, como a pintura e a escultura.
Na inauguração das duas exposições - que poderão ser vistas pelo público entre 04 de Outubro e 18 de Janeiro de 2009 - também estarão presentes artistas como Graça Morais, Ana Vidigal e Eduardo Batarda.

Coleção de arte de Yves Saint Laurent será leiloada

A coleção de arte do falecido estilista Yves Saint Laurent, uma das melhores coleções em mãos privadas, será vendida em leilão, com 300 milhões de euros em lucros a ser revertidos para caridade, disseram os organizadores do leilão na sexta-feira. Formada ao longo de décadas por Saint Laurent e seu parceiro Pierre Bergé, a coleção abrange desde obras-primas chinesas até telas de Picasso, Matisse e Degas, além de tesouros Art Deco e esculturas barrocas e da antiguidade romana. "É uma das mais suntuosas coleções particulares de nossos tempos, um paradigma francês de qualidade e bom gosto", disse a casa de leilões Christie's, que estima que as obras irão render entre 200 e 300 milhões de euros (293 a 439 milhões de dólares).
O leilão acontecerá em Paris entre 23 e 25 de fevereiro de 2009.
Saint Laurent, cujas criações revolucionaram a moda feminina, morreu em junho aos 71 anos e legou sua parte na coleção à fundação beneficente que criou em conjunto com Bergé, seu companheiro de anos e administrador de seus negócios. Bergé disse que decidiu vender a coleção inteira e doar o dinheiro obtido a uma fundação nova dedicada a ajudar as pesquisas médicas e o combate à Aids. "Se há uma coisa nesta coleção da qual me orgulho, é o padrão de exigência que Yves Saint Laurent e eu sempre aplicamos à aquisição de objetos", disse ele em coletiva de imprensa dada em Paris. Alguns dos destaques da coleção são a obra de Picasso de 1914 "Musical instruments on a gueridon", estimada em entre 30 e 40 milhões de euros, várias obras do pintor francês Henri Matisse e algumas esculturas de bronze chinesas raras do século 18. "Eu jamais teria imaginado que algum dia pudéssemos organizar um leilão como este", disse ao KULTURIART, Thomas Seydoux, diretor do departamento de arte moderna e impressionista da Christie's. "A origem, idade, data, estado de conservação e 'pedigree' destas obras, tudo é excepcional." A coleção estava abrigada num apartamento em Paris para o qual Saint Laurent e Bergé se mudaram em 1972. Bergé, que tem 77 anos e é diretor de uma famosa casa de leilões parisiense, disse que preferiu que a coleção fosse vendida, em lugar de ser doada a um museu. "Posso viver muito bem sem uma coleção", disse ele. "Yves Saint Laurent e eu começamos a viver 50 anos atrás sem esta mobília e esses quadros, e, acreditem, éramos muito felizes."

Quatro artistas representam Portugal em exposição internacional na Finlândia

Os artistas Carole Purnelle, Gabriel Garcia, Mara Castilho e Nuno Maya representam Portugal na exposição internacional itinerante "Mobility-Re-reading the future" (Mobilidade-re-leitura do futuro), que quarta-feira abre ao público em Helsínquia. A exposição tem dois núcleos e reúne 20 jovens artistas europeus que realizaram em Maio último, num atelier de Praga, um trabalho conjunto, em várias disciplinas artísticas - vídeo, instalação, pintura, fotografia, escultura, arquitectura e multimédia interactiva. Os 20 artistas foram convidados pelos curadores da mostra a realizar obras que "reflectissem a sua identidade cultural nacional e a sua percepção acerca do estado da arte actual". Entre os comissários figura o português Carlos Cabral Nunes, director da Perve Galeria, em Lisboa. Portugal foi um dos cinco países convidados para a mostra, sendo os restantes a Bulgária, Polónia, Turquia e República Checa. Os trabalhos estarão patentes em duas galerias integradas na Academia Finlandesa de Belas Artes em Helsínquia até 19 de Outubro, sendo em seguida mostrados em Lisboa, no Panteão Nacional. Na capital portuguesa, a exposição poderá ser vista no âmbito do segundo encontro de Arte Global, organizado pelo Colectivo Multimédia Perve, entre Novembro deste ano e Janeiro de 2009.

Estátua de Davi 'pode rachar' por causa do turismo

A famosa estátua de Davi, de Michelangelo, pode ser destruída por causa de sua exposição ao turismo de massa, segundo especialistas italianos. Eles dizem que a enorme estátua do guerreiro nu corre perigo por causa de seu tamanho, forma e da fragilidade do mármore em que foi esculpida. Mas eles alertam que o maior risco vem dos passos dos muitos visitantes que passam pela obra todos os dias na Galleria dell'Accademia de Florença. Os especialistas da Universidade de Perugia querem proteger a escultura criando uma maneira de isolá-la das vibrações, o que custaria cerca de um milhão de euros, o equivalente a R$ 2,6 milhões. O projeto vem depois de um detalhado estudo da estátua de Davi, que revelou que rachaduras restauradas quatro anos atrás - na época do aniversário de 500 anos da obra de Michelangelo - já haviam reaparecido. A própria restauração gerou polêmica porque envolvia o uso de água destilada para a limpeza da estátua, o que, segundo os críticos, podia danificá-la.
História A escultura de Davi é vista como um ícone praticamente desde que foi terminada, no auge do Renascimento. Na época, ela era vista como um poderoso símbolo dos ideais políticos republicanos de Florença: Davi era o jovem guerreiro que derrubou o gigante Golias na história bíblica do Velho Testamento. Quando foi exposta pela primeira vez, a estátua foi atacada pela multidão e, em 1991, ela foi danificada por um pintor com problemas mentais. Davi também se tornou uma imagem quase onipresente no mundo. Suas cópias podem ser vistas adornando de cassinos em Las Vegas a bares à beira da praia no Mediterrâneo.

Weltliteratur - Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!

Será que podemos expor a literatura? Como fazemos com uma escultura ou pintura? Esta pergunta foi o ponto de partida desta exposição que em 11 salas autónomas tem como protagonista principal Fernando Pessoa e os escritores da sua geração. Até 4 de Janeiro de 2009 na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. "Weltliteratur" é o termo usado por Goethe para falar das características cosmopolitas e transnacionais da literatura. Esta exposição pega nessa palavra mas em subtítulo, acrescenta um verso de Cesário Verde - "Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!". Vamos poder ver textos seleccionados mas não só - pinturas, fotografias, esculturas e alguns documentos inéditos de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Teixeira de Pascoaes, Camilo Pessanha, Vitorino Nemésio, entre outros. O espaço, dividido em 11 salas, foi especialmente concebido para esta exposição pelos arquitectos Manuel e Francisco Aires Mateus.

Viagem insólita por obras de carne e osso

Cadáveres, dezesseis deles, e 225 órgãos humanos verdadeiros serão expostos, a partir de sábado (27), no Museu Histórico Nacional. Dispostos com o objetivo de proporcionar uma lição de anatomia para leigos, além de apregoar hábitos saudáveis, os itens de Corpo Humano - Real e Fascinante não são programa para qualquer um. Impressionam, provocam repulsa, mas já foram vistos por mais de 2 milhões de pessoas mundo afora - 450.000 só na última escala, em São Paulo. Criada pelo médico americano Roy Glover, a exposição reúne corpos e órgãos embalsamados, desidratados e submetidos a um processo conhecido como polimerização. Aplicações de silicone líquido deixam o material inodoro, com aparência e textura de plástico. Glover dividiu a exibição em módulos sobre o esqueleto, o sistema muscular e daí por diante. "Órgãos saudáveis e doentes, afetados pelo álcool ou pelo cigarro, por exemplo, são expostos lado a lado para ressaltar a importância de manter bons hábitos", explica a produtora Stepanhie Mayorkis, responsável pela mostra no Brasil.

