A Arte Possível em Portugal

A 8.ª edição da Arte Lisboa, a decorrer até amanhã, poderá ficar marcada como a feira da crise. Espera-se que não e que os resultados contrariem as visões mais pessimistas. Crise à parte, resta ir à FIL (Parque das Nações) e ver o que os artistas fazem.

Acontece todos os anos e tem tentado afirmar-se como a plataforma principal do negócio da arte contemporânea em Portugal. A maioria das galerias portuguesas tem mantido a sua presença porque, para uns, trata-se da principal feira em que participam e, para as galerias com currículo internacional, de uma comparência motivada pela esperança de que um dia a feira de Lisboa atinja uma dimensão mais apetecível e dinâmica.Em traços gerais, pode dizer-se que esta edição da feira não traz grandes novidades, o modelo é o possível para Portugal e em termos internos não se pode fazer mais: estão lá quase todas as galerias e quase todos os artistas representativos da "cena" da arte portuguesa têm trabalhos expostos. O crescimento, a acontecer, terá de vir do exterior através da criação de uma rede internacional que traga a Lisboa artistas, galerias, curadores, coleccionadores e críticos cuja presença legitime e afirme esta feira além- -fronteiras. Como é normal neste tipo de acontecimentos, a Arte Lisboa é um lugar de confusão:


boas obras misturam-se com más obras, o silêncio com o ruído, os bons artistas com os maus artistas. No entanto, é possível ter encontros felizes com autores e trabalhos que resistem à diluição na massa indistinta em que normalmente caem as obras quando mostradas neste tipo de contexto.O ambiente desta feira é, em clara oposição ao que acontecia no início desta década, em que o vídeo e o som enchiam de ruído a totalidade do recinto, mais calmo e tranquilo. Nota-se um forte regresso da pintura e da escultura e uma consolidação da fotografia como meio artístico privilegiado, e a exuberância passada parece estar a dar lugar a uma certa contenção e sobriedade. Uma transformação que não é fruto da escassez de meios, mas da necessidade dos artistas em afirmar o seu trabalho não como entretimento mas enquanto formas pertinentes de pensar as diferentes disciplinas e dinâmicas culturais.


No que toca aos project rooms, este ano da responsabilidade do curador espanhol Paco Barragán com o título "Pintura e outras histórias", o panorama não é nada animador. Ao contrário do que acontecia na edição passada, este ano as propostas individuais dos artistas, à excepção da performance da dupla Sara e André, não são surpreendentes, não acrescentam nada ao debate sobre a pintura na contemporaneidade.A visita à feira é é uma mais-valia sobretudo como forma de desco-berta de trabalhos de artistas que de outra forma não se poderiam encontrar. Fica a vontade de que fos- se melhor, maior e com maiores consequências nas dinâmicas de mercado.

Britânico ganha Prêmio Turner de Arte Contemporânea

O artista britânico Mark Leckey conquistou o Prêmio Turner, uma das distinções mais valorizadas - e também mais polêmicas - da Arte Contemporânea, conforme anunciado em cerimônia no Tate Museum de Londres, nesta segunda-feira. Leckey, de 44 anos, único homem entre os quatro finalistas, ganhou o prêmio de 25.000 libras (37.000 dólares), ao qual foi indicado por sua obra "Industrial Light & Magic", que combina cinema, som e escultura.

O júri destacou seu trabalho com a imagem, especialmente desenhos animados e curtas-metragens, nos quais aparecem alguns dos mais populares personagens do mundo dos quadrinhos e da animação, como Homer Simpson, o gato Félix e Garfield. Em nota, os jurados saudaram "a natureza inteligente, enérgica e sedutora de seu trabalho". Esse prêmio anual criado em 1984 está aberto a artistas com menos de 50 anos que tenham nascido, trabalhem, ou morem na Grã-Bretanha e que tenham exposto sua obra nos últimos meses.

Sempre acompanhado de polêmicas - e, às vezes, de escândalos -, o Turner Prize contribuiu para consolidar Londres como uma das capitais mundiais da Arte Contemporânea.Nessa edição, o júri independente, que muda todos os anos, selecionou obras que misturam filmes, escultura, vídeos e performances, relegando completamente a pintura, o que gerou um grande rebuliço. Completam a lista de finalistas a britânica Cathy Wilkes, a polonesa Goshka Macuga e Runa Islam, nascida em Bangladesh.

Mais público na ARTE|Lisboa’08

Até ao final do dia, atingimos 17 500 visitantes, ou seja, sensivelmente o mesmo que no ano passado, mas com mais público e menos convidados", disse ao KULTURIART - Ivânia Gallo, directora da ARTE Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, cuja oitava edição terminou ontem na FIL, Parque Expo.

Em tempos de crise, os coleccionadores retraem-se, mas o público, esse, tem cada vez mais interesse por uma feira onde há de tudo: desde pintura a fotografia, vídeo, instalação, escultura ou graffiti. E entre peças de cento e poucos euros ou um quadro de Paula Rêgo, de 850 mil, há artigos para todas as bolsas. Daí que este ano tenha havido um acréscimo de 11 por cento de visitantes ‘não profissionais’ da área.

Por isso – e apesar de não ter conseguido alcançar a desejada meta dos 20 mil visitantes – Ivânia Gallo diz-se satisfeita com a "melhor edição de sempre da ARTE Lisboa". "Há unanimidade sobre a qualidade das obras que estão expostas", diz, "que justifica que se tenham realizado 200 mil euros em vendas institucionais." Ou seja, as aquisições efectuadas por empresas, por intermédio da organização da Feira.

Quanto às restantes – as que são directamente acordadas entre compradores e galerias – o número será sempre uma incógnita. "As galerias não revelam as verbas dos seus negócios", explica. "A crise sente-se na forma como se compra. Fazem--se mais contas e compra-se menos por impulso. Como em tudo."

