Leilão promete parar Paris


Picasso, Matisse, Mondrian e Yves Saint Laurent são artistas de áreas bem diferentes mas que vão se misturar nesta segunda-feira (23/02), data do leilão mais esperado de muitos anos em Paris, na Grand Palais. Depois da morte do estilista francês, ocorrida no ano passado, o seu companheiro, Pierre Bergé decidiu colocar a venda todo o espólio reunido pelos dois durante mais de 50 anos de vida em comum.

Em Paris não se fala em outra coisa, e o termo mais usado é "venda do século". São 733 obras de arte que abrangem telas de Picasso, Brancusi, Matisse e Mondrian, esculturas, móveis Art Déco, tapeçarias e outros itens num valor total que pode chegar a até 300 milhões de euros. Os objetos, em exposição para o grande público durante o final de semana, serão leiloados em sessão fechada já esgotada para 1200 colecionadores.


Até o governo da China se manifestou, exigindo que duas esculturas em broze sejam devolvidas à China de onde teriam sido roubadas durante a Guerra do Ópio, por tropas franco-britânicas, durante saques. A Associação para a Proteção da Arte Chinesa na Europa pede na Justiça que o leilão seja suspenso o que pode acontecer pouco antes de seu início.


A direção da Christie´s já anuncou que toda a coleção Bergé-Saint Laurent está dentro das normas internacionais e que os proprietários adquiriu as peças legalmente. Por outro lado, Pierre Bergé assumiu que doaria as duas peças de bronze caso o governo chinês passasse a respeitar os Direitos Humanos, saísse do Tibete e aceitasse o Dalai Lama em seu território. "Trata-se de uma chantagem e eu assumo", reconhece o companheiro de Yves Saint Laurent.


"Significado"


Apesar de parecer estranha, a decisão do companheiro de Yves Saint Laurent tem a sua razão de ser. De acordo com Pierre Bergé, depois da morte do estilista "a coleção perdeu uma grande parte do seu significado" e por isso coloca tudo a venda sem arrependimento. Aliás, não tudo, já que Bergé ficou com apenas uma peça, que não é a mais valiosa nem necessariamente a mais bela: trata-se da primeira escultura que comprou em conjunto com Saint Laurent, em 1965. No entanto, para o empresário Pierre Bergé, o catálogo do leilão, que reúne em dez quilos todo um trabalho de 50 anos de pesquisa e de compras, é a principal lembrança do seu feito com o famoso estilista.


Na última sexta-feira (20/02), uma tapeçaria de Burne-Jones do lote 93 estimada em cerca de 500 mil euros, foi retirada do leilão e oferecida por Bergé ao Musée d´Orsay em Paris. Coisa pequena para um evento que pode atrair até 500 milhões de euros e trouxe os maiores negociantes de arte do mundo para a capital francesa.


O dinheiro arrecadado com a venda vai para a Fundação Bergé-Saint Laurent e para pesquisa médica contra a Aids.

Coleção de arte de Yves Saint Laurent vai a leilão em Paris

A vasta coleção de móveis, obras de arte, antiguidades e objetos raros do estilista francês Yves Saint Laurent, morto em junho passado, será leiloada na semana que vem em Paris.

A coleção Yves Saint Laurent

Yves Saint Laurent criou em sua casa um 'gabinete de curiosidades' para abrigar peças de sua coleção. O buda que decora o local é da dinastia Ming. A coleção, que será leiloada pela Christie's, foi estimada entre 200 e 300 milhões de euros.

"Se o leilão ultrapassar 200 milhões de euros, será a maior venda de uma coleção unitária já realizada até hoje", afirmou François Curiel, presidente da Christie's na Europa.

Durante cerca de 40 anos, Yves Saint Laurent e seu companheiro, Pierre Bergé - co-fundador e ex-presidente da famosa grife que leva o nome do estilista - reuniram peças que poderiam estar expostas em coleções de museus.

Ao todo, serão leiloados em Paris 733 obras, entre quadros de arte moderna e pinturas do século 19, móveis art déco raros, bronzes barrocos, pratarias dos séculos 16 e 17, antiguidades arqueológicas, arte asiática e outros objetos preciosos.

A grande maioria das obras da coleção abrange seis séculos de história da arte. É justamente essa mistura de épocas e estilos e a importância de muitas obras, além do excelente estado de conservação, que caracterizam a coleção, tida como excepcional.

Especialistas do mercado de arte estimam que é praticamente impossível refazer uma coleção pessoal desse porte nos dias de hoje.

Peças famosas

Entre os quadros estão telas de Picasso, Matisse, Mondrian, Goya, e De Chirico.

O leilão será realizado no prestigioso museu do Grand Palais, em Paris. Só os cenários montados para apresentar os lotes de peças custaram 1 milhão de euros.

A coleção de Yves Saint Laurent também inclui antiguidades, como um sarcófago egípcio do século 4 a.C. e um torso de mármore romano datado dos séculos 1 e 2, que decorava a majestosa entrada do apartamento de Saint Laurent, na rue Babylone, em Paris.

Entre as obras a serem colocadas sob o martelo estão duas raríssimas esculturas de bronze chinesas - de uma cabeça de coelho e outra de rato, da dinastia Qing (século 18) - que foram alvo de grande polêmica depois que o governo chinês exigiu sua devolução.

O catálogo do leilão reúne cinco volumes que, ao todo, pesam 10 quilos e têm 1,8 mil páginas. Para produzir os 7 mil exemplares, que custam 200 euros cada, foram gastos 1,6 milhão de euros.

Segundo Pierre Bergé, a renda obtida com a venda será utilizada para criar uma fundação de pesquisas sobre Aids e outras doenças.

A coleção ficará aberta ao público no Grand Palais, em Paris, entre o próximo sábado e o dia 23 de Março de 2009, data do início do leilão.

