Roger Hodgson | Allgarve 09



Roger Hodgson e Aron Mac Donald entraram em palco perante um público maioritariamente britânico que de imediato não regateou aplausos.
Hodgson foi um dos fundadores dos Supertramp em 1969 e durante 14 anos compôs e escreveu alguns dos greatest hits da banda, como "Give a Litle Bit", "The Logical Song", "Dreamer", "Take the Long Way Home", "Breakfast In America" ou "Fools Overture". E foram estes êxitos antigos que puseram o público a dançar e a cantar com Roger e com o seu extraordinário companheiro de palco, de seu nome Aron Mac Donald, exímio executante de sopros. E o público foi cantando "Dreamer", "Give a little Bit", pedindo sempre mais e quase não deixando o artista respirar.
Olhando a assistência verificámos que Manuel Pinho não deixa os créditos do Allgarve Festival por mãos alheias e assiste entusiasmado aos espectáculos que o seu ex-Ministério patrocina. Presente também Desidério Silva, Presidente da Câmara de Albufeira manifestamente satisfeito com a oferta da sua edilidade a turistas e forasteiros. Descobrimos Nuno da Câmara Pereira que atentamente seguia a actuação de Roger Hodgson, talvez fazendo a comparação mental com o fado que interpreta. E quando Roger interpreta "Dreamer" como uma mola o público salta para junto do palco e cantou com o artista uma das melodias mais conhecidas dos Supertramp. De repente começam a ver-se chapéus de chuva a abrirem-se e o pedido era óbvio:" It's raining again". E foi o delírio, chapéus acenando, vozes cantando, palmas a compasso, o público agradecia assim o belo espectáculo que Roger Hodgson tinha proporcionado. Actualmente, este artista multifacetado, que toca teclado, guitarra e piano, actua a solo com uma banda de suporte e colabora em concertos de orquestra, com apresentações em todo o mundo.
Zita Ferreira Braga

Artistas exploram cada vez mais a videoarte

Televisão, máquina de fazer doido. E foi justamente a partir da linguagem televisiva que surgiu a videoarte. Nascida a partir do cruzamento da arte e tecnologia, a videoarte apesar de ser considerada “de vanguarda”, não é uma ideia nada nova. Eram os anos de 1960 e o mundo das artes passava por uma verdadeira revolução. Cada vez mais as obras articulavam diferentes modalidades de arte, como dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura, desafiando as classificações habituais, questionando o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte.
Alguns artistas decidiram ganhar as ruas e produziram intervenções na paisagem urbana. Outros passaram a utilizar o próprio corpo como suporte artístico e converteram suas obras em performances no espaço público. Outros ainda procuraram mesclar os meios e relativizar as fronteiras entre as artes, produzindo objetos e espetáculos híbridos como as instalações e os happenings.
E houve também aqueles que foram buscar materiais para experiências estéticas inovadoras nas tecnologias geradoras de imagens. “A videoarte surge de uma crise de suportes tradicionais, como a pintura e a escultura. Na busca por uma nova forma de se expressar, os artistas incorporam o vídeo a sua linguagem e a mídia ganhou uma nova dimensão”, explica Val Sampaio, videoartista e artista plástica paraense.
Movimento através do tempo Inovações tecnológicas e a necessidade de romper barreiras permitiram a criação de mais uma forma de arte
As primeiras incursões na videoarte no país 40 anos atrás produziram uma arte instigante, independente, moderna e desvinculada de qualquer regra ou padrão pré-estabelecido, um rompimento total com os esquemas estéticos e mercadológicos da pintura de cavalete e a arte das grandes galerias e museus. O vídeo até então era associado com a televisão e aquela fita caseira das suas férias na praia quando criança, não com arte.
Era acessível e fácil de usar. Porque não tinha uma estética nem uma história, era simplesmente uma ferramenta, a videoarte não criou nenhuma expectativa. Isso permitiu os pioneiros da nova mídia, nomes como Antonio Dias, Artur Barrio, Iole de Freitas, Lygia Pape, Rubens Gerchman, Agrippino de Paula, Arthur Omar, Antonio Manuel e Hélio Oiticica, a abrir um outro capítulo na história da arte. “Houve uma sincronia entre o que aconteceu lá fora e aqui no Brasil. Acho até por razões tecnológicas inclusive, foi a partir da implementação da tecnologia que se pode interagir com o novo equipamento e experimentar com o suporte. O que se vê então, a partir daí, é a relação do artista com a natureza da imagem eletrônica.”, diz Val.INCOMPREENDIDA
É importante notar que o vídeo não é um meio estático. Pintura e escultura podem, a sua maneira, contar uma histórias, mas só o vídeo pode fazer histórias se moverem através do tempo e continuarem se movendo indefinidamente. Porque era relativamente barato, você podia brincar com isso, improvisar e deixar sua imaginação correr durante a edição. Experimentações, claro, resultaram em pretensão, muita pretensão.
Teve uma quantidade enorme de vídeos terrivelmente chatos na década de 1970. Mas com certeza teve a mesma quantidade de quadros terrivelmente chatos no mesmo período. E algum desses quadros ainda estão pendurados nos museus enquanto os vídeos estão jogados em alguma prateleira empoeirada. “A videoarte sempre foi meio marginal, incompreendida. É um meio que te impõe um desafio a mais como receptor, porque ele rompe com a ideia tradicional de narrativa. É o meio como obra de arte.”, revela Mariano Klautau, fotógrafo e videoartista paraense.
Com o tempo a videoarte ganhou credibilidade, ou seja, achou seu mercado. Os valores de produção aumentaram: melhores equipamentos, cores ricas, projeção em alta definição. As diferenças entre o vídeo e filme paulatinamente começam a desaparecer. Os primeiros videoarte eram mais curtos, contidos e conceituais, como se fossem objetos de arte. Por uma questão estritamente mercadológica, as instalações estavam ainda atreladas ao espaço físico das galerias de arte. Mas hoje em dia, com o advento da internet, a relação desse tipo de trabalho com o mundo da arte estruturado ao redor de museus, galerias e festivais, desfragmentou-se.
INTERNET
Você pode experienciar através do seu computador, como por exemplo os trabalhos do coletivo de videoartistas franceses do Instants Vídeo (www.instantsvideo.com), em qualquer lugar e a qualquer momento que você queira. Encabeçado pelo diretor francês Marc Mercier, de passagem por Belém como curador de uma oficina e exposição sobre videoarte esta semana, no IAP, o projeto tem como objetivo salvar, digitalizar e classificar uma grande parte do patrimônio europeu da criação de vídeo e multimídia, e disponibilizá-lo na internet. Quebrando a última barreira entre arte e público.
“Era uma passagem natural. A videoarte veio inclusive como um movimento de questionamento do espaço da arte. De entender o que é arte e onde pode acontecer. É mais um lugar onde uma coisa não exclui a outra. A videoarte também tem seu espaço nas galerias. Mas, não importa a maneira que os espaços fazem apresentação, a videoarte é uma relação de tempo como obra de arte”, observa Val Sampaio
Isso representa uma maneira possível de produzir algo sem a tirania do preciosismo da arte e fora do mercado de arte que vem se transformando atualmente em uma grotesca estrutura que prioriza muito mais o dinheiro e transforma a obra de arte em si em algo pequeno e dispensável. Em um tempo de produção veloz e mercantilização voraz, os videoartistas estão fazendo arte sob uma perspectiva diferente. Eles estão também fazendo arte que outros suportes físicos não podem fazer. E eles estão atingindo audiên-cias de uma maneira totalmente diferente. Afinal de contas, quem precisa de uma galeria de arte quando se tem Youtube?