Grupo Würth vai criar museu de arte moderna e contemporânea em Sintra em 2010

O grupo multinacional Würth vai criar um museu de arte moderna e contemporânea em Sintra, junto à sede da representação da empresa em Portugal, prevendo arrancar com as obras do projecto no segundo semestre de 2010. Manuela dos Santos, directora-geral da Würth Portugal, disse hoje em Logroño, que o projecto do museu foi aprovado em 2006 pela empresa-mãe alemã e representará um investimento de três milhões de euros na construção e equipamento. O grupo empresarial possui dois museus na Alemanha, um em França e outro em Espanha, em Logroño - o Museu Würth La Rioja - criado há um ano, onde inaugurou em Maio a exposição do artista português José de Guimarães "Mundos, Corpo e Alma", com uma retrospectiva dos últimos trinta 30 anos do seu trabalho, e parte da colecção pessoal de arte tribal africana. A peça central da exposição, intitulada "Favela" (2007), criada pelo artista como uma metáfora sobre a imigração e a interculturalidade, foi adquirida recentemente pelo museu para o seu acervo permanente. José de Guimarães já se encontra representado com cerca de uma centena de obras entre as 11.600 de arte moderna e contemporânea da Colecção Würth, iniciada nos anos 60 do século passado pelo empresário e coleccionador alemão Reinhold Würth, e que reúne artistas de renome como Edvard Munch, Emil Nolde, Camille Pissaro, Max Ernst, Jean Arp, Henry Moore, Anthony Caro, Robert Jacobsen, René Magritte e Georg Baselitz.

Manuela dos Santos adiantou ainda à Lusa que o museu que a Würth Portugal irá criar em Sintra, junto à sede da empresa, terá uma área total de 3.500 metros quadrados, com mil metros quadrados de exposição distribuídos por dois pisos, e ainda com um auditório de cerca de 400 lugares e uma área de leitura com biblioteca. O objectivo "é abrir ao público não como um museu da empresa, mas, à semelhança dos outros museus Würth na Europa, como um museu de arte contemporânea destinado a mostrar a colecção principal e dar oportunidade aos jovens artistas emergentes para exporem os seus trabalhos". A abertura do museu em Sintra é vista como "uma expansão do carácter social da empresa em Portugal", salientou. Inaugurado há um ano em Logroño, o Museu Würth La Rioja possui um acervo próprio de uma centena de obras de arte, sobretudo de pintura e escultura de artistas espanhóis, e recebeu neste período cerca de 65 mil visitantes, disse hoje à Agência Lusa a directora do espaço, Silvia Lindner. No Museu Würth La Rioja - com cerca de quatro mil metros quadrados e um orçamento anual de 1,2 milhoes de euros - encerra hoje "José de Guimarães: Mundos, Corpo e Alma", a primeira exposição individual dedicada a um artista, e que recebeu um total de 25 mil visitantes em seis meses, adiantou a directora.

A exposição encerra hoje à tarde com as presenças do ministro da Cultura de Portugal, José António Pinto Ribeiro, o presidente do Governo de La Rioja, Pedro Sanz, e do próprio José de Guimarães. O artista de 69 anos adoptou como pseudónimo o nome da sua cidade natal e esteve nos anos 60 em Angola para cumprir o serviço militar, acabando por ficar no país sete anos, que viriam a ser determinantes para a sua forma de criar e entender a arte.Também as culturas chinesa e japonesa inspiraram José de Guimarães em certos períodos da sua carreira, tendo-se deslocado frequentemente ao Oriente para exposições e criação de obras de arte pública, nomeadamente em Macau. A comunicação, a guerra, o amor, o erotismo e a literatura são temas presentes nos seus trabalhos adquiridos por colecções públicas e privadas a nível nacional e internacional tais como a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves, o Museu Nacional de Arte Contemporânea de Madrid, o Rockefeller Art Center (EUA), o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte Moderna de Bruxelas e o Museu de Angola, entre outros. Fundado no pós-guerra no sector da metalo-mecânica, o Grupo Würth possui actualmente 420 empresas em 86 países. Em Portugal a multinacional está representada há 35 anos, com o edifício-sede instalado em Sintra desde 1993.

Ensaio Sobre a Cegueira

Snipose da adpatação do livro do Português José Saramago , Prémio Nobel da Literatura para o cinema: Cada dia que passa aparecem mais pacientes, e esta recém-criada "sociedade de cegos" entra em colapso. Tudo piora quando um grupo de criminosos, mais poderoso fisicamente, se sobrepõe aos fracos, racionando-lhes a comida e cometendo actos horríveis. Há, porém, uma testemunha ocular a este pesadelo: uma mulher, cuja visão não foi afectada por esta praga, que acompanha o seu marido cego para o asilo. Ali, mantendo o seu segredo, ela guia sete desconhecidos que se tornam, na sua essência, numa família. Ela leva-os para fora da quarentena em direcção às ruas deprimentes da cidade, que viram todos os vestígios de uma civilização entrar em colapso. A viagem destes é plena de perigos, mas a mulher guia-os numa luta contra os piores desejos e fraquezas da raça humana, abrindo-lhes a porta para um novo mundo de esperança, onde a sua sobrevivência e redenção final reflectem a tenacidade do espírito humano.