Academia francesa de artes distingue Fernando Ruas

O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, recebe em Maio a medalha de ouro da Société Académique des Arts, Sciences et Lettres (França), que distingue figuras que se evidenciem nos campos das artes, ciências e letras. A Autarquia de Viseu foi esta quinta-feira informada que o galardão máximo vai ser atribuído ao presidente, a 10 de Maio, em Paris.
Fundada em 1915, a academia francesa distingue personalidades de todas as nacionalidades, que se tenham destacado no âmbito das artes (pintura, escultura, música, arquitectura, entre outras); ciências (medicina, física, biologia, entre outras; e letras (escritores, historiadores, entre outros).
Fernando Ruas é "o primeiro português a ser galardoado com a medalha de ouro" da Académique des Arts, Sciences et Lettres, que já distinguiu os cantores Mariza e Rui Veloso com a medalha vermelha. O autarca de Viseu, que é também o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, mostrou-se "surpreendido" com a distinção.
"Não estava à espera. Fiquei espantado, porque este é um prémio que já foi entregue várias figuras, de diferentes campos, entre as quais consta Marie Curie, que para mim é uma figura mítica", considerou. O autarca recordou que recentemente foi "distinguido por uma universidade polaca, juntamente com o Instituto Camões, com um galardão pelo contributo para a dinamização da Língua Portuguesa".
"Não sei se isto terá alguma ligação e se as pessoas tiveram conhecimento deste galardão. É possível que as instituições falem umas com as outras", acrescentou.
A medalha de ouro será entregue em França, onde refere já ter "recebido alguns mimos".

Heimo Zobernig

Projectos do artista austríaco são colocados em diálogo com obras da colecção do CAM e peças da colecção da Tate St. Ives. Até 24 de Maio no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Feita em parceria com a Tate St. Ives, a exposição apresenta obras produzidas nos últimos 25 anos por Heimo Zobernig (n.1958, Mauthen), que utiliza escultura, vídeo, pintura, instalação, intervenção arquitectónica e performance, e que tem vindo a desenvolver o seu trabalho desde os anos 80. É um dos mais significativos artistas europeus a trabalhar na actualidade.
Mas os projectos apresentados não serão expostos "sozinhos", o artista escolheu obras de referência pertencentes a duas colecções - do próprio Centro de Arte Contemporânea e da Tate St.Ives - para alinharem com as suas. O comissário da exposição é Jürgen Bock, alemão radicado em Portugal há vários anos.

Exposição em Berlim foca viés político na arte minimalista


Mostra "Political/Minimal", no Kunst-Werke – Instituto de Arte Contemporânea – de Berlim, traz obras que se apropriam do vocabulário estético minimalista para apontar discretamente as feridas da sociedade contemporânea.

Distantes da máxima cunhada por Frank Stella (What you see is what you see / O que você vê é o que você vê), que serviu de guia para a minimal art dos anos 1960, as 32 obras expostas em Berlim fazem uso de formas geométricas, abstratas e reduzidas "ao mínimo". O propósito, contudo, difere essencialmente daquele dos artistas que se negavam a qualquer compromisso político ou relação direta com a realidade.

Esse "pós-minimalismo" não está isento de uma carga política, já que as obras em questão se referem à miséria, exclusão e discriminação. O curador Klaus Biesenbach (um dos fundadores do espaço Kunst-Werke e atualmente curador do MoMA em Nova York), fez questão de reunir trabalhos que optam pelo formalismo para embrulhar um teor político.

Ou que fazem uso de uma linguagem não tradicionalmente narrativa para contar, por exemplo, as mazelas sofridas pelas vítimas do genocídio em Ruanda, como na obra de Alfredo Jaar. Ou para criticar o papel delegado à mulher na sociedade, como nos quadros de ferro esmaltados nas cores azul, rosa e amarelo (Rosemarie Trockel), que sustentam enormes trempes de um fogão elétrico.

'Sem Título', obra da alemã Rosemarie Trockel (1992)

Bildunterschrift: 'Sem Título', obra da alemã Rosemarie Trockel (1992)

Os contextos a que essas obras se referem são os mais variados, indo desde o amontoado de papéis brancos que leva o nome de Sem Título (Passaporte), do já falecido Felix Gonzales Torres, até os desmembrados tanques de guerra, usados para o tráfico de combustível na fronteira turco-iraquiana e que compõem o trabalho do coletivo turco xurban_collective.

No caso de várias obras, a associação "política" só se torna possível a partir de uma análise do título ou de uma explicação do artista a respeito do processo de constituição da obra. À primeira vista estéreis e limpos, esses trabalhos só permitem uma leitura mais precisa numa segunda abordagem.

Como no caso de Enterro (1999), da mexicana Teresa Margolles: uma escultura de cimento que guarda os restos mortais de um feto. Algo que o observador só percebe, ou melhor, só "fica sabendo" ao ler a explicação da própria artista: impossibilitados de pagar o enterro da criança nascida morta, seus familiares doaram à Margolles o feto, para que sua escultura servisse pelo menos de memorial à mais essa vítima da pobreza e miséria.

O branco asséptico que remete à lama

Nos trabalhos expostos, percebe-se, de toda forma, a suspensão da dicotomia political x minimal, num contexto em que um cubo asséptico e branco pode sem problemas remeter à podridão, à lama e à violência. Essa reordenação do conceito de minimal art fica também clara nas milhares de moscas mortas coladas por Damien Hirst numa tela que está dependurada "como uma pintura" nas paredes do Kunst-Werke. Ou no trabalho de Taryn Simon, em que o rosto de Bill Gates pode, a duras penas, ser identificado num quadrado negro que lembra o cubo de Kasimir Malewitsch.

'Sphères 2' (2006), de Adel Abdessemed: arame farpado fala por si

Bildunterschrift: 'Sphères 2' (2006), de Adel Abdessemed: arame farpado fala por si

É possível falar até de um aprisionamento do político pela geometria minimalista, embora o discreto charme dessas 32 obras esteja exatamente nesse limiar entre o estético e o político, nesse mecanismo de subenteder e sugerir, sem, contudo, agredir ou ser demasiado explícito.