Corpo Humano - Real e Fascinante. Museu Histórico Nacional. Praça Marechal Âncora, s/nº, Centro, 2550-9220. Terça a domingo, 9h às 18h. R$ 40,00. Até 1º de fevereiro de 2009. A partir de sábado (27). www.corpohumanorio.com.br.

New Paintings

O alemão Peter Zimmermann apresenta novas pinturas e esculturas, nas quais utilizou, mais uma vez, o seu material de eleição: a resina "epoxy". Até 8 de Novembro na Galeria Filomena Soares, em Lisboa.A trabalhar desde a segunda metade da década de 80, Zimmermann (n.1956, Duisburg - Alemanha) tem vindo a construir um corpo de trabalho que apesar de utilizar o suporte da pintura e escultura tem raízes conceptuais muito fortes ligadas à história da arte e ao próprio acto de pintar. Nesta nova exposição, o artista apresenta telas e esculturas realizadas entre 2007 e 2008, que cruzam uma acção pensada, conceptual com o expressionismo abstracto da aparência final das suas obras.

Escolas Superiores de Música e Belas-Artes

Quem quer tornar-se artista ou músico, pode estudar numa das 56 escolas superiores reconhecidas nestas áreas na Alemanha. Essas escolas têm como objetivo preparar os jovens Beuys e Beethovens do futuro e estão somente abertas aos estudantes de talento que conseguem passar por difíceis exames de admissão.

Candidatos às faculdades de artes devem apresentar um dossiê com trabalhos próprios, sendo então eventualmente convocados para um teste de habilidade específica. Este inclui uma série de tarefas tanto de caráter artístico prático como de programação visual. Em determinados casos, é possível iniciar o estudo superior de artes plásticas sem apresentação do Abitur ou outro certificado equivalente de conclusão do ensino médio. Informações sobre os pré-requisitos para admissão, como tipo e quantidade dos trabalhos a serem apresentados, podem ser obtidas junto às respectivas instituições. Concentrações por áreaO núcleo dessas academias é formado pelos cursos de Pintura, Gravura, Design e Decoração, Escultura e licenciatura em Artes Plásticas. Arquitetura, Cenografia, Cerâmica, Pintura em Vidro, Restauração ou Arte Multimídia completam a oferta, a qual varia de instituição para instituição. Algumas escolas concentram-se em determinadas áreas. Um exemplo é a Escola Superior de Gravura e Artes do Livro de Leipzig, a primeira a oferecer na Alemanha, em 1983, um curso de formação em Fotografia. Ainda hoje essa instituição constitui um membro de ligação com a indústria livreira, de grande tradição em Leipzig.

Os cursos de Artes Aplicadas costumam ser concluídos com um diploma (Diplom), enquanto os de Belas-Artes geralmente prescindem de um certificado de nível superior. Diferentes disciplinasO estudo numa escola de Música inclui não apenas disciplinas artísticas, como Formação Instrumental, Canto, Composição e Regência – algumas faculdades oferecem ainda Música Sacra, Jazz, Dança e Direção de Teatro Musical –, como também Pedagogia Musical e licenciatura em Música. Os testes de habilidade específica servem para avaliar – de forma oral e escrita – o grau de proficiência do candidato em percepção musical e harmonia, assim como em seu instrumento ou canto. Os cursos de formação de professores exigem a apresentação do certificado Abitur ou equivalente, enquanto para o campo artístico a aptidão específica pode ser adotada como crítério decisivo.

Alonso mostra dotes de pintor ao prestigiar 'Cow Parade'

Bicampeão do mundo na Fórmula 1, Fernando Alonso mostrou seus dotes de pintor na manhã desta sexta-feira, ao participar da chamada "Cow Parade", mundialmente famoso evento de arte de rua que chega a Madri.
As irreverentes vaquinhas coloridas já percorreram as principais cidades do planeta, como Nova York, Londres e São Paulo. O evento reúne empresas, artistas locais e o terceiro setor.
Acostumado a acelerar com as mãos no volante de sua Renault, desta vez Fernando Alonso empunhou spray e caneta para estilizar uma das esculturas da "Cow Parade" com as cores da equipe francesa.
O espanhol "lembrou" famosos compatriotas do campo das artes, como Pablo Picasso, ícone do cubismo, e Salvador Dalí, um dos mais famosos surrealistas.
Com 28 pontos ganhos, o bicampeão do mundo ocupa a sétima colocação do Mundial. A próxima prova da Fórmula 1 acontece no dia 28 de setembro, em Cingapura.

Camané escolhido para a exposição de World Music WOMEX

  • O fadista Camané integra a selecção oficial da WOMEX 2008 (World Music Expo), feira internacional que, todos os anos, pretende mostrar o que foi feito na música de cariz regional ou étnico – conhecida como World Music.
O evento vai realizar-se em Sevilha, de 29 de Outubro a 2 de Novembro. Em edições anteriores, foram seleccionados os portugueses Mariza, Ana Sofia Varela, Sara Tavares e os Gaiteiros de Lisboa. A feira deste ano vai juntar cerca de três mil profissionais da indústria da música e do entretimento, em representação de 90 países. Camané, que em Abril editou um novo álbum com inéditos de Luís Macedo e Alain Oulman, foi distinguido, em 2006, com o Prémio Amália Rodrigues para o Melhor Fadista. O cantor começou a mostrar os seus dotes no fado quando ainda era uma criança. Venceu por duas vezes a Grande Noite do Fado, nas categorias Júnior e Sénior."Acordem as guitarras", "Filosofias", "Resta contínua saudade", "Esquina de rua", "Ela tinha uma amiga", "A minha rua", "Escada sem corrimão", "Saudades trago comigo", "Eu não me entendo" e "Sei de um rio"(canção do seu último álbum) são os principais êxitos de Camané.Recentemente, o fadista integrou o elenco do filme "Fados", de Carlos Saura, e participa na série documental "Trovas antigas, saudade louca", que Carlos do Carmo apresentará no próximo ano na RTP1.

Artista do formol com novo recorde



  • Damien Hirst soma e segue indiferente a polémicas

Damien Hirst, o artista vivo mais cotado no mercado internacional, tão famoso pelas suas instalações de animais mortos conservados em formol como pelo método de venda directa em hasta pública, acaba de estabelecer novo recorde. Em dois dias de leilão arrecadou 140 milhões de euros e, só no primeiro, ficou titular da maior soma paga num só dia de leilão de obras de um só artista: 89 milhões de euros, por 56 obras, superando Picasso, com 14 milhões de euros, por 88 . Aconteceu na segunda-feira, na Sotheby’s de Londres, onde Hirst sujeitou a leilão directo 223 peças, dispensando agentes e galeristas, num claro desafio ao sistema de comissões que pode chegar aos 50 por cento e que considera abusivo.


Trata-se de mais um acto polémico de quem faz da polémica o seu melhor marketing, sendo por isso acusado de trabalhar por amor ao lucro e não à arte. "A maioria dos artistas precisa dos galeristas para dar a conhecer a sua arte", comenta a propósito deste acto de insurreição Pedro Cera, presidente da Associação Portuguesa de Galerias de Arte. Artista da arte ou do lucro, certo é que aos 43 anos Hirst é uma das 150 pessoas mais ricas do Reino Unido com uma fortuna avaliada em 706 milhões de euros, sendo 40 vezes mais rico do que Cristiano Ronaldo e estando a um nível equivalente a um sexto da fortuna de Américo Amorim, o número um do ranking das fortunas nacionais.

JÓIA DA COROA POR 13 MILHÕES A jóia da coroa dos dois dias que durou o leilão de Damien Hirst foi ‘O Bezerro de Ouro’. Com uma base de licitação entre 10 e 16 milhões de euros, foi arrematada por 13 milhões. Um tubarão conservado em formol, ‘O Reino’, foi arrematado por 12 milhões de euros.