"Birth", de Paula Rego, vai a leilão por 180.00 euros no Palácio do Correio Velho

"Birth", óleo sobre tela de Paula Rego com um valor base de licitação de 180.000 euros, estará em destaque no leilão que o Palácio do Correio Velho organiza dias 12 e 13 de Novembro em Lisboa.
Da mesma pintora, uma tinta-da-china e guache sobre papel, de 2007, tem um valor estimado entre 60.000 e 80.000 euros.
Do lote de obras a leiloar constam ainda "Grande Festa na Grécia Antiga", de Manuel Cargaleiro, que irá a praça por 20.000 euros, uma colagem sobre tela de Luís Demée (30.000 euros), "Pierrot e Columbine", desenho a tinta-da-china sobre papel de Almada Negreiros, com uma estimativa de 8.000 euros, e uma escultura em terracota de Jorge Vieira (quatro peças, 20.000/40.000 euros).
Outros nomes de vulto das artes plásticas - nacionais e estrangeiros - participam nas duas sessões do leilão. Entre eles, Júlio Pomar, Jorge Martins, Almada Negreiros, Costa Pinheiro, Menez, Graça Morais, Nikias Skapinakis, Álvaro Lapa, Arpad Szènes, Tàpies, Noronha da Costa, Canogar, Artur Bual, Raúl Perez, Charrua, Nadir Afonso, Lindstrom, Fernando Calhau, Eduardo Nery, José de Guimarães, Carlos Botelho, Palolo, José Pedro Croft, Alvarez, Dacosta e Ana Vidigal.
Além de Pintura, Escultura e Obra Gráfica, o leilão apresenta também uma tapeçaria das Manufacturas de Portalegre, objectos de design e obras de artistas estrangeiros, entre os quais Picasso, do qual serão leiloados "Cabra, um prato em cerâmica" (5.000/10.000) e "Pássaro, travessa em cerâmica" (3.000/5.000).
A exposição que antecede o leilão estará patente no Palácio do Correio Velho dias 7 e 9 das 15:00 às 20:00 e dia 10 das 15:00 às 19:00 e das 21:00 às 23:00.

Floresta cultural transferida de França para a Comporta

O pintor e escultor alemão Anselm Kiefer quer deslocalizar de França para Brejos, na Comporta, toda a sua produção cultural, que envolve dezenas de pessoas na construção de obras de arte de grande volumetria, exportadas para todo o mundo. A "Floresta Cultural" de Kiefer, que será instalada no vale Perdido, na Herdade da Comporta, do Grupo Espírito Santo, obrigou à execução especial de um Plano de Intervenção em Espaço Rural, que já se encontra em apreciação na CCDR do Alentejo. De acordo com o presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Pedro Paredes, o parecer da CCDR-A tornou--se necessário porque uma das obras de arte que Kiefer quer transferir para a Comporta tem mais de seis metros de altura, estando em desacordo com o PDM daquela área. "É uma construção única, que será colocada à entrada daquele espaço". A Floresta Cultural na Comporta (designação do empreendimento) abrange 600 hectares, mas a área de construção só abrangerá 1,5 hectares, onde serão edificados os ateliers amovíveis e áreas de alojamento para artistas e funcionários. Para Pedro Paredes, o interesse de Keifer pela Comporta evidencia a excelência daquele local para os projectos culturais. Por isso, a autarquia promete celeridade nos licenciamentos: "Projectos destes mostram que a arte pode ser uma actividade económica sustentável, criando empregos directos e indirectos e trazendo desenvolvimento", justifica o autarca, sublinhando que só existem dois ou três exemplos mundiais de complexos culturais desta dimensão. Acreditando que poderá ter uma resposta da CCDR--A até ao fim do ano, Pedro Paredes, assegura que o Plano de Intervenção acautelou a zona de paisagem protegida, garantindo que não serão abertas novas vias internas, mas sim requalificadas as existentes. Considerado um dos maiores artistas plástico actuais, Anselm Kiefer apaixonou-se pelo estuário do Sado, tendo anunciado que irá ceder o espaço que actualmente ocupa em França à Fundação Guggenheim.

Exposição revela o poder de cura da arte

O Museu Oscar Niemeyer abre hoje a exposição Nise da Silveira- Caminhos de uma psiquiatria rebelde, por conta do centenário de nascimento de Nise da Silveira (1905-1999). Luiz Carlos Mello é o curador da exposição. Ele conta que Nise da Silveira é responsável por um movimento de renovação da psiquiatria. Na década de 40 ela se revoltou contra os métodos violentos aplicados aos doentes mentais. Contra as formas de tratamento da época, ela abriu em 1946 o serviço de Terapia Ocupacional com sapataria, música e corte de cabelo. Quando entraram as atividades expressivas, as vivências emocionais dos pacientes foram canalizadas em forma de pintura e escultura. As obras foram reconhecidas pelo crítico Mário Pedroso como arte virgem. Os artistas desenvolveram a técnica dentro da atividade de Terapia Ocupacional. Na exposição há painéis fotográficos com temas explicativos com a trajetória científica de Nise. Nise visava tratá-los com humanidade. Há 300 obras baseadas em estudos científicos numa exposição ampla com texto coloquial para facilitar o acesso ao público. Nise queria criar um serviço ocupacional para os internos que viviam esquecidos e jogados. Na atividade artística mostraram um poder expressivo muito forte. Através da arte, os pacientes canalizam as forças do inconsciente. No tema das formas circulares, pessoas pintavam mandalas e se recuperavam de problemas emocionais e mentais. Ao estudar o assunto, Nise descobriu que há forças no cérebro que procuram a unidade. Mandala é uma palavra originária do sânscrito, antiga língua da Índia, que significa literalmente círculo. Outro tema revela que assim como o corpo, a psique- a alma humana tem uma história. Trabalhos de pessoas sem bagagem cultural dialogam com grandes obras da humanidade. Havia um preconceito de que uma pessoa tida como “louca” podia ser um artista. Nise buscava mostrar a humanidade do doente mental, opondo o potencial criativo deles aos métodos violentos como lobotomia e eletro choque.Luiz Carlos Mello fala do privilégio de trabalhar com uma pessoa tão importante como a doutora Nise, dos anos de convivência que renderam uma amizade e cujos detalhes ele promete relatar em uma biografia da rica figura humana de Nise da Silveira.