Feira Medieval de Silves



A sexta edição da Feira Medieval de Silves tomou conta do centro histórico da cidade, entre os dias 8 e 16 de Agosto de 2009, das 18h00 à uma da manhã. Contou com nove dias de recriação fiel do ambiente vivido na antiga capital do Al-Gharb.

Os primeiros dias da Feira foram de influência predominantemente árabe e os últimos dias de influência marcadamente cristã, num esforço de situar historicamente a recriação do espaço e factos dramatizados ao longo dos nove dias do evento nos séculos XI, XII e XIII. Num cenário natural e único no que concerne ao património edificado, do vermelho do grés que coabita com o ocre que pincelou beirais e paredes, passando por pátios e varandas, passaram figuras do povo, do clero ou da nobreza, homens de armas e muitos outros. Entre os sons e os aromas característicos, foram muitos os apelos aos sentidos e ao imaginário de cada um.

Do rio Arade ao Castelo surgiu todo um ambiente de festa e de descoberta contínua. A história foi contada não só através das várias representações, mas também pela cenografia envolvente e por inúmeros apontamentos que surgiram, ora num painel, ora numa exposição, ou até mesmo num edital.

Tudo começou no dia 8, ao som de tambores que rufiaram por toda a cidade. Músicos, bailarinos, outros artistas e personagens juntaram-se e junto ao cais esperaram Ibn Mozaine, nomeado governador de Silves, quando esta cidade integrava o Al-Andalus.

Ao longo dos dias foram recordados os povos que ali viveram, respeitando e valorizando o legado por eles deixado: da judiaria e seu lugar de culto à mesquita e a outros credos, culminando no cristianismo, que terá larga expressão quando D. Paio Peres Correia conquistar definitivamente Silves. Por fim e numa inesquecível viagem pelo tempo, relembraremos como D. Dinis, Senhor e Rei de Portugal e do Algarve, soube administrar, reordenar e fazer poesia.

A animação foi uma constante, da música à representação, sem esquecer a gastronomia, chegando ao pormenor da moeda: no recinto da feira só se pagava com XILB (o câmbio era feito à entrada e à saída). E quem quis abraçar verdadeiramente o espírito medieval pode alugar trajes adequados pelo valor de dois euros (ou, melhor dizendo, 2 XILB).

MARINA GALLERY | Albufeira - Portugal

Vasco Ribeiro, Presidente Internacional da Assembleia Geral da United Photo Press, entrevista a pintora Luz Henriques e o escritor Manuel Sousa na Marina Gallery em Albufeira.

MARIZA | Allgarve 09

Com uma carreira repleta de grandes discos, Fado em Mim (2001), Fado Curvo (2003), Transparente (2005) e Concerto Em Lisboa (2006), mais o DVD Live In London (2004), todos eles abençoados com uma multiplicação de galardões de Platina, Mariza tornou-se na voz que mais tem popularizado a alma portuguesa a todo o mundo.Em sete anos, Mariza conquistou, à força de alma e de garganta, de disciplina e de trabalho, o estatuto das grandes cantoras universais Amália, Piaf, Elis, Ella, Garland e mais uma mão-cheia de mulheres a quem basta um nome para o reconhecimento imediato e entusiasmado.