PERFIL Damien Hirst, 43 anos, natural de Bristol, Reino Unido, começou a sua carreira na década de 90 e é dele a obra de artista vivo mais bem paga de sempre: 35 milhões de euros custou a caveira cravejada de diamantes (em cima com o artista). Além da instalação, seu cartão-de-visita, Hirst é também pintor e escultor. Tem na morte o denominador comum da sua obra e é um filantropo, tendo participado com Bono, dos U2, em leilões a favor das vítimas da sida.

Exposição em São Paulo reúne obras de 11 importantes artistas plásticos contemporâneos

Entre os dias 22 de setembro e 5 de outubro a galeria Area Artis apresenta a exposição “Identidade x Reflexões”. A mostra, que apresenta 20 obras entre pinturas e esculturas, leva a assinatura da prestigiada produtora e curadora Carmem Pousada. Chamam atenção a diversidade e o refino das técnicas utilizadas em cada uma das criações. Entre os 11 artistas contemporâneos figuram nomes como Drica Queiroz e Virgínia Sé – detentoras de importantes premiações internacionais nos salões de arte mais badalados da Europa e ainda Alê Prade (artista e músico) e Miriam Rigout – cujas últimas criações foram selecionadas para compor uma exposição especial em Paris, França, ainda esse ano. Durante o Vernissage/coquetel, dia 22, segunda-feira, a partir das 19h30, um dos expositores, o artista plástico Alê Prade, que também é músico, fará uma apresentação especial interpretando canções e temas instrumentais. Artistas expositores em ordem alfabética: Alê Prade, Andréa Annunziata, Drica Queiroz, Ivani Castilha, Mário Marlez, Marjorie Salvagni, Miriam Rigout, Paulo Byron, Rosely Kancsuk, Vera Parente, Virgínia Sé.
Galeria Area Artis - Um espaço moderno e democrático, criado para receber as mais variadas manifestações culturais. Promove e valoriza a troca de experiências no mundo das artes, através de exposições, lançamentos de livros, saraus e encontros regulares com músicos, poetas, escritores e artistas convidados. Exposição – “Identidade x Reflexões”.: Artistas: Alê Prade, Andréa Annunziata, Drica Queiroz, Ivani Castilha, Mário Marlez, Marjorie Salvagni, Miriam Rigout, Paulo Byron, Rosely Kanczuk, Vera Parente, Virgínia Sé. Dia 22 de setembro a 05 de outubro de 208, Galeria Area Artis - Rua Normandia, 92 – Moema – São Paulo - (11) 5042-2109. Preços das peças: de R$ 2 mil a R$ 8 mil. A Galeria Area Artis funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h e sábado, das 10h às 17h. www.areaartis.com.br

Descobrir Picasso através de jogos didácticos em Portimão no Algarve

“À descoberta de Picasso” é assim que se intitula o espaço destinado às crianças entre os quatro e os 12 anos de idade, onde estas vão poder descobrir, de forma lúdica e educativa, quem foi e que papel teve Picasso na arte do século XX. O espaço está integrado na exposição “Olhar Picasso”, patente, até 19 de Outubro, na Galeria Arade, em Portimão. De forma gratuita, os mais pequenos são convidados a descobrir o mundo artístico através da vida e obra do consagrado pintor espanhol. A entrada é feita por um túnel que conduz a um espaço onde estão dispostos 15 malões representativos do trabalho desenvolvido por Picasso ao longo da vida. A abertura dos malões transporta-os para o universo de Picasso, através de pequenos textos e jogos educativos. O percurso começa com dois malões que dão a conhecer a vida e obra do mestre da pintura do século XX. De seguida, através de puzzles, jogos de observação, montagem de esculturas, jogos de correspondência, entre outros, é possível entrar no mundo de Picasso. Um último malão testa os conhecimentos adquiridos na aventura “À Descoberta de Picasso”. Neste momento, os participantes têm de reconhecer as obras que foram experimentando. O percurso termina com os mais novos a completarem um catálogo-jogo, um pequeno caderno composto por textos, aos quais têm de corresponder o carimbo da obra a que se referem. Recorde-se, a mostra “Olhar Picasso” apresenta originais do artista espanhol, entre quadros, litografias, desenhos e fotografias. As obras reflectem períodos de crítica a Franco, aos anos 30 do século XX, e também fotografias da autoria de Lee Miller, mulher de Sir Roland Penrose, biógrafo e pintor de Picasso, que, recentemente, foram motivo de uma exposição especial no Museu Picasso em Barcelona, Espanha. A exposição conta, ainda, com a exibição de cerca de 100 obras de artistas portugueses influenciados por Picasso. A exposição “Olhar Picasso” pode ser apreciada na Galeria Arade, junto ao Portimão Arena, no Parque de Feiras e Exposições, até 19 de Outubro, das 10 às 18 horas.

Delegacia de polícia tem afrescos de 1930

Como outras cidades européias, Zurique conta com monumentos, igrejas antigas, passeios e bons restaurantes no seu naipe de atrações turísticas. Mas nenhuma outra cidade do continente provavelmente tem como atração turística a sede de polícia. Nem foi levada a tornar o prédio uma atração graças a motoristas que se fingiam de bêbados.
A chefatura de polícia de Zurique entrou nos roteiros turísticos da cidade suíça pelo trabalho e as idéias de dois sobrenomes importantes na história da educação e da arte, ambos nascidos em Zurique: Pestalozzi e Giacometti. Antes de ser a sede da Stapolizei, o edifício, originalmente um prédio medieval, foi um orfanato e, em seguida, um depósito de armas na II Guerra Mundial. Durante a década de 20, teve seu teto e paredes decorados por Augusto Giacometti (1877-1947), tio do mais famoso escultor e pintor Alberto Giacometti. A obra foi encomendada pelo governo da cidade como uma forma de combater a ociosida de provocada pela recessão econômica no país, depois da I Guerra Mundial.


Giacometti era um colorista, ou seja, seu principal interesse na pintura era explorar as possibilidades das cores. Ele adotou variações do amarelo para o abóbora na decoração do interior da sala. E as idéias do educador zuriquenho Johann Pestalozzi (1746-1827), para o desenho das formas.


Idéias de Pestalozzi
O pintor tentou retratar as idéias de Pestalozzi de educação como o uso da cabeça (o desenvolvimento do intelecto), da mão (o incentivo ao tra balho) e do coração (o ensino da moral e da ética). E as combinou com desenhos de flores e de rodas dentadas das fábricas, simbolizando o desenvolvimento industrial sonhado para criar empregos.
Onde entram os falsos bêbados na história? Entram - ou melhor, entravam - para testar o seu teor alcoólico, com a intenção, na verdade, de admirar as pinturas. Quando a polícia se instalou no edifício, a sala decorada era usada como o recinto para suspeitos de dirigir bêbados serem examinados para se decidir se deviam ser punidos ou não. Alguns destes bebuns não estavam tão borrachos assim para não reparar nas pinturas de Giacometti. E a fama do lugar se espalhou entre os zuriquenhos.
A leva de falsos ébrios que começou a aparecer na chefatura, para admirar a obra, foi tão grande, que a polícia transferiu o serviço para outro cômodo e liberou a entrada para os curiosos. Basta deixar um documento de identidade na guarita de entrada. Hoje, as pinturas podem ser admiradas todos os dias, de 9h às 11h, e de 14h às 16h. A Stadtpolizei fica em Amtshaus 1, telefone (44) 411 93 03.