Maior taça de espumante do mundo no Museu do Vinho da Bairrada

A maior taça de espumante do mundo, escultura em ferro com 2,5 metros de altura e quase uma tonelada de peso, é uma das atracções da exposição a inaugurar Sábado, no Museu do Vinho da Bairrada, Anadia. "Segundo o livro Guiness de recordes o maior flute de champanhe tem cerca de dois metros de altura. Este é o maior do mundo, tem 2,5", disse hoje à agência Lusa Pedro Dias, director do museu. A escultura, da autoria de Rogério Timóteo "especialista em escultura monumental", demorou vários meses a ser concluída e será exposta no átrio do edifício, com vista para as vinhas "da casa mãe do espumante português" e estação vitivinícola da Bairrada.
"Houve uma preocupação de estabelecer a interligação da obra de arte com o espaço arquitectónico do museu e com a envolvente histórica do exterior do edifício", sublinhou Pedro Dias. A obra de arte acompanha outras cinco "também de grande dimensão", integrantes da exposição Equilibrium que estará patente até 19 de Abril de 2009. Outra peça, esta com quase oito toneladas e colocada no exterior do museu, representa uma figura de mulher na proa de um barco, numa alusão aos "vinhos de embarque", disse Pedro Dias. "Faz o casamento entre o ferro e o mármore com a pedra do período mais clássico", explicou. Para além da exposição de escultura o Museu do Vinho da Bairrada vai inaugurar na ocasião uma outra, de pintura, fotografia e instalações, intitulada "Matar a Sede", comemorativa dos 25 anos de carreira de Gustavo Fernandes. O artista plástico, frisa o director do museu, utiliza uma técnica "verdadeiramente surpreendente" em grandes telas, mostrando-se "exímio na utilização da luz e criando efeitos de tridimensionalidade fantásticos". Uma mostra de 70 caricaturas, da autoria de Luís Gamelas e Eugénios completa o ciclo de inaugurações agendadas para Sábado. Intitulada "Eugeniaturas", retrata personalidades portuguesas da política, teatro, televisão, futebol e música "com um sentido humorístico bastante aprimorado", referiu Pedro Dias.

F-1 vira assunto de exposição de arte

Além do Salão do Automóvel, o fã de carros e automobilismo que estará em São Paulo para acompanhar o GP do Brasil de F-1 também poderá optar por uma alternativa cultural.Entre os dias 29 de outubro e 12 de novembro, no Hotel Transamérica, será realizada a exposição "Arte na Fórmula 1", com a presença de 26 artistas plásticos e suas obras voltadas ao esporte à motor. A entrada será franca.A mostra tem curadoria de Paulo Solaris, artista plástico conhecido pelas pinturas sobre automobilismo e, principalmente, sobre Ayrton Senna. Pinturas e esculturas serão expostas por uma equipe composta, em sua maioria, por mulheres: são 17 artistas participantes.

José de Guimarães e Sociedade Portuguesa de Autores continuam sem resposta do Governo

O escultor português José de Guimarães reuniu-se ontem, pela primeira vez desde que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) escreveu ao Chefe do Executivo de Macau, com o director do departamento dos serviços jurídicos do organismo português, Lucas Serra. A carta que defende que houve violação dos direitos morais de autor com a alegada destruição das esculturas que o artista criou para o Jardim das Artes foi entregue há cerca de um mês ao Gabinete de Edmund Ho e continua sem resposta. Os preponentes não vão desistir. “Limito-me a aguardar os acontecimentos. A questão está nas mãos de quem sabe. Há-de haver uma resposta”, comenta José de Guimarães. O escultor esteve em Maio em Macau e contava ser recebido por Edmund Ho – apesar das duas cartas enviadas (uma das quais em 2007) o encontro nunca chegou a acontecer. O escultor ainda não sabe qual foi o destino que a Administração deu a seis das oito esculturas projectadas para o Jardim das Artes em 1999. E apesar de José de Guimarães estar agora a ser representado junto do Governo de Macau pela SPA o silêncio permanece. “Recorri para a SPA porque é a instituição mais adequada para resolver o assunto. É o organismo que defende os direitos dos artistas.


São matérias que me transcendem”, destaca o escultor. José de Guimarães reitera a confiança em como vai obter um esclarecimento por parte do Executivo. “Acho que vai haver uma resposta. Gostaria que isto fosse bem resolvido, sem perder mais tempo”, vinca. Postura que, de resto, assume desde que instou os primeiros contactos com o Governo. O segredo para a paciência? “As obras de arte pública entre a encomenda e a realização podem demorar sete anos a serem feitas. Envolvem vários organismos, aprovações, dinheiros para a construção. Adquiri esta persistência. Nunca desisto. Dou tempo ao tempo”, sublinha. O caso das esculturas desaparecidas envolve, pelo menos, três organismos: Direcção dos Serviços para Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPRT), Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) e Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). O Hoje Macau está também desde Maio a tentar obter esclarecimentos mas sem sucesso – os organismos passam as responsabilidades de uns para os outros. As esculturas de José de Guimarães faziam parte dum projecto lançado por Rocha Vieira e que previa a construção de uma estrutura artística por ano até à transferência.




O Jardim das Artes – projectado pelo arquitecto Francisco Caldeira Cabral – fechou portas há três anos para ser reformulado. Em 2004, Edmund Ho emitiu um despacho para “aprovar os parâmetros, condicionalismos urbanísticos e limites do terreno que foi concedido à Galaxy”, a operadora que gere o hotel-casino StarWorld. Um ano depois, o director da DSSOPT, Jaime Carion, anunciou a abertura de concurso público para a construção do Auto-Silo do Jardim das Artes. E em Maio de 2005 o então secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, subdelegou no coordenador do GDI, à altura Castanheira Lourenço, plenos poderes para celebrar o contracto com a empresa FC Cabral (do arquitecto Caldeira Cabral), a quem foi entregue o projecto de reformulação – plano que estipula a localização das esculturas mas que ainda não foi cumprido. Exposição de arte urbana José de Guimarães inaugurou, no final da semana passa, uma exposição em que divulga fotografias e maquetas de obras de arte urbana criadas para vários países. Nodesign Center de Lisboa está "uma vertente menos conhecida" do trabalho do pintor e escultor."Fiz várias peças de design para o centro, nomeadamente tapetes, cadeiras, copos e outros objectos", afirmou o escultura à Lusa, acrescentando que "as obras de arte pública acabam por ser um design a outra escala".