IVE MENDES | Allgarve 09



Passava das 22h30 quando Ive Mendes subiu ao palco montado nos jardins do Hotel Dom Pedro, em Vilamoura, no passado dia 13 de Agosto, para mais um excelente concerto no âmbito do programa Allgarve. Irradiando simpatia e sensualidade, a cantora e compositora brasileira, que tem conhecido um crescente mas fulgurante sucesso internacional graças à sua música envolvente de fusão onde se misturam os ritmos quentes do jazz e da bossa nova, interpretou temas do seu álbum de estreia (‘Eve Mendes’, 2002) assim como uma versão inédita e belíssima de ‘I don’t wanna talk about it’ de Rod Stewart, incluída na colectânea Lady Jazz que irá ser lançada em Portugal antes do Natal.
Sempre muito alegre e dando mostras dum grande à-vontade em palco, Ive Mendes conquistou rapidamente a audiência do Dom Pedro, não só pela qualidade da sua música mas em igual medida pela sua espontaneidade e dom de comunicação, conversando de forma muito natural com o público entre todas as canções e saindo do palco por mais que uma vez, circulando entre as cadeiras, num claro gesto de aproximação às pessoas que partilharam com ela mais uma fantástica noite algarvia. Com o mesmo à-vontade, divertiu o público partilhando um momento de aflição antes do concerto, quando o vestido escolhido para actuar nessa noite se rasgou, fazendo-a usar jeans em palco, pela primeira vez em toda a sua carreira. Entre gargalhadas, contou que acabara por ser mais um episódio para relembrar o seu lema: a única coisa certa que existe é a mudança e recebê-la de braços abertos faz-nos viver mais felizes cada dia que nos é oferecido para viver. O espectáculo que Ive ofereceu ao público de ontem à noite foi seguramente uma dádiva, e constituiu mais um momento musical único com a qualidade a que já nos vêm habituando as edições do programa Allgarve.

Francisca Prudêncio

MARIA RITA | Allgarve 09



Num concerto muito intimista, a cantora brasileira Maria Rita,acompanhada pela Big Band dirigida por Carlos Azevedo e Pedro Guedesda Orquestra Jazz de Matosinhos, actuou no passado dia 5 de Agosto emAlbufeira, no Grande Real Santa Eulália Resort, no âmbito do projecto Allgarve.
Apresentando-se bem-disposta e muito alegre, Maria Rita interpretoucerca de uma dezena de temas, quase todos incluídos nos três discos deMaria Rita (“Maria Rita”, de 2003, “Segundo”, de 2005 e “Samba meu”,de 2007) com arranjos originais para a big band a cargo de PedroGuedes. A excepção foi o tema “Soledad”, do cantor uruguaio JorgeDrexler, interpretada ainda no inicio do concerto. Ao longo doespectáculo, Maria Rita tornou-se cada vez mais expressiva e emotiva,com rasgos de uma euforia entusiasmante que contagio todo o publicoque a acompanhava nos refrões das músicas mais conhecidas.
Com simplicidade e uma simpatia surpreendente, Maria Rita e a Big Bandproporcionaram um dos mais belos momentos musicais do programa Allgarve de 2009.

JOSS STONE | Allgarve 09


De pés descalços mas revestida de musicalidade, a menina prodígio do Soul, Joss Stone, actuou na passada sexta-feira (31/07) em Loulé, no âmbito dos concertos Allgarve Music.
A cantora prometera dar “uma verdadeira festa em palco” e não defraudou. Desafiou o público para abandonar as cadeiras e este correspondeu ao repto entregando-se as sonoridades de Soul, R&B e Blues. Abordou temas de todos os álbuns, inclusivamente do último trabalho denominado Colour Me Free. I fell in love with a boy; Baby Baby Baby; You had me; Right to Be Wrong; Don't Cha Wanna Ride e Free me, foram algumas das músicas do repertório que se ouviram no palco montado junto ao monumento Eng. Duarte Pacheco.
Em 1987 nasceu na Inglaterra e passou sua adolescência escutando uma grande variedade de géneros musicais interpretados por artistas como Dusty Springfield e Aretha Franklin. Em 2002, viajou rumo à Nova Iorque para uma audição com Steve Greenberg, o chefe do sector executivo da S-Curve Records. Desde então, ela se apresentou com artistas como Blondie e Gladys Knight. Aos 17 anos editou o álbum "The Soul Sessions" e atingiu depressa o estrelato musical. Os três primeiros álbuns venderam mais de 10 milhões de unidades que lhe valeram vários BRIT Awards e um Grammy. Depois de Mind, Body & Soul, álbum lançado em Setembro de 2004, surge em 2007 Introducing Joss Stone. Agora com 22 anos, para além de cantora e compositora, participa como actriz na série dramática The Tudors, em que interpreta o papel de Ana de Clèves.

Com simplicidade e simpatia, que se evidenciavam pelos sorrisos que expressava ao ouvir os piropos do público, a cantora britânica fez-se acompanhar por músicos exímios. Ao som de No woman no cry e oferecendo rosas brancas à audiência “Jossie”, como afectuosamente lhe chamavam, despediu-se e finalizou um concerto encantador.