Mostra 'kitsch' em Versalhes escandaliza França

Para alguns franceses, local é solene demais; diretor da casa diz que 'arte é viva'. Uma exposição do artista pop americano Jeff Koons, conhecido por suas criações de estilo kitsch com aspiradores de pó, lagostas gigantes e coelhos infláveis, no Palácio de Versalhes, na França, está causando polêmica no país.Para alguns franceses, obras desse estilo não deveriam ser exibidas em um dos locais mais emblemáticos da história do país, centro do Antigo Regime da monarquia francesa a partir do século 17.

Uma manifestação contra a exposição reuniu na última quarta-feira uma centena de pessoas em frente ao Palácio de Versalhes, monumento protegido pelo patrimônio mundial da Unesco.
O presidente de honra da Fundação do Patrimônio francês, Edouard de Royère, criticou a "intrusão" de um artista contemporâneo em um "local mágico como Versalhes".
Mas para o diretor do Palácio de Versalhes, Jean-Jacques Aillagon, ex-ministro da Cultura durante a Presidência de Jacques Chirac, "Versalhes deve ser um lugar cultural vivo e não ficar imerso no formol".
'Kitsch'
Jeff Koons, 53 anos, é um dos artistas vivos mais cotados do mundo. Algumas de suas obras são avaliadas em mais de US$ 20 milhões.
BBC
O americano Jeff Koons, ex-marido da atriz pornô Cicciolina, é um dos artistas vivos mais cotados. Uma de suas obras foi avaliada em mais de US$ 23 milhões. (Foto: BBC)
A exposição Jeff Koons Versailles apresenta 17 obras monumentais do artista, realizadas entre os anos 80 até os dias de hoje. Entre elas, uma de suas criações mais famosas, Rabbit, de 1986, um coelho "inflável" em inox. A obra está exposta no salão Abondance, uma das salas que compõem o Grande Apartamento do Rei, uma série de sete salas onde eram realizadas audiências e atividades de diversão da corte.
No salão Apolo, deus do sol na mitologia, o emblema de Luís 14 (também chamado Rei Sol), Koons exibe com certa audácia sua obra Auto-retrato, uma escultura em mármore.
Em uma das salas do Apartamento da Rainha, que teve como última ocupante Maria-Antonieta, está sendo exibida uma instalação composta por vários aspiradores de pó e máquinas de lavar carpete, iluminados por lâmpadas de neon.
Uma gigantesca lagosta em alumínio, aço e vinil, inspirada em bóias de plástico para piscina, foi pendurada no teto do salão de Marte. Na célebre Galeria dos Espelhos é possível ver a obra Lua, em aço com a cor azul.
Pônei-dinossauro
A exposição também continua no famoso jardim do Palácio de Versalhes, onde está exibida a escultura Split-Rocker, composta de 100 mil flores que formam um animal cuja cabeça mistura as formas de um pônei e de um dinossauro.
Koons escolheu as obras da exposição em função da decoração e do tema das pinturas das salas onde elas seriam expostas.
O artista, que já foi casado com a atriz pornô italiana Cicciolina, é conhecido por utilizar e se inspirar em objetos populares do cotidiano, como eletrodomésticos, bugigangas e diferentes souvenirs kitsch, como estatuetas do cantor Michael Jackson em porcelana.
Koons prefere não comentar a polêmica em relação à exposição e diz apenas que ela representa "um sonho que se tornou realidade".
A mostra Jeff Koons Versailles fica em cartaz até o dia 14 de dezembro.

Obras em vidro podem dar toque especial à decoração

Que tal separar os ambientes com uma divisória feita em vidro e aço? Ou ter na parede uma pintura numa tela de vidro? Com uma técnica própria, adquirida com intuição e muito empenho, a artista plástica Marcia de Andrade desenvolve um material translúcido. Ela conta que há dez anos pesquisa as diferentes formas que o vidro pode adquirir ao ser levado a altas temperaturas. Nesses estudos, não faltaram aulas de física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre o material. A artista também explica que só depois de inúmeras experiências com diversos materiais conseguiu encontrar uma mistura, em pó, ideal para ser usada como molde para o vidro aquecido. Do que é feita a tal mistura, Marcia não revela de jeito nenhum. Em tempos de reciclagem, a artista plástica transformou o antigo vidro cristal da janela da vizinha que seria jogado no lixo em luminárias, arandelas e esculturas de paredes. Uma reciclagem em grande estilo. No processo de criação de suas obras, também não faltam marcas de cortes do vidro nas mãos e braços da artista, o que para ela não é um problema.

- O vidro virou uma obsessão para mim. É um material tão nobre e interessante, que se tornou meu segundo amor depois da minha filha. Fisicamente o vidro é um líqüido supercongelado. Ao ser levado ao forno aquecido a 950 graus, ele volta à sua forma líqüida. Uso muito a meditação durante todo o processo criativo das minhas peças para que eu interfira da melhor forma possível no material - expõe Marcia.

Outro trabalho feito em vidro bem interessante é a pintura da artista Cláudia Melli, que passou a incluir o vidro em sua rotina no final do ano passado, quando ela se dedicou a encontrar um material que pudesse dar o efeito de molhado que ela desejava, já que o tema de seu trabalho, naquele momento, era o mar, chamado de Série Azul. Antes do vidro, ela conta que vinha desenhando diferentes paisagens do mar em papel, mas não havia ficado satisfeita com o resultado.

- O mais bacana do vidro é que ele ele proporciona uma semelhança com a fotografia. Quem vê o desenho, logo de cara, sente certo estranhamento. Além disso, o vidro é um líqüido denso em total sintonia com o meu projeto. Moro no Leblon e ando muito, trago o meu mundo para a minha arte. Não usei fotos como referência para fazer as paisagens do mar - relata Cláudia.

Descoberto Buda gigante com 19 metros no Afeganistão

Arqueólogos afegãos descobriram uma estátua de Buda com cerca de 19 metros, bem como 89 relíquias históricas no centro do Afeganistão, segundo a Reuters. A descoberta foi feita perto da província de Bamiyan, onde as ruínas de estátuas gigantes de Buda foram destruídas pelos talibãs em 2001.A equipa de arqueólogos liderada por Zameryalai Tarzi procurava um Buda deitado, com 300 metros, que há séculos atrás, e de acordo com o relato de um peregrino chinês, está enterrado em Bamyan, quando deu pela descoberta.“No total são 89 relíquias, moedas, cerâmica e a estátua de 19 metros foram desenterrados”, disse à Reuters Mohammad Zia Afshar, conselheiro do Ministério da Informação e da Cultura.O Buda encontrado data do séc. III, estava em mau estado, mas a mão direita e o pescoço estão em bom estado. As restantes peças datam do reino grego de Báctria e da era islâmica, explicou Afshar.Segundo a BBC Online, estão a ser tomadas medidas de segurança para proteger a recente descoberta, e espera-se que para o próximo ano possa ser mostrada em público.Os talibãs destruíram há sete anos as maiores estátuas de Buda que existiam no mundo. As estátuas representavam Buda de pé e mediam entre 55 e 38 metros. Os talibãs são contra representações humanas de divindades, pelo que já destruíram inúmeras obras de arte, incluindo pinturas.As esculturas de Buda estavam esculpidas na montanha de Bamiyan, um centro nevrálgico da cultura budista. Investigadores europeus descobriram ainda no ano passado nas cavernas de Bamiyan pinturas a óleo que datam entre o séc. V e IX. As pinturas são as mais antigas no mundo e retratam monges budistas com criaturas míticas.

Carlos Sousa um Fotógrafo com muito “close”

Ama a fotografia e isso está bem patente no seu trabalho. Com inovação, criatividade e determinação, o fotógrafo criou uma multipla carreira a partir daquilo que começou por ser apenas um hobby de infância, da agência fotográfica ao fotojornalismo da fotografia abstrata á de desportos radicais passando ainda pela criação de microsites, pela cozinha regional, ambientalista e representante local do povo Tibetano. A Euronews foi conversar com o fotógrafo que leva o nome da United Photo Press aos quatro cantos do mundo.