"Arte Urbana" será a maior exposição de José de Guimarães em Portugal sobre esta vertente do seu trabalho, representado com obras em Macau, Lisboa, Guimarães e em várias cidades na Alemanha e no Japão."É uma exposição didáctica porque vai mostrar que a intervenção urbana é mais do que realizar um trabalho plástico. Faço normalmente uma pesquisa antropológica antes da criação da obra", referiu.José de Guimarães está agora a ultimar uma peça de grandes dimensões para ser colocada em Solingen, na Alemanha, num espaço público junto a uma zona histórica, a inaugurar na Primavera de 2009.

I/Legítimo: Dentro e Fora do Circuito

A mostra I/Legítimo: Dentro e Fora de Circuito traz questionamentos sobre o sistema da arte, além de suas fronteiras e intersecções com outros circuitos. Assim, a exposição traz produções que lançam um olhar crítico, irreverente ou irônico sobre os mecanismos de legitimação da arte; ações inseridas em circuitos culturais que interagem com galerias e museus; trabalhos que evidenciam posicionamento político assumido em relação a questões recorrentes do mundo contemporâneo; e finalmente ações engajadas nos questionamentos sobre propriedade intelectual, processos colaborativos e autoria. Essa crítica social e artística é apresentada por meio de trabalhos e ações de 42 artistas e coletivos da Austrália, Brasil, Canadá, Espanha, EUA, França, Inglaterra, Peru, Romênia e Uruguai, nos mais diversos suportes – animação, fotografia, vídeo, arte digital, performance, instalação, arte digital, música, escultura, desenho e pintura. A exposição será dividida em dois núcleos, um no Espaço em Movimento do Museu da Imagem e do Som (MIS) e outro na Zona de Ação do Paço das Artes. “A discussão que buscamos com a mostra ‘I/Legítimo’ interessa a ambas instituições, pois diz respeito a questões determinantes da arte e da sociedade contemporâneas. O Paço das Artes há onze anos incentiva a produção emergente nesse campo, com a realização de sua Temporada de Projetos. O MIS, por sua vez, retoma suas atividades com um olhar agudo sobre as artes e as mídias do século 21”, explica a curadora Priscila Arantes, diretora-adjunta do MIS e do Paço das Artes. *Como a exposição acontece em locais distintos, o endereço disponível é o que abrigará por mais tempo a mostra.




*Disponível apenas para a operadora VIVO.

Cuba: Mais de oitenta artistas doaram obras para ajudar a reconstruir a cidade de Gibara

Mais de oitenta artistas doaram obras para serem vendidas na Galeria de Arte On-Line, inaugurada pelo actor cubano Jorge Perugorría, que pretende, com a iniciativa, angariar fundos para ajudar a reconstruir Gibara, uma cidade cubana. Segundo os orgãos de comunicação de Cuba, estão à venda 22 gravuras, cinco esculturas, oito fotografias e 62 pinturas, entre as quais se destacam obras do pintor espanhol Ximo Sanchez e do uruguaio Luis Camnitzer. Todas as vendas que forem efectuadas pela galeria, através do sítio online http://www.arteporcuba.com/ revertem exclusivamente para a recuperação da cidade. Gibara tem cerca de 16 mil habitantes e desde 2003 que é a sede do Festival Internacional de Cinema Pobre.

Arte em trânsito

A uma edição para fechar seis décadas de atuação, o Salão de Abril vem com o tema arte: desejo e resistência, invade terminais de ônibus da cidade e coloca em discussão a relação do público, obra e artista.

Escorados num banco do bosque, dois Marcos, um Vinícius da Silva e o outro Fábio de Souza, observam o movimento atípico enquanto tiram uma pausa da limpeza do Terminal do Siqueira. "Eu não sei o que é isso não, mas parece que é arte, né? Que vão trazer pro terminal", comenta a rabo de olho o Marcos Vinícius, apontando para a cola, tinta, escada cavalete e amontoado de papéis. "É bom que a gente aprende o que é arte, né?", responde o outro. Aglailson Araújo, porteiro de um edifício, chega perto e olha tudo com desdém. "Pois eu acho que meu irmão pequeno faz isso aí em três tempos, e fica mais bonito". No domingo, 12, a tarifa social e o Dia das Crianças entupiram o meio-dia do Terminal do Siqueira qual horário de pico de segunda-feira. Na mesma hora, chamavam a atenção dos usuários as primeiras obras prontas do 59º Salão de Abril. O evento pega dois dos pontos de integração do transporte público da cidade, do Siqueira e do Papicu, além do Centro de Referência do Professor (CRP), no Centro, para servir de lugar de exposição. Lambe-lambe de gente de boca aberta chamando um grito, fotografias, pinturas, instalações de parede e esculturas. Até o dia 23 de novembro, 20 dos 45 artistas selecionados de vários estados do Brasil terão seus trabalhos às vistas de parte das 480 mil pessoas que utilizam diariamente os dois terminais, além dos trabalhadores do espaço que conviverão diariamente com as obras.

"Todas as obras causam estranhamento", aponta Maíra Ortis, curadora geral do evento e coordenadora das Artes Visuais da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Com o tema Arte: Desejo e resistência, a inquietação do Salão pode vir de um diferencial. O evento apostou em pôr nos terminais obras pensadas para uma galeria e não somente aquelas feitas para exposições nos ambientes públicos das vias. Maíra julga que os trabalhos de rua já estão em vários espaços, por isso, as pessoas já estão habituadas. Daí a minimização do seu impacto. "Muitas das obras do salão não compõe cotidianamente aquele ambiente. Geralmente, estão num lugar que intimida, os museus. Mesmo nos gratuitos, muita gente não entra, achando que aquele não é lugar para ela, tem medo de ser expulsa", explica a curadora. Agora, a história é diferente. São as obras que não passam despercebidas e entram nos lugares já ocupados pelas pessoas nos seus percursos cotidianos. Obras e o ambiente Algumas das obras foram re-significadas pelo ambiente. Espelho Meu, trabalho de Gentil Barreira, por exemplo, traz um homem e uma mulher em fotografias espelhadas e estão vizinhas aos respectivos banheiros masculino e feminino. Nas paredes que cercam o terminal, as colunas servem de moldura às colagens de desenhos feitos em jornal pela artista Ise Braga. Dois boxes no terminal do Papicu estão enfeitados por pinturas.