GRETHEL CEBALLOS

SEAL | Allgarve 09



Com seis álbuns de originais editados e mais de dez discos de platina alcançados pelo mundo fora, Seal tornou-se por direito próprio num dos mais importantes nomes da Soul contemporânea. Na Herdade dos Salgados, em Albufeira, Portugal, Seal deu um dos seus melhores concertos desta tourné, enchendo o recinto com cerca de 8 mil fãns.

Grandes músicas como, Kiss from a Rose ou Fly Like an Eagle fazem parte de uma carreira recheada de grandes êxitos do cantor e compositor britânico, que editou em 2008 o último álbum de originais, Soul.

V FESTIVAL TRIBAL, em constante crescimento

Teve lugar nos dias 24, 25 e 26 de Julho o V Festival Tribal, pelo terceiro ano consecutivo na Quinta da Bugueira, junto das Termas das Caldas da Felgueira, onde perto de 400 tendas de campistas festivaleiros e 1500 visitantes portugueses e estrangeiros acompanharam durante 3 dias este evento repleto de cultura e misticismo.

Como tem sido habito foi surpreendente a subida em número de campistas 3 dias. No ano 2008, teve perto de 200 residentes e em 2009 o valor aumentou para o dobro.
Mais uma vez a organização abriu inscrições para voluntários/colaboradores e todas as 30 vagas foram ocupadas, com pessoas vindas de norte a sul de Portugal, dando mostras de que este evento multicultural e já bem conhecido.

Com o nome do Festival Tribal a crescer todos os anos, a organização começa já a preparar 2010, tendo na forja diversos acordos, protocolos e parcerias agendadas, para a evolução sustentada do maior evento com entradas pagas, organizado e participado por entidades do Concelho de Nelas.


A Civilização Activa agradece o apoio e colaboração de todos os voluntários, colaboradores, entidades públicas e privadas, envolvidas neste projecto.


A Organização
Civilização Activa – Promoção de Actividades Culturais, Recreativas e Desportivas

Viseu Underground


Depois das grandes capitais europeias, Berlim, Paris, Madrid, Lisboa, chegou no passado dia 1 de Agosto a Viseu o evento do ano. Em pleno coração da cidade, com todas as condições de segurança e conforto, decorreu, no sub-solo do Centro Comercial Forum o Viseu Underground. Com toda a comodidade os noctívagos da Região Centro puderam estacionar a sua viatura nos pisos -1 e -2 e aceda ao piso -3 entrar num ambiente único e mágico. Muita animação, bons Dj`s, demonstração de Urban Culture, exposição de tunings, tatuagens, graffities, skaters, bailarinos de hiphop/freestyle, tornaram a noite de sabado bem especial e única.

Martinho da Vila | Allgarve 09



Martinho da Vila depressa se tornou um dos mais respeitados artistas Brasileiros. O seu primeiro álbum, lançado em 1969, intitulado Martinho da Vila, já demonstrava a extensão do seu talento como compositor e músico. Internacionalmente conhecido como sambista, com várias composições gravadas no exterior, Martinho da Vila é um legítimo representante da Música Popular Brasileira e compositor ecléctico, continuando a ser uma referência musical aos 71 anos. O show em Faro, Algarve, Portugal foi uma prova viva da multidão que cercava o estádio para assistir a mais um clássico da musica brasileira...
Reportagem de Bruno Rodrigues e Carlos Sousa

Flamenco



Quando falamos de Flamenco temos, obrigatoriamente, de mencionar a Andaluzia e a forte mescla cultural e musical que teve lugar em Espanha ate ao século XVIII. Árabes, Judeus, Hindus, Sírios e Persas são apontados por diversos historiadores como influenciadores no desenvolvimento do que viria a ser chamado de Flamenco.
A partir do século XV, e depois da reconquista cristã da Andaluzia pelo Reino de Castela, o que hoje é denominado de Flamenco, sofreu fortes influencias, desta vez, pelos romances de Castela, entre as quais as “coplas” e as “seguidillas”, que ainda hoje se podem identificar nas diferentes formas do Flamenco moderno.
Na mesma época, a chegada dos ciganos europeus, provavelmente oriundos do Egipto, também ajudou à gestação do que é hoje conhecido como uma forma de arte por excelência. Depois de se estabelecerem no Sul da Península Ibérica, este povo deparou-se com o folclore Andaluz, que, aparentemente, assimilou e transformou de acordo com as suas raízes culturais, mudando a face desse mesmo estilo.
Foi a partir do século XIX que o Flamenco começou a dar os primeiros passos como um estilo distinto que passou do campo para a cidade, onde cresceu à noite em pátios, bares e “ventorros”, iluminado por uma lâmpada de óleo. Depressa, os espectáculos passaram a ser apresentados, regularmente, nos cafés, sendo o café “Los Lombardos”, em Sevilha, apontado como um dos pioneiros.
“El Planeta” foi um dos primeiros cantores de Flamenco profissionais de que há memória e não podemos, também, deixar de referir outro nome que ficou intimamente ligado a divulgação do Flamenco. Silverio Franconetti que depois de dedicar toda a sua vida a esta arte como intérprete, acabou por ser um dos grandes promotores do Flamenco do século XIX, inaugurando o primeiro café cantante Flamenco.