Além do papel empilhado Sem Título (Passaporte) de Felix Gonzales Torres, outro dos trabalhos mais contundentes é o arame farpado do argelino Abel Abdessemeds, que esconde, por detrás de uma estrutura reluzente e redonda, a realidade cruel das zonas fronteiriças e dos campos de prisioneiros espalhados pelo mundo.

Não à ditadura da eficiência

Entre as poucas obras que utilizam vídeos ou pelo menos projeções nessa exposição que não dá lugar a excessos, está Blue (1993), do também já falecido Derek Jarman. Depois de ter ficado cego em consequência de enfermidades acarretadas pela aids, o artista britânico usou seus próprios offs pessoais sobre seu estado emocional naquele momento, ouvidos sobre a "eterna" projeção de uma superfície azul.

E o eficaz Paradox of Praxis (1997), do belga Francis Alÿs, que empurra lentamente, durante horas, um bloco de gelo pelas ruas da Cidade do México, até não sobrar mais nada além de uma pequena poça d' água. "Às vezes, fazer alguma coisa não leva a nada", diz lacônico o texto que acompanha a performance. Com sua sutil e "mínima" alfinetada na apologia ocidental da eficiência, o artista adiciona o político a seu minimalismo. Sem grandes tempestades, só com uma pequena poça d'água.

Há 20 anos, o mundo perdia Salvador Dalí

Ícone do surrealismo, o artista catalão é uma das maiores autoridades da arte contemporânea. Para marcar duas décadas de sua morte, o museu que leva seu nome faz exposição especial.



"Sou o surrealismo", dizia Salvador Dalí. Egocêntrico, excêntrico, rebelde e provocador, o artista foi um dos expoentes mundiais da arte contemporânea. Na manhã do dia 23 de fevereiro de 1989, morria o homem que, acima de qualquer coisa, tentou – e conseguiu com grande êxito – nunca passar despercebido. Dalí tinha 84 anos e já fazia parte da história universal quando faleceu, há 20 anos, no hospital de sua cidade natal, Figueras, na Espanha.


Para marcar o aniversário de sua morte, o Museu Dalí de Figueras expõe até o dia 18 de março uma das obras mais emblemáticas do artista catalão: A persistência da memória, pintada em 1931, quando Dalí tinha 27 anos. Popularmente conhecido como Os relógios moles, o quadro em que esses objetos parecem derreter-se foi cedido pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma).


'A persistência da memória', uma das mais emblemáticas obras de Dalí

Bildunterschrift: 'A persistência da memória', uma das mais emblemáticas obras de Dalí"Por que os relógios são moles?", perguntaram certa vez a Dalí, em referência à obra, considerada um ícone do surrealismo. "O importante não é que sejam duros ou moles, e sim que marquem a hora exata", respondeu.


Legado


Para a história, ficou a vida de um homem que alguns consideram um gênio, e outros, um artista extravagante. No entanto, duas décadas depois, seu legado e sua lembrança se mantêm, graças a entidades como a Fundação Gala-Salvador Dalí e sua Casa-Museu, em Port Ligat, o Teatro-Museu de Figueras, onde está enterrado, e a Casa-Museu Castelo Gala-Dalí, em Púbol, onde o artista se recolheu depois da morte de sua musa e companheira, em 1982.


Atualmente, novos títulos presentes nas livrarias lembram o autor. Entre eles ¿Por qué se ataca a la Gioconda? (Por que ataca-se a Monalisa?), uma compilação de textos que Dalí escreveu entre 1927 e 1978, e que publicou na revista francesa Oui. A mesma editora, Siruela, pôs também no mercado outras duas outras obras em sua homenagem: El camino de Dalí (O caminho de Dalí), de Ignacio Gomez de Liaño, e El fenômeno del éxtasis (O fenômeno do êxtase), de Juan José Lahuerta.


Menino mimado


Nascido em 11 de maio de 1904 em Figueras, Dalí nunca foi uma criança comum. "Quando tinha seis anos de idade, eu queria ser cozinheiro e aos sete, Napoleão. Desde então, minha ambição foi aumentando sem parar", escreveu no prólogo de Vida secreta. A morte de um irmão ao qual nunca conheceu e que tinha o mesmo nome, fez com que seus pais o educassem como um menino mimado, consentindo todos os seus caprichos e o superprotegendo.


A obra 'Metamorfose de Narciso'

Bildunterschrift: A obra 'Metamorfose de Narciso'


Descobriu a pintura quase por casualidade, na casa de amigos da família. Sem técnica alguma, começou a pintar quadros com óleo e aquarela, surpreendendo aos que viam seu trabalho.


Seu caráter rebelde fez com que fosse expulso de todos os centros de ensino nos quais se matriculou, entre eles a Academia Real de Belas Artes de São Fernando, em Madri, onde foi matriculado pelo pai, como condição para que pudesse ser pintor.


García Lorca e Buñuel


Sua estadia na capital espanhola marcou sua vida. Ali, experimentou o cubismo e o dadaísmo, e conheceu o poeta Federico García Lorca e o diretor Luis Buñuel, dos quais se tornou amigo íntimo na residência de estudantes. Com Buñuel, realizou os filmes surrealistas Un chien andalou (Um cão andaluz) e L'Âge d'or (A idade de ouro).


Dalí não se dedicou somente à pintura. Sua obra abrange também o cinema, a escultura, o desenho e a escrita. Sua primeira exposição individual de pintura aconteceu em 1925, em Barcelona. Com este acontecimento, Dalí conseguiu chamar a atenção de dois grandes artistas, Pablo Picasso e Joan Miró. Um ano depois, encontrou Picasso em Paris. "Arte somos Picasso e eu", chegou a manifestar.


A imagem estrambótica de Dalí com cabelos compridos e costeletas, vestido com casaco, meias e bombacha, é mundialmente conhecida. "Sabia vender melhor ele mesmo do que sua obra. Foi um ícone da cultura de massa", segundo Javier Pérez Andújar, um de seus biógrafos. "Era um grande pintor, mas não um gênio" e acabou convertendo-se em um "showman obcecado", opina o hispanista irlandês Ian Gibson.