A escolha dos trabalhos alocados nos terminais, segundo Maíra, ficou ao critério das obras que pudessem ser expostas às condições climáticas. Uma gravura que não fosse reprodução, por exemplo, correria o risco de se desgastar. As obras que requeriam mais cuidados foram postas no Centro de Referência do Professor. As de materiais mais resistentes e ainda as obras perenes, recebidas nos terminais. Ainda assim, o discurso de dar acesso a arte à população que não freqüenta o museu não foi comprado tão facilmente por todos os artistas. Maíra Ortis conta que alguns deles não gostaram da idéia de expor nos terminais, temerosos que suas obras se desgastassem ou sofresse algum tipo de intervenção da população. Depois de um processo de negociação, algumas obras foram transferidas, apesar de constar no edital que a escolha dos lugares previstos, o CRP e os terminais, seria a critério da comissão organizadora. Segurança para as obras "Se não tiver ninguém vigiando, isso num dura 24 horas", observou, a passos ligeiros, um dos guardas municipais do terminal. Por não serem trabalhos feitos para a rua, as obras exigiram segurança. Rapazes grandes e largos, contratados de uma empresa terceirizada de segurança, estarão 24 horas a postos para garantir a integridade dos trabalhos.

A gente passava, se aproximava ou olhava de longe. Muitos com indiferença, outros com curiosidade. Tinham vontade de tocar. "Não pode!", gritou um dos seguranças quando um rapaz quis pôr o dedo em Filateista, trabalho da artista paulista Heloísa Etelvina, um emaranhado de 3600 selos fictícios. "Eu falei que não podia pegar, cara! Entendeu, ou quer que eu desenhe?", aumentou mais ainda a voz o segurança com a insistência do rapaz, enquanto, igual a um galo que canta, inflava o peito. O rapaz murchou e saiu. A cena, ocorrida enquanto a repórter entrevistava Maíra Ortis, deixou quem estava perto temeroso de chegar perto das obras. "Olha só, isso não pode acontecer, o seu papel é de proteger e informar", foi explicar a curadora ao segurança. "É uma questão de cultura e vem dos próprios seguranças, que muitas vezes não têm seus papéis explicados. A população também não está habituada com as obras de arte e como esse é o espaço delas, é natural que queiram tocar, queria agir como costumam fazer", aponta Maíra.

A curadora diz que o Salão passará por uma prova de fogo, a tentativa de orientação, sem intimidar os visitantes/passantes. Enquanto nem todos os trabalhos eram montados, um deles chamava mais atenção. Sem título (Fora de Prumo), uma fotografia feita em câmera pinhole. O cobrador de ônibus Nilton Souza Carvalho chegava para o serviço e deixou-se demorar. "É a Ponte Metálica. Ela traz o mar para a periferia. Nesse ponto aqui, ó (aponta), eu tomava era muito banho. Tem uns pregos retorcidos, mas bem daqui dá para pular". SERVIÇO 59º Salão de Abril. Abertura hoje, 14, às 19 horas, no Centro de Referência do professor (rua Conde D'eu, 560 - Centro). Exposições até 23 de novembro. Visitação: Segunda a sexta, das 8 às 20 horas. Sábado, das 8 às 15h30min. Nos terminais do Siqueira e Papicu, diariamente, sem limite de horário. Informações: 3105 1358/ 3246 2708 ou pelo site http://www.salaodeabril.org/. Todas as atividades têm entrada franca. EMAIS! - Dos 45 artistas selecionados, 19 são cearenses. - A programação inclui oficinas, mini-cursos e entrevistas. O aspecto formativo do Salão inclui outros espaços de encontro, como a Vila das Artes, o Sobrado Dr. José Lourenço e o Centro Cultural do Bom Jardim. - Em destaque na programação a realização, no dia 18 de outubro, da palestra com o professor Paulo Oneto, do Rio de Janeiro, com o tema Arte: Desejo e Resistência - uma abordagem do tema do Salão a partir da filosofia estética, no Sobrado Dr. José Lourenço. - Ainda em outubro, estão marcadas entrevistas com artistas locais e nacionais. Nos encontros, perguntas serão direcionadas às personalidades convidadas, com o objetivo de fomentar na platéia o desejo por intervir no discurso do palestrante. Os entrevistados de outubro são: Paulo Burscky (do Recife), em bate-papo sobre A arte contemporânea e o artista multimídia, no dia 16; Tiago Santana (de Fortaleza), em conversa sobre sua obra fotográfica, no dia 19; e Humberto Cunha (também de Fortaleza), no dia 30, sobre Direito autoral do artista plástico. Todas as entrevistas acontecerão na Vila das Artes. - A programação conta ainda com dois mini-cursos e duas oficinas, respectivamente: Pintura Contemporânea e O ensino da arte contemporânea; e Argila e Desenho. É necessário fazer inscrição.

Obras de Amadeu de Souza Cardoso e Vieira da Silva em diálogo com Picasso e Warhol em Paris

Obras de Amadeu de Souza Cardoso, Vieira da Silva e Lourdes Castro vão dialogar, a partir de quinta-feira, com criações de Andy Warhol, Picasso, Dali e outros artistas no Museu do Luxemburgo, em Paris. São 75 obras escolhidas do acervo do Museu Berardo pelo comissário André Cariou, director e conservador do Museu de Belas Artes de Quimper, na Bretanha, que pesquisou centenas de obras para apresentar uma certa perspectiva de peças emblemáticas desde 1910 até 1980 da colecção do comendador. Esta é a primeira vez que o Museu Colecção Berardo apresenta uma grande exposição no estrangeiro, com obras do seu acervo desde que foi inaugurado, a 25 de Junho de 2007, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na sequência de um acordo de comodato com o Estado português. Em Paris, a exposição "De Miró a Warhol - A Colecção Berardo em Paris" surge anunciada em grandes cartazes um pouco por toda a cidade - à saída do metro, junto aos Jardins do Luxemburgo, no coração da capital, onde está instalado o museu - com uma imagem apelativa e colorida de Tom Wesselman (1931-2004), intitulada "Great American Nude" de 1963.

"Escolhi esta obra da colecção do Museu Berardo para dar um rosto à exposição porque é ao mesmo tempo apelativa, moderna e funciona graficamente muito bem", disse o comissário em declarações à Agência Lusa. No interior do Museu do Luxemburgo, as 75 obras sobretudo de pintura, e também algumas esculturas, foram distribuídas por cinco salas, onde a equipa de produção finaliza os trabalhos de pormenor como a disposição da luz. Na primeira sala, que acolherá os visitantes do museu, convivem pinturas do artista português Amadeo de Souza Cardoso ("Pelas Janelas", 1914), Pablo Picasso ("Tete de Femme", 1909), Jackson Pollock ("Head", 1938), Balthus ("Portrait de Femme", 1935) e uma escultura de Germaine Richier ("La Mante Grande", 1946), entre outras. A exposição prossegue por períodos cronológicos da História da arte, percorrendo o Surrealismo, a Arte Abstracta de entre as Duas Guerras, a Pop Art Americana/Novo Realismo francês, e termina com Diversas Tendências dos Anos 60. No espaço dedicado à Pop Art surgem, por exemplo, obras da artista portuguesa Lourdes Castro, com "Sombra Projectada" (1964) e as emblemáticas sopas de tomate Campbell`s criadas por Andy Warhol.

A pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, que viveu muitos anos em Paris, está representada com duas telas criadas em 1948: "Composition" e "Craie". Max Ernst, Lucio Fontana, Robert Indiana, Piet Mondrian, René Magritte, Francis Gruber, Robert Delaunay, Marcelle Cahn, Jean Gorin, Julio Gonzalez, Salvador Dali e André Breton são outros artistas representados na exposição. Em declarações à Lusa, Sylvestre Verger, responsável pela produção das exposições do Museu do Luxemburgo desde 2000, referiu que esta entidade recebeu desde essa data até hoje cerca de cinco milhões de visitantes e espera que "De Miró a Warhol - A Colecção Berardo em Paris", que ficará patente até 22 de Fevereiro de 2009, venha a receber mais de 300 mil pessoas.

Saatchi inaugura nova galeria em Londres

O coleccionador britânico Charles Saatchi inaugurou uma nova galeria em Londres, reunindo 24 obras de artistas chineses que incluem pinturas, esculturas e instalações. O acervo, intitulado «A revolução continua: Nova arte da China», está localizado num antigo quartel na King´s Road, na capital britânica. «Queremos mostrar as obras de arte mais importantes da actualidade», disse Rebecca Wilson, porta-voz da galeria, que espera a visita de milhares de pessoas. Entre as obras mais destacadas, a instalação «Old Person´s Home» mostra um grupo de 13 idosos, em tamanho real, em cadeiras de rodas. As figuras dos artistas Sun Yuan e Peng Yu retratam um general, um bispo, um almirante, e aludem a políticos, entre outros. A mostra ocupa 15 salas distribuídas por quatro pisos. O coleccionador de 65 anos ajudou a lançar mundialmente um grupo de artistas ingleses, com a abertura da sua primeira galeria, em meados da década de 1980.

Berlim inaugura retrospectiva de Joseph Beuys

A Revolução Somos Nós é o nome da primeira grande retrospectiva de Joseph Beuys realizada na Alemanha nos últimos 20 anos. Aberta na sexta-feira em Berlim, ela traz 270 trabalhos do mais influente artista plástico alemão do pós-guerra, entre desenhos, esculturas, instalações, fotografias e vídeos. A exposição inclui obras vindas Amsterdã, Nova York e Bilbao e fica aberta até dia 25 de janeiro no Hamburger Bahnhof, museu de arte contemporânea berlinense instalado numa antiga estação de trem. Segundo os organizadores, a mostra é a maior já dedicada ao artista. O evento procura questionar a influência de Beuys na arte atual, investigando a relevância das suas idéias na sociedade atual. Ardoroso defensor da arte como instrumento de transformação social, cultural e política, o alemão - que sempre usava um inconfundível chapéu - era um militante engajado. Fez parte de movimentos ambientalistas, pacifistas e anti-nuclear, sendo presença freqüente na mídia nos anos 70 e 80.

Itália

Entre as principais atrações da exibição está a instalação Palazzo Regale, criada pelo artista na Itália poucos meses antes de sua morte, em 1986. Outra obra que deverá chamar a atenção dos visitantes é Valores da Economia, composta por uma estante onde estão com diversas embalagens velhas de produtos de supermercado da Alemanha Oriental. A instalação é acompanhada por uma projeção de A Corrida do Ouro, de Charlie Chaplin. Cerca de 50 registros em vídeo ilustram, ainda, a ampla visão artística de Beuys. Os filmes documentam as muitas performances e apresentações do artista. Nelas, o alemão divulgava sua idéia de arte como base para o que chamava de "revolução de todas as relações sociais".

Beuys, A Revolução Somos Nós é parte de uma temporada de exposições em Berlim chamada de O Culto do Artista, que ainda terá retrospectivas de outros artistas influentes como o americano Andy Warhol e o pintor alemão Paul Klee.