Carlos Sousa move-se em diversas áreas da sua arte. Vive dividido entre Portugal e o Brasil, mas vai rodando o mundo. À vertente fotográfica, juntou a de fotojornalista e é, actualmente, colaborador assíduo de vários jornais e revistas regionais, nacionais e estrangeiras. Outro dos seus hobbies é a musica que alia com o trabalho profissional, actividade que lhe dá um prazer especial fotografar. «Quando os concertos atingem um público elevado, como foi recentemente dos ex-DOORS integrado nos eventos do Allgarve ou Tiesto e David Guetta, prefiro ficar mesmo no meio da multidão e sentir o feeling do momento, quando estou a tirar as fotografias», confessou, com um sorriso entusiasta. Os primeiros trabalhos profissionais que fez foram como fotógrafo de actividades Radicais como o Salir TT e o TransAlgarve, ainda hoje colabora com várias associações como a Zonaventura http://www.zonaventura.org/

Também enveredou, recentemente, por uma área mais comercial, a de divulgação de associações,ong’s, voluntariados e afins pela internet, tendo mesmo criado um departamento dentro da United Photo Press a Sites For All que faz os microsites e os coloca no ar em 24 hrs. «Foi uma fase determinante da minha vida a criação da SFA, eu já era ambientalista e sempre tive uma relação muito própria com causas nobres e associações humanitárias, pelo facto temos microsites criados pelo mundo fora, foi através de um deles que recebi um mail “fantástico” e... ter acedido de imediato ao pedido por parte da organização de Dalai Lama da criação de um microsite em lingua Portuguesa com fotos bem explicitas do sofrimento Tibetano, fiquei a conhecer mais de perto a causa Tibetana e gostaria que todos, de alguma forma entendessem, pelo menos éticamente o que está em jogo nas manifestações contra o domínio chinês no Tibete..., posteriormente fui convidado a ser representante local, lugar que ocupo até hoje». referiu emocionado, sobre o Free Tibet Portugal http://www.freetibetportugal.org/

Como contou ao nosso jornal, a paixão pela fotografia surgiu muito cedo, mas só há cerca de 12 anos é que tomou realmente forma a parte profissional tendo feito vários cursos e workshops um pouco por todo o mundo sendo um deles uma pós-graduação no New York Institute of Photography. A evolução técnica foi conseguida através de diversos cursos e oficinas de trabalho, mas também de pesquisa feita a título pessoal. «Sempre que existem workshops vocacionados nas áreas que eu gosto tento frequentá-los, seja em Portugal ou em Nova Iorque», assegurou. Nessas ocasiões, além de aprender um pouco mais sobre a arte a que se dedicou, também aproveita para conhecer locais «não de indole turistica» e pessoas, já que a comunicação é uma forte habilidade de relacionamento de Carlos Sousa.

«Desde criança que gostava de fotografar, ainda hoje tenho uma maquina que era do meu avó materno e minha recordação de infância e adolescente, tirei muitas fotos com ela, é uma Kodak Junior I, fabricada em 1950 em Inglaterra e utiliza uma pelicula 620, por incrivel que pareça ainda hoje a uso para uns trabalhos especificos, não existe nada parecido, nem a minha Canon Mark III» conta, a rir.

«Ao início fotografava mais rostos. Saía com os amigos, e fotografava os rostos com os ambientes por tráz, mas o que me seduz por completo é fotojornalismo puro e duro, ainda vou para uma área de guerra, já esteve por um fio a minha ida para a Georgia neste ultimo conflito...», contou. Carlos Sousa vive com entusiasmo para o mundo da fotografia, procurando superar-se a si próprio a cada dia. «Gosto que as pessoas do meio jornalistico com quem convivo diáriamente comentem o meu trabalho, dizendo o que acham que está mal e o que está bem, sempre gostei da critica desde que seja construtiva», revelou. Desde há anos que mantém presença no site «olhares», www.olhares.com/bykynys uma comunidade de fotógrafos online. Aqui, sobe o nome de BYKYNYS IN NEW YORK teve muito feedback em relação a outro tipo de trabalho fotográfico, que lhe permitiu evoluir na área da fotografia digital abstrata. «Fui influenciado por amigos a soltar o meu lado mais rebelde e me voltei para a fotografia digital abstrata com a componente de cores e traços irreverentes, que marcam a partida para uma futura exposição, trabalho para expor eu já tenho faltam apenas locais com as condições necessárias para tal...».

Sendo um homem de muitos projectos, o manager da agência fotográfica United Photo Press http://www.unitedphotopress.com/ que tem também fotógrafos e jornalistas associados no Brasil, Carlos Sousa sempre faz questão de anunciar que «é uma agência onde são os fotógrafos ou jornalistas associados na Europa e no Brasil, que decidem os rumos e as orientações dos trabalhos a serem realizados, só o facto de usarem o nosso nome já é uma segurança de profissionalismo, pelo facto quantos mais associados tivermos melhor será a nossa oferta ao cliente e por consequência mais areas de actuação abrangidas, no entanto todos passam por uma rigorosa fase de formação inicial para que todos os critérios iniciais sejam aplicados...»,refere com ar de dever cumprido.

Na hora de enumerar algumas das suas ideias para o futuro como a exposição de fotografia digital abstrata que referiu anteriormente, o fotógrafo que também tem um pézinho na cozinha regional refere que, «Estas actividades estão cada vez mais esquecidas. Gostava de fotografar os pratos tradicionais feitos no local “in loco”, eu, assim como uma grande parte das pessoas gosta de saber como são de verdade, e de os registar desde o preparo até á mesa», disse. «Sempre fui apaixonado pela cozinha regional, tirei até um curso. Pelo facto algum do meu trabalho está, por isso, ligado á restauração», confessou.