Dalí e sua musa, Gala Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Dalí e sua musa, Gala

Depois de sua passagem por Paris, onde se integrou no círculo surrealista e se casou com Gala, a musa e companheira com a qual esteve até sua morte - apesar da infidelidade e das manias de ambos - Dalí foi aos Estados Unidos, forçado a deixar a França, em 1940, com o avanço das tropas alemãs. Regressou à Espanha oito anos depois.


Polêmico


Anticomunista radical, apesar de ter circulado pela esquerda em sua juventude, era acusado por alguns de direitista. Contudo, há especialistas que afirmam que Dalí teria sido um oportunista, que utilizou o direitismo para fazer com que o ditador espanhol Francisco Franco lhe deixasse trabalhar em paz.


Outra sombra que ronda a sua figura é atração desmedida que tinha pelo dinheiro. De fato, seus últimos anos estiveram mais marcados pela comercialização de sua obra do que pela inovação da mesma.


Os trabalhos de Dalí se converteram em um negócio mundial, assim como suas falsificações. Dalí se importava tanto com estas cópias ilegítimas que, inclusive, favoreceu suas produções, assinando folhas em branco. Na imitação de sua obra, via uma prova de sua grandeza.

Britânico cria escultura de família Obama em buraco de agulha


Um artista britânico criou uma escultura minúscula da família do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no buraco de uma agulha, para marcar a sua posse. Willard Wigan, da cidade de Birmingham, no norte da Inglaterra, realiza esculpe entre batimentos cardíacos para evitar que a mão trema na hora de moldar e pintar seus personagens. Seu trabalho costuma ser visível apenas através de uma lupa ou microscópio. Ele usa uma lâmina cirúrgica para esculpir em grãos de arroz, fibra de carbono, ouro e nylon.


Wigan usou o pelo de uma mosca morta como pincel para colorir a família americana - Barack, Michelle e suas filhas Malia e Sasha. O artista passou meses criando a peça e disse esperar que ela ainda seja exibida na Casa Branca. "Eu sabia que tinha que fazer uma homenagem nesta grande ocasião", disse o artista. "Isto é algo que eu nunca achei que veria em minha vida", acrescentou Wigan, que é negro. No passado, ele criou esculturas de Elvis Presley, de Branca de Neve e da Última Ceia, com os doze discípulos.

Burle Marx: Um grande amante da arte

Para o amigo inglês Laurence Fleming, autor do livro Roberto Burle Marx, um retrato, o paisagista era a cara do físico Albert Einstein. Quem vê a fotografia do homem de fartos cabelos grisalhos, de bigode e óculos não tarda a compará-lo ao escritor baiano Jorge Amado. Mesmo que as aparências enganem, o certo é que, para quem o conheceu pessoalmente, era um homem de personalidade forte, comunicativo, ao mesmo tempo alegre e sério. Considerado o “pai do paisagismo moderno”, foi ainda desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor e pesquisador, entre outras atividades. Burle Marx nasceu em São Paulo, em 4 de agosto de 1909. Era o quarto filho da pernambucana Cecília Burle, exímia pianista, e do alemão Wilhelm Marx, dono de um curtume, homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia. Desde cedo, o menino demonstrou afeto pelos jardins, ao acompanhar Cecília no trato diário de rosas, begônias, antúrios e outras flores dos canteiros da casa. Em 1913, a família se mudou para o Rio de Janeiro. De 1928 a 1929, ele estudou pintura na Alemanha, tendo sido frequentador assíduo do Jardim Botânico de Berlim, onde descobriu, nas estufas, a flora brasileira. Em 1949, com a compra do sítio de 365 mil metros quadrados em Barra de Guaratiba – em 1985, propriedade e acervo foram doados ao governo federal –, Burle Marx organizou uma grande coleção de plantas. Em 1955, fundou a empresa Burle Marx & Cia. Ltda., que cuida de todo o seu legado (projetos paisagísticos), e é dirigida pelo ex-sócio e amigo de quase 30 anos, o arquiteto Haruyoshi Ono. Marx morreu em 4 de junho de 1994, no Rio, vítima de câncer no estômago. Entre seus principais projetos paisagísticos estão ainda o do Parque do Ibirapuera (SP), o do Museu de Arte Moderna (RJ), o Eixo Monumental de Brasília (DF) e o projeto da Embaixada do Brasil em Washington (EUA).

Quadros de Matisse e Picasso são roubados em Berlim

Uma exposição de arte em Berlim foi totalmente saqueada durante festas de réveillon na virada de 2008 para 2009. Mais de 30 obras foram roubadas, com o prejuízo chegando a 180 mil euros (aproximadamente R$ 600 mil), segundo estimativas da polícia local. A galeria é de arte privada e tinha 25 quadros de pinturas, gravuras e desenhos de artistas como Pablo Picasso e Henri Matisse. Também havia esculturas do alemão Richard Hess. O arrombamento ocorreu durante a noite de réveillon mas somente na tarde da quinta-feira (1º) a proprietária do estabelecimento, Ulrike Erben, percebeu o fato e alertou a polícia. Os ladrões entraram, aparentemente, por uma entrada nos fundos. A polícia acredita que pelo menos duas pessoas foram necessárias para efetuar o roubo. Oito esculturas foram levadas, uma delas chegando a pesar 50kg. Segundo Erben, os quadros foram em grande parte arrancados das moldutas, deixando muito vidro quebrado na região. Para a polícia de Berlim, este é o maior furto em uma galeria de arte nos últimos anos.

A Arte Possível em Portugal

A 8.ª edição da Arte Lisboa, a decorrer até amanhã, poderá ficar marcada como a feira da crise. Espera-se que não e que os resultados contrariem as visões mais pessimistas. Crise à parte, resta ir à FIL (Parque das Nações) e ver o que os artistas fazem.