Mas o que é o Flamenco?

A origem etimológica da palavra Flamenco não é de todo consensual, havendo diferentes teorias. Por exemplo, a quem aponte para o facto de ter a ver com os próprios animais com o mesmo nome, devido à sua elegância. Também há quem defenda que, devido ao facto de ser o estilo musical dos fellah-mengu (campesinos mouros sem terra), se denominou de Flamenco.
Ou por estar intimamente ligado a cultura cigana e aos ciganos, também chamados de “flamencos”, em Espanha.
O Flamenco originalmente era apenas cantado (cante), sem acompanhamento, sendo o tradicional acompanhado por uma guitarra (toque), palmas, sapateado e dança (baile).
Actualmente, foram introduzidos instrumentos tais como o “cajon” (caixa de repercussão), com o intuito de dar mais vida ao Flamenco.
Este estilo musical pode dividir-se em três categorias. A primeira denominada de “Jondo” que é a forma mais tradicional. O Clássico, acompanhada de novas técnicas para a guitarra e dança, que consiste numa forma mais moderna. E o Flamenco Contemporâneo que além de misturar o “Jondo” e o Clássico, também engloba o Jazz e Fusion.
O Flamenco passou de uma forma de arte um pouco marginalizada por parte da sociedade, devido as suas raízes, a um ícone da cultura espanhola.

Actualmente, podemos mencionar como mais populares e importantes autores do estilo Flamenco, Paco de Lúcia e Tomatito (guitarra), Camaron de la Isla, Nina Pastori, José Mercê, Rocio Marquez e Cármen Linares (cante), Ojos de Brujo (flamenco contemporâneo).

Entrevista com Alfredo Mesa (guitarra)

NRG: Fala-nos um pouco da historia do Flamenco na tua vida?

AM: Tudo começou com 7 anos numa “rondalla” (grupo musical), onde aprendi o folclore próprio da minha terra, tal como as “alboreas”, “cachuchas”, “la mosca” e o “fandango de Albaicin”. Pouco depois, juntei-me as “juventudes musicales”, onde aprendi a tocar guitarra a um nível elementar (4 anos), e nível médio (6 anos). No entanto, estes estudos foram realizados com uma guitarra clássica porque na altura ainda não existia a especialidade de guitarra flamenca no conservatório. Nesta altura conjugava concertos de flamenco com o gosto pela linguagem instrumental da guitarra.
Entretanto, em Córdoba, chegou finalmente a oportunidade de tirar uma licenciatura de guitarra flamenca, oportunidade essa que agarrei sem hesitar visto ser o que ambicionava há já bastante tempo.
Ou seja, se juntar todos estes anos de aprendizagem, levo já 14 anos só a estudar guitarra.

NRG: E o que significa para ti tocar e porque começaste?

AM: Para mim, Flamenco é uma forma de vida, é uma droga que me alimentará até ao dia da minha morte. É a música que me acompanha desde pequeno e que me seduz pelo seu ritmo, pela sua tonalidade e pelo seu selvagismo.
Quando comecei, era apenas um hobbie mas pouco a pouco tornou-se em algo mais. Desde pequeno, com cerca de 4 anos, costumava pedir pelas portas com um vizinho meu, eu com uma guitarra de plástico e o meu amigo com um acordeão. E pelo natal, sempre pedia uma guitarra como presente.

NRG: O que sentes quando tocas?

AM: Quando toco sinto um alivio tremendo, é como quando alguém tem algo para dizer e só descansa quando deita tudo cá para fora. Transporta-me a um lugar onde estou muito “agusto”. E, nesse lugar, tenho tudo o que necessito.

NRG: Quais as tuas influencias?

AM: As minha influencias são Paco de Lúcia, Manolo Sanlucar, Riqueni e, sobretudo, Camaron de la Isla.

NRG: Que projectos tens em mente?

AM: Como referi antes, acabo de me licenciar em guitarra flamenca, algo que desejava há muito tempo. De resto, tenho uma agenda repleta de concertos, não só em Espanha como também fora, nomeadamente em Portugal, e acima de tudo estar de bem com os meus, comigo mesmo e com os meus amigos. Tudo o resto é secundário.

Noite de Flamenco nos “Jardines de Zoraya”, em Granada

Baile: José Cortes “El Indio” e Judith Cabrera
Cante: Raul Sakay
Guitarra: Alfredo Mesa
Reportagem de Nuno Reis - nuno.reis@unitedphotopressworld.org

Linkin Park e Offspring actuam na 1.ª edição

A primeira edição do Festival Rock One vai decorrer no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, de 5 a 8 de Agosto, a partir das 17h00.
Durante quatro dias de pura emoção os visitantes poderão ouvir as suas bandas favoritas e desfrutar do melhor que um autódromo pode oferecer.
A inaugurar a primeira noite de música vão estar os portugueses Fonzie, seguidos da banda mais esperada da noite, os Linkin Park, Por último, os também portugueses Klepth e o britânico James Morrison.
Na segunda noite do evento, dia 6, sobem ao palco Mia Rose, Dub Inc, Os Pontos Negros e os britânicos Bloc Party.
No dia 7, será a vez da jovem portuguesa Ana Free, Björn Again, James e também The Waterboys.
Na última noite, dia 8, os concertos começam com a actuação das bandas nacionais The Doups e Tara Perdida, seguidos dos britânicos My Bloody Valentine e dos cabeças-de-cartaz, os americanos The Offspring.
No final de cada noite, estará ainda no Palco One (palco principal), um DJ de renome internacional, para garantir animação até ao nascer do sol.
O Autódromo Internacional do Algarve é o local ideal para acolher este novo conceito de viver a música e o desporto motorizado.
O passe para os quatro dias do festival custa 80 euros, enquanto que o bilhete diário custa 50 euros.