A arte em novos suportes

A arte do Renascimento, por meio da perspectiva, trabalhou a ilusão como um elemento de aproximar o público da obra, abrindo espaço para uma percepção da imagem como algo que não se distanciava da realidade captada na natureza. As transformações tecnológicas e as novas mídias tornam a arte contemporânea mais aberta e acessívelAs cidades contemporâneas podem ser consideradas como um novo suporte à arte que, cada vez mais, ganha novos espaços. Entre eles, a rua, com a chamada arte pública, como defende o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que ensina como ler estas “metrópoles comunicacionais”. Para tornar esta “leitura” possível, é preciso recorrer a novos códigos, sendo um deles, as tecnologias da informação e comunicação, que substituem, ou melhor, completam, o que o compasso e os cálculos fizeram anteriormente. No entanto, é preciso esclarecer que a arte - desde as manifestações mais primitivas até às contemporâneas - trabalha com códigos e linguagens. E sem perder de vista o caráter de compreenção e transformação do mundo no qual estamos inseridos de uma forma lúdica. O lúdico pode, perfeitamente, ser enfocado na arte, passando pelo virtual, que consiste no aperfeiçoamento de antigos códigos e linguagens. A arte contemporânea, que trabalha com a presença do espectador, como explica José Álbio Sales, professor de História da Arte da Universidade Estadual de Ceará (Uece), encontra terreno propício para se desenvolver no campo do virtual.“Antes, os espectadores ficavam simplesmente contemplando”, completa, informando que, a partir da conceituação do pensador também italiano, Umberto Eco, na sua “A Obra Aberta”, o caminho ficou escancarado para o objeto de arte deixar de ser apenas apreciado com os olhos.Neste aspecto, a arte contemporânea carrega uma maneira mais direta de trabalhar a ludicidade, e o espectador passa a interagir com a obra. Hoje, é possível que uma artista construa uma obra coletiva com a participação de internautas, que utilizam o mousse pode interagir. O que ficaria limitado a uma tela, por exemplo, é diluída dentro de um espaço infinito, sendo reduzido a uma proposta. Segundo Álbio Sales, este é um dos desafios da arte contemporânea.No artigo “Arte e Tecnologia, uma nova relação”, no livro “A arte do século XXI - A humanização das tecnologias”, Ana Claudia Mei Alves de Oliveira, professora da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), destaca: “A arte tecnológica ainda nos intimida, fazendo que notemos mais as aparelhagens que a produzem do que ela mesma; todavia, indubitavelmente, ela é mais um horizonte da sensibilidade estética que se descortinou para outros alvoreceres”. Não é de hoje que a arte usa diversos suportes e linguagens diferentes para continuar a árdua tarefa de “nos orientar no mundo”.Desde as composições murais paleolíticas e neolíticas, até às manifestações da arte contemporânea com os recursos tecnológicos, a arte sempre vem fazendo experimentações e construindo um texto que, talvez, jamais será concluído. Daí, o feliz conceito de Eco, a obra aberta. Isto é, a arte está sempre mudando, migrando e fazendo novas experiências.Por isso, como diz a professora Ana Claudia Mei Alves de Oliveira: “A arte é uma codificação visual que se ordena tanto adotando o sistema de idéias do momento, quanto pode ser ela mesma a sua geratriz”. Assim, como o próprio conhecimento, ela vem se adaptando a cada novo momento histórico. Portanto, as tecnologias são construções que, ao longo do tempo, estão sendo transformadas e aperfeiçoadas.No caso da obra de arte contemporânea, ´são as propostas que envolvem o espectador´, explica Álbio Sales. E, mais, muitas vezes, o artista faz um convite para que o espectador entre, fisicamente, na obra. É o caso do arte cinética, uma tendência da arte contemporânea, vinculada com a escultura. ´Há uma quebra de paradigma quando o artista tenta misturar pintura e escultura´.Desde a ´Pop Art´, um dos movimentos da arte moderna, que os artistas tentavam quebrar essas fronteiras. Foram criados os ´happenings´, eventos nos quais o espectador deixa de contemplar, passivamente, a obra de arte. Mas isso não significa que, intelectualmente, o espectador não pudesse ´entrar no jogo´ também. Na arte cinética, por exemplo, ele é convidado a movimentar, jogar com o objeto. ´A obra de arte é para ser fruída´, e para que isso aconteça é necessário a interferência do espectador. ´Este é um dos aspectos mais explícitos do lúdico´, detalha.Mas não é apenas no campo das artes plásticas que o lúdico se apresenta. Na literatura ele também está presente. O autor busca, através da linguagem, construir imagens e cada leitor constrói as suas imagens. No cinema, as imagens são construídas pelo diretor. “Na literatura, a imagem é individual e está relacionada à história de vida e à cultura de cada pessoa”, explica.A imagem virtual é mais uma possibilidade de leitura através de uma reprodução gráfica de imagens que são construídas mentalmente. Essas imagens, a exemplo dos jogos eletrônicos, são construídos a partir de elementos da geometria, da física e da matemática. Trata-se de uma geometria tridimensional que pode ser chamada de ´cérebro eletrônico´. Só que ele não fala, computa; calcula, não pensa, explica o professor Álbio Sales.O dito cérebro eletrônico é limitado às equações matemáticas cujas respostas estão armazenadas, previsíveis, diferente do humano. Com relação à realidade virtual, sua base é geometria, possibilitada mediante cálculos matemáticos. O resultado é a geometria espacial tridimensional, ressalta.Bem que os artistas modernos tentaram fazer isso. Os dadaístas, e Picasso com o Cubismo são exemplos de tentar dar movimento e mostrar o objeto de maneira tridimensional, mesmo usando a tela como suporte. Isso significa que, alguns artistas tentaram criar, de alguma forma, esta realidade virtual tão decantada neste início de século.Sem querer enveredar para a questão filosófica do que é realidade, isto não vem ao caso, a realidade virtual é uma possibilidade que parece perfeita. No entanto, tem como bases cálculos matemáticos que remontam à arte romana, sobretudo ao renascimento, com a idéia de perspectiva. Alberti, escultor e pintor italiano da Renascença, foi um dos primeiros a trabalhar com a visão do tridimensional, elemento que faltou aos artistas gregos.Isto foi um grande salto também para a arquitetura, possibilitando a realização de projetos. Os artistas barrocos exacerbam na ilusão de ótica com o seu ´trompe l´oeil´, ou ilusão de ótica, tentando gerar um espaço virtual, através da perspectiva. O recurso era usado nas Igrejas, por exemplo, dando idéia de infinito. O pensador francês, Jean Baudrillard, vai buscar na ilusão de ótica dos artistas barrocos a fundamentação da sua teoria do simulacro. Faz alusão ao estuque, pó de mármore, utilizado pelos artistas barrocos. Os góticos traçam caminho semelhante.Assim, como pode-se perceber, os fundamentos do mundo virtual remontam à perspectiva científica renascentista e à ilusão de ótica do barroco, entre outros elementos. A chamada cibercultura cria a possibilidade de interação a partir de junção de elementos da tenconologia da comunicação e informação. Hoje, é possível entrar num site e participar da construção de uma obra de arte. Sem contar com a utilização da internet como ferramenta para acessar museus e galerias. As chaves estão sendo substituídas por códigos.