Acontece todos os anos e tem tentado afirmar-se como a plataforma principal do negócio da arte contemporânea em Portugal. A maioria das galerias portuguesas tem mantido a sua presença porque, para uns, trata-se da principal feira em que participam e, para as galerias com currículo internacional, de uma comparência motivada pela esperança de que um dia a feira de Lisboa atinja uma dimensão mais apetecível e dinâmica.Em traços gerais, pode dizer-se que esta edição da feira não traz grandes novidades, o modelo é o possível para Portugal e em termos internos não se pode fazer mais: estão lá quase todas as galerias e quase todos os artistas representativos da "cena" da arte portuguesa têm trabalhos expostos. O crescimento, a acontecer, terá de vir do exterior através da criação de uma rede internacional que traga a Lisboa artistas, galerias, curadores, coleccionadores e críticos cuja presença legitime e afirme esta feira além- -fronteiras. Como é normal neste tipo de acontecimentos, a Arte Lisboa é um lugar de confusão:


boas obras misturam-se com más obras, o silêncio com o ruído, os bons artistas com os maus artistas. No entanto, é possível ter encontros felizes com autores e trabalhos que resistem à diluição na massa indistinta em que normalmente caem as obras quando mostradas neste tipo de contexto.O ambiente desta feira é, em clara oposição ao que acontecia no início desta década, em que o vídeo e o som enchiam de ruído a totalidade do recinto, mais calmo e tranquilo. Nota-se um forte regresso da pintura e da escultura e uma consolidação da fotografia como meio artístico privilegiado, e a exuberância passada parece estar a dar lugar a uma certa contenção e sobriedade. Uma transformação que não é fruto da escassez de meios, mas da necessidade dos artistas em afirmar o seu trabalho não como entretimento mas enquanto formas pertinentes de pensar as diferentes disciplinas e dinâmicas culturais.


No que toca aos project rooms, este ano da responsabilidade do curador espanhol Paco Barragán com o título "Pintura e outras histórias", o panorama não é nada animador. Ao contrário do que acontecia na edição passada, este ano as propostas individuais dos artistas, à excepção da performance da dupla Sara e André, não são surpreendentes, não acrescentam nada ao debate sobre a pintura na contemporaneidade.A visita à feira é é uma mais-valia sobretudo como forma de desco-berta de trabalhos de artistas que de outra forma não se poderiam encontrar. Fica a vontade de que fos- se melhor, maior e com maiores consequências nas dinâmicas de mercado.

Britânico ganha Prêmio Turner de Arte Contemporânea

O artista britânico Mark Leckey conquistou o Prêmio Turner, uma das distinções mais valorizadas - e também mais polêmicas - da Arte Contemporânea, conforme anunciado em cerimônia no Tate Museum de Londres, nesta segunda-feira. Leckey, de 44 anos, único homem entre os quatro finalistas, ganhou o prêmio de 25.000 libras (37.000 dólares), ao qual foi indicado por sua obra "Industrial Light & Magic", que combina cinema, som e escultura.

O júri destacou seu trabalho com a imagem, especialmente desenhos animados e curtas-metragens, nos quais aparecem alguns dos mais populares personagens do mundo dos quadrinhos e da animação, como Homer Simpson, o gato Félix e Garfield. Em nota, os jurados saudaram "a natureza inteligente, enérgica e sedutora de seu trabalho". Esse prêmio anual criado em 1984 está aberto a artistas com menos de 50 anos que tenham nascido, trabalhem, ou morem na Grã-Bretanha e que tenham exposto sua obra nos últimos meses.

Sempre acompanhado de polêmicas - e, às vezes, de escândalos -, o Turner Prize contribuiu para consolidar Londres como uma das capitais mundiais da Arte Contemporânea.Nessa edição, o júri independente, que muda todos os anos, selecionou obras que misturam filmes, escultura, vídeos e performances, relegando completamente a pintura, o que gerou um grande rebuliço. Completam a lista de finalistas a britânica Cathy Wilkes, a polonesa Goshka Macuga e Runa Islam, nascida em Bangladesh.

Mais público na ARTE|Lisboa’08

Até ao final do dia, atingimos 17 500 visitantes, ou seja, sensivelmente o mesmo que no ano passado, mas com mais público e menos convidados", disse ao KULTURIART - Ivânia Gallo, directora da ARTE Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, cuja oitava edição terminou ontem na FIL, Parque Expo.

Em tempos de crise, os coleccionadores retraem-se, mas o público, esse, tem cada vez mais interesse por uma feira onde há de tudo: desde pintura a fotografia, vídeo, instalação, escultura ou graffiti. E entre peças de cento e poucos euros ou um quadro de Paula Rêgo, de 850 mil, há artigos para todas as bolsas. Daí que este ano tenha havido um acréscimo de 11 por cento de visitantes ‘não profissionais’ da área.

Por isso – e apesar de não ter conseguido alcançar a desejada meta dos 20 mil visitantes – Ivânia Gallo diz-se satisfeita com a "melhor edição de sempre da ARTE Lisboa". "Há unanimidade sobre a qualidade das obras que estão expostas", diz, "que justifica que se tenham realizado 200 mil euros em vendas institucionais." Ou seja, as aquisições efectuadas por empresas, por intermédio da organização da Feira.

Quanto às restantes – as que são directamente acordadas entre compradores e galerias – o número será sempre uma incógnita. "As galerias não revelam as verbas dos seus negócios", explica. "A crise sente-se na forma como se compra. Fazem--se mais contas e compra-se menos por impulso. Como em tudo."