Al Di Meola World Sinfonia



Originário de Jersey City (EUA), onde nasceu em 22 de Julho de 1954, é um guitarrista virtuoso, tanto na guitarra eléctrica como na acústica. Trata-se de uma referência na música de fusão, seja com o jazz ou a world music, consequência provável do seu interesse por tradições musicais bem diversas.
Após uma passagem pela prestigiada Berklee School, integrou o mítico Return to Forever (Chick Corea, Stanley Clarke). A sua colaboração com os grandes nomes e a sua discografia são incontornáveis: de Larry Coryell a Jean-Luc Ponty, a Bireli Lagrène, a Stomu Yamashita, Aziza Mustafa ou Steve Winood. Quem não recorda, por exemplo, a associação com McLaughlin e Paco de Lucía?
Texto e Fotos: Carlos Sousa / Manuel Oliveira

Festival Al-Buhera abriu com Cesária Évora



A cantora cabo-verdiana Cesária Évora, abriu o Festival Al-Buhera, em Albufeira, no Algarve, actuando na Praça dos Pescadores, pelas 22h30, numa iniciativa inserida no programa “Albufeira Anima”, que até 27 de Setembro decorre nesta cidade de Portugal.
É a senhora das mornas, a diva dos pés descalços ou, simplesmente, a maior representante da música de Cabo Verde, e umas das maiores da world music. Regressou a Portugal para protagonizar o momento alto do festival Al-Buhera. Na bagagem veio o novo/velho "Rádio Mindelo", um trabalho que recupera algumas das primeiras canções de Cesária, na companhia do músico e compositor Gregório Gonçalves (quase metade das músicas aqui reunidas são da sua autoria). Os registos, feitos nos anos 60, recordam sessões organizadas pela Rádio Barlavento do Mindelo. A maior parte dos temas nunca tinha sido editada.Cesária Évora nasceu em 1941 no Mindelo, Cabo Verde. Rapidamente se tornou notada pela sua voz, mas a carreira como cantora profissional ainda tardaria. Uma associação de mulheres cabo-verdianas e o cantor Bana trouxeram-na diversas vezes a Lisboa para gravar, mas nenhuma destas gravações despertou a atenção dos produtores portugueses. Em 1988, um jovem francês de origem cabo-verdiana convidou-a a ir a Paris fazer um disco. Cesária tinha 47 anos. Não conhecia Paris e disse sim. Nesse mesmo ano, lançava o primeiro álbum "La Diva aux Pieds Nus". Nascia uma diva: Cize, como é carinhosamente conhecida em Cabo Verde.
Sob o lema “Encontro de Culturas”, o festival vai levar até Albufeira, entre hoje e domingo, um conjunto de iniciativas que, além da música, se traduzem em animações de rua, artesanato, mostras de gastronomia e visitas nocturnas a algumas igrejas da cidade. No que à música diz respeito, Cesária Évora foi a grande protagonista da primeira noite, com lotação esgotada do recinto, seguindo-se a actuação dos portugueses Kumpanhia Algazarra, na quinta-feira, dos brasileiros Natiruts, na sexta-feira, dos britânicos Aswad, no sábado, cabendo ao projecto “Amália Hoje” a responsabilidade de encerrar o festival no domingo.
O programa “Albufeira Anima”, onde se inclui o Festival Al-Buhera, teve início a 6 de Junho com um concerto de ópera, e termina a 27 de Setembro com as comemorações do Dia Mundial do Turismo. Com um investimento de 400 mil euros, o programa pretende animar os meses de Verão na cidade e levar até Albufeira um maior número de turistas.
Texto e Fotos: Carlos Sousa / Manuel Oliveira

FRANCESCO CAFISIO Allgarve Jazz 09



O Saxofonista alto, nascido a 24 de Maio de 1989 em Vittoria, Itália, superou todas as espectativas no 15ª festival de Jazz de Loulé. É já considerado um dos talentos mais precoces da história do jazz: - começou a partilhar o palco com músicos de craveira internacional aos nove anos de idade. Um dos mais prestigiados críticos, Ira Gitler, ficou surpreendido quando o ouviu tocar ao lado do veterano pianista Franco DAndrea, em 2002, no festival de Pescara (com 13 anos, portanto!). Um ano depois integrou o septeto de Winton Marsalis na sua tournée europeia. Seguiu-se uma estadia em Nova Orleans e Nova Iorque e, desde então, o trabalho ininterrupto com estrelas como James Williams, Ray Drummond, Bem Riley, Hank Jones, Mulgrew Miller, Joe Lovano, Lewis Nash, George Mraz e todos os grandes músicos italianos. Por outro lado, têmse sucedido os prémios: - Massimo Urbani, Eurojazz Award, Jazz Festivals Organization, World Saxophone Competition, New Stars Award ou o Django dOr. Recentemente, Francesco Cafiso terminou os estudos superiores de flauta e continua os de piano.
Texto e Fotos: Manuel Oliveira