Museu Oscar Niemeyer é um dos mais ativos do Brasil, diz curador internacional

O Museu Oscar Niemeyer é apontado como um dos três museus mais ativos do País. Com apenas cinco anos de funcionamento, desde julho de 2003, o museu curitibano é comparado, em qualidade das exposições apresentadas, à centenária Pinacoteca do Estado de São Paulo, criada em 1905, e ao sexagenário Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, inaugurado em 1948. O paralelo foi feito sob a autoridade dos 30 anos de experiência museológica do conceituado curador Paulo Herkenhoff, que por três anos dirigiu o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), do Rio de Janeiro, e atuou como curador-adjunto do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa). Atualmente ele integra a comissão de seleção do próximo curador da maior exposição de arte do mundo, a Documenta de Kassel, a ser realizada em 2012, na Alemanha. “O desempenho do Museu Oscar Niemeyer é excepcional em relação a outros museus. Não estamos falando apenas em número de exposições, mas em uma relação de qualidade. Possivelmente é o museu brasileiro mais ativo em exposições, ao lado da Pinacoteca de São Paulo e do MAM.” Herkenhoff refere-se a mostras como o “Dadaísmo e o Surrealismo”, exibida em 2004 pela primeira vez no Brasil, em Curitiba, e somente depois apresentada em São Paulo. Em 2005, “Desenhos de Roy Lichtenstein”, “Soto: A Construção da Imaterialidade”, “Farnese (objetos)” e “Picasso: Paixão e Erotismo”, que reuniu cerca de 3 mil visitantes em um único domingo. No ano seguinte, o Museu abrigou, entre outras mostras, “Cícero Dias – Oito Décadas de Pintura”, uma das mais abrangentes retrospectivas do artista brasileiro radicado na França, e no ano passado “Kurt Schwitters (1887-1948)”. Ainda em cartaz estão “Tarsila –Percurso Afetivo”, “Anni e Josef Albers –Viagens pela América Latina” e “Bacon Freud e Moore –Figuras e Estampas”. Três delas, Dadaísmo e Surrealismo, Farnese e Schwitters, premiadas como as melhores exposições, dos respectivos anos, pelas duas mais importantes instituições de crítica de arte: a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).Pinacoteca e o MAM exibiam naqueles anos outras exposições de inquestionável valor artístico. O MAM, para citar algumas entre as mais importantes, apresentou em 2005 “Andy Warhol: Motion Pictures”; em 2006, “Volpi – A música da cor”, uma das mais abrangentes retrospectivas do artista depois renomeada, ampliada e também apresentada em Curitiba; e, no ano passado, “Vieira da Silva no Brasil”, que focou a produção da artista modernista Maria Helena Vieira da Silva no período em que viveu no Brasil. Já a Pinacoteca, que mantém parceria com o Museu Oscar Niemeyer, foi premiada em 2007 pela APCA com a exibição da então inédita mostra de Kurt Schwitters. Neste ano, destaca “O Florescer das Cores: A arte do período Edo”, que reuniu peças de 18 museus japoneses, entre outras.CULTURA SULISTA – Por dez anos à frente da direção da Pinacoteca, o artista e curador Emanoel Araújo, atualmente na direção do Museu Afro Brasil, diz que o Museu Oscar Niemeyer é fundamental para a cultura sulista. “Para um Estado que não tinha tradição de Museu é importantíssimo, contribui em muito para o Paraná e o Sul do País. O Museu Oscar Niemeyer tem um espaço grandioso e prova quanto esses eventos são fundamentais, com um volume de exposições de qualidade e uma oferta extraordinária”.Qualidade que tem se refletido na conquista de espaço na mídia nacional e nas colunas de importantes formadores de opinião, como no blog de Maurício Kubrusly, no site do Fantástico, em abril. “(...)Diante de suas grandes telas (Lucian Freud – 1922), os corpos de homens e mulheres, sem a capinha das roupas, despedaçam a nossa idéia de beleza ...Tive a sorte de ver, em Nova York, uma grande mostra de telas do mestre ...Toda essa conversa tem uma nascente: no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba ...Francis Bacon (1909-1992), com suas figuras distorcidas ... E Henry Moore (1898-1986), o escultor de obras enormes...não há desculpa para perder a chance de visitar a mostra do Museu Oscar Niemeyer. Se está na cidade ou vai passar por lá, não perca. É um trio de ouro”, afirma alguns trechos da nota de Kubrusly sobre a mostra “Bacon, Freud e Moore –Figuras e Estampas”, que devido ao sucesso teve sua exibição prorrogada até 7 de setembro. Fundamentado nesse resultado, Herkenhoff avalia que o desempenho do museu curitibano em espaço de tempo “tão curto” não seria possível, se a atual secretária especial Maristela Requião não tivesse “acesso aos centros de decisão”. “A presença de dona Maristela na instituição foi uma forma de acelerar a recuperação do tempo perdido pelo Paraná na recepção de exposições de qualidade, compatíveis com a sociedade contemporânea.” Concorda com ele, o crítico de arte e curador Olívio Tavares: “O Museu é um dos poucos espaços onde se consegue realizar exposições ambiciosas, como as de Volpi e Tarsila do Amaral. São exposições de primeiro plano. Temos ali, sem dúvida, as melhores exposições do País. O Museu é muito bem organizado, favorecido pela boa gestão da Maristela Requião. Além disso, teve uma excelente reforma, é uma obra atraente. Só tenho elogios ao Museu Oscar Niemeyer”. TRABALHO – Em cinco anos de trabalho, o Museu exibiu 110 exposições, sendo 77 nacionais e 28 internacionais. Somente no ano passado, foram apresentadas 30 mostras em seus 15 espaços expositivos, nos 17,5 mil metros quadrados de área expositiva; sem incluir as duas mostras permanentes de obras de acervo, no Espaço Niemeyer e no Pátio das Esculturas, entre outras. Respeitadas as especificidades conceituais e de estrutura física, o número aproxima-se ao da centenária Pinacoteca, que em 2007 apresentou, em suas 30 salas expositivas, 46 mostras, somadas as exposições da Pinacoteca e da Estação Pinacoteca, recentemente instalada no antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo. O museu curitibano deverá fechar o ano com a exibição de 24 exposições. Em duas salas expositivas, o MAM apresentou 13 mostras em 2007 e neste ano soma, até o momento, cinco exposições. Nas três instituições, o tempo médio de exibição das exposições temporárias oscila entre três e quatro meses.

Museu Oscar Niemeyer prorroga a mostra “Anni e Josef Albers–Viagens pela América Latina”

O Museu Oscar Niemeyer prorrogou até 14 de setembro as exposições “Oscar Niemeyer: Trajetória e Produção Contemporânea 1936-2008” e “Anni e Josef Albers – Viagens pela América Latina”. A medida se justifica pelo sucesso das mostras - de abril a julho, 65 mil pessoas visitaram as exposições sobre o trabalho do arquiteto modernista e as obras dos alemães que tinham paixão pela expressividade latina.Ícone da arquitetura moderna no Brasil, Oscar Niemeyer, recebe nova homenagem pela passagem de seus 100 anos de vida (15 de dezembro de 2007). Com o patrocínio da Companhia Paranaense de Energia (Copel), esta exposição enfatiza o modo como o arquiteto concebe, projeta e detalha suas obras, por meio de croquis e desenhos livres e técnicos, além de numerosas maquetes que fazem parte da elaboração arquitetônica de Niemeyer. As obras em exibição traçam um panorama dos projetos do arquiteto desde 1936 até os mais recentes e inéditos. A mostra tem o apoio do Ministério da Cultura, Governo do Paraná, Secretaria de Estado da Cultura, Caixa Econômica Federal, Fundação Oscar Niemeyer e Paço Imperial. Estão reunidos 48 projetos arquitetônicos, destacando-se alguns recentes, como o Museu de Brasília, o Auditório do Ibirapuera, o Pavilhão da Serpentine (Londres, Inglaterra) e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Para ilustrar projetos anteriores já consagrados, o curador Lauro Cavalcanti incluiu a Universidade de Constantine (Argel, Argélia, 1969) e a sede do Partido Comunista Francês (Paris, França, 1965). O visitante poderá apreciar também projetos novos e inéditos, criados ao longo de 2007. Esses projetos estão representados pelo Parque Dona Lindu em Boa Viagem, no Recife, e dois planos para Brasília: a Praça do Povo, uma das mais belas coberturas curvas jamais concebidas na história da arquitetura, que completa o conjunto da Esplanada dos Ministérios, e a Torre TV Digital, que propicia uma vista panorâmica e definitiva da capital federal.Estão em exibição também 19 maquetes, uma escultura em metal de três metros de altura – “Forma no Espaço 5” –, que integra o acervo do Museu Oscar Niemeyer; uma peça de mobiliário – “A Marquesa”– e 80 desenhos e documentos originais, incluindo escritos de Niemeyer, pertencentes ao acervo da Fundação Oscar Niemeyer. ALBERS - Curitiba é a primeira cidade brasileira a receber a exposição, com cerca de 350 obras, do casal alemão Anni (1899-1994) e Josef Albers (1888-1976). A mostra exibe trabalhos que evidenciam a forte influência da arte e da cultura latina na sua produção. As viagens, entre 1934 e 1967, ao Peru, Chile, Cuba e, por 14 vezes, ao México resultaram em uma produção moderna pioneira. A exposição tem o patrocínio da Companhia Paranaense de Energia (Copel), com o apoio da Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil, The Josef and Anni Albers Foundation, do Ministério da Cultura e do Governo do Paraná. Formada pela Escola Bauhaus de Design, desenhista, tecelã e escritora, Anni registrou em textos detalhados o que via, pesquisava e aprendia nas viagens. As informações deram a Anni elementos para suas criações e experimentos em estampas têxteis, aquarelas e ornamentos femininos. Em 1965 publicou “On Weaving” (Na Tecelagem), livro que se tornou uma referência modernista, com uma famosa dedicatória aos “grandes professores, os tecelões do Peru antigo”. Josef dedicou-se à pintura e ao desenho, em trabalhos que denotam sua intensa experiência no estudo de planos e cores. A realização artística de Josef, à parte de suas realizações como pedagogo (na Bauhaus) e teórico da cor, é hoje incontestável: sua eminente carreira como pintor, culminando com a grande série “Homenagem ao Quadrado”.