Grupo Würth vai criar museu de arte moderna e contemporânea em Sintra em 2010

O grupo multinacional Würth vai criar um museu de arte moderna e contemporânea em Sintra, junto à sede da representação da empresa em Portugal, prevendo arrancar com as obras do projecto no segundo semestre de 2010. Manuela dos Santos, directora-geral da Würth Portugal, disse hoje em Logroño, que o projecto do museu foi aprovado em 2006 pela empresa-mãe alemã e representará um investimento de três milhões de euros na construção e equipamento. O grupo empresarial possui dois museus na Alemanha, um em França e outro em Espanha, em Logroño - o Museu Würth La Rioja - criado há um ano, onde inaugurou em Maio a exposição do artista português José de Guimarães "Mundos, Corpo e Alma", com uma retrospectiva dos últimos trinta 30 anos do seu trabalho, e parte da colecção pessoal de arte tribal africana. A peça central da exposição, intitulada "Favela" (2007), criada pelo artista como uma metáfora sobre a imigração e a interculturalidade, foi adquirida recentemente pelo museu para o seu acervo permanente. José de Guimarães já se encontra representado com cerca de uma centena de obras entre as 11.600 de arte moderna e contemporânea da Colecção Würth, iniciada nos anos 60 do século passado pelo empresário e coleccionador alemão Reinhold Würth, e que reúne artistas de renome como Edvard Munch, Emil Nolde, Camille Pissaro, Max Ernst, Jean Arp, Henry Moore, Anthony Caro, Robert Jacobsen, René Magritte e Georg Baselitz.

Manuela dos Santos adiantou ainda à Lusa que o museu que a Würth Portugal irá criar em Sintra, junto à sede da empresa, terá uma área total de 3.500 metros quadrados, com mil metros quadrados de exposição distribuídos por dois pisos, e ainda com um auditório de cerca de 400 lugares e uma área de leitura com biblioteca. O objectivo "é abrir ao público não como um museu da empresa, mas, à semelhança dos outros museus Würth na Europa, como um museu de arte contemporânea destinado a mostrar a colecção principal e dar oportunidade aos jovens artistas emergentes para exporem os seus trabalhos". A abertura do museu em Sintra é vista como "uma expansão do carácter social da empresa em Portugal", salientou. Inaugurado há um ano em Logroño, o Museu Würth La Rioja possui um acervo próprio de uma centena de obras de arte, sobretudo de pintura e escultura de artistas espanhóis, e recebeu neste período cerca de 65 mil visitantes, disse hoje à Agência Lusa a directora do espaço, Silvia Lindner. No Museu Würth La Rioja - com cerca de quatro mil metros quadrados e um orçamento anual de 1,2 milhoes de euros - encerra hoje "José de Guimarães: Mundos, Corpo e Alma", a primeira exposição individual dedicada a um artista, e que recebeu um total de 25 mil visitantes em seis meses, adiantou a directora.

A exposição encerra hoje à tarde com as presenças do ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro, o presidente do Governo de La Rioja, Pedro Sanz, e do próprio José de Guimarães. O artista de 69 anos adoptou como pseudónimo o nome da sua cidade natal e esteve nos anos 60 em Angola para cumprir o serviço militar, acabando por ficar no país sete anos, que viriam a ser determinantes para a sua forma de criar e entender a arte.Também as culturas chinesa e japonesa inspiraram José de Guimarães em certos períodos da sua carreira, tendo-se deslocado frequentemente ao Oriente para exposições e criação de obras de arte pública, nomeadamente em Macau. A comunicação, a guerra, o amor, o erotismo e a literatura são temas presentes nos seus trabalhos adquiridos por colecções públicas e privadas a nível nacional e internacional tais como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves, o Museu Nacional de Arte Contemporânea de Madrid, o Rockefeller Art Center (EUA), o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte Moderna de Bruxelas e o Museu de Angola, entre outros. Fundado no pós-guerra no sector da metalo-mecânica, o Grupo Würth possui actualmente 420 empresas em 86 países. Em Portugal a multinacional está representada há 35 anos, com o edifício-sede instalado em Sintra desde 1993.

Ensaio Sobre a Cegueira

Snipose da adpatação do livro do Português José Saramago , Prémio Nobel da Literatura para o cinema: Cada dia que passa aparecem mais pacientes, e esta recém-criada "sociedade de cegos" entra em colapso. Tudo piora quando um grupo de criminosos, mais poderoso fisicamente, se sobrepõe aos fracos, racionando-lhes a comida e cometendo actos horríveis. Há, porém, uma testemunha ocular a este pesadelo: uma mulher, cuja visão não foi afectada por esta praga, que acompanha o seu marido cego para o asilo. Ali, mantendo o seu segredo, ela guia sete desconhecidos que se tornam, na sua essência, numa família. Ela leva-os para fora da quarentena em direcção às ruas deprimentes da cidade, que viram todos os vestígios de uma civilização entrar em colapso. A viagem destes é plena de perigos, mas a mulher guia-os numa luta contra os piores desejos e fraquezas da raça humana, abrindo-lhes a porta para um novo mundo de esperança, onde a sua sobrevivência e redenção final reflectem a tenacidade do espírito humano.

"Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho

"Birth", óleo sobre tela de Paula Rego com um valor base de licitação de 180.000 euros, estará em destaque no leilão que o Palácio do Correio Velho organiza dias 12 e 13 de Novembro em Lisboa.
Da mesma pintora, uma tinta-da-china e guache sobre papel, de 2007, tem um valor estimado entre 60.000 e 80.000 euros.
Do lote de obras a leiloar constam ainda "Grande Festa na Grécia Antiga", de Manuel Cargaleiro, que irá a praça por 20.000 euros, uma colagem sobre tela de Luís Demée (30.000 euros), "Pierrot e Columbine", desenho a tinta-da-china sobre papel de Almada Negreiros, com uma estimativa de 8.000 euros, e uma escultura em terracota de Jorge Vieira (quatro peças, 20.000/40.000 euros).
Outros nomes de vulto das artes plásticas - nacionais e estrangeiros - participam nas duas sessões do leilão. Entre eles, Júlio Pomar, Jorge Martins, Almada Negreiros, Costa Pinheiro, Menez, Graça Morais, Nikias Skapinakis, Álvaro Lapa, Arpad Szènes, Tàpies, Noronha da Costa, Canogar, Artur Bual, Raúl Perez, Charrua, Nadir Afonso, Lindstrom, Fernando Calhau, Eduardo Nery, José de Guimarães, Carlos Botelho, Palolo, José Pedro Croft, Alvarez, Dacosta e Ana Vidigal.
Além de Pintura, Escultura e Obra Gráfica, o leilão apresenta também uma tapeçaria das Manufacturas de Portalegre, objectos de design e obras de artistas estrangeiros, entre os quais Picasso, do qual serão leiloados "Cabra, um prato em cerâmica" (5.000/10.000) e "Pássaro, travessa em cerâmica" (3.000/5.000).
A exposição que antecede o leilão estará patente no Palácio do Correio Velho dias 7 e 9 das 15:00 às 20:00 e dia 10 das 15:00 às 19:00 e das 21:00 às 23:00.