Museu inaugura mostra sobre o artista italiano

É célebre o embate entre Michelangelo e os cardeais de Roma, durante a execução de uma de suas obras-primas, o teto da Capela Sistina, no Vaticano. Realizada entre 1535 e 1541, a pedido do papa Júlio II, o número de nus na representação das passagens bíblicas escandalizou tanto os cardeais que, posteriormente, foram colocados tecidos sobre as partes íntimas das almas subindo ao céu — que o artista representa como homens e mulheres nus. Este episódio é importante para lembrar como Michelangelo (1475-1564) era apaixonado pela anatomia — nos afrescos da Sistina, ele fez seu elogio ao corpo humano, dotando cada personagem de beleza e expressividade extraordinárias. Uma mostra significativa da produção do mestre e de outros artistas da época chega ao Brasil na exposição Michelangelo em Contexto: Desenhos da Fondazione Buonarroti e Gessos da Gipsoteca Dell’Istituto Statale d’1Arte de Florença. Com abertura hoje, no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), em São Paulo, a exposição apresenta dois desenhos originais e inéditos no Brasil — Nudo di Schiena (1504-5) e Madonna col Bambino (1525) — e mais 25 grandes esculturas e relevos em gesso, preparados com base nos moldes originais de Michelangelo, de escultores contemporâneos a ele (como Jacopo della Quercia e Andrea Verrocchio), de seguidores de Michelangelo (como Gian Bernini e Vincenzo Danti) e de seus alunos.
As obras foram divididas em quatro partes: Clássica, Artistas Contemporâneos a Michelangelo, Seguidores de Michelangelo e Michelangelo. Nesta, estão os dois desenhos e nove réplicas de obras-primas como Moisés e Pietà-Rondanini (a última obra do artista, que ficou inacabada). A idealização, curadoria e cenografia são assinadas pelos arquitetos italianos Patrizia Pietrogrande e Eugênio Martera. O investimento superior a R$ 1,5 milhão foi bancado pelos patrocinadores Mercedes-Benz do Brasil, Planner Corretora de Valores e Eurofarma Laboratórios. Para o curador do MuBE, Jacob Klintowitz, Michelangelo “é o arauto visual da renascença, portador das novas idéias”. Saudado pelo seus contemporâneos como “divino Michelangelo”, o artista destacou-se também, como poeta, deixando mais de 300 sonetos, madrigais e outros tipos de poesia. Nascido na província de Arezzo, na Itália, vindo de linhagem nobre, Michelangelo di Ludovico Buonarrotti Simoni é fruto tardio da renascença, e não um pioneiro. Afinal, em 1475, o movimento artístico que enterrou a Idade Média e revolucionou o modo de pensar, pintar, esculpir e construir edifícios somava cerca de 200 anos na Itália e já tinha produzido uma enorme galeria de gênios, como os pintores Giotto e Leonardo da Vinci, o escultor Donatello e o arquiteto Brunelleschi. Mesmo assim, Michelangelo conseguiu atingir um grau tão alto de realismo e perfeição em suas esculturas e pinturas que, conta-se, ao terminar a estátua de Moisés (1513-16), ele bateu o martelo no joelho da escultura e gritou: Perché non parli? (Por que não falas?). SAIBA MAIS O quê: Exposição Michelangelo em Contexto: Desenhos da Fondazione Buonarroti e Gessos da Gipsoteca Dell'Istituto Statale d'Arte de Florença Quando: Visitas de segunda a domingo, das 10h às 19h, até 30/11 Onde: Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), na Rua Alemanha, 221, Jardim Europa, São Paulo. Informações e agendamento para visitas monitoradas: (11) 2594-2601

Kate Moss foi banhada a ouro


O artista britânico Marc Quinn apresentou esta quinta-feira a estátua que fez em ouro da supermodelo britânica Kate Moss, no museu britânico de Londres.
Quinn revelou pela primeira vez ao grande público a estátua, que pesa 50 quilos.
A supermodelo aparece em poses artísticas e arrojadas. A estátua está avaliada em 1,9 milhões de euros e vai estar em exibição na exposição «Statuephilia».

Japão inaugura maior exposição sobre Picasso de sua história

O Japão inaugurou hoje a maior mostra de Pablo Picasso de sua história, evento que promete se transformar em uma das grandes exposições da temporada nesta nação ávida de arte e que admira de forma especial a obra do mestre espanhol. A retrospectiva reúne 230 obras, entre pinturas, esculturas, cerâmicas, desenhos, gravuras e fotos que cobrem o início da carreira do artista até peças dos anos 70, pouco antes de sua morte. Realizada em dois museus muito próximos ao centro de Tóquio - o Museu Suntory e o Centro Nacional de Arte -, a mostra abriu hoje suas portas à imprensa e a partir deste sábado poderá ser vista pelo público em geral. Entretanto, apenas com jornalistas, os dois museus estavam hoje cheios de japoneses e tudo leva a crer que a exibição, que já passou pela Espanha em fevereiro deste ano e recebeu mais de 60 mil pessoas no Museu Rainha Sofía, em Madri, será um êxito no Japão.
A exposição, que procede do Museu Nacional Picasso, em Paris, ficará no país até 14 de dezembro para comemorar os 150 anos das relações diplomáticas entre Japão e França, dois países entre os quais existe admiração mútua em questões de arte. As obras estão divididas em dois grupos: em um se mostra uma retrospectiva do artista espanhol (1881-1973) - de suas primeiras pinturas até seu período surrealista - e no outro, se exibe um aspecto mais pessoal, através de uma coleção de retratos. A primeira exposição - "Picasso: sua Vida e suas Criações" - está espalhada por várias salas do imponente Centro Nacional de Arte de Tóquio, nas quais a luz e o espaço são partes essenciais do espetáculo. Ali são mostradas, por ordem cronológica, obras que vão desde o início de sua carreira ou seu célebre Período azul (1901-1904), como "A Celestina" (pintado em Barcelona em 1904), até algumas de suas últimas obras surrealistas. Já o evento no Museu Suntory reúne em várias salas uma coleção de retratos do artista espanhol, iluminados com luz tênue e azulada, sob o título "Picasso: Retrato de uma Alma".