Veja Rio Recomenda Exposições

Aos 67 anos o artista português, radicado na cidade há quase cinco décadas, ainda surpreende. Na individual Qualas e Flexos, ele mostra nove esculturas bem diferentes dos muitos trabalhos que expõe em espaços públicos. Trocou as curvas improváveis de obras notórias, como a que ocupa o pátio do Edifício Argentina, na Praia de Botafogo, por arrojadas estruturas maleáveis de alumínio.



João Magalhães. Egresso da Geração 80, Magalhães apresenta pinturas de grandes dimensões em preto-e-branco. Ousa citar colegas de renome e é bem-sucedido. Entre as 23 acrílicas sobre tela expostas, merecem atenção especial Nympheas, que remete à obra de Claude Monet, e Haacke 1, inspirada no artista alemão Hans Haacke.



Mimmo Paladino. Um dos grandes nomes da arte contemporânea italiana, Paladino exibe, na individual Obra Gráfica, trinta gravuras em médias e grandes escalas, produzidas entre 1992 e 2003 sobre papel artesanal com diversas técnicas. Destaque para o colorido vivo das duas serigrafias da série Rábanus Maurus e dos quatro trabalhos da série Matemático.










Perfil das Montanhas do Rio: gravura em grande escala de Thereza Miranda



Thereza Miranda. Gravadora carioca com 80 anos de idade e 45 de carreira, ela mostra 120 trabalhos nesta retrospectiva. Uma das responsáveis pela introdução da fotogravura no Brasil, no começo dos anos 70, Thereza Miranda expõe belos exemplares dessa técnica, a exemplo de Silêncio V, Páscoa.




A dinamização da arte

Paulo Henriques. Ex-director do Museu Nacional do Azulejo e do Museu de José Malhoa, Paulo Henriques está à frente do Museu Nacional de Arte Antiga desde 2007, trazendo uma bagagem académica significativa, especialmente no que diz respeito a arte dos séculos XIX e XXNovas iniciativas pretendem atrair mais público ao MNAA Foi a convite do Ministério da Cultura, por Isabel Pires de Lima, que Paulo Henriques assumiu no ano passado o cargo de director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), o primeiro museu português e principal museu com colecções de arte portuguesa desde o século XII até ao século XIX, uma referência na cultura portuguesa e de interesse internacional."Temos uma das mais ricas colecções de pintura, desenhos , esculturas, ourivesaria, mobiliário, cerâmica, têxteis, porcelana e arte oriental. E a função do museu é recolher, conservar e divulgar estas obras em exposições permanentes e temporárias, o que exige um esforço de estudo, restauro e apresentação", adiantou o director, que também está preocupado em perceber o grau de satisfação do visitante."Criámos as Visitas Comentadas, nas quais se destacam uma ou mais peças do acervo, estruturando um sentido e uma articulação, como por exemplo uma pintura do pintor holandês Hooch e a Sala Patino, um exemplar francês do século XVIII", explica Paulo Henriques.Outra iniciativa importante é a Visita às dez mais, com destaque para os Painéis de S. Vicente, com um programa de curso de Verão para as crianças durante a semana inteira, incluindo uma sessão final em que são apresentados publicamente os trabalhos realizados pelas crianças. "Passámos agora a realizar a Visita às 20 mais e em 2009 a Visita incluirá 30 peças de arte", adianta o director, dizendo também que o serviço educativo continua a funcionar com muita criatividade, incluindo também actividades com a participação dos pais. "Todas estas iniciativas vão desaguar na ideia de conhecer o museu e as colecções. É um momento de luxo estar no museu perante obras de grande qualidade", afirma o director, para quem os museus são instituições de conhecimento que devem robustecer a investigação e as propostas. "O conceito de museu não se altera, o que tem mudado é a criação de estratégias de captação de público, com uma modernização da abordagem e um reconfiguração dos serviços de educação", disse Paulo Henriques, para quem o maior objectivo é a qualificação cultural do público. E os exemplos desta modernização de abordagem já resultaram com exposições especiais que decorreram no MNAA este ano. "A exposição 'Olhar de Perto. Os Primitivos Flamengos do Museu de Évora' foi um bom exemplo de uma abordagem múltipla de uma obra célebre: as pinturas do antigo retábulo da capela-mor da Sé de Évora. Estas, que foram apresentadas pela primeira vez em público, após a intervenção de conservação e restauro, permitiram também um primeiro balanço crítico do projecto de investigação em curso sobre esta extraordinária obra flamenga do Museu de Évora e do património nacional", relembra o director do MNAA. Outra mostra importante foi a Museugrafias - uma pequena apresentação dos modos como se expunham as colecções no MNAA, criado pela República em 1911. Paulo Henriques traz ainda no seu currículo várias exposições e estudos sobre a arte do azulejo em Portugal. Desde o seu trabalho de comissário da exposição "O Azulejo em Portugal no Século XX", uma mostra integrada nas Comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, no Rio de Janeiro em 2000, passando pela importante mostra "A Arte do Azulejo em Portugal do Século XVII ao Século XX", apresentada pela Presidência da República de Portugal na Universidade Pontifícia de Salamanca em 2005. Ele estudou também artistas de relevo na cultura portuguesa, incluindo o projecto Rafael Bordalo Pinheiro Ceramista, apresentado em 1996 na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Brasil, e Canto da Maya, tema da sua tese de mestrado, exibido no Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris em 1996.

Circuito das Artes do Jardim Botânico abre suas portas

Que tal conhecer os diferentes ateliês instalados no charmoso bairro do Jardim Botânico, conhecer de perto os artistas responsáveis pelas peças que você admira? Então, aproveite para acompanhar a 12ª edição do Circuito das Artes do Jardim Botânico será realizada nos dias 30 e 31 de agosto e 6 e 7 de setembro. A estimativa de público em todo o evento é de 15 mil pessoas. Durante os quatro dias, 55 ateliês e estúdios abrirão suas portas das 12hs às 21hs, com seis mil peças em exposição. Ao todo são 93 artistas que irão apresentar trabalhos de pintura, escultura, gravura, aquarela, mosaico, design de móveis, cerâmica, tecidos exclusivos para decoração e utilitários.

A artista plástica Cattia Capistrano, uma das coordenadoras do evento, relembra que na primeira edição participaram 37 artistas, e que a cada ano esse número vem crescendo, tornando o bairro um núcleo especial das artes. Alguns espaços promovem palestras e worshops. No O Sol, por exemplo, os visitantes poderão observar e participar das oficinas de tecelagem e cestaria.

Uma das vantagens do passeio é ter acesso aos artesãos e poder perguntar como a peça foi feita, que matéria-prima foi usada. Cattia recomenda aos interessados em objetos de decoração visitas aos estúdios de móveis e acessórios dos designers Fernando Jaeger e Aulio Sayão Romita e as luminárias de Monica Cohen. Também reforçou que há peças bem autorais em cerâmicas para quem está em busca de algo mais personalizado.

- É um ótimo passeio para toda família no final de semana. Há possibilidade de percorrer os ateliês a pé ou de van, já que temos artistas em todo o bairro, inclusive no Horto. É uma caminhada e tanto. Os restaurantes também preparam pratos especiais para o período - afirma Cattia.

Junto ao evento acontece o Circuito de Arte Culinária, que contará com um roteiro gastronômico, com degustação e palestras com chefs de cozinha.

A estréia do Circuito das Artes do Jardim Botânico aconteceu, em 1998, em homenagem ao 190º aniversário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o evento deu tão certo que faz parte do calendário cultural da cidade.

Serviço:

Dias: 30 e 31 de agosto/6 e 7 de setembro