Floresta cultural transferida de França para a Comporta

O pintor e escultor alemão Anselm Kiefer quer deslocalizar de França para Brejos, na Comporta, toda a sua produção cultural, que envolve dezenas de pessoas na construção de obras de arte de grande volumetria, exportadas para todo o mundo. A "Floresta Cultural" de Kiefer, que será instalada no vale Perdido, na Herdade da Comporta, do Grupo Espírito Santo, obrigou à execução especial de um Plano de Intervenção em Espaço Rural, que já se encontra em apreciação na CCDR do Alentejo. De acordo com o presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Pedro Paredes, o parecer da CCDR-A tornou--se necessário porque uma das obras de arte que Kiefer quer transferir para a Comporta tem mais de seis metros de altura, estando em desacordo com o PDM daquela área. "É uma construção única, que será colocada à entrada daquele espaço". A Floresta Cultural na Comporta (designação do empreendimento) abrange 600 hectares, mas a área de construção só abrangerá 1,5 hectares, onde serão edificados os ateliers amovíveis e áreas de alojamento para artistas e funcionários. Para Pedro Paredes, o interesse de Keifer pela Comporta evidencia a excelência daquele local para os projectos culturais. Por isso, a autarquia promete celeridade nos licenciamentos: "Projectos destes mostram que a arte pode ser uma actividade económica sustentável, criando empregos directos e indirectos e trazendo desenvolvimento", justifica o autarca, sublinhando que só existem dois ou três exemplos mundiais de complexos culturais desta dimensão. Acreditando que poderá ter uma resposta da CCDR--A até ao fim do ano, Pedro Paredes, assegura que o Plano de Intervenção acautelou a zona de paisagem protegida, garantindo que não serão abertas novas vias internas, mas sim requalificadas as existentes. Considerado um dos maiores artistas plástico actuais, Anselm Kiefer apaixonou-se pelo estuário do Sado, tendo anunciado que irá ceder o espaço que actualmente ocupa em França à Fundação Guggenheim.

Exposição revela o poder de cura da arte

O Museu Oscar Niemeyer abre hoje a exposição Nise da Silveira- Caminhos de uma psiquiatria rebelde, por conta do centenário de nascimento de Nise da Silveira (1905-1999). Luiz Carlos Mello é o curador da exposição. Ele conta que Nise da Silveira é responsável por um movimento de renovação da psiquiatria. Na década de 40 ela se revoltou contra os métodos violentos aplicados aos doentes mentais. Contra as formas de tratamento da época, ela abriu em 1946 o serviço de Terapia Ocupacional com sapataria, música e corte de cabelo. Quando entraram as atividades expressivas, as vivências emocionais dos pacientes foram canalizadas em forma de pintura e escultura. As obras foram reconhecidas pelo crítico Mário Pedroso como arte virgem. Os artistas desenvolveram a técnica dentro da atividade de Terapia Ocupacional. Na exposição há painéis fotográficos com temas explicativos com a trajetória científica de Nise. Nise visava tratá-los com humanidade. Há 300 obras baseadas em estudos científicos numa exposição ampla com texto coloquial para facilitar o acesso ao público. Nise queria criar um serviço ocupacional para os internos que viviam esquecidos e jogados. Na atividade artística mostraram um poder expressivo muito forte. Através da arte, os pacientes canalizam as forças do inconsciente. No tema das formas circulares, pessoas pintavam mandalas e se recuperavam de problemas emocionais e mentais. Ao estudar o assunto, Nise descobriu que há forças no cérebro que procuram a unidade. Mandala é uma palavra originária do sânscrito, antiga língua da Índia, que significa literalmente círculo. Outro tema revela que assim como o corpo, a psique- a alma humana tem uma história. Trabalhos de pessoas sem bagagem cultural dialogam com grandes obras da humanidade. Havia um preconceito de que uma pessoa tida como “louca” podia ser um artista. Nise buscava mostrar a humanidade do doente mental, opondo o potencial criativo deles aos métodos violentos como lobotomia e eletro choque.Luiz Carlos Mello fala do privilégio de trabalhar com uma pessoa tão importante como a doutora Nise, dos anos de convivência que renderam uma amizade e cujos detalhes ele promete relatar em uma biografia da rica figura humana de Nise da Silveira.