Glenn Miller Orquestra no Allgarve Jazz


Como se de uma viagem temporal se tratasse, a Glenn Miller Orchestra conduziu o público do Centro de Congressos do Arade, em Portimão, rumo à época dourada do swing.
Nas últimas décadas, a orquestra actuou em grandes festivais e auditórios como: Festival de Jazz de Edimburgo, Festival de Jazz de Glasgow, Godiva Music Festival, Royal Festival Hall, Barbican Hall londrinense, Palacio de Versalles, Castelo de Windsor, etc.
Mas foi no passado 16 de Julho, com casa cheia, que o Allgarve Jazz brindou o auditório com clássicos intemporais como Moonligth serenade, In the mood e Chattanooga Choo Choo, entre outros. Numa noite memorável, o espectáculo foi marcado pela excelência dos cerca de 20 músicos, incluindo cantores e instrumentistas, e por uma constante interacção, requintada com graça, com a audiência. Arranjos elaborados em orquestrações doces e executadas meticulosamente comprovaram o virtuosismo da banda.
Os músicos ligam-se ao jazz do grande trombonista e compositor Glenn Miller, um prodígio do período do swing e líder de uma das mais históricas big bands norte-americanas. Após o seu enigmático desaparecimento, em 1944, o seu legado musical foi conservado por duas orquestras que lhe dedicam tributo oficialmente, sendo a Glenn Miller Orchestra a mais distinta. Embora alguns críticos afirmam que o contributo do jazz para a música da sua orquestra foi ténue, é indiscutível que sua sonoridade representa o paradigma da música popular do seu tempo.
Fundado no Reino Unido em 1989, a génese deste actual agrupamento deve-se a que, durante a II Guerra Mundial, Glenn Miller serviu o exército norte-americano baseado em Inglaterra, estabelecendo-se assim fortes vínculos com “a sua universal e sedutora música”. Desde então, a orquestra tem preservado a mesma formação sobre o palco que criou o grande músico norte-americano e seu repertório, que inclui mais de 200 temas muitos deles procedentes das partituras originais, entre as quais não podia faltar American Patrol e Tuxedo Junction. I’ve a Gal in Kalamazoo".
O actual maestro e director musical, Ray Mcvay, conta com uma longa trajectória profissional de cinco décadas, e é reconhecido como um dos grandes directores do panorama musical no Reino Unido. Tem sido também uma personagem popular na televisão britânica. Durante doze anos participou no programa Come Dancing, onde obteve uma dúzia de prémios pela sua dedicação ao mundo da dança, e conduziu o seu próprio programa de rádio, Monday, Monday, durante quatro anos.
A presença da Glenn Miller Orchestra que mantém viva a recordação do fabuloso músico norte-americano.
Finalizada, naquele serão, a travessia musical pelos tempos áureos das big bands, o maior festival de Jazz da região algarvia continua com outras propostas musicais como: o Quarteto de Francesco Cafis; Al Di Meola World Sinfonia; Chick Corea & Gary Burton Duets, e o trio composto por Mário Laginha, Bernardo Moreira e o baterista Alexandre Frazão.
Grandes músicos em grandes espectáculos.

Texto: Grethel Ceballos
Fotos: Carlos Sousa / Manuel Oliveira

Esperanza Spalding no Allgarve Jazz


O Concerto de Esperanza Spalding, a nova menina prodigio do jazz que teve lugar dia 10 de junho no Sitio das Fontes, inserido no ALLGARVE JAZZ esgotou a lotação e as atenções do público presente. Essa americana com ares de brasileira é realmente incrível. O seu repertório é baseado em um som de jazz super suingado, complexo, moderno, com toques de música brasileira (deve ser o sotaque brasileiro da banda, o guitarrista Ricardinho). Mas apesar de ela cantar muito bem, o que chama a atenção é sua performance como baixista/cantora: a garota de apenas 25 anos detona no baixo elétrico, mas é no acústico que ela realmente chama a atenção. Esperanza não é apenas talentosa; ela consegue transformar um objeto gigantesco que é um baixo acústico de dois metros em um instrumento sensual. Ela age como se tocar, para ela, fosse um verdadeiro ato de amor. Não posso deixar de mencionar a versão maravilhosa que ela fez de 'Wild is the Wind', que ficou famosa nas vozes de Nina Simone e, mais tarde, de David Bowie.
Em poucas palavras, poderíamos dizer que a biografia de Esperanza Spalding corresponde a uma geração de mulheres jazzistas castas: nunca foi presa por porte de drogas ou armas, não está envolvida com a máfia, não tem um amante que a espanca, não tem cinco filhos, não perdeu uma perna ou ficou cega nem, tampouco, passou qualquer temporada na Casa Correcional para Mulheres do Estado de Alderson. Segue assim uma dinastia que passa pelo piano de Diana Krall e pelo veludo na voz de Norah Jones - embora Madeleine Peyroux costume desaparecer meses e ser vista, maltrapilha, bêbada e sem rumo por algumas em ruas americanas.
Em poucas palavras, poderíamos dizer que a biografia de Esperanza Spalding corresponde a uma geração de mulheres jazzistas castas: nunca foi presa por porte de drogas ou armas, não está envolvida com a máfia, não tem um amante que a espanca, não tem cinco filhos, não perdeu uma perna ou ficou cega nem, tampouco, passou qualquer temporada na Casa Correcional para Mulheres do Estado de Alderson. Segue assim uma dinastia que passa pelo piano de Diana Krall e pelo veludo na voz de Norah Jones - embora Madeleine Peyroux costume desaparecer meses e ser vista, maltrapilha, bêbada e sem rumo por algumas em ruas americanas.

Sua história não é, entretanto, pouco bizarra. Tomemos simples eventos: aos quatro anos de idade Esperanza começou a tocar o violino e aos cinco integrava a Sociedade de Música de Câmara de Oregon e aos dez era compositora do grupo, desfilando canções que versavam a respeito de brinquedos e pick-ups vermelhas, seu universo visto dali, sem os arrebatamentos do amor que só conheceria mais tarde.

A pequena Esperanza detestava estudar. Pior do que isso, na adolescência ganhara bolsa de estudos numa escola local bastante privilegiada: aquilo foi horrível! eu odiei, por isso nunca ia, ela conta. Sentava-se na cadeira para assistir a professora e a mente começava a vaguear sabe-se lá por onde. Foi num desses momentos vue d'esprit que entediou-se com um violino e saiu pela sala indo encontrar um baixo acústico que abraçou e imediatamente, a moldes Sidarta, começou uma série de improvisações. Só não cabulava as classes de música; a mãe teve de lhe ensinar coisas da escrita e da leitura em casa ou Esperanza não conseguiria acompanhar o ensino formal junto com os meninos e meninas da sua idade.

Não se sabe se é possível dizer que essa perseverante mãe teve sucesso, para Esperanza Spalding, aos quinze anos, o ensino formal já não fazia mais sentido; ela fora promovida concertista mestre daquela mesma sociedade de música da câmara e estreou num clube de blues como crooner numa banda formada por músicos dos anos 50. Ao final da apresentação, um dos veteranos chamou-a lá fora e perguntou se ela não queria seguir com eles para ver se “assim aprendia realmente tocar alguma coisa”. A senhora Spalding teve de se conformar quando a filha, no ano seguinte, resolveu largar a escola e quem ficou desesperado mesmo foi seu professor de baixo que insistia pra que Esperanza enviasse seu histórico para Berklee, o que fez quase a contra gosto.
Ela foi aprovada. Ela conseguiu uma bolsa de estudos integral. Ela não tinha dinheiro para manter-se em Boston.
Sugeriram –lhe que fizesse um concerto beneficente mas eu não tinha um ego suficiente isso... fiquei tipo não, não, não . Tudo bem, a essa altura, nossa personagem já mereceria uma título beatífico então, pelo mínimo, seus amigos e fãs angariaram secretamente mil dólares, uma boa quantia que já pagava uns aluguéis em Boston. Mas para os virtuosos nada é fácil e, na nova cidade, Esperanza Spalding agora tinha de andar duas milhas com o baixo às costas para chegar na estação de trem e, de lá na universidade; sorte que estava muito excitada com os acontecimentos, ou desistiria. Veio o inverno ela se viu afundada na neve com o instrumento, foi quando a excitação passou.
Voltaria para Portland? Estava em vias disso, ainda mais porque nunca mesmo gostara de colégio, principalmente daquele em que os alunos viviam competindo entre si: e então você descobre esses lugares dentro de si em que voce é vulnerável onde nunca havia sido antes, diz sobre aquele primeiro semestre. Todavia, ficava por teimosia incompreensível o que lhe rendeu frutos, como já podíamos esperar. A academia lhe trouxe conhecimentos e, como Esperanza era considerada a aluna mais talentosa de sua turma, ganhando consecutivas premiações institucionais e, três anos depois tornou-se a professora mais jovem na história da Universidade de Berkley; o prodígio confirmara-se.
Junjo, de 2006 é seu álbum de estréia, basicamente instrumental em que ousa em algumas composições. Esperanza também canta, canta ao baixo e com ele dança em expressões nada menos que sensuais. Seu último disco, e aponta para o impactante disco de 2008 “Esperanza” em que passeia por fusões do jazz contemporâneo que flerta com a MPB e a música latina – seus idiomas: inglês, castellano e português.

FESTIVAL MED 2009 DE CASA CHEIA



A sexta edição do Festival MED, uma organização da Câmara Municipal de Loulé, teve a maior adesão de sempre, com 24 mil pessoas a visitarem o recinto nos cinco dias em que decorreu o evento.

Com uma média diária de quase cinco mil pessoas, foi atingido o objectivo de apresentar propostas diversificadas e de qualidade, para todas as idades, sendo o balanço final considerado muito positivo pela organização do Festival MED.

De acordo com Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé, “o Festival MED já é incontestavelmente uma marca da região, tendo garantido uma posição de referência na oferta cultural nacional e internacional, enquanto festival de world music. Consideramos, por isso, que cumprimos o objectivo a que nos propusemos, não só junto dos louletanos, como de todos os que nos visitaram nestes cinco dias intensos de festival”.

Com uma produção que envolveu mais de 1200 elementos acreditados, entre equipas técnicas, artistas, produção, logística, comunicação social, entre outros, esta foi a edição mais exigente e ambiciosa de sempre. No entanto, a opinião é consensual: o MED 2009 foi um sucesso.