Maior taça de espumante do mundo no Museu do Vinho da Bairrada

A maior taça de espumante do mundo, escultura em ferro com 2,5 metros de altura e quase uma tonelada de peso, é uma das atracções da exposição a inaugurar Sábado, no Museu do Vinho da Bairrada, Anadia. "Segundo o livro Guiness de recordes o maior flute de champanhe tem cerca de dois metros de altura. Este é o maior do mundo, tem 2,5", disse hoje à agência Lusa Pedro Dias, director do museu. A escultura, da autoria de Rogério Timóteo "especialista em escultura monumental", demorou vários meses a ser concluída e será exposta no átrio do edifício, com vista para as vinhas "da casa mãe do espumante português" e estação vitivinícola da Bairrada.
"Houve uma preocupação de estabelecer a interligação da obra de arte com o espaço arquitectónico do museu e com a envolvente histórica do exterior do edifício", sublinhou Pedro Dias. A obra de arte acompanha outras cinco "também de grande dimensão", integrantes da exposição Equilibrium que estará patente até 19 de Abril de 2009. Outra peça, esta com quase oito toneladas e colocada no exterior do museu, representa uma figura de mulher na proa de um barco, numa alusão aos "vinhos de embarque", disse Pedro Dias. "Faz o casamento entre o ferro e o mármore com a pedra do período mais clássico", explicou. Para além da exposição de escultura o Museu do Vinho da Bairrada vai inaugurar na ocasião uma outra, de pintura, fotografia e instalações, intitulada "Matar a Sede", comemorativa dos 25 anos de carreira de Gustavo Fernandes. O artista plástico, frisa o director do museu, utiliza uma técnica "verdadeiramente surpreendente" em grandes telas, mostrando-se "exímio na utilização da luz e criando efeitos de tridimensionalidade fantásticos". Uma mostra de 70 caricaturas, da autoria de Luís Gamelas e Eugénios completa o ciclo de inaugurações agendadas para Sábado. Intitulada "Eugeniaturas", retrata personalidades portuguesas da política, teatro, televisão, futebol e música "com um sentido humorístico bastante aprimorado", referiu Pedro Dias.

F-1 vira assunto de exposição de arte

Além do Salão do Automóvel, o fã de carros e automobilismo que estará em São Paulo para acompanhar o GP do Brasil de F-1 também poderá optar por uma alternativa cultural.Entre os dias 29 de outubro e 12 de novembro, no Hotel Transamérica, será realizada a exposição "Arte na Fórmula 1", com a presença de 26 artistas plásticos e suas obras voltadas ao esporte à motor. A entrada será franca.A mostra tem curadoria de Paulo Solaris, artista plástico conhecido pelas pinturas sobre automobilismo e, principalmente, sobre Ayrton Senna. Pinturas e esculturas serão expostas por uma equipe composta, em sua maioria, por mulheres: são 17 artistas participantes.

José de Guimarães e Sociedade Portuguesa de Autores continuam sem resposta do Governo

O escultor português José de Guimarães reuniu-se ontem, pela primeira vez desde que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) escreveu ao Chefe do Executivo de Macau, com o director do departamento dos serviços jurídicos do organismo português, Lucas Serra. A carta que defende que houve violação dos direitos morais de autor com a alegada destruição das esculturas que o artista criou para o Jardim das Artes foi entregue há cerca de um mês ao Gabinete de Edmund Ho e continua sem resposta. Os preponentes não vão desistir. “Limito-me a aguardar os acontecimentos. A questão está nas mãos de quem sabe. Há-de haver uma resposta”, comenta José de Guimarães. O escultor esteve em Maio em Macau e contava ser recebido por Edmund Ho – apesar das duas cartas enviadas (uma das quais em 2007) o encontro nunca chegou a acontecer. O escultor ainda não sabe qual foi o destino que a Administração deu a seis das oito esculturas projectadas para o Jardim das Artes em 1999. E apesar de José de Guimarães estar agora a ser representado junto do Governo de Macau pela SPA o silêncio permanece. “Recorri para a SPA porque é a instituição mais adequada para resolver o assunto. É o organismo que defende os direitos dos artistas.


São matérias que me transcendem”, destaca o escultor. José de Guimarães reitera a confiança em como vai obter um esclarecimento por parte do Executivo. “Acho que vai haver uma resposta. Gostaria que isto fosse bem resolvido, sem perder mais tempo”, vinca. Postura que, de resto, assume desde que instou os primeiros contactos com o Governo. O segredo para a paciência? “As obras de arte pública entre a encomenda e a realização podem demorar sete anos a serem feitas. Envolvem vários organismos, aprovações, dinheiros para a construção. Adquiri esta persistência. Nunca desisto. Dou tempo ao tempo”, sublinha. O caso das esculturas desaparecidas envolve, pelo menos, três organismos: Direcção dos Serviços para Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPRT), Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) e Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). O Hoje Macau está também desde Maio a tentar obter esclarecimentos mas sem sucesso – os organismos passam as responsabilidades de uns para os outros. As esculturas de José de Guimarães faziam parte dum projecto lançado por Rocha Vieira e que previa a construção de uma estrutura artística por ano até à transferência.




O Jardim das Artes – projectado pelo arquitecto Francisco Caldeira Cabral – fechou portas há três anos para ser reformulado. Em 2004, Edmund Ho emitiu um despacho para “aprovar os parâmetros, condicionalismos urbanísticos e limites do terreno que foi concedido à Galaxy”, a operadora que gere o hotel-casino StarWorld. Um ano depois, o director da DSSOPT, Jaime Carion, anunciou a abertura de concurso público para a construção do Auto-Silo do Jardim das Artes. E em Maio de 2005 o então secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, subdelegou no coordenador do GDI, à altura Castanheira Lourenço, plenos poderes para celebrar o contracto com a empresa FC Cabral (do arquitecto Caldeira Cabral), a quem foi entregue o projecto de reformulação – plano que estipula a localização das esculturas mas que ainda não foi cumprido. Exposição de arte urbana José de Guimarães inaugurou, no final da semana passa, uma exposição em que divulga fotografias e maquetas de obras de arte urbana criadas para vários países. Nodesign Center de Lisboa está "uma vertente menos conhecida" do trabalho do pintor e escultor."Fiz várias peças de design para o centro, nomeadamente tapetes, cadeiras, copos e outros objectos", afirmou o escultura à Lusa, acrescentando que "as obras de arte pública acabam por ser um design a outra escala".




"Arte Urbana" será a maior exposição de José de Guimarães em Portugal sobre esta vertente do seu trabalho, representado com obras em Macau, Lisboa, Guimarães e em várias cidades na Alemanha e no Japão."É uma exposição didáctica porque vai mostrar que a intervenção urbana é mais do que realizar um trabalho plástico. Faço normalmente uma pesquisa antropológica antes da criação da obra", referiu.José de Guimarães está agora a ultimar uma peça de grandes dimensões para ser colocada em Solingen, na Alemanha, num espaço público junto a uma zona histórica, a inaugurar na Primavera de 